Priscilla Freitas de Farias



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Pessimismo, neo-romantismo e niilismo passivo: o suicídio de Florbela Espanca como ato político de negação aos valores tradicionais da sociedade Portuguesa (1894 – 1930).

Priscilla Freitas de Farias1*

Florbela D’Alma Conceição Lobo Espanca nasceu em 1894, em um pequeno vilarejo chamado Vila Viçosa, distrito de Évora, pertencente à região do Alentejo de Portugal. Em um período em que um conjunto de códigos sociais ainda operava nas malhas do conservadorismo, em que a mulher era destinada quase exclusivamente a dedicação doméstica e ao cuidado da família, Florbela ocupou o lugar de poeta e intelectual, assumindo uma posição completamente ousada para as tradicionais forças normativas. Florbela foi uma mulher que não silenciou o que pensava, muito menos o que sentia, pelo contrário, seus escritos fornecem imagens de um verdadeiro desabafo de tristeza e desencanto para com a cultura presente. Foi uma mulher que permitiu tornar público os seus sentimentos e, por isso, foi julgada pelo seu atrevimento. Uma mulher que se jogou na vida, que extravasou seus sentimentos, que se permitiu amar e ser amada, no entanto, quanto tudo se esgotou – a arte, o amor e a criatividade –, a vida se esvaziou de sentidos e entregou-se eternamente ao silêncio da morte.

A poeta viveu em meio a toda conturbação de uma sociedade em constantes mudanças de códigos, de valores e de mentalidades do mundo moderno, especificamente no final do século XIX e início do século XX, período marcado pelo esfacelamento do sonho de grandeza colonial e ultramarina de Portugal. O Ultimato Inglês2 suscitou a crise diplomática, econômica e política que aprofundou o país num perigoso jogo de xadrez onde o rei era a todo o momento ameaçado pelas peças inimigas do tabuleiro europeu na disputa pelas fronteiras internacionalmente cobiçadas na África, assistindo, paulatinamente, a derrocada da Monarquia Constitucional e, finalmente, implantação da Primeira República (1910).

O flagelo da incerteza e do desgosto assaltou o país lusitano: nada se firmava seguramente, sobretudo, uma crença para si e para tudo ao redor. Vivia-se o hoje, o agora e o amanhã, mas nunca o depois de amanhã; vivia-se uma realidade em que os sujeitos tentavam a todo custo conservar o antigo e não deixar esvair o novo que mal compreendiam. Nesse cenário desordenado, as subjetividades se revelavam cada vez mais desenraizadas, cada vez mais distantes da identificação e classificação das tradicionais forças normativas. Era um período de conformação de novas subjetividades e, portanto, um período de redefinição do sujeito: configurando novas dinâmicas culturais e posicionamentos políticos, econômicos e religiosos.

Nessa atmosfera, o plano literário português recebia influências de correntes ideológicas e estéticas de origem francesa, encabeçado por Charles Boudelaire3, assim como Paul Verlaine4, que deram início ao processo de modernização da poesia, fomentando ainda mais o clima de saturação, indisposição e decadentismo entre os jovens lusitanos para com as crenças monárquicas, possibilitando a emergência de uma peculiar necessidade reformadora para o país. Esses poetas franceses, que também passaram a serem chamados de ‘os decadentes’, influenciaram a chamada Geração de 70, também conhecida por Geração de Coimbra 5, que se formou num ambiente boêmio como movimento acadêmico que se manifestou com a introdução do que se aproximava do Realismo Naturalismo6 na tentativa de combater uma sociedade que se acreditava estar em constante decomposição. Poetas como Antero de Quental7, Teófilo Braga8 Eça de Queiros9 e Oliveira Martins10, entre outros intelectuais, reuniam-se para discutir sobre novas ideologias que vinham diretamente do centro da Europa acerca da revolução da vida política, cultural e urbanística. Ao mesmo tempo gerou um polêmico conflito ideológico no interior do grupo em que a corrente literária realista naturalista entrou de confronto com os ultrarromânticos, sendo este último caracterizado pelo cultivo da paixão e da admiração pela Pátria defendida por poetas como António Nobre11, Teixeira de Pascoaes12, entre outros escritores, que ressuscitaram o culto dos valores contidos na obra de Almeida Garret13.

