Regeane Lucimara Gelinski



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Encontro07.11.2018
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Discente: Regeane Lucimara Gelinski1

A análise de discurso é caracterizado como uma proposta de reflexão sobre a linguagem, sujeito, história e a ideologia. Orlandi (2009 p. 15) diz: “A análise de discurso como seu proprio nome indica, não trata da lingua, não trata da gramática embora todas essas coisas lhe interessem”. Ou seja o discurso não trata somente da lingua ou da gramática, trata do uso que os sujeitos fazem dela para se expressarem.

A diferença entre a análise do discurso e a análise do conteúdo e que a análise doconteúdo procura extrair sentidos ao texto já a análise do discurso considera que a linguagem não é transparente e vê o texto tendo uma materialidade simbólica própria e significativa e uma espessura semântica não levada em conta somente o texto para compreender e dar significados a ele e modo fechado. Podemos dizer então que o discurso são palavras em movimento, prática de linguagem. Os sujeitos nada mais são que os produtores desse discurso inscritos pela exterioridade, tratando do contexto imediato ou amplo, levando sempre em consideração o momento histórico que se estava vivendo na época da produção.A memória é o que sustenta os dizeres , tudo o que se diz já foi dito antes. Segundo ORLANDI (2009 p. 32) “O fato de que de há um já-dito que sustenta a possibilidade de mesma do dizer, é fundamental para se compreender o funcionamento do discurso e sua relação com os sujeitos e com a ideologia”.

São consideradas então as condições de produção de um determinado discurso que compreendem os sujeitos, a situação e a memória.

Falando em Paráfrase e Polissemia ORLANDI (2009 p.36) diz:
[...] Os processos paráfrasticos são aqueles pelos quais em todo dizer há sempre algo que se mantém, isto é, o dizivél, a memória. A paráfrase representa assim o retorno aos mesmos espaços do dizer. Diz ainda [...] Ao passo que , na polissemia, o que temos é deslocamento, rupturas de processo de significação. Ela joga com o equivoco. [...] E é nesse jogo entre paráfrase e polissemia, entre o mesmo e o diferente, entre jádito e o a se dizer que os sujeitos e os sentidos se movimentam, fazem seus percusos (se) significam.

A difrença então entre Paráfrase e Polissemia é que a primeira é aquilo que se mantém nos dizeres, e Polissemia é a ruptura. Logo temos as contradições existentes nos dizeres de um mesmo sujeito ajudam-nos a compreender muito da situação e da ideologia desses sujeitos, uma vez que sem essas transformações não haveria o movimento dos sentidos, nem a particularidade dos sujeitos.

Nem os sujeitos, nem os sentidos nem os discurso já estão prontos e acabados estão sempre se fazendo, estão sempre em movimento na tensão entre paráfrase e polissemia. E essa incompletudo é que condiciona a linguagem e cria os diferentes sentidos de um discurso. Conforme diz ORLANDI (2009, p. 37) “Daí dizermos que os sentidos e os sujeitos sempre podem ser outros.”

O material para a análise fala sobre o compartilhamento de vídeos íntimos que vão parar na internet, como o que segue abaixo.



Fonte: http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/prefeitura-lanca-campanha-contra-compartilhamento-de-imagens-intimas-na-internet/36961

Compartilhar vídeos íntimos na internet é considerado crime e sugere uma denúncia. O alerta é tema da nova campanha de conscientização da Prefeitura de Curitiba, lançada na quinta-feira 09/07/2015 nas mídias sociais. Com o seguinte tema “Se não é pra você, é melhor nem ver”, a campanha pretende contribuir para barrar o avanço da violência contra as pessoas que tem vídeos íntimos circulando na internet. contra as mulheres – principais vítimas da chamada “pornografia de vingança.

Batizada de “As mulheres incompartilháveis”, a campanha é uma iniciativa das secretarias municipais da Mulher e da Comunicação Social. A ideia é que o conteúdo seja compartilhado por um grande número de pessoas, chamando a atenção para o drama vivido por milhões de pessoas no mundo todo, na maioria dos casos mulheres, que são vítimas da “pornografia de vingança” – a exposição de sua privacidade na internet, sem seu consentimento e em retaliação pelo fim de um relacionamento amoroso.

A campanha alerta que, além do autor das imagens, pessoas que compartilham essas peças também podem ser responsabilizadas pela prática da pornografia de vingança “As pessoas em geral acham que se um vídeo dessa natureza chegou até elas é porque é de domínio público, e não é assim”, completa a mensagem relacionada a campanha. As peças que foram criadas exclusivamente para o WhatsApp são provocativas, servem para alertar e diminuir o compartilhamento dos vídeos íntimos sem autorização das vítimas da pornografia de vingança, vingança essa que ocorre com os fins de relacionamentos onde um se acha no direito de expor a vida do outro.

A mensagem passada é bastante clara: de que o nosso corpo não nos pertence e quem determina o que faz e como faz são eles e não elas, critica a secretária nacional. “É muito importante e também necessário esse alerta e essa conscientização promovidos pela Prefeitura de Curitiba. Mais uma vez, Curitiba protagoniza uma ação efetiva de enfrentamento da violência contra as mulheres e reforça o compromisso de tolerância zero para essa questão”.

Em 2005, fotos da jornalista de Maringá Rose Leonel foram parar em sites internacionais de prostituição, por vingança do ex-noivo. Informações e contatos pessoais, número de telefone celular, do trabalho, de familiares e o endereço residencial dela foram publicados junto com a falsa divulgação de serviços sexuais e, de uma hora para outra, a vida de Rose foi virada do avesso. O caso motivou discussões no Congresso Nacional. Outro episódio muito conhecido foi o da invasão do computador da atriz Carolina Dieckmann. Tanto que a lei que pune crimes de informática (12.737/2012) ganhou popularmente o nome da atriz. Casos assim que sustentam esses dizeres, faz funcionar determinados efeitos de sentidos.

Com relação a essa questão, a pesquisa tem como objetivo compreender como os efeitos de sentidos se constituem na campanha sobre compartilhamento de vídeos íntimos, produzindo diferentes efeitos de sentidos relacionados e ao homem. Assim, formulamos a seguinte problematização: como e de que modo a mulher e o homem se significam nesse espaço de dizer sobre o vazamento de vídeos íntimos?




1 Acadêmica do Curso de Letras da Universidade do Estado de Mato Grosso, Núcleo Pedagógico de Tapurah/MT.


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