Sumário governador raimundo colombo



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ATA DA 023ª SESSÃO ESPECIAL DA

2ª SESSÃO LEGISLATIVA DA 17ª LEGISLATURA

REALIZADA EM 07 DE AGOSTO DE 2012

PRESIDÊNCIA DO SENHOR DEPUTADO GELSON MERISIO

EM HOMENAGEM AOS 80 ANOS DA ASSOCIAÇÃO CATARINENSE DE IMPRENSA FUNDADA PELO JORNALISTA ALTINO FLORES
Sumário
GOVERNADOR RAIMUNDO COLOMBO – Reconhece a importância da imprensa no nosso dia a dia.
DEPUTADO MARCOS VIEIRA – Aborda a coragem e determinação de Altino Flores.
JORNALISTA MOACIR PEREIRA – Discorre sobre o grupo fundador do Clube da Imprensa.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Gelson Merisio) – Invocando a proteção de Deus, declaro aberta a presente sessão especial.

Convido os srs. deputados Dirceu Dresch e José Nei Ascari para conduzirem à mesa as autoridades que serão nominadas a seguir:

Excelentíssimo governador do estado de Santa Catarina, João Raimundo Colombo;

Excelentíssimo deputado estadual Marcos Vieira, autor do requerimento que ensejou a presente sessão;

Excelentíssimo senhor subprocurador-geral de Justiça, dr. José Galvani Alberton, neste ato representando o Ministério Público do Estado de Santa Catarina;

Excelentíssimo sr. presidente da Associação Catarinense de Imprensa, Ademir Arnon.

Esta Presidência também destaca as presenças dos deputados Elizeu Mattos, Cesar Souza Júnior e Gilmar Knaesel; dos conselheiros Salomão Ribas Júnior e José Carlos Pacheco; do secretário de Segurança Pública César Augusto Grubba; e do comandante da Polícia Militar Nazareno Marcineiro.

Excelentíssimas autoridades, sras. deputadas e srs. deputados, a presente sessão foi convocada por solicitação do sr. deputado Marcos Vieira e aprovada por unanimidade pelos demais parlamentares em homenagem à Associação Catarinense de Imprensa, na passagem dos seus 80 anos.

Neste momento, teremos a interpretação do Hino Nacional pelo coral da Assembleia Legislativa, sob a regência do maestro Reginaldo da Silva.

(Procede-se à interpretação do hino.)

O governador do estado de Santa Catarina viajará a Brasília logo em seguida, mas, atendendo ao convite do deputado Marcos Vieira e dada a grande relevância que tem a entidade para Santa Catarina, quis vir aqui para deixar um abraço à entidade e aos seus componentes.

Por isso, concedo a palavra ao governador João Raimundo Colombo.

O SR. GOVERNADOR JOÃO RAIMUNDO COLOMBO – Quero cumprimentar todos aqui presentes e também o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gelson Merisio; o subprocurador-geral de Justiça, dr. José Galvani Alberton, neste ato representando o Ministério Público; o deputado Marcos Vieira, autor do requerimento - e em seu nome estendo o cumprimento a todos os deputados da nossa Assembleia -; o querido amigo e presidente da Associação Catarinense de Imprensa, Ademir Arnon; o nosso capelão do Imperial Hospital de Caridade, padre Pedro José Koeller; o querido amigo e líder jornalista Moacir Pereira - e em seu nome cumprimento todos os jornalistas, dando um abraço especial ao meu querido amigo Roberto Alves, testemunha do meu tempo de atleta -; o querido amigo Salomão Ribas Júnior, conselheiro do Tribunal de Contas.

Gostaria de invocar a memória do professor e jornalista Altino Flores, fundador da Associação Catarinense de Imprensa, homenageando a sua filha, Noemi, e também Norton Boppré, seu neto.

Quero dizer da alegria de estar aqui revendo figuras ilustres que são referências na sociedade catarinense homenageando a nossa associação, 80 anos de história, de força, de liberdade, de fundamento da democracia que honra muito o nosso estado, que fortalece de forma extraordinária a nossa história. Nos momentos mais importantes, desafiadores, a presença firme, independente, corajosa da nossa imprensa faz com que Santa Catarina seja esse estado diferenciado, como é.

É natural que seja difícil o convívio em associação, a luta em comum. Mas a nossa associação de imprensa tem conseguido, cada vez com mais força, agregar, fortalecer, se tornar cada vez mais presente no nosso dia a dia, e nos últimos anos ela tem realmente tido bastante repercussão, reconhecimento e cada vez mais importância como associação, já que a imprensa sempre tem importância no nosso dia a dia.

Então, faço essa passagem rápida para trazer um grande abraço de reconhecimento, de gratidão, de admiração por tudo que a imprensa representa e faz no nosso dia a dia e fez na nossa história, e pelos personagens, pois a imprensa por si só é um instrumento, quem o faz são as pessoas, os profissionais. Por isso, o nosso grande reconhecimento.

Peço desculpas por não poder ficar mais, estou indo a Brasília, hoje haverá uma solenidade e amanhã teremos um ato muito importante, vamos assinar e praticar atos que já estão se desenvolvendo, de grande importância para Santa Catarina. Estamos assinando o contrato de R$ 600 milhões para prevenção das cheias no alto vale do Itajaí. Uma luta de tantos anos e que agora conseguimos, de forma definitiva, trabalhar naquilo que vai amenizar significativamente o impacto disso na sociedade.

Foram tantas as coberturas da imprensa, a denúncia, as cobranças em termos de uma ação que, através de uma associação com o governo federal, a presidente Dilma amanhã estará presente. Uma parte será financiada, outra a fundo perdido para fazermos obras importantes na contenção. Ainda na quinta-feira, pela manhã, consolidaremos todo um processo de compensação da questão da Resolução n. 72, da questão do ICMS que vai permitir desenvolvermos um leque de obras muito expressivo no nosso estado.

Então, é um momento importante para o governo, para Santa Catarina. Quero deixar esse relato àqueles que compreendem muito bem esse momento.

Parabéns, o nosso reconhecimento. Vejo aqui figuras ilustres que são a história, que fazem a história e que dão qualidade a essa história em Santa Catarina, que é o que é, mas deve muito a nossa imprensa, a sua independência, a sua coragem, aàs figuras heróicas e especiais da nossa sociedade.

Parabéns. Um grande abraço.

Muito obrigado!

(Palmas)


(SEM REVISÃO DO ORADOR)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Gelson Merisio) – Como é praxe desta Casa, vou passar a Presidência dos trabalhos ao deputado Marcos Vieira, propositor desta sessão, para poder acompanhar também o governador Raimundo Colombo, mas não sem antes cumprimentar todos os jornalistas, os amigos, as amigas que aqui estão num dia importante e bonito para Santa Catarina. A imprensa representa a vontade do catarinense, expressa as nossas angústias e expressa as nossas alegrias.

Por isso, em nome da Casa, dos 40 deputados, tenham certeza de que é uma alegria muito grande poder cumprimentá-los, na pessoa do seu presidente, pelos serviços prestados a Santa Catarina. Passo a Presidência ao deputado Marcos Vieira.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcos Vieira) – Srs. deputados, senhoras e senhores, vamos dar continuidade a esta sessão especial em homenagem aos 80 anos da Associação Catarinense de Imprensa.

Convido também para fazer parte da mesa o excelentíssimo sr. secretário de estado de Segurança Pública, dr. César Augusto Grubba;

Convido igualmente para fazer parte da mesa sua excelência, o conselheiro Salomão Ribas Júnior, neste ato representando o Tribunal de Contas do Estado;

Faço questão de fazer o registro da presença das seguintes autoridades:

Senhor Eurico Meira, representando o Grupo RBS em Santa Catarina;

Senhor Joceli de Souza, presidente da Fundação Catarinense de Cultura;

Também convido para fazer parte da mesa o excelentíssimo senhor secretário de estado de Gestão de Recursos Desvinculados, Celso Calcagnoto;

Registramos a presença do senhor Salomão Mattos Sobrinho, secretário municipal da Secretaria Executiva de Serviços Públicos;

Senhor jornalista Marco Aurélio Gomes, neste ato representando a Associação Catarinense de Emissoras de Rádios e Televisão, Acaert;

Senhor Gerson Basso, presidente do Partido Verde;

Senhor coronel PM Nazareno Marcineiro, comandante-geral da Polícia Militar de Santa Catarina;

Senhor Amilton Peluso, presidente do Conselho Fiscal da Associação Catarinense de Imprensa;

Senhora Sílvia Hoepcke, segundo vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Florianópolis e vice-presidente do Instituto Karl Hoepcke;

Reverendíssimo senhor Padre Pedro José Koeller, neste ato representando sua excelência reverendíssima dom Wilson Jonk, arcebispo metropolitano;

Senhor Elmar Meurer, assessor de imprensa, neste ato representando a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina;

Senhor José Carlos Pacheco, provedor do Imperial Hospital de Caridade de Florianópolis, e ex-conselheiro do Tribunal de Contas;

Senhor Tenente Jean Greco, neste ato representando a 14ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército;

Senhora tenente Andressa Braun, neste ato representando o capitão dos portos de Santa Catarina, senhor Cláudio da Costa Lisboa;

Também cumprimento de forma especial a senhora Noemi Flores Boppré, filha do homenageado Altino Flores (in memoriam), e em seu nome também cumprimento todos os familiares do grande catarinense Altino Flores;

Senhoras e senhores, neste momento convido o eminente deputado Gilmar Knaesel para presidir os trabalhos desta Casa, enquanto faço uso da palavra como autor do requerimento que ensejou a presente sessão.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Gilmar Knaesel) – Com a palavra o Sr. Deputado Marcos Vieira.

O SR. DEPUTADO MARCOS VIEIRA – Quero cumprimentar o deputado Gilmar Knaesel, que ora preside esta sessão;

Cumprimento o secretário de estado da Segurança Pública, dr. César Grubba;

Doutor José Galvani Alberton, que representa o Ministério Público;

Senhor Ademir Arnon, presidente da Associação Catarinense de Imprensa;

Senhor conselheiro Salomão Ribas Júnior, que representa o Tribunal de Contas de Santa Catarina;

Senhores deputados Dirceu Dresch, José Nei Ascari, Elizeu Mattos e Cesar Souza Júnior;

Senhoras e senhores que se fazem presentes aqui nesta noite de homenagem à Associação Catarinense de Imprensa;

Cumprimento todos os telespectadores que nos acompanham pela TVAL, bem como os que nos ouvem pela Rádio Alesc;

(Passa a ler.)

“Estamos reunidos nesta noite com uma nobre intenção: comemorarmos juntos os 80 anos da Associação Catarinense de Imprensa. São oito décadas integrando e qualificando profissionais, tornando a imprensa forte e cada vez mais independente. Ganhamos todos com isso, pois quanto mais livre, mais democrática a imprensa será.

Mas para chegarmos nesta data, temos que ressaltar a coragem de seus pioneiros, foram eles que, vislumbrando o futuro, investiram em seus sonhos e transformaram o mundo. Foi assim e continua sendo, desde a época dos grandes descobrimentos; são pessoas que não têm medo do desconhecimento, são pessoas que não se acomodam no cotidiano, pessoas diferenciadas que estão sempre à frente de seu tempo, pois falar dos pioneiros é, antes de tudo, falar de homens de virtude.

Falo, portanto, do jornalista e professor Altino Flores, quem podemos definir como o fundador dessa associação que homenageamos no dia de hoje. Não fosse sua coragem, sua determinação, não estaríamos celebrando esta data.”

Meu pai, Francisco Magno Vieira e minha mãe, a professora Ilda Teodoro Vieira, sempre falaram no professor Altino Flores. Então, hoje tenho orgulho imenso de, na tribuna desta Casa do Povo, falar nesse nome e, com certeza absoluta, o meu pai e a minha mãe, que lá em cima se encontram, estão muito contentes por eu estar pronunciando o nome do professor Altino Flores nesta data.

(Continua lendo.)

“Altino Flores, combativo, independente e defensor ferrenho da ética, contaminou seus companheiros e exerceu uma liderança incontestável, não somente no jornalismo como no Magistério e nas funções de atuação em diversos governos estaduais.

O espírito de Altino Flores incentivou uma geração inteira na comunicação e volto a fazer a homenagem a sua família, citando, mais uma vez, sua filha, dona Noemi Flores Boppré que está presente.

Quem de nós, nascidos e criados nesta ilha de Santa Catarina, não recorda do Camisa Amarela, o radialista Murilo José Flores Lino que, durante muito tempo, narrou jogos de futebol pelas rádios Anita Garibaldi, Guarujá, Diário da Manhã, A Verdade e Santa Catarina.

O Camisa Amarela é neto de Altino Flores. Mas não parou por aí. A família ainda tem significado na comunicação com nomes como Carlos Eduardo Lino, filho do Camisa Amarela que faz um trabalho competente nesta área. Além da própria irmã, a publicitária Eliana e do marido, o também jornalista André Luis, a família ainda conta com a mais nova nesta área, a Bárbara, filha do Carlos Lino, que recebeu o diploma neste mês.

Mas nossa obrigação é, além de homenagear os pioneiros, continuar levando à frente seus ideais, seus exemplos, também realizando feitos e ajudando a construir a história. Assim como está fazendo sua família.

Falo isso muito confiante, pois como Altino temos vários outros símbolos nesses 80 anos de Associação que fizeram ou que continuam construindo a imprensa que, em nosso estado, existe há 181 anos, desde a fundação do jornal O Catharinense, do lagunense Jerônimo Coelho. Estas pessoas também são pioneiras, servem de referência para as novas gerações e continuam não temendo o desconhecido, seja investindo na comunicação, tanto na criação de empresas, quanto no ofício diário do jornalismo.

No oeste, citamos o pioneiro Alfredo Lang, fundador da rádio Supercondá de Chapecó. Pioneiros como Ageu Vieira que atua na comunicação há mais de 30 anos, sendo que 12 deles dedicados somente à Rede Peperi de Comunicação, de São Miguel d’Oeste.

Jairo Miguel, fundador do jornal Novooeste, de Maravilha; o jornalista Moacir Pereira que aqui está e também faz parte da Associação Catarinense de Imprensa e é um dos mais entusiastas escritores catarinenses; Luiz Goedert, o Luizinho, radialista da Grande Florianópolis que começou a sua rede de comunicação com um jornal em Santo Amaro da Imperatriz; o pioneirismo das rádios comunitárias e de seus colaboradores, como José Braz da Silveira, fundador da Rádio Biguaçu FM, em 1998.

Enfim, são tantas as histórias e valores dessas pessoas que foram e continuam sendo pioneiras e que nos dão a certeza de que a imprensa catarinense está em boas mãos.

Assim, vão incentivando novos comunicadores, novos empreendedores que continuarão sendo pioneiros avançando neste mundo, o que é fundamental para a democracia.

Os 80 anos da associação merecem destaque ainda mais quando se trata de uma organização que defende o direito do ouvir e do falar; que defende o direito da livre opinião, mas com responsabilidade e com a dignidade que seus leitores, ouvintes ou telespectadores merecem.

Parabéns, Associação Catarinense de Imprensa!

Tenho certeza de que na figura deste jornalista, Ademir Arnon, e sua ótima assessoria na pessoa do jornalista Manoel Timóteo e de toda a Associação Catarinense de Imprensa entre outros, está preparada para encarar mais 80 anos de existência.

Muito obrigado!”

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Gilmar Knaesel) – Devolvo a Presidência desta sessão especial ao eminente deputado Marcos Vieira.

O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcos Vieira) – Convido o jornalista Valter Souza para proceder à nominata dos homenageados.

O SR. MESTRE DE CERIMÔNIAS (Valter Souza) – Senhoras e senhores, muito boa-noite!

Gostaria de lembrar a todos que esta sessão especial está sendo transmitida ao vivo pela Rádio Alesc e também pela TVAL para todo o estado de Santa Catarina e que será reprisada ao longo desta semana.

Neste momento, o Poder Legislativo catarinense presta homenagem à Associação Catarinense de Imprensa, na passagem dos seus 80 anos de destacada atuação em Santa Catarina com o compromisso de informar e integrar a comunidade às ações dos profissionais e dos veículos de comunicação social, fortalecendo assim a Associação Catarinense de Imprensa no cenário estadual e no cenário nacional.

Convido o sr. deputado Marcos Vieira para fazer a entrega da homenagem, em nome do Poder Legislativo, ao jornalista Ademir Arnon, neste ato representando a Associação Catarinense de Imprensa.

(Procede-se à entrega da homenagem.)