De modo geral, grande parte dos escritores estreados entre 1890 e 1900 era “naturalista” ou “simbolista”; mais do que modas literárias, essas correntes estilísticas eram uma reflexo que correspondiam à crença de que a sociedade europeia estava em decadência. O Realismo-naturalismo que, a princípio, combatia essa sociedade decadente, logo formou o estilo que foi chamado Decadentismo que, por sua vez, transformou-se em Simbolismo. A partir da confluência dessas correntes literárias que influenciaram a Geração de 70, surgiu uma nova geração de estudantes/poetas finssecular que não só conseguiram captar, expressar e manifestar seus sentimentos de insatisfação diante do clima de estranheza.

O fim do século XIX foi o ápice da tragédia portuguesa, começou os períodos dos suicídios dos últimos protagonistas do Romantismo: D. Fernando de Coburgo (1885); Mendes Leal (1886); Fontes (1887); Costa Cabral (1888); Soares dos Reis (1889); Camilo, João Lemos e Júlio César Machado (1890), Antero de Quental (1891) e, por fim, Oliveira Martins, que estava sozinho no meio dessa geração comprometida com a nação doente, viu toda uma geração se entregar à morte, enterrou todos seus amigos compatriotas. E, assim, como um bom romântico, deixou-se morrer de desgosto, de dor e de amor desiludido, em 1894, ano em que Florbela viria nascer. É certo que todos esses românticos viveram em meio à perturbação de espírito resultado não só das sucessivas crises político-sociais, mas das criações advindas do Romantismo e do seu comportamento romântico.

Foi então que, no final do século XIX, chegaram a Coimbra os primeiros jovens que vieram das mais diferentes regiões de Portugal para cursar o ensino superior. Uma mocidade que se libertavam dos velhos liceus com suas mentes juvenis e cheias de esperanças, aberta para as novas ideias que a metrópole lhes tinha para oferecer, fomentando ainda mais o espírito revolucionário de uma nova geração que viria contestar radicalmente as demandas monárquicas e, posteriormente, viria fundar o movimento da Renascença Portuguesa14. Nesse grupo, encontrava-se Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra15, Afonso Lopes Vieira16, Jaime Cortesão17, Augusto Casimiro18, entre outros jovens revolucionários que, embora tenham estudando cursos diferentes no mesmo período letivo na Universidade de Coimbra, só viera se encontrar efetivamente na virada do século XX em prol do ideário revolucionário cultural de Portugal. Naquele período, mesmo separados, todos compartilhavam o mesmo ideário: de uma literatura ultrarromântica e simbolista que transbordava um discurso nacionalista chauvinista. O ultranacionalismo invadia as universidades e extravasavam pelas ruas do Porto, de Coimbra e de Lisboa; os estudantes tomavam as ruas em cortejos, visitavam associações, jornais e teatros com estandartes, exaurindo fortes manifestações patrióticas (MATOSSO; RAMOS, 2001, p.262) contra a Monarquia Parlamentarista.

Florbela cresceu e foi influenciada por um período em que se avolumou num incrível desenvolvimento artístico que surgiu, notadamente, pelo desencanto para com o mundo ao redor, quase sempre movido pelas paixões ou, pelo contrário, movido pelo tédio. Como pudemos perceber ao longo do nosso estudo, vários literatos, músicos, homens da ciência, artistas, mulheres solteiras e/ou casadas, desenvolveram em suas múltiplas personalidades o principal sintoma do mal estar do século: o tédio. O tédio se torna protagonista nos ciclos intelectuais da sociedade portuguesa, sendo sentido/revestido de diversas maneiras, seja racionalizado, deliberado, intelectualizado, se manifestando até mesmo no ato do suicídio. Florbela também foi apanhada pela doença do século, foi arrastada pela doença da alma, apreendida pelas incertezas daquele presente tão incômodo que parecia se esvair pelas mãos. De alguma forma, essa consciência intelectualizada adquirira um estado patológico que foi lançado na vida cotidiana da virada do século.

É certo que, às vésperas da revolução republicana e derrocada da Monarquia Constitucional, Florbela era apenas uma adolescente de dezesseis anos, mas um tanto consciente e decidida. Em 1908, quando sua mãe Antonia Lobo da Conceição morreu com uma doença indeterminada, ainda menina Florbela teve que assumir responsabilidades de uma mulher adulta, foi mãe e irmã mais velha de Apeles Espanca. Em 1913, Florbela foi emancipada e no mesmo ano se casa com Alberto de Jesus Silva Moutinho. Nesse período, Florbela já fazia colaborações literárias no jornal Notícias de Évora, quando finalmente concluiu o sétimo ano de letras no Liceu de Évora e, logo em seguida, começou a cursar Faculdade de Direito em Lisboa. Ela não era bem o tipo de mulher inocente que morava no interior alentejano, alheia aos acontecimentos do mundo, mas, sim, uma mulher que tinha ambições, com ímpeto cosmopolita e bastante antenada.

Florbela Espanca viveu num período onde absolutamente tudo estava confluindo para a mudança do posicionamento político e ideológico dos intelectuais no cenário cosmopolita lusitano; em pequenos passos silenciosos, os mentores da revolução nacional aspiravam uma nova era política e cultural para fazer renascer um novo Portugal. Foi nesse contexto que Florbela apreendeu o sentido da arte poética, onde ela se deixou levar pela sedução criativa e imaginativa da cultura, pelos prazeres sensitivos da elucubração da vida. A arte era tudo para um período devastado, era princípio e fim, vida e morte, só através da arte os intelectuais poderiam expressar tamanha angústia e insatisfação com a sociedade e com o regime.

É difícil enquadrar Florbela numa única corrente literária, pois a sua poesia construiu uma linguagem muito própria e singular na literatura portuguesa. Florbela conquistou seu espaço único, expressando-se a partir dos seus sentimentos, seus anseios, seus desejos eróticos sensuais. No entanto, uma característica marcante na sua obra é o fato de sua estética residir no cruzamento de várias tendências poéticas, tais como aquelas encarnadas por poetas como: Júlio Dantas, Guerra Junqueiro, Antero de Figueiredo, José Duro, Mário de Sá-Carneiro e, sobretudo Antonio Nobre, que se mistura entre o simbolismo, o pessimismo decadentismo e, sobretudo, o romantismo. De fato, o suicídio de Florbela Espanca foi à própria consumação de uma fuga, fuga do amor romântico, fuga da vida e dos sofrimentos que lhe trouxe a vida, além disso, seria uma saída fiel aos preceitos neorromânticos que Florbela seguia. Sua alma romântica e ao mesmo tempo niilista se apega a dor do vazio e na angústia, aferra-se a sensação de um coração magoado.



  1. Niilismo passivo em Florbela Espanca

Pensava Nietzsche, a crise do mundo moderno é uma consequência da desvalorização universal dos valores supremos da humanidade, da morte de Deus, referência central e divina na elaboração desses valores: o humanismo e o cientificismo levaram a perda da identidade tradicional dos sujeitos apoiada na explicação religiosa do mundo, o que para muitos levaram a derrocada da família, a anarquia, a luxuria e a neurose. A afirmação da razão como autoridade, implica, sobretudo, na queda do cristianismo como pilar da vida moral e espiritual. A crise dos valores até então tidos como universais e absolutos acarreta a emergência do que se considerou o niilismo moderno que, por sua vez, se expressaria na angústia do absurdo impondo a certeza de que nada tem sentido. O niilismo é uma consequência da falta de solidez da existência acarretada pelo fim desses valores supremos.

O niilismo emerge como um sintoma patológico decorrente da situação sociocultural devido à recusa da tradição, particularmente da tradição cristã, portanto, o niilismo seria fruto do afastamento dos homens modernos, notadamente entre as elites sociais, de Deus como verdade absoluta, emergindo a descrença e a possibilidade de se pensar que “tudo é falso” e “nada tem sentido”. O niilismo é a falta da resposta ao “por quê” da existência humana. De um lado a “falta de sentido”, de outro a crise dos juízos morais. O niilismo seria fruto da desvalorização universal dos valores, da derrocada da moral cristã, a medida que os sujeitos voltavam-se contra a hipocrisia da Igreja Católica, questionando toda interpretação cristã do mundo (NIETZSCHE, 2008, 27).

Nesse sentido, os valores sociais foram postos a serviço desse Homem como uma dimensão real e absoluta, entretanto, quando a mesquinhez desses valores se torna clara, esses valores passam a não ter sentido, daí a ausência da existência de valores absolutos e, consequentemente, cresce o pessimismo. (NIETZSCHE, 2008, 30). O pessimismo se torna a alma do homem moderno. Não tardou para se disseminar largamente o discurso que um grande desastre estava por vir, um cataclismo se aproximava, surge uma tendência de julgar que o mundo caminhava em direção ao mau. O movimento pessimista era um sintoma social que emergiu no início do século passado como uma expressão de decadência desse sujeito moderno metafísico, da ordem social aristocrática e cristã. A lógica do pessimismo acompanhava par em par o niilismo, no sentido que a ausência de valor e a falta de sentido daquele foi incorporado nesse.

O pessimismo era um reflexo da própria improficuidade do mundo moderno que anunciava a decadência da sociedade como uma espécie de doença social, como uma antecipação do niilismo. O ceticismo, a corrupção dos costumes tradicionais, os traumatismos sociais e as doenças, especialmente as doenças dos nervos e da cabeça, seriam a consequência da decadência desse mundo moderno, que muitos pensadores, sobretudo Nietzsche, diagnosticaram como sendo o próprio caráter doentio da modernidade que, por sua vez, aprofundou-se muito mais, não só no que consideravam ser os vícios da sociedade moderna – sobrecarga de trabalho, a curiosidade, os avanços da ciência e a compassibilidade19, mas, sobretudo, na inquietante espiritualidade moderna. É importante ressaltar que o niilismo não é causa desses males, mas a consequência dessa lógica da decadência: é uma aflição, uma tristeza diante dessa decadência da vida conforme os padrões cristãos ou aristocráticos.

Florbela, portanto, formou-se subjetivamente neste período que, em Portugal, imperava entre as elites sociais a ideia de decadência. Podemos dizer, se formos usar os termos da época, que Florbela vivia fragilizada, debilitada e açoitada por uma doença que se agravava dia após dia e nenhum médico conseguia diagnosticar: o niilismo, o pessimismo, a descrença. Como muitos sujeitos que viveram nesse período na sociedade portuguesa, Florbela parecia se deixar consumir pela depressão e pela neurose. Faltava-lhe força e vontade de viver, essa debilidade prejudicava a si mesma, causando-lhe uma decadência de si, uma espécie de autodestruição.

Estou magra como um junco, sem forças, neurastenizada e insuportável. Tenho corrido em vão a todos os médicos, feito radiografias de tudo quanto é possível radiografar-se, análises de tudo quanto é possível analisar-se e... ninguém sabe o que me mata pouco a pouco. A alma, talvez; a eterna história da lâmina corroendo a bainha. (...) Sou uma inválida, uma exilada da vida. O que mais me tortura são as teimosas insônias em séries de quatro noites, só consigo dormir sem Veronal ou qualquer outra droga. 20

Segundo Nietzsche, a moral era o único remédio que protegia os sujeitos malsucedidos contra o niilismo, quer dizer, contra a vontade de nada, contra a tendência de autodestruição, no sentido que a moral atribuía a esses sujeitos um valor infinito, um valor metafísico; segundo o filósofo, os malsucedidos que não se ajoelhassem perante a moral, não tinham um consolo subsistente e, consequentemente, sucumbiriam, afundar-se-iam nos próprios sintomas da autodestruição. (NIETZSCHE: 2008, p. 54). Vendo por essa perspectiva, Florbela se viu completamente perdida e sem referências, passou grande parte da sua vida lutando contra um enorme ermo que não sabia de onde vinha, lutando contra uma perturbação mental e contra crises de depressão, porque suas ações e seus escritos definitivamente expressavam uma liberdade incompatível com os ditames morais de sua época, possuía uma personalidade que tendia para a não observância das regras nem limites que a freasse, ela não se submeteu a moral, foi uma mulher completamente descrente de qualquer explicação metafísica:
Não acredito em nada. As minhas crenças

Voaram como voa a pomba mansa;

Pelo azul do ar. E assim fugiram

As minhas doces crenças de criança.


Fiquei então sem fé; e a toda gente

Eu digo sempre, embora magoada:

Não acredito em Deus e a Vigem Santa

É uma ilusão apenas e mais nada! 21

Pensando com Nietzsche, a ruptura com as regras da moral tradicional explicaria não só sua vontade de nada, mas sua nítida vontade de autodestruição através do uso constante de pesados soníferos e de três tentativas de suicídio, até sucumbir à terceira delas. Doente do corpo e da alma, Florbela não achava consolo para tamanho mal. Podemos dizer que seu corpo débil arrastava uma alma grande e pesada, a qual não conseguia carregar. Florbela, no final da vida, estava bastante magra, com a cabeça cheia de cabelos brancos e sem vontade para viver, realmente sua vida era atravessada por um imenso vazio aflitivo:

Nada me chega, nada me convence, nada me enche. (...) A morte, talvez... esse infinito, esse total e profundo repouso; (...) Às vezes, me parece que tenho qualquer missão a cumprir, qualquer coisa a fazer; mas não sei o que é, não compreendo, e esta inquietação mina-me, rói-me, esta interrogação, esta continua busca, cada vez mais ansiosa, dentro de mim mesma, desvaira-me.22

Esse fragmento é explicativo do por que terem sido essas suas últimas palavras no seu diário íntimo: “Tudo será melhor que esta vida!” 23. Após tanta luta contra os juízos morais e os valores de seu tempo, após ter sido apontada pela sociedade como transgressiva devido aos seus atos de insubordinação aos códigos sociais, Florbela tomba, desfalece, já não tem forças para lutar contra a maré, consequentemente, já não vê nenhum sentido na existência, como se tudo fosse em vão, sem fim e sem objetivo. Florbela odiava o passado, detestava o presente e temia o futuro. A descrença e a falta de esperança são as palavras chaves para descrever o seu descontentamento para com a vida. Estava completamente emparedada no devir da sua própria história, o que a levou ao niilismo extremo, ela nada esperava do e no tempo. O niilismo é um dos componentes da subjetividade de Florbela que a fez voltar-se contra si própria.

O sentido da existência tal como ela é para Florbela, sem fim nem objetivo, que retornava sistematicamente sem um desfecho, no nada, é o que Nietzsche vai chamar de “o eterno retorno” do niilismo. Segundo o filosofo alemão, essa é a forma mais extrema do niilismo: o eterno nada, sem sentido e sem direção, presa ao “o eterno retorno” do nada. (NIETZSCHE: 2008, p. 52 – 53).

Parece-nos que Florbela ficou obcecada por esse nada, por esse ermo que emergia da sua existência, construindo toda sua poesia encima dos sentimentos de melancolia e de tristeza: morte, amor frustrado e saudade. Parece-nos que a incerteza de uma crença ou a falta de uma interpretação para o mundo causava-lhe uma sofreguidão na alma, provocando-lhe uma nostalgia de algo indefinível, uma nostalgia pelo nada. Sua alma niilista se apega ao vácuo da ausência representado e significado pelo sentimento e pela palavra saudade, apegando-se ao sofrimento da falta da presença, multiplicada sempre por um algo indefinido.

Nesse sentido, o niilismo se expressa em Florbela através do sentimento, como uma forma dela se relacionar com o passado, presente e futuro angustiadamente, como uma forma dela pensar e sentir pessimistamente o mundo ao seu redor. O niilismo tem como marca o “predomínio do sofrimento sobre o prazer” ou o inverso (o hedonismo): ambas as doutrinas são elas mesmas, precursoras do niilismo... (...) em ambos os casos, não se estabelece nenhum outro sentido último senão a manifestação de prazer e de dor.” (NIETZSCHE: 2008, p. 41); neste sentido, acreditamos que na fase mais extremada do niilismo em Florbela, em sua alma crucificada já não se estabelecia nenhum outro sentido senão a manifestação de prazer na dor. Parece-nos que o sofrer por amor constitui um prazer para Florbela. Desejosa de novas sensações, paradoxalmente, Florbela gozava o sofrimento e, com ele, fazia com que a agonia do amor derrocado se tornasse suavidade - a suavidade letal de uma prazer pelas dor. Seu amor impetuoso se manifesta com intensas tempestades seguidas de calmarias, seu coração cheio de ternura sorveu em um néctar de amarguras.

Nesse mundo amargo onde reside a ansiedade e a dor tão cruenta, Nietzsche nos fala de dois tipos de niilismo: o niilismo ativo e o niilismo passivo. O niilismo ativo é aquele que não só exige como também se empenha para a derrocada universal dos pilares da moral e das projeções da metafísica; a vontade de poder assume-se enquanto força destrutiva do baluarte da moral e, consequentemente, ergue novos princípios e cria novos valores. O niilista ativo luta contra a vontade do nada e constrói novos valores. Só assim, através da manifestação criativa e da ação criadora, isto é, da transvalorização de todos os valores, começa-se a desenhar a esperança de superação do próprio niilismo ativo.

A vida adquire tons cinzentos, a essa altura Florbela não acreditava mais nas possibilidades, muito menos no amor. Enquanto isso, amargurada, Florbela devaneava em pensamentos e desabafava escrevendo no seu diário pessoal. “Não, não e não!” 24. Ela negava aceitar aquela vida, repelia com desprezo aquela realidade:


A morte definitiva ou a morte transfigurada?

Mas que importa o que está ara além?

Seja o que for, será melhor que o mundo!

Tudo será melhor que esta vida! 25

Em seu último diário, Florbela deixa claro que a morte não a apavorava, pelo contrário, notadamente ela tinha uma relação de entendimento com a morte. Segundo a poeta, só a morte lhe traria a glória, a realização dos seus sonhos, de um amor, pois só a morte libertaria sua alma presa as suas necessidades. Para Florbela, a morte é como uma acalentadora de suas ansiedades que embala seus sonhos. Frustrada, vazia e solitária no presente que a devorava, completamente emparedada, Florbela friamente escreve sua última linha no diário: “E não haver gestos novos nem palavras novas.” 26Tragicamente, no dia 08 de dezembro de 1930, no dia do seu aniversário, Florbela é encontrada morta sobre a cama de sua residência em Matosinhos com dois fracos vazios de Veronal.

Apesar de Florbela ter negado toda forma de moral deliberadamente, pois se recusou a se submeter aos modelos de mulher estipulados não só pela moral cristã, mas pela política do Estado Novo, a poeta não resistiu às pressões externas e terminou por desembocar no nada, na negação total de valores e da vida, entregou-se à morte e, portanto, assumiu um niilismo passivo. Apesar de Florbela ter sido transgressiva para o período em que viveu, recusando-se a se submeter ao trabalho doméstico e ao cuidado da família, recusando a se sujeitar as humilhações dos maridos, permitindo-se entregar-se a novas paixões e ainda, recusando o obscurantismo do analfabetismo feminino em Portugal, mesmo assim, Florbela entregou-se à morte. Quer dizer, apesar de ter lutado contra todos os princípios morais de uma sociedade tradicionalista, sendo por isso criticada severamente por suas atitudes, Florbela não suportou as armadilhas que a vida pôs em seu caminho; sua sensibilidade aguçada não suportou a humilhação e a violência das palavras opressoras da sociedade, entregando-se a morte.

Numa época marcada por grandes brutalidades humanas - guerras sangrentas, destruições e explorações -, paralelamente a uma crescente fraqueza do sujeito, teve como reflexo uma sociedade sequelada pelo medo, pela incerteza, pela desconfiança, pelo individualismo e pelo profundo pessimismo que se traduziu no próprio niilismo. Apesar dessa sociedade de pavor e de angústia ter gestado uma quantidade de filhos abortados pela vida e sufocados pelos “miasmas” sociais, essa sociedade produziu sujeitos criativos, que mudaram o conceito de cultura, de história e de literatura em Portugal.

Florbela Espanca trazia consigo muitas características do espírito moderno desse período: sua liberdade em relação a moral e a falta de disciplina em relação às regras foram, sem dúvidas, as mais escandalosas para a sociedade portuguesa tradicionalista. Desse sujeito moderno, Florbela trazia o pessimismo, mas, por outro lado, a curiosidade como um grande estímulo para sua existência, pois se dedicou quase que exclusivamente a arte das letras; a poeta também se distinguiu pela incapacidade para o amor e suscetibilidade para a doença física e metal tão comuns naquele período. Certamente, esse mundo moderno confuso e desordenado de que falamos, produziu uma subjetividade marcada no sentido do existencial da poeta.

Acreditamos que nos últimos anos de sua vida, Florbela já não sabia em que se agarrar, não possuía referências e não tinha mais um fio condutor, nem sequer uma motivação. Florbela experimentou a extrema experiência da descrença, terminou completamente perdida, caminhando em meio à escuridão. Sua subjetividade niilista foi como uma reação de forças que a empurrou em direção ao nada e, assim, Florbela desembocou, passivamente, na negação total dos valores e da vida.

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PEREIRA, José Carlos Seabra. Tempo neo-romântico: contributo para o estudo das relações entre literatura e sociedade no primeiro quartel do século XX. Análise Social, Coimbra: vol. XIX, 1983. Disponível em: <http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223465403P1vCN9sm4Fg38TM1.pdf>. Acesso em: 7 jun. 2014.

SANTOS, Alfredo Ribeiro dos. A Renascença Portuguesa: um movimento cultural Portuese. Porto: Fundação Eng. Antônio de Almeida, 1990.

SAMUEL, Paulo. A Renascença Portuguesa: um perfil documental. Porto: Fundação Eng. Antonio de Almeida, 1990.



1* Doutoranda em História Social pela Universidade Federal do Ceará.

2 Ultimato Inglês (1890) foi uma intimação que o Reino Unido apresentou a Portugal, notificando que Portugal desocupasse os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique, caso contrário, iniciaria uma guerra. Portugal, por sua vez, submeteu-se ao mandado porque não podia lutar pelas terras, pois se encontrava à beira da falência. A perda das terras foi vista como uma humilhação nacional, desencadeando uma série de revoltas populares responsabilizando a coroa pelo mal-estar nacional.

3 Charles Boudelaire (1821 – 1867) foi um poeta boêmio, considerado um dos precursores do simbolismo e fundador da tradição moderna da poesia.

4 Paul Verlain (1844 – 1896) foi um dos poetas mais populares franceses

5 Geração de 70 ou Geração de Coimbra foi um movimento acadêmico de Coimbra na segunda metade do século XIX que revolucionou várias dimensões da cultura portuguesa, desde a política à literatura, cuja revolução se manifestou desde o romantismo, passando pelo realismo-naturalismo até, por fim, simbolismo.

6 O Realismo-naturalismo foi um movimento artístico e literário que surgiu nas últimas décadas do século XIX na Europa, que implica no distanciamento da subjetividade do escritor, buscando desnudar as mazelas da vida pública, prezando pela objetividade e o raciocínio como único meio para a compreensão da realidade. De modo geral, caracteriza-se por ser uma literatura crítica na qual ressalta o antiburguesismo, o anticlericalismo, o antitradicionalismo e, por fim, o antimonarquismo.

7 Antero de Quental (1842-1891) foi escritor e poeta português que teve um papel importante no movimento da Geração de 70, não só foi um dos fundadores do Partido Socialista Português, assim como foi um dos fundadores do jornal A Republica.

8 Teófilo Braga (1843 – 1924) foi político, escritor e ensaísta; foi licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, lecionou literatura no Curso Superior de Letras, tendo suas obras fortemente influenciadas pelas teses sociólogas e políticas do positivismo, logo aderindo aos ideais republicanos.

9 Eca de Queiros (1845 – 1900) foi considerado um dos mais importantes escritores de Portugal; entre outros romances reconhecidos, foi autor dos livros Os Maias e O Crime do Padre Amaro, este último consagrado na literatura portuguesa como o melhor romance realista do século XIX.

10 Oliveira de Martins (1845 – 1894) foi um político e cientista social português, ele foi um elemento animador na Geração de 70, revelou uma elevada influência sobre múltiplas correntes de ideias que atravessava o século XIX, por isso não só colaborou nos principais jornais literários e científicos de Portugal, assim como nos jornais políticos socialistas.

11 António Nobre (1867 – 1900) foi poeta português cuja obra se insere não só na corrente ultrarromântica, mas nas correntes simbolistas e saudosista do fim do século XIX. Sua principal obra foi (1892), mascada pela lamentação, nostalgia e subjetivismo.

12 Teixeira de Pascoaes (1877-1952) foi poeta e escritor português, principal representante do Saudosismo, um dos fundadores da revista “A Águia”, precursores do movimento da Renascença Portuguesa. Disponível em: <>. Acesso em: Abr. 2015.

13 Almeida Garret foi (1799 – 1854) foi um escritor e uma das maiores figuras do romantismo português. Ele foi impulsionador do teatro de Portugal, assim como participou ativamente da revolução liberal em 1820.

14 A Renascença Portuguesa foi um movimento cultura portuguesa que foi fundado em 1912, na cidade de Porto, cujo principal objetivo era o renascimento do nacionalismo ligado a plano literário e filosófico, assim como neogarrettismo e o neosebastianismo. Disponível em: <>. Acesso em: Abr. 2015.

15 Leonardo Coimbra (1883-1936) foi filósofo, professor e político português. Ao lado de Jaime Cortesão fundou e dirigiu a revista Nova Silva. Ao lado do seu companheiro inseparável Teixeira de Pascoas, fundou o movimento da Renascença Portuguesa, assim como dirigiu a revista A Águia. Disponível em: <>. Acesso em: Abr. 2015.

16Afonso Lopes Vieira (1878 – 1946) bacharelou-se em direito pela Universidade de Coimbra, além ter sido poeta português, foi um dos primeiros representantes no neogarretismo. Colaborou em publicações de jornais e periódicos, foi ligado ao movimento da Renascença Portuguesa e, posteriormente, defendeu o Integralismo Português. Disponível em: <>. Acesso em: Abr. 2015.

17Jaime Cortesão (1884-1960) foi médico político e escritor. Ao lado de Leonardo Coimbra fundou e dirigiu a revista Nova Silva. Colaborou na fundação da revista A Águia e do movimento Renascença Portuguesa, colaborou com a publicação do Boletim A Vida Portuguesa, assim como teve colaboração na revista Atlantida, Ilustração, Ilustração Portugueza e Serões. Em 1919, foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional de Portugal. EM 1921, abandona a Renascença Portuguesa, para funda a revista Nova Seara. Disponível em: <>. Acesso em: Abr. 2015.

18Augusto Casimiro (1889-1967) foi poeta, memorialista, memorialista, jornalista e comentarista político português. Fez parte do grupo que fundou a Renascença Portuguesa e, posteriormente, fez parte do grupo de intelectuais que lançou a revista Nova Seara. Disponível em: <>. Acesso em: Abr. 2015.

19 Compassibilidade foi um conceito criado por Gottfried Leibniz, filósofo e cientista alemão, para designar um mundo possível em meio a diversidade de escolhas e personalidades dos sujeitos, quer dizer, um mundo real possível onde indivíduos compassíveis possam viver juntos.

20 Carta enviada ao professor Guido Battelli datada de 5 de julho de 1930.

21 ESPANCA, Florbela. Aos Olhos dele. In: Trocando Olhares. São Paulo: Martin Claret, 2009, p. 66.

22 Carta enviada ao professor Guido Battelli datada de 2 de agosto de 1930.

23 Diário de Florbela 20 de novembro de 1930

24 Diário de Florbela 15 de novembro de 1930.

25 Diário de Florbela 20 de novembro de 1930

26 Diário de Florbela 02 de dezembro de 1930


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