Sim. O behaviorismo Radical contribuiu muito com a Psicologia. E a contrapartida?



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Sim. O Behaviorismo Radical contribuiu muito com a Psicologia. E a contrapartida?

Lorismario Ernesto Simonassi¹ ²

Ítalo Rodrigues de Freitas Mendes³

Resumo


O presente artigo tem como objetivo discutir de forma breve quais contribuições o Behaviorismo Radical trouxe para a Psicologia enquanto ciência. Sendo o Behaviorismo Radical a filosofia que é sustentada pela ciência denominada de Análise do Comportamento, essa mesma precisa ter bem definido seu objeto de estudo e seu método utilizado para estudo. Buscamos de forma sucinta apresentar um breve histórico do Behaviorismo e da Análise do Comportamento, seu avanço e a contextualização do que hoje é estudado e posto em prática, processo esse que decorre do intercâmbio pesquisa-aplicação, sendo fiel a definição do objeto de estudo, que ao longo do tempo vem sendo aprimorada por meio da contribuição de vários analistas do comportamento desde os clássicos até os contemporâneos.

Palavras-chave: Behaviorismo Radical, Análise do Comportamento, Psicologia, Ciência, Objeto de estudo.

Você deve estar achando estranho o título desta palestra/conversa que nós vamos ter. Quando fomos convidados pelo professor Nicolau Chaud ele nos perguntou se nós podíamos falar sobre as “contribuições do Behaviorismo na Psicologia.” O professor contextualizou a fala sobre os 100 anos, neste ano de 2013, do manifesto escrito por Watson em 1913, chamado de “A psicologia como o behaviorista a vê”. Alguns dias após o aceite, ele nos perguntou sobre um título possível, pois este deveria ser colocado no programa da JAC. Se você prestou atenção ao título, talvez, tenha observado que nele existem três palavras chaves, a saber, Behaviorismo, Radical e Psicologia.

Baseado nas palavras chaves e no que propomos com o título poderíamos dizer em uma sentença bem objetiva, que a contribuição do Behaviorismo Radical foi principalmente relativa ao objeto de estudo e ao método. Estaria terminada a palestra. No entanto, você poderia contra argumentar que “cada Psicologia tem o seu método e o seu objeto de estudo.” Perguntaríamos qual seria o método de estudo da psicologia e qual o objeto de estudo? Seguramente as respostas iriam variar.

Vamos ser fieis ao título, mas vamos falar sobre método e objeto de estudo nesta ordem,

sendo esse método, o método experimental, o qual nos permite utilizar instrumentos para fazer observação sob condição experimental controlada, o que possibilita uma observação acurada de modo a eliminar o viés do observador e ampliar e quantificar as observações do pesquisador” (Bachrach, 1975).

Para efeitos didáticos, faremos uma inversão de forma como naturalmente as “coisas” acontecem. A ordem natural dos acontecimentos científicos é que qualquer ciência das que nós conhecemos define primeiramente o seu objeto de estudo, como proposto por Marx e Hillix (1973) para posteriormente utilizar o método para estudo. Sem dúvida, você pode fazer o oposto sem prejuízo do avanço do conhecimento em questão.

O que é chamado de Behaviorismo Radical é o resultado de n acontecimentos relacionados a n pessoas. Duas das principais pessoas que contribuíram para o avanço do que hoje conhecemos como Análise do Comportamento foram Pavlov e Watson, que deram os primeiros passos para a construção da Análise do Comportamento, que é a ciência que dá sustentação à filosofia denominada de Behaviorismo Radical.

Para ser fiel ao fundador da filosofia Behaviorista Radical, o cientista B. F. Skinner, vou citar o que ele descreve nas páginas 164 e 165 do capítulo 12 intitulado “O Comportamento dos Organismos aos cinquenta anos”,(Skinner, 1989/2003).

“O famoso manifesto de Watson (1913) começa assim: “segundo o ponto de vista comportamentalista, a psicologia é um ramo puramente objetivo e experimental da ciência natural. Seu objetivo teórico é a predição e controle do comportamento.

Nesta época, um importante livro a ser lido por escritores era The Meaning of Meaning, de C.K Ogden e I. A Richards (1923). Bertrand Russel o resenhou para uma revista literária chamada Dial, que eu assinava, e numa nota de rodapé agradecia ao “Dr. Watson” cujo recente livro Behaviorism (1925) ele achara “deveras impressionante”. Comprei o livro de Watson e gostei do seu estilo de campanha.

