Simulado final – literatura brasileira / dimensãO



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SIMULADO FINAL – LITERATURA BRASILEIRA / DIMENSÃO

  1. A era colonial da Literatura Brasileira abrange os primeiros três séculos de existência do País, sob a condição de colônia portuguesa. Assim, não se pode falar numa literatura propriamente brasileira nesse período. Contudo, as temáticas desenvolvidas nos escritos de tal momento encontram espaço em autores contemporâneos. Desse modo, considere as afirmações que seguem.


Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis

Com cabelos mui pretos pelas espáduas

E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas

Que de nós as muito bem olharmos

Não tínhamos nenhuma vergonha.


  1. Oswald de Andrade, poeta da 1ª fase modernista, recria poeticamente, em “As meninas da gare”, a “Carta de Caminha”.


O quereres

(Caetano Veloso)


Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres

dinheiro sou paixão

Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só

desejo queres não

E onde não queres nada, nada falta, e onde voas

bem alto eu sou o chão

E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha

liberdade na amplidão


  1. Caetano Veloso, com essa música, retoma um dos princípios básicos da literatura barroca, a saber, o culto do contraste, do conflito, da contradição, que se expressa pela frequência das antíteses e dos paradoxos,também observados na obra de Gregório de Matos, a exemplo de “Depois da luz se segue a noite escura / Em tristes sombras morre a formosura / Em contínuas tristezas a alegria.”


Romance XX – Romanceiro da Inconfidência

(Cecília Meireles)


O país da Arcádia,

súbito, escurece,

em nuvem de lágrimas.

Acabou-se a alegre

pastoral dourada:

pelas nuvens baixas,

a tormenta cresce.


  1. Cecília Meirelles, poetisa contemporânea, no excerto acima, retoma o tema desenvolvido por Tomás Antônio Gonzaga, na Lira I da Segunda Parte de Marília de Dirceu, quando o eu lírico, novamente nos braços da amada após tenebroso exílio, declara-lhe que “Já não cinjo de loiro a minha testa, / Nem sonoras Canções o Deus me inspira: / Ah! Que me resta / Uma já quebrada, / Mal sonora Lira!”

Quais estão corretas?

(A) Apenas I.

(B) Apenas II.

(C) Apenas III.

(D) I e II.

(E) II e III.



  1. Leia o poema abaixo de Gregório de Matos Guerra e assinale a alternativa correta.

Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa entre as chamas consumida,
Pois se à força do ardor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu fim hás encontrado,


Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo que exalou, morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas,


Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constancias iguais, iguais nas chamas.

Mas ai! que a diferença entre nós choro,


Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz, que adoro.


  1. Trata-se de um soneto, forma lírica que tem início no Modernismo, quando se afirma o racionalismo em meio às dores sentimentais do sujeito fragmentado.

  2. No texto poético, predomina uma linguagem simples, ligada ao cotidiano, assim como é simplificada a estruturação dos versos, em que não existe inversão na organização sintática.

  3. O temo “chamas” é utilizado no sentido denotativo, pois as mariposas buscam a luz das velas; no entanto, quando o poeta fala em “fogo”, emprega o sentido conotativa, pois se refere à sua paixão.

  4. Não existe a utilização de figuras de linguagem como a metoníma e a metáfora nos versos, tendo em vista tratar-se de uma expressão lírica típica das formulações objetivas do romantismo expressionista.

  5. Na contraposição da luz com a morte, estabelece-se uma síntese que anula o sentido paradoxal das emoções do eu-lírico.




  1. O amor preside a vários poemas de Espumas Flutuantes. Considere estes dois fragmentos, em distintos momentos da poesia de Castro Alves.

“E da alcova saía um cavaleiro

Inda beijando uma mulher sem véus...

Era eu Era a pálida Teresa!”


“Oh! Deixa-me aquecer teus pés divinos

Ao doudo afago de meus lábios mornos.”


Tais versos ilustram a seguinte característica da poesia de Castro Alves:

  1. A extrema idealização amorosa faz da amada um ser etéreo e inatingível.

  2. O intimismo e a timidez levam o poeta a sugerir seu medo de amar.

  3. A virilidade e o erotismo convivem com a idealização amorosa.

  4. A dimensão erótica é sobrepujada pela ternura e pela inclinação platônica.

  5. O desejo amoroso, quando materializado, traz culpa e remorso.




  1. Analise o trecho que segue.

"É bela a noite, quando grave estende


Sobre a terra dormente o negro manto
De brilhantes estrelas recamado;

Mas nessa escuridão, nesse silêncio


Que ela consigo traz, há um quê de horrível
Que espanta e desespera e geme n'alma;
Um quê de triste que nos lembra a morte!"
Os versos acima

  1. ilustram a característica romântica da projeção do estado de espírito do poeta nos elementos da natureza.

  2. exemplificam a característica romântica do pessimismo, mal-do-século, que vê na natureza algo nefando, capaz de matar o poeta.

  3. exploram a característica romântica do sentimentalismo amoroso, que vê em tudo a tragédia do amor não correspondido.

  4. apontam a característica romântica do nacionalismo, que valoriza a paisagem da nossa terra.

  5. apontam a característica romântica do descritivismo, capaz de valorização exagerada da natureza.




  1. Assinale a alternativa incorreta quanto aos romances brasileiros do século XIX.

  1. Em Iracema, narram-se as desventuras de Martim Francisco, português, e Iracema, a indígena com lábios de mel, casal que simboliza a união dos dois povos nas matas brasileiras.

  2. Em Senhora, Aurélia herda uma fortuna que a salva da pobreza e lhe permite comprar um marido, Seixas, de quem já fora namorada e com quem manterá um casamento perturbado por conflitos e acusações mútuas.

  3. Em O Guarani, as aventuras de Peri, bravo guerreiro indígena, são norteadas pela necessidade de servir e proteger a jovem virgem loira Ceci, cuja integridade física é ameaçada por malfeitores e indígenas perigosos.

  4. Em Lucíola, Paulo narra seu conturbado relacionamento com a jovem Lúcia/Maria da Glória que fora assediada e desvirginada pelo vizinho Couto, do qual recebeu algumas moedas de ouro.

  5. A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, narra a história de uma escrava rebelde, que se apaixona por Leôncio, seu senhor e herói do romance.


Instrução: para responder à questão 6, leia o texto que segue.
- Como é isso?... - exclamou Margarida com surpresa. - Pois você vai-se embora?...

- Vou, Margarida; pois você ainda não sabia?...

- Eu não; quem me havia de contar? para onde é que você vai, então?

- Vou para o estudo, Margarida; papai mais mamãe querem que eu vá estudar para padre.

- Deveras, Eugênio!... ah! meu Deus!... que ideia!... e é muito longe esse estudo?

- Eu sei lá; eles estão falando que eu vou para Congonhas...

- Congonhas?... ah! já ouvi falar nessa terra; não é onde moram os padres santos?... ah! meu Deus! isso é muito longe!

- Qual longe!... tanta gente já tem ido lá e vem outra vez. Mamãe já mandou fazer batina, sobrepeliz, barrete e tudo. Quando tudo ficar pronto, eu hei de vir cá vestido de padre para você ver que tal fico.




  1. O diálogo acima foi escrito por

  1. Bernardo Guimarães – O Garimpeiro: revela a ganância do homem na corrida desenfreada pelo crescimento econômico e financeiro.

  2. Visconde de Taunay – Inocência: revela, além da trama amorosa, o choque de valores entre pereira Meyer, um naturalista alemão hospedado na casa de Pereira à procura de borboletas, evidenciando as contradições entre o meio rural brasileiro e o meio urbano europeu.

  3. Bernardo Guimarães – A Escrava Isaura: obra brasileira do século XIX que aborda a questão do celibato deforma resignada e imparcial.

  4. Bernardo Guimarães – O Seminarista: nessa obra, o autor investe contra o celibato religioso e o autoritarismo das famílias do século XIX, que impediam o jovem de seguir um caminho escolhido.

  5. Franklin Távora – O Cabeleira: conta a história de Zé Gomes (o Cabeleira) e de seu pai Joaquim Gomes, ambos precursores do cangaço no nordeste brasileiro, e suas desventuras por Pernambuco.




  1. Preencha as lacunas com V (verdadeira) ou F (falsa), com base no romance “Memórias de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antônio de Almeida. Após assinale a alternativa que apresenta a sequencia correta, de cima para baixo.

(_) O romance retrata a elite e as classes abastadas do Rio de Janeiro, na época de D. Pedro II, anterior à abolição.

(_) Leonardo Pataca é "o primeiro grande malandro que entra na novelística brasileira".

(_) A vida de Leonardo transita entre a "ordem constituída" (Major Vidigal) e a "desordem

tolerada" (Maria Regalada), para proveito da personagem principal.

(_) O narrador da obra, embora se mantenha distanciado do texto narrado, revela uma atitude crítica em face das convenções sociais da época.

(_) Enquadrada no período Romântico, a obra foi considerada precursora do Realismo e rotulada, por Mário de Andrade, como "romance picaresco".

(_) Apesar de malandro, Leonardo encarna o típico herói romântico, capaz de desafiar o mal e lutar pela pureza do seu amor até tornar-se um sargento de milícias.

(_) Irreverência e esperteza marcam a vida de Leonardo Pataca, despreocupado com os valores sociais, exceto quando estes funcionam a seu favor, instaurando a ideologia da malandragem.




  1. V – V – V – F – V – F – V.

  2. F – V – F – F – V – F – V.

  3. F – F – F – V – F – V – F.

  4. F – V – V – F – V – F – V.

  5. V – F – V – V – F – V – F.




  1. Os personagens femininos dominam a cena em alguns dos romances do romântico José de Alencar e do representante máximo do Realismo brasileiro, Machado de Assis.

Sobre tais personagens nas obras desses autores, assinale a alternativa correta.

  1. Os relatos urbanos de Machado de Assis oscilam entre a estrutura de folhetim e a percepção da realidade brasileira. Com os perfis femininos (a exemplo de Diva, Senhora, A Viuvinha), José de Alencar alcança grande profundidade psicológica na descrição dos personagens centrais.

  2. Os personagens femininos de Machado de Assis,assim como os de José de Alencar, são seres extraordinários, movidos por uma ética heroica, com tendências à aceitação do sofrimento.

  3. Tanto em José de Alencar como em Machado de Assis, os personagens femininos alcançam alguma dimensão idealizada e espiritualizada.

  4. Machado de Assis descreveu personagens femininos contraditórios, complexos e dissimulados, penetrando na consciência de cada um deles. Alencar apresentou-os de forma idealizada, sem grande complexidade psicológica, com caráter nobre e capazes de renúncia.

  5. Enquanto Alencar caracterizava os personagens femininos pela hipocrisia social e pela paixão pelo dinheiro, a dissimulação e a vaidade eram traços marcantes nestes personagens de Machado de Assis.




  1. No romance Esaú e Jacó, o narrador põe em evidência seus pensamentos e suas percepções, conduzindo a reação dos leitores durante toda a narrativa. O fragmento que melhor exemplifica esse direcionamento da reação dos leitores é:

  1. "Já então os dois gêmeos cursavam, um a Faculdade de Direito, em S. Paulo; outro a Escola de Medicina, no Rio." (l. 1 - 3)

  2. "Note-se – e este ponto deve ser tirado à luz, – note-se que os dois gêmeos continuavam a ser parecidos e eram cada vez mais esbeltos." (l. 25 - 27)

  3. "Flora mudava os nomes também, e os três acabavam rindo." (l. 36 - 38)

  4. "Ou então fazia ambas as coisas, e tocava falando, soltava a rédea aos dedos e à língua."




  1. Considere as seguintes afirmações sobre o Naturalismo no Brasil.

  1. Os romances do Naturalismo sustentam-se nas teorias deterministas da época; por isso os personagens geralmente apresentam características patológicas.

  2. Aluísio Azevedo seguiu rigidamente os pressupostos teóricos do Naturalismo e, no romance O Cortiço, apresentou um painel das relações sociais do Rio de Janeiro no final do século XIX.

  3. Nos textos naturalistas, a subjetividade do narrador contrasta com o rigor científico que permeia a construção do enredo.

Quais estão corretas?



  1. Apenas I.

  2. Apenas II.

  3. Apenas I e II.

  4. Apenas I e III.

  5. I, II e III.




  1. Assinale a alternativa correta a respeito de O Ateneu, romance de Raul Pompéia. Trata-se de romance

  1. de formação que avalia a experiência colegial, por meio de Sérgio, alter-ego do autor.

  2. romântico que explora as relações pessoais de adolescentes no colégio, acenando para o homossexualismo latente.

  3. naturalista que retrata a tirania do diretor do colégio e o materialismo de sua mulher para com os alunos.

  4. realista que apresenta um padrão de excelência da escola brasileira no final do Império.

  5. a escola Aristarco no final do Império, cuja falência vem assinalada pelo incêndio do prédio no final da narrativa.




  1. Leia as estrofes a seguir.

Profissão de Fé

(Olavo Bilac)

1 Invejo o ourives quando escrevo:

2 Imito o amor

3 Com que ele, em ouro, o alto-relevo

4 Faz de uma flor.

5 E horas sem conto passo, mudo,

6 O olhar atento,

7 A trabalhar, longe de tudo,

8 O pensamento.

Vocabulário: sem conto = sem conta
Numere a 2ª coluna de acordo com a 1ª:

1ª Coluna

1. há negação do envolvimento social.

2. na concepção do poeta, a poesia deve ser elaborada como uma espécie de jóia.

3. o trabalho poético é árduo, exige concentração.


2ª Coluna

(_) Versos 5 e 6.

(_) Versos 7 e 8.

(_) Versos 1 a 4.


A sequência correta é:

  1. 3 – 2 – 1

  2. 2 – 3 – 1

  3. 1 – 2 – 3

  4. 1 – 3 – 2

  5. 3 – 1 – 2




  1. Relacione os contos de Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto às afirmações abaixo.

  1. Contrabandista

  2. No Manantial

  3. O Anjo da Vitória

  4. Melancia Coco-Verde

  5. Duelo de Farrapos

(_) Nesse conto, Blau narra sua primeira experiência na guerra, ao lado de mitos como José de Abreu e Bento Gonçalves.

(_) Aqui, Blau é um narrador distante, tendo ouvido a história dos próprios personagens envolvidos. Apesar da intenção humorística evidente, o conto é um retrato de certa forma fiel às regras de conduta na época.

(_) Estruturalmente o conto apresenta três partes: a primeira – narrativa – serve para caracterizar a figura do protagonista; a segunda – dissertativa – resume e insere o tema na história do RS; a terceira – narrativa – relata o episódio trágico da morte do personagem.

(_) A função de Blau nesse conto que é considerado o mais poético da obra, é a de narrador, testemunha e ouvinte, já que parte do ocorrido lhe é narrado pela negra Tanásia.

(_) Nesse conto Blau é testemunha ocular da história. Ele presencia o resultado de uma intriga causada por uma mulher que resulta nem ato de heroísmo por parte dos farrapos.


A sequência correta de preenchimentos dos parênteses, de cima para baixo, é

    1. 3 – 4 – 5 – 2 – 1

    2. 3 – 4 – 1 – 2 – 5

    3. 5 – 4 – 3 – 2 – 1

    4. 1 – 3 – 4 – 2 – 5

    5. 4 – 3 – 1 – 5 – 2




  1. A Semana de Arte Moderna (1922), expressão de um movimento cultural que atingiu todas as nossas manifestações artísticas, surgiu de uma rejeição ao chamado colonialismo mental, pregava uma maior fidelidade à realidade brasileira e valorizava, sobretudo, o regionalismo. Com isso pode-se dizer que:

  1. romance regional assumiu características de exaltação, retratando o aspectos românticos da vida sertaneja.

  2. a escultura e a pintura tiveram seu apogeu com a valorização dos modelos clássicos.

  3. o movimento redescobriu o Brasil, revitalizando os temas nacionais e reinterpretando nossa realidade.

  4. os modelos arquitetônicos do período buscaram sua inspiração na tradição do barroco português.

  5. a preocupação dominante dos autores foi com o retratar os males da colonização.




  1. Considere os excertos que seguem, extraídos de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, um dos heterônimos de Fernando Pessoa.

  1. Não desejei senão estar ao sol ou à chuva -
    Ao sol quando havia sol
    E à chuva quando estava chovendo
    (E nunca a outra cousa),
    Sentir calor e frio e vento,
    E não ir mais longe.

No excerto, o heterônimo pessoano Caeiro comprova que seu projeto de vida vai de encontro à metafísica, orientando-se em conformidade com as leis naturais.


  1. Aquela senhora tem um piano
    Que é agradável mas não é o correr dos rios
    Nem o murmúrio que as árvores fazem ...
    Para que é preciso ter um piano?
    o melhor é ter ouvidos
    E amar a Natureza.

Segundo o poema, o piano, objeto feito pelo homem, assume papel superior ao dos sons produzidos pela natureza.
III. Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

Segundo o professor Álvaro Cardoso Gomes, em Alberto Caeiro, “a Natureza não é meramente decorativa, (...) porque ela é determinante. O homem só tem existência a partir da Natureza. Descobre-se como ser, nela.”, teoria que pode ser aplicada ao excerto anterior.
Quais estão corretas?

  1. Apenas I.

  2. Apenas II.

  3. Apenas III.

  4. Apenas I e III.

  5. I, II e III.




  1. Leia o poema abaixo.

Oficina Irritada

(Carlos Drummond de Andrade)

Eu quero compor um soneto duro

como poeta algum ousara escrever.

Eu quero pintar um soneto escuro,

seco, abafado, difícil de ler.


Quero que meu soneto, no futuro,

não desperte em ninguém nenhum prazer.

E que, no seu maligno ar imaturo,

ao mesmo tempo saiba ser, não ser.


Esse meu verbo antipático e impuro

há de pungir, há de fazer sofrer,

tendão de Vênus sob o pedicuro.
Ninguém o lembrará: tiro no muro,

cão mijando no caos, enquanto Arcturo,

claro enigma, se deixa surpreender.
Considere as afirmações:


    1. Ao utilizar a consagrada forma do soneto, o poeta insere-se numa tradição que inclui Camões e Olavo Bilac, embora a seqüência das rimas e o número de sílabas dos versos não sigam as regras estabelecidas nessa tradição.

    2. O poeta assume uma atitude de provocação, afirmando que o leitor será incapaz de compreender e recordar a mensagem que é transmitida.

    3. O poeta dispõe-se a escrever um poema que seja ambíguo, apresente dificuldades ao leitor e provoque dor, jamais prazer.

Quais afirmações estão corretas?



  1. Apenas I.

  2. Apenas III.

  3. Apenas I e II.

  4. Apenas II e III.

  5. I, II e III.




  1. Leia o texto abaixo.

Pátria Minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima

Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo

É minha pátria. Por isso, no exílio,

Assistindo dormir meu filho

Choro de saudades de minha pátria.

(...)

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa



Que brinca em teus cabelos e te alisa

Pátria minha, e perfuma o teu chão...

Que vontade me vem de adormecer-me

Entre teus doces montes, pátria minha

Atento à fome em tuas entranhas

E ao batuque em teu coração.

(...)

Agora chamarei a amiga cotovia



E pedirei que peça ao rouxinol do dia

Que peça ao sabiá

Para levar-te presto este avigrama:

“Pátria minha, saudade de quem te ama...”


Apesar de modernista, Vinícius de Moraes apresenta, no texto, características da estética romântica. Assinale a única característica romântica não presente nesse texto:

  1. Preocupação com o eu-lírico, através da expressão de emoções pessoais.

  2. Preocupação social, através da menção a problemas brasileiros.

  3. Valoração de elementos da natureza, como forma de exaltação da terra brasileira.

  4. Sentimentos de saudade e nostalgia, causados pela dor do exílio.

  5. Abandono do ideal purista dos neoclássicos na prevalência do conteúdo sobre a forma.




  1. Sobre o romance Terras do Sem Fim, de Jorge Amado, relacione a coluna com dos personagens com a dos trechos da obra.


Coluna I

1. Antônio Vitor

2. Negro Damião

3. Ester


4. Raimunda

5. Sinhô Badaró


Coluna II

(_) “Tu acha bom matar gente? Tu não sente nada? Nada por dentro?(...) Já não pensava em fazer um cigarro e pitar. Pensava era em dona Teresa esperando Firmo para o amor na cama de casal. Carnes brancas que esperavam o marido. Tinha que se uma criatura boa.”

(_) “E chegou o jantar servido pelas negras que olhavam desconfiadas ... E de repente, mal terminado o jantar, foi aquele rasgar de vestidos e do seu corpo na posse brutal e inesperada. Se acostumou com tudo, agora se dava bem com as negras,... Se acostumou com o marido, com seus silencio pesado, com os seus repentes de sensualidade,... sô não se acostumou com a mata no fundo da casa, onde pelas noites, no charco que o riacho fazia, as rãs gritavam seu grito desesperado na boca das cobras assassinas.”

(_) “Mas logo desviou os olhos e fitou o único quadro da parede, uma reprodução oleográfica de uma paisagem de campo europeu. Ovelhas pastavam numa suavidade azul. Pastores tocavam uma espécie de flauta e uma camponesa, loira e linda, bailava entre as ovelhas. (...) Era um campo tranquilo, de ovelhas , pastores, flautas e baile. Azul, quase cor do céu. Bem diferente era esse campo deles. Essa terra do cacau.”

(_) “Aquela lua recordava-lhe Ivone de lábios suplicando que ele não parta, de olhos cheios de lágrimas na noite da despedida. Não havia lua naquela noite, não havia ninguém sobre a ponte pescando. Estava escuro e o rio murmurava embaixo, ela se encostou nele, seu corpo quente, seu rosto molhado de lágrimas.”

(_) “No entanto, desde a infância, seu coração vivia cheio de desejos irrealizados. Primeiro foram as bonecas e os brinquedos que vinham da Bahia e nos quais lhe proibiam de tocar. Quantas surras não levara da negra Risoleta por bulir nos brinquedos da “irmã de criação”.”


A alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo, é:

  1. 1 – 3 – 5 – 2 – 4.

  2. 2 – 3 – 5 – 1 – 4.

  3. 4 – 2 – 3 – 1 – 5.

  4. 1 – 2 – 5 – 3 – 4.

  5. 5 – 4 – 2 – 3 – 1.




  1. Tomando as partes do livro A Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto, associe a as colunas abaixo.


Coluna I

  1. Nordeste (a)

  2. Não-Nordeste (b)

  3. Nordeste (A)

  4. Não-Nordeste (B)


Coluna II

(_) Possui dois poemas que fazem referência à obra As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift e a sua crítica satírica.

(_) Apresenta descrições da ambientação do Recife e arredores como Na morte dos rios ou A fumaça no sertão.

(_) Traz o poema Para a Feira do Livro, que é uma reflexão sobre os papéis de um livro aberto e fechado.

(_) Estão presentes os poemas do tríptico metalinguístico: Catar Feijão, Tecendo a Manhã e Fábula de Arquiteto.

(_) Possui a reduplicação de textos entre O Mar e o Canavial e O Canavial e o Mar.


A sequencia correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

  1. 1 - 3 – 2 – 1 – 4

  2. 2 – 4 – 1 – 3 – 3

  3. 3 – 1 – 4 – 2 – 1

  4. 2 – 1 – 1 – 3 – 4

  5. 3 – 2 – 4 – 1 – 2




  1. Leia o trecho abaixo e assinale a alternativa com a afirmação correta quanto à Clarice Lispector.




  1. Parte frequentemente de acontecimentos surpreendentes para banalizá-los.

  2. Elabora o cotidiano em busca de seu significado oculto.

  3. É altamente intimista, vasculhando a âmago das personagens com rara argúcia.

  4. É regionalista hermética.

  5. Opera na área da memória, da autoanálise e do devaneio.



  1. Assinale a alternativa incorreta sobre Guedali, personagem de O Centauro no Jardim, de Moacyr Scliar.

    1. Para salvar uma mulher-centauro da investida do fazendeiro Zeca Fagundes que a persegue pelo campo, ele derruba a porta de um rancho abandonado e corre em direção ao agressor. Este sofreia o cavalo, solta um grito de terror e morre.

    2. Ao perceber que o centauro do circo não era uma fantasia e sim um ser ambivalente, metade homem, metade cavalo, a domadora, recusa-se a fazer sexo com ele e sai do seu camarim aos gritos.

    3. Seu irmão, Bernardo, por muito tempo não o aceita, mas após uma passagem pelo comércio e uma experiência como hippie, acaba se tornando um eficiente administrador de uma fazenda de soja.

    4. Para vingar-se da humilhação de na infância ter sido cavalgado por Pedro Bento, o Guedali adulto, ao descobrir que o cavaleiro agora trabalhava no condomínio horizontal, obriga-o a pôr-se de quatro, o monta e o obriga a fingir que é centauro.

    5. Depois de seu nascimento, a mãe, tomada de espanto, emudece por várias semanas, e quem cuida do bebê-centauro é uma parteira que chega a pensar em assassiná-lo.




  1. Sobre As Parceiras, de Lya Luft, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as afirmações abaixo.

(_) Anelise, a narradora, mergulha em suas lembranças, na história das mulheres de sua família buscando entender sua própria trajetória e um sentido para sua vida.

(_) Dos homens que participam do universo dessa família de “mulheres malsinadas”, somente Otávio parece superar a infelicidade que as cerca e ajudar Anelise a enfrentar seus medos e suas dores.

(_) O sótão parece ter um sentido simbólico na narrativa, pois não é só Catarina que se refugia nesse espaço para sobreviver à realidade. Cada uma daquelas mulheres constrói o “seu sótão” para poder suportar a vida. Tia Bea, por exemplo, refugia-se num sótão de religião.

(_) O nascimento de Lauro trouxe a Anelise a sensação de que a vida havia vencido, no entanto, a lesão cerebral e a morte da criança fizeram-na creer que a traidora não era só a morte, mas a vida também.

(_) No ateliê de Tia Dora, Anelise conheceu uma casa iluminada, descobriu o amor com Otávio e percebeu que sua tia, através da pintura, havia realmente superado os medos e encontrado uma vida plena.
A sequencia correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é


  1. V – V – F – F – V.

  2. F – V – F – V – F.

  3. V – F – V – V – F.

  4. F – V – F – F – V.

  5. V – F – F – V – F.




  1. Sobre os Contos, de Murilo Rubião, relacione as colunas.


Coluna I

1. O ex-mágico da Taverna Minhota

2. Bárbara

3. O Homem de Boné Cinzento

4. Teleco, o coelhinho

5. Os Dragões


Coluna II

(_) O conto exemplifica como os relacionamentos humanos no mundo contemporâneo se esvaziam. As pessoas perdem sua essência e significação, ficam transparentes. Não somos vistos pelos outros, que nos são indiferentes, somos, também, transparentes, assim não vemos os que nos cercam.

(_) A relação de subserviência assusta pela naturalidade com que o narrador apresenta ao leitor. Trata-se também da impossibilidade de escapar à posição submissa de quem é apenas instrumento para a realização do desejo do outro. Além disso, a banalização dos desejos e o excesso de necessidades criadas pelo capitalismo, na sociedade pós-moderna, também estão presentes.

(_) Na perda, descobriu o valor do que possuía. Na burocracia, em que “morre aos poucos” e perde seu dom, percebe o valor do riso das crianças e do aplauso dos velhos.

(_) Nesse conto, a busca de humanidade esconde o desejo de superar a indiferença e o desprezo dos homens. Na tentativa de se tornar mais humano, o personagem assimila os vícios humanos e acaba perdendo sua meiguice.

(_) A narrativa tematiza a rejeição do homem pelo diferente. O texto mostra como uma comunidade, com suas limitações, procura assimilar a ideia de seres tão singulares, que com suas diferenças, penetram em seu seio. Infelizmente, a tentativa fracassa, e a única coisa que eles conseguem transmitir são os vícios humanos e a morte.

A sequencia correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é


  1. 1 – 2 – 3 – 4 – 5.

  2. 2 – 3 – 1 – 5 – 4.

  3. 3 – 2 – 1 – 4 – 5.

  4. 5 – 3 – 1 – 4 – 2.

  5. 4 – 2 – 3 – 1 – 5.




  1. Entre as alternativas abaixo, assinale a incorreta a respeito de História do Cerco de Lisboa, de José Saramago.

  1. Raimundo Silva é revisor de textos que resolve modificar a obra em que trabalha acrescentando um NÂO em uma frase decisiva do livro.

  2. O revisor não consegue encontrar uma explicação plausível para o seu ato quando questionado pelos diretores da editora.

  3. As personagens que participam do cerco de Lisboa, na obra que o revisor está escrevendo são todas criações puramente ficcionais, como Mogueime e Ouruana.

  4. O autor da História do Cerco de Lisboa, apesar de prejudicado, não toma nenhuma atitude drástica contra o revisor.

  5. Uma das figuras centrais, tanto na obra original quanto naquela que o revisor escreve, é D.Afonso Henriques, primeiro rei dos portugueses.




  1. A dramaturgia moderna brasileira foi firmada com a obra de Nelson Rodrigues. A respeito das características formais e temáticas de uma de suas peças, Boca de Ouro, analise as proposições a seguir.

  1. Boca de Ouro faz parte das peças de Nelson Rodrigues ambientadas num espaço definido, com personagens simbolizando realidades psíquicas distantes do que é ditado pela normalidade social da época.

  2. Os três atos da peça mostram a possibilidade de se darem versões diferentes de uma mesma biografia, de forma que os leitores terminam de ler a peça sem poder discernir sobre o perfil exato do protagonista.

  3. Em dado momento, a peça revela que Boca de Ouro era filho de uma prostituta e nascera na pia de uma gafieira. Esse fato sugere que a situação social do bicheiro se deve às condições adversas onde a personagem nasceu e foi criada.

Quais estão corretas?



  1. Apenas I.

  2. Apenas I e II.

  3. Apenas II e III.

  4. Apenas III.

  5. I, II e III.


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