(Palmas)

Dando continuidade às homenagens, o Poder Legislativo presta homenagem ao jornalista Altino Flores, in memoriam.

Jornalista e professor, fundador da Associação Catarinense de Imprensa, destacada presença na comunicação do estado, exemplo total de cidadania. Exerceu o jornalismo com honradez, coragem, independência e dignidade contribuindo assim para a educação e para a vida pública de Santa Catarina.

Convido todos os deputados presentes na Assembleia Legislativa para acompanharem o deputado Marcos Vieira na entrega da homenagem à Noemi Flores Boppré, neste ato representando o jornalista Altino Flores, in memoriam.

(Procede-se à entrega da homenagem.)

(Palmas)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcos Vieira) – Convido para fazer uso da palavra o jornalista Moacir Pereira, em nome da Associação Catarinense de Imprensa.

O SR. JORNALISTA MOACIR PEREIRA – Excelentíssimo senhor presidente desta sessão solene, deputado Marcos Vieira; senhor presidente da ACI, companheiro Ademir Arnon, em nome de quem solicito permissão para cumprimentar as autoridades já mencionados pelo protocolo; srs. deputados; autoridades civis, eclesiásticas aqui representadas; digníssimos familiares do estimado, saudoso Altino Flores, que se homenageia na pessoa da sua querida filha Noemi Flores Boppré; companheiros de imprensa, senhoras e senhores.

Registro também a presença do meu querido e estimado amigo Sérgio Flores Lino, neto do homenageado, que na minha modesta maneira de ver encarnou por muito tempo a pena talentosa, a coragem, a determinação e a competência profissional de Altino Flores que, infelizmente, mas por respeitável decisão, recolheu-se ao extraordinário município de Rancho Queimado.

(Passa a ler.)

“Retorno mais uma vez e com muita honra à tribuna da Casa do Povo Catarinense para, cumprindo missão conferida pelo presidente Ademir Arnon, compartilhar com todos algumas notáveis do jornalismo, exemplos da boa imprensa que se pratica neste estado.

Agradecimentos, em primeiro lugar, ao deputado estadual Marcos Vieira, autor da proposta desta celebração, ao presidente Gelson Merisio, parceiro de todos os eventos e a todos os deputados estaduais.

Mais do que resgatar a história da entidade que se transformou em oito décadas na voz da comunicação catarinense, esta sessão presta um merecido tributo ao fundador e primeiro presidente da ACI, o talentoso, íntegro, corajoso e destemido jornalista Altino Flores.

Foi, sem dúvida, por seu idealismo, espírito classista e sentido visionário que marcou suas ações que os profissionais puderam contar com uma instituição a uni-los e a defender seus princípios.

Altino Flores, muito jovem, fundou a Academia Catarinense de Letras com José Boiteux, Othon Gama d’Eça, Nereu Ramos, Clementino Brito, Ivo d’Aquino e Henrique da Silva Fontes.

Destacou-se como paradigma do jornalismo ético e independente e, sobretudo, pela inestimável contribuição à cultura e à educação estadual.

A solenidade que hoje se realiza e a merecida homenagem deve-se a este elogiável esforço da diretoria da ACI de resgatar personagens e fatos que marcaram a história da imprensa de Santa Catarina no século passado.

O livro Altino Flores, fundador da ACI, que tive o prazer de organizar e lançar em 2010, mostrou que a fundação da entidade por Altino Flores não se dera em 1934, como consta em livros e documentos da Academia Catarinense de Letras e do Instituto Histórico, mas em 31 de julho de 1932.

O empenho dos colegas da ACI na preservação da memória da imprensa catarinense neste octogésimo aniversário permitiu novas pesquisas e outras revelações inéditas.

Pesquisas realizadas na Biblioteca Pública do Estado, com a inestimável colaboração do professor João Batista Soares, aqui presente, permitiram recuperar fatos históricos desconhecidos da maioria dos jornalistas, dos estudiosos e das autoridades.

A primeira e mais impactante, saboreada como garimpeiro que encontra uma pepita preciosa, está lá nos jornais República e o O Dia.

Trinta anos antes da fundação da Associação Catarinense de Imprensa, os jornalistas, da minha terra, já tinham sua organização.

No dia 27 de abril de 1902 foi fundado em Florianópolis o Clube da Imprensa. Portanto, antes da criação da Associação Brasileira de Imprensa, em 1908, no Rio de Janeiro, pelo catarinense Gustavo de Lacerda.

