Systematization of nursing care in a university hospital: applicability of instruments



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SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO: APLICABILIDADE DOS INSTRUMENTOS

SYSTEMATIZATION OF NURSING CARE IN A UNIVERSITY HOSPITAL: APPLICABILITY OF INSTRUMENTS

SISTEMATIZACIÓN DE LA ATENCIÓN DE ENFERMERÍA EN UN HOSPITAL UNIVERSITARIO: APLICABILIDAD DE LOS INSTRUMENTOS

RESUMO

OBJETIVO: Analisar como ocorre a utilização dos instrumentos da Sistematização da assistência de enfermagem em um hospital universitário do município de Teresina-PI. MÉTODO: Trata-se de uma pesquisa descritiva, transversal, de abordagem quantitativa. O estudo foi desenvolvido em um Hospital Universitário localizado no município de Teresina-PI no mês de dezembro de 2014. RESULTADOS: Os postos 1, 3 e 4 do hospital possuem profissionais de ambos os sexos, dos participantes, 46 são mulheres (86%) e 7 são homens (14%) com média de idade 32,4 anos. Com tempo de formação acadêmica média de 8,2 anos. O tempo de experiência com a (SAE) teve média de 2,4 anos, sendo que 58,4% têm entre 2 meses até 1 ano de experiência. CONCLUSÃO: Apesar da importância e obrigatoriedade da utilização e domínio da (SAE) por parte das (os) enfermeiras (os) o estudo evidenciou que a aplicação dos instrumentos de implantação da (SAE) nesses postos enfrenta barreiras.

Descritores: Assistência de enfermagem; Processo de Enfermagem; Equipe de enfermagem.


ABSTRACT
OBJECTIVE: To analyze how does the use of instruments systematization of nursing care in a university hospital in the city of Teresina, PI. METHODO: This is a descriptive, cross-sectional, quantitative approach. The study was conducted in a university hospital located in the city of Teresina, PI in December 2014. RESULTS: The positions 1, 3 and 4 of the hospital have professionals of both sexes, of the participants, 46 are women (86%) and 7 are men (14%) with mean age 32.4 years. With time academic average of 8.2 years. The time experience with the (SNC) had a mean of 2.4 years, and 58.4% are between 2 months to 1 year experience. CONCLUSION: Despite the importance and mandating the use and mastery of (SNC) by the nurses study suggested that the use of the deployment of instruments (SNC) occupying faces barriers.

Keywords: Nursing care; Nursing process; Nursing staff.


RESUMÉN
OBJETIVO: Analizar cómo hace el uso de instrumentos de sistematización de la asistencia de enfermería en un hospital universitario de la ciudad de Teresina, PI. METODOLOGÍA: Enfoque descriptivo, transversal, cuantitativo. El estudio fue realizado en un hospital universitario localizado en la ciudad de Teresina, PI en diciembre de 2014. RESULTADOS: Las posiciones del hospital cuentan con profesionales de ambos sexos, de los participantes, 46 son mujeres (86%) y 7 son hombres (14%) con una edad media 32,4 años. Con el tiempo promedio académico de 8,2 años. La experiencia con el tiempo (SAE) tuvo una media de 2,4 años y el 58,4% tienen entre 2 meses a 1 año de experiencia. CONCLUSIÓN: A pesar de la importancia y la imposición del uso y dominio de (SAE) de los (las) enfermeros (el) estudio sugiere que el uso de la implementación de los instrumentos (SAE) que ocupan las caras barreras.

Descriptores: Cuidado de enfermería; Proceso de enfermería; El personal de enfermería



INTRODUÇÃO
Em 1950, inicia-se o foco na assistência de enfermagem holística, em que a visão dominante em relação ao cuidado vinculado aos sistemas biológicos começa a ser enriquecido com um novo enfoque no ser humano, o doente passa a ser visto com necessidades a serem atendidas pelos enfermeiros. Essa remodelagem da prática de enfermagem fez com que enfermeiras norte-americanas se organizassem em associações para discutir sobre as necessidades e as dificuldades relativas à profissão. Esse período caracteriza a grande busca dos enfermeiros para o desenvolvimento de um corpo de conhecimentos específicos e organizados para a enfermagem a fim de alcançar a sua identidade própria.1

