Projeto memória da reforma psiquiátrica no brasil



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Encontro09.11.2018
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PROJETO

MEMÓRIA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO BRASIL

Memória Social; Reforma Psiquiátrica; Direitos Humanos

Edvaldo da Silva Nabuco1

Paulo Duarte de Carvalho Amarante2



O tema da memória social ganha grande impulso após a segunda guerra mundial quando os horrores dos campos de concentração nazista vieram à tona. Diversos relatos que não constavam nos registros oficiais, mostraram ao mundo o horror dos campos de concentração nazista. A memória social vem sendo apropriada por diversos movimentos sociais para dar conta de suas lutas por mais direitos e emancipação social. O Projeto Memória da Reforma Psiquiátrica no Brasil, desenvolvido no LAPS/FIOCRUZ busca conservar, ampliar e manter atualizado o Centro de Memória existente no LAPS, para proporcionar a pesquisadores, estudantes, movimentos sociais e um público o mais amplo possível, o processo de luta pelas políticas de saúde mental no Brasil. Processo desencadeado pelo Movimento Nacional de Luta Antimanicomial. Discutir-se-á os conceitos de memória social; o papel da memória dos usuários da luta antimanicomial; a importância do reconhecimento; e sobretudo, a formação de um campo artístico cultural a partir do campo da saúde mental que surge da luta de um movimento social cultural. Trabalhos iniciados desde a Dra. Nise da Silveira e que teve na novela Caminho das Índias uma intensa repercussão. Com a inserção dos usuários no Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental, o MTSM passa a se denominar Movimento Nacional de Luta Antimanicomial. A partir de então, a presença dos usuários nos debates para a superação da violência do manicômio se torna mais intensa. Alguns usuários merecem destaque neste processo, tais como Graça Fernandes, Miltom Freire, Austregésilo Carrano Bueno, Fernando Goulart, entre outros. Este registro se dá com maior vigor a partir do lançamento do livro de Austregésilo Carrano Bueno, “Canto dos Malditos”. A excelente repercussão que teve o livro deu origem ao filme de Laís Bodansky, “Bicho de Sete Cabeças”, estrelado pelo ator Rodrigo Santoro, um grande impulsionador da assinatura da Lei 10.2016, em 2001. Ampliando as discussões em torno dos Direitos Humanos, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, realiza, em 2005, em Paris, debates que resultam na Convenção para a Promoção e Proteção das Expressões da Diversidade Cultural. Na Convenção afirma-se que “a diversidade é a essência da humanidade”. O tema avança no sentido de trazer à luz dos debates a importância da descolonização. Para Boaventura de Sousa Santos, a descolonização proporcionou a descoberta de novas formas de conhecimentos e de cultura que não eram acessíveis por conta da colonização feita sobre os países do Hemisfério Sul. Com isso, não se trata de um pensamento que vindo da Europa, deve se impor a outras formas de conhecimento. Para ele, o mundo possui diferentes modos de vida, de cultura e de conhecimento que devem ser respeitados, pois são tão importantes para as pessoas que vivem sob esta concepção de mundo, como as pessoas que vivem com os seus conhecimentos em países da Europa ou do Hemisfério Norte. Para tanto, Boaventura de Sousa Santos utiliza o termo TRADUÇÃO. Os diferentes conhecimentos, modos de vida e de cultura devem se esforçar para realizarem um diálogo em que todos respeitem as suas diferenças.

1 Pesquisador Colaborador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial_LAPS/FIOCRUZ. Mestre em Memória Social (UNIRIO_Universidade de Coimbra). Bolsista do Projeto Memória da Reforma Psiquitátrica no Brasil.


2 Médico Psiquiatra. Doutor em Saúde Pública (Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca_ENSP/FIOCRUZ). Pesquisador Titular da Fundação Oswaldo Cruz. Coordenador Geral do Projeto Memória da Reforma Psiquiátrica no Brasil.



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