Review of nutritional screening methods



Baixar 87,22 Kb.
Encontro12.11.2017
Tamanho87,22 Kb.


Revisão sistemática de métodos de triagem nutricional para idosos brasileiros domiciliados
Systematic review of nutritional screening methods for Brazilian older people in domiciled
Título corrido: Métodos de triagem nutricional para idosos
RESUMO

Objetivo: Identificar método de triagem nutricional específico, para utilização em idosos brasileiros domiciliados. Método: Artigo de revisão sistemática utilizando as bases de dados “PubMed, LILACS e Web of Science”, para obtenção de artigos. Os critérios de elegibilidade foram: artigos sobre métodos de triagem nutricional para idosos. Os artigos foram lidos por avaliadores que selecionaram os métodos de triagem e classificaram, segundo evidência de dados de validade, reprodutibilidade e aceitabilidade. O programa EndNote foi utilizado para gerenciamento dos artigos. Resultados: Foram identificados 12 métodos de triagem nutricional, 3 desenvolvidos para população estadunidense e nenhum para população brasileira. Em 7 métodos o modo de preenchimento foi autorrespondido, sendo que 4 apresentavam dados antropométricos. A reprodutibilidade e validade foi identificada em 8 e em 1 método, respectivamente, contudo apenas o método Determine Your Nutritional Health® – DNH, apresentou dados de aceitabilidade, aspecto fundamental na escolha de método para adaptação e utilização em outro país. Conclusão: Dentre os métodos analisados DNH apresentou-se como o mais apropriado para adaptação transcultural e utilização em idosos brasileiros domiciliados.


Palavras-chave: avaliação nutricional, estado nutricional, idoso

ABSTRACT



Objective: To identify method of nutritional screening specifically, for use on domiciled older people in Brazil. Methods: Systematic review article using the databases of “PubMed, LILACS and Web of science”. The eligibility criteria were: article about nutritional screening methods for older adults. The articles were read by evaluators who selected the methods and classified, according to evidence of validity, reproducibility e acceptability. The EndNote software was used for management of the articles. Results: 12 methods of nutritional screening have been identified, three being developed for use in the US population (n=4) and none for the Brazilian population. In seven methods the fill mode was self-administered by older people, being that 4 presented anthropometric measures. Only one method showed information on acceptability. The reproducibility and validity was identified in 1 and 8 method, respectively, however only the Determine Your Nutritional Health® - DNH method presented acceptability data, a fundamental aspect in the choice for adaptation and use in another country. Conclusion: Among the methods studied the DNH was the most appropriate for cross-cultural adaptation and use on domiciled older people in Brazil.
Keywords: Nutritional assessment, Nutritional status, older adults
INTRODUÇÃO
Bem-estar nutricional é um componente da saúde e da qualidade de vida e da independência de idosos1. Estima-se que aproximadamente 75% dos idosos no mundo apresentam uma ou mais doenças que poderiam ser prevenidas ou controladas com alimentação adequada, que pelo menos 50% apresentam problemas de saúde que exigem intervenção nutricional e em torno de 20 a 40% estão em risco nutricional. A identificação da condição nutricional desse grupo pode ser uma alternativa para mudanças nesse cenário epidemiológico1,2.

Dentre os métodos que verificam risco nutricional, a triagem nutricional, por meio de questionários, constitui um método que pode ser utilizado em estudos de base populacional e clínicos por permitir reunir informações sobre condição de saúde, alimentação e nutrição de indivíduos3. Comparado a outros métodos como antropometria, bioimpedância elétrica, exames bioquímicos e absorciometria radiológica de dupla energia (DXA) esse método apresenta menor custo e tempo de realização, não é invasivo, fácil de ser administrado e pode ser utilizado por profissionais de saúde, desde que bem treinados 4.