Fato mais relevante: Entre os líderes do grupo fundador do Clube da Imprensa lá está José Boiteux, considerado sem favor, o mais completo intelectual catarinense do século passado.

José Boiteux constitui a citação constante nas primeiras atividades do Clube da Imprensa e durante suas publicações nos jornais aqui do início do século passado, fazendo questão em titular-se sempre jornalista em todas as intervenções culturais.

O historiador pioneiro, o emérito professor, o estudioso desembargador e o consagrado político assim vinha sempre, segundo sua decisão, depois do jornalista.

Impõem-se assim, sr. presidente, à Associação Catarinense de Imprensa, a partir desse fato histórico relevante e pouco conhecido, recuperar para as novas gerações de catarinenses a gigantesca figura do incomparável José Boiteux e sua maravilhosa obra.

Fundador e primeiro secretário do Instituto Histórico Geográfico em 1896, fundou e organizou o Clube de Imprensa em 1902. Criou em Santa Catarina a Cruz Vermelha Internacional.

Tem mais, muito mais: Implantou a educação superior, com a criação do Instituto Politécnico em 1917, e por isso ganhou do grande Henrique da Silva Fontes o título de patriarca do ensino superior de Santa Catarina.

É mentor da Sociedade Catarinense das Letras em 1920 e depois da Academia Catarinense de Letras e seu primeiro presidente. Secretário da primeira diretoria da Academia de Letras, o grande jornalista Altino Flores.

Boiteux liderou ainda e fundou em 1932 a Faculdade de Direito em Santa Catarina, semente que brotou fértil e viabilizou a Universidade Federal em 1960.

Impressiona realmente constatar naquele período as históricas realizações culturais de Altino Flores, José Boiteux, Nereu Ramos, Henrique da Silva Fontes, Othon Gama d’Eça, entre outros notáveis, todos com forte atuação nos jornais de Santa Catarina.

O segundo achado precioso destas pesquisas está lá nos jornais de 1911.

Para marcar os oitenta anos da fundação da imprensa catarinense por Jerônimo Coelho, os jornalistas decidiram promover uma sessão magna no Teatro Álvaro de Carvalho. Entre os líderes do movimento, outra vez, José Boiteux.

A solenidade foi um acontecimento em Florianópolis. Orador oficial: Nereu Ramos que, recém formado em Direito, iniciava sua vitoriosa carreira política como redator do jornal República.

Com apenas 22 anos de idade revelava inteligência, cultura, sabedoria e, sobretudo, um jovem à frente de seu tempo. Dominava os clássicos da política e da literatura ao relatar as conquistas humanas e o lançamento de O Catharinense, comemorado naquela época dia 11 de agosto.

Nasceu em Lages, mas já estava encantado com nossa Ilha. Santa Catarina – disse então – a Ilha dourada que a natureza circundou dessas montanhas que embevecem o caminheiro e comove o marujo, a ilha privilegiada onde a bondade anda sempre de braços dados com a candura e onde o sonho e a fantasia não se separam da inteligência e da razão, sentiu também, a 11 de agosto de 1831, embalsamar-lhe o sopro de vida nova que o jornal espalha, triunfal e insubmisso.

Renovou compromissos éticos: ‘Aqui, como em todo o Brasil, na velha e culta Europa, como no novo continente, a imprensa é sempre a mesma, a paladina ardorosa das liberdades políticas, a intrépida defensora dos direitos dos fracos e oprimidos, a atalaia da justiça sócia.’

O voto feminino chegou ao Brasil apenas na Constituição de 1934. Muito antes, Nereu Ramos já defendia direitos das mulheres:

‘Se me perdoardes uma visão introspectiva pelo futuro, eu vos adiantarei, sem temor de erronias e sacrilégios, que a imprensa brasileira há de ser aqui o que a imprensa há de ser em todo mundo: a emancipadora integral da mulher, tal como já a sonhava Platão, a bandeira bendita das aspirações pacifistas que movimentam os mais alevantados espíritos do orbe civilizado; ela há de ser o socialismo puro com todas as suas enormes vantagens que não passaram despercebidas, antes foram carinhosamente afagadas por esse espírito límpido e sereno, por esse diplomata notabilíssimo que foi Leão XIII.

Não nos enganemos. As ideias pacifistas, as aspirações igualitárias e a reivindicação dos direitos da mulher vão fazendo o seu caminho e empolgando o mundo culto.’

Altino Flores, ao contrário de Nereu Ramos, não teve o privilégio da formação universitária. Autodidata, dominou a gramática como poucos, porque muito estudou e muito leu. Professor de português, aprendeu com Machado de Assis, Aluisio Azevedo e José de Alencar. Lecionou francês, porque lia Balzac, Victor Hugo, Anatole France, Gustave Flaubert e Marcel Proust no original.

Seu estilo fluente, com narrativas prodigiosas, vieram das obras de Eça de Queiroz, Ramalho Urtigão, Antero de Quentão.

Nereu Corrêa escreveu no Correio do Povo: ‘Ágil no manejo da pena, instantâneo na réplica, sincero e claro na exposição do seu pensamento, que sabia revestir com a elegância de um estilista, Altino Flores adquiriu fama de polemista imbatível.’

Um combatente da escrita que não hesitou em abrir histórica batalha com o arcebispado, apenas para defender as ideias do francês Ernest Renan, em nome de princípios, da verdade e da ciência. E 30 anos depois estava esgrimindo com os modernistas catarinenses do Grupo Sul.

Osvaldo Machado resumiu bem, em artigo publicado em história da inteligência ilhoa: ‘Altino Flores estará honrando-lhe a primeira página’.

O desembargador Norberto Ungaretti, que conviveu com Altino Flores, então zeloso secretário da Casa Civil de Jorge Lacerda, testemunhou o rigor ético com que zelava o patrimônio público. Definiu o professor como ‘cultor do vernáculo’, e ‘artista da palavra’.

Na celebração dos 80 anos da imprensa, há 111 anos, Nereu Ramos proclamou.

‘A imprensa catarinense nada mais tem sido nem há de ser que a pregoeira indomável e indefesa da Verdade.’

Setenta anos depois, em Mensagem ao jornalista moço de Santa Catarina, Altino Flores ensinava: ‘Mentir ao povo é o mesmo que por veneno no prato de quem pede que lhe matemos a fome. A mentira é a arma dos desonestos e dos covardes. Por isso, meus jovens, coloquem acima de tudo o sagrado culto da Verdade.’

Altino Flores, José Boiteux, Nereu Ramos, Henrique Fontes, Othon Gama d’Eça, tinham posições partidárias e ideológicas diferentes e até conflitantes. Mas convergiam na unidade quando a causa era a defesa da liberdade de expressão, a dignidade da pessoa humana, a prevalência da verdade e a efetiva aplicação da Justiça.

Estes e muitos outros nomes destacados de nossa imprensa vão emoldurar e enriquecer o futuro Museu da Comunicação Catarinense, antigo sonho da ACI, próximo de se tornar um novo espaço cultural, em histórica parceria com a Fundação Catarinense de Cultura, através do seu presidente, Joceli de Souza aqui presente. E com o apoio decisivo do governo do estado.

Um projeto moderno, interativo, de concepção inovadora, que vai servir à educação, à comunidade, ao turismo e à imprensa, para cumprir múltiplas finalidades no estado.

Museu que será também a sede da associação fundada por Altino Flores, que ficará no prédio construído por Nereu Ramos, que vai cumprir os ideais de José Boiteux de preservação histórica, e projetar profissionais e instituições que ajudaram a divulgar e a construir este maravilhoso estado.

Muito obrigado às autoridades, aos familiares, aos profissionais de imprensa e a todos que participaram desta sessão especial em homenagem aos 80 anos da nossa entidade, especialmente ao nosso senador, o grande Altino Flores.

Muito boa-noite a todos!

(Palmas)


(SEM REVISÃO DO ORADOR)

O SR. PRESIDENTE (Deputado Marcos Vieira) – A Presidência agradece a presença das autoridades com assento à mesa e a todos que nos honraram com os seus comparecimentos.



Antes de encerrar a presente sessão especial, convocamos outra, para amanhã, no horário regimental, com a seguinte Ordem do Dia: matérias em condições regimentais de serem apreciadas pelo Plenário.

Está encerrada a sessão.


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