Seu primeiro beijo



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Madison Stanton não sabe onde está ou como chegou lá. Mas ela sabe disso - ela está morta. E sozinha em um lugar vasto, escuro espaço  .A única companhia Maddy tem neste lugar são objetos luminescentes que acabam por ser todas as coisas que Maddy perdeu enquanto ela estava viva. E logo ela descobre que, com esses artefatos, ela pode reviver - e até mudar - momentos de sua vida.

 Seu primeiro beijo.

 Uma viagem à Disney World.

 O casamento da sua irmã.

 Uma festa do pijama desastrosa.

 Revivendo esses momentos, Maddy aprende iluminadas e assustadoras verdades sobre sua vida - e morte.

Existe1


Eu estou morta.

Não meus-pais-me-disseram-para-estar-em-casa-às-doze-e-são-duas-horas-agora.

Morta. Apenas morta. Literalmente..

Eu acho.


Eu não posso sentir um corpo mais. Nem fome — nem mesmo um estômago. Nem dedos para agitar, nem pés para bater. Assim eu tenho mesmo que admitir que eu... parti?

Não. Eu não posso ter partido, porque eu estou aqui. Eu não direi que “passei adiante” ou que “faleci”. Eu não me lembro de passar por nada no caminho até aqui. Pelo que importa, eu não me lembro de morrer, tampouco. Há algo a dizer sobre as pessoas “morrerem de curiosidade”. Mas estou apenas curiosa sobre como eu morri. Curiosa e... assustada.

Este lugar — onde quer que seja — me cerca de vibrações. Ele apenas... Existe. Solidão e mistério estão zunindo por mim. Eu pareço que... acabei de acordar em um quarto escuro que não tem relógio. E ainda pior: nem pessoas. Onde está todo mundo que conhecia quando estava viva? Quem são eles, e eles sentem minha falta? E se eu estiver no inferno? Talvez ao invés de fogo e pedra, o inferno é somente o sentimento de solidão. Eu não me lembro muito sobre estar viva. Eu sequer lembro meu nome. Mas solidão seria o inferno? Isso eu me lembro muito bem.

Adiante eu vejo um brilhante pontinho de luz. Eu consigo alcançá-lo? Parece minha única chance de companhia. A perspectiva de alcançar aquela luz substituiu a dor latejante de solidão com uma esperança trêmula. Eu tento me mover em direção à luz, mas o espaço está... está... me cobrindo em uma escuridão espessa e pegajosa. Ela gruda em mim como um nojento jeans úmido dois números menores.

Eu luto com o Existe, empurrando seus limites, descobrindo que posso expandir a bolha ao meu redor se tentar forte o bastante. Mas bem quando meu espaço começa a crescer, uma nuvem de solidão me cerca. Eu descubro que há uma razão para a morte estar guardada em caixões acolhedores e pequenas urnas. Este grande espaço vazio que criei me faz sentir ainda mais isolada.

Eu paro de empurrar os limites do Existe, e ele se encolhe em uma pequena bolha novamente. Toda a energia que sou bate confortavelmente contra os limites. Agora que estou morta, acho que tenho uma batida de alma ao invés de uma batida de coração.



Talvez o tempo passe. Talvez não. Difícil de dizer neste lugar. Mas de um jeito ou de outro, eu descubro o problema com lugares pequenos e seguros. Eles são tediosos.

Eu não consigo decidir se minha curiosidade ou meu medo é a emoção mais forte. Eu não entendo bem como posso sentir os dois se estou morta. Eles perseguem um ao outro, circulando e se infiltrando em mim. Assombrando-me. Como isso é possível? Eu deveria ser a única a assombrar.

Finalmente, a curiosidade persegue o medo pelo perímetro. É hora de explorar. Não que haja muito o que investigar. Somente aquele brilhante pontinho de luz.

Eu empurro Existe e expando a bolha de meu espaço novamente. Desta vez eu descubro que posso intensificar a minha batida de alma até que preencha o espaço da bolha com energia. Eu guio a pulsação da batida de alma pela já expandida bolha enquanto me aproximo da luz.

É um círculo resplandecendo na escuridão. Ele brilha contra o preto intenso do espaço como um raio-X. Uma imagem de uma pulseira .

O que isso está fazendo aqui?

Quando eu chego mais perto da pulseira, eu me acho flutuando pelo círculo resplandecente de luz. Fótons2 se dispersam por toda parte. Eu me sinto menos solitária de alguma forma com toda esta luz rodopiando a minha volta.

E porque eu consigo ver agora que existem mais pontos de luz.

Eles são pequenas estrelas no meio da minha existência, alastrando-se vermelhas pelo espaço a grandes distâncias. Uma colher. Um par de meias, prendedores de cabelo, pedaços de papel, ervilhas, um celular, chaves, flores, uma bolsa de mão, um sapato de boneca. Mais e mais. Eles são artefatos de uma vida.

Minha vida?

Eu não sei por que, mas elas parecem me relacionar às pessoas que sinto que deveria estar. Eu encontro ainda mais: contas, fotografias, um anel, um chocalho de bebê, e — que estranho — uma peça íntima. Todas aquelas imagens são uma companhia ao menos.

Mas eu preciso que elas fiquem mais próximas para que eu possa passar o tempo com todas elas de uma vez. Há um jeito de clicar e arrastá-las para um espaço do tamanho de uma mesa? Não. Aparentemente Existe ainda não pegou todo o conceito de wireless, e eu terei que ir ao fim do universo para encontrar todas as minhas companhias. Melhor começar agora se — minha viagem já teve uma parada brusca. Eu atingi o próximo objeto. É um suéter, e eu não posso suportar a ideia de me mover e deixo-o para trás.

Eu sei que ele deveria me fazer sentir aquecida, mas seu forte brilho branco me enchia de desejo. Um sentimento de que faltava alguma coisa — mais intensa do que qualquer sentimento que já tivera — me esmagava. E de repente, eu sabia que não devia estar aqui sozinha. Eu sabia que esperava encontrar Gabriel aguardando por mim.

Mas, quem era Gabriel?

A blusa de moletom


Eu não tenho certeza do por que este suéter me fascina tanto. Talvez seja a falta do cheiro. Eu sinto que a coisa mais importante a respeito desse suéter deve ser o seu cheiro, mas não há cheiros em Existe. Eu quero vestir a blusa de moletom, mas também não há um corpo aqui em Existe.

Eu tentei imaginar como pareceria ter um corpo e me imagino puxando o tecido quente pela minha cabeça...

E então de repente, tudo muda.

Conhecimento — não apenas uma memória pela metade — me rasga, me espalhando pelo espaço e pela escuridão, pelo vazio e sombra. Eu sou impulsionada em direção a uma luz desagradável. O som de vozes aumenta de volume quando me aproximo mais e mais delas.

Cadeiras de metal raspavam pelo linóleo, acrescentando um acompanhamento desarmonioso às vozes. Minhas partículas tremeluzentes pairavam no ar, dançavam no ar, e em seguida se uniam em algo não tão sólido e ainda mais substancial do que eu tinha sido.

Eu tenho uma quase forma enevoada.

Eu estou de volta no mundo.

Em uma sala de aula. Uma sala de artes. Eu me reconheci, em pé em uma pia a poucos metros de distância. Estou tentando tirar tinta vermelha das mãos. Eu me lembro deste momento: primeiro ano do colegial, aula de arte no segundo período. Um sentido de alegria de estar de volta ao mundo real circulava como sangue pelo meu quase-ser, mas está estranhamente misturada com raiva: eu sei que estou prestes a descobrir que a blusa de moletom sumiu.

E então eu sei muito mais. De repente, estou mergulhando em memórias que assumiam meias formas. Elas me preenchiam com pânico quando eu naufraguei nelas.
Eu sei meu nome: Madison Stanton. Eu me lembro de minha mãe, seu cabelo vermelho profundo; meu pai, alto e brincalhão, com um barítono que ressoava confortavelmente; minha casa e seu cheiro de eucalipto; escola; professores; minha melhor amiga, Sandra; minha irmã mais velha, Kristen; meu gato de estimação, Cozy; e — oh Deus — Gabriel. Gabriel cuja blusa de moletom eu estou prestes a perder. Todas essas memórias ameaçavam me puxar para uma maré de aflição e perda.

É o som da minha própria risada que age como um colete salva vidas. Eu flutuei das memórias para me concentrar, em mim mesma em pé na pia. Estou rindo com Sandra. Eu não consigo me lembrar do que, contudo. Eu me instiguei a chegar mais perto.

Mas primeiro preciso resgatar a blusa de moletom. Está prestes a ser roubada. E eu sei por quem. Eu a deixei nas costas de uma cadeira para que eu não a sujasse de tinta — do outro lado da divisória que dividia a sala. Se eu puder chegar na blusa de moletom antes da Dana, talvez eu consiga evitar que ela o roube.

Eu tentei me mover em direção a divisória mas tive problemas em descobrir como fazer isso. Eu não tenho um corpo de verdade, então à parte física em me movimentar que estava acostumada a fazer na terra não estava acontecendo. Mas não era meramente um conjunto de partículas de luz do jeito que eu era no Existe. Ótimo.

Quantos estados de existência poderia existir?

Eu tinha que descobrir como usar alguma combinação bizarra de flutuar e correr para me mover. No momento que cheguei na divisória, no entanto, eu fui puxada para trás. Igual uma tira de borracha. O elástico que segurava o meu eu real na pia havia sido muito esticado. Eu vou sendo puxada todo o caminho de volta para o meu eu real na pia, que ainda estava ocupada rindo.

Qual é o problema com ela? Ou melhor dizendo 'eu'?

Como eu posso me referir à viva e ainda respirando Maddy Stanton? 'Ela' não parece em nada 'comigo'. E no entanto ela não era eu.

Ela nem parece sentir que eu estou aqui. E não posso deixá-la sem saber o que a Dana estava fazendo do outro lado da parede. Ontem, ele pediu de volta. Uh-hum. Não rola.

Tento novamente alcançar Dana, para impedi-la de roubar a blusa de moletom. Sem sorte. A Maddy viva me puxa mais uma vez, só que desta vez eu fico muito perto dela. Ela exerce algum tipo de atração magnética sobre mim. E, em seguida, instantaneamente me tornei ela.


17 anos de idade
A água de repente fica muito quente em minhas mãos. — Droga! — Eu grito, e ajusto a temperatura.

Sandra desliga a água. Sempre conservacionista. — Você não é Lady Macbeth tentando lavar os pecados de sangue de suas mãos, você sabe.

Tão sacramentalista. Trinta segundos atrás, estávamos rindo sobre a forma como a professora de cálculo tem um pedaço de papel higiênico preso na cintura da saia, em seguida, veio para a aula e ensinou meia hora sem nunca perceber o que estava ali. Agora Sandra está fazendo referências obscuras a tragédias de Shakespeare.

Ela me entregou o rolo de toalhas de papel do balcão, jogando água no meu rosto, ao mesmo tempo. — Obrigada, — eu digo, revirando os olhos.

— Desculpe , — ela diz, sorrindo.

Voltamos para a mesa onde deixamos todas as nossas coisas. Hora de vestir a blusa de moletom de Gabe novamente. Cheirava maravilhoso.

Totalmente dele. Eu o tive durante dois dias. Ele deixou em minha casa no domingo, e eu tenho feito bom uso dele desde então. Ontem ele pediu de volta.

Uh-unh. De jeito nenhum.

Ele não o terá de volta até que esteja tão suja e tenha que absolutamente ser lavada. Não adianta guardá-la depois de perder a essência básica de Gabriel. Tinham sido dias bons. Estou pensando em atacar a roupa suja de Gabriel quando tiver que devolver este suéter.

Mas quando Sandra e eu voltamos à mesa, a blusa de moletom não está lá. Minha bolsa de livros ainda está no assento da cadeira — exatamente onde a deixei. A blusa de moletom devia estar nas costas da mesma cadeira. Eu olho rapidamente para as outras cadeiras ao redor da mesa, mas também não está nas costas de nenhuma delas.

— Qual é o problema? — Sandra pergunta quando eu começo fazer uma versão esquisita de Dick Duck Goose3 com todas as cadeiras, deslizando todas e me certificando de ver se a blusa de moletom tinha migrado de alguma forma para seus assentos.

— A blusa de moletom de Gabe sumiu, — eu lhe digo. Não tenho muita esperança que ela irá se solidarizar com a real extensão desta tragédia. Ela tem me perturbado pelos últimos dois dias de quanto da minha obsessão com a blusa de moletom é minha tentativa subconsciente de transar com Gabe.

— Ela não pode ter sumido, — ela diz controladamente. — Ela estava nas costas da cadeira quando fomos lavar as mãos.

Estou me amaldiçoando. Eu tirei a blusa de moletom para não sujar de tinta. O que é um pouquinho de tinta quando a alternativa é nenhum suéter. Eu me movo para brincar de Dick Duck Goose com as outras mesas.

Nada de blusa.

Havia uma única explicação para o que poderia ter acontecido a ela. Dana.


De repente, estou tão brava que tenho medo que possa me transformar na Lady Macbeth com um pouco de pecados sangrentos nas mãos no final da contas.
Sandra vê como estou chateada. Ela me agarra pelo braço.

— Hey, Maddy, ela vai aparecer.

— Dana a pegou. Eu tenho certeza que ela pegou. Eu não sei se fico brava porque ela está tentando se intrometer entre eu e Gabe, ou apavorada pelo que ela pode estar planejando fazer com ela.

— O que você quer dizer com ‘fazer com ela’? O que ela pode fazer ela?

Eu percebo que Sandra não tenta me reassegurar que Dana não a pegou.

— E se ela vai dormir com ela ou algo assim?

— Você quer dizer como você dormiu?

Uma. Jogada. Ordinária.

— Ele é meu namorado, — digo na defensiva.

Eu nem mesmo posso começar a expressar o quão horrorizada eu estou pela ideia da ex de Gabe estar dormindo com a sua blusa de moletom.

— Ela não superou o fato deles terem se separado, e eu estou enjoada disso.

Sandra começou a esfregar meu braço.

— Ei, acalme-se. Ela não vai dormir com ela. Ela já esqueceu o Gabe.

Dificilmente. Ela tem sofrido muito desde que ele a abandonou e começou a namorar comigo.

Sandra me conhece desde que temos cinco anos. Ela consegue ver o que estou pensando. É por isso que vale a pena ter uma melhor amiga. Economiza-se palavras.

— Fala sério, — ela me diz, — isso entre vocês duas, é entre você e ela, não Gabe. Ela não o quer de volta. Ela só quer perturbar você. Isso lhe dá a satisfação de deixar você infeliz, porque você a deixou infeliz quando começou namorar com ele.

Eu dei a ela meu melhor olhar cético. Ela deu um passo atrás, agitou seus cabelos castanhos cacheados sobre os ombros. Este é um sinal que ela fala sério. As mãos inclusive vão para os quadris. Ela tinha uma estrutura corporal daquelas frágeis e delgadas (e sim, eu tinha inveja que desde que nós tínhamos aproximadamente dez anos e as diferenças dos nossos tipos corporais ficaram claras para mim), mas ela conseguia criar presença quando queria ser levada a sério. Como agora.

— Qual a melhor maneira de lhe chatear do que tirar algo de Gabe de você? Então, ela consegue observar você piorar.

Sandra acena para a direção onde Dana está em pé com outras garotas. Dana está sorrindo afetadamente de uma maneira que — para ser honesta — me assusta de verdade. Como alguém consegue ter o olhar de uma abóbora de Halloween e de uma modelo tudo de uma vez?

— Olhe para ela, — Sandra diz. “Ela não está com a blusa de moletom, então, ela obviamente a escondeu em algum lugar perto daqui.

— Mas, aonde? Isso significa que eu posso encontrá-la.

Sandra sacudiu a cabeça para mim.

— Não dê a ela a satisfação. Ela está observando agora mesmo para ver o que você fará. Volte depois da escola ou algo assim e peça à Sra. Sinclair se você pode procurar por ela então.

O sino toca, e Sandra me arrasta em direção à porta.


De repente, eu sou arrancada de mim mesma e lançada de volta nesse abismo... sem forma de novo, isolada em um lugar que apenas Existe. Há a blusa de moletom, resplandecendo zombeteiramente para mim, me lembrando que não há substituto para o que esta faltando de verdade. Eu preferia ter Sandra e Gabe de volta.


O Bracelete

Estes objetos de luz...eu conheço todos que estão aqui: objetos que eu perdi durante meu tempo de vida. Eles acharam seu caminho até aqui, para me fazer retornar à minha antiga vida e -ah-meu-deus- eu quero muito voltar.

É estranho que de volta lá na sala de arte quando me tornei meu eu vivo, ela nunca havia percebido que havia, bem...outro eu-um que estava morto-perambulando em algum lugar. Mas de uma forma era legal que ela não havia me notado. Quando me tornei ela, significava que eu estava realmente...viva.

Eu queria aquela experiência novamente. Eu queria estar com as pessoas que eu amava. Ver coisas que faziam parte do meu dia-a-dia. Descobrir mais sobre quem eu era. Eu posso lembrar de partes, mas não de todo, o meu passado. E, enquanto eu flutuava sem direção aqui, no Existe. Eu já estava me esquecendo sobre a minha vida.

Agora. Eu quero voltar para a minha vida. Agora.

Eu me impulsionei pelo vácuo do Existe, procurando por algo que me levaria para casa. O objeto mais perto de mim era o bracelete, então eu me movi em direção a ele. Lá estava. Um círculo de luz. Um pulso fantasma que anseio, o circulando, que anseia o suave tilintar da prata sob prata, que anseia o suave roçar da corrente contra a pele.

O conhecimento corta através de mim. Desta vez, enquanto eu me dispersava pelo espaço e a escuridão. Eu sou sugada pelo vento e calor, em direção à grama delicada.

Eu estou bem embaixo de uma árvore que eu havia subido muitas vezes com a Sandra. Eu olhei para os galhos acima de mim, e lá estava ela. Uma Sandra de oitos anos de idade. Escuros e encaracolados rabos de cavalo se balançavam atrás dela na brisa enquanto ela manobrava para cima pelos galhos da árvore. E aquela menininha do lado dela era...eu.

Mais ou menos. Eu reconheci meu rosto e os dentes tortos das fotos antigas. Mas é difícil de acreditar que eu me movia tão rápido, ou com tamanha liberdade. Eu estou dizendo a Sandra o que fazer, mandando ela subir em um galho mais alto. Nada a não ser este momento parecia existir para a versão de oito anos minha. Ela lançando praticamente um feitiço do esquecimento em torno da árvore inteira.

Enquanto a versão mais nova de mim alcança um galho mais alto, reflexos de luz se formam do bracelete que se balança no meu pulso. A forma como o sol encanta os amuletos do bracelete é fascinante. A Sininho, um gatinho, uma joaninha, uma estrela de prata...

Eu consigo me lembrar do bracelete agora. Era um presente da minha mãe do meu aniversário de oito anos, e eu o perdi um dia brincando...aqui no quintal da Sandra.

Eu estou tentando descobrir como todo esse negócio de objeto de vida parece estar funcionando: ver o objeto que eu perdi na vida, imaginar estar usando-o, voltar para o momento em que o perdi. Eu só tenho a dizer, isso parece uma piada particularmente cruel. Quero dizer, porque todo o foco sobre perda? Não é suficiente perder a minha vida? Porque é a minha única opção para o regresso à Terra centrar em perder alguma coisa?

Enquanto eu assisto Sandra de 8 anos de idade e eu mesma, lembro-me da temperatura moderada, com um vento tentando conduzir a primavera em nosso meio. Terrestres perfumes da Primavera flutuando na minha memória, também, misturando-se com a sensação de casca áspera contra minhas mãos. Sandra e eu desafiamos uma a outra para se mover tão longe quanto pudermos para o fim do galho. Estamos prestes a cair.

E Sandra está prestes a quebrar seu braço. Eu tenho que fazer algo para impedir que isso aconteça. Preciso de ir buscar o pai de Sandra. Tento o estranho flutuamento e executando o movimento para chegar à casa, mas, assim como da última vez que tentei fazê-lo, descobri que não estava autorizada a viajar para longe da eu viva. Eu tento esticar o fio de energia que nos liga. Eu me esforço contra ele como um cachorro tentando alongar sua coleira o suficiente para alcançar as provocações de um esquilo.

Não tive sorte. Só estou permitida a qualquer tipo de liberdade de circulação se eu ficar perto o suficiente para ela ver e ouvir. Ela nem sequer me deixa ir longe o suficiente para ajudar sua melhor amiga.

Mais uma vez, as regras do Universo para este jogo eram uma droga. Assim que eu percebi isso, o galho da árvore rachou sob o peso combinado das duas de oito anos de idade. Nós batemos através dos galhos, gritando enquanto caímos. Eu aterrissei na terra sob meu estômago.

Apesar de todos os anos que passaram desde esse momento, mesmo apesar da morte, eu me lembro da sensação do ar sendo forçado a partir de meus pulmões enquanto eu lutava para respirar. Não posso deixar de voltar correndo para tentar ajudar essas duas meninas de alguma forma, mas fico muito perto da eu vida. Ela me suga para dentro . . .


8 anos de idade
Meus dentes bateram em conjunto a uma força que sai da minha cabeça girando. O sangue é quente em minha boca, uma vez que escorria de um corte, mas levei um instante para perceber isso porque eu ainda não conseguia respirar.

Sandra é um silêncio mortal. Ela está morta?

Agora que eu posso respirar, eu gritei histericamente. A porta traseira abre e a mãe de Sandra vem correndo. Ela tropeça em Sandra. Cai ao lado dela e soluça. — O que você fez com ela? O que você fez com ela?

Eu tento tirar ar o suficiente para falar e expulsá-lo para fora, — Nós caímos da árvore. Eu não queria machucá-la.

Sra. Simpson está respirando engraçado. Eu nunca ouvi falar de ninguém respirando assim. E se ela e a Sandra morressem? Será minha culpa.

Sr. Simpson vem correndo. Ele tenta chegar até Sandra, mas a Sra. Simpson simplesmente continua chorando e respirando toda engraçada e não vai deixá-lo tocar em qualquer uma delas.

Eu quero ajudá-lo a puxar a Sra. Simpson para longe. E se Sandra estiver morrendo e Sra. Simpson não vai nos deixar ajudá-la?

— Você precisa se acalmar, Genevieve, — Sr. Simpson continuou a dizer a ela. — Você vai ter um ataque de asma.

Será um ataque de asma que mataria a Sra. Simpson?

Ele está sacudindo e puxando-a para longe de Sandra de uma vez. Há, finalmente, um espaço grande o suficiente entre a Sra. Simpson e Sandra para ele entrar. Ele se ajoelha para Sandra, inclina-se sobre ela, toca o pescoço, e ouve a sua respiração. Ele faz um som estranho. Acho que poderia ter sido um sufocado alívio.

— Sandra ficará bem, mas você tem que se acalmar, Genevieve.

Estou aliviada que Sandra vai ficar bem. Se o Sr. Simpson diz que ela está bem, então ela está. Eu gosto de Sr. Simpson.

Eu só não gosto da Sra. Simpson. E agora que eu sei que Sandra vai ficar bem, tudo bem se a senhora Simpson morrer de um ataque de asma. Bem . . . a menos que Sandra ache que é minha culpa que sua mãe morreu.

Eu quero a minha mãe. Ela pode fazer as coisas melhorarem. Ela não tem asma, e ela não grita pelo caminho, a mãe de Sandra faz.

Eu quero a minha mãe agora.

Onde está o meu bracelete mágico? Eu procuro no meu pulso, mas ele não está lá. Onde está? Será que todas essas coisas ruins aconteceram porque eu perdi isso?

Eu quero chorar, mas não me atrevo.

— Genevieve, — Sr. Simpson diz: — você tem que ir para a casa e ligar para o 911.

— Eu pensei que você disse que ia ficar tudo bem, — ela protesta.

Sr. Simpson chicoteou em torno de raiva. — Droga, basta ir chamar o 911, — ele rosna. Quero aplaudir.

— Eu não posso re-respirar, — diz a Sra. Simpson, ofegante.

Sr. Simpson fecha os olhos. Ele se parece exatamente como a minha mãe quando está contando até dez, enquanto está me mandando ir ao meu quarto para "pensar sobre o que você fez." Quando o Sr. Simpson abre os olhos, ele toca a bochecha de Sandra levemente como o meu pai toca ao deitar. Então ele se levanta e esfrega os braços da Sra. Simpson para acalmá-la. Quando ele fala, sua voz é suave e firme.

— Ela provavelmente vai ficar bem, Genevieve, mas não podemos arriscar mudá-la de lugar nós mesmos. Vá chamar. Agora.

Sra. Simpson tropeça para fora. Eu rastejei ao redor,procurando pela pulseira. Agora que ela se foi, eu deixo o fluxo de lágrimas pelo meu rosto, mas eu tento escondê-los do Sr. Simpson.

Ele se vira para mim e vê as lágrimas.

— Está tudo bem, Maddy, — ele me pede. — Você está ferida em algum lugar?

Em todo lugar, quero dizer, mas especialmente apenas em meu coração. Em vez disso, eu disse —Estou bem —, mas não porque eu estou. Estou apavorada, mas eu não posso admitir isso, porque eu posso dizer que o Sr. Simpson não está realmente pensando em mim, e eu não quero que ele precise.

— Então é Sandra, eu acho, — ele me diz tranqüilizando. — Há um ovo de galinha gigante na lateral da cabeça. Eu acho que ela acabou de ser nocauteada. Aconteceu comigo uma vez quando eu era criança. Parece que o braço pode estar quebrado, também, mas eu acho que ela vai ficar okay.

Ele começou a sentir suavemente ao longo de seus outros membros. Em seguida, ele chama para dentro de casa, como se estivesse surpreso por ter pensado nisso.

— Genevieve, ligue para a mãe de Maddy. Ela terá que vir buscá-la. Não podemos deixá-la ali sozinha enquanto estamos fora no hospital.

Mamãe. Ela vai fazer tudo okay de novo. Eu sei que ela vai.

Sra. Simpson acabou de começar a sair para fora da porta. Ela me mede com o olhar, e a porta de tela se bate fechada quando ela se move para dentro da casa. Eu não entendo muito bem por que ela nunca gostou de mim.

Sr. Simpson olhou suavemente para sua filha, poupando-me um olhar quando eu comecei a girar em círculos.

— O que você está procurando, Maddy, — ele me perguntou.

— Nada, — eu digo, mesmo que isso não seja verdade.

Sra. Simpson retorna para o lado de Sandra, chorando. E quando os olhos de Sandra se abrem, a Sra. Simpson grita de prazer. Eu me sinto da mesma maneira, mas a minha alegria teve que vibrar ao redor do interior onde não podia ser visto ou ouvido. Não me atrevo a chamar a atenção do Sr. e Sra. Simpson longe de Sandra. Ela está viva. E gemendo. Em dor.

O tempo passa, e as luzes piscando aceleram pela estrada em direção à casa. Eu reconheci o carro da minha mãe atrás deles. Ela fica fora do caminho dos paramédicos, arrastando atrás de si para o quintal, olhando para mim. Ela me vê, corre em minha direção, e me puxa para longe de toda a ação, se ajoelha em frente de mim e me envolve em seus braços.

Minha mãe. Ela cheira como maçãs: penetrante, doce e natural.

— Está tudo bem, amorzinho? — , ela pergunta.

Agora que ela está aqui, as lágrimas se transformam em soluços. Eu não tenho nada para segurar de volta. Exceto as palavras que eu estou tentando dizer que não pode ser entendida, então mamãe simplesmente continua tranquilizando-me: — Sandra está bem. Ela estava apenas inconsciente.

Finalmente eu sou capaz de fazer sair as palavras claramente, — não consigo encontrar meu bracelete charmoso.

Ela me apertou mais forte. — Shh, — ela sussurra em meu ouvido. — Assim que eles deixaram todos com Sandra, vamos procurar por isso.

Se ela vai me ajudar a procurar por ele, eu sei que nós vamos achá-lo. Ela sempre faz tudo certo.

Eu engulo o meu choro e tento respirar profundamente. Os paramédicos levam Sandra retirada em uma maca, e minha mãe me leva pela mão. Andamos em círculos ao redor da árvore que Sandra e eu estávamos escalando até. . . enfim ... ele está lá. . . quebrado mas brilhando contra a grama. Mamãe o pega e o amor começa a fluir sobre o meu pulso. No segundo que o metal frio tocou a minha pele —





Eu estou fora. Arrancada de mim mesma. Atirada ao abismo. . . novamente, vagando em um lugar que apenas Existe. Eu quero minha mãe de volta. Eu quero vê-la novamente.

Meu desejo de tocá-la, para estar com ela, é ainda maior do que a dor, eu fui deixada com o depois da minha primeira viagem de volta à vida.


A BOLSA
A sensação dos braços da minha mãe ao meu redor despertou uma fome além de qualquer que eu já experimentei.

Eu percorri de volta através do Existe, olhando para a pulseira. Eu quero voltar para a cena no quintal de Sandra. Quero sentir os braços de minha mãe em torno de mim de novo, mesmo que isso signifique assistir Sandra cair tudo de novo. Eu reencontro cada um dos objetos que encontrei antes, todos, exceto a pulseira. Ela se foi.

Estranho.

A camisola ainda está aqui.

A pulseira não está.

Perdida de novo. Eu quero gritar, mas. . . Eu não tenho uma voz.

Há aqui qualquer outro objeto que possa levar-me para a minha mãe? Retorno para eles um de cada vez, procurando uma pista sobre o que vai me levar para onde eu quero ir, mas não me lembro onde eu perdi esses vários recados de existência.

Tem as chaves, mas eu não acho que elas vão me levar para ela. O telefone celular está no bolso do lado do espaço. Não, isso não é uma porta de entrada para a minha mãe, também.

Depois, há a bolsa. Ela cantarola e brilha mais intensamente do que os outros objetos fazem quando eu chego perto dele.

Está ligado a minha mãe? Eu não penso assim, mas não posso deixar de me sentir atraída pela intensidade da presença do objeto. Eu quero as respostas que ele parece estar oferecendo... Talvez essas respostas acabarão por levar-me de volta para minha mãe... e tudo o que eu quero alcançar. Eu reúno cada sentimento fantasma que posso para lembrar de carregar uma bolsa. E mais uma vez esses sentimentos poderosos rasgam por mim. Sou impulsionada em direção a algo. ..desagradável.

Eu estou em um ambiente desconfortável, sufocante, rodeado pelo cheiro de urina. Eu percebo que estou em um banheiro no Overton High School. A eu viva e com 17 anos está entrando pela porta do banheiro, chegando mais perto de mim, e eu sou. . . sugada para dentro



17 anos de idade

Quando uma menina tem que fazer xixi, ela realmente tem que fazer xixi. Eu bato a porta da cabine atrás de mim e derrubo minha bolsa ...extraordinariamente pesada hoje com toda a carga extra nela... em cima do rolo de papel higiênico.

Ele cai. Nojento. Quem sabe o que este piso teve sobre ele? Fazer xixi vai ter que esperar até eu buscá-la.

Por que eu fui estúpida o suficiente para trazê-la comigo?

Estou apenas colocando-o de volta quando vozes saltam fora os azulejos da parede do banheiro. Eu reconheço a voz de Tammy Havers.

"Alguém aqui?" ela pergunta para alguém.

"Eu penso que não," vem a resposta.

Então, eu só estou desafivelando meu cinto quando Tammy exige o pagamento da voz misteriosa. Eu percebo o que está acontecendo do outro lado da porta do box: Tammy está vendendo drogas.

Maldição.

Xixi vai ter que esperar. Não me atrevo a fazer barulho agora.

Aparentemente não fazer qualquer ruído é um desses "mais fácil dizer do que fazer" coisas. Especialmente se você é estúpido o suficiente para colocar sua bolsa favorita em cima de um rolo de papel higiênico por uma segunda vez. E se bolsa quer dizer que tem cerca de três dólares em moedas nele, porque você é estúpida o suficiente para ter perdido seu cartão de débito do almoço ...bem, ela bate no chão com um baque muito alto.

O tipo de pancada que alerta o traficante de drogas que há mais alguém no banheiro.

Tammy não chutaria a porta do box ou qualquer coisa, não é?

E por que exatamente não poderia ter acontecido... se tinha que acontecer afinal... depois que eu já tivesse feito xixi? Estou morrendo aqui.

Tammy empurra a porta do box e encontra fechada.

"Saía dai," ela exige.

"Uh, não, obrigada," eu digo.

Felizmente, ela não tenta forçá-lo abrir.

Infelizmente, ela rasteja sob a partição à esquerda, puxando minha bolsa na cabine ao lado.

Se eu tivesse algum cérebro, eu teria percebido mais cedo que minha incrivelmente pesada bolsa seria uma boa arma. Eu já teria pego e batido-lhe na cabeça com ele, espero deixá-la inconsciente. Agora está muito longe para eu alcançar.

Eu acho que isso não importa de qualquer maneira. A verdade é que eu não teria realmente prejudicado Tammy. Quer dizer, ela e eu éramos amigas até a oitava série. E não só não iria bater na cabeça dela, mas também não posso acreditar que ela realmente me feriria também.

Bem, além de me torturar, enviando-me para outro box para fazer xixi. Oh meu Deus, eu realmente queria fazer nesse momento?

E perdi tempo pensando em tudo isso o que já me deixou completamente à mercê de Tammy, porque lá está ela.

De pé no box comigo. Olhando para mim.

Ela destrava a porta, me agarra pelos cabelos, e puxa-me fora do box. Eu quero gritar de dor. Realmente dói.

Mas eu tenho muito medo de fazer algo mais do que um suspiro. Tanto para a velha amizade me proteger da ira de Tammy.

"O que você está fazendo aqui, Stanton?" Ela aperta meu cabelo para dar ênfase.

Se ela puxá-lo novamente, eu juro que ela vai desencadear uma poça de xixi direito abaixo de nós.

"Eu lhe fiz uma pergunta," Tammy diz. "O que você está fazendo aqui?"

Dã. Ir ao banheiro, talvez? Mas eu não quero deixar Tammy exatamente mais irritada do que ela já está, então eu tento a abordagem menos sarcástica. "Indo ao banheiro."

"Você ouviu alguma coisa?"

"Ouvir o que?"

Tammy puxa novamente. Será que ela está esperando que eu confessasse?

Bravata poderia ser a minha única saída. "Por que você está tentando me torturar?" Eu pergunto, lembrando-me que eu a conheço desde que estávamos na pré-escola.

Nós nunca fomos grandes amigas quando éramos mais jovens, mas nós sempre nos demos bem. Em seguida, na quarta série, nenhum de nós tinha amigos muito próximos na nossa classe, assim que terminou que almoçávamos juntas todos os dias. Nós compartilhamos até mesmo bolinhos.

Ela só começou a ficar confusa quando estávamos no ensino médio. Algo estava mal em sua casa, e ela começou a ficar cada vez mais difícil. Fiquei triste quando isso aconteceu.

Eu gostava dela. Mas ela não quis falar comigo sobre o que estava acontecendo.

Então, na oitava série, após a coisa toda do tabuleiro de Ouija que aconteceu em uma festa do pijama, ela parou de falar comigo por completo. Pensou que eu estava tirando sarro dela. Mas eu juro que não estava.

Ao final do oitavo ano, ela começou a ficar francamente assustadora. Uma vez eu até a vi bater em uma garota durante o almoço. Eu não estava exatamente valente ou nada. Não salvei o garoto, pulando na frente dela com os punhos prontos. Não.

Eu era um dos covardes assistindo a coisa toda. Além disso, você não pode realmente entrar entre as duas meninas. Mesmo assim, Tammy gostava de pegar o cabelo de seu oponente. Quando os professores vieram para separar a briga, Tammy quase arrancou o couro cabeludo da outra garota, enquanto os adultos estavam tentando separar as duas.

Agora, eu percebo, não é o momento de estar me lembrando de que Jenny Wilson quase se tornou em alguém maravilhosa com menos cabelo. Pense em Twinkies (bolinhos), eu digo a mim mesma. A imagem de uma Tammy com 10 anos de idade com recheio de creme amarelo em sua boca me ajuda a enfrentá-la. Mesmo se o aperto do meu cabelo ainda está me matando.

Enquanto ela aperta mais, eu opto pela abordagem lembrar-quando-éramos-amigas. Tudo bem. Jesus. Solte o meu cabelo.

"Eu ouvi o que estava acontecendo aqui, mas não é como se eu fosse contar a alguém. Caia na real. Nós nos conhecemos há muito tempo, Tammy. Não é como se eu estivesse indo dedurar alguém que eu compartilhava Twinkies no almoço."

"É melhor não mesmo," Tammy diz. Ela dá ao meu cabelo um lembrete ameaçador de sua vontade de me machucar. "Porque se alguém me delatar, eu vou saber exatamente de quem é a culpa."

Adultos estão sempre querendo que você diga em que situação como esta. Nós podemos protegê-lo. É para o bem de todos, Blá, blá, blá.

Certo.


Os adultos são tão estúpidos. Eu não consigo descobrir como eles conseguiram viver o suficiente para sobreviver a escola.

"Eu não vou dizer nada," Eu digo a Tammy. Espero parecer firme, revoltada com a mera possibilidade. Mas eu ouço um grito na minha voz. Ela finalmente solta meu cabelo, me empurrando longe dela, ao mesmo tempo. "Saia daqui."

"Umm ... eu poderia, assim, só pegar o meu dinheiro em primeiro lugar?"

Ela me congela com aquele tipo : estou-olhando-uma-idiota.

Ok, então. Acho que vou pedir dinheiro à Sandra para o almoço. Eu quero me chutar. Eu não preciso pedir dinheiro emprestado da minha melhor amiga se eu tivesse admitido a minha mãe que eu tinha perdido o cartão do almoço. Ela teria conseguido um novo. Mas eu não queria ouvir a sua insistência sobre como eu nunca me apego a algo... o que é irritantemente verdade, eu percebo, quando eu praticamente corro o resto do caminho do banheiro. E isso é quando. . .

Existe me abraça de novo.

Eu flutuo por um momento, só de lembrar como era ser Maddy Stanton. Parece que eu encontrei as peças de canto de um quebra-cabeça, mas eu ainda estou tentando encontrar todas as arestas. Minha vida está deitada em uma pilha de memórias empilhadas em cima uns dos outros, pequenos clipes de imagens parciais esculpidas em formas engraçadas. Eles não estão até mesmo classificados ainda. Qual parte eu começo a tentar construir ?

C l a r o....

Aquele com o Grim Reaper. O que me diz como eu morri. Mas eu não sei ainda onde está. Eu poderia ter de virar um monte de peças antes de provavelmente até mesmo pegar um fragmento da imagem do Reaper.

É hora de começar agora.

Acho o treinador. Se isso e a camisola ainda estão aqui em Existe, por que não posso encontrar a pulseira? Eu percorro em busca do bracelete mais uma vez.

Ainda assim se foi.

Qual é a diferença entre a charmosa pulseira e a bolsa? Entre a camisola e a mala?

E então eu sei.

A eu real, eu viva. . . ela pegou a pulseira com ela quando ela deixou a cena em que a vi. Mas a mala e a camisola ... Eu não encontrei nenhum desses antes de deixar a cena. Quem sabe o que aconteceu com eles? Mas de alguma forma eu nunca os consegui de volta, e assim eles estão aqui em Is, ainda me assombrando.

Uma idéia cantarola através de mim: Talvez se eu não encontrar o objeto, eu possa voltar para o momento em que eu perdi, mas se eu encontrá-lo, então eu não posso voltar a esse tempo.

Controle.

Eu poderia ter algum controle sobre os momentos na minha vida que eu possa voltar. Eu só tenho que me manter de encontrar alguma coisa.

Mas espere. Eu não sei ao certo se é assim que funciona ....

Ou mesmo se eu posso mudar o que acontece quando eu voltar para um momento.

Eu percebo que há uma maneira de descobrir.

Eu percorro o meu caminho de volta para a bolsa e me imagino segurando-o novamente.

O conservadorismo de um banheiro fechado, o cheiro de urina, eu andando na minha direção. . . está tudo lá de novo. Eu me abraço, e nos unimos com fluidez ....



17 anos de idade

Eu então tenho que fazer xixi.

Eu coloco minha bolsa em cima do rolo de papel higiênico, mas cai. Nojento. Quem sabe o que este piso teve sobre ele? Estou curvando-se para pegar a bolsa, quando eu percebo que eu estou sentindo aquela coisa engraçada novamente. Já aconteceu comigo, um par de vezes antes. Eu não posso explicar o sentimento.

É como se eu estivesse sendo espionada. É assustador. Eu tentei explicar para a minha mãe uma vez, e ela me disse que ela tinha sentimentos assustadores assim antes, também. Disse que se sentiu "alguém caminhando sobre seu túmulo. "Como isso faz sentido?

Infelizmente, no momento, isso fazia.

Deixe isso, eu digo a mim mesma.

Eu coloco a bolsa de volta no rolo de papel higiênico e olho ao redor, como se eu estivesse à espera de ver um fantasma aqui ou algo assim.

O quão estúpido é isso?

"Alguém aqui?" alguém diz através da porta do banheiro. Eu conheço essa voz. Ela pertence a Tammy Havers.

"Eu acho que não," alguém responde.

Tammy exige o pagamento.

Ótimo. Um negócio de droga. Faço uma pausa em desafivelar meu cinto. . . Eu tenho que fazer xixi, mas e a auto-preservação? Sim. Pode ser mais importante no momento. Eu acho que vou tentar não fazer qualquer tipo de som ....

Conversão.

Minha bolsa. Aquela com cerca de três dólares em moedas dentro. Por que eu tive que perder meu cartão de débito do almoço?

Eu realmente tenho que fazer xixi.

Alguém empurra a porta do box. Tammy, eu tenho certeza, porque agora ela também está exigindo que eu saia de lá.

"Uh, não, obrigado," eu digo. Esse sentimento assustador cai em cima de mim de novo. Deve ser porque Tammy está rastejando sob o box agora. Eu olho em volta para minha bolsa. Tão pesada como está ela pode até mesmo fazer uma boa arma no momento.

Eu não posso encontrá-la. Onde ela caiu?

Em seguida, Tammy está de pé, na minha frente com este brilho totalmente assassino.

Ela abre a porta do box, pega um punhado de meu cabelo, e puxa. Isso é demais. Esse sentimento assustador me invadindo, Tammy abusando de mim, vontade de fazer xixi, e ser interrompida ...quanto que uma menina tem que lidar?

"O que você está fazendo aqui, Stanton?" Ela puxa meu cabelo novamente para dar ênfase.

É como se o meu cabelo fosse uma corda ligada a minha bexiga.

Se Tammy puxá-lo de novo, eu acho que ela vai desencadear uma onda de xixi.

"Eu lhe fiz uma pergunta:" Tammv diz. "O que você está fazendo aqui?"

"O que você acha que eu estou fazendo?" Eu peço, minha raiva transbordando."Estou fazendo um xixi. Ou pelo menos eu estava tentando."

"Você ouviu alguma coisa?" Ela começa a puxar meu cabelo novamente.

"Não!" Eu digo a ela. "É claro que eu ouvi. Mas não é como se eu fosse dizer a alguém sobre isso. Caia na real. Nós nos conhecemos há muito tempo, Tammy. E mesmo que eu ache que é uma espécie de idiotice estar tomando medicamentos, e estúpido estar lidando com isso aqui na escola, você já ouviu falar da palavra expulsão? — eu dificilmente estou dedurando alguém que eu partilhei Twinkies no almoço."

Ela parece pensar. "É melhor não. Porque se alguém me delatar, eu vou saber de quem é a culpa."

"Eu não vou dizer nada. Confie em mim." Graças a Deus eu não pareço estar implorando.

"Saia daqui," Tammy diz. Ela solta do meu cabelo. Eu vou para o box.

"O que você está fazendo?" Tammy pergunta, incrédula quando eu começo a procurar sob as divisórias entre os box.

"Procurando pelo meu estúpido dinheiro." Eu acho no box ao lado. Eu devo ter batido muito forte com o cotovelo quando eu derrubei fora do rolo de papel higiênico.

"Basta dar o fora daqui," Tammy diz.

"É para já," eu digo. Eu pego a bolsa—

De volta em Existe, eu procuro, levando-me através de quilômetros de espaço, procurando pela bolsa.

Ela se foi. Assim como a pulseira. O momento em que tocava cada um deles, eu era arrancada da vida e voltava para Existe.

Então como eu volto para o Existe a partir dos momentos em que eu não encontrar os objetos? Reflito sobre o incidente com a camisola, em seguida, tento compará-lo com o primeiro da bolsa. Mas eu não posso. Na verdade, não me lembro de nada que aconteceu da primeira vez que fui para aquele banheiro.

A segunda vez naquele banheiro, tocando aquela bolsa e sendo lançada de volta à Existe. Mas a minha segunda experiência com esse momento acabou com o primeiro. Tornou-se a nova realidade da minha vida.



Existe parece trabalhar em um plano diferente da realidade, embora, porque eu me lembro da decisão que tomei para voltar e mudar essa cena. Então, enquanto eu sei que houve um tempo em que eu não encontrei a bolsa, que o tempo desapareceu para sempre.

De um jeito, isso é muito legal. Isso significa que eu posso fazer algumas escolhas conscientes sobre como mudar a minha vida. Mas — mudar a minha vida para que eu encontre apenas um objeto parece tornar impossível eu voltar a esse momento. Por que eu iria querer fazer isso?

Será que vai funcionar no sentido inverso? Posso me impedir de encontrar algo?

Provavelmente. . . não.

Será que não tenho que saber, quando estava olhando para ele, que eu realmente não quero encontrar o objeto? Desde que eu não me lembro onde o objeto irá me levar (ou por que e como eu perdi isso) até que eu usei-o para voltar à vida, isso significaria que eu teria que encontrar o objeto, e ser enviada de volta ao Existe, e percebi que eu nunca quereria ter encontrado o objeto — Até então, o objeto já estaria perdido para o Existe.

Porcaria.

O Universo não é tão generoso quanto eu pensava que era.

Ou talvez eu não devo estar brincando com a minha vida original assim.

Eu não consigo explicar o que aconteceu agora que eu mudei o resultado de encontrar minha bolsa, mas algo está diferente. Sobre mim. Sobre a minha vida.

Sobre quem eu sou.

E eu não tenho certeza de que eu gosto.

Quando voltei e me fiz achar a bolsa, eu de alguma forma me tornou uma nova pessoa. Alguém que, antes de tudo, podia sentir que eu estava lá. Isso deve ter sido o que o sentimento assustador era. A minha intenção de mudar, o que aconteceu naquele momento de alguma forma mudou tudo. Eu sabia que eu estava lá. Bem, de certa forma, de qualquer maneira. O suficiente para fazer o momento parecer... assustador.

Mas isso não é tudo. Outras coisas também mudaram. Eu só não sei o que são. Se eu nunca encontrei o meu treinador na primeira versão da minha vida, eu fui sem almoçar naquele dia? Será que eu pedi dinheiro emprestado a alguém para que eu pudesse comer? Eu não tenho como saber, mas o que aconteceu naquela primeira versão criou uma vida diferente do que os resultados da minha segunda visita a esse momento.

Mesmo estando de volta aqui no Existe se parece diferente do que antes. Eu sou uma pessoa morta diferente do que eu era.

É difícil descrever o que tudo isso tem feito para mim, mas é como se eu estivesse ouvindo uma música e quando voltei estava tocando em um tom diferente. Tudo aumentado a uma meia nota. . . ou algo assim.

Quem sabe o que eu poderia estar mexendo e mudando a maneira como as coisas aconteceram na vida?

Suponha que eu poderia me impedir de morrer?

Mas não é possível saber qual desses momentos pode levar a esse resultado. Pelo menos neste ponto.

E se eu acabar me fazendo morrer mais cedo?

A tomada de decisões na morte não parece ser mais fácil do que fazê-los na vida: Você nunca sabe que resultado vai ser de uma maneira ou de outra.


