Área 5 – economia política, metodologia e história econômica do nordeste ciência econômica: do método reducionista à abordagem da complexidade joão Victor Souza da Silva



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ÁREA 5 – ECONOMIA POLÍTICA, METODOLOGIA E HISTÓRIA ECONÔMICA DO NORDESTE
CIÊNCIA ECONÔMICA: DO MÉTODO REDUCIONISTA À ABORDAGEM DA COMPLEXIDADE
João Victor Souza da Silva

Graduado em Ciências econômicas (UFPI)

Mestrando do programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento (PPGE&D) da Universidade Federal de Santa Maria

victorssou@gmail.com

Rua Marechal Floriano Peixoto, nº1750, 5º andar, Santa Maria/RS (Prédio de apoio didático e comunitário).

Fonte: 55 32209216


Gilberto de Oliveira Veloso

Doutor em Economia (UFRGS)

Professor do Programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento (PPGE&D) da Universidade Federal de Santa Maria

gilbertovel@gmail.com

Rua Marechal Floriano Peixoto, nº1750, 5º andar, Santa Maria/RS (Prédio de apoio didático e comunitário).

Fone: 55 32209216


Felipe Orsolin Teixeira

Graduado em Ciências Econômicas (UEPG)

Mestrando do programa de Pós-Graduação em Economia e Desenvolvimento (PPGE&D) da Universidade Federal de Santa Maria

E-mail: felipe.orsolin@gmail.com

Rua Marechal Floriano Peixoto, nº1750, 5º andar, Santa Maria/RS (Prédio de apoio didático e comunitário).

Fone: 55 32209216



ÁREA 5 – ECONOMIA POLÍTICA, METODOLOGIA E HISTÓRIA ECONÔMICA DO NORDESTE
CIÊNCIA ECONÔMICA: DO MÉTODO REDUCIONISTA À ABORDAGEM DA COMPLEXIDADE
RESUMO

A ciência moderna desenvolvida por Newton revolucionou os métodos tradicionais de compreensão dos fenômenos da realidade. A capacidade de simplificação de fenômenos complexos por meio de leis gerais disseminou seu método científico para demais campos de investigação em ciências naturais e da sociedade. A incapacidade demonstrada de explicação de fenômenos em equilíbrio e difícil demarcação de situações individuais, instigou o desenvolvimento da abordagem da complexidade. A perspectiva da complexidade compreende os efeitos imprevisíveis da interação entre elementos individuais em conformação de estruturas interseccionadas, em processos de auto-organização e emergência. A Ciência Econômica tradicional, positiva, negligenciou os estudos clássicos sobre a interação entre os elementos e estruturas da sociedade e formalizou-se matematicamente e dedutivamente conforme a base da mecânica newtoniana. Este trabalho busca explicitar as características da complexidade em Economia como alternativa para compreensão dos fenômenos da realidade, assim como resgatar elementos de complexidade presentes nas teorias econômicas negligenciadas pela corrente mainstream.


Palavras-Chave: Ciência moderna; reducionismo; Escola Neoclássica; complexidade; complexidade econômica
ABSTRACT

The modern science developed by Newton revolutionized the traditional methods of understanding the phenomena of reality. The ability to simplify complex phenomena by means of general laws has disseminated its scientific method to other fields of research in natural sciences and society. The demonstrated inability to explain phenomena in equilibrium and difficult demarcation of individual situations instigated the development of the complexity approach. The perspective of complexity comprises the unpredictable effects of the interaction between individual elements in conformation of intersected structures, in processes of self-organization and emergence. Traditional, positive economic science neglected classical studies on the interaction between the elements and structures of society and was formally mathematically and deductively formalized on the basis of Newtonian mechanics. This work seeks to explain the complexity characteristics in Economics as an alternative to understand the phenomena of reality, as well as to rescue elements of complexity present in the economic theories neglected by the mainstream.


Key-words: Modern Science; Reducionism; Complexity; Complexity Economics

Código JEL: B40; B41; B10

INTRODUÇÃO
A compreensão do método é fundamental para perceber as limitações e ambições da perspectiva científica adotada para o estudo dos complexos fenômenos da realidade. Toda teoria representa em si uma abstração, simples e limitada em essência, o que implica incapacidade de provisão de respostas plenas às diferentes dúvidas extraídas do mundo. A revolução da ciência moderna propiciada por Newton e Descartes nos séculos XVI e XVII propiciou a apreensão dos fenômenos da natureza em suas regularidades, por meio da simplificação dos elementos individuais e aplicação de métodos dedutivos de construção do conhecimento.

O método reducionista e generalista, estabelecido por leis dedutivas gerais, propagou-se por demais campos de investigação, nas ciências da vida e da sociedade, pela facilidade de provimento de previsões e objetivação dos fenômenos complexos da realidade (PRADO, 2011). A interação entre os distintos elementos da realidade foi simplificada em relações lineares de causa e efeito e os padrões, universalizados.

A Economia, comprometida com a compreensão dos aspectos de natureza produtiva e comercial, incorporou o reducionismo e positivismo em sua proposta de restringir-se aos aspectos puramente econômicos, em negação aos processos envoltos sobre a formação dos fenômenos em si (HAUSMAN, 2008).

Compreende-se, todavia, a complexidade inerente às relações sociais que influenciam os elementos econômicos, e a superficialidade como tal, do estudo de suas características isoladamente. A proposta estática de realidade em equilíbrio centrara-se na homogeneidade e isolacionismo dos agentes. A abordagem da complexidade se propõe a compreender o mundo como sistemas complexos de interação, compostos por subsistemas em constante dinâmica e imprevisibilidade, em decorrência da interação entre elementos heterogêneos, em processos de auto-organização e emergência.

Este trabalho se propõe a apresentar a perspectiva da complexidade para compreensão dos fenômenos de natureza econômica, instáveis, dinâmicos e imprevisíveis, em essência. Para tanto, apresentam-se as principais características desta perspectiva e faz-se um breve resgate histórico sobre os elementos de complexidade presentes nas obras de Adam Smith, Karl Marx, Friedrich Hayek e Joseph Schumpeter, reconhecidos contribuidores da abordagem posteriormente desenvolvida.

Para além desta introdução e de considerações finais, este trabalho se divide em 3 partes. A primeira faz uma breve discussão sobre os métodos científicos do reducionismo e da abordagem da complexidade. A segunda expõe o método de análise empregado pela corrente econômica neoclássica. A terceira parte, por fim, apresenta a complexidade econômica em resgate às contribuições teóricas de autores econômicos.




  1. Uma breve discussão sobre o método científico




    1. Método reducionista

A ciência moderna teve marco com a Física Mecânica de Newton, no século XVII. Fundamentada em métodos de análise objetivos, reducionistas e simplificados, objetivando prover previsibilidade e ordenação fenômenos, difundiu-se em diversos campos como suporte metodológico para o desenvolvimento científico. Outrossim, o reducionismo clássico foi o paradigma metodológico em vigor até fins do século XIX (PRADO, 2011).

Heylighen (2008), em sintonia com Prigogine e Stenders (1984), considera o mecanicismo newtoniano essencialmente reducionista, posto que reduz a complexidade do real de fenômenos complexos interdependentes, em um modelo objetivo, completo e determinístico. Não se nega a complexidade, opta por desprender-se dela em prol da objetividade e precisão em modelos simplificados da realidade.

O reducionismo difundiu-se com ampla aceitação da comunidade científica, englobando estudos naturais e de ordem humana e social (PRADO, 2011). A formalização cartesiana e a ênfase exacerbada na lógica implicaram na ignorância a todos os aspectos da realidade que não pudessem ser deduzidos logicamente e transpostos em linguagem matemática (MAUERBERG JÚNIOR, 2013).

Watanabe-Caramello (2012) argumenta que o método reducionista caracteriza-se pelo foco no isolamento do objeto, na delimitação de escolhas fixas e no mecanicismo, ou seja, no estudo do movimento dos corpos. Determinístico, o método referência da ciência moderna é prestigiado porque formaliza conhecimentos a partir do estabelecimento de leis simples e universais, equações gerais e sistemáticas, facilitando a difusão e adaptação a diferentes problemas científicos.

Prigogine e Stengers (1984) afirmam que o estudo mecânico de Newton recaíra sobre as características básicas das trajetórias dos corpos em movimentos, as quais se baseiam em leis gerais, determinísticas e reversíveis, o que significa dizer que se uma força é conhecida e dada a suposição de condições iniciais, é possível definir sua trajetória para frente ou para trás de tal modo a compreender todo o funcionamento do sistema. Conforme a autora, deduz-se uma lei geral a partir de estágios iniciais de uma série de estados no sistema ao longo do tempo e a partir daí se deduzem premissas básicas.

Von Bertalanffy (1968) considera o método reducionista clássico estritamente analítico, posto que se fundamenta no isolamento dos elementos de uma região observável com o intuito de descobrir suas propriedades para então reconstruir conceitual e experimentalmente o todo. Portanto, compreende o todo como a soma dos elementos individuais.

O método reducionista pode ser considerado atomista, por enfatizar as partes em detrimento do todo. Os fenômenos são compreendidos como uma sequência de eventos, concomitantes ou correspondentes, compreendidos analítica e dedutivamente conforme pré-estabelecidas leis gerais de funcionamento. A previsibilidade recai sobre o conhecimento do movimento das partes, de tal modo que o todo só pode ser alcançado analiticamente como resultado da soma dos elementos individuais (PRADO, 2011).

Morin (2003) levanta que até metade do século XX o método mecânico determinista foi paradigmático dentro das ciências sociais, com destaque para a Economia como ciência social aplicada mais formal matematicamente. Conforme o autor, a abstração de questões de caráter histórico, político, sociais ou psicológicas implica num fechamento e distanciamento da realidade, a qual não é representada por relações simplistas e deterministas.

Watanabe-Caramello (2012) ressalta a existência de três paradigmas científicos, o mecânico determinista, com Newton. O segundo paradigma referente ao indeterminista e o terceiro que engloba o não equilíbrio e a abordagem da complexidade, em sistemas dinâmicos. Pelo caráter deste trabalho de questionar o método empregado em análises econômicas, restringe-se a análise ao exposto método mecânico, posto que é a base da Economia mainstream1 e à complexidade, como alternativa, de tal modo a não destinar atenção ao indeterminismo.

1.2 A abordagem da complexidade
Reconhece-se a relevância do método newtoniano para a evolução da ciência moderna e sua utilização nas ciências naturais e exatas. A proposta de simplificação da realidade em modelos analíticos e a utilização de leis gerais foram importantes para a difusão do pensamento científico e sua utilização para resolução de diversos problemas. Todavia, verifica-se a falibilidade na resolução de questões mais amplas e o método determinista se faz ineficaz principalmente em campos nos quais é impossível o isolamento dos elementos em experimentação plena. Ressalta-se pois, não uma negação ao método mecânico, mas o equívoco da generalização do método para situações que não o comportam e exigem uma abordagem diferenciada.

Prigogine e Stenders (1984) questionam se é possível isolar os elementos e definir um “estágio inicial” sobre o qual se aplicam leis gerais de funcionamento em função de forças exercidas sobre o objeto em nuvens gasosas assim como se faz no lançamento manual de uma pedra, por exemplo. A impossibilidade de tal feito realização de tal feito requer revisão metodológica sobre a ciência empregada para compreensão dos fenômenos do mundo real.

A abordagem da complexidade surge para o estudo dos fenômenos naturais e não naturais fora de situação de equilíbrio, de tal modo que o acaso e o caos se tornam objeto de estudo, numa busca por apreensão de regularidades dentro destes elementos. O entendimento do todo como diferente da simples soma das partes inviabiliza a compreensão dos fenômenos pelo estudo dos elementos isolados. Por conseguinte, nega-se a certeza e assume-se a imprevisibilidade inerente aos sistemas complexos (WATANABE-CARAMELLO, 2012).

Para tanto, a preocupação principal da complexidade é conceber uma ciência para além dos limites da mecânica de Newton, símbolo da ciência moderna. Busca compreender o todo a partir da interação entre suas partes, de modo holístico, generalista e interdisciplinar. É fruto de uma evolução crítica da história sobre o pensamento científico e sua crítica à estática determinista (PRADO, 2007).

Em complexidade há uma mudança de foco quantitativo, da definição exata do posicionamento de objetos e reação a forças aplicadas, para um viés qualitativo. O desconhecimento e imprecisão sobre o elemento analisado não implica na incapacidade de previsão adequada, posto que a preocupação central em estudos complexos é a apreensão dos fenômenos envoltos sobre o objeto e seus padrões de comportamento. As funções lineares e objetivas abrem espaço para matemática não linear não objetiva (CAPRA, 2002).

A compreensão da complexidade requer um novo olhar sobre os fenômenos objetos científicos. Do simplificacionismo a um olhar mais detalhado aos fenômenos ignorados do acaso, Morin (2003) apresenta alguns princípios básicos para introdução do pensamento complexo. Do princípio sistêmico e do hologramático apreende-se que o todo é produto da interação entre partes heterogêneas e que apesar da distinção mútua, o todo está contido nas partes como um elemento comum. Pelos princípios do anel retroativo e do anel recursivo, nega-se a causalidade linear ao afirmar que o efeito impacta sobre o atributo causante tal qual a recíproca também ocorra, de tal modo que o todo é produto das individualidades que só existem em função de sua interação com a totalidade do sistema. Ademais, o princípio da auto-eco-organização compreende que os indivíduos se organizam e se reproduzem incessantemente e dispõem disso para usa própria manutenção.

A complexidade pode ser compreendida como uma perspectiva filosófica diferente sobre o relacionamento entre o homem e a natureza, em constante interação e interdependência. A singularidade inerente às condicionantes individuais impossibilita a compreensão dos fenômenos estudados pelo método dedutivo generalista e somente pode ser alcançada por esforços particulares de pesquisa sobre cada objeto (ROSSER JR, 1999).

Consoante Fiedler-Ferrara (1998) existem diversas compreensões ou definições de complexidade, podendo ser compreendida pelo número de elementos e suas interações dentro do sistema, pela heterogeneidade inerente ou pela quantidade de realimentações de sistemas. Pode-se também entender complexidade relacionada à limitação de informações entre elementos e pela quantidade de processos ou etapas responsáveis pela conjugação de determinado sistema – neste caso, há associação à complexidade computacional.

Importante ressaltar que a diferença básica entre a complexidade e análises reducionistas está na implicação de leis gerais sobre relações de causa e efeito. O modelo mecânico científico baseia-se na generalização de leis dedutivas sob as quais se fundamentam relações simples determinísticas e previsíveis. Diferentemente, em análises complexas, não negando a simplificação inerente ao modelo, associa-se leis gerais simples à efeitos complexos, imprevisíveis e inconstantes, em negação ao dedutivismo lógico outrora empregado (PHELAN, 2001).

A abordagem da complexidade se desenvolveu em diversos campos do conhecimento científico, desde a Física, Biologia, Química, naturais, à Sociologia, Política, Demografia e Economia, enquanto humanas e sociais (HAKEN, 2006) e pode ser entendida como a compreensão da realidade enquanto sistêmicos dinâmicos compostos por subsistemas que interagem entre si provocando qualidades inexistentes se compreendidos isoladamente (CAPRA, 2002).

Não há um consenso entre pesquisadores sobre a definição de complexidade. A abrangência do termo na investigação científica e a incipiência de seu desenvolvimento pleno ocasionam ambiguidades na interpretação e compreensão do que venha a ser a abordagem complexa. Phelan (2001) defende que a complexidade não representa uma nova ciência por se dedicar ao estudo das complexidades do mundo, o é por propor uma nova metodologia de apreensão de regularidades em um modelo de mundo obviamente simplificado.

O argumento de Phelan (2001) é interessante porque aproxima a abordagem da complexidade do mecanicismo em suas intenções de apreender o mundo sinteticamente em modelos analíticos. Qualquer preocupação científica se obriga ao apego limitado da realidade, em um processo de aproximação e distanciamento, limitado pelos interesses e ferramentas dispostas ao cientista. As palavras do autor apontam a preocupação metodológica da complexidade:


Complexity is a new science precisely because it has developed new methods for studying regularities, not because it is a new approach for studying the complexity of the world. Science has always been about reducing the complexity of the world to (predictable) regularities. To a layperson, the behavior of gases is complex and chaotic, but the gas laws reduce that complexity to manageable regularities. Similarly, Newtonian mechanics reduced complex motion (particularly the complex motion of the planets) to simple regularities. Consequently, rather than define complexity science by what is studied (i.e., a complex universe), the focus should be on the methods used to search for regularities (PHELAN, 2001, p. 17).
Capra (2002) não compreende a complexidade como uma teoria científica. Para o autor, a complexidade representa um corpo de conceitos e técnicas matemáticas que embasam sistemas não lineares. Seria a complexidade uma teoria matemática responsável pela apreensão de regularidades em sistemas dinâmicos, por conseguinte, “matemática dos padrões”. Em contrapartida, Morin (2003) defende a complexidade como um fundamento metodológico de ligação entre a ciência e a filosofia.

Ressalta-se a distinção entre a abordagem da complexidade e a teoria geral dos sistemas de Von Bertalanffy (1968). O referido autor buscava explicação de fenômenos gerais por abordagens holísticas, abrangentes, em negação ao determinismo linear e reducionista. Outrossim, fenômenos simples são influenciados por uma infinidade de causas as quais se interconectam não linearmente em difícil determinação. Radicalmente, deduz-se que todos elementos influenciam-se e são causa e efeito entre si.

Phelan (2001), em contrariedade à associação comum à teoria geral dos sistemas, defende que a complexidade busca uma análise simples, não holística. Neste sentido, a abordagem complexa aproxima-se da convencional ao buscar leis gerais sobre os fenômenos analisados. Todavia, o foco incide sobre os padrões e regularidades na interação de elementos em sistemas dinâmicos fechados, como sínteses objetivas da realidade.

Ressalta-se como absorvido pela complexidade da Teoria Geral dos Sistemas de Von Bertalanffy (1968), a compreensão de sistemas hierárquicos, segundo a qual o mundo é heterogêneo e estruturalmente e apreendido por uma série de estratos dispostos em complexidade hierarquicamente crescente. O objetivo da ciência complexa deve ser explicar a formação progressiva de tais estratos (PRADO, 2011).

Apesar da falta de unidade na definição de complexidade, Morin (2003) apresenta uma definição comumente aceita de sistemas complexos. Conforme o autor, são sistemas compostos por um conjunto de partes ou elementos, distintos ou semelhantes, que interagem entre si em um encadeamento circular, em negação à visão linear de causa e efeito. Outrossim, sua interação gera novos padrões que impactam sobre suas características individuais, em tendência dinâmica cíclica.

Heylighen (2008) reitera que tais sistemas apresentam características que não podem ser apreendidas pela dissociação de suas partes, em conformidade ao entendimento de que o todo complexo é mais que o agregado das partes, e sim reflexo da interação destas em heterogeneidade. Acrescenta que sistemas complexos tendem à desordem ou desequilíbrios em função do grau de distinção e conexão entre os agentes. Quanto mais distintos, maior a propensão ao caos, quanto mais conectados, mais se caminha para a ordem.

Consoante Capra (2002) sistemas complexos são compostos por estruturas formadas por subestruturas, com características similares e que se repetem no processo conhecido como auto-similaridade. A propriedade de aglutinação de tais estruturas similares em forma e em diferentes escalas, é conhecida como fractal geométrica e é um importante elemento para apreensão de sistemas complexos, posto que representam padrões em análises que superficialmente podem determinar comportamentos caóticos.

Em síntese, o pensamento complexo é aquele que admite a incerteza e se propõe conceber organização. Une, integra e globaliza ao passo que reconhece o singular, individual e o concreto. A complexidade integra e não nega o pensamento simplificador, enquanto este separa e reduz, aquela une e distingue, porém não com caráter excludente, visto que se trata de sistemas fechados (MORIN, 2003).

Percebe-se a relevância do estudo das partes, elementos, agentes, na composição de sistemas e o caráter objetivo e passivo atribuídos a essas unidades na compreensão de modelos estáticos reducionistas. O caráter imprevisível e os fenômenos atribuídos ao caos ou acaso são em muito decorrência de variações comportamentais dos agentes, direta ou indiretamente, e efeitos não planejados, quando integrados sistemicamente.

Hazy e Backström (2013) congruem sobre a importância da interação entre agentes no exame de modelos complexos em estudos sociais. A dinâmica característica desses sistemas se baseia na heterogeneidade dos seres humanos, o que implica na mudança contínua das regras que norteiam as interações, seja no plano micro individual, meso ou macro. Os autores afirmam que a utilização de redes complexas de interação possibilita eficácia nas análises sem abrir mão de características particulares dos elementos individuais.

Os elementos nos sistemas complexos, agentes, sejam eles firmas, indivíduos, animais ou células, são sistemas unitários organizados hierarquicamente em composição de uma série de subsistemas interdependentes. Do processo interativo entre sistemas unitários, decorrem relações de causa e efeito em dinâmica de resposta ao ambiente e a outros agentes, o que implica em relações de aprendizado e adaptação em virtude das experiências inerentes ao processo interacional. Por conseguinte, o ambiente se desenvolve evolucionariamente com a “morte” de alguns elementos e multiplicação e outrem (HEYLIGHEN, 2008).

A complexidade deve então se fundar sobre Leis gerais baseadas em relações de aprendizado e feedbacks, com agentes que adaptam seu comportamento ao ambiente e provocam reações inesperadas e inexistentes no plano isolado individual (PHELAN, 2001). Pelo processo de agrupamento por similaridades em auto-organização, emergem estruturas destas interações individuais (CAPRA, 2002; HEYLIGHEN, 2008; HAZY E BACKSTRÖM, 2013).


1.2.1 Auto-organização e emergência

O ambiente dinâmico e evolucionário característico dos sistemas complexos condiciona os agentes a processos contínuos de adaptação e reorganização. As similaridades e distinções não tão somente implicam em ordem ou desordem do sistema, em seu equilíbrio ou ineficiência. Tais condições influenciam na manutenção ou exclusão de elementos mais ou menos aptos a interagir e se organizarem nos diferentes graus hierárquicos sistêmicos.

Quando certos elementos com características ou interesses similares (seja de uma célula se manter viva ou de uma firma competitiva), próximos e autônomos assumem espontaneamente uma nova forma organizacional conjunta, abrindo mão de características individuais em detrimento de uma nova identidade estabelecida em grupo, compreende-se o fenômeno de auto-organização (PRADO, 2011).

Heylighen (2008) reitera a flexibilidade e dinâmica dos sistemas em função do recorrente estabelecimento de processos de auto-organização. Estes processos são respostas dos elementos individuais aos conflitos e perturbações internos e externos ao sistema, continuamente em adaptação e evolução.

Morin (2003) trata do processo de auto-organização de sistemas unitários humanos, compreendendo os indivíduos concomitantemente autônomos e dependentes do meio exterior. A interação com o ambiente é fundamental para a manutenção dos seres humanos, seja na perspectiva natural em trocas de fluidos e energia, pelos alimentos ou pela respiração, ou socialmente na dependência de interação cultural, que por sua vez só é possível dada a autonomia e auto afirmação dos agentes individuais.

Destarte Hazy e Backström (2013), a interação entre seres humanos em ambientes complexos pode se dar por dois mecanismos. Há possibilidade de interação quando existem incertezas individuais em relação às suas expectativas. Há ambiguidade estratégica, de tal modo que o agrupamento organizacional é importante por propiciar o alinhamento completo de expectativas (nova característica assumida) em desconsideração às limitações individuais (identidade individual abandonada). Outro mecanismo apresentado pelos autores diz respeito à influência de indivíduos ou grupos dominantes sobre os demais, o que culmina em um alinhamento não espontâneo e como tal não característico de auto-organização.

Dos processos de interação e auto-organização emergem estrutura outrora inexistentes, com qualidades distintas das apresentadas pelos elementos individuais e por seu processo interativo. Elementos oriundos de emergências constituem-se em novas interações em contínua dinâmica de mudanças estruturais qualitativas (HAZY; BACKSTRÖM, 2013).

Capra (2002) aborda sistemas complexos de seres vivos e compreende o processo de emergência como origem dinâmica do desenvolvimento, aprendizado e evolução, inerente a todos os seres vivos. A emergência é um processo espontâneo decorrente de instabilidades críticas e se apresenta como mecanismo de reestruturação dos sistemas.

A emergência pode ser compreendida como qualidades ou elementos manifestados em certo nível de realidade, porém se origina em um nível inferior e mantém relativa autonomia em relação à base originária. Reitera-se que fenômenos surgidos de emergências são complexos em virtude de sua espontaneidade, imprevisibilidade e incapacidade de explicações por ordem ontológica ou epistemológica (PRADO, 2011).

Morin (2003) é sintético ao conceituar emergência como a qualidade que emerge da interação entre um conjunto de elementos com características particulares. O sociólogo afirma que esta é a própria constituinte dos sistemas, pois é o processo que culmina na diferenciação do todo do simples somatório de elementos individuais. As qualidades surgidas com as emergências são responsáveis pela própria organização complexa.

Prado (2011) questiona o caráter do emergentismo em sua conformação como processo contínuo de mudanças graduais ou como um verdadeiro salto qualitativo. Nisso, abre a questão sobre os conceitos de emergentismo fraco e emergentismo forte. Conforme o autor, aqueles que defendem a existência de emergências fracas inferem que os novos elementos são originários de relações causais que podem ser compreendidas epistemológica e dedutivamente.

Por outra via, considera-se há forte compromisso ontológico entre aqueles que acreditam em processos de emergência fortes, posto que os contínuos processos evolucionários geram estruturas complexas regidas por leis próprias de funcionamento, devendo ser analisados intrinsecamente pelo que realmente são. Daí o compromisso ontológico e a capacidade de distinção qualitativa em saltos estruturais em constante evolução e mudança (PRADO, 2011).



2 O método na Ciência Econômica Mainstream
A Ciência Econômica tem seu marco com a obra de Adam Smith, A Riqueza das Nações, publicada em 1776. A ciência surge no escopo de pensamentos filosóficos e morais em preocupação com os processos referentes aos fenômenos dos mercados e das dinâmicas propulsora do enriquecimento e progresso das nações.

Prado (2006) realça a preocupação da Ciência Econômica em explicar as relações sistemáticas das conexões entre as partes constituintes e a totalidade social constituída. Outrossim, pode-se compreender o todo como resultado do processo constitutivo entre partes em interação (elementos complexos, já presentes em economistas clássicos como Adam Smith e Karl Marx), ou tão somente como um agregado de elementos individuais (perspectiva reducionista).

A influência da metodologia de ciência clássica sobre os demais campos de investigação e a necessidade imposta de eficácia e previsibilidade, em aliança ao intuito de desvencilhar as relações produtivas na “naturalidade” do mercado (WALRAS, 1996), de fenômenos de natureza não econômico levou as escolas dominantes a empregarem o método positivo na Economia.

Importante explicitar a pluralidade e abrangência dos estudos nas diferentes escolas do pensamento econômico. O foco desta seção é explanar sobre os fundamentos metodológicos da Economia Positiva representada pela Escola Neoclássica, como corrente mainstream. Por conseguinte, adota-se a compreensão de mainstream estabelecida por Dequech (2007), segundo a qual é conformado pelo conjunto de ideias defendidas socialmente estabelecidas e defendidas pelos grupos dominantes de pesquisa, o que não significa generalizar para o campo científico como todo ou mesmo assegurar a corrente dominante como superior às demais marginalizadas por critérios de natureza política ou metodológica.

O eixo central de preocupação da Economia enquanto ciência positiva defendida por Friedman, deve se relacionar à explicação dos fenômenos como são, em ignorância aos processos envoltos. O desapego ao realismo, por meio da simplificação objetiva da realidade, é fundamental para provisão de um sistema generalizações dedutivas sobre as consequências de mudanças (ou “movimentos”) em qualquer circunstância (HAUSMAN, 2008).

Ademais, a Economia buscou nos fundamentos metodológicos da Física mecânica clássica a credibilidade decorrente da capacidade de prover previsões objetivas em modelagens simplificadas. O ambiente ideal de Newton foi traduzido em termos de mercado, compreendido como ambiente estável e equilibrado. O foco no mecanicismo determinista tratou de responder às questões referentes às oscilações de preços e sistemas de concorrência, em formalização cartesiana por William Jevons e Léon Walras, na revolução marginalista de fins do século XIX (PRADO, 1994; LAGUEUX, 1997; WATANABE-CARAMELLO, 2012).

O ambiente ideal sem atrito de Newton no qual um corpo tende a se manter em repouso até que sobre ele seja aplicada uma força que o distancie da posição inicial de equilíbrio serve de analogia ao mercado ideal neoclássico (PRIGOGINE; STENDERS, 1984). Pela concepção marginalista, pregada no reducionismo, o mercado é composto por agentes ideais que interagem sem impedimento sobre sua ação, em situação de equilíbrio, a não ser pela intervenção externa que tão somente provoca instabilidades e desequilíbrios temporários.

Todavia, não somente o modelo newtoniano é referência metodológica física para a teoria econômica. O equilíbrio, a noção elementar atomista e a noção mecânica de movimento são base central da teoria neoclássica. A evolução cronológica da Física, porém, não foi acompanhada pela Economia, de tal modo que é correta associação entre os métodos das duas ciências, mas não o é atrelar ao termo newtoniano ou mecanicista, haja vista que que elementos de entropia ou do estudo das energias também foram absorvidos pela Economia, mesmo não compondo a teoria mecânica de Newton (MIROWSKI, 1984).

A centralidade do equilíbrio na economia positiva na assunção do indivíduo racional representativo, homogêneo e invariável no tempo e no espaço (CAMERER, 1999). Compreende-se, pelo argumento do autor, a analogia estabelecida implicitamente entre o indivíduo econômico aos elementos estáticos na física mecânica, equilibrados sob julgo de generalizações dedutivas com tendência ao equilíbrio.

A revolução marginalista na Economia é caracterizada pela generalização dedutiva da Lei Ricardiana dos Rendimentos Decrescentes para todos os fenômenos econômicos com o intuito de compreender simplificadamente as comportamento e relações de escolhas dos indivíduos. O comportamento ideal é motivado, pois, pela maximização marginalmente decrescente da utilidade individual – chave para a compreensão dos agregados econômicos (SRAFFA, 1998).

Jevons (1983) é considerado como um dos pais da Economia Neoclássica e principal referência da tradição anglo-saxônica de fins do século XIX. Inspirado pela tradição utilitarista, dedicou-se ao desenvolvimento de uma nova teoria do valor, expressa matematicamente e em contraponto aos economistas clássicos. A Economia, conformem Jevons, deveria se formalizar matematicamente em virtude de trabalhar com mensuração de variáveis quantificáveis, porquanto deveria se espelhar na Física em seu método de teorização matemática. O autor acrescenta que o prazer, o trabalho e o sofrimento são passíveis de mensuração, e como bases dos processos de escolha dos indivíduos, propiciam base para matematização das relações econômicas.

Walras (1996) considera a naturalidade dos mercados e da troca, assemelhando a Economia às ciências físico-matemáticas. Sendo a troca, e consequentemente o ambiente de mercado, inerente a natureza da interação humana, concomitante à suposição da busca individual por satisfação, há consequência esperada do equilíbrio social a partir das relações de mercantilização individuais. Para tanto, o autor defende o método racional dedutivo como próprio para a investigação econômica, por meio da formulação de teorias gerais, definições e teoremas. Nas palavras do autor:


“Para seguir esse método [racional], a Economia Política Pura deve tomar da experiência tipos de troca, de oferta, de demanda, de mercado, de capitais, de rendas, de serviços produtivos, de produtos. Desses tipos reais deve abstrair, por definição, tipos ideais e raciocinar sobre estes últimos, só retornando à realidade depois da ciência feita e tendo em vista aplicações. Teremos assim, em um mercado ideal, preços ideais que terão uma relação rigorosa com uma demanda e uma oferta ideais. E assim por diante. Essas verdades puras terão uma aplicação freqüente? A rigor, seria um direito do sábio fazer a ciência pela ciência, como é um direito do geômetra (e ele o utiliza todos os dias) estudar as mais estranhas propriedades da figura mais bizarra, se elas são curiosas. Mas ver-se-á que essas verdades de Economia Política Pura fornecerão a solução dos mais importantes problemas, dos mais debatidos e dos menos claros, de Economia Política Aplicada e de Economia Social” (WALRAS, 1996, p. 51-52).
Percebe-se o compromisso do autor com a formulação de leis gerais e ideais para explicação dos fenômenos econômicos. A realidade deveria servir para verificação dos teoremas estabelecidos idealmente. O método dedutivo é válido neste processo por considerar um modelo abstrato válido universalmente, mesmo que suposto em bases dificilmente verificáveis empiricamente.

São questionáveis o grau de profundidade analítico e o compromisso com a realidade material do método neoclássico surgido após a revolução marginalista, posto que se apega aos aspectos externos aos processos inerentes aos ambientes de mercado. O foco na ação individual mensurada generalizadamente por funções de utilidade remete a um desprendimento das percepções reais e heterogêneas dos elementos individuais e em consequente prejulgamento sobre os fundamentos da economia capitalista. Nas palavras de Prado (2009):


“[...] a teoria neoclássica investiga apenas os nexos externos da economia mercantil – eis que pretende explicar os preços de mercado com base nas escolhas dos compradores e vendedores de bens tomados como átomos sociais -, mas não se pode dizer que ela seja imediatamente consistente com as percepções que os indivíduos reais têm do processo de troca. Fica, pois, a questão de saber como se ligam os esquemas de explanação neoclássicos às ideias que os agentes formulam atuando no mundo das mercadorias e como ela oferece um entendimento plausível dos fenômenos aí ocorrentes (PRADO, 2009, p. 80-81).
A consideração de indivíduos como átomos sociais possibilita dois entendimentos. Primeiro, são homogêneos e previsíveis. A preocupação com a escolha individual em detrimento do processo que precede a escolha no trato geral dos indivíduos, paralelo à sua homogeneização, permitem a formulação de leis gerais sobre suas características e comportamentos, o que implica previsibilidade. Outro aspecto que pode ser extraído é que como átomos, são elementos componentes de um conjunto maior, agregado em função da não diferenciação dos comportamentos individuais.

Mirowski (1984) associa a função de utilidade à teoria da Física de conservação de energia. A Física energética considera a existência de um princípio comum de conservação de energia nos processos de transformação da matéria, sendo possível mensuração comparativa. Analogamente, a utilidade se demonstra como um princípio comum de conservação de satisfação dado os processos de variação entre as várias cestas de consumo, sendo passível de mensuração por formalizações matemáticas, provendo as bases necessárias para a consolidação da Economia como ciência positiva.

A microeconomia reducionista, como Prado (2006) se refere à Economia Neoclássica, se propõe apreender o complexo da realidade em esquemas explicativos dedutivos e exatos, obedecendo à lógica clássica de identidade, não contradição e do terceiro excluído (o que se concebe por coeteris paribus). O autor realça que a teoria se baseia numa perspectiva linear unidirecional entre as perspectivas micro e macro, ou seja, da compreensão do micro, deduz-se o macro.

A admissão da relevância da condição do indivíduo e das bases de sua interação para a estrutura metodológica da economia neoclássica centrada no equilíbrio em perspectiva reducionista, recai sobre a concepção de tal, como elemento unitário, individual no sistema apresentado. O indivíduo econômico deve se apresentar de tal forma que seja passível de formulação de leis gerais, ou seja, deve ser previsível e simplista como toda a estrutura metodológica da teoria.

Em síntese, o Homo Economicus, como agente representativo padrão na Economia, tal qual como necessário para o plano dedutivo generalista, é dotado de racionalidade ilimitada, capacidade de raciocínio ilimitado e psicológico atemporal, motivação hedonista e, principalmente, capaz de ordenar utilidades e preferências formalizadas matematicamente por funções de utilidade. (BECKER, 1962).

Compreende-se, pois, que a Economia Neoclássica, como escola dominante do pensamento econômico, propõe a compreensão do mundo por um método dedutivo generalista. Para tanto, fundada nas bases da Física, busca simplificar os fenômenos econômicos e idealizá-los por leis gerais de funcionamento, com o intuito de prover previsões eficazes. É admitido que toda a noção de equilíbrio e estaticidade se baseia na concepção de indivíduos e de suas interações entre si no ambiente econômico. A Figura 1 sintetiza o modelo reducionista neoclássico de um todo composto pelo agregado de elementos individuais.


Figura 1 – Plano microeconômico reducionista



Fonte: Elaboração própria

A Figura 1 explicita o todo como agregado de elementos individuais, como exposto anteriormente. A identidade entre os elementos individuais, sejam agentes consumidores ou firmas e seu comportamento maximizador de bases comportamentais comuns, acarreta previsibilidade sobre seu estado e comportamento futuro. Possibilita-se pois, apreensão dos fenômenos macro em função da compreensão dos fenômenos micro, a níveis elementares. A simplificação do sistema econômico neoclássico é fundamentada pela homogeneidade e racionalidade comum aos agentes econômicos, o que apreendido dedutivamente.

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