A triagem nutricional pode ser um método adequado para uso em idosos domiciliados, atendidos pelos serviços de atenção básica, e para rastreamento daqueles que estão sob risco nutricional, possibilitando intervenção precoce5. Quando hospitalizados, os danos à saúde desse grupo populacional podem ser irreparáveis, tendo em vista que a má nutrição, especialmente a subnutrição, repercute em complicações e morbidades que podem comprometer o estado de saúde e levar o indivíduo idoso ao óbito6.

De acordo com Bonnie e Callen existem vários métodos de triagem nutricional disponíveis em outros países com diferenças culturais, regionais e étnicas que apresentam qualidades psicométricas (validade e reprodutibilidade) avaliadas e que propõem diferentes modos de identificação de risco nutricional7. Contudo, no Brasil, ainda não existem métodos dessa natureza desenvolvidos ou adaptados e validados para população idosa.



O presente estudo tem como objetivo identificar o método específico de triagem nutricional mais adequado para utilização em idosos domiciliados pelos profissionais de saúde, especialmente o nutricionista, no sentido de adaptá-lo posteriormente à realidade cultural brasileira.
MÉTODOS
Trata-se de estudo de revisão sistemática, adotando os critérios propostos por Egger et al.8 A etapa inicial consistiu na identificação de artigos publicados nas bases “LILACS, PubMed e Web of Science”, utilizando conjuntos de palavras-chave que permitiram a elaboração das estratégias de busca (Quadro 1).
INSERIR QUADRO 1
As palavras-chave foram estabelecidas com base nas referências bibliográficas de artigos relacionados como: i) ao assunto de interesse (métodos de triagem nutricional); ii) à população de estudo (idosos ≥ 60 anos, domiciliados); e iii) as propriedades psicométricas avaliadas (reprodutibilidade e validade).

Constituíram critérios de elegibilidade, artigos originais em língua portuguesa, inglesa ou espanhola, com informações sobre métodos de triagem nutricional para população idosa (≥ 60 anos).

Os resumos ou abstracts dos artigos identificados foram lidos por dois avaliadores, que selecionaram quais seriam os artigos a serem lidos na íntegra. A etapa seguinte foi realizada por três avaliadores que extraíram as informações desses artigos, relacionadas às características dos métodos, aos aspectos metodológicos e operacionais, bem como às propriedades psicométricas. A identificação, leitura e extração dos dados foram realizadas de modo independente, sem necessidade de consenso entre os avaliadores8.

Após essa etapa, as pesquisadoras responsáveis por este estudo avaliaram todas as informações extraídas pelos avaliadores e realizaram uma classificação geral desses métodos de triagem nutricional, quanto à evidência de dados de validade e reprodutibilidade, seus respectivos valores, bem como aceitabilidade e operacionalização dos mesmos. Foram considerados com alta (+++) evidência, àqueles que apresentavam todos esses dados e foram satisfatórios (coeficiente de correlação intraclasse - CCI > 0,75; sensibilidade e especificidade >80% e Kappa > 0,6) ; como moderada (++) àqueles que apresentavam todos esses dados, contudo com resultados inferiores aos considerados satisfatórios (CCI entre 0,40-0,75; sensibilidade e especificidade entre 50-80% e Kappa entre 0,4-0,6); baixa (+) quando apresentavam todos esses dados com valores insatisfatórios; e nenhuma (-), quando não apresentavam nenhuma evidência desses dados. Aqueles métodos de triagem nutricional, cujo a pontuação (+) foi > 12 pontos foram considerados, “muito bom”; entre 8 a 12 pontos, “Bom”; e quando < 8 pontos, “Ruim” 9.

