Série Sobre Calvinismo – Parte 1 – Origem e Desenvolvimento do Calvinismo



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Série Sobre Calvinismo – Parte 1 – Origem e Desenvolvimento do Calvinismo







PARTE 1

ORIGEM e DESENVOLVIMENTO do CALVINISMO
Para a surpresa de muitos, sei que eu fiquei chocado por este descobrimento, as doutrinas básicas do calvinismo não se originaram na Reforma, mas na Igreja Católica, especificamente com Agostinho. A posição de Agostinho foi apenas reformulada pela Reforma. Queremos traçar rapidamente a história do “calvinismo” da sua origem com Agostinho de Hipona, até os dias modernos.
Agostinho de Hipona (354-430)
A verdade é que o conceito de “calvinismo” (predestinação dupla, etc.) começou com Agostinho de Hipona. A Igreja Católica o chama Santo Agostinho, um dos primeiros santos da Igreja Católica e principal teólogo. Ele é considerado ser o pai do Catolicismo Romano. Antes de converter para Cristianismo, ele era um estudante da filosofia pagã de Neoplatonismo. Ele escreveu muito e tinha uma influência grande e duradoura sobre a doutrina da Igreja Católica Romana.
Muitas das doutrinas erradas da Igreja Católica vêm dele:


  • Impecabilidade e virgindade perpétua de Maria.

  • Negação da salvação para pessoas fora da Igreja Católica.

  • Clericalismo onde poderes sobrenaturais são atribuídos ao clero.

  • Limitação das relações sexuais no matrimonio ao mínimo necessário para gerar filhos.

  • Sacramentalismo onde os rituais são meios de graça, necessários para a salvação.

  • Condenação eterna de crianças não batizadas.

  • Regeneração batismal, mas só para as pessoas batizadas na Igreja Católica.

  • Veneração de relíquias.

  • Vista amilenar da profecia, onde a Igreja toma o lugar de Israel.

  • Perseguição pelo Estado daqueles que não concordam com a Igreja e o uso de força para fazer as pessoas juntar-se com a Igreja.

  • Método de silogismo dedutivo de interpretação.

  • PREDESTINAÇÃO DE ALGUNS PARA O CÉU E ALGUNS PARA INFERNO.

Não creio que Agostinho era o grande teólogo que alguns querem nos acreditar. Suas doutrinas não são baseadas sobre as Escrituras, mas sua filosofia pagã e metodologia dedutiva lógica. Mais será explicado sobre esta metodologia em Parte 2 – “Hermenêutica do calvinismo”.


Apesar de ser um homem muito intelectual e eloquente, ele era um homem comum que não usou as Escrituras como base da sua teologia. Sua teologia era baseada sobre seu raciocínio e depois usou a Bíblia para provar sua posição. É evidente que Agostinho não tinha um entendimento claro da salvação e do ensinamento da Bíblia.
Um dos inimigos de Agostinho era Pelágio (pelagianismo) que acreditava que o homem poderia viver sem pecado se seguiu os passos de Cristo. As ideias de Pelágio eram erradas, mas também os argumentos de Agostinho contra Pelágio eram igualmente errados. Na sua tentativa de derrotar Pelágio pelo lógica, ele formulou ideias erradas sobre a divindade de Deus, os decretos e a predestinação.
Historiadores atribuem a Agostinho a doutrina da predestinação dupla onde pessoas são predestinadas para o Céu ou para Inferno. Para Agostinho a predestinação era um decreto de Deus para salvar alguns e condenar os outros.
Agostino escreveu:

“...assim como Ele os nomeou para serem regenerados... aqueles a quem Ele predestinou para a vida eterna, como o mais misericordioso doador da graça, enquanto que aqueles a quem ele predestinou para a morte eterna, Ele é também o mais justo recompensador da punição”1.


