Reforma Protestante e Contrarreforma Reforma Protestante



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Reforma Protestante e Contrarreforma



Reforma Protestante: Ocorrida no mesmo período histórico do renascimento, a Reforma Protestante foi a grande transformação religiosa da época moderna, pois, além de romper a unidade do cristianismo no ocidente, propôs grandes mudanças na estrutura da Igreja Católica e na doutrina de salvação. Não foi um movimento homogêneo (igual), uma vez que em cada região assumiu características especificas.

Antecedentes

O desenvolvimento comercial e urbano criou uma nova realidade econômica caracterizada pela acumulação de capital (dinheiro e lucros). Isso não era aceito pela igreja, que condenava os lucros e os juros. Assim, surgiam fortes oposições á igreja dentre os grupos mercantis de varias regiões da Europa.

Ao mesmo tempo, a crise do feudalismo gerou grandes tensões e conflitos sociais, como as revoltas camponesas. Esses conflitos envolviam a igreja, pois ela era responsável por justificar ideologicamente a ordem social em crise.

Os camponeses viam a Igreja como uma instituição opressora em termos econômicos e religiosos. Além disso, as monarquias nacionais tinham interesses em reduzir o poder da igreja católica, grande detentora de terras e poder no período medieval.

As mudanças sociais, econômicas e politicas criaram o ambiente ideal para a reforma, mas a questão central foi o descompasso entre as necessidades espirituais dos fieis, e a atuação hierárquica católica.

Com o aperfeiçoamento da imprensa, multiplicaram-se as edições da bíblia. Dessa maneira, a circulação e a propagação de ideais ampliaram a consciência religiosa dos fieis, suas exigências em relação ao clero e seu poder de critica.

O baixo clero, sem formação adequada, cometia atos profundamente anticristão, como cobrar o batismo e a confissão. E até papas não tinham uma conduta moral adequada: Júlio II promovia guerras, e Alexandre IV, ficou famoso pela corrupção, pelo luxo e pela quebra do celibato.

A venda de sacramentos e indulgencias foi a gota d´água para a eclosão da reforma. O papa Leão X vendeu o perdão a banqueiros para terminar a construção da basílica de são Pedro. Isso gerou as primeiras manifestações do monge Martinho Lutero, que se tornou o mais marcante reformista.



Correntes Protestantes

Luteranismo: Em 1517, revoltado com a venda de indulgências, Lutero (um monde professor de teologia) fixou na porta da catedral de Wittenberg um panfleto com 95 teses, em que denunciava os abusos da igreja e proclamava suas discordâncias em relação á orientação do papado.

Recusando-se a se retratar, foi excomungado em 1520. Condenado também na Dieta de Worms pelos partidários do imperador Carlos V, do Sacro Império (reino germânico), refugiou-se no castelo de Watburg com apoio de alguns príncipes, onde escreveu panfletos e traduziu a Bíblia para o alemão.

As ideias de Lutero foram amplamente aceitas pelos príncipes germânicos, que estavam ansiosos em se libertar das influencias do papa e do imperador, e se aproveitaram para confiscar as terras da igreja em seus domínios.

Em meio a crise, a pequena nobreza realizou tentativas de unificar o poder em algumas regiões do Sacro Império, gerando uma grande instabilidade. Em 1555, a questão foi finalmente resolvida pela Paz de Augsburgo: cada príncipe decidiria que religião adotar em seus domínios.

Em resumo, são estes os princípios da nova religião:


  • A salvação só é alcançada pela fé em Jesus Cristo e não pelas ações dos indivíduos nem pela mediação dos santos.

  • A relação entre fiel e Deus é direta, sem a intermediação de sacerdotes. Os pastores exercem um simples serviço para a comunidade.

  • Cada pessoa pode ler e interpretar a Bíblia, porque com fé toda interpretação é verdadeira.

  • A bíblia é a única fonte de fé e da palavra de deus. Por isso, também é o único objeto sagrado.

  • Manutenção de apenas dois sacramentos: o batismo e a eucaristia.

Calvinismo: O protestantismo foi adotado em outras partes da Europa com algumas variações. Por volta de 1534, as ideias de Lutero foram assimiladas pelo francês João Calvino, que lhes conferiu uma moral mais rígida e um culto ainda mais simples. Nada de imagens nas igrejas ou sacerdotes enfeitados, apenas a bíblia e o fiel orando a Deus. Para Calvino, a salvação não depende dos fieis, mas de deus, que escolhe previamente as pessoas que devem ser salvas. Estava criada a doutrina da predestinação.

O fiel calvinista deveria dedicar-se ao trabalho e á família e precisava levar uma vida simples e sem luxo para que pudesse receber o sinal da predestinação, ou seja, nada menos do que o enriquecimento material. Dessa maneira, o calvinismo atendia ás demandas da burguesia, já que estimulava o enriquecimento e a acumulação de capital.

Perseguido por suas ideias, Calvino retirou-se para Genebra, Suíça, onde sua pregação foi rapidamente aceita. Logo o calvinismo foi adotado também na Inglaterra, na Escócia, na Holanda e na própria França.

Anglicanismo: Na Inglaterra, o rei Henrique VIII queria divorciar-se de Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena, pois Catarina não tinha dado um filho homem que seria herdeiro do trono. O papa, porém era contrario a esse plano, já que Catarina era herdeira do trono espanhol, país esse aliado principal da Igreja Católica.

Essa divergência levou o rei a romper com o papado e fundar uma nova Igreja. No entanto, Henrique foi movido também por motivos políticos – escapar do controle do papa e submeter a igreja ao Estado, além de tomar os bens da igreja.

Em 1534, pelo Ato de Supremacia, Henrique criou uma igreja nacional, da qual passou a ser o chefe, mas sem mudar o culto. Contudo, a reforma Anglicana só foi concluída por Elizabeth I, que adotou parte da doutrina calvinista, conservando, porem a hierarquia episcopal e parte do cerimonial católico.

Anabatismo: Influenciado pelas ideias de Lutero, um seguidor dele, chamado Thomas Müntzer, liderou um movimento reformista camponês, também conhecido na época como “reforma radical anabatista”, já que a nobreza germânica não aceitava contestações econômicas e sociais.

Os anabatistas defendiam um cristianismo primitivo, além de negar a autoridade da igreja, questionavam a propriedade privada. Lutero não apoiou o movimento por estar ligado aos interesses dos príncipes germânicos e acreditar na sociedade estamental (dividida em classes sociais desiguais e sem mobilidade econômica) criada pela igreja na Idade Media. Ordenou o massacre aos anabatistas porque temia o caos social.



A Contrarreforma

A reação da Igreja Católica ao protestantismo ficou conhecida como contrarreforma. Em 1534, foi criada a Companhia de Jesus que, liderada por Inácio de Loyola, tinha como objetivo combater a expansão das novas religiões, por isso os jesuítas são conhecidos como os soldados de Cristo.

Ao lado da Companhia de Jesus, a reativação do tribunal do santo oficio foi outra estratégia importante para o controle e manutenção dos fieis católicos. Esses tribunais julgavam e puniam tudo o que consideravam desvios dos dogmas católicos e conseguissem impedir a expansão do protestantismo na península ibérica.

Entre 1543 e 1565, realizou-se o Concilio de Trento, com representantes da Igreja Católica de toda Europa, Dele surgia a Igreja Reformada. A autoridade do papa foi fortalecida, juntamente com os dogmas. Restabeleceu-se a disciplina e fixou-se, uma idade mínima para as funções eclesiásticas. Foram criados, também, os seminários, destinados a dar formação adequada aos padres. Para os fieis, foi instituído um catecismo, com o resumo da doutrina, e um missal, com oração e leituras bíblicas. As medidas de combate ao protestantismo estavam divididas em três frentes:



  • Recuperação das áreas que estavam sob influência da Reforma Protestante por meio da formação de novas gerações de católicos.

  • Difusão do catolicismo em povos não cristãos por meio da catequese (ex: os índios das Américas)

  • Manutenção dos tribunais de Inquisição e do index (livros proibidos e censurados pela igreja)

Portanto, a Igreja Católica não modificou seus dogmas e manteve o seu conservadorismo. Uma prova disso foi à manutenção das missas em latim. A Europa ficou, após todo esse processo, dividida entre catolicismo e o protestantismo. Houve vários momentos de tensões religiosas e lutas.


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