Foi utilizado o programa EndNote10 para gerenciamento dos artigos encontrados e identificação de duplicatas.
RESULTADOS
Foram identificados 1.058 artigos (710, na base PubMed, 103, na LILACS e 245, na Web of Science). A partir da leitura dos resumos desses artigos, identificaram-se 55 métodos de triagem nutricional descritos na literatura, contudo apenas 12 eram específicos para idosos domiciliados (Figura 1).
INSERIR FIGURA 1
As características gerais e metodológicas incluindo os aspectos operacionais e as propriedades psicométricas dos métodos de triagem nutricional selecionados estão descritas no quadro 2 e a avaliação desses métodos estão apresentadas no quadro 3.
Métodos de triagem nutricional
Identificou-se 12 métodos de triagem nutricional11-22, para idosos (≥ 60 anos) domiciliados, sendo três para maiores de 55 anos16,21,22. Três desses métodos foram desenvolvidos em populações estadunidenses (3)13,16,18, os demais foram na África (n=1)19, na Austrália (n=1) 11, no Canadá (2) 21,22, na China (n=1) 12, na Escócia (n=1) 20, na Inglaterra (1)17, na Malásia (n=1)14 e na Noruega (n=1) 15. Não foi verificado nenhum questionário desenvolvido no Brasil (Quadro 2).

Grande parte dos métodos (N=7)11,12,14,15,18,21,22 são autorrespondidos por idosos, familiares ou cuidadores, sendo que nenhum deles foi desenvolvido para preenchimento com o uso de computadores. Dos métodos administrados por entrevista (N=5)13,16,17,19,20 todos foram realizados por profissionais de saúde (nutricionistas, médicos ou enfermeiros) (Quadro 2).


Características dos métodos e diagnóstico
Todos os métodos consideram como critério para a definição de risco nutricional a presença de pelo menos três fatores de risco como: a perda de peso não intencional ou a mudança recente no peso corporal; os aspectos relacionados à alimentação; e a presença de doenças que interferem na ingestão alimentar do idoso (Quadro 2).

A maioria dos métodos (N=7) 13,15,17,19,20,21,22 utiliza escore ou escala com valores diferentes, cuja soma resulta no valor final que classifica os indivíduos quanto ao risco nutricional. Quatro métodos11,12,16,18 utilizaram forma de resposta sim e não e em um método14 não apresentou com clareza a forma de resposta (Quadro 2).

Dos métodos analisados, cinco11,12,17,18,19 adotaram a seguinte classificação de risco nutricional: baixo risco (normal ou bem nutrido), risco nutricional moderado (risco de desnutrição ou de má nutrição) e risco nutricional alto (subnutrido), com diferentes valores de pontuação para cada classificação. Os demais utilizaram classificações diferenciadas (Quadro 2).

Dos métodos analisados, 2 incluem dados antropométricos como circunferência da panturrilha (CP)15 autorreferida e circunferência muscular do braço (CB)19 aferida por equipe treinada e 1 contempla um indicador nutricional, o índice de massa corporal -IMC (dados de peso e altura utilizados para o cálculo do IMC, foram aferidos por equipe treinada) 13, como parte da triagem nutricional, sendo que um método não ficou clara a inclusão desses dados14. Nos demais,11,12,16,17,18,20,21,22 os idosos referem ou preenchem a melhor resposta que condiz a sua situação (Quadro 2).


Características operacionais
O tempo médio de realização descrito para três métodos variou entre 4 a 10 minutos11,12,16,18. Treinamentos e orientações para o preenchimento foram descritos em seis métodos11,12,16,18,20,21. Não foi verificada a presença de manual para o entrevistador. O treinamento dos avaliadores envolvidos na coleta de dados foi mencionado em dois métodos11,12. De todos os métodos analisados apenas um18 incluiu planos e metas para intervenção nutricional (dados não apresentados).

Aceitabilidade


Dos métodos analisados, apenas um18 apresentou informações sobre aceitabilidade, sendo destacado como bem aceito e de fácil compreensão pelos indivíduos avaliados (dados não apresentados).
Reprodutibilidade
Oito métodos de triagem nutricional12,13,15,16,18,20,21,22 apresentaram análise de reprodutibilidade (teste-reteste). O tamanho da amostra para a análise de reprodutibilidade nos estudos variou de 15 a 657 indivíduos. O intervalo de tempo entre as realizações dos métodos (teste-reteste) foi apresentado em três métodos e variou de 1 a 4 semanas12,16,18 (Quadro 2).

Observou-se que os métodos utilizaram diferentes testes estatísticos para análise de reprodutibilidade, a saber: CCI e Kappa. Sete métodos12,15,16,18,20,21,22 utilizaram o CCI e identificaram valores variando entre 0,44 a 0,83 e dois métodos utilizaram o Kappa13,20 apresentando resultados variando entre 0,77 a 0,96 (Quadro 2).


Validade
Apenas um método de triagem nutricional13 realizou a análise de validade com o teste estatístico adequado para essa análise, utilizando a análise discriminante stepwise obtendo como resultado valor de p <0,0001 (Quadro 2).

Seis métodos11,14,18,19,21,22 utilizaram valores de sensibilidade e de especificidade variando entre 32% a 94% e 46% a 95%, respectivamente, como análise de validação, contudo essa análise não é considerada como “adequada” para validar um método, mas sim para propor valores de referência (Quadro 2).

A antropometria foi adotada como medida padrão-ouro (critério ou objetiva) para comparação em todos os métodos de triagem nutricional. Outras medidas critério foram utilizadas nos estudos como Mini avaliação nutricional (MAN), Mini avaliação nutricional versão reduzida (MAN-SF), exames bioquímicos e ingestão alimentar (dados não apresentados).
INSERIR QUADRO 2
Avaliação dos métodos de triagem nutricional
Pelos resultados da avaliação dos 12 métodos selecionados apenas 1 (Mini Nutritional Assessment Short Form - MNA-SF) foi considerado como “muito bom”, 4 (Chinese Nutrition Screening – CNS, Determine Your Nutritional Health - DNH, Seniors in the Community: Risk Evaluation for Eating and Nutrition II - SCREEN II e Nutrition Screening Toll - NST) foram classificados como “bom”, e os demais como “ruim”, portanto, foram excluídos da análise. Dentre os considerados como “muito bom e bom”, apesar de alguns apresentarem melhores pontuações quanto as suas propriedades psicométricas, optou-se pelo método DNH, por apresentar maior aceitabilidade, em relação aos demais (Quadro 3).
INSERIR QUADRO 3
DISCUSSÃO
O presente estudo, por meio de revisão, apresenta e discute características de 12 métodos que permitem identificar risco nutricional em idosos domiciliados. Grande parte dos métodos foi desenvolvido para uso em populações estadunidense, inglesa e canadense, sendo que não foi identificado nenhum específico para idosos brasileiros. Os métodos foram, em sua maioria, autorrespondidos pelos idosos e contemplam questões sobre alimentação, perda de peso não intencional, presença de doença, condições neuropsicológicos, problemas bucais, uso de medicamentos, referência de saúde e dificuldades para mastigação e para desempenhar atividades básicas e instrumentais, além de medidas antropométricas.

Identificar um método para triagem nutricional de idosos em nível populacional constitui tarefa desafiadora. Envolve a avaliação de suas propriedades psicométricas, o grupo populacional para o qual foi desenvolvido, aspectos operacionais, características do método e informações que podem ser derivadas dos dados. Ressalta-se ainda que, apesar dos métodos apresentarem valores de reprodutibilidade e validade, estas devem ser avaliadas a cada nova utilização em outro local e grupo a ser estudado23.

Discutem-se, também, conceitos envolvidos na avaliação das propriedades psicométricas dos métodos identificados, reforçando aspectos metodológicos importantes relativos aos testes estatísticos para avaliação de reprodutibilidade, intervalo de tempo entre as realizações do método e as opções de medidas padrão ouro (critério ou objetiva) de risco nutricional para avaliação de validade24.

De todos os aspectos citados, três são fundamentais e devem ser considerados na escolha de um método para identificação de risco nutricional. O primeiro é a sua operacionalização, o segundo sua aceitabilidade e o terceiro refere-se às propriedades psicométricas. Alguns estudos destacam a importância de escolher um método que apresente excelentes propriedades psicométricas.

Entretanto, outros estudos ressaltam a necessidade de não somente escolher um método por sua qualidade psicométrica, mas consideram até mesmo mais relevante a aceitabilidade e operacionalização do mesmo24,26. Cabe ressaltar que cada região deve escolher aquele que atenda melhor à sua necessidade na prática clínica ou em estudos epidemiológicos25. Considerando a realidade brasileira, com diferenças de etnia, de cultura, de região, de renda, de escolaridade, de condições de vida, de saúde e de alimentação, é essencial optar por um método que atenda todos esses quesitos, especialmente os de aceitabilidade e de operacionalização.

Neste estudo, dentre os métodos classificados como “muito bom” (MNA-SF) e “bom” (CNS, DNH, SCREEN II e NST) apesar da MNA-SF e do SCREEN II apresentarem melhores pontuações quanto às propriedades psicométricas, no quesito aceitabilidade e operacionalização, esses métodos, assim como a CNS e a NST, não apresentaram resultados satisfatórios ou suficientes para escolhê-los, diferentemente do DNH.

Destaca-se ainda que o método (MNA-SF) utiliza variáveis antropométricas, como peso e altura (para cálculo do índice de massa corporal – IMC) e circunferência da panturrilha que podem constituir limitações25,27. Uma das limitações refere-se à necessidade de treinamento prévio da equipe, para que não haja erros de medida e/ou interpretação dos dados e, a outra, está relacionada à execução das mensurações dessas variáveis, que necessitam de maior tempo para realização, além do custo, mesmo que considerado baixo, muitos serviços de atenção básica não dispõem dos equipamentos para realização dessas mensurações25.

Baseado nessas considerações, constatou-se que a DNH pode ser o método mais indicado para triagem nutricional de idosos domiciliados para adaptação transcultural e uso no Brasil. Tal indicação pode ser explicada, tendo em vista que esse método apesar de apresentar resultados razoáveis quanto às propriedades psicométricas, foi o método que apresentou melhor pontuação quanto ao quesito aceitabilidade e operacionalização18,28.

O método DNH foi desenvolvido e validado nos Estados Unidos18,28 e utilizado para validação em outros países como na Austrália11 e na Inglaterra29. Esse método é baseado em 10 questões autorrespondidas com enunciados afirmativos, não necessita de equipamentos ou treinamentos específicos para mensurações corporais, é acessível, bem compreendido pelos idosos, de fácil utilização, constituindo método prático, barato e exequível em nível populacional18,28.

Dentre as limitações presentes nos métodos avaliados, duas foram destacadas neste estudo. A primeira é que poucos estudos apresentam informações sobre aos aspectos operacionais como: i) duração total da entrevista; ii) treinamento e orientações para preenchimento do método pelos idosos; iii) manual de orientações para o entrevistador realizar a entrevista; e iv) planos e metas para intervenção nutricional, visto que, a duração da entrevista é uma informação essencial que permite estabelecer a relação de custo-efetividade; o treinamento prévio para os idosos que serão avaliados é importante, pois permite reforçar conceitos relacionados à alimentação e nutrição; a existência de manual está relacionada à homogeneização dos procedimentos para a realização da entrevista, favorecendo a minimização de erros sistemáticos30; e os planos e metas de intervenção são fundamentais para assegurar a orientação necessária para tratamento ou prevenção de indivíduos em risco nutricional31.

A segunda refere-se aos problemas em relação à falta de descrição com clareza do tipo de teste que foi realizado para validade e reprodutibilidade, assim como, não há um padrão-ouro para avaliar o risco nutricional, tornando difícil analisar a validade dos métodos. Estudos sugerem que a validade do método deve ser analisada de acordo com o uso a que se destina3,9. Ressalta-se, ainda, que alguns estudos testaram a validade do método na mesma amostra populacional na qual foi desenvolvido o método, influenciando o processo de validação25.

Mesmo diante dessas limitações esta revisão da literatura é relevante, tendo em vista que não existem estudos brasileiros dessa natureza, e pemite identificar um método de triagem nutricional, a DNH, que pode ser adaptado para o Brasil, para utilização por profissionais de saúde, em idosos domiciliados.



A adaptação transcultural do método DNH para população idosa brasileira domiciliada preencherá uma lacuna para estudos epidemiológicos e clínicos, tendo em vista que até o momento, não existem métodos de triagem nutricional, desenvolvidos ou adaptados, para esse grupo. O método DNH a partir de todas as características apresentadas pode desempenhar de forma adequada a função de identificar, precocemente, a condição nutricional de um indivíduo e detectar a necessidade de realizar uma avaliação nutricional de forma mais completa e detalhada.
CONCLUSÃO
Dentre os métodos de triagem nutricional identificados no presente estudo concluiu-se que a DETERMINE YOUR NUTRITIONAL HEALTH (DNH)® poderia constituir um método adequado para ser utilizado na população idosa brasileira domiciliada, desde que o mesmo passe por processo de adaptação transcultural e avaliação das propriedades psicométricas.
REFERÊNCIAS


  1. Farrer K, Donaldson E, Blackett B, Lloyd H, Forde C, Melia D, et al. Nutritional screening of elderly patients: a health improvement approach to practice. J Hum Nutr Diet. 2014; 27(2):184-91.

  2. WHO – World Health Organization. World health statistics 2015. Disponível em: . Acesso em: 29 abr. 2015.

  3. Green SM, Watson R. Nutritional screening and assessment tools for use by nurses: literature review. J Adv Nurs. 2005;50(1):69-83.

  4. Young AM, Kidston S, Banks MD, Mudge AM, Isenring EA. Malnutrition screening tools: comparison against two validated nutrition assessment methods in older medical inpatients. Nutrition. 2013;29(1):101-6.

  5. Volkert D, Saeglitz C, Gueldenzoph H, Sieber CC, Stehle P. Undiagnosed malnutrition and nutrition-related problems in geriatric patients. J Nutr Health Aging. 2010;14(5):387-92.

  6. Eide HD, Halvorsen K, Almendingen K. Barriers to nutritional care for the undernourished hospitalised elderly: perspectives of nurses. J Clin Nurs. 2015;24(5-6):696-706.

  7. Bonnie L. Callen RN. Nutritional screening in community dwelling older adults. International Journal of Older People Nursing, 2011;6 (4):272–281.

  8. Egger M, Smith GD, Altman DG. Systematic reviews in health care: meta-analysis in context. London: BMJ Books, 1995.

  9. Phillips MB, Foley AL, Barnard R, Isenring EA, Miller MD. Nutritional screening in community-dwelling older adults: a systematic literature review. Asia Pac J Clin Nutr. 2010;19(3):440-9.

  10. EndNote. [computer program]. Version 11.01. Stamford (CT): The Thomson Corporation, 2007.

  11. Cobiac L, Syrette J. What is the nutritional status of older Australians? Proc Nutr Soc Aust. 1995;19:139-45

  12. Woo J et al. Development of the Chinese nutrition screen (CNS) for use in institutional settings. J Nutr Health Aging. 2005;9(4):203-10.

  13. Rubenstien L, Harker J, Salva A, Guigoz Y, Vellas B. Screening for undernutrition in geriatric practice: developing the short-form Mini Nutritional Assessment (MNA-SF). J Gerontol. 2001;56(6):366-72.

  14. Shahar S, Dixon R, Earland J. Development of a screening tool for detecting undernutrition and dietary inadequacy among rural elderly in Malaysia: simple indices to identify individuals at high risk. Int J Food Sci Nutr. 1999;50:435-44.