Orquídeas


Sinto falta de tudo sobre ser real. Usar esses objetos para voltar à vida. . . é como um vício. Eu tenho que ter outra fixação. Eu apenas não posso decidir qual o próximo objeto a usar. As chaves, botões, missangas, caneta, bonecas Barbie, chaveiro...
No final, eu realmente não tenho uma escolha. Eu passo através de algumas orquídeas, misteriosas, quase esqueléticas em suas luminescentes formas, e antes que eu perceba, estou lembrando que eu as usei no cabelo para o casamento da minha irmã. A memória é o suficiente para me levar para casa, até o momento quando... Estou de joelhos na grama, a noite escura me cercando.
16 anos de idade
Gabriel está de pé ao meu lado, inclinado, sua mão firmemente segurando meu braço.

—Tente respirar profundamente, — Gabriel me encoraja.



Parece uma boa idéia, mas eu estou engolindo mais do que respirando, e o ar extra que eu estou tomando está me fazendo adoecer, não melhorar. Tinha sido um dia incrivelmente longo. Agora estou convencida que eu nunca vou pensar em ter um casamento. Se algum dia eu quiser casar, eu vou fugir. O que Kristen poderia ter estado pensando?
Seu vestido de casamento era lindo, mas como ela podia ter me vestido nesse horrível, longo vestido sem alças? Se ela ia me fazer ser uma dama de honra (não vamos nos enganar; Eu não tive escolha nisso; Mamãe teria me matado se eu não tivesse concordado ou, pior ainda, ela teria falado sem parar por dias sobre a importância e significado de família, sobre meu relacionamento com a irmã mais velha, etc), porque ela tinha que me colocar com um vestido longo? Eu tenho vivido com medo durante todo o dia de tropeçar sobre a orla do vestido. Aquela caminhada para o corredor? Pesadelo. Eu quase tropecei. E quão humilhante, ter que caminhar pelo corredor no braço de Gabriel — um dos mais belos rapazes na escola, e primo do noivo! Seu firme controle em meu braço impediu-me de me fazer uma completa idiota na frente de todos na igreja, mas ele obviamente percebeu minha falta de jeito. Ele piscou para mim e tudo. Piscou! Oh-meu-Deus. Tão injusto. Por que eu não poderia ter caminhado até o corredor com o irmão do noivo, em vez disso? Quero dizer, ele tem, tipo, trinta anos, por isso não há atração, certo? E ele provavelmente teria fingido não perceber que eu era um desastre completo.
Para tornar tudo pior, há poucos dias Gabriel rompeu com sua namorada, Dana (que tinha sido sua namorada por, tipo, dois anos). Eu não tinha sido capaz de parar de pensar nisso durante todo o dia. É o tipo de coisa que, você sabe, dá a uma menina um vislumbre de esperança — como se eu tivesse uma chance com um cara quente como Gabe Archer.
Sandra está sempre me dizendo que eu sou mais bonita do que eu penso — que as minhas sardas são bonitas e que o meu cabelo castanho tem as luzes vermelhas certas, mas ela é minha melhor amiga, então ela tem que dizer coisas do tipo. Não é como se alguns meios recursos decentes fossem atrair um cara que tem absolutamente tudo sendo atraído para ele. Ele é simpático, inteligente, e tem aqueles grandes, ombros largos que preenchiam seu smoking perfeitamente....
Eu tenho estado me atormentando com pensamentos como este por todo o dia. Minha mãe também não fez Gabe ficar fora da minha mente mais fácil. Ela lembrou-me — tipo, por sete vezes — sobre a queda que eu tinha por Gabe quando eu estava na sexta série.
Naquela época, toda menina tinha uma queda por Gabe. Ele tinha esse cabelo loiro-manteiga que se enroscava em cachos perfeitos. Ele era menor do que eu, mas eu tinha sonhos dele me passando em altura. Minha mãe riu pela primeira vez em que ela o viu e descobriu como eu me sentia a respeito dele.
Mas ela não está mais rindo. Nos anos desde então, Gabe cresceu muito. Ele está alguns centímetros além de 1,82 agora. Seu cabelo havia escurecido passado os anos, mas ainda é um tom de loiro. Os cachos são lindos, também. Eu mataria para ter cabelos tão bonitos. E seus ombros haviam sido preenchidos.
Então, ontem à noite, no ensaio do casamento quando mamãe o viu pela primeira vez desde a sexta série, ela ficou surpreendida pelo quanto ele tinha mudado. Ela fica me dizendo desde então o quão sortuda de caminhar pelo corredor com um jovem tão “atraente” (totalmente palavras dela, não minhas). O trabalho incluía a responsabilidade de ser sua parceira durante a segunda dança da noite, também. E eu admito que a idéia tinha um monte de recurso.
Até bem entre o casamento e a recepção — que é quando eu comecei a me sentir não tão quente. Eu não queria dizer nada sobre isso para minha mãe. Quer dizer, o que ela poderia fazer? Ela estava ocupada sendo a mãe da noiva. E eu também não queria estragar o casamento de Kristen.
A princípio, pensei que eu estava apenas cansada. Tinha sido uma longa manhã e tarde. Então, eu só fiquei tentando não atrapalhar completamente. Quando o jantar chegou à mesa, meus olhos pareciam como se estivessem em chamas. Comecei a me perguntar se eu estava com febre.
Gabe estava sentado ao meu lado. —Você não parece tão bem, Maddy, — ele me disse.
Gee. . . apenas o que toda garota quer que um cara quente lhe diga. Ele percebeu seu erro imediatamente, e ele começou a gaguejar, — Quero dizer — não desta forma, apenas, você sabe... como se você não se sentisse bem. Você está ótima nesse vestido e tudo. . . Você sabe. Eu só quis dizer que você. . . Você está doente?
O som de preocupação em sua voz me animou um pouco, mas não muito. — Eu não sei, — eu disse a ele. —Vamos esperar que não.
Nós estávamos sentados em uma plataforma na ponta da mesa — enfrentando todos os outros convidados do casamento. Ele olhou para a multidão de rostos. — Sim, vamos esperar que não, — ele disse. Ele mergulhou em sua comida com um entusiasmo que me fez sentir ainda mais doente. Os sons ao meu redor estavam tocando em minha cabeça, também. Toda a animação, e o freqüente tilintar de facas nas taças de champanhe. . . eram muito para mim.
—Ummm, acho melhor eu sair daqui, — eu disse a Gabe. — Você vai contar a Sua Alteza que eu acho que estou ficando doente? Caso contrário, ela com certeza vai levantar o inferno sobre a minha saída agora mesmo. — Sua Alteza era Brenda Jackson, colega de quarto da minha irmã, dama de honra, e Extraordinária Gerente. Eu tinha sido mandada tanto por ela nas últimas semanas que eu estava prestes a matá-la.
Gabe não tinha tido tantas oportunidades para entrar em conflito com ela, mas noite passada ela tinha sido tão mandona que mesmo ele tinha comentado sobre isso. Foi quando eu dividi com ele meu apelido para ela.
A boca de Gabe estava cheia, mas ele acenou a cabeça vigorosamente e então começou a se levantar como se ele estivesse planejando ir comigo. Certo. Gabe no banheiro das senhoras. Não é uma boa idéia. Eu levantei minha mão, e ele parou em meio movimento. Então eu me virei, fugi da plataforma e fui em direção aos banheiros. Para a minha sorte, havia, tipo, vinte mulheres lá, indo ao banheiro ou refazendo a maquiagem. Eu me virei e corri para fora, à procura de um lugar discreto onde eu poderia ter alguma privacidade. Eu mal podia suportar ficar de pé.
E então Gabe estava lá, segurando meu braço. Naquele ponto, eu estava contente por ele ter me seguido, porque eu não acho que eu poderia ficar em pé por mim mesma. Eu afundei em meus joelhos. Agora ele está me segurando contra ele para que eu não mergulhe completamente de nariz na grama. Eu balancei um pouco e meu cabelo escovou contra seu peito. Alguns fios se soltaram do coque. As orquídeas do meu cabelo caíram para o chão entre nós.

Ele acabou de joelhos ao meu lado e me dizendo para tentar respirar profundamente. Ouvimos a voz de Sua Alteza chegando até nós através do gramado. — O que há de errado com ela, Gabe?


Eu gemi. — Será que ela tem de gritar alto o suficiente para o mundo inteiro ouvir? — Perguntei, assim que meu corpo começa a estremecer. Eu quero vomitar, mas com Gabe aqui, eu quero mais desesperadamente não me humilhar na frente dele. Infelizmente, milhões de anos de evolução, projetado para ajudar humanos a combater vírus e intoxicação alimentar, fez meu estômago rigidamente indiferente às necessidades da minha vontade.
Meu estômago entra em erupção. O gosto nojento da bílis enche minha boca, e a voz de Brenda chega a mim do fundo, —Levante-a, Gabriel! Levante-a! Ela vai sujar o vestido. Mesmo enquanto eu perdia o conteúdo do meu estômago, uma parte do meu cérebro foi capaz de se perguntar quem estava falando em sujar um vestido. Sujar? Quero dizer, vamos lá.
Mas esse pensamento é rapidamente substituído pela realização de que algo terrível —ainda mais horrendo do que vomitar na frente de um cara gostoso — está acontecendo; Gabriel está tentando me levantar o suficiente para me impedir de "sujar" meu vestido, mas ele se esqueceu de uma lei fundamental da Física:
A força exercida sobre o Objeto Um (meus ombros) + a força exercida no Objeto Dois (meu vestido sem alças, que está preso debaixo dos meus joelhos) = mortificação (quando o meu vestido não seguir meus ombros para cima, mas meus seios sim).

Sua Alteza chega e parece perceber que essa situação exige a Manobra de um Especialista (esta foi a primeira vez que eu fui grata à prepotência de Brenda). Ela empurra Gabe para longe de mim (E se eu cair para a frente com o rosto em meu próprio vômito? Seria menos constrangedor do que deixar meus seios expostos) e começa a me colocar de volta no meu vestido enquanto grita para Gabe, — Saia daqui! Vá! Vá buscar a mãe dela!


Gabe desaparece, meu estômago para de ejetar seu conteúdo, e Brenda está arrancando pedaços de grama. Ela os usa para tentar limpar meu rosto e boca. Eu prefiro "sujar" a orla do meu vestido, mas Brenda vê o que eu estou tentando fazer e me segura em submissão. Então ela me puxa para longe do vômito e suavemente me repousa de lado.
— Madison, você andou bebendo?
O pensamento faz meu estômago revoltar novamente. Eu gemo. —Nããão... Eu acho que eu tenho gripe. Eu não tenho me sentindo bem durante todo o dia. Ela se ajoelha ao meu lado. — Pobre garota,— ela diz, e — enquanto esperamos pela minha mãe — acaricia meu cabelo como se eu fosse um cão. Mamãe corre até nós, seu violeta vestido-da-mãe-da-noiva (Por que eles os fazem com materiais tão horríveis?) abanando atrás dela na brisa.
— Oh, querida, o que está errado? — pergunta ela. Ela assume a caricia do meu cabelo, mas ela tem muita prática nisso, então parece como uma mãe confortando a filha. Nada da coisa de caricia no cão.
—Ela acha que tem a gripe, — Brenda diz a ela. —Ela disse que não se sentiu bem durante todo o dia.
—Você deveria ter dito alguma coisa. Eu teria arranjado uma forma de tirá-la desta situação, — Mamãe me diz, mas não como se ela estivesse com raiva ou frustrada comigo. Apenas como se ela quisesse que eu soubesse que estaria tudo bem eu ter pedido ajuda. Ela me guia pelos meus próprios pés e depois me encoraja a me inclinar contra ela quando começamos a nos mover. —Estou te levando para casa agora. Brenda, diga a Kristen e John onde eu fui, e que eu estarei de volta o mais rápido possível. Eles só têm que segurar a dança nupcial, até eu conseguir voltar.

Mamãe me leva com cuidado para o carro. . . .





Agora eu sei .... Ficar muito longe de um objeto perdido, deixando-o para trás, que me lança de volta para Existe. Eu não posso permanecer indefinidamente na minha vida. O Universo só me deixa ficar lá até que eu tenha encontrado o objeto ou me movido a uma certa distância dele. Mas, felizmente, isso me deixa voltar quantas vezes eu quiser para um momento se eu nunca encontrar o objeto.

Me faz feliz ter deixado as flores para trás. Eu sou capaz de voltar e voltar e voltar a este momento. A náusea, o vômito, a humilhação, tudo isso vale a pena reviver pela sensação do aperto de Gabriel no meu braço quando eu estou caindo, e da mão de mamãe gentilmente escovando meus cabelos para longe do meu rosto quando eu mais precisei dela.


E pelo tempo que eu passei por essa experiência várias vezes, eu descobri que enquanto eu não estou tentando mudar alguma coisa enquanto estou lá, viver eu mesma não dá aquela sensação tão assustadora de estar sendo observada.
Estranho, hein?
Mas aqui há algo ainda mais estranho: Depois da minha quarta vez visitando este momento, eu realmente comecei a gostar de Brenda.


Casuais atos de existência



13 anos de idade
Eu estava cavando através de um pequeno saco de plástico à procura de uma faixa de borracha roxa para anexar ao meu aparelho ortodôntico. Esperando que haja mais um. Eu já coloquei um do lado direito. As cores das minhas bandas de borracha tinham que combinar, né? Verde, amarelo, vermelho.

Eu estou em pé no final de uma linha de armários, e Sandra, que supostamente devia estar me bloqueando da vista de todos, começou a afastar. "Ei, volte aqui", eu digo. Eu não quero que o mundo inteiro me veja cavando dentro da minha boca para a sessão substituição pós-almoço da borracha de banda. E se Paul passa ?

Achei um elástico roxo. Eu o alcancei e comecei a laçar ao redor do gancho na minha linha inferior do aparelho.

— Ooohhh... Oh, não! — A decepção na voz de Sandra me distraiu. Eu puxei um pouco demais sobre a faixa de borracha. Ele se desencaixou e voou para fora da minha boca. Que humilhante. Então eu vejo o que Sandra apenas viu.

Incrível. Terrível.

Paul está andando pelo corredor com Mary Kramer.E eles estão de mãos dadas.

Sandra vê o olhar no meu rosto e estende a mão para tocar no meu braço. —Eu não posso acreditar que ele faria isso, de volta para sua ex-namorada dessa maneira. — Sandra não poderia ser capaz de acreditar, mas eu posso. Srta Kramer é cerca de um milhão de vezes mais bonita do que eu sou. Ela nunca precisava se preocupar se as faixas de borracha em seu aparelho partiam, porque ela tem os dentes mais perfeitos do mundo e nunca vai precisar de ortodontia.

Sandra continuou. —Além disso, você realmente não gosta dele tanto assim, não é? Passado. Como se eu já estivesse superado o gostar dele. A ironia é que Paul era apenas meu namorado há duas semanas. Meu primeiro namorado. E isso era mais porque ele me escolheu e porque eu não escolhi ele. Eu nem gostava dele duas semanas atrás, quando os rumores começaram por aí, de que ele gostava de mim. Mas eu queria um namorado, então eu dei a ele uma chance, tinha que saber se realmente gostava dele na festa de Amber, há uma semana. Nós até beijamos em seu porão.

E, uau, eu acho que foi um enorme erro. Foi o meu primeiro beijo e eu falhei nisso. Paul riu de mim e disse: "Isso não é o que você faz", logo antes de tentar me ensinar o caminho "certo" de beijar, que tinha algo a ver com compartilhar seu chiclete. Aposto que Mary Kramer era melhor beijadora do que eu. Essa era provavelmente a razão número um que ele estava de volta com ela.

E agora estou gostando dele. Provavelmente para sempre.

Sandra colocou o braço em volta dos meus ombros. — Ele é um idiota.
Esqueça ele. Você vai encontrar alguém melhor. Eu não contaria com isso. Eu sou um fracasso. Eu nunca vou gostar de um cara de novo.

Com exceção — é claro — de Paul.

Tammy passou. Ela me vê e da uma segunda olhada. Quase como se quisesse dizer algo para mim. Essa seria a primeira vez desde a festa do pijama no mês passado. Talvez ela tenha percebido que eu não estava tentando tirar sarro dela quando estávamos brincando com o tabuleiro Ouija. Eu fiquei esperançosa por um segundo. Então ela foi embora. Ultimamente, parece que eu estou perdendo todo mundo que me interessa. Sandra leva-me para longe dos armários e para a nossa classe da quinta-hora.

6 anos de idade

—Kristen, pare de bater em sua irmã, — mamãe diz. Estamos indo para a Flórida. Eu tenho seis anos, e meus pais me prometeram uma viagem para a Disney World na folga de primavera. Kristen é velha demais para curtir a viagem. Aos treze, ela preferia estar indo a algum lugar animado com seus amigos, mas meus pais continuam lembrando-a que ela teve de ir a Disney World quando era pequena e que agora é minha vez.

Eu sorri afetadamente de satisfação e digo em minha cabeça você entrou em problemas, você entrou em problemas. Eu sei que é melhor que dizer isso em voz alta. Isso me traria problemas com papai, que já está irritado.

Mas Kristen pode contar que estou tirando sarro dela com os olhos. Ela arranca um pacote de Life Savers4 da minha mão tão forte que algumas delas rolam pelo piso e debaixo do banco. Eu começo a procurá-las. Quando eu acho que tenho todas elas, eu mostro a língua para Kristen. Ela só olha de volta com raiva.

—Ligue o ar condicionado, — Kristen queixa-se por ao menos a vigésima vez. Não está tão quente assim no carro. Estamos somente no sul de Ohio, e é apenas o começo de Abril. —Eu ligarei quando chegarmos mais longe ao sul e estiver mais quente, — papai diz. Kristen faz um desagradável som bufante. Papai gosta de ter as janelas do carro abertas, mas o vento chicoteando por elas está bagunçando o cabelo de Kristen. Eu apenas não vejo um grande problema. Agora ter que ver Aurora e Belle e Ariel — isso será um grande problema. Não consigo pensar em nada mais. Eu tenho todos os meus livros de princesas empilhados no meu colo.

Eu abro um e começo a ler. — Quer ler comigo? — eu ofereço a Kristen. Eu não consigo pensar em nenhuma oferta de paz maior. Ela olha feio para mim —Por favor. Eles são livros bons. Ela revira os olhos para mim e puxa um travesseiro, então esconde o rosto embaixo dele.

Mamãe vê o olhar magoado em meu rosto. — Não se preocupe com isso, Maddy, — ela me diz. —Apenas aproveite seus livros. — Você vai ler junto comigo? — pergunto. Eu quero companhia. Mamãe sorri para mim. —Na próxima parada de descanso eu trocarei de lugar com Kristen. Ela pode sentar aqui, e eu sentarei ai atrás com você então nós podemos ler as estórias juntas.

— Graças a Deus, — Kristen surge debaixo do travesseiro tempo o suficiente para dizer. Então ela se esconde de volta embaixo dele. Os próximos minutos são pacíficos até que papai para na área de descanso. Quando nós todos saímos do carro...



11 anos de idade

Estou no quarto da Sandra. Estou tentando me vestir e empacotar minhas roupas, mas estou sentindo falta de um par de meias. É o décimo primeiro aniversario de Sandra, e nós estávamos planejando ter uma festa do pijama. Estávamos é a palavra mais importante aqui.

A mãe de Sandra não vinha se sentindo bem ultimamente, então toda vez nos últimos meses que nós pedíamos se eu podia ficar mais, nos dizia não. A mãe de Sandra sofria de serias enxaquecas. O barulho a deixavam piores. Então fazia sentido para mim que eu não devia passar a noite em sua casa.

Mas por que Sandra não pode passar a noite na minha casa... isso eu não entendi. Toda vez que nós trazíamos o assunto a tona com sua mãe, ela começa dizer coisas como, — Se você realmente acha que deve ir, querida, eu entendo. — Sua mãe foi criada no sul, e ela tem este jeito meloso de falar a palavra querida que me deixa louca; talvez é porque Sandra se derreta toda vez que ela diz isso. E para deixar as coisas piores, sua mãe acrescenta algo como, — estou me sentindo tão doente, querida, que eu posso entender porque você prefere ficar na casa dos seus amigos do que aqui me fazendo companhia. Mas eu sentirei tanta sua falta enquanto você estiver fora. Quem me trará uma xícara de chá quando eu achar que nem mesmo consigo sair da cama?

Isso meio que mata qualquer desejo de Sandra de ficar em minha casa. Sandra e eu estivemos brigando muito sobre essas coisas ultimamente. Eu continuo dizendo que ela deveria ficar na minha casa embora sua mãe não queira que ela fique. Ela diz que apenas não pode, não quando sua mãe precisa tanto dela. Dois dias atrás, quando Sandra me convidou para uma festa do pijama em sua casa, eu estava loucamente animada. Fazia eras desde que passamos uma noite juntas.

Eu devia saber. A Sra. Simpson é uma mestra em arruinar meus momentos com Sandra, e eu devia ter esperado para obter sucesso esta noite também. Exceto que eu acho que pensei que, sendo um aniversário, sua mãe ficaria fora do caminho para fazer uma noite agradável para Sandra.

Nem tanta sorte assim.

Cinco minutos atrás, a mãe de Sandra bateu na porta do quarto, colocou a cabeça para dentro, e disse, —Sinto muito garotas, mas eu tenho uma enxaqueca a caminho. Eu temo que Madison terá que ir para casa. — Por favor, mãe, — Sandra implorou. — Nós ficaremos quietas. Eu prometo. Nós não temos uma festa do pijama há anos.

Sra. Simpson começa a chorar. —Desculpe, querida. Eu queria tanto que esta fosse uma noite perfeita para vocês duas. Talvez o papai possa me levar para um motel para que eu possa ter silêncio o bastante para me recuperar. Só que eu ficaria tão solitária lá sozinha. Seu pai teria que voltar aqui para dar uma olhada em você. A eu fico tão assustada quando estou tão doente. Eu não consigo levantar sozinha se eu precisar. Mas eu ligarei para a mãe da Madison e direi a ela para não vir pegá-la se seu pai disser—

—Não, mãe, — Sandra disse. —Nós entendemos. Nós faremos isso de novo alguma outra hora.

Exceto que eu definitivamente não entendi. Eu quero chorar. Estou me sentindo rasgada por dentro. Minha melhor amiga não é minha melhor amiga de verdade. Minha melhor amiga não deixaria sua mãe fazer isso a ela. Como Sandra não consegue ver que isso tudo é uma cena por parte de sua mãe? Que sua mãe quer estragar nosso tempo juntas?

A mãe de Sandra sai do quarto, e eu olho para a expressão devastada no rosto de Sandra. Seus olhos castanho-esverdeados estão arregalados e cintilando. Ela está segurando seus próprios braços como se estivesse abraçando a si mesma. Até mesmo seu cabelo normalmente saltitante e cacheado parece se arrastar pelo lado do seu rosto. Culpa corre por mim.

Nada disso é culpa de Sandra.

A campainha toca. Minha mãe está aqui. Eu ainda não tinha encontrado minhas meias. Eu não quero deixar Sandra aqui sozinha com aquela expressão desesperada... no seu aniversário entre todos os dias. Mas agora eu posso ouvir a voz de minha mãe na entrada. Ela está perguntando por mim. Esqueça as meias. Eu sei que é uma ideia bizarra, mas eu imagino que elas podem ficar aqui e fazer companhia para Sandra durante a noite.

Eu dou um abraço em Sandra. Um soluço começa a afundar seu corpo, mas quando a mãe dela entra de volta no quarto, ela o engole. —Tchau, — eu sussurro, partindo e correndo do quarto.

16 anos de idade

Eu puxo alguns livros do meu armário, e uma caneta desliza para fora. Eu tento pegá-la, mas minhas mãos estão cheias. Ela pousa no chão e faz uma fuga rolando em direção a Sandra, que está de pé ao meu lado em seu armário. Ela puxa forte a alça da porta do armário que estava presa. De repente, o armário desiste dê lutar para proteger seus livros da odiosa tarefa de acompanhá-la para a aula. Mas armários não estão acima de uma simples vingança.

  Livros, cadernos, como o lápis, deslizam para fora da prateleira de cima.

Ela pula para trás para evitar a avalanche.

Estou rindo da aparência bizarra em seu rosto, quando ouço uma voz atrás de mim dizer, "Hey ..."

Ohmeudeus. Vá embora, eu penso. Felizmente, tenho a presença de espírito para não deixar a ideia de escorregar para fora da minha boca. Náuseas sobem no meu estômago com o som da voz de Gabe. Deve ser a memória do casamento de Kristen.

Isso e o rumor que ouvi hoje cedo que ele está planejando me convidar para sair. No momento em que me viro, ele está ajudando Sandra pegar a bagunça no chão.

"Obrigada," ela diz assim que ele lhe entrega uma pilha de papéis que caíram de um livro. Eu sou uma idiota. Por que eu estou aqui de pé, em vez de ajudá-los?

Inútil agora. Eles acabaram.

Gabe se vira para mim. Quando seus olhos encontram os meus, meu estômago enlouquece. Gabe diz: "Então, eu ouvi que Kristen e John voltam da lua de mel em poucos dias."

Eu deveria ser capaz de lidar com algumas frases de uma pequena conversa, certo?

Meus olhos fogem para longe dele, e eu olho para Sandra pedindo por ajuda, mas ela está de joelhos na frente de seu armário, passando papéis no chão do armário. Ela não se preocupou em limpar qualquer coisa lá todo o ano. Ela está obviamente tentando escutar casualmente. Ela também não vai, obviamente, me tirar dessa.

"Sim," eu digo. Eu sou como uma brilhante conversadora. Eu vasculho meu cérebro por coisas a acrescentar a esta conversa.

"Hawaii ... uau, que ótima lua de mel."

"Sim."

"Isso é muito encorajador," ele diz.



"O que você quer dizer?" Eu pergunto.

"Um par de "sim" em todas as perguntas. Devo ir para outra?"

Pavor me alcança. Eu sei o que ele vai pedir.

"Então, há uma festa nesta sexta-feira na casa de Allan Redford. Quer ir comigo?"

Sim, eu quero. Só que eu não posso dizer isso porque eu também não quero ir.

Sandra, atrás de Gabe olha para mim fazendo gestos vai-nessa-garota para mim. "Bem, na verdade, eu não posso. Minha família tem planos e minha mãe realmente espera que eu esteja lá. . . . "

Eu posso dizer pelo seu rosto que ele não está acreditando.

"Oh, bem, então. Talvez uma outra vez?"

Eu engoli e desta vez consigo elaborar, "Sim". Mas, então, me sinto obrigada a acrescentar: "Talvez."

Gabe não perde tempo ficando longe de mim.

"Mais tarde, então," ele diz, e vai embora.

Eu viro para Sandra e o olhar que ela está me dando é ainda pior do que o olhar que minha mãe me deu quando eu fui pega colando numa prova na sétima série. "Pelo amor de Deus, por que você faria isso? Você está louca? Você tem uma queda por Gabe desde, o que, a sexta série?"

"Sexta," eu murmurei.

"O que só torna as coisas piores! O que você está pensando?"

"É só que, bem ... é — não estou tão certa .... Bem, você sabe como quando você está comendo algo logo antes de pegar uma gripe e, em seguida, cada vez que pensa nessa comida — tipo no próximo ano,  — você pensa que vai ficar doente de novo?"

Sandra olha para mim como se eu fosse louca. Ela leva um minuto para juntar as peças. "Espere. Você está tentando me dizer que Gabe faz você sentir náuseas."

"Uhmm ... sim? Bem, não exatamente ele. Apenas a lembrança dele no casamento."

"Oh, pelo amor de Deus, Maddy. Tome algum Pepto-Bismol ou algo assim. Mas supere isso. Isso é a coisa mais estúpida que eu já ouvi." Sandra bate o armário e me olha.

Eu não consigo explicar tudo para ela. Ela não iria entender que Pepto-Bismol pode ajudar com a náusea, mas não vai ajudar com todas as outras coisas que estão agitadas dentro de mim.

Como constrangimento total sobre cair em meu vestido na frente de Gabe.

Ou medo de arrumar um namorado e perdê-lo dentro de alguns dias, do jeito que eu fiz na oitava série. Duas semanas comigo foi o suficiente para Paul fazer uma viagem de volta para a menina que tinha sido apenas a sua namorada por um par de meses. Que chance eu tenho de manter um cara quente como Gabe, que teve a mesma namorada por dois anos? E, tudo bem, ela é a menina mais malvada que eu já conheci. Ainda assim, ela deve ter algumas qualidades redentoras se Gabe ficou com ela por tanto tempo.

E depois há aquele beijo horrível que eu dividi com Paulo na oitava série. Eu beijei alguns meninos desde então, mas ninguém que eu realmente gostava. Eram apenas caras em uma festa à procura de alguém para ficar. E se eu beijar Gabe e ele rir de mim, porque eu estou fazendo errado?

Eu prefiro estar sozinha toda a sexta à noite pelo o resto da minha vida.

Sandra começa a se afastar. "Espere! Onde você vai?" Eu peço. Nós sempre andamos para a aula juntas.

Ela me dá um "oh, por favor" olhar. "Você sabe exatamente onde estou indo," ela diz. Então ela se vira e começa a andar novamente.

Ela está certa. Eu sei onde ela está indo. Ela vai encontrar Gabe e dizer-lhe para não desistir, que ele deveria pedir-me de novo.

Tentar impedi-la será inútil. Estou tanto apavorada e aliviada pela realização.

Eu fecho meu armário, percebendo que a minha caneta ainda está no chão. Eu alcanço-a...

 

  7 anos de idade



"Gatinha, não!" Eu grito, justo quando sua pequena pata bate em minhas pilhas cuidadosamente ordenadas de pérolas. Pérolas roxo, rosa, turquesa se dispersão por toda a mesa antes de tamborilaram no chão.

No início, a nossa nova gatinha está assustada com o barulho. Ela pula para trás em cima da mesa, batendo em uma tigela de frutas. Mas à medida que as pérolas continuam saltando pelo chão, ela aguça os ouvidos e fascínio brilha em seus olhos.

Ela ataca.

Mais pérolas rolam sobre a mesa e mergulham para o chão, seguido pelo som estridente de uma gatinha macia de quatro quilos perseguindo-os.

"Não, não!" Eu grito de novo, freneticamente tentando reunir as perolas de volta juntos. Eu estou a apenas na metade colar que eu estou fazendo e se eu perder estas pérolas, eu não vou ter o suficiente.

A nova gatinha está golpeando as pérolas, perseguindo-as em torno da cozinha. Várias rolaram sob o refrigerador.

Mais sob o fogão.

"Pare com isso, gatinha," eu lamento.

Mamãe coloca o braço em volta do meu ombro. "Está tudo bem, Madison," ela me diz. "Nós vamos tirá-las de alguma forma."

"Mas e se eu não tiver o suficiente para terminar o meu colar?"

Kristen e papai estão agora intencionalmente chutando as pérolas pelo chão, rindo quando a gata as persegue.

"Isso tudo é parte de ter esta gata que você está pedindo há meses."

É verdade. Estava pedindo um gato por um longo tempo. E eu estava tão feliz há meia hora atrás. Pequena, peluda, de olhos azuis. . . meus sonhos se tornaram realidade quando mamãe entrou pela porta com ela.

Mas agora. . . agora estou pensando que isso é uma má ideia.

Claro, o "trabalho duro" e "responsabilidade" foram mencionados, mas ninguém pensou em me dizer que um gatinho iria estragar o meu colar.

Kristen pega a gatinha, que começa a ronronar imediatamente.

Eu sou ciumenta. Ela não ronronou para mim ainda. "Deixe-me pegá-la," eu digo.

"Em um minuto," Kristen disse.

"Ajude-me com as suas pérolas," Mamãe diz antes de eu lutar pela gata com Kristen.

Mamãe pega uma vassoura do armário ao lado da cozinha e começa a varrer abaixo do fogão. Um arco-íris de contas emerge, e Mamãe move-se para varrer a área sob o refrigerador.

"Eu espero que tenha pego todas," Mamãe diz, mas eu não estou realmente prestando atenção a ela. Kristen está colocando a gatinha em meus braços.

E a gatinha está ronronando. Para mim. Ela gosta de mim. Suas pequenas, suaves patas acolchoadas batendo no meu rosto. Ela começa a brincar com o meu cabelo.

"Olhe para isso," mamãe diz com espanto.

A gatinha aconchega a cabeça entre meu pescoço e ombro, estabelecendo-se para descansar um pouco.

"Ela parece aconchegante lá, não é?" Papai diz.