Agostinho escreveu no livro “Graça e Livre Arbítrio”:
que Deus quer “conceder bondade a alguns e amontoar punição sobre outros, conforme Ele mesmo julga correto, baseado num conselho conhecido somente por Ele, mas certamente muito justo2.
No seu livro “Repreensão e Graça”, Agostinho afirma também:
“...o número dos predestinados foi fixado antes da criação do mundo, “para não aumentar e nem diminuir”, mas acrescentou que ninguém podia ter certeza de ser um dos eleitos enquanto estivesse vivo, visto sempre ser possível que o dom da perseverança não tivesse sido dado a ele.”3
Parkinson explica tão bem assim:
As ideias de Agostinho sobre predestinação vieram da sua compreensão da soberania de Deus. Todos os assuntos dos homens foram predeterminados por Deus e fixados por decretos eternos, sem qualquer participação humana, de qualquer tipo. O racionínio de Agostinho levou-o à conclusão que o pecador não pode aceitar ou recusar o Evangelho, pois isto comprometeria a soberania de Deus. Se um pecador cresse no Evangelho seria porque Deus decretaria que ele deveria crer. Se um pecador se recusasse a crer, seria porque Deus decretara que não creria e nem poderia crer... quando Agostinho foi confrontado com a afirmação de Paulo de que Deus “quer que todos os homens se salvem”(I Tm. 2:4) ele respondeu que “todos” significava todos os predestinados. Ele afirmava que os homens não eram salvos “não porque não queriam, mas porque Deus não queria”. Para Agostinho, eleição é a escolha de Deus de certos pecadores para crerem, enquanto que àqueles que Ele não elegeu é negado o dom da fé.”4
A ideia de Agostinho sobre a depravação do homem foi expressa na sua ideia do pecado original. Agostinho não entendeu Romanos 5:12 que diz: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”. Ele achou que isso significava que todas as pessoas pecaram em Adão, e assim todos eram culpados pelo pecado original de Adão, e assim pessoalmente responsável por este. Agostinho aplicou esta ideia assim: se uma criança não foi batizada, é evidente que ele não foi eleito por Deus e assim iria para o inferno, pois a condenação de Deus permanece sobre ele por causa do seu pecado original. O propósito do batismo era tirar o pecado original. Se um bebê morresse sem ser batizado seria culpado do pecado original de Adão, e pereceria eternamente.
Romanos 5:12 está de verdade ensinando que as consequências do pecado de Adão passou para todos, não a culpa. Somos condenados por causa da nossa própria descrença: “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más” (João 3:19-20).
Agostinho ensinava que a graça vem antes da fé, que as pessoas eram predestinadas a receber a graça. Somente as pessoas pré-selecionadas receberiam o dom para crer em Cristo. Agostinho achava que a graça era um dom irresistível que Deus dá para as pessoas eleitas. Agostinho não entendeu que o Evangelho pregado por Paulo trata um dom ou presente oferecido a todos livremente, assim de graça. Foi este aspecto universal da graça que Agostinho não compreendeu. Para Agostinho a graça era limitada, enquanto para Deus a graça é ilimitada.
A doutrina da Predestinação para a salvação tem suas origens em Agostinho que não tinha um entendimento claro das Escrituras. Usando o método dedutivo (racionando do geral para o especifico, usando silogismos) para chegar aos suas conclusões, em vez de deixar a Bíblia falar por si mesmo (método indutivo - do especifico ao geral), ele errou feio, vez após vez.
João Calvino (1509-1564)
Dou graças a Deus pelos os Reformadores. Martinho Lutero abriu as portas para a pregação da salvação pela fé, um ato ou momento em tempo. Agostinho acreditava que a justificação era um processo contínuo. Lutero entendeu que o pecador era salvo e justificado diante de Deus no instante da sua fé em Cristo. Com sua doutrina, ele deu mais coragem e liberdade para os grupos perseguidos pela igreja católica que mantiveram a verdadeira doutrina desde os apóstolos.
João Calvino mudou a ênfase da justificação pela fé, para a eleição. A primeira geração dos reformadores acreditou que a justificação era pela graça. A segunda geração colocou a ênfase na posição que a eleição era pela graça.
Não há dúvida que João Calvino usou sua formação católica para interpretar as Escrituras. Quando João Calvino saiu da Igreja Católica, muito da Igreja Católica (teologia agostiniana) saiu junto com ele:

  • Batismo de Infantes

  • Batismo necessário para a regeneração

  • Sacramentalismo

  • Honra dada ao sacerdócio

  • Igreja do Estado

  • Perseguição daqueles com que não concordou

  • Amilenismo - Confusão de Israel com a Igreja.

  • Eleição de pecadores para a salvação ou perdição.

  • Graça como um dom irresistível.

  • Predestinação dupla.

Em Genebra, Calvino colocou em prática os mesmos princípios de punição, coerção e morte que Agostinho defendeu e que a Igreja Católica usou consistentemente ao longo dos séculos.