Meu professor de biologia no Hamilton College havia me apresentado a obra de Loeb, Comparative Physiology of the Brain and Comparative Psychology (1960), e depois seu The Organism as a Whole (1916); em Harvard eu fui para os laboratórios biológicos de Loeb – de quem Loeb dizia que tinha “ojeriza ao sistema nervoso”. Não acredito que eu tinha cunhado a expressão comportamentalismo radical; mas, quando me perguntaram sobre o que queria dizer com ela, eu sempre dizia: É A FILOSOFIA DE UMA CIÊNCIA DO COMPORTAMENTO TRATADA COMO OBJETO DE ESTUDO EM SI MESMO, SEPARADA DAS EXPLICAÇÕES INTERNAS, MENTAL OU FISIOLÓGICA.

Nessa época não havia muitos exemplos de predição e controle do comportamento em psicologia. Portanto, como expressão da vida mental, o comportamento estava, por definição, além do controle. A biologia oferecia algo melhor. Loeb tinha preferido o tropismo, o que era certamente um belo exemplo de controle, mas eu estava pouco interessado em descrever o comportamento como função de um campo de força. Os reflexos eram algo mais próximos daquilo que eu pretendia... A exemplo de Loeb, eu desejava estudar o comportamento do “organismo como um todo”.

Voltando às análises do método e do objeto de estudo, nos deparamos com a questão do conhecimento científico. Qualquer conhecimento que queiramos denominar de científico tem que usar o método científico como instrumento para a obtenção dos dados. Sem dúvida, pode-se coletar dados usando-se outros métodos. O que não se pode dizer é que tal conhecimento que foi produzido é denominado de científico (Lucie, 1978).

Sem maiores delongas, o Behaviorismo Radical, ao optar pelo método científico ou experimental como instrumento para coleta e análise de dados, passa a trabalhar com mensuração, predição e controle, testadas sob técnicas de controle laboratoriais, que possibilitou maior poder de controle das variáveis estranhas. (Sidman, 1960), colocou-se a Psicologia “quase” em pé de igualdade com as demais ciências naturais. Seria importante que todos os alunos de psicologia lessem o capítulo 3 do livro do professor Baum, intitulado Público, privado, natural e fictício (Baum, 2006), para ter uma boa concepção do que é natural e o que é ficção em ciência. O “quase” acima é porque ainda faltava o objeto de estudo.

Vamos começar a falar sobre o objeto de estudo propriamente dito citando Sagan (1997/2008) que indica o grande ganho científico se tivermos a possibilidade de mensuração do objeto a ser estudado:

Se conhecemos um objeto apenas qualitativamente, nós o conhecemos apenas de maneira vaga. Se o conhecemos quantitativamente – entendendo alguma medida numérica que o distingue de um número infinito de outras possibilidades -, começamos a conhecê-lo profundamente. Percebemos parte da sua beleza e temos acesso ao seu poder e à compreensão que ele propicia. Ter medo da quantificação equivale a renunciar aos nossos direitos civis, abrindo mão de uma das esperanças mais potentes de compreender e transformar o mundo.” p. 30

Poderíamos dizer como se disse inúmeras vezes erroneamente que a Análise do Comportamento estuda o comportamento,

termo esse que estando na ausência de uma distinção arbitrária, deve incluir a atividade total do organismo e o funcionamento de todas suas partes...” (Skinner, 1961)

em relação com o ambiente. Pois, poderíamos complementar a citação de (Skinner, 1961) dizendo que o funcionamento das partes é em relação ao ambiente. Mas não é tão simples como aparenta ser. A falta de simplicidade fica patente quando observamos o que Keller & Schoenfeld (1950/1974) falam sobre comportamento e ambiente:

pois comportamento e ambiente são termos difíceis de manejar, pois têm significados demasiado amplos. Assim que tentamos utilizá-los, nos deparamos formulando as questões: que tipo de comportamento? Que aspectos de ambiente? (Keller & Schoenfeld, 1950/1974 p.2)”.

Sempre que me perguntam o que a análise do comportamento estuda eu digo simplesmente a palavra INTERAÇÃO. E faço-o de propósito para que o interlocutor me pergunte interação de quê ou coisa semelhante. A resposta é “interação entre o comportamento e o meio ambiente” (Todorov, 1989). Os parágrafos abaixo especificam sobre interações:

“No entanto, para a Psicologia, não é de interesse o comportamento isolado, obviamente por ele não ocorrer no vácuo – qualquer instância de comportamento ocorre no tempo e no espaço, tem início, meio e fim -, mas sim a relação que existe entre a variável dependente (comportamento – respondentes e afins; operantes; padrões fixos de resposta, etc) e a variável independente (meio ambiente), que são variações no ambiente que afetam a ocorrência desses comportamentos.” (Todorov, 2012), sendo essa relação chamada de contingência, que define o próprio objeto de estudo da análise do comportamento” (Catania, 1996), “contingências essas que hoje existem estudos que vão além da contingência tríplice. Estudam-se contingências de 4 e 5 termos e contingências entrelaçadas, para estudos de comportamento social.” (Andery, M. A., Micheletto, N., & Sério, T.M., 2005).