"Podemos chamá-la disso?" Eu pergunto. Eu quero que ela seja acolhedora comigo para sempre.

"Claro," Mamãe concorda "Isso pode ser o nome dela todos os dias."

"Nome de todos os dias?" Kristen pergunta. "O que é que isso quer dizer?"

"Bem, de acordo com T. S. Eliot...."

"Ugh," Kristen geme. Mamãe ama poesia, mas Kristen não agüenta quando mamãe começa a falar sobre seus poetas favoritos.

Mamãe ignora Kristen. "De acordo com T.S. Eliot, um gato precisa de três nomes. Um é o de todos os dias, como Cozy. Mas então ele diz que um gato precisa de um nome mais digno. Algo que eu estou fazendo e se eu perder essas pérolas, eu não vou ter suficiente para lhe permitir manter a sua cauda para cima e orgulhosa.

Algo tão único, nenhum outro gato no mundo vai ter. Cozycorium é um nome que eu acho que Eliot aprovaria."

O ronronar da gata vibra contra meu peito. É quase como se eu estivesse ronronando, também. "Mas ainda podemos chamá-la de Cozy certo?" Eu digo.

"Certo," Mamãe diz.

"Espere," diz o papai. "Você mencionou três nomes. Qual é o terceiro nome?"

 "Oh, bem, Eliot diz que um gato terá um nome secreto que só ele sabe. É um nome que nunca vamos descobrir. Mas sempre que pensamos que ela está profundamente perdida em pensamentos, ela vai estar pensando secretamente em seu nome."

"Não," eu digo. "Ela não tem permissão."

"Não tem permissão para o quê?" Papai pergunta.

"Ter segredos de nós. Ela não pode ter um terceiro nome."

Kristen ri de mim. "Você não pode pará-la," ela me diz.

"Gatos fazem o que eles querem."

"Eu posso muito bem impedi-la", eu insisto. "Vou levá-la para cima e mostrar-lhe o meu quarto." Eu já estou a meio caminho das escadas.

"Madison," Mamãe chama atrás de mim "o que dizer de toda essas—

 

Existe


Parecia ser uma pinha. Tinha as bordas como uma, e sua forma redonda afunilava em direção ao topo da mesma forma que as pinhas.
Mas eu não consigo descobrir como fazer a coisa funcionar. Os outros itens que têm me levado a lugares foram fáceis. Tentei imaginar como isso era antes de segurá-la. Entregá-la para alguém, Soltá-la, colocá-la sobre algo.
Algo que sempre funciona.
Mas não com essa pinha.
Talvez seja a idéia do universo, de uma piada. Vamos colocar esse objeto com ela, que ela não conseguirá descobrir como usá-lo, ele está pensando.
Ver quanto tempo é preciso para ela enlouquecer.
Uh-huh. Não muito. Uma pessoa que está morta, consciente e revive a sua vida em todas as oportunidades deve já estar louca. Ainda. . . É quase como um mistério tão grande como toda essa coisa de como eu morri. Quantas coisas diferentes você pode fazer com uma pinha?
Talvez isso nem seja uma pinha.

Para Além das fronteiras da vida de qualquer um



17 anos de idade
OhMeuDeus, se eu não achar o meu trabalho agora mesmo, minha nota de Inglês irá por água abaixo! Eu procurei freneticamente, tirando as coisas da minha mochila pela terceira vez essa manhã. Eu procurei em todos os lugares. T-O-D-O-S.
Eu olhei para o relógio... Vinte minutos até que Gabriel chegasse para me levar à escola. Eu me esforcei tanto neste trabalho, e agora não consigo achá-lo. Eu fiz ontem à noite na casa do Gabe e mandei pro meu e-mail. Terei que reimprimi-lo.

Liguei o computador rapidamente, e enquanto esperava tudo carregar, fui ao banheiro para escovar os dentes. Quando retornei, entrei no meu e-mail e abri a mensagem que mandei da casa do Gabe ontem a noite.


OhMeuDeus. Inacreditável. Sem anexos. Como pode eu ter enviado um e-mail para mim mesma com o único propósito de anexar o trabalho — e ter me esquecido de fazer? Eu peguei meu celular para ligar para o Gabe.
Sem resposta.
Meus olhos doíam enquanto enchiam-se de lágrimas. Eu não posso lembrar nem desse trabalho? Terei que tentar reescrevê-lo em 15 minutos. Eu abri meu livro texto de Inglês. Tem dois poemas da Emily Dickinson que deveria fazer uma análise de — primeira hora:
664

De todas as Almas que aquele suporte criou —

Eu elegi — Uma –

Quando o Senso de Espírito – vai embora _

E o subterfúgio – está acabado –

Quando aquilo que é – e aquilo que foi –

Separado – intrínseco – entendido –

E essa breve Tragédia da Humanidade –

É mudada – como a Areia –

Quando Figuras mostram suas reais Faces –

E a neblina – é dispersa,

Eis o Átomo – Eu prefiro –

Para todas as listas de Argila!
1732

Minha Vida fechou-se duas vezes antes de fechar –

Que ainda permanecem para ver

Se a Imortalidade descobrir

Um terceiro acontecimento para mim
Muito grande, muito desesperançado para conceder

Como estes que duas vezes sobreveio.

Separação é tudo que sabemos sobre o paraíso,

E tudo que precisamos do inferno.
Ler estes dois poemas esta manhã causou-me arrepios de um jeito que eu nunca senti antes, e eu os li, bem, provavelmente umas cem vezes. Provavelmente estou antecipando minha própria saída deste mundo no momento que meus pais virem minha nota de Inglês — menos este trabalho-de-cem-pontos.
Sem tempo para pensar nisso agora. Devo transcrever tudo que conseguir lembrar-me do meu trabalho original.
Meus dedos voam sobre o teclado, digitando num ritmo maníaco. Memórias de palavras e fragmentos passam pela minha mente. Transformo-as em frases: —É irônico que Emily Dickinson tenha perguntado ao jornalista Higginson se sua poesia estava “viva” quando o assunto de muita de suas poesias era a morte... Sua obsessão por explorar a natureza individual de frente com a morte transcende as barreiras da vida por si mesma... Seu eu — poético encarou um conhecimento e compreensão de seu falecimento enquanto lutam, além da fronteira da própria morte, com a diminuição da sensibilização da vida...
Como era aquela linha sobre a “Tragédia da Humanidade” que eu tinha escrito? Alguma coisa sobre como ela acredita que alguma coisa atômica viveu além daquela tragédia? Espere... não, eu terminei o trabalho com aquela linha, né?
Dez minutos sobrando...
Espere. Eu escrevi alguma coisa sobre como ela isola a si mesma na vida, seu isolamento sendo uma forma de ensaio para a morte em si, e suas “despedidas” do inferno... Como eu coloquei isso?
Palavras continuavam aparecendo na tela. Organização? O que é isso? Sem tempo para construir outro pensamento em cima desse.
Cinco minutos sobrando...
Um súbito senso de déjà vu atingiu-me. É como se eu já tivesse passado por esse momento na minha vida antes, mas... Deve ser só a estranheza por tentar falar sobre morte.
Duas vezes.
E sobre um poema com a linha —Minha vida fechou-se duas vezes antes de fechar — Eu quero dizer, quem não ficaria apavorada sobre isso?
Eu ignorei a sensação e voltei a escrever: “‘carta para o Mundo/que nunca escrevi para ela’ de Dickinson é a coleção de poemas que explora as profundas emoções humanas e sua contínua habilidade de expandir além das fronteiras da vida de qualquer um e nas experiências da humanidade. A parte principal de seus trabalhos é o átomo que ela deixou para trás depois ‘dessa breve Tragédia da Humanidade’. O átomo causa entre os leitores uma reação nuclear em cadeia de conexões humanas.”
Imprimindo... Imprimindo... Imprimindo... Não está imprimindo rápido o suficiente.
Gabriel buzinou para mim. Eu peguei os papéis da bandeja da impressora e então cuidadosamente abri minha pasta. Eu não posso perder este trabalho de novo. Eu vou colocar bem aqui na parte onde eu sempre mantenho os trabalhos...
Eu congelei. Então senti calafrios. Aqui está. O trabalho original. Bem. Aqui. Na. Minha. Frente. Exatamente. Onde. Pertence. Encarando-me com os olhos que tudo vê de Emily Dickinson. Como isso é possível?
Gabriel buzinou de novo.
Eu levarei ambos os trabalhos e compará-los no carro. Senti calafrios mais uma vez enquanto eu pegava da pasta o antigo trab...
Eu não deveria ter feito isso. E eu percebi isso no segundo que eu retornei para Existe.
Pareceu uma coisa tão pequena, deixar-me encontrar o trabalho original. Vaidade, eu sei. A primeira versão era bem melhor que a segunda. E, sim, eu queria a melhor nota nele, mas mais do que isso, eu queria que minha professora de Inglês Avançado5, Mrs. Bevery soubesse quão brilhante eu era. Eu precisava entregar aquele primeiro trabalho. Eu pensei.
Mas agora as coisas estão mudando. Muito. Mais do que quando eu baguncei com a coisa toda da bolsa. Aquela vez foi como a minha música de vida pulasse meia nota.

Agora parece que uma música totalmente diferente está tocando. Tudo sobre espaço e tempo parece... diferente. E o mais assustador de tudo... Eu estou esquecendo quem e o que eu era na vida anterior, o eu que nunca encontrou a primeira versão do trabalho de Emily Dickinson. Eu estou com medo de perdê-la... esse eu.


É como morrer de novo. Eu vou ao funeral de alguém que eu amei e odiei ao mesmo tempo. E é assustador porque não estou certa se vou ser tão feliz com o eu que acabei de criar como fui com o antigo eu.


A dança de pai e filha
07 anos de idade

Os redemoinhos de dança ao nosso redor. Eu e Sandra, nós duas de vestidos rodados. Nós rodopiamos na pista de dança vendo eles se espalhando dentro de um círculo em torno de nossos quadris.

A vida não poderia ser melhor. Nós iríamos ter a nossa dança, a dança de pai e filha. Há luzes coloridas por todo o centro comunitário-ginásio. Nossos pais, ambos estão vestidos da maneira que eles saem para o trabalho. Mas, agora, nossos pais pertencem só a nós.

Papai está segurando as minhas duas mãos como se a música balançasse para trás e para frente. De vez em quando, ele pisca para o pai da Sandra, e ambos giram em torno de nós outra vez.

Sandra e eu damos risadinhas.

Em seguida vem “Hokey Pokey’’. Eu amo essa música. Papai é tão bobo quando ele faz a parte de girar em torno dele. Eu estou rindo tanto, que eu tenho uma dor aguda do meu lado. Sandra não está rindo, não o bastante, então seu pai lhe faz cócegas.

Para a próxima música, nós mudamos de parceiros, e papai dança com a Sandra e eu com o seu pai. Mesmo que eu goste dele, eu percebo que ele não é tão alto quanto meu pai e nem tão bonito. Algum dia, eu quero me apaixonar por um homem como o meu pai. Alguém que me faça rir, alguém que gire em torno de mim, alguém que saiba como se divertir dançando “Hokey Pokey”.

Quando o fim da noite chega, eu não quero partir. Eu quero continuar dançando, e me divertindo com Sandra. Hoje à noite nós estamos fingindo sermos irmãs, e eu não quero parar.

Mas papai me lembra que é hora de ir, e me ajuda a colocar o casaco. Eu olho no meu bolso, procurando meu bilhete. Quando chegamos, eu o guardei ali. Eu sei que eu vou sempre guardá-lo, ele é especial. Mas...

O bilhete não estava lá.

Eu olhei de novo...ainda não está lá.

Eu comecei a chorar, meu pai se abaixou perto de mim, e perguntou o que havia de errado. Eu contei a ele que meu bilhete tinha sumido,mas ele continua dizendo — O quê? Eu não consigo te entender. — Eu tento dizer mais alto, mas ele continua confuso. Sandra finalmente diz a ele por mim. —Você perdeu o seu bilhete? — ele pergunta. Quando eu aceno, ele me coloca em seus braços e me senta em seu colo, enquanto tenta secar minhas lágrimas.

— Nós iremos procurar — ele promete. — Se acalme assim podemos achar.

Papai, eu, Sandra, e seu pai procuramos pela sala. Debaixo das mesas, na pista de dança, nas cadeiras.

Os djs (músicos) estavam guardando os equipamentos, e os zeladores estão começando a desligar as luzes.O ginásio é tão solitário. Toda a magia se foi. Por que isso não poderia ficar?

Papai me diz que nós temos que ir agora, mesmo que nós não tenhamos achado o bilhete. Eu choro mais. Papai tenta me confortar dizendo que ele pode fazer outro bilhete quando chegarmos em casa, que ele vai ser tão bom quanto o verdadeiro, talvez até melhor. Mas ele não entende : Eu não quero deixar o meu bilhete neste lugar solitário, por si só. Eu tenho certeza que ele terá medo. Papai me promete um sorvete no caminho de casa, mas isso não me faz me sentir melhor. Sr. Simpson e Sandra finalmente foram. Nós olhamos mais uma vez o salão...sem sorte. Papai finalmente me puxa, enquanto ainda choro, para fora do salão.


De volta ao Existe, eu percebo que o bilhete é monótono. E não brilha nas cores rosa e branco do jeito que eu me lembro. Em vez disso, ele apenas brilha com uma mesmice chata.
Parte de mim quer voltar e permitir que os meus sete anos o encontre.
Mas eu não irei. Não importa o quanto ela chore.
Quando eu estava viva, eu pensava que eu sempre perdia todas as coisas. Mas não. Há tão poucos objetos aqui em Existe que podem me levar de volta a vida, eu não posso participar com os que eu tenho.
Perdido, esse pedaço de papel é o bilhete de volta para a dança de pai e filha dos meus sete anos de idade.
E tem que ficar perdido, para manter a pessoa que a noite do baile “pai e filha” fez de mim...
Emilly Dicknson se refere a vida como “Uma tragédia da carne.” Perder o bilhete foi uma tragédia nós meus sete anos, mas aquela tragédia moldou a alma “tenho eleito”.
Deixar-me descobrir que aquele trabalho de Inglês de Dickinson já mudou algumas almas, mas agora estou na eleição para alimentar e cuidar do que eu tenho. Eu gosto disso.
Eu juro, que a poesia de Emily Dickinson faz sentido para mim, de uma forma que nunca poderia ter feito, quando eu estava viva.

Coletando fantasmas


Eu me lembro dessa presilha de cabelo. Eu me lembro como eu a perdi também...

13 anos de idade
Nós estávamos (todas as dez) na minha casa. De algum modo eu consegui convencer minha mãe a nos permitir fazer uma festa do pijama aqui. Nós havíamos sido banidas para o porão então nossas — como minha mãe condescendentemente disse — risadinhas e fofocas de garotas não iria perturbar todos os outros a noite.

E nós estávamos planejando fazer isso durante a noite inteira sem dormir.

Até agora, tudo bem. Nós assistimos três DVDs, comemos quatro pacotes de Doritos e três pizzas, e bebido diversas coca-colas de 2 litros (agitação da cafeína, alguém?), e estávamos tendo uma confusão de desmaios. É a sensação mais legal que eu já tive. Tammy nos ensinou como fazer (não me pergunte onde ela aprendeu). Primeiro, nós hiperventilamos se curvando (para levar o sangue pra cabeça). Então nos levantamos rapidamente e Tammy pressiona esse local, bem entre as costelas, e — perdemos a consciência. A primeira vez que eu fiz isso, eu caí de costas no sofá e perdi minha presilha de cabelo. Eu amo aquela presilha, e eu tenho certeza que está em algum lugar debaixo do sofá ou entre as almofadas, ainda assim não consigo achá-la. Entretanto, como se a perda da minha presilha favorita não fosse o suficiente para me desencorajar de desmaiar algumas vezes mais.

Ou talvez sete vezes mais. É uma sensação tão boa.

É como se tudo no mundo desaparecesse. É como flutuar no espaço por alguns segundos. Eu sinto-me tanto consciente como inconsciente ao mesmo tempo, e desejo poder continuar dessa maneira. Mas eventualmente recuperamos plena consciência, imergindo na realidade. Quando eu estava me aprontado para desmaiar pela nona vez, Tammy disse que não queria que eu fizesse isso mais. Ela pensa não ser muito saudável. Existe alguma coisa divertida que é saudável? Ainda assim, ela provavelmente tem razão. Eu não sei porquê eu sugeri isso, mas desde que os desmaios pareciam estar chegando ao fim, eu disse. — Que tal se nós pegássemos o tabuleiro Ouija?

Cindy grunhiu. —Por favor, Maddy. São duas horas da manhã. Você não pode escolher um momento mais assustador?

Amber deu um soco em seu braço. —Por isso mesmo, bobinha. —Parece ser divertido, — Sandra — sempre a melhor amiga — diz. — Onde está?

—Eu vou pegá-lo,— Eu digo a todos. Mas estou apenas na metade da escada antes que comece a ficar assustada. Eu desço correndo. —Eu não posso fazer isso,— eu digo. —É muito assustador lá em cima. Todo mundo ri de mim, mas Sandra diz, —Eu vou pegá-lo pra você. Diga-me onde procurar.

—Está no closet do quarto familiar junto com todos os outros jogos.

Sandra sobe as escadas e desaparece. Um flash de ciúme me atinge pelo modo como seu corpo magro e gracioso parece flutuar escada acima, seu cabelo ondula em suas costas. Nem sequer um barulho dos pés tocando o chão na subida. Incrível. Como ela consegue andar tão suavemente?

Durante a saída de Sandra, o resto de nós falávamos quem seria a primeira e que perguntas iríamos fazer ao tabuleiro. Sandra demorou mais do que deveria, mas finalmente apareceu. Enquanto ela me entregava o jogo, ela disse, — Quando eu fui puxar o jogo, alguns outros vieram com ele. Fazendo muito barulho. Eu tive que pegar os outros jogos, sua mãe apareceu e gritou comigo.

Eu rolei os olhos. Eu posso dizer que ambas estávamos pensando a mesma coisa: Minha mãe gritando com Sandra não chega nem perto da sua mãe gritando comigo. Mas eu não digo nada sobre isso. Sandra é totalmente envergonhada pelo modo que sua mãe me trata.

Amber e Lacey armam o tabuleiro. Elas serão as primeiras, e elas querem — naturalmente — a respostar para uma importante pergunta que assola o universo: Com quem Amber irá à formatura no seu último ano? D-O-U-G-P-R-E-S-T-O-N o compasso soletrou no tabuleiro. Amber está indignada. Doug Preston tem desejado sair com ela por quase um ano, e ela não está interessada.

—Você forçou isso,— Amber acusou Lacey. —Você queria que isso acontecesse. —Eu juro que não, — Lacey negou. Todas as outras estavam rindo. — Não é engraçado, — Amber protestou. — É a vez dela de descobrir com quem irá à formatura no último ano! — Ela ficou séria e com olhos misteriosos e mandou que o tabuleiro desse a resposta a pergunta.

S-C-O-T-T-T-U-R-N-E-R o compasso soletrou. Scott Turner é um total dork6. Ninguém iria a formatura com ele.

—Agora você está forçando isso. — Lacey disse.

—Há há. Não é tão engraçado agora, né?

—OK, vocês duas, deixe alguém fazer uma pergunta de verdade. — Sandra mandou. Cindy e Diane sentaram perto do tabuleiro, e Cindy perguntou, com a voz mais assustadora possível, — Tem algum espírito no quarto conosco? O compasso começou a indicar sim. Quando faltavam poucos centímetros, Diane gritou e removeu seus dedos. Cindy retirou o compasso para fora do tabuleiro. —OhMeuDeus, — Diane disse, —Eu juro que não estava movendo essa coisa.

—Eu também não, — Cindy concordou.

—Tem realmente um espírito aqui no quarto conosco, — Diane disse.

—Whooooooaaahhhh. — O sarcasmo de Amber fluiu com o som fantasmagórico que ela fez.

Diane a encarou. —Eu to falando sério. Tente perguntar se tem um espírito aqui.

—Não, obrigado. — Amber riu. —É minha vez, e eu já sei como isso funciona.

—Oh, eu irei fazer isso. — Eu suspirei.

—Eu te ajudo, —Tammy ofereceu. —Você poderia pegar coisa seja-lá-seu-nome? — Ela perguntou a Cindy, apontando para o compasso. —Está perto do seu pé.

—Eu não vou tocar essa coisa!

—Tanto faz, — Tammy disse, e esticou-se para pegar. —É só um jogo pessoal.

Ela colocou o com passo no tabuleiro e olhou para mim cheia de expectativas. — Quem irá perguntar? ela quis saber.

—Eu vou, — ofereci. As outras garotas se amontoaram a nossa volta, e eu perguntei, meio de brincadeira, —Tem um espírito nesse quarto?

O compasso mexeu-se sozinho.

De verdade.

—Eu realmente não achava que Tammy estava fazendo algo, porque sua face tornou-se branca como a de um fantasma. —Pare com isso,— ela sussurrou para mim.

—Pare com isso, — ela sussurrou para mim.

—Eu não estou fazendo nada. — Eu a disse honestamente.

Enquanto o compasso soletrava E-U-V-E-J-O-V-O-C-Ê, as garotas ficaram num silêncio mortal. Todas as piadas acabaram. Meus dedos estavam tremendo. Eu não queria a resposta para minha pergunta, mas senti-me compelida a perguntar de qualquer jeito. —Quem você vê? — Até minha voz tremia.

M-A-D-I-S-O-N

Foi a minha vez de encarar Tammy. — Você está fazendo isto,né?

—Não. Eu juro. Não estou.

E eu tive que acreditar nela, porque suas mãos estavam tremendo também.

—Quem é você? —eu perguntei para o quarto.

I-G-U-A-L-A-V-O-C-Ê-E-S-T-O-U-M-O-R-T-A.

Cindy gritou.

—Shh! — Eu gritei pra ela. —Cala a boca. Você não é a que está sendo chamada de morta, tá bem? Então só cale a boca!

—Por que você está aqui? — Sandra perguntou ao quarto.

Tammy levantou subitamente, derrubando a cadeira. Sandra a substituiu. — Coloque seu dedo no compasso de novo, — Sandra me disse. Eu não queria muito — a esse ponto, quem ia querer? – mas eu obedeci as ordens de Sandra quase minha vida toda.
M-E-D-E-S-C-U-L-P-E
Amber começou a rir. — Que jeito de nos apavorar, Simpson. Poderíamos ter sido mais estúpidas? Por que estamos tentando nos assustar até a morte?
— Shh,— Diane nos disse.
— Quem é você? — Sandra perguntou de novo.
T-A-M-M-Y
O quarto ficou em silêncio por um segundo, e então Tammy gritou, —Isso é um monte de merda! Vocês estão me zoando, não estão? Estou indo embora. Ela subiu as escadas.
Eu pulei para segui-la. —Espere! Tammy! Eu não estou fazendo isto. Honestamente. Ela virou-se na escada e deu-me um olhar como nunca vi antes de ninguém. Nos últimos trinta segundos eu me tornei de algum modo seu inimigo. —Você não pode ir a lugar algum, Tammy, — eu disse. —Está de madrugada. Você não pode ir para casa agora.
—Estou indo embora. Eu ligarei para minha mãe lá em cima. Ela virá me buscar, mesmo se for de madrugada. Eu ficarei aqui com nenhum de vocês. Odeio todos vocês.
Ela virou-se de novo e subiu o resto do caminho. Eu atrás ...

Existe


Luto passa por mim. Porque essa noite é o fim da minha amizade com Tammy — ou pelo menos é o que nós achávamos. É muito estranho o jeito que toda essa viagem ao passado está me ajudando a lembrar a maior parte da minha vida. Eu lembro agora, como depois daquela noite com o tabuleiro de Ouija, nós todos conseguimos nos convencer que não havia nenhum fantasma na sala. Nós fomos bons em transformá-lo em uma piada.

Mas agora eu sei que realmente havia um fantasma na sala. Porque eu estava lá. E agora eu sei que havia outro fantasma lá também.

Tammy.


Existem coisas que me perturbam sobre esse momento da minha vida. Eu volto para esse período de novo, para tentar resolver esse quebra-cabeça. Todas as vezes que eu retorno, tenho o cuidado para nunca olhar muito duramente para o grampo de cabelo. Voltar a esse momento me supre com a única companhia verdadeira que eu tenho nessa nova existência — o fantasma de Tammy.

Irônico, huh? Essa é a noite em que nossa amizade acaba — pelo menos nossa amizade durante a vida — mas agora parece que ela é minha única companhia. Verdade, ela é a única outra pessoa morta que eu encontrei. Aparentemente o desespero faz o coração ficar afetuoso. Eu só gostaria que ela respondesse todas as perguntas que eu tenho. Eu quero perguntar a ela como ela sabia que eu estava lá? Eu não percebi você antes de você se revelar. O que você perdeu que te permitiu voltar àquele momento? Como você morreu? E quando você morreu?

Deve haver muito da minha vida que eu não entendo mas eu aviso que nenhum item já tenha me levado após os meus 17 anos. Parece também que é lá que todas as memórias que eu tenho agora terminam. Conclusão? Não é necessário requerer os poderes dedutivos de Sherlock Holmes para descobrir que eu provavelmente morri nessa época. E apesar dessa ideia me enlouquecer, outra realização me enlouquece ainda mais: se eu posso viajar pra qualquer lugar da minha existência prévia onde eu perdi um objeto, então Tammy também pode. Isso significa que ela poderia ter vivido muito tempo depois de mim. Atingiu a madura idade de 17 anos. E então voltou àquela festa do pijama quando nós tínhamos 13 anos apenas porque ela perdeu algum pequeno e estúpido objeto lá. É um pensamento arrepiante. Perturbador. Mais do que qualquer coisa nessa pós-vida foi.

Há outra coisa também, que me incomoda sobre toda essa coisa de festa do pijama: Por que — exatamente — Tammy está se desculpando pra mim?


Fantasma



16 anos de idade

É um hábito terrível, esta necessidade que tenho de segurar algo de familiar, sempre que estou nervosa. Eu estou deslizando no carro de Gabriel, numa tarde quente de primavera. O sol esquentou o carro até o desconforto, e ele está subindo as janelas e ligando o ar-condicionado.

Levando minhas chaves fora? Má idéia, eu digo a mim mesma. Não faça isso.

Mas eu faço. Eu pego minha bolsa para encontrar as chaves da minha casa . A ansiedade me domina. Nova situação, novo cara, pela primeira vez em seu carro. O que nós deveríamos dizer um para o outro? Será que isto vai ser parecido com as curtas conversas que tivemos nas últimas duas semanas? Cortesia de: Sandra. Depois que eu dispensei o convite de Gabe para uma festa, ela disse a ele que eu estava totalmente interessada nele e que ele só precisava me dar um pouco de tempo. Assim, todos os dias, ele foi até o meu armário entre as aulas para conversar.

Sandra acha que eu deveria estar de joelhos agradecendo a ela, mas eu não estou me sentindo toda grata a ela no momento.

É por causa dela que Gabe veio até o meu armário hoje e perguntou se eu queria uma carona para casa. E isso porque eu não posso estar sendo mais assediada por ela que eu estou neste carro. Bem, isso e a maneira como os olhos azuis de Gabe tem essas fascinantes linhas verdes que brilham quando ele olha para mim.


Acho minhas chaves, tiro-as da minha bolsa, depois as aperto firmemente em minha mão.

—Eu vou esfriar aqui dentro bem rapidamente —, Gabriel promete enquanto gira uma das saídas de ar para soprar direto para mim.



Coloque essas chaves de volta, eu digo a mim mesma. Ponha; Bem de volta em sua bolsa antes de você perdê-las.

Ele pode dizer o quão forte eu estou as agarrando?

Os dedos do Gabe começaram a bater ritmicamente contra o volante. Parecia que ele estava nervoso, mas ele não estava. Ele é um ótimo baterista na linha de frente de uma banda. Traduzir vida em ritmo parecia tanto parte da vida dele como respirar era para o restante de nós meros mortais.

Eu reconhecia a cadência dos jogos da temporada de futebol americano.

Ele definitivamente estava dedilhando um grito de guerra, enquanto ele lutava com o tráfego para sair do estacionamento dos estudantes. Um cara dirigindo um Honda Civic estava demorando muito para virar a esquerda. Quando um espaço de vinte metros se abriu para virar a direita na pista próxima a nós, Gabe tirou vantagem daquele meio segundo de oportunidade, ele muda para aquela faixa, e vira a esquerda de lá.

Enquanto o Honda buzinava para nós, eu digo, —eu não sabia que você era tão...determinado.

Ele olha para mim e sorri. —Você deveria.

Sim. Eu acho que eu deveria. Ele não havia desistido de mim ainda.Mas também, talvez fosse só ousadia. Quando ele apareceu no meu armário no final da escola e disse, — Que tal uma carona para casa? — Eu devo ter demorado um pouco demais para responder, porque ele tirou minha jaqueta do cabide, me entregou, e fechou meu armário. —Vamos, — ele disse, e começou a andar pelo corredor na expectativa que eu fosse segui-lo. E eu o segui. Era como se eu estivesse presa por uma corda a ele. Ele se movia para frente. Eu me movia para frente...todo o caminho até o carro dele.

Agora ele estava falando sobre a escola — não exatamente na realidade reclamando (ele realmente não faz isso, eu notei, sobre nada), mas foi o mais perto que ele chegou. Ele estava falando de quanto dever ele tinha e se ele achava que daria conta de fazer tudo a tempo.

—Você sempre consegue, — eu o lembrei. Você tem uma média geral perfeita.

Eu, por outro lado, não tenho. Minhas notas não são tão ruins: Minha média geral é nove. Mas a única matéria que eu tenho nota máxima é inglês. Eu sempre fui avançada em inglês. É porque as palavras sempre foram uma parte de mim. Eu não consigo separá-las de quem eu sou e como eu penso. Apesar disso, eu nunca fui animada com nenhuma outra matéria na escola, então eu nunca me esforçava ao máximo nos deveres por elas. Enquanto eu estivesse tirando nove, eu estava satisfeita. Eu nunca senti que eu tivesse que me provar para alguém, tirando notas máximas. Sandra, por outro lado, sempre teve, então eu posso entender a força de vontade. E Gabe tinha isso.

— Tudo bem, — ele disse. —Eu sei quando querem que eu fique quieto.

Eu olhei para ele surpresa. Obviamente, ele não sabe.

—Não foi isso que eu quis dizer, — eu disse a ele. —Eu só estou tentando te tranquilizar que você conseguirá fazer tudo.

Ele olhou para mim surpreso e então voltou seus olhos para a estrada. Nós paramos em um semáforo, onde ele me olhou mais cuidadosamente. —Desculpa. Eu acho que estou acostumado às pessoas serem todas...eu não sei, competitivas...sobre as notas, eu acho. Eu sabia o que ele queria dizer. Havia esse mundinho nos altos escalões das notas perfeitas, onde todos fingiam se apoiar mutuamente, mas na verdade todos consideravam o outro uma ameaça. De alguma forma, eles acham que não são nada, se outras pessoas tiverem notas altas também.

Não um jogo que eu jogo, mas a Sandra joga. Ela sente que tem que fazer a vida da mãe dela mais fácil sendo a filha perfeita. Eu imagino para quem o Gabe está tentando se provar.

—Ei —, ele disse enquanto a luz ficava verde, — é um lindo dia. Quer ir sentar junto ao rio para relaxar um pouco antes de ir para casa?

Sozinha?

—Ah, com certeza —, eu digo.

Ele se virou e pegou uma curva à direita em direção ao parque que fica às margens do Grand River. É uma viajem curta, e nós falamos sobre as memórias que tínhamos de vir para este parque quando éramos pequenos.

Ele estacionou para um espaço do estacionamento, desligou o motor, e tirou as chaves da ignição. Isso foi quando eu percebi. . . Eu não estava mais segurando minhas chaves. Ele abriu a porta, para sair do carro e então percebeu que eu estava procurando freneticamente por algo a minha volta. . . no banco, na área entre o assento e a porta.