A grande contribuição de Calvino para a Reforma foi sua sistematização das suas crenças nas “Institutas da Religião Cristã”. Foi traduzida em diferentes línguas, incluindo latim, francês, italiano, inglês, alemão e espanhol. Devemos dar graças a Deus pela sua contribuição para a explicação das Escrituras. As Institutas tinham uma grande influência “calvinista” sobre os líderes religiosos e estudiosos da igreja.
Há muita coisa boa nos seus escritos, mas a sua grande falta era sua grande admiração para Agostinho. A influência de Agostinho pode ser vista na compreensão de Calvino da graça e eleição.
Muitos líderes calvinistas reconhecem que Agostinho era a fonte da maioria dos ensinos de Calvino sobre o que chamamos hoje de calvinismo.


  • Kenneth G. Talbot e W. Gary Crampton: “o sistema de doutrina que leva o nome de João Calvino não foi, de maneira alguma, originado por ele...”5.

  • C. Gregg Singer: “as principais características da teologia de Calvino são encontradas nos escritos de Santo Agostinho, a tal ponto que muitos teólogos consideram o calvinismo como uma forma mais completamente desenvolvida do agostinianismo”6.

  • David Steele e Curtis Thomas (calvinistas): “as doutrinas básicas da posição calvinista foram vigorosamente defendidas por Agostinho contra Pelágio no século quinto”7.

  • Richard A. Muller: “João Calvino fazia parte de uma longa linhagem de pensadores que fundamentava a sua doutrina da predestinação na interpretação agostiniana de São Paulo”8.

  • B.B. Warfield: “o sistema de doutrina ensinado por Calvino é apenas o agostinianismo comum a todo o grupo dos Reformadores”9.

  • C.H. Spurgeon: “talvez o próprio Calvino o derivou [o calvinismo] principalmente a partir dos escritos de Agostinho”10.

  • John Piper reconhece também que Agostinho foi a maior influência sobre João Calvino.11

  • João Calvino: “Agostinho está tão inteiramente comigo, que se eu quisesse escrever uma confissão de minha fé, eu poderia fazê-lo com toda a plenitude e a satisfação minhas a partir de seus escritos”12.

  • João Calvino chamou a si mesmo de “um teólogo agostiniano”13.

O ponto de vista de Calvino sobre a predestinação e a eleição era agostiniano e não bíblico. Com a ampla circulação das Institutas, Calvino garantiu que a teologia agostiniana tivesse um efeito duradouro e de grande alcance sobre o pensamento religioso da Cristandade ocidental.
Toda a teologia de Calvino estava baseada na sua compreensão agostiniana da soberania de Deus e a predestinação dupla. Note onde Calvino foi influenciado por Agostinho:
* A soberania que tornava Deus a causa de tudo (incluindo o pecado).

* Predestinação dupla de todos os homens desde a eternidade.


No terceiro livro das Institutas, Parte XII, capítulo 21 (intitulado “Eleição eterna. Pela qual Deus predestinou alguns para salvação e outros para destruição”), na página 21, Calvino escreveu:
“a graça de Deus é ilustrada pelo fato que Ele não distribui a salvação indiscriminadamente, mas dá a alguns aquilo que nega a outros.”
* Eleição com o sentido de seleção de pecadores para a salvação ou perdição.

* Graça (fé) com o sentido de um dom irresistível para o pecador eleito.


A Bíblia de Genebra - 1560
En 1560 a Bíblia de Genebra, traduzida para o inglês, foi terminada por um grupo de reformadores refugiados associados com João Calvino e João Knox. Por causa desta associação, a Bíblia de Genebra estava cheia de calvinismo, quase todo capítulo tem notas cheias da doutrina calvinista. F.F. Bruce esceveu:

“As notas da Bíblia de Genebra... são, com certeza, francamente admitidas, calvinistas na doutrina... O povo da Inglaterra e da Escócia... aprendeu muito da sua exegese bíblica a partir dessas notas. A Bíblia de Genebra imediatamente ganhou, e manteve, generalizada popularidade. Ela se tornou a Bíblia familiar dos protestantes de língua inglesa... Ela se tornou a Bíblia autorizada na Escócia e foi trazida aos Estados Unidos, onde exerceu uma forte influência.”14

