PRÉ-modernismo (1902 – 1922) a voz da História



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PRÉ-MODERNISMO (1902 – 1922)
A voz da História

Lima Barreto - Mulato, Pobre, Mas Livre

(G.R.E.S. Unidos da Tijuca – RJ)
Vamos recordar Lima Barreto
Mulato pobre, jornalista e escritor
Figura destacada do romance social
Que hoje laureamos neste carnaval
O mestiço que nasceu nesta cidade
Traz tanta saudade em nossos corações
Seus pensamentos, seus livros
Suas ideias liberais
Impressionante brado de amor pelos humildes
Lutou contra a pobreza e a discriminação
Admirável criador, ô ôôô
De personagens imortais
Mesmo sendo excelente escritor
Inocente, Barreto não sabia
Que o talento banhado pela cor
Não pisava o chão da Academia
Vencido pela dor de uma tragédia
Que cobria de tristeza a sua vida
Entregou-se à bebida
Aumentando o seu sofrer
Sem amor, sem carinho
Esquecido morreu na solidão (bis)
Lima Barreto
Este seu povo quer falar só de você (bis)
A sua vida, sua obra é o nosso enredo
E agora canta em louvor e gratidão

(Samba Enredo 1982)



Existem outros dois importantes escritores que produziram suas obras a partir de uma análise crítica da realidade brasileira no início do século XX, lutando por uma efetiva transformação no país, algo que não ocorreu substancialmente até os presentes dias, como vamos notar a seguir. Suas obras, apesar da distância temporal que as separa da atualidade, ainda mantém a crítica, visto que o Brasil traz certos vícios de origem que são imensamente difíceis de serem curados: a corrupção, a hipocrisia, a falta de um pensamento desenvolvimentista, o imediatismo, a falta de estrutura social, o racismo... entre outros problemas.

Estes escritores são Lima Barreto, mulato que tanto sofreu com o preconceito intrínseco na sociedade e Monteiro Lobato, um autor que buscou revolucionar o país a partir da literatura infantil (é dele a frase: “Um país se faz com homens e livros”).
Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu a 13 de maio de 1881 no Rio de Janeiro. Seu pais era tipógrafo na Imprensa Nacional e a mãe era professora primária, de modo que o mulato, cursou as primeiras letras em Niterói e depois transferiu-se para o Colégio Pedro II. Em 1897 ingressou no curso de Engenharia da Escola Politécnica, abandonando-o em 1902 para assumir a chefia e o sustento da família, devido ao enlouquecimento do pai (alcoólatra), e empregou-se como amanuense na Secretaria da Guerra.

Apesar do emprego público e das várias colaborações no jornais da época lhe darem uma certa estabilidade financeira, Lima Barreto começou a entregar-se ao álcool e a ter profundas crises de depressão. Além de sofrer com o preconceito racial.
No ano de 1909 fez sua estreia como escritor com o lançamento da obra “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”. Nessa época, dedicou-se à leitura dos grandes nomes da literatura mundial, dos escritores realistas europeus de seu tempo, tendo sido dos poucos escritores brasileiros a tomar conhecimento e a ler os romancistas russos. Em 1911 escreveu o romance “Triste fim de Policarpo Quaresma”, publicado em folhetins no Jornal do Comércio.
Apesar do aparente sucesso literário, Lima Barreto não consegue se afastar da bebida e é internado por duas vezes entre os anos de 1914 e 1919. Em 1917 publicou um manifesto socialista, que exaltava a Revolução Russa. No ano seguinte, doente e muito fraco, foi aposentado do serviço público e em 1º de novembro de 1922 veio a falecer, vítima de um colapso cardíaco.
Características

Disse sobre ele o biógrafo e escritor João Antônio (autor de “Leão de Chácara”): “Tudo de Lima é atual, de uma atualidade alarman­te. Diante de seus livros, um patrimônio nacional – quatro romances do maior peso, “Isaías Caminha”, “Policarpo Quaresma”, “Numa e a ninfa” e “Clara dos Anjos” e alguns contos fundamentais para quem se meta a conhe­cer Literatura Brasileira –, nos embasbacamos. (...) De Afonso Henriques de Lima Barreto está tudo aí, vi­vo, pulando, nas ruas, se mexendo, incrivelmente sem solução. Da mesma forma descarnada, crua, tupiniquim com que este mulato pobre e bêbado flagrou esta vida carioca, brasileira, sul-americana”.



Sua obra é uma autêntica “crônica de costumes” dos subúrbios cariocas e de sua população, retratando, de um lado, a população pobre e oprimida desse subúrbio e, de outro, o mundo vazio e fútil de uma burguesia medíocre; de políticos poderosos e incompetentes, de uma República nepotista e de militares opressores. Parece refletir, muitas vezes, a própria experiência do autor, principalmente a dos negros e mestiços, que sofriam o preconceito racial.

No “quixotesco” Triste Fim de Policarpo Quaresma, critica o nacionalismo exagerado e utópico, tomado como bandeira isolada, tornando-se absurdo e patético. Além disso, aponta para o excessivo militarismo em nossa política republicana, que levou o país à ditadura de Floriano, dando origem a um governo despótico manipulado e perigoso.

     

BOX: Segundo Moisés Gicovate, eis as principais características da obra de Lima Barreto:



  • Não copiou nem imitou. Os personagens de Lima Barreto são arrancados de sua própria vida; escrevia por necessidade, era uma forma de libertar-se, de analisar-se a si próprio.

  • Os escritos são, em grande parte, autobiográficos; encerram muitos fatos verdadeiros, com a interpretação de Lima Barreto.

  • A espontaneidade e a marca de seu estilo: fazia da pena o instrumento do coração.

  • Lançou mão da sátira, da ironia e do humor. Certo, tudo isso é um meio de defesa, ou, segundo Freud, é mesmo o principal meio de defesa. De qualquer forma, a caricatura e a mordacidade faziam ressaltar a brutalidade e o ridículo de certas situações e, na medida em que se fundamentavam na realidade, eram objetivamente válidas.

  • A obra de Lima Barreto aborda quase tudo, no seu tempo: forma de governo, organização econômica, preconceitos de raça, a burocracia, os tráficos de influência; os grupinhos, as sociedades de elogio mútuo - sem as quais o literato era condenado à marginalização.


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