Procissão dos retirantes



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Encontro28.10.2017
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PROCISSÃO DOS RETIRANTES

Letra: Marjin César Ramires Gonçalves; Música: Pedro Munhoz; Voz/violão-base: Pedro Munhóz; Violão-solo: Egbert Parada; Baixo: Fabricio Moura

Terra-Brasilis, Continente

Pátria-Mãe da minha gente,

Hoje eu quero perguntar:

Se tão grandes são teus braços,

Por que negas um espaço,

Aos que querem ter um lar?

Eu não consigo entender,

Que nesta imensa nação,

Ainda é matar ou morrer

Por um pedaço de chão!

Lavradores nas estradas,

Vendo a terra abandonada,

Sem ninguém para plantar.

Entre cercas e alambrados,

Vão milhões de condenados

A morrer ou mendigar.

Eu não consigo entender.

Achar a clara razão

De quem só vive pra ter

E ainda se diz bom cristão!

No Eldorado do Pará,

Nome Índio: Carajás

Um massacre aconteceu.

Nesta terra de chacinas,

Essas balas assasinas

Todos sabem de onde vem.

É preciso que a justiça

E a igualdade sejam mais

Que palavras de ocasião.

É preciso um novo tempo,

Em que não seja só promessa

Repartir a terra e o pão

(A hora é essa, de fazer a divisão!)

Eu não consigo entender,

Que em vez de herdar um quinhão

Teu povo mereça ter

Só sete palmos de chão!

Nova leva de imigrantes,

Procissão dos retirantes,

Só há terra em cada olhar.

Brasileiros feito nós,

Vão gritando, mas sem voz

Norte a sul, não tem lugar.

Eu não consigo entender,

Que nesta imensa nação

Ainda é matar ou morrer,

Por um pedaço de chão!

Pátria Amada do Brasil,

De quem és mãe gentil?

Eu insisto em perguntar:

Dos famintos das favelas,

Ou dos que desviam verbas

Pra champagne e caviar?

Eu não consigo entender,

Achar a clara razão

De quem só vive pra ter,



E ainda se diz bom cristão.



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