Esta Bíblia foi a mais popular Bíblia em inglês por muito tempo por causa do seu tamanho pequeno, e trouxe as Escrituras dentro de quase todas as casas inglesas. Assim o homem comum foi doutrinado acerca do calvinismo.
Seu Desenvolvimento (1564-1619)
Quando Calvino morreu em 1564, Teodoro de Beza (1519-1605), seu sucessor como diretor da Academia de Genebra, foi o responsável por reposicionar a predestinação no centro do sistema teológico que mais tarde veio a ser o calvinismo que conhecemos hoje.
O que é importante para notar para nossa linha de investigação é a metodologia adotada por Beza para formular e defender o seu sistema – a lógica dedutiva de Aristóteles. No método lógico dedutivo adotado por Beza a razão era a base para interpretar as Escrituras. Em vez de usar as Escrituras para determinar o seu sentido, a razão e o método dedutivo de Aristóteles foram usados. Baseada sobre este método dedutivo, Beza defendia uma expiação limitada como uma conclusão lógica.
A ideia da expiação limitada, que recebeu lugar de grande destaque no calvinismo, foi primeiramente proposta por Godescalco de Orbais (806-868), um monge beneditino do século IX. Tendo desenvolvido uma doutrina de predestinação dupla, ele defendeu que a expiação limitada era uma necessidade lógica.
McGrath diz:

“Perseguindo, com lógica implacável, as consequências da sua afirmação de que Deus predestinou alguns à condenação eterna, Godescalco afirmou que era, portanto, muito impróprio dizer que Cristo morrera por tais indivíduos; se Ele tivesse morrido por eles, teria morrido em vão, pois o destino deles não seria afetado. Godescalco propôs que Cristo morreu somente pelos eleitos. Entretanto, ela reapareceu posteriormente no calvinismo.”15


Os pontos de vista extremos de Beza sobre predestinação e expiação limitada causaram divisões dentro do calvinismo.
Jacobus Arminius (1560-1609) foi um pastor e professor de teologia na Universidade de Leyden, na cidade de Amsterdão. Em 1582, Jacobus foi a Genebra para estudar. Ele foi treinado por Beza, um dos principais “calvinistas” daqueles dias. Armínio foi um ardente calvinista, e um estudioso amplamente reconhecido da escola de Genebra.
Nesta época, 1589, 25 anos depois da morte de João Calvino, houve um debate entre as duas posições que haviam dentre os calvinistas. Já havia surgidos os Hiper-Calvinistas que foram os SUPRALAPSÁRIOS, e os calvinistas Tradicionais que foram os INFRALAPSÁRIOS. A diferença básica entre os dois era que os SUPRELAPSÁRIOS acreditavam que Deus decretou e predestinou a queda do homem, enquanto os INFRALAPSÁRIOS acreditavam que Deus apenas permitiu a queda do homem.
Armínio era um Calvinista Tradicional. Seus amigos o escolheu para defender esta posição. Durante seu estudo intenso da Bíblia (muitos calvinistas, mesmo naquele tempo, estudavam diligentemente as obras de Calvino, mas não a Bíblia em si), ele se tornou convicto de que Calvino estava errado em várias áreas. Armínio como Calvino, tinha o erro e a verdade misturada na sua teologia. E como aconteceu com os calvinistas, logo após a sua morte em 1609, muitos dos seus seguidores se tornaram Hiper-Arminianos.
Jacobus Armínio encabeçou a oposição à abordagem de Beza. Para Beza e seus seguidores (calvinistas), Deus elegeu determinados pecadores para a salvação, conhecendo-os de antemão, no sentido de irresistivelmente preordenar o seu arrependimento e fé. Para Arminus e seus seguidores (Arminianos), por outro lado, Deus previu quem se arrependeria livremente e creria, e assim, por conseguinte, os elegeu.
O problema com as duas posições é que ambos acreditaram que tanto a predestinação e a eleição se relacionam com a Salvação. As duas posições erram com este relacionamento, pois o alvo da predestinação e eleição é o salvo, depois da Salvação.
O conflito entre as duas posições era grande e necessitava ser resolvido. É interessante notar que Armínio reconheceu a importância de uma metodologia correta para interpretar as Escrituras. Ele afirmou que o método calvinista era defeituoso por ser dedutivo e sintético ai invés de indutiva e analítica. Infelizmente Armínio cometeu vários erros no seu próprio sistema de interpretação, pois seu sistema era também baseado na ideia falsa que predestinação e eleição fala sobre a salvação.
Os Cinco Artigos da Remonstrância (provação por meio de argumento) foram proposições teológicas apresentadas em 1610 pelos seguidores de Jacó Armínio morto em 1609, as quais discordavam das interpretações do ensinamento de João Calvino então vigente na Igreja Reformada Holandesa.
Os calvinistas dizem que ou você é calvinista ou arminianista, não há outra opção. Eles estão completamente errados. Eu rejeito completamente os cinco pontos de calvinismo como os cinco pontos de Arminianismo. A razão é que a base dos dois sistemas é falsa: eleição e predestinação não tem nada haver com a salvação, mas com a pessoa já salva. Isso será demonstrado em Parte 4 – Palavras Chaves: Predestinação, Eleição, etc.
Segue é Os Cinco Pontos da Remonstrância e as razões porque não aceitam eles. Não é uma tentativa provar minhas razões, pois isso não é o propósito, nem o assunto desta série.

