Porque devemos pensar corretamente sobre deus



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Encontro13.07.2017
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PORQUE DEVEMOS PENSAR CORRETAMENTE SOBRE DEUS

A.W. Tozer

Ó, Senhor Deus todo Poderoso, não o Deus dos filósofos e dos sábios, mas o Deus dos profetas e apóstolos; e melhor de tudo, o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, posso falar de Te sem reserva? Eles que não Te conhecem podem invocar-Te como Tu não és, e assim adorar não a Ti, mas uma criação que é fruto dos seus próprios pensamentos; ilumina nossas mentes que possamos conhecer-Te como Tu realmente és, para que possamos amar-Te perfeitamente e adorar-Te dignamente.

Em nome de Jesus Cristo nosso Senhor, Amem.

O que vem a nossa mente quando pensamos sobre Deus é a coisa mais importante sobre nós.

A história da raça humana provavelmente nos mostrará que nenhum povo tem se elevado acima da sua religião, e a história espiritual do homem certamente demonstrará que nenhuma religião é maior do que sua ideia sobre Deus. Adoração é pura ou degradante e depende dos pensamentos altos ou baixos do próprio adorador.

Por esta razão a pergunta mais importante para a Igreja é sempre a do próprio Deus, e o fato mais portentoso do homem não é o que ele pode dizer ou fazer em determinado momento, mas a concepção de Deus que tem no fundo do seu coração. A nossa tendência, pela lei secreta da alma, é nos deslocar na direção da nossa imagem mental de Deus. Isto não é verdade somente do cristão individual, mas da companhia de cristãos que compõe a Igreja. A ideia mais esclarecedora da Igreja é sempre a sua ideia de Deus, assim como a sua mensagem mais significante é o que ela diz ou deixa de dizer sobre Ele, pois seu silêncio é muitas vezes mais eloquente das suas palavras. Ela nunca pode escapar a sua auto-revelação do seu testemunho sobre Deus.

Se fosse possível extrair de um homem uma reposta completa à pergunta “O que vem a sua mente quando você pensa sobre Deus?”, talvez pudéssimos prever com certeza o futuro espiritual daquele homem. Se soubéssemos precisamente o que os nossos líderes religiosos mais influentes pensam sobre Deus hoje, talvez pudéssemos prever com alguma precisão onde a Igreja estaria amanhã.

Sem dúvida, o pensamento mais poderoso que a mente pode acolher é o pensamento sobre Deus, e a palavra mais importante em qualquer idioma é Deus. Pensamentos e voz são os dons de Deus às criaturas feitas a sua imagem; são intimamente associados com Ele e impossível sem Ele. É muito importante que a primeira palavra foi a Palavra: “E a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.” Podemos falar porque Deus falou. Nele palavra e ideia são inseparáveis.

É de suma importância que a nossa ideia de Deus corresponda o mais próximo possível ao ser verdadeiro de Deus. Em comparação aos nossos pensamentos, as nossas declarações doutrinárias são de pouca importância. A nossa ideia real de Deus pode ser escondida debaixo do refugo de noções religiosas convencionais e pode exigir uma busca inteligente e vigorosa antes de ser desenterrada e exposta como realmente é. Somente depois do processo de auto-investigação dolorosa será possível descobrir o que realmente pensamos sobre Deus.

A concepção correta sobre Deus é básica não somente para teologia sistemática, mas para a prática da vida cristã, também. É para culto o que o alicerce é ao templo; se existir uma falha ou se estiver fora do prumo, ou mais cedