Psicomotricidade relacional clinica uma experiência com famílias no setting terapêutico



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PSICOMOTRICIDADE RELACIONAL CLINICA - UMA EXPERIÊNCIA COM FAMÍLIAS NO SETTING TERAPÊUTICO

BISCAIA, ELOIM RIBEIRO1

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo descrever uma proposta de atendimento de famílias por meio da Psicomotricidade Relacional Clinica. André Lapierre, criador da Psicomotricidade Relacional, enfatizava a importância desse tipo de proposta e sublinhou a necessidade de se observar como as relações das famílias se estabeleciam. Do seu ponto de vista, a perspectiva de atendimento deve abranger a escola, a família e a clinica. O acolhimento e os avanços de crianças em dificuldades de relacionamento, passa pelo entendimento de suas faltas e necessidades, assim como pelo resgate dos papeis, funções e atribuições dos pais e pela análise da maneira como isso interfere diretamente na convivência da criança na família, na escola e na sociedade. Nessa proposta, o tratamento infantil deixa de ser individual ou em grupos de pares dentro de nossa prática de Psicomotricidade Relacional, abrindo oportunidades de atuarmos com as famílias como um todo. A experiência aqui relatada, de conduzir sessões de atendimento intercaladas entre criança e família, sistematizadas e organizadas por prioridades, trouxe maior otimização do tempo da Psicomotricidade Relacional Clinica, com foco no atendimento de demandas e recuperação das dificuldades apresentadas pela escola e grupo familiar. Com o intuito de contribuir com o referencial interventivo da Psicomotricidade Relacional na Clinica, apresentamos um quadro que contempla a sistematização de nossa atividade na busca de obter maior eficiência. O quadro serve para dar diretrizes, objetividade e profundidade nas sessões clínicas. Outro fator importante desta proposta é despertar interesse nos psicomotricistas relacionais iniciantes habilitados em exercer a clinica. O trabalho com família é possível? Como ele acontece? Qual o manejo desta prática? Como integrar a escola neste sistema? Quais os resultados obtidos com o trabalho integrado com a criança e a família? Perguntas como essas devem suscitar curiosidade e pesquisas de jovens terapeutas. Há muito tempo outras metodologias psicológicas (terapia familiar, psicomodrama, etc) já utilizam em suas práticas o trabalho familiar, obtendo resultados significativos. Contudo, o tratamento de familiar em Psicomotricidade Relacional é ainda tímido e pouco discutido nos grupos de estudos, havendo necessidade de maior debate e avanços mais amplos.



Palavras-chave: Intervenção Familiar, Psicomotricidade Relacional Clínica, Crianças

Introdução

O objetivo deste trabalho é discorrer sobre a importância da prática da Psicomotricidade Relacional na clínica, como método que promove o desenvolvimento das relações familiares, influenciando diretamente no equilíbrio da estrutura familiar e resolução de seus sintomas.

A Psicomotricidade Relacional é uma abordagem corporal criada por André Lapierre e seus colaboradores na França, na década de 1960. Este trabalho surgiu a partir de vários anos de experiência do autor em reeducação psicomotora e psicomotricidade clássica, na qual ele observou que as dificuldades escolares, familiares e sociais estavam normalmente associadas a problemas psicoafetivos relacionados à primeira infância, de zero a três anos. (BISCAIA, 2008). Segundo essa perspectiva, quando o atendimento clínico é requisitado é necessário compreender que as principais manifestações de dificuldades infantis no contexto social são oriundas da família e são frequentemente reforçadas na escola. A forma como a criança foi educada e as derivações dessa educação ficarão evidentes na maneira dela se comportar. Problemas identificados pela escola, como dificuldades de atenção da criança, concentração, aceitação de limites, iniciativa, desejo de aprender, demandarão manejo específico que dependerá da competência dos profissionais (conhecimento técnico, experiência do professor e da coordenação), em saber estimular, como também da estrutura da instituição. No entanto, quando a escola não se sente capaz de lidar sozinha com essas questões ocorre o encaminhamento à terapia. No setting terapêutico, o trinômio escola, família e clínica se interligam e exercem mútua influência, servindo de base para a recuperação das crianças em desordem de aprendizagem ou de relacionamento.

Desenvolvimento

Em geral o pedido dos pais para o atendimento clínico de seus filhos vem de queixas originadas nas escolas. Nas instituições, problemas como o TDAH, dificuldades de aprendizagem, agressividade, inibições, fobias, etc, são manifestados pelas crianças e a alternativa da família é procurar a terapia, seja por iniciativa própria, seja pela indicação específica da escola. O ingresso no processo terapêutico produz angústia e ansiedade porque os pais desejam saber se a criança é capaz de aprender e prosseguir em seus estudos de forma plena; além disso, os pais se questionam sobre se as dificuldades da criança estão associadas à forma e condução de educação que promoveram no lar. Com estes questionamentos, a demanda clínica está formada.

Essa demanda é gerada a partir de uma tensão entre escola, família e criança, mas essa tensão precisa ser trabalhada porque a relação entre escola e família necessita de sintonia, trabalho e, principalmente, apoio clínico. André Lapierre já pensava sobre isto e, com ajuda de seus colaboradores no desenvolvimento do seu trabalho com crianças, não só avançou no estudo da profilaxia que a Psicomotricidade Relacional poderia promover na escola, mas também concebeu a ideia de contribuir na observação das famílias destas crianças, mostrando a importância do desenvolvimento das relações familiares na clinica.

Descreve Lapierre (2002, p.162):

Quando se trata de terapia de uma criança, o problema é diferente. Ela não escolheu seus pais, mas teve e tem ainda que se adaptar aos desejos, às necessidades e às relações neuróticas (conscientes ou inconscientes) deles. Ela está sob a dependência deles, não é a senhora do jogo. A criança existe, desde antes do seu nascimento, nos fantasmas da família. Amada, desejada, rejeitada, portadora de esperança, de ansiedade ou de ciúme, ela é objeto, para cada um, de sentimentos diversos. Cada um lhe designa um lugar, um papel, uma função no seio da comunidade familiar.

Ao recebermos o pedido de intervenção para uma criança, dentro do método Psicomotricidade Relacional Clínica, torna-se imprescindível que o terapeuta escute e registre atentamente as demandas trazidas para a terapia, não apenas como demanda individual e única dessa criança, mas dela como parte de um sistema mais amplo, que contempla, além dela, seus pais e sua família como um todo. A partir dessa escuta, o terapeuta poderá trabalhar com este conjunto, buscando conhecer o grau de imaturidade ou maturidade em que se encontram, descobrindo, muitas vezes, que as crianças são os elementos mais saudáveis e os pais os mais problemáticos.

Segundo Lapierre (2002, p. 162-163):

A presença da criança tende a perturbar o equilíbrio estabelecido, modificando a relação entre os pais e a relação deles com o ambiente familiar. É necessário, então, reencontrar um outro equilíbrio, no qual a criança será parte atuante. (...) Ela é o sintoma da família. Ela é, muitas vezes, tida como responsável pela tensões familiares, mas ela apenas sofre e repercute. Nessas condições, sua terapia vai colocar em pauta todo o equilíbrio da constelação familiar, e particularmente dos pais. Estes, embora desejem conscientemente sua cura, a ela vão se opor, conservando a criança constantemente em seu papel.

Desta forma o conjunto familiar deve passar pela análise de suas funções, observando, discutindo, redefinindo como cada membro está atuando nos papeis que compõem o conjunto de forma legítima ou equivocada.

Um exemplo disto foi detectado em sessões de psicomotricidade relacional na clínica com uma família, cuja queixa principal era do filho de 8 anos, que apresentava ansiedade generalizada e comportamento auto-lesivo. Durante o transcorrer da terceira sessão realizada com a família (mãe, pai, menino e irmã), após momentos de jogo espontâneo com muito prazer nos movimentos, criatividade, atividades de cooperação e alegria, os pais buscaram um lugar no chão, sobre um tapete, para construírem uma pequena casa simbólica, representando corporalmente o status da família (pai, mãe e filhos). Logo em seguida, de forma inesperada, o pai toma o lugar dos filhos, deitando no colo de sua esposa. Com isto, a reação das crianças foi de desamparo, surpreendendo a filha, que desejava um momento de maior acolhimento afetivo e, por parte do filho, angústia e afirmação negativa de seu “falso” lugar de cuidador do pai junto à mãe. Nesta observação realizada em sessão, abriu-se a oportunidade para análise dos pais e sobre qual seria a forma mais adequada de permanecer junto aos filhos, mostrando e pontuando as consequências daquele tipo de relacionamento.

Os estudos recentes sobre o sistema familiar apontam que uma família em que cada membro tem seu papel claro, atuando nas funções de pai, mãe e filhos, interligados por laços afetivos, limites e reconhecimento, é minimizadora de doenças orgânicas e psicológicas. Esta convivência bem constituída, na qual os membros familiares podem se auto-observar e constantemente refletir sobre suas posturas, fortalece a relação e cria experiências relacionais mais significativas, aumentando o nível de maturidade e envolvimento emocional. A vida em família não se torna uma resolução de conflitos, mas sim um desafio de crescimento e aprimoramento.

De acordo com Cardoso e Miranda (2008) a família é um sistema humano, no qual convivem pessoas capazes de se reconhecer em sua singularidade, ao mesmo tempo em que exercem ações interativas com objetivos compartilhados. Nesse compartilhamento, a família deve desenvolver uma série de necessidades emocionais básicas, como a sociabilidade, a segurança afetiva, a comunicação, a autonomia, o controle de impulsos agressivos e a redução do egocentrismo, com a consequente inserção de seus membros no princípio de realidade.

Neste contexto, a psicomotricidade relacional clinica com foco na família deve passar por uma sistematização de prioridades, onde o psicomotricista relacional e a família devem construir um planejamento que pleiteie as resoluções dos conflitos e sintomas que afetam diretamente o funcionamento do sistema.

Um dos pontos mais importantes a serem trabalhados a partir da leitura da problemática familiar é saber qual membro necessita mais rapidamente de atenção. Possivelmente, esse membro será o filho, porém se os pais não estiverem realmente conscientes de sua atuação, e sendo membros ativos e atuantes, muito pouco podem fazer no sentido melhoria.

Descreve Lapierre (2002, p.163):



A dificuldade reside em achar pais que tenham se conscientizado o suficiente do seu envolvimento na patologia da criança, para aceitar o fato de serem questionados. Outra dificuldade reside em que, na nossa sociedade atual, na qual muitas famílias são desunidas e recompostas, o companheiro da mãe não é o pai da criança, ou a companheira do pai não é a mãe. A ausência do pai ou da mãe biológicas não impede que sua imagem interfira nas relações familiares.

A família que adoece precisa de assistência e amparo. Reside aqui nosso trabalho, e as intervenções devem priorizar a identificação de como estão os papeis ocupados na família e sua funcionalidade, objetivando novas estratégias para a reorganização e o entendimento, provocando mudanças na dinâmica fraternal.

Famílias têm seu modelo de conduta baseados nas suas concepções de vida, experiências, cultura e valores arraigados. Por exemplo, algumas podem ser afetivas, íntegras, transparentes e confiantes; ou rigorosas, negligentes, manipuladoras e hostis. O que percebemos na clinica é que famílias mais capazes de auto-análise, reparadoras, regidas por valores morais e menos egocêntricas se equilibram mais rapidamente, geram amadurecimento e ganhos de amor e entendimento. Contudo, outras estão muitos distantes desta perspectiva.

Saber conduzir uma família e interagir de forma saudável, também requer a revisão da percepção de si e do outro. O papel de mãe e o papel de pai ficam mais nítidos na convivência familiar. A construção familiar estrutura-se e ganha força, quando as funções de pai e mãe são combinadas e entendidas de forma clara e transparente desde o inicio da entrada das crianças. Os pais precisam de cumplicidade e foco para saber cuidar e atender as necessidades dos filhos, ajudando-se efetivamente durante todas as fases de crescimento dos mesmos. Assim, poderão proporcionar estímulos adequados e terão a oportunidade de presenciar o crescimento saudável de quem tanto amam.

Temos observado, de uma maneira geral, que as dificuldades encontradas pelos membros das famílias passa pelo entendimento das relações familiares, não só da conduta dos pais, mas também do quanto cada pessoa envolvida sabe afetivamente sentir e lidar com seu repertório de relacionamento. Tanto a criança que nos chega com sua queixa, como aqueles que as cuidam, devem passar por um processo terapêutico. Ninguém está isento deste compromisso.

Lapierre descreve (2002, p. 173):



Essas relações vividas podem oferecer uma saída aos inevitáveis conflitos que a criança vive no ambiente parental e modificar, assim, suas estratégias relacionais. Tal saída é dificilmente achada com os próprios pais, pois que também eles são prisioneiros das estratégias inconscientes e repetitivas de sua própria infância. Assim se transmitem as neuroses familiares. Nos estabelecimentos que tomam a seu encargo crianças perturbadas, as reuniões de síntese chegam, muitas vezes, à conclusão de que deveria se fazer uma psicoterapia da mãe ou dos pais.

A experiência de discorrer sobre este trabalho, trouxe o questionamento de uma proposta possível de sistematização com famílias em Psicomotricidade Relacional Clínica. Nosso trabalho, de forma geral, deve comportar um bom número de sessões, temas, estratégias, análises e discussões, para que os efeitos das intervenções sejam elaborados pelo paciente e, consequente, incluídas em seu repertório relacional, para saber melhor lidar com suas relações.

O Quadro 1 compõem uma proposta de intervenção, baseado em três anos de trabalhos com famílias.

Quadro 1: Sequência de atendimentos dentro de uma proposta de atendimento familiar em Psicomotricidade Relacional Clínica.



Tarefa

Estratégias

Conteúdos a serem trabalhados

Sessões

Anamnese

Fala dos pais

Fala da criança



Escuta da queixa da criança
Pergunta: Por que você está aqui? (contrato de ajuda terapêutica)

1 ou 2

1


Atendimento

Sessão com criança

Vinculo, escuta, contenção, limite

4

Visita escola

Coordenação e professora regente

Escuta da queixa na escola

1

Devolutiva aos pais

Casal ou responsável direto pela criança

Diagnóstico e definição de estratégias de intervenção

1

Atendimento

Sessão de família, pai, mãe, filho, irmãos

Verificação da dinâmica sem interferência do psicomotricista relacional.

1

Devolutiva aos pais

Retorno aos pais da sessão de família

Feedback positivo e negativo das relações

1

Atendimento

Sessão com a criança

Intervenção nos temas da queixa, respeitando o desejo da criança

4

Visita escola

Coordenação e professora

Orientação da professora e contenção da criança


1

Atendimento

Sessão de família, pai, mãe, filho, irmãos

Intervenção nos temas de conflito da família

1

Devolutiva a os pais

Retorno aos pais da sessão de família

Feedback positivo e negativo das relações e verificação de avanços

1

Este quadro tem como proposta estruturar uma sequência de tratamento com maior objetividade, planejamento e eficiência. As sessões realizadas entre crianças e pais feitas mais sistematicamente, promovem maior amplitude de investigação, e as observações que surgem destas dinâmicas vividas entre eles abrem espaço para que a influência do profissional seja mais precisa no objetivo das intervenções. Essa estruturação propicia maior capacidade de análise e rapidez para identificar e propor alterações nas relações familiares.

Como nossa forma de atuação se diferencia das outras práticas psicodinâmicas pelo fato de utilizarmos com propriedade o corpo diretamente na relação, e tendo mais tempo para estar corporalmente com a família, surgem maiores oportunidades de percepções de erros de conduta e novos insights. O corpo do psicomotricista relacional e dos clientes são convidados a interagirem profundamente, proporcionando encontros mais sutis, aumentando a percepção e o auto-conhecimento.

Muito distante de práticas onde o terapeuta apenas direciona e estabelece sessões estruturadas, ocorre em Psicomotricidade Relacional clinica uma sensibilização no conjunto familiar. Seus membros tornam-se mais abertos, os sentimentos são reconhecidos e as emoções são melhor compreendidas. A família também se sente mais acolhida, menos julgada por seus enganos e, em momentos de jogo simbólico nas sessões, produzem verdadeiros encontros salutares, capazes de resgatar a rota da convivência.

Outro fator importante nesta sequência de atendimentos é que os pais não são apenas ensinados a fazer o melhor ou a corrigir erros, eles efetivamente têm a oportunidade, através das vivências, de registrar uma nova experiência no cerne familiar. No que se refere à criança, ela percebe que não é o alvo dos problemas e sim contribuinte ativa na relação, como todos os seus familiares. Não existem vítimas ou algozes. Todos contribuem, ou não, para o equilíbrio.

A escola, membro integrante da tríade, se beneficia da melhora e pode retomar, depois de um tempo, sua proposta para o aluno. Em geral, os resultados são mais rápidos se escola, pais e clinica atuarem simultaneamente. As visitas de feedback com professores asseguram o compromisso e as crianças sentem a preocupação e cooperam com o proposto.

Considerações finais

A Psicomotricidade Relacional contribui com seus estudos para a melhoria das relações, tanto no âmbito educacional, como clinico e, em especial neste trabalho, no atendimento familiar. André Lapierre apontava em seus escritos a importância não só de proporcionar profilaxia às escolas, mas também de observar o contexto familiar e, como isto, interferir diretamente na saúde das crianças.

Esta contribuição com famílias prioriza enxergar melhor como isto tudo acontece, por meio de uma sistematização de atendimentos, apresentando possibilidades mais precisas de intervir e conduzir os pais a terem mais clareza de seus papeis, funções e responsabilidades com os filhos.

Bibliografia

BISCAIA, E. Psicomotricidade relaciona e o despertar do desejo de aprender. In: MIRANDA, V.R.; LONGO, T.P.; FONSECA, G.C.B.; ZEVIR, C. (Orgs.). Educação e aprendizagem – Contribuições da psicologia. Curitiba: Juruá, 2008, p. 43-46.

CARDOSO, R.; MIRANDA, V.R. A criança, a família, a escola e seus aprendizados. In: MIRANDA, V.R.; LONGO, T.P.; FONSECA, G.C.B.; ZEVIR, C. (Orgs.). Educação e aprendizagem – Contribuições da psicologia. Curitiba: Juruá, 2008, p. 117-121.

LAPIERRE, A. Da psicomotricidade relacional à análise corporal da relação. Curitiba: Editora da UFPR, 2002.



1 Psicólogo, Psicomotricista Relacional e Analista Corporal da Relação. Especialista em Psicomotricidade Relacional. Rua Manoel Abrahão, 135, Ribeirão Preto – SP. eloim@continenteassessoria.com.br




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