  15. Söderhamn U, Dale B, Sundsli K, Tomstad ST, Söderhamn O.Psychometric testing of the Norwegian version of the Nutritional Form For the Elderly among older home-dwelling people. J Multidiscip Healthc. 2012;5:121-8.

  16. Wolinsky FD, Coe RM, McIntosh WA, Kubena KS, Prendergast JM, Chavez MN, et al. Progress in the development of a nutritional risk index. J Nutr. 1990;120 (Supl 11):1549-53.

  17. Wrigh L. A nutritional screening tool for use by nurses in residential and nursing homes for elderly people: development and pilot study results. Journal of Human Nutrition and Dietetics. 1999;12(5):437–43.

  18. Sahyoun NRJacques PFDallal GERussell RM. Nutrition Screening Initiative Checklist may be a better awareness/educational tool than a screening one. J Am Diet Assoc. 1997;97(7):760-4.

  19. Charlton K, Kolbe-Alexander T, Nel J. Development of a novel nutrition screening tool for use in elderly South Africans. Public Health Nutr. 2005;8:468-79.

  20. Mackintosh MA, Hankey CR. Reliability of a nutrition screening tool for use in elderly day hospitals. J Hum Nutr Diet. 2001;14(2):129-36.

  21. Keller H, Hedley M, Brownlee S. The development of seniors in the community: risk evaluation for eating and nutrition (SCREEN). Can J Diet Pract Res. 2000;61:67-72.

  22. Keller H, Goy R, Kane S. Validity and reliability of SCREEN II (seniors in the community: risk evaluation for eating and nutrition, Version II). Eur J Clin Nutr. 2005;59:1149-57.

  23. Poulia KA, Coe RM, McIntosh WA, Kubena KS, Prendergast JM, Chavez MN, et al. Evaluation of the efficacy of six nutritional screening tools to predict malnutrition in the elderly. Clin Nutr 2012;31:378-85.

  24. Isenring EA, Banks M, Ferguson M, Bauer JD. Beyond malnutrition screening: appropriate methods to guide nutrition care for aged care residents. J Acad Nutr Diet. 2012;112(3):376-81.

  25. Green SM, Watson R. Nutritional screening and assessment tools for older adults: literature review. J Adv Nurs. 2006;54(4):477-90.

  26. Isenring EA, Bauer JD, Banks M, Gaskill D. The Malnutrition Screening Tool is a useful tool for identifying malnutrition risk in residential aged care. J Hum Nutr Diet. 2009;22(6):545-50.

  27. Winter J, Flanagan D, McNaughton SA, Nowson C.J. Nutrition screening of older people in a community general practice, using the MNA-SF. Nutr Health Aging. 2013;17(4):322-5.

  28. American Academy of Family Physicians. The American Dietetic Association. National Council on the Aging Inc. Incorporating Nutrition Screening and Interventions into Medical Practice. The Nutrition Screening Initiative; 1994.

  29. Posner B, Jette A, Smith K, Miller D. Nutrition and Health Risks in the Elderly: The Nutrition Screening Initiative. Am J Public Health. 1993;83:972-8.

  30. Visvanathan R, Newbury J, Chapman I. Malnutrition in older people: screening and management strategies. Aust Fam Physician. 2004;33:799-805.

  31. Omidvari AH, Vali Y, Murray SM, Wonderling D, Rashidian A. Nutritional screening for improving professional practice for patient outcomes in hospital and primary care settings. Cochrane Database Syst Rev. 2013; 6(6):1-32.

  32. Whiting PRutjes AWReitsma JBBossuyt PMKleijnen J. The development of QUADAS: a tool for the quality assessment of studies of diagnostic accuracy included in systematic reviews. BMC Med Res Methodol. 2003;10?;3(25):1-13.

  33. Atallah AN, Puchnick A, Wu D, Shigueoka DC, Santos GMS, Lemos Júnior HP et al. Remarks about systematic reviews of diagnostic tests. Sao Paulo Med. J. 2012;130(5):279-281. 




©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal