Schopenhauer: o pessimismo e o mundo



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SCHOPENHAUER: O PESSIMISMO E O MUNDO.

Tarcísio Alves dos SANTOS


Resumo: O devido trabalho busca apresentar uma visão do contexto histórico em que viveu o filósofo Arthur Schopenhauer e, assim, entender um pouco mais do que pôde ter influenciado sua visão de mundo tão pessimista e suas críticas ao idealismo alemão. O presente artigo visa, também, analisando a parte histórica, entender um pouco mais de sua crítica à ética racional e principalmente à ética kantiana pela qual o filósofo tinha plena admiração. Ver-se-á, ainda, que Schopenhauer foi um dos primeiros filósofos a buscar na filosofia oriental, no budismo e nos textos sagrados védicos, uma resposta para o enigma do mundo. Assim, entende-se a importância e a necessidade desse trabalho, tendo em vista que as mudanças ocorridas durante o século XVIII foram decisivas na obra de Schopenhauer, pois ele acabou sofrendo influência direta e/ou indireta das mudanças sociais daquele período.

Palavras-chave: Moral; Mundo; Schopenhauer; Razão; Vontade.
1.Introdução

A filosofia de Schopenhauer foi resultado de muitas influências que o seguiram pelo percurso da vida, conceituações filosóficas, como principalmente as de Platão e Kant, contribuíram decisivamente para sua filosofia. Podemos dizer que, também Schopenhauer acabou por sintetizar em seu sistema filosófico uma relação dos princípios orientais dos dogmas místicos do Bramanismo e do Budismo com o pensamento ocidental. Além disso, o contexto histórico que viveu nosso autor pode, ainda hoje, ser considerado como repleto de mudanças significativas na história da humanidade. Desse modo, procurar compreender como as mudanças políticas e sociais da época contribuíram para a formação do pensamento filosófico de Schopenhauer é de fundamental importância para quem deseja aprofundar-se em seu estudo, como também para todos aqueles que têm pelo menos um pouco de curiosidade. Assim sendo, seguiremos o caminho de sua jornada na vida, desde seu nascimento até a hora de seu encontro com a morte ou quem sabe, com o “Nada Absoluto”.

Arthur Schopenhauer nasceu na cidade portuária de Dantzig (hoje Gdansk, na Polônia), em 22 de fevereiro de 1788, e passou sua juventude em Hamburgo, Alemanha, pois conforme Rüdiger Safranki (2011, p. 19-20)

[...] depois que o reino da Polônia foi sendo dividido por meio das ‘partilhas’ feitas ao longo desse século (XVIII) e caiu sob o jogo de poder dos interesses concorrentes dos Habsburgos austríacos, da Romanoffs da Rússia e dos Hohenstauffens da Prússia, a liberdade de Dartzing também foi sendo progressivamente ameaçada.

Esse fato levou a família Schopenhauer a mudar-se, pois os incidentes provocados pela divisão do reino foram terríveis aos negócios da família (já que seu pai era um magnata enriquecido pelo comércio). Eles então mudaram-se para Hamburgo antes mesmo de o rei prussiano mandar suas tropas para Dantizig e assim firmar um novo território. Hamburgo parecia ser um bom caminho para os negócios da família, já que estava em fase de prosperidade e também por haver mais segurança em relação às guerras e revoluções, pelo menos assim pensou seu pai Heinrich Floris Schopenhauer1.

Não fosse esse apenas um fato isolado, muitas são as mudanças ocorridas no século XVIII, no qual Schopenhauer viveu. Entre elas podemos citar a decadência em que entrou o regime absolutista, que provocou a potencialização do mercantilismo, fazendo com que os burgueses lutassem cada vez mais pelo poder, enquanto o antigo regime perdia sua força. A Alemanha que Schopenhauer viveu passou, assim, por uma crise na luta pela unificação que durou cerca de 37 anos. Foi com a criação do Zollverein, (Liberdade alfandegária para os 39 estados alemães facilitando o comércio), em 1834, que se deu a força necessária para a unificação alemã, que em seu início não tinha a participação da Áustria como força econômica. Nessa luta pela unificação, outro Estado que se sobressaiu foi a Prússia, que buscava na unificação política dos estados confederados algo para torna-se forte economicamente. Tanto a Áustria como a Prússia, devido ao seu desenvolvimento, vão acabar liderando o processo de unificação alemã. Podemos então dizer que foi em um cenário realmente muito hostil que nasceu e viveu Schopenhauer.

Schopenhauer não vivera para ver a unificação alemã, que aconteceu na liderança de Otto von Bismarck, o qual o rei prussiano Guilherme I nomeou primeiro-ministro. Bismarck foi o responsável pela unificação dos estados germânicos, e não se poupou em utilizar a força militar para chegar ao seu objetivo. A Áustria, por sua vez, ficaria ausente dessa primeira unificação. Para se conseguir a unificação, foram realizadas três guerras: uma contra a Dinamarca, outra contra a Áustria e a ultima contra as forças Franco-Prussianas em 1871. Foi exatamente a última dessas guerras que consolidou a unificação alemã, quando os estados do sul se uniram à confederação para lutar contra a França. O Kaiser Guilherme I é então coroado rei da Alemanha, fato esse importante, pois a coroa lhe foi dada justamente no palácio de Versalhes (BARBEIRO, 1984, p. 257), que pertencia à coroa francesa, acontecimento que provocou o revanchismo francês para recuperar alguns de seus territórios, como também a vingança pela guerra perdida. “Consciente desta situação, Bismarck tentou isolar a França através da política de alianças”. Como consequências desses fatos surgiram motivos para a Primeira Guerra Mundial e assim acabar com a paz armada. Mesmo sem ter visto a unificação alemã, Schopenhauer viu de perto o horror das guerras e lutas que a Alemanha sofrera antes da sua unificação. Certamente, esse parecia ser “o pior dos mundos possíveis” como bem disse o filósofo (SCHOPENHAUER, 2005, p. 73), um mundo de guerras, sofrimentos e miséria, ao qual a compaixão era deixada de lado.

Não eram somente as guerras que assustavam a Europa nesse período, mas também as revoluções, que tornavam a vida caótica. Duas foram às revoluções marcantes nesse período: a Francesa e a Industrial. Na França, com o crescimento da atividade comercial, os burgueses almejam o poder e lutavam corajosamente contra a nobreza e contra o rei. A verdade é que a burguesia não aguentava mais os altos impostos cobrados pela monarquia e também por serem excluídos dos privilégios dos nobres, que desfrutavam de sua soberania enquanto o país estava em perfeita lástima. De acordo com Heródoto Barbeiro (1984, p. 217), a pirâmide social se dava da seguinte maneira: o alto clero possuía amplos direitos, os protegidos pelo rei gozavam de uma vida satisfatória, a alta burguesia tentava a todo custo se aristocratizar, enquanto a baixa burguesia tentava livrar-se dos tributos altíssimos, ao passo que o povo se encontrava na miséria. Foi a burguesia fazendo pressão para acabar de vez com o antigo regime e instalar um novo modelo político e econômico que originou a Revolução Francesa em 1789.

Mas este movimento, pelo menos por enquanto, não atrapalhava os planos da família Schopenhauer em Hamburgo. A liberdade e a tranquilidade que Heinrich Schopenhauer desejara, parecia ter encontrado naquela cidade. Em Hamburgo havia defensores da Revolução Francesa (SAFRANSKI, 2011, p. 44), como também toda a população parecia louvar a queda da Bastilha como se dissessem: também desejamos os direitos humanos. Hamburgo mais parecia um centro de cultura francês, com teatros, festividades e pensamentos franceses. Arthur Schopenhauer tinha apenas doze anos nessa época, não frequentava as festas, teatro, mas, sem dúvida, prestara muita atenção a todos esses acontecimentos.

Entretanto, longe da paz de Hamburgo, pelo menos por enquanto, o terror da Revolução poderia ser visto nas cidades onde ela passou. Se a Revolução Francesa queria uma ordem social mais justa, o que se viu na França naquele período foi um verdadeiro inferno, mortes sangrentas, pessoas falecendo por falta de comida, desconfiança por todos os lados, um verdadeiro caos que demoraria a acabar.

Enquanto as guerras revolucionárias aconteciam, o pai de Schopenhauer, após o nascimento de sua irmã, Adele, em 1797, resolveu lhe dar os primeiros ensinamentos no mundo comercial. Arthur viajou a Paris com seu pai, ao final de sua infância, e viveu por dois anos no Le Havre, na guarda de um amigo da família. Segundo Safranski (2011, p. 54), “Arthur deveria aprender francês, cultivar as maneiras sociais de um homem educado e mundano e, acima de tudo, iniciar sua primeira ‘leitura do livro da vida’, conforme a expressão frequentemente usada por seu pai.” Arthur só voltou a Hamburgo em 1799, depois que seus pais – preocupados com rumores de guerra e com Napoleão – quiseram seu filho por perto. Com receio de uma possível colisão entre a Inglaterra e a França, Arthur fez seu trajeto de volta a Hamburgo de navio2. No seu retorno a Hamburgo, Schopenhauer estudou em uma escola particular de comércio as doutrinas econômicas iluministas. Seu pai gostaria de vê-lo continuar os negócios da família e Arthur até satisfez por um tempo o gosto do seu pai, contudo, o destino encontraria outro caminho para o jovem Schopenhauer.

Enquanto a Europa permanecia em guerras, o pai de Arthur resolveu viajar com sua família pela Europa. Ainda de acordo com Safranski3, não se sabe muito bem o motivo que levou a Heinrich Floris Schopenhauer a uma viajem turística, mas é provável que o velho Heinrich estivesse cansado dos trabalhos no comércio e que também gostaria de proporcionar alguma diversão a sua esposa mais jovem. A viagem aconteceu em 1803, quando Arthur tinha apenas 15 anos. O jovem Schopenhauer viajou pela Áustria, Suíça, França, Países Baixos, Inglaterra, e ficou impressionado durante a viagem com algumas das cenas que viu no caminho, o cenário da miséria humana, os vestígios deixados pela Revolução Francesa, a prisão de Bagno, em Toulon, na França, tudo isso lhe rendeu um diário de bordo com anotações que serviriam para sua base pessimista do mundo. Anos à frente Arthur Schopenhauer encararia esse espetáculo do horror do mundo sobre a perspectiva da individualidade e do egoísmo humano, em contraposição do amor verdadeiro: “Todo amor é compaixão.” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 476).

Na Alemanha continuava a luta para unificação dos Estados ainda não unificados, e o jogo de dados permanecia entre a Prússia, França e Áustria, enquanto Napoleão seguia firme a uma Inglaterra que não se rendia. O general, então, decreta o bloqueio continental4 em (1806), uma tentativa de sufocar a Inglaterra através do comércio, pois impediria o acesso a portos dos países submetidos ao domínio do I Império Francês a navios do Reino Unido da Grã-Bretanha (Inglaterra) e Irlanda.  As guerras, as revoluções e o Bloqueio Continental prejudicaram os negócios da família Schopenhauer, e seu pai parecia mudar de opinião em relação a Hamburgo. Nesse intervir sucede que, Heinrich Schopenhauer, acometido por uma doença mental, acaba falecendo em 20 de abril de 1805. Alguns acreditam na possibilidade de suicídio, mas a história é abafada5. Com a morte do pai Schopenhauer, sua mãe Johanna Schopenhauer e sua irmã Adele mudam-se para Weimar, mas o jovem Schopenhauer permaneceu em Hamburgo para cuidar dos negócios e somente juntou-se a família um ano depois.

Após a morte de seu pai, Schopenahuer parecia libertar-se da prisão do comércio e procurar novos caminhos, inclusive, o de liberta-se de sua mãe, com a qual tinha discussões constantes e a qual acusava, de modo incisivo, de ter dado pouca importância a seu velho pai doente por se preocupar mais com seus saraus literários (Johanna Schopenhauer foi uma escritora literária).



2.Schopenhauer filósofo

Depois de uma pequena estadia em Weimar, Arthur resolveu estudar medicina na Universidade de Göttingen, em 7 de Outubro de 18096, assim ficando o mais distante possível de sua mãe, a qual já não suportara mais, como também aproveitar o centro de ciências naturais mais moderno da época. Mas Schopenhauer não passou muito tempo em Göttingen, sua permanência na Universidade durou apenas dois anos, pois as inclinações filosóficas de Arthur o levaram a trocar Göttingen por Berlim, em 18117, para seus estudos filosóficos. Em Berlim Schopenhauer foi aluno de Fichte (1762-1814), ao qual, anos depois, fará enormes críticas, como também de Friedrich Schleiermacher um dos pais da teologia moderna, sentido prazer em assistir suas aulas. Foi em Berlim que Arhtur se deparou com os textos de Platão (±428 a.C – 348 a.C) e Kant (1724-1804) que vão influenciá-lo em toda sua obra. Schopenhauer, antes mesmo de sair de Göttingen, escreve em seus manuscritos um elogio magnífico à filosofia.

A filosofia é uma estrada que percorre os pontos mais elevados dos Alpes; para chegar até ela, é preciso galgar uma senda abrupta, que atravessa rochas pontiagudas e espinhos poderosos; é um caminho solitário que se torna cada vez mais desolado à medida em que nos aproximamos do cume, quem o segue, não deve temer o assombro, mas deixá-lo inteiramente atrás de si, enquanto abre o seu próprio caminho com perseverança através da fria neve. Com frequência ele depara subitamente diante de si um abismo hiante e, descendo ao longo dele consegue dirigir o olhar até o vale verde que se estende muito além, lá embaixo nas planuras; sofre então uma terrível sensação de vertigem; mas precisa superá-la, mesmo que para isso tenha de fixar as solas de seus pés sobre as rochas com adesivo de seu próprio sangue. Passado esse momento, verá que todo o mundo se encontra abaixo de si, perceberá como desaparecem todas as terras pantanosas e a multidão dos desertos de areia, como se afastam todas as irregularidades, como todas as discordâncias ficam contidas no conjunto e não sobem até ele e é então que percebe realmente como o mundo é redondo. Enquanto isso, ele permanece sempre exposto no ar puro e frio das alturas e pode contemplar o sol, enquanto o mundo inferior domina ainda a negra escuridão da noite. (SCHOPENHAUER apud SAFRANSKI, 2011, p. 198)

Schopenhauer parecia adivinhar qual seria seu caminho entre a luz da saída da caverna de Platão e a escuridão dos limites da razão kantiana. Enquanto ele se debruçava em seus estudos de metafísica, Napoleão seguia firme com o Bloqueio Continental a fim de destruir a economia britânica. Porém, o bloqueio não foi bem visto pelos aliados franceses, muito menos pela Rússia que intimou Napoleão a remoção do bloqueio em 1810. Napoleão se revolta contra os russos e ordena que seu exército marche em direção a eles sem ter a ideia que marchava contra sua própria ruína. Conforme Safranski (2011, p. 264-265), “Berlim vivenciou o maior desfile de tropas de toda a sua história”, mas isso não seria suficiente. Nem mesmo um exército tão experiente e com tantos homens foi capaz de enfrentar frente a frente o inverno russo com temperaturas abaixo de zero. Pouco mais de 30 mil homens sobraram dessa investidura napoleônica de 1812. Como se não fosse pouco, a França sofreria ainda mais perdas quando a Prússia declarou guerra à França no ano seguinte. Mais guerras e mais mortes assombraram o cenário da época.

As tropas napoleônicas marchavam em Berlim, em 1812, enquanto Schopenhauer estudava a “Doutrina das Ciências” de Fichte. Ele não parecia se preocupar com os acontecimentos que apavoravam a todos, nem mesmo com as questões políticas que, segundo Safranski, se “tornou expansiva e inflamava paixões, ânimos, esperanças e desejos que anteriormente não tinham sequer a possibilidade de buscar espaços dentro da vida pública8”. O velho monopólio absolutista havia se quebrado, havia uma libertação do pensamento político, a filosofia do “Eu” de Fichte parecia traduzir a linguagem política da época. Porém, mesmo distante dessas questões políticas, Schopenhauer não pôde mais suportar o clima presente na cidade, com tropas, arsenais, pessoas feridas, aulas suspensas, enfim, a cidade parecia sufocada pela guerra. Schopenhauer então foge para Weimar a fim de escrever sua tese de doutorado.

Contudo, Schopenhauer não fica muito tempo em Weimar, pois não concorda com as condutas de sua mãe. Em 1814 ele rompeu decisivamente os laços com sua genitora, a qual nunca mais procurou. Em uma das discussões com sua mãe, ela chamou sua tese de doutorado de “alguma coisa de farmacêuticos”, devido ao nome. Schopenhauer acabou respondendo que ela seria lembrada apenas por causa do seu nome e que seus textos seriam lidos quando nenhum exemplar dos escritos dela se encontraria nem mesmo em um sebo9.

Schopenhauer acaba alojando-se em uma hospedaria (Rudolstadt) a fim de redigir sua tese em perfeito isolamento. Finalmente, no outono de 1813, a primeira versão da tese de doutorado intitulada “Sobre a quádrupla raiz do princípio da razão suficiente” tinha sido concluída. Pouco tempo depois, no mesmo ano, Arthur Schopenhauer recebeu seu diploma de doutor, em 5 de outubro, na Universidade de Jena, Alemanha, e aguardava os primeiros exemplares de sua obra, Napoleão fazia mais uma investida nas tropas reunidas pela colisão das potências unidas, formadas pela Prússia, Rússia e Áustria em Leipzig. Schopenhauer nem por um momento se deixou abalar pelas questões políticas, e a respeito da guerra escrevera em seu diário particular: “Todos os que se deixam realmente arrastar pelas paixões guerreiras deveriam ser censurados” (SCHOPENHAUER apud SAFRANSKI, 2011, p. 300).

Os tempos eram difíceis e as ideias do processo revolucionário francês se dissimularam na Europa daquele período rapidamente. Não era somente na França, mas em toda Europa que se podia ver os novos ideias políticos e econômicos da burguesia, inclusive na Alemanha. Entretanto, a revolução parecia estar no fim, mas não Napoleão. Desde o golpe do 18 Brumário10 e da apoteose do poder que Napoleão Bonaparte exerceu com o cargo de primeiro-cônsul a ordem social mudara. O objetivo de Napoleão não era apenas a França, mas o poder. O grito de “liberdade” francês se tornaria o grito de várias nações. A busca pelo poder levou Bonaparte para além do território de seu país: as chamadas guerras napoleônicas (1804-1815), resistência militar a quaisquer monarquias que por acaso viessem a se opor ao seu governo. A ambição de Napoleão trouxe uma opressão sem tamanho, uma forma de crueldade não apenas para com seus inimigos, mas contra sua própria nação. Nesse período, enquanto a visão que se tinha das cores era somente o vermelho do sangue varrendo as ruas, Schopenhauer encontrara nas cores um outro significado com seu trabalho Sobre a visão e as cores, apoiado nos textos de Goethe contra as ideias de Newton.

A guerra europeia continuava, feridos, cadáveres nas ruas, famílias morrendo por causa de fome, em um mundo sem paz, sem ternura, faltava quase tudo, inclusive a compaixão que Schopenhauer falará mais adiante em seus escritos. É nesse ambiente hostil e desolador que Schopenhauer escrevera sua obra magna, O mundo como vontade e representação. Por causa das guerras, Schopenhauer muda-se para Dresden em 1814. Apesar de Dresden ter sofrido o pior bombardeio de sua história e a cidade ainda não estar completamente recuperada das calamidades, aos poucos a cidade volta a sua conduta habitual. Em Dresden, Schopenhauer teve como vizinho o filósofo Karl Christian Krause (1781-1832), que estudava a filosofia hindu, e que Schopenhauer também estudava e via com bastante entusiasmo. Os textos hindus, juntamente com os textos do Bramanismo budista que Arthur já tinha conhecido em Weimar, foram influentes e decisivos em sua obra, principalmente na ética. Finalmente, em 1818, Schopenhauer acaba o prefácio de sua obra magna que será publicada um ano depois em Roma, na Itália.

“O mundo é um inferno”, disse Schopenhauer (s.d, p. 2) se referindo às dores causadas pelos próprios homens. Era uma época de sofrimento, miséria, fome e dor. Enquanto a nobreza resistia na luta contra a burguesia, a sociedade passava por uma crise sociopolítica. A compaixão parecia não existir entre os homens, ou se existia, era algo bastante raro, e em pouquíssimos casos que se tornava um enigma. Talvez pudéssemos assim entender o porquê de Schopenhauer ter uma visão de mundo tão pessimista, pois a crueldade entre os homens, os conflitos, as guerras e as revoluções em sua época, pareciam o “Inferno de Dante”, os quais homens usavam a razão para massacrar seus semelhantes.

O século XVIII é marcado por outro elemento histórico, a famosa Revolução Industrial (que em seu início aconteceu na Inglaterra). Se na França a revolução varreu com sangue as ruas, na Inglaterra a pobreza chegava aos milhares. No final do século XVIII a Revolução Industrial é um fato consumado. A monocultura perde espaço para as fábricas, a burguesia e seus meios de produção fazem do povo operários sem vida, assalariados, que ganhavam pouquíssimo, sobretudo se comparado ao valor que a vida parecia ter para a burguesia. Se a ciência e a tecnologia chegaram a Europa com a esperança de um novo mundo, trouxeram consigo o descaso com a vida humana.

Era nos centros urbanos que se concentravam as fábricas, e muito dos trabalhadores do campo migraram em êxodo para as cidades, buscando uma vida mais favorável. Pessoas trabalhavam em condições sub-humanas; jornadas de trabalhos de mais de doze horas flagelavam os seus corpos; doenças, como, por exemplo, a tuberculose, espalhavam-se entre os trabalhadores já fracos e subnutridos, e nem mesmo mulheres e crianças eram poupados. A exploração capitalista vinda dos burgueses era uma nova forma de massacre. A Revolução Francesa preparou terreno para o capitalismo, para a burguesia, para uma mudança sociopolítica jamais vista na história. De acordo Barbeiro (1984, p. 209) a Revolução Industrial se propagou por toda Europa, inclusive na Alemanha, passando por transformações semelhantes às sofridas na Inglaterra. Todas essas mudanças sociais levarão a reflexões importantes a nível filosófico. O filósofo alemão Karl Marx (1818-1883) fez uma análise do comportamento social com base na história. Marx foi um dos fundadores do socialismo e defendeu a luta de classes como meio para atingir o comunismo. Seria necessária, na concepção de Marx, uma dialética das relações de produção que levaria a uma revolução do proletariado contra a burguesia, contra o capitalismo, pondo um fim na divisão de classes sociais. É nessa compreensão marxista socialista de luta de classes e revolução que poderíamos chegar à liberdade, porém, de acordo com Safranski11, a visão de Schopenhauer era completamente contrária ao otimismo marxista, e soava como um pensamento “perverso”, pois criava uma ilusão. Schopenhauer também abordou a questão da liberdade em 1837, em um ensaio para a Sociedade Real Norueguesa das Ciências de Drontheim, e recebeu até uma premiação pelo trabalho (Sobre a liberdade da Vontade, publicado em 1839)12. A questão é que para Schopenhauer o homem não é absolutamente livre, não arbitra seu agir, não escolhe o que deseja, é antes determinado pela Vontade metafisica do mundo. Para ele, a deliberação humana é tão somente uma ilusão da consciência, concepção distinta da socialista de Marx e da consciência racional pela qual se encontrava a liberdade.

As ideias revolucionárias vindas da Revolução Francesa e dos desejos iluministas pareciam querer encontrar na razão uma maneira de varrer o despotismo, banir o antigo regime e glorificar as forças de massa. Era a tentativa para uma vida mais justa, mais ética e com mais igualdade. O lema da revolução francesa: “liberdade, igualdade e fraternidade”, soava bonito, mas não condizia com a realidade das ruas manchadas de sangue. Para Schopenhauer, o lema francês nada mais era que uma utopia, uma fantasia. Para ele o mundo é uma guerra sem trégua (BRUM, 1998, p. 25) pela existência. Não existia, nas guerras, uma conduta moral aceitável, justamente porque o ato moral não pode ser reivindicado pela razão iluminista, por uma ideologia socialista e muito menos por uma filosofia histórica. A moral não pode ser ensinada, ela é, antes de tudo, distribuída por sorte nos corações dos homens (LEFRANC, 2008, p. 153-155). Para Schopenhauer, a natureza não pode ser transformada no seu aspecto moral, a índole de cada um permanece igual ao que ela sempre foi. Os sentimentos de amor ao próximo são como agulhas em um palheiro. Não seria na razão que estaria à cura para a moralidade, mas em um sentimento.

É dessa forma que, para ele, o progresso vindo de ideias iluministas no final do século XVII ao século XVIII, parecia ter uma carência de sentimentos. Era uma fé exacerbada na razão, era a razão que encontrava mecanismos para estruturar a própria realidade. O filósofo Immanuel Kant, talvez o maior teórico iluminista e racionalista daquela época, defendia a ideia de que a racionalidade poderia tirar o homem de sua meninice e torná-lo amadurecido, pronto a agir autonomamente. Jair Barbosa (1997, p. 14) refere-se a esse pensamento histórico de Kant da seguinte maneira:

A partir de uma emancipação progressiva, os homens sairiam, segundo Kant, de “sua minoridade pela qual eles mesmos são responsáveis” e atingiriam estágios cada vez mais superiores, até chegarem à maioridade. É o otimismo em filosofia.

Para Kant, a razão é a bússola a guiar o homem em direção ao saber e a ciência, além de ser a única forma de fundamentarmos a moralidade. Mas, ao contrário de Kant, Schopenhauer não vê na razão algo que possa guiar o homem no mundo, mas deixá-lo vendo através de um véu, o véu da representação, não contemplando e vendo a verdadeira moralidade. Schopenhauer pode até ver com bons olhos toda crítica racionalista aos dogmáticos e supersticiosos, porém acreditar que a razão possa ser responsável pelas mudanças morais, seria colocar a razão em um pedestal feito de areia. A razão, para Schopenhauer, é secundária, nada mais é que objetivação de algo maior: a Vontade metafísica que existe no mundo. Para Schopenhauer, a intuição tem um papel muito maior que a própria razão – a intuição, sendo ela reflexo direto dos nossos sentidos, juntamente com a interação de nosso caráter e os motivos, com apoio da experiência, é o que nos faz sem rodeios e máscaras, ser guia direta de nossa ação. A fé exacerbada na razão de nada adianta para que o homem pudesse respirar tranquilo nesse mundo, aliás, para ele “o mundo é tribunal do mundo” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 450), não há juízo e nem justiça que não sejam o próprio mundo. O mundo aparece para nós apenas como um “Véu de Maia”, como fenômeno, e a razão é apenas mais uma serva da Vontade.

Schopenhauer foi um crítico dos sistemas morais de sua época, principalmente da fundamentação da moral kantiana, criticando duramente seu livro Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785), no qual Kant constrói, de maneira sistemática, o problema da moralidade humana. Schopenhauer já tratava do problema da moralidade em sua obra principal, além de reunir, em 1841, em um único volume (Os dois problemas fundamentais da ética), seus dois ensaios (Sobre a liberdade da Vontade e Sobre o Fundamento da Moral, realizados em 1840, tendo este último concorrido a um prêmio da Sociedade Real Dinamarquesa) a respeito do assunto e analisando os erros kantianos. Um dos problemas seria a ilusão da liberdade, outro estaria ligado às críticas à supervalorização da razão e ao egoísmo. Para resolver ambos os problemas, Schopenhauer busca nos textos sagrados védicos do hinduísmo e bramanismo (o cristianismo também é citado em sua fundamentação moral) a resposta que rasgaria o Véu de Maia13, o véu da representação, da ilusão. A resposta encontrada pelo filósofo foi a compaixão, a única motivação não egoísta e dotada de valor moral genuíno. Para Arthur Schopenhauer (2001, p. 35), a razão na qual Kant fundamentou sua moralidade era apenas “puras cascas sem caroço”.

O retrato da Europa do século XVIII tinha como base o pensamento racionalista. Era o racional que predominava sobre a emoção, era a razão que dava ascensão à ciência que predominaria no mundo futuro. Da música à literatura, da epistemologia à ética, todos os campos do saber encontravam-se sobre o domínio da racionalidade. Entretanto, no final do século XVIII, o Romantismo surge na Alemanha e ganha força na Europa, um movimento renovador, que buscava contrapor o império da razão e tornar a fantasia, os sentimentos e a nostalgia também partes do mundo. Literatura, poesia, artes plásticas e filosofia nadavam na contramão da racionalidade que se colocava como única maneira de situar o homem no mundo, abria-se espaço para o sentimento, para o irracional. De acordo com Safranski (2010, p. 16), a época do Romantismo chega a se identificar com cultura alemã.



3.Schopenhauer e o Romantismo

Os ideais franceses, juntamente com a revolução, impulsionaram os intelectuais alemães ao movimento chamado: Sturm und Drang14 (tempestade de ímpeto), talvez um dos primeiros movimentos do período romântico. “O espírito do Sturm und Drang quer ser aquele que dá a luz ao gênio, que dorme, presume-se, em todos, e que realmente espera para finalmente vir ao mundo15.” Tal movimento16 era uma reação ao racionalismo iluminista do século XVII e que perdurava ainda no século XVIII. Maximilian von Klinger, Friedrich Schiller, Goethe, foram os líderes desse movimento literário alemão que valorizava a emoção, o irracional, o ímpeto, em detrimento razão.

Podemos dizer que de alguma forma Schopenhauer recebeu influência desse movimento em seus escritos, principalmente quando nos referimos ao irracional. Ora, para Schopenhauer o conceito de Vontade se distancia da racionalidade justamente por ser cego e irracional, tal qual, como o movimento literário do Sturm und Drang. Porém, se de um lado o filósofo afirma o mundo como um ímpeto cego da Vontade, por outro, não podemos ficar presos às representações da Vontade com exageros, submissos a ela como coelhos na toca, pois mesmo que o mundo seja sofrimento e dor, podemos ainda louvar o seu outro extremo, a negação da própria vontade. É exatamente a negação da Vontade que funda a ética schopenhaueriana da compaixão.

As guerras continuavam em pleno vapor enquanto Schopenhauer travava de sua rivalidade com Hegel, entusiasmado pelas forças revolucionárias, como afirma Safranski (2011, p. 466). Nesse interim em meio às guerras e do Romantismo, Schopenhauer abdicou de sua vida acadêmica, pois não suportou o fracasso da disputa com as aulas de Hegel, que tinha suas salas de aulas lotadas, enquanto as suas estavam cheias de cadeiras vazias. Schopenhauer foi professor da Universidade de Berlim após fazer um concurso em 1820 e Hegel fez parte da banca examinadora. Também foi professor da Universidade de Munique por um ano, em 1824. Dedicou-se puramente à filosofia após desistir da carreira universitária (pois não dependia da remuneração das aulas para viver, tinha herdado uma boa quantia em bens de seu pai) e não poupou críticas a Hegel e outros filósofos de sua época, entre eles Schelling e Fichte, os quais chamou de fanfarrões e charlatões, em sua obra Sobre a filosofia universitária17.

O Romantismo aflorava na Alemanha e espalhava-se em toda Europa. A filosofia romântica e idealista de Schelling, juntamente com a literatura de Goethe e Schiller fez o movimento ganhar asas. O Romantismo trazia consigo a ruptura com a racionalidade, dando a ideia de que o sujeito poderia se desvencilhar das amarras da razão. Os sentimentos eram valorizados, havia um clima nostálgico, misterioso, e até mesmo na arte, no estético, havia uma transformação de liberdade e autonomia em relação à razão. No pensamento romântico, o sentir é mais importante que o calcular. O ser ganha um novo significado além do horizonte, e a primazia dos sentimentos em relação à razão faz do mundo da representação também um mundo da vontade. O Romantismo certamente mexeu com o pensamento de Schopenhauer, que achava necessário uma transformação que banisse o uso extremo da razão nos mais diversos campos do conhecimento, inclusive no campo moral como pretendeu o filósofo Iluminista Kant.

Dessa forma, podemos dizer que a filosofia de Schopenhauer também é uma filosofia romântica, pois tais transformações culturais que se passavam na Europa naquele período também acabaram por influenciar nosso autor. É verdade que Schopenhauer também critica o sentimentalismo barato vindo do romantismo, contudo, não podemos negar que seu elogio aos místicos religiosos e aos ascetas das religiões ocidentais, justamente com sua perspectiva estética sobre a natureza são traços condizentes com o Romantismo. Se o movimento romântico alemão via nas obras de Fichte, Schelling e Hegel a estrutura da razão para formar a realidade sobre aspectos da intelectualidade, da sociedade e da historicidade, como um “Espírito do mundo”, de um “Eu absoluto” ou apenas um “Absoluto”, Schopenhauer mergulhava nas vias da intuição e do sentimento e via tão somente um mundo coberto por um grande véu chamado: Representação, em que do outro lado se encontrava seu oposto: Vontade. De acordo com Luís Dreher18 (2004, p. 122), Schopenhauer não teria sido apenas um crítico desses filósofos, mas teria desprezado completamente o otimismo e suas expectativas idealistas, pois em sua opinião eles não seriam filósofos, já que não conseguiram realizar nada autêntico em filosofia, ficando presos às amarras da vontade.

Schopenhauer tinha por esses três filósofos (Hegel, Fiche e Schelling) uma profunda depreciação, pois nadaram na Via Crúcis katinana da razão, sem ao menos darem o privilégio da obra ao autor (Kant), e de maneira ignóbil fundamentaram realidades sobre preceitos de Deus e Absoluto. Tais autores beberam na fonte da racionalidade que Kant havia impregnado e embriagado a todos desde a Crítica da razão pura (1781), mas não eram dignos da obra desse autor que teve seu grande mérito pela distinção de fenômeno e coisa em si, que foi tão decisiva em sua obra. Era preciso, na visão de Schopenhauer, abandonar o erro que Kant tinha cometido na Critica da razão prática (1788), criticando não somente os idealistas alemães como também o seu grande mentor.

4.Últimos anos de vida

Arthur Schopenhauer mudou-se de Berlim para Frankfurt-am-Main, em 1831, fugindo de uma epidemia de cólera e passou os últimos anos de sua vida em perfeito isolamento, tendo como amigo apenas seu cachorro poodle, a quem chamava de Atma19. Frankfurt era uma cidade totalmente livre “após o congresso de Viena, que estabeleceu a nova ordem europeia com o desdobramento do império francês napoleônico.” (SAFRANSKI, 2011, p. 521). Apesar de pequena, aos poucos iam surgindo fábricas ao redor da cidade, mas ainda sendo perfeitamente aceitáveis as opções que Schopenhauer buscara naquele período de sua vida, ou seja, viver de forma sedentária, escrevendo, lendo e apreciando os eventos culturais locais. Escreveu, em 1835, A vontade na Natureza e em 1851 seu último livro, Parerga e Paralipomena, que tratava de vários assuntos e alguns em forma de aforismos como é o caso do ensaio “A Sabedoria da Vida”. Morreu em 1860 de parada cardíaca e conforme um testamenteiro chamado Wilhelm Gwinner20 teria dito antes de morrer: “Seria para mim uma benção chegar ao Nada Absoluto, mas infelizmente, a morte não me abre essa perspectiva. Contudo, seja como for, gozo ao menos de uma ‘consciência intelectualmente limpa.” (SAFRANSKI, 2011, p. 646).

Certamente Schopenhauer foi singular em sua época e ainda continua sendo hoje, talvez esse seja um fato de que realmente gozou de uma “consciência intelectualmente limpa”. Entre o Tudo Absoluto e o “Nada Absoluto”, entre a vida e morte, existe sempre um grande enigma, e o que nos resta é o meio, a história. Contudo, não podemos menosprezar, reduzir a obra do nosso autor apenas pelos fatos históricos, mesmo que de alguma maneira ele tenha sido influenciado pelos acontecimentos. Schopenhauer, ao contrário de alguns contemporâneos de sua época, não trata a filosofia como fato histórico como, por exemplo, fez Hegel. Para Hegel a realidade é um vir-a-ser racional em um processo dialético em espiral. Assim, ele explica as causas das dores do mundo. Porém, para Schopenhauer, o mundo também o é muito mais que fenômenos explicados pelas causas, é Vontade, e essa vontade é sem causa, sem razão, sem fundamento, é alheia à racionalidade e a suas formas históricas, é uma dor que não cessa, pois faz parte da existência. Mas a mesma vontade da existência, por vezes, nega seu querer viver, retraindo a si mesma, tomando a consciência da própria dor em um ato de compaixão.

Referências Bibliográficas:

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ZIMMER, Heinrich. Filosofias da Índia. São Paulo: Palas Athena, 1986.

Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN); e-mail: tarcisio.tas@gmail.com

1 Ibid. p. 39.

2 Ibid. p. 60.

3 Ibid. p. 71.

4 Para maiores informações consultar: BARBEIRO, Heródoto. História Geral. São Paulo: Harper e Row do Brasil, 1984.

5 SAFRANSKI, Rüdiger. op. cit., p. 104.

6 Ibid. p. 189.

7 Ibid. p. 224.

8 Ibid. p. 268.

9 Ibid. p. 310, 311.

10 O 18 Brumário foi um golpe que aconteceu na França em 1799 representando o fim da revolução francesa e início da era napoleônica. No calendário gregoriano Brumário representa o mês de Novembro. Para maiores informações consultar: NERÉ, Jacques. História Contemporânea. São Paulo: Difel, 1975. p. 29-30. BARBEIRO, Heródoto. História Geral. São Paulo: Harper e Row do Brasil, 1984. p. 220-221.

11 SAFRANSKI op. cit., 2011. p. 568.

12 Ibid. p. 584.

13 A expressão “Véu de Maia” vem dos textos indianos dos hindus e tem como significado ocultar a realidade das coisas em sua essência. Schopenhauer faz uso do termo para designar a forma representativa do mundo submetida ao princípio de razão, donde ele esclarece: “Trata-se de MAIA, o véu da ilusão, que envolve os olhos dos mortais, deixando-lhes ver um mundo do qual não se pode falar que é nem que não é, pois assemelha-se ao sonho, ou ao reflexo do sol sobre a areia tomado a distância pelo andarilho como água, ou ao pedaço de corda no chão que ele toma como uma serpente.” (SCHOPENHAUER, 2005, p. 49).

14 O movimento Sturm und Drang foi originado pelo drama homônimo de Maximilian von Klinger (1752-1831) e publicado na Alemanha em 1776. Surgiu como forma do desrespeito de seus autores contra as explanações de predomínio empirista do Iluminismo. Buscava ir além da realidade e ao desconhecido irracional humano, como também se fazia valer do triunfo da fantasia associada ao ímpeto. BARBOSA, Jair. Schopenhauer: A decifração do enigma do mundo. São Paulo: Moderna, 1997.p. 15.

15 SAFRANSKI, op. cit., 2010. p. 24.

16 Trata-se de um movimento pré-romântico na Alemanha.

17 Sobre a filosofia Universitária é um dos ensaios da obra Parerga e Paralipomena escrito em 1851.

18 SILVA, João Carlos S. Pires da (org.). Schopenhauer e o idealismo alemão. Salvador: Quarteto, 2004. p.122.

19 Atma é um termo bhamânico que significa “Alma do Mundo”. DURANT, Will. A filosofia de Schopenhauer ao seu alcance. Rio de Janeiro: Tecnoprint Gráfica S. A. Editora, 1963. p. 10.

20 Wilhelm Gwinner, conforme algumas fontes, foi um discípulo amigo, testamenteiro e depois biógrafo de Schopenhauer, que acabou herdando sua biblioteca. Foi uma testemunha dos seus últimos momentos em vida. Gwinner é por muitos acusado de plágio, pois teria publicado anotações de um manuscrito perdido de Schopenahuer como se fosse de sua autoria. Muitos também duvidam da veracidade da biografia de Schopenhauer escrita por ele. Verificar em: MARQUES, Rodrigo Vieira. A arte de conhecer a si mesmo, publicado em O Popular em 03/08/10 e ZIMMEM, Helen. Arthur Schopenhauer, sua vida e sua filosofia. Acesso em: 04/08/13. Disponível em: http://en.wikisource.org/wiki/Arthur_Schopenhauer,_his_Life_and_Philosophy.


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