— O que há de errado? —, ele perguntou. —Hum, eu, bem, eu estava segurando as chaves da minha casa, quando entramos no carro, mas eu não sei o que eu fiz com elas. — Eu ergui minhas mãos vazias. —Quer dizer que você vai ficar para fora de casa e a mercê da minha generosidade se não encontrá-las? —Bem, na verdade, sim. —Agora estou derramando todo o conteúdo da minha bolsa no chão para ver se eu não tinha colocado as chaves de volta lá dentro sem perceber. Espere, eu me lembrei, tendo certeza de não despejar no chão também os absorventes. Todo o resto está no chão a minha frente. Não há chaves. Eu começo jogando, maquiagem, canetas, e minha carteira de volta na minha bolsa. Quando a minha bolsa estava de volta ao meu colo, Gabe diz: —Aqui, deixe-me olhar sob o assento para você.

De repente, seu peito e ombros estão esparramados em meu colo. Eu posso sentir seus músculos em movimento, ele se desloca em torno de mim, puxando minhas pernas juntos então movendo-as para o lado do motorista. Ele manobrava seu corpo sobre o meu, deixando cair sua cabeça abaixo do assento, e começando a procurar por baixo. Seu peito é quente e sólido contra as minhas coxas, e um não pude deixar de imaginar qual seria a sensação de ter ele todo deitado em cima de mim desta forma,. . . De repente, ele olha para cima e me dá um sorriso diabólico que parece perguntar:

—Será que estamos nos divertindo? — Eu não posso ajudá-lo. Eu sorrio. O desejo de provocá-lo de volta surge através de mim, e antes mesmo de eu ter a chance de pensar sobre o que estou dizendo, estala para fora, —Enquanto você está aí embaixo, por que você não verifica se minha roupa íntima está por aí, também? — Chocado, sua cabeça chicoteia tão de repente que atinge a caixa. "Ai!" , ele diz. Ele se equilibra sobre sua mão e então começa a voltar novamente de cima de mim até que estava sentado. Ele olha para mim com expectativa, batendo com os dedos no volante enquanto eu o fazia esperar pela explicação.

— Sétima série, lembra? Você e alguns de seus amigos desafiaram Sandra e eu a nadarmos nuas, e, enquanto estávamos na piscina, você roubou todas as nossas roupas. — Ele sorri. — Sim, eu me lembro. Mas nós as devolvemos. —Todas, exceto minha calcinha, eu concordo. —Ela está desaparecida desde então. Ele ri. —Eu juro que eu não tenho idéia porque ela não estava com suas roupas quando lhe devolvi. E você acha que eu as tive durante todo esse tempo? Não admira que você está com medo de mim. —Com medo de você! Eu não tenho medo de você. — Aterrorizada. Você nem sequer olhou para mim quando eu fui para o seu armário pela primeira vez.

— Se eu estivesse um pouco desconfortável em sua presença, não é por causa da minha roupa intima. Tem mais a ver com o que eu vi no casamento. Ele levanta as mãos em um gesto de — Não é minha culpa,— em seguida, diz: — Eu não vi nada no casamento. Honestamente.

Ele tenta manter uma cara séria, enquanto diz, mas havia esta peculiaridade travessa ao lado da boca que o entregava. Dou-lhe um olhar de —Ah, é? Tente novamente —, e ambos caímos na gargalhada. — Ok, então eu vi alguma coisa —, admite. Rimos novamente, e então eu digo: —Quando você decidiu que queria me convidar para sair? —apelo pela quinta emenda.7

— Ah, vamos lá —, eu digo. —Apenas me diga. Um longo momento de silêncio passa, mas eu percebi que podia esperá-lo. Finalmente, ele meio que sorri e diz: — Oh, bem, então. Foi quando estávamos caminhando pelo corredor juntos. Você tropeçou, e eu tive meio que segurar você. Foi quando eu pensei: 'Ei, eu me pergunto se essa garota totalmente desastrada sairia comigo.΄ —De jeito nenhum —, eu disse, rindo. —Bom, não exatamente. Mas ainda é um pouco bonitinho, sabe? Quer dizer, a maneira que você agarrou meu braço. Então, quando eu olhei para você, eu notei '—nossa seu peito tinha todas essas sardas intrigante. Acho que eu pensei que seria bem legal sair com elas, e talvez até mesmo com você também. Quero dizer, não é como se eu me divertisse com você no jantar de ensaio ou qualquer coisa—, ele brinca.
— OhMeuDeus. Eu posso ver porque você quis apelar para a quinta emenda. — Você e Dana tinham acabado de terminar e eu era provavelmente o rebote, procurando peitos sardentos para passar o tempo? — Uh... Não. Eu não queria responder à pergunta, porque eu pensei que você estaria envergonhada com o tropeço no caminho até o corredor. Você sabe, que além da coisa do vestido e vomitar a comida.

Inteligente? Eu? Não: nem tanto.

Ainda. . . a coisa de rebote é um ponto válido. E eu o lembrei disso.—Maddy —, ele me diz —, eu terminei com Dana. Ela não terminou comigo. Eu estive pensando sobre isso por um tempo de qualquer maneira. E a última briga parecia ser apenas, você sabe ... o fim. Eu não estava como um rebote para Dana. De qualquer forma, a nossa separação foi um pouco conturbada. Eu sabia exatamente o que eu fazia quando eu terminei com ela, e era o que eu queria.

Isto soa muito bem, mas eu ainda estava presa no: fato que Gabe namorou a mesma garota por dois anos. Isso é praticamente como estar casado. Gabe, provavelmente sabe tudo que há em ter um relacionamento, e eu sabia. . . nada.

Gabriel se muda no banco e diz: —Você sabe, há um lugar que não olhei se suas chaves estavam.—Onde? —Bem aqui. —De repente, todo o corpo Gabe estava a poucos centímetros do meu. Ele coloca um braço de cada lado de mim e chegou na fenda entre o encosto e almofada, como se buscasse lá por minhas chaves. . . Mas, então, nós dois parecemos nos distrair, e quem se preocupava com as chaves?
Ele está me beijando. E isso é fantástico ... O calor de seus lábios contra os meus, a forma como nossos corpos estão inclinando-se um no outro, a sensação de seu ombro debaixo da minha mão. Eu não sei quanto tempo isso irá durar, mas, eventualmente, Gabe quebra o beijo. Meus lábios, de repente se sentem sozinhos quando ele se inclina para trás. Ele levanta sua mão esquerda e oscila minhas chaves na frente do meu rosto. —Tive um sentimento que estariam lá—, ele diz com uma voz rouca. Há uma ponta de triunfo na mesma. Por causa das chaves? Ou o beijo? Eu — não me importo.

—Vamos lá—, ele diz, e se afasta de mim. Ainda segurando minhas chaves, ele se vira em direção à sua porta aberta, e pouco antes de eu começar a abrir minha própria porta, ouvi-lo dizer: —De jeito nenhum. Voltei na direção dele. —O quê? Ele tinha um pé para fora do carro, mas agora ele estava olhando ao redor, mesmo escavando atrás de seu assento. —Você não vai acreditar, mas agora eu não posso encontrar minhas chaves.

Eu me matei de rir. Eu vivi minha vida inteira na Terra das Pessoas que Perdiam as Coisas, e finalmente eu tinha encontrado companhia lá. Eu sei que não deveria ter me divertido tanto com o problema de Gabriel...eu deveria sentir empatia, acabando de ter passado pela mesma experiência eu mesma. Mas ao invés disso, eu estava satisfeita em finalmente saber que eu não era a única idiota que consegue perder um molho de chaves de suas mãos em menos de três minutos.—Não é engraçado,— ele disse, mas ele estava sorrindo também.

Eu comecei a ajudá-lo a procurar pelas chaves...no chão ao meu lado...o buraco atrás do meu banco (no caso dele ter perdido as chaves enquanto procurava as minhas), debaixo do meu banco... —Você não vai olhar embaixo do meu banco? — ele perguntou. Eu encarei seus olhos por um momento. A curva do lado de sua boca voltou. Um desafio. Dane-se? Eu pensei, e então eu separei as suas pernas, alcançando embaixo do seu banco, meus seios pressionando as suas coxas.

—Eu não vejo — Eu comecei a dizer, mas Gabe gentilmente me virou para que eu ficasse deitada em seu colo. Ele tirou o meu cabelo do rosto, inclinando-se sobre mim, me beijando novamente. Eu virei meu rosto para suas mãos e beijei sua palma, sentindo contra meus lábios as linhas de sua mão. Eu imaginei se meu nome estava escrito em algum lugar da sua linha da vida. Eu virei minha cabeça de novo para olhar nos olhos de Gabe. Ele sorri. Ele me ajuda a sentar. —Nada de chaves? ele pergunta.

—Não aqui embaixo,— eu digo. —Pelo menos não as que a gente está procurando agora. Nós procuramos um pouco mais por suas chaves, e ele finalmente as localizou no chão perto da sua porta aberta. Ele segurou os dois molhos de chave para me mostrar que nós havíamos sucedido em nossa tarefa. —Pronta para ver o rio?—Gabe pergunta, derrubando minhas chaves no meu—

De volta em Existe eu me senti perturbada — e perseguida. Pela morte. Gabriel está morto. Como eu. Aquele momento que o Gabriel perdeu as chaves...naquela época, eu pensei que a afinidade que nós sentimos vinha de descobrir que ambos havíamos tido a mesma experiência em perder as nossas chaves. Mas aquela não foi a única experiência que nós dividimos. Aquele puxão, aquele vínculo, o magnetismo daquele momento...Eu havia somente experimentado isso uma vez mais nas minhas jornadas para assombrar minha antiga vida. Foi durante aquela festa do pijama onde a Tammy fantasma estava passando um tempo.

Meu fantasma e o de Gabriel parecem ter feito algum contato espiritual, da mesma forma que eu e a Tammy tivemos naquela festa do pijama. E a tragédia é que eu não percebi isso na época, enquanto o meu eu fantasma estava revivendo aqueles momentos no carro. E eu não posso voltar. Nem ele. Nós dois encontramos as nossas chaves. Um profundo senso de perda foi estranhamente acentuado pela presença da companhia de Gabe. Mas eu não quero a companhia dele agora. Não assim. Não na morte. Não como um fantasma. Eu quero que ele vivo.

Eu não deveria estar surpresa em descobrir que o Gabe estava morto, também. Eu senti o tempo todo que ele pertencia comigo aqui em Is. Mas de alguma forma eu sempre imaginei que ele estaria na Terra, ainda vivendo a vida que eu conheci ele vivendo. Eu não consigo evitar sentir o pesar de nunca mais retornar para aquele momento no carro...aquele momento em que ele me beijou pela primeira vez...aquele momento em que eu deslizei tão gentilmente da insegurança em estar com ele para a melhor sensação de união que já senti.

Mas estou feliz que não posso, também. Aqueles outros momentos que eu estive re-retornando pareciam desaparecer um pouco toda a vez que eu os visito. É como ver o mesmo filme várias vezes. Você fica tentando capturar o que você sentiu quando você o viu pela primeira vez, mas as percepções nunca são tão...mágicas.


Eu não posso aguentar que isso aconteça com a minha experiência com o Gabe.
Não poder re-experimentar o meu primeiro beijo é, de uma certa forma, de quebrar o coração, mas nunca ter experimentado aquele beijo...isso me destruiria. Eu nem seria eu mesma sem aquele momento exato.

Roupa Íntima



12 anos de idade

Mesmo que esteja escuro lá fora, eu me sinto completamente exposta enquanto eu soltava a minha calcinha no chão. A água vai está fria, mas eu não me importo. Pelo menos enquanto eu estou na piscina, vou me sentir mais encoberta do que aqui, de pé nua. Por que fui estúpida o suficiente para jogar Verdade ou Desafio, em primeiro lugar?

Um Eu tinha certeza que se eu escolhesse "verdade", Tammy estava indo para — horror dos horrores — me perguntar se eu tinha uma queda por Gabe. . . e ele estava sentado à minha frente. Ele e Roger estavam andando de bicicleta pela rua da casa de Tammy. Eles normalmente não gastavam algum tempo com a gente, mas hoje eles pararam. E logo depois eles estavam apenas passando um tempo com a gente. Talvez eles estivessem entediados, nada para fazer em um morno sábado à noite, duas semanas antes do final do ano letivo.

Mas a escolha "desafio" foi um erro, definitivamente um erro,


Percebo agora, enquanto eu escorregava na água o mais rapidamente e em silêncio, o quanto eu pudesse. Está frio, congelando totalmente. — É melhor eles não estarem vendo—, diz Sandra. Exatamente o que eu estou pensando.—E você me deve por isso —, acrescenta. Nenhuma dúvida sobre isso. Não muitos amigos estariam dispostos a colocar-se através desta agonia assim só sua BF8 não teria que fazer isso sozinha. Eu ainda não consigo entender que Tammy fez isso comigo. —Eu te desafio a nadar pelada na piscina do vizinho—, ela disse 10:15, apenas 10 minutos atrás.

Difícil de acreditar que toda a minha vida mudou nesse tempo: Eu me tornei uma garota que invade — nua — a piscina de outra pessoa. Posso ser presa por isso? Eu acho que eu prefiro não saber. Nós ouvimos o riso abafado do outro lado da cerca. Todo mundo estava verificando para ter certeza de que estamos realmente na piscina.


Humilhante. Graças a Deus as luzes da piscina estão desligadas. Graças a Deus ninguém parecia estar em casa. A cerca chocalhou.

—OhMeuDeus,— respira Sandra. —Alguém está vindo.

Primeiro, Roger Myers apareceu por cima da cerca, então Gabe o seguiu. Mais risos do outro lado. Estou prestes a gritar de indignação, mas Sandra me dá um tapinha na cabeça. Shh! Vamos lá.'—Ela empurra mais para dentro do fundo para se esconder sob as sombras da prancha. Não perdi tempo em segui-la. Roger diz: —Nós estamos apenas checando para verificar se você está realmente nadando pelada.

—OhMeuDeus —, é a única coisa que sai da minha boca.

—Não há nenhuma maneira de que nós permitiremos que você verifique isso. — Sandra, obviamente, tem mais presença de espírito do que eu. Roger riu. —Sem escolha. Nós vamos apenas pegar isto —, ele se agacha até a pilha de nossas roupas —e verifica se está tudo lá. Carregando as nossas roupas, ele corre em direção à cerca. Ele as joga (ou tenta, o sutiã Sandra fica presa no topo do muro), em seguida escalaram por ela. Ele resgatou o sutiã de Sandra e atira do outro lado da cerca, e depois salta. Gabe pula sobre a cerca depois dele.

—Ah.Meu.Deus. — Pelo menos eu consegui mudar o ritmo da minha fala, ainda que não conseguia encontrar palavras novas.

—Está tudo aqui —, Tammy anuncia, apenas alto o suficiente para nós ouvirmos. Ela não quer ser pega também. O rosto de Roger reaparece no topo da cerca. O riso abafado vindo dele está me deixando louca. Ele atira nossas roupas. Elas desabam em uma bagunça espalhada pela lama; então Roger desaparece de novo, e dentro de segundos nós podemos ouvir pés batendo regredindo em uma distância quando um bando dando risadinhas foge em debandada de volta a casa de Tammy.

O silencio se pendura pesadamente no ar novamente. O único som que ouvimos são os espirais que nossos membros fazem na água. —Hora de sair,— Sandra anuncia. Nós cambaleamos para nossas roupas. Sem toalhas, é claro. Nenhuma cortesia oferecida aos transgressores. As roupas grudam em nós quando tentamos vesti-las de volta. —Eu não consigo achar minha calcinha,— digo a Sandra.

—Esqueça-a,— diz. —Vamos dar o fora daqui. — Seu longo cabelo cacheado já tinha ensopado a metade superior de sua camisa. Eu não consigo evitar de ficar satisfeita com o visual bagunçado disso. Sandra sempre se vestia um pouco ordenadamente demais. Todas as roupas — escolhidas pela Sra. Simpson, é claro — são coordenadas demais. Suas meias, grampos de cabelo, seus sapatos, tudo combina.

Ela às vezes parece um presente que foi embrulhado profissionalmente por alguém que não se importa nada com o presente dentro da caixa. Mas quando ela está em pé aqui agora, com uma camisa enrugada e molhada, ela parece mais como a pessoa que eu realmente sei que ela é. —Depressa, ela me incita. — Eu apenas não consigo esquecer a minha calcinha, —reclamo. —É claro que você consegue,— ela insiste. Ela agarra meu braço e puxa para a cerca.

Dor de cabeça

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