Remonstrância

 


  1. Que Deus, por um decreto eterno e imutável em Cristo antes da fundação do mundo, determinou eleger, da raça caída e pecadora, para a vida eterna, aqueles que, através de Sua graça, creem em Jesus Cristo e perseveram na fé e obediência; e, ao contrário, resolveu rejeitar os não convertidos e os descrentes para a condenação eterna.

Erro: Não estamos eleitos para a vida eterna, mas somos eleitos para servir Deus e/ou receber bênçãos especiais. Também a nossa salvação é eterna.




  1. Que, em consequência disto, Cristo, o Salvador do mundo, morreu por todo e cada homem, de modo que Ele obteve, pela morte na cruz, reconciliação e perdão pelo pecado por todos os homens; de tal maneira, porém, que ninguém senão os fiéis verdadeiramente desfrutam dos mesmos.

Erro: A nossa reconciliação não depende da nossa fidelidade.




  1. Que o homem não podia obter a fé salvadora de si mesmo ou pela força de seu próprio livre-arbitrio, mas se encontrava carente da graça de Deus, através de Cristo, para ser renovado no pensamento e na vontade (Jo 15:5).

Erro: Sim, temos a capacidade de crer através do nosso próprio livre-arbitrio.




  1. Que esta graça foi a causa do início, desenvolvimento e conclusão da salvação do homem; de forma que ninguém poderia crer nem perseverar na fé sem esta graça cooperante, e consequentemente que todas as boas obras devem ser atribuídas à graça de Deus em Cristo. Quanto ao modo de operação desta graça, no entanto, não é irresistível (Atos 7:51).

Erro: A graça não é uma força de Deus, mas a graça é um favor de Deus.




  1. Que os verdadeiros crentes tinham força suficiente através da graça divina para lutar contra Satanás, o pecado, o mundo, sua própria carne, e obter vitória sobre eles; mas se por negligência eles não poderiam apostatar da verdadeira fé, perder a alegria de uma boa consciência e ser privado da graça necessária, deve ser mais plenamente investigado de acordo com a Sagrada Escritura.

Erro: A salvação não é ganha ou perdida por causa da nossa força.


As diferentes posições agora podem ser resumidas assim:


  • Eleição do Calvinismo – A escolha incondicional, por parte de Deus, de pecadores individuais para a salvação, através de decreto divino, pelo qual eles são atraídos de modo irresistível à fé em Cristo.




  • Eleição do Arminianismo – A escolha, por parte de Deus, de pecadores individuais para a salvação, condicionada à livre escolha da pessoa para crer em Cristo, conhecida de antemão por Deus.




  • Eleição das Escrituras – A escolha, por parte de Deus, era para serviço e para a Igreja também benções celestiais.


O Sínodo de Dort (1618 -19)
O Sínodo de Dort foi convocado em 1618-19 para reconciliar as diferenças. O resultado foi uma vitória para os calvinistas sobre os remostrantes (a posição arminiana) que, conforme os historiadores, nem foram permitidos ocupar seus lugares. De Dort veio a formulação dos famosos cinco pontos do calvinismo, conhecido em inglês pelo acrônimo TULIP (impossível manter o acrônimo na tradução):
Depravação total

Eleição incondicional

Expiação limitada

Graça irresistível

Perseverança dos santos
Este sistema, também conhecido como as “doutrinas da graça”, forneceu os pontos principais da teologia Reformada.
[Examináramos os cinco pontos em parte 6: “Os Cinco Pontos de Calvinismo”.
As Confissões da Fé – Batistas Eram Originalmente Calvinistas
A aceitação dos cinco pontos do calvinismo logo se tornou o critério da ortodoxia entre as igrejas Reformadas. A Confissão de Fé de Westminster (1648) tornou a doutrina oficial dos Presbiterianos.
Há uma questão se os batistas fossem historicamente calvinistas também. São batistas reformados historicamente? São protestantes? São calvinistas? A resposta para estas perguntas em parte depende sobre seu pensamento sobre a origem dos batistas. Há basicamente três posições:
1. Saíram dos protestantes.