“Com base nesses avanços, é possível que comportamentos complexos sejam estudados, onde classes de comportamentos, como fazer, dizer e pensar de forma inter-relacionada, tendo condição de manipular as variáveis controladoras com o objetivo de demonstrar a acessibilidade aos comportamentos privados, com ênfase nos verbais e demonstrar a importância, de sob determinadas condições, não dicotomizar o público e privado como sendo classes de respostas diferentes, em relação a variável controladora (Simonassi, 2001), mas sim fazer uma análise molar de tais comportamentos inter-relacionados (Baum, 2012).

Para não deixá-lo curioso demais e satisfeito também demais a ponto de não ler Todorov (2012) faço minha as palavras do professor Todorov (2012). Ele escreveu: “A definição de comportamento como interação entre organismo e ambiente encontrada em publicações recentes é questionada. Interações entre comportamento e ambiente...” pode e deve indicar o caminho correto. (Todorov, 2012)

Agora podemos citar pelo menos quatro grandes contribuições do Behaviorismo Radical, doravante chamado apenas de Behaviorismo, pois os demais Behaviorismos e as demais escolas não resistiram ao tempo, ou melhor, às críticas pertinentes conforme os critérios para exame crítico de teorias e modelos conforme Marx e Hillix (1973) propõem no Capítulo 3 do livro deles e que é intitulado de Sistemas e Teorias em Psicologia. As três grandes contribuições são:

1-A psicologia hoje é respeitada como ciência natural.

2-Possui um objeto de estudo que nos permite fazer predição e controle.

3- Usa o único método das ciências naturais: o método científico ou experimental.

4- Possui instrumentação e técnicas que permitem estudar em qualquer lugar onde existam organismos se comportando.

Se observarmos detalhes de procedimentos que resultam em processos comportamentais complexos como, por exemplo, o tratamento do autismo. A lista usa de princípios operantes para estudos de desordens de identidade em comportamentos relativos ao gênero (masculino/feminino) (Rekers & Lovaas, 1974). Aliás, sobre o autismo gostaria de fazer alusão a uma recente queixa feita por uma famosa psicanalista brasileira e que foi publicada na Folha de São Paulo. Eis a queixa:

“Sobre os métodos de tratamento, o que mais se vê em reportagens sobre o tema é o comportamental, com abordagens em torno de "dar independência" à criança, ensinar tarefas simples e "controlar a agressividade". Raramente se fala sobre o tratamento ter como foco a criança e seu bem-estar, simples assim.”

Abaixo está uma resposta em relação à argumentação psicanalítica. A resposta foi uma mensagem no próprio artigo. É de um pai que tem um filho autista. É certo que não se confirma absolutamente nada, em ciência, apenas com relatos verbais. De qualquer forma, segue o relato do pai:

“Como pai de um filho com autismo, lamento que alguns pais procurem a psicanálise para tratar os filhos. Perderão um tempo precioso de desenvolvimento da criança. E autismo não é doença!” (Folha de São Paulo da UOL do texto datado de 13/09/2013 pela psicanalista Nilde Jacob Parada Franch: Autismo e Psicanálise).

Se quiséssemos, poderíamos aumentar a lista com n técnicas para auxílio de tratamentos das mais diversas disfunções comportamentais. Outro bom exemplo é a recuperação e reintrodução social feita com uma pessoa do sexo feminino diagnosticada como esquizofrênica. Neste estudo, comportamentos verbais e não verbais bizarros foram modificados de tal forma que a pessoa hoje se encontra trabalhando como as demais pessoas de sua comunidade. Um dos comportamentos bizarros que não são mais emitidos é o de colocar o ouvido no vaso sanitário para escutar a voz de Deus e posteriormente fazer predições sobre a morte de outras pessoas (Ribeiro de Sousa, 2013).

Gostaria de voltar ao título da palestra, especialmente à segunda parte do título: e a contrapartida, ou seja, o que a psicologia ofereceu ao Behaviorismo? Sem dúvida, seriamos simplistas se ignorássemos as contribuições da Psicologia para o Behaviorismo. Vou apontar algumas:

1-Abrigou o Behaviorismo como escola. Mas não fez mais do que a obrigação, pois abrigou várias outras escolas.

2-Deu aos analistas do comportamento o direito de exercer a profissão de psicólogo e abrigou vários textos, teóricos e experimentais. Mas abrigou também aos demais profissionais psicólogos não Analistas do Comportamento.

3-Oportunizou aos Analistas do Comportamento a criarem suas associações que em um futuro próximo, e muito antes do que eu sempre esperei, seremos uma ciência à parte da Psicologia. Talvez tenhamos uma ciência da Análise do Comportamento, que será, em um futuro mais distante, uma nova profissão. Creio ser esta a maior contrapartida da Psicologia com o Behaviorismo.

Deixo para você, jovem esperançoso, apontar outras contribuições e contrapartidas. Mas gostaria de lhes lembrar do texto de Pavlov, denominado de Carta aos Jovens (sasicoi.com.br/psico?p=387). Segue apenas um pequeníssimo trecho:

“... Aprendam o ABC da ciência antes de tentar galgar seu cume. Nunca acreditem no que se segue sem assimilar o que vem antes... Como se alegra nossa vista com o jogo de cores dessa bolha de sabão. No entanto ela, inevitavelmente arrebenta e nada fica além da confusão...”

E para finalizar permitam-me citar mais um trecho sobre o Behaviorismo, escrito por Rod Roediger (2005), um cognitivista confesso, então presidente da APA:

Permitam-me sugerir uma maneira pela qual vocês podem celebrar o centenário de Skinner e descobrir a elegância e o poder das análises comportamentais. Cuidem do seu aprimoramento e leiam o livro Ciência e Comportamento Humano, escrito por Skinner há 50 anos atrás ,que ainda é publicado. O livro tinha o propósito de introduzir o Behaviorismo e foi escrito com força e elegância. O Journal of the Experimental Analysis of Behavior publicou cinco artigos retrospectivos no seu exemplar de Novembro de 2003, intitulado “The Golden Anniversary of Skinner’s Science and Human Behavior”. (As bodas de ouro de Ciência e Comportamento Humano, de Skinner). Leiam o livro e celebrem o poder das análises comportamentais, mesmo se - e principalmente se – você for um daqueles psicólogos cognitivistas que acreditam que o Behaviorismo é irrelevante, obsoleto e/ou que está morto; ele não está.

Referências

Andery, M. A. P. A., Nilza Micheletto, and T. M. A. P. Sério. "A análise de fenômenos sociais: esboçando uma proposta para a identificação de contingências entrelaçadas e metacontingências." Revista Brasileira de análise do comportamento 1.2 (2005): 149-165.

Bachrach, A. J. (1975). Introdução à pesquisa psicológica (G. P. Witter, Trad.). São Paulo: Herder.

Baum,W. B. (2006).Compreender o Behaviorismo. Tradução de M.T. Araujo
Silva, M. Amélia Matos, G. Y. Tomanari e E.Z. Tourinho. Porto Alegre: ARTMED.

Baum, William M. "Rethinking reinforcement: Allocation, induction, and contingency." Journal of the Experimental Analysis of Behavior 97.1 (2012): 101-124.


Catania, A. C. (1996). On the origins of behavior structure. Em T.R. Zentall e P.M. Smeets (org.), Stimulus class formation in humans and animals (pp. 3-12). New York: Elsevier.

Lucie, P. (1978). A Gênese do Método Científico. Rio de Janeiro: Editora Campus.

Keller, F. S. & Schoenfeld, W. N. (1966). Princípios de Psicologia. São Paulo: EPU.

Marx, M. H. W.A. e Hillix. (1973). Sistemas e Teorias em Psicologia. Tradução de Álvaro Cabral da 2° Ed. São Paulo: Cultrix.


Ribeiro de Sousa, N. (2013). Múltiplas condições de controle no comportamento de uma pessoa com diagnóstico de esquizofrenia em comunidade evangélica. Dissertação. PUC-Go. Goiânia.

Rekers, G. A. & Lovaas, I. (1974). Behavior treatment of deviant sex-role behavior in male child. Journal of Behavior Analysis, 7 (2). 173-190.


Roediger, R. (2005). O que aconteceu com o Behaviorismo. Revista Brasileira de Análise do Comportamento, Vol 1,(1), 1-6.

Skinner, B. F. (2003). Questões Recentes na Análise Comportamental. Tradução de Anita Liberalesso Neri da 2° edição. São Paulo: Papirus.


Sidman, M. (1960). Tactics of scientific research. New York: Basic Books.
Simonassi, L. E. "Fazer, dizer e pensar: comportamentos operantes inter-relacionados." Anais do II Congresso Norte-Nordeste de Psicologia. 2001.
Skinner, B.F. (1961). Cumulative Record. New York: Appleton-Century-Crofts.
Skinner, B. F. (1975)."The shaping of phylogenic behavior." Journal of the Experimental Analysis of Behavior 24.1: 117-120.
Todorov, J. C. (1989). A psicologia como o estudo de interações. Psicologia: teoria e pesquisa,5,325-347.
Todorov, J.C. (2012). Sobre uma definição de comportamento. Perspectivas,vol 3, (1). Pp 32-37. www.revistaperspectivas.com.br
Watson, J.B. (1913). Psychology as the Behaviorist View it. Psyclassics.yorku.ca/Watson/view.

1 – PUC – GO


2 – FAPEG – Nº 005/2012 – PROC.: 201200544220849

3 – Aluno de graduação – PUC - GO





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