No Brasil, em 1970, Wanda de Aguiar Horta, primeira enfermeira brasileira a aplicar teoria no campo profissional, desenvolveu uma nova visão da enfermagem por meio da elaboração da Teoria das Necessidades Humanas Básicas, embasada na Teoria da Motivação Humana de Abraham Maslow, a qual propõe uma assistência de enfermagem sistematizada pelo Processo de Enfermagem, que é descrita como uma proposta para melhorar a qualidade do cuidado prestado por meio do relacionamento dinâmico enfermeiro-cliente, fornecendo estrutura para tomada de decisão durante a assistência de enfermagem, tornando-a mais científica e menos intuitiva.1

A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) pode ser compreendida como um instrumento para planejar, estruturar, otimizar e organizar o ambiente de trabalho, além de definir atribuições aos membros da equipe de enfermagem. Portanto, a (SAE) é uma ferramenta que fornece subsídios para a organização da assistência e a gerencia do cuidado.2

Um dos grandes pilares da (SAE) é o Processo de Enfermagem (PE), e para sua viabilização é imprescindível à definição da base teórico-filosófica e os recursos envolvidos na produção do cuidado. O (PE) é um método que deve ser embasado em uma ou mais teorias de enfermagem. Os números de etapas em que se organiza o (PE) e, também, suas denominações modificam-se de acordo com o modelo adotado, variando de quatro a seis etapas, e devem seguir os princípios da teoria de enfermagem adotada.3

Embora o PE tenha sido introduzido no Brasil desde a década de 70, apenas em 2002 a SAE recebeu apoio legal do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), pela a Resolução n° 272, para ser implementada em âmbito nacional nas instituições de saúde brasileiras.4

Dada a importância e a necessidade da sistematização da assistência, o Conselho Federal de Enfermagem revogou a Resolução anterior e publicou a de N° 358/2009 que manteve a determinação sobre aplicação da (SAE) e o Processo de Enfermagem em estabelecimentos de assistência à saúde, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado do profissional de Enfermagem. De acordo com o art. 4º da referida Resolução, é incumbência do enfermeiro a liderança na execução e avaliação do PE, sendo privativo a esse o diagnóstico e a prescrição das ações ou intervenções de enfermagem.5

Diante do exposto, considerando que os enfermeiros são responsáveis pela utilização dos instrumentos de aplicação da (SAE) e do Processo de Enfermagem, o estudo objetivou: Analisar como ocorre a utilização dos instrumentos da Sistematização da assistência de enfermagem em um hospital universitário do município de Teresina-PI.

METODOLOGIA
O estudo foi desenvolvido em um Hospital Universitário localizado no município de Teresina-PI, que possui 214 leitos, destes 102 ativos, sendo 10 deles de UTI, 52 consultórios, além dos espaços para a prática, que incluem quatro salas de aula, laboratório audiovisual e auditório com capacidade para 150 pessoas. A coleta de dados foi realizada durante o mês de dezembro de 2014. Foram incluídas neste estudo, as (os) enfermeiras (os) assistenciais efetivas (os) e ativas (os) da instituição que aceitaram participar voluntariamente durante o período de coleta de dados e utilizavam em sua prática diária os instrumentos da (SAE). Que contabilizam um total de 67 profissionais dos quais apenas 53 responderam o questionário, pois 7 estavam de licença, 3 de férias e os outros 4 não aceitaram participar da pesquisa, a lista com nomes dos profissionais foi disponibilizada pela divisão de enfermagem do hospital. Estes responderam um questionário, que foi aplicado por um dos pesquisadores. Os informantes tiveram a possibilidade de responder questões sobre idade, sexo, ano de formação, anos de experiência profissional, ano de experiência com a (SAE), tempo de trabalho na instituição, a fim de caracterizá-los, e questões especificas sobre os instrumentos utilizados na (SAE) da instituição.

A análise dos dados foi feita por covariância, realizada a partir do levantamento e tratamento dos dados obtidos com a aplicação do instrumento em diferentes setores do hospital em que se utilizava a SAE postos 1, 3 e 4, pois o 2 estava inativo no período da coleta. Os dados foram transferidos e tabulados em banco de dados no software Microsoft Excel 2010. Os resultados foram apresentados em forma de tabelas, analisados de forma descritiva de acordo com literatura existente.

Foi solicitado aos participantes que assinassem o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) em duas vias, ficando uma com o pesquisador e outra com o participante. Os aspectos éticos foram contemplados, visto que o estudo foi realizado de acordo com a Resolução n° 466/12 do conselho nacional de saúde (CNS/MS)6, e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFPI, com o número do CAAE: 34716114.8.0000.5214 Como também recebeu carta de aprovação da CAPP-HUPI de número: 43/14.
RESULTADOS
Os postos 1, 3 e 4 do hospital possuem profissionais de ambos os sexos. Dos 53 que participaram da pesquisa 46 são do sexo feminino (86%) e 7 são do sexo masculino (14%). Na tabela 01, todos os participantes responderam o questionário com relação à idade, com média de idade de 32,4 anos desvio padrão (dp= 4,1).

Em relação ao tempo de formação a média foi 8,2 anos (dp=3,3). Com relação ao tempo de experiência com a SAE a média obtida foi de 2,4 anos (dp=2,57), 31 (58,4%) tem entre 2 meses até 1 ano de experiência e 22 (41,6%) tem mais de 1 ano. Quanto ao tempo de trabalho na instituição a média foi 7,2 meses com (dp= 5,07).

Quanto aos dados sobre a (SAE) foram coletados por meio de um questionário com 10 questões, descrito na tabela 2 que consta as questões de 1 a 6 e na tabela 3 as questões de 7 a 10. A primeira questão trata-se da frequência com que o profissional realizava a (SAE), sendo a alternativa SEMPRE a mais marcada (51) vezes 96,4%, ÀS VEZES (1) 1,8% e RARAMENTE (1) 1,8%. A Segunda questionou os instrumentos da (SAE) utilizados pelos profissionais, e se esses proporcionavam condições para organização da assistência prestada e obteve: SIM (29) 54%, SIM, MAS DEMANDA MUITO TEMPO (14) 26%%, 2, NÃO (6) 11,3%, NÃO, POIS É MUITO CONFUSO (4) 7,5%. A terceira foi sobre a qualidade do instrumento de planejamento da SAE e obteve: RUIM (20) 37,8%, BOM (32) 60,4%, ÓTIMO apenas (1) 1,8% e EXCELENTE (0) 0%. A quarta é sobre a frequência com que o instrumento de planejamento da SAE era aplicado por completo e tivemos que (29) 54,7% responderam que SEMPRE, (19) 36% ÀS VEZES, (4) 7,5% RARAMENTE e NUNCA (1) 1,8%. A quinta questionava se o histórico de enfermagem da instituição era satisfatório, (30) 56,7% consideraram que SIM, (4) 7,5% NÃO e 19 36% que SIM, MAS DEIXAVA A DESEJAR. A sexta questão perguntava se as enfermeiras costumavam preencher o histórico por completo e (26) 49,4% responderam SEMPRE, (24) 45,2% ÀS VEZES, (2) 3,6% NUNCA E (1) 1,8% RARAMENTE.

Tabela 1 Distribuição dos participantes da pesquisa segundo dados sociodemográficos dos postos 1, 3 e 4. Teresina, 2014


Características sociodemográficas


Participantes postos 1, 3 e 4

Total (n=53)


N

%

M

Idade*

25|— 30

30|—40

40



Total

11

40



2

53

20,8%

75,5%


3,7%

100%


32,4


Sexo

Feminino

Masculino

Total

46

7



53

86%


14%

100%





Tempo de profissão*

1|—5

5|—10

10



Total

7

26



20

53


14%


49%

37%


100%

8,2



Tempo de Experiência com a SAE*

1



1|—5

5|—16

Total

31

13



9

53

58,4%

24,5%


17,1%

100%


2,4


Tempo de Trabalho na Instituição**
1|—6

6|—12

12



Total

17

21

15



53

32%

39,6%


28,4%

100%

7,2


*Tempo em anos

**Tempo em meses

M= Média

Fonte: Dados da pesquisa

A sétima perguntava o que levaria os profissionais de enfermagem a não aplicar esses instrumentos, teve o seguinte resultado: FALTA DE TEMPO (23) 43%, RECURSO HUMANOS (6) 11,3%, DESINTERESSE (1) 1,8% E OUTRO (23) 43%. Destacam-se, alguns descreverem o motivo o qual levaria a não aplicação desses instrumentos como falta de treinamento por parte de toda a equipe, instrumento inadequado, excesso de trabalho principalmente para equipe noturna que era reduzida, os diagnósticos não contemplavam a realidade do paciente, atividades burocráticas, desconhecimento, pouca relevância e dificuldades. A oitava queria saber se os profissionais tinham conhecimento sobre a teoria utilizada na (SAE) da instituição e teve a seguintes respostas: POUCO (9) 16,9%, INTERMEDIÁRIO (25) 47,1%, MUITO (4) 7,5% e NÃO TENHO (15) 28,5 %. A nona buscava saber se alguma das etapas da (SAE) deixava ser realizada e teve como respostas: DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM (NANDA)(10) 18,1%, RESULTADOS DE ENFERMAGEM (NOC) teve maior expressão (34) 64,7% deixavam de realizar esta etapa, PRESCRIÇÃO DE ENFERMAGEM (3) 5,9% e nenhuma das anteriores (N.D.A) (6) 11,3%. E a décima e última questão queria saber se os profissionais de enfermagem tinham recebido algum treinamento da instituição para utilização dos instrumentos citados e (11) 20,7% responderam que SIM e (42) 79,3% que NÃO.



Tabela 2 Distribuição das respostas do questionário aplicado nos postos 1, 3 e 4. Teresina, 2014.

Questões

Respostas

Total

1 Com que frequência você realiza a Sistematização da assistência de Enfermagem (SAE)?

SEMPRE

(51)


96,4%

NUNCA

(0)


0%

ÀS VEZES

(1)


1,8%

RARAMENTE

(1)


1,8%

(53)


100%

2 Considera que os instrumentos da (SAE) proporcionam condições para organização da assistência prestada?

SIM
(29)

54%


NÃO
(6)

11,3%


MUITO CONFUSO

(4)


7,5%


DEMANDA MUITO TEMPO

(14)


26,2%

(53)


100%

3 Quanto ao instrumento de planejamento da assistência de enfermagem considera-o:

RUIM

(20)


37,8%

BOM

(32)


60,4%

ÓTIMO

(1)


1,8%

EXCELENTE

(0)


0%

(53)


100%

4 Você costuma preenchê-lo por completo:

SEMPRE

(29)


54,7%

NUNCA

(1)


1,8%

ÀS VEZES

(19)


36%

RARAMENTE

(4)


7,5%

(53)


100%

5 Considera o histórico de enfermagem da instituição satisfatório:

SIM

(30)


56,7%

NÃO

(4)


7,5%

SIM. MAS, DEIXA A DESEJAR

(19)


36%

(53)


100%


6 Você costuma preenchê-lo por completo:

SEMPRE


(26)

49,4%

NUNCA

(2)


3,6%

ÀS VEZES


(24)

45,2%

RARAMENTE

(1)


1,8%

(53)


100%

Fonte: Dados da pesquisa

Tabela 3 Distribuição das respostas do questionário aplicado nos postos 1, 3 e 4. Teresina, 2014.

Questões

Respostas

Total

7 O que levaria a não aplicar esses instrumentos por completo:

FALTA DE TEMPO

(23)


43,45%

RECURSOS HUMANOS

(6)


11,3%

DESINTERESSE
(1)

1,8%


OUTRO
(23)

43,45%


(53)


100%


8 Tem conhecimento sobre a teoria utilizada na (SAE) da instituição:

POUCO


(9)

16,9%

INTERMEDIÁRIO

(25)


47,1%

MUITO


(4)

7,5%


NÃO TENHO

(15)


28,5%

(53)


100%


9 Algumas dessas etapas da (SAE) deixa de ser realizada?

D. DE ENFERMAGEM

(10)

18,1%



RESULTADOS (NOC)

(34)


64,7%

INTERVENÇÕES(NIC)


(3)

5,9%


N.D.A


(6)

11,3%

(53)

100%



10 Recebeu algum treinamento para utilização desses instrumentos citados?

SIM


(11)

20,7%

NÃO

(42)


79,3%

(53)


100%

D. de Enfermagem: Diagnósticos de Enfermagem

NOC: Classificação dos Resultados de Enfermagem

NIC: Classificação das Intervenções de Enfermagem

Fonte: Dados da pesquisa
DISCUSSÃO
O perfil geral das (os) enfermeiras (os) dos postos 1, 3 e 4 corresponde a uma maioria feminina (86%) o que já é esperado devido a predominância do gênero na profissão desde os primórdios como mostra alguns estudos.7 Com uma média de idade de 32,4 anos com tempo de experiência média de 8,2 anos e tempo de trabalho na instituição com média de 7,2 meses, isto devido à seleção desses profissionais ter sido feita por um concurso público recente, como também o hospital foi ativado há pouco tempo. A média de idade é inferior se comparado a um estudo similar realizado em um hospital universitário de Minas Gerais, em que a média de idade é de 36 anos. Nesse mesmo estudo a maioria era do sexo feminino (98,11%), porém com tempo de trabalho da instituição com média de 4 anos.8

Quanto ao tempo de experiência com a (SAE) podemos notar que a grande maioria (58,8%) disse ter até 1 ano de experiência com a mesma, porém (49%) tem tempo de trabalho como enfermeiro de 5 a 10 anos, dessa forma podemos dizer que essa em algumas instituições de saúde é uma atividade que ainda está começando a ser colocada em prática e tal fato pode ter origem no alto grau de dificuldade para implantá-la, uma vez que a estrutura organizacional da instituição de saúde deve estar envolvida nesse processo.8,9

A maioria dos profissionais realiza a (SAE), porém muitos consideram que aplicação dos instrumentos demanda muito tempo e chegam a considerá-lo ruim como mostra os resultados, e dessa forma acabam não o preenchendo por completo. Comparando com outros estudos semelhantes tais informações acabam sendo reafirmadas, pois estes mostram que enfermeiras perceberam que a implantação da (SAE) não alterava a assistência e relataram que ela burocratizava a assistência de enfermagem. Por outro lado, grande parte avaliou que a (SAE) beneficiava ou beneficiava muito a assistência.3,8

O mesmo pode ser constatado quando se questiona sobre o histórico de enfermagem da instituição, em que maioria relata estar satisfeito com o instrumento, porém nem sempre costumam preencher por completo. E os motivos para não preencherem tais instrumentos são diversos principalmente a falta de tempo com maior frequência. Alguns estudos mostram como motivos principais a sobrecarga de trabalho, desvios e a indefinição da função do enfermeiro que também fica responsável por atividades burocráticas e não somente com assistência. Problemas para a implantação da (SAE) dada a sobrecarga de trabalho, são recorrentes nos estudos dessa temática.10,11

Para uma assistência de enfermagem adequada e individualizada, é necessário que a implantação da SAE esteja ajustada a realidade da instituição, como número de funcionários, horas semanais de serviço, tipo e intensidade de cuidado demandado pelos pacientes internados na unidade.11,12

Outro dado importante é sobre o conhecimento dos profissionais em relação à teoria utilizada na (SAE) da instituição em que grande parte mostra ter um conhecimento pouco ou intermediário, até mesmo não ter conhecimento. Alguns estudos mostram que a falta de conhecimento sobre a teoria utilizada pode afetar a prática assistencial, pois o conhecimento do profissional de enfermagem sobre a teoria utilizada é fundamental para uma boa assistência.8

Podemos inferir por meio desta pesquisa que a falta de experiência com a (SAE) pode fazer as (os) enfermeiras (os) deixarem de realizar certas etapas com maior frequência tais como: diagnósticos de enfermagem (NANDA) e resultados de enfermagem (NOC). Alguns estudos sugerem melhorar a utilização dos instrumentos, por meio da educação continuada e permanente junto aos profissionais. E os dados mostram que a grande maioria não teve ou não recebeu nenhum treinamento da instituição para a utilização dessas ferramentas, apesar de referirem pouca experiência com a (SAE).10,12

Certos estudos mostram que os fatores que facilitam a implantação da (SAE) citados pelos profissionais da equipe de enfermagem são as capacitações e reuniões com a equipe, além de reformulações da (SAE). O preparo do profissional para desenvolver a (SAE) é fundamental, devendo fazer parte do programa de educação em serviço da instituição como também a capacitação e esclarecimento de duvidas sobre o processo de enfermagem e o modelo teórico que sustenta as fases da (SAE).10,11,13


CONCLUSÃO
Apesar da importância e obrigatoriedade da utilização e domínio da (SAE) por parte das (os) enfermeiras (os) o estudo evidenciou que a aplicação dos instrumentos de implantação da (SAE), enfrenta barreiras, como a sobrecarga de trabalho, o pouco conhecimento sobre a teoria utilizada e pouca experiência com a (SAE) da grande maioria dos participantes. Mesmo por que o tempo de trabalho na instituição ainda é recente.

Os resultados do estudo demonstraram que, para a implantação eficaz da (SAE), é necessária a realização de processos de capacitação sobre a (SAE), de sensibilização dos profissionais quanto a sua importância e de avaliação periódica da sua implementação, de forma a adequar o processo sempre quando necessário para este se torne viável a realidade do serviço. Seria oportuna também uma adequação dos impressos para cada setor, com o intuito de diminuir de maneira mais expressiva o tempo de aplicação desses instrumentos.



Dessa forma podemos concluir, a implantação dos instrumentos da (SAE) deve ocorrer por meio de uma gestão participativa, que leve em consideração os aspectos organizacionais, como número de funcionários e intensidade de cuidado demandado pelos pacientes de cada posto.

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