2. Surgiam paralelamente com os reformadores.

3. Tem sua origem desde do Novo Testamento.
A verdade é que as três posições são verdadeiras.

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Quando os Anabatistas começaram ter contato com os reformadores no 16 século, a história das ações dos reformadores contra os anabatistas me faz perder um certo respeito para os reformadores, a saber:


• A retenção do Batismo das crianças pelos reformadores e permitindo que a ideia de batismo como um meio para a graça como parte da doutrina reformada.

• A evidência mostra que os reformadores da Suíça (seguidores de Zwingle) convenceu os Waldenses que a sua doutrina era "reformada". Como poderia a sua doutrina ser reformada, uma vez que as suas doutrinas da graça existia muito antes de Calvino ou Lutero?

• A morte dos mártires na mão dos reformadores em Alemanha, Inglaterra e, especialmente, Suíça.

• A exclusão do povo Batista dos limites da ortodoxia na Inglaterra no século 17.

• Os espancamentos e banimentos dos batistas na América Nova Inglaterra no século 17.
A tendência da maioria dos calvinistas é querer ter tudo ou nada. Ou você é calvinista ou arminiano, ponto final. Se você optar por ser nenhum dos dois, você cair em uma categoria com base em um exame de suas crenças sobre a disponibilidade da expiação, o livre arbítrio, etc. Em suma, você é rotulado. Os rótulos são entregues como: Calminian (alguém que está confuso ou não pode fazer a sua mente acerca da soberania de Deus e a responsabilidade do homem), Amyraldist (calvinismo de quatro pontos, rejeitando redenção limitada), Semi-Pelegian (o início da fé é um ato de livre arbítrio), etc. Eu pergunto, batistas têm sido sempre um ou outro? Como podemos saber a resposta? Devemos nos voltar para os historiadores batistas mais notáveis para a resposta.
Um argumento por parte dos calvinistas modernos é de convencer o público Batista ignorantes sobre suas raízes calvinistas usando a assinatura do London Confissão de Fé Batista em 1677. Na realidade isso é a segunda confissão. Devemos voltar para 1643. A Primeira Confissão de Londres é um documento grande, expondo claramente a doutrina da salvação pela graça mediante a fé em Cristo. Ele define o fato de estes primeiros batistas foram convertidos para crente do batismo por imersão. É calvinista sobre a eleição e graça, predestinação e redenção particular. Mas era um documento categoricamente adaptado pelos batistas da Inglaterra?


Thomas Crosby, o mais antigo historiador Inglês Batista, ao comentar sobre a Confissão de Londres e redenção das igrejas particulares (calvinista) e gerais (não-calvinista) disse,
"E eu sei que há várias igrejas, ministros, e muitas pessoas em particular, entre os batistas ingleses, que não desejam para não ir sob o nome de qualquer uma destas cabeças, porque eles receberam o que eles pensam ser a verdade, sem relação com os esquemas humanos que concorda ou discorda."16
Thomas Armitage, respeitado historiador Batista da América, nos dá detalhes da Confissão Londres:

"Até 1643, Igrejas Batistas calvinistas de Londres e ao redor aumentou para sete, enquanto as Igrejas não-calvinistas eram trinta e nove, para um total de quarenta e seis. As Igrejas inglesas calvinistas juntamente com uma Igreja francesa da alguma fé, oito ao todo, emitiu uma Confissão de Fé em 1643."17


Armitage, em afirmar o número de igrejas em Londres, nos diz que as Igrejas Batistas Calvinistas eram claramente na minoria. Na verdade, se formos acreditar Armitage, a Confissão de Fé de Londres foi emitida tanto para declarar a fé, mas também para convencer os críticos de que os batistas foram ortodoxas:

“(A Confissão de Londres de 1643, consistiu) de cinquenta artigos; não para erigir um padrão de fé, mas para fechar as bocas dos caluniadores. Seu prefácio diz de seus inimigos: ‘Eles, encontrando-nos fora daquele caminho comum entre eles, têm-nos ferido e tirado nosso véu, de forma que passamos ser por eles odiosos aos olhos de todos os que nos vêm... Todos amontam em cima de nós, muitos que temem a Deus são desencorajados e impedidos de ter um pensamento bom, seja de nós ou o que professamos, e muitos que não conhecem a Deus (são) encorajados, se eles podem encontrar o lugar do nosso encontro, para juntar em grupos para apedrejar-nos, como vendo nos como um povo acreditando coisas como que não somos dignos de viver."18


David Benedict, foi um historiador Batista da América cujos escritos se estendia desde o final do século 18 até o meio do século 19. Sua pesquisa e observações são abridores de olho reais, ele escreve:

“Calvin é famoso por sua defesa da predestinação e decretos absolutos, e também por sua oposição aos anabatistas. A partir de seguidores de Calvino originou os presbiterianos; e muitas outras seitas, que adotaram na íntegra ou parcialmente, os seus conceitos de predestinação e graça, têm consentido ser chamado pelo seu nome. [A denominação REFORMADA foi dada a essas igrejas protestantes, que não abraçam a doutrina e a disciplina de Lutero.] O título foi assumida primeiro pelos protestantes franceses, que muitas vezes eram chamados huguenotes, e mais tarde tornou-se a denominação comum de todas as igrejas calvinistas no continente.”


Na Inglaterra, os batistas calvinistas eram conhecidos como "Particular", por causa de sua crença em uma expiação limitada, enquanto os não-calvinistas eram conhecidos como "Geral" para a sua crença que a expiação foi disponível para todos. Quando os Batistas começaram a se multiplicar nos Estados Unidos, o nome de "Regular" foi aplicado aos calvinistas, enquanto os não-calvinistas (especialmente nas regiões de Virgínia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Geórgia) foram chamados de “Separatistas".19


Então parece que alguns Batistas aceitaram o calvinismo porque queriam ser vistos como ortodoxos e evitaram a perseguição, não por causa de convicção bíblica.



1 SANTO AGOSTINHO, Retractions, “A Treatment On the Soul and its Origins”, Livro IV, p. 16.

2 Parkinson, John F., “A Fé Dos Eleitos de Deus” (Ed. Sã Doutrina, 19., pagína 51.

3 Ibid.

4 Ibid.

5 TALBOT, Kenneth G. e CRAMPTON, W. Gary, Calvinism, Hyper-Calvinism and Arrminianism (Edmonton, AB: Still Water Revival Books, 1990), p. 78.

6 SINGER, C. Gregg, João Calvino: His Roots and Fruits (Abingdon Press, 1989), p. VII.

7 STEELE, David N. e THOMAS, Curtis C., The Five Points of Calvinism (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1963), p. 19.

8 MULLER, Richard A., Christ and the Decree (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1988), p. 22.

9 WARFIELD, Benjamin B., Calvin and Augustine, Samuel G. Craig, ed. (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing Co., 1956), p. 22.

10 SPURGEON, Carlos Haddon, ed., Exposition of the Doctrine of Grace (Pasadena, CA: Pilgrim Publications, sem data), p. 298.

11 PIPER, John, The Legacy of Sovereign Joy: God’s Triumphant Grace in the Lives of Augustine, Luther, and Calvin (Wheaton, IL: Crossway Books, 2000), pp. 24-25.

12 CALVINO, João, “A Treatise on the Eternal Predesination of God’, em João Calvino, Calvin’s Calvinism, Henry Cole, trad. (Grandville, MI: Reformed Free Publishing Association, 1987), p 38.

13 TALBOT, Kenneth G. e CRAMPTON, W. Gary, Calvinism, Hyper-Calvinism and Arrminianism (Edmonton, AB: Still Water Revival Books, 1990), p. 79.

14 BRUCE, F.F., The English Bible: A History of Translations (New York, NY, Oxford University Press, 1961), pp. 90-91.

15 MCGRATH, Alister E., A Life of John Calvin (Blackwell, Oxford, 1993), pág. 213.

16 CROSBY, Thomas, History of the English Baptists, Vol. I, 1740, pg. 174.

17 ARMITAGE, Thomas, History of the Baptists, 1887, pg. 460.

18 ARMITAGE, Thomas, History of the Baptists, 1887, pg.461.

19 BENEDICT, David, A General History of the Baptist Denomination in America, and Other Parts of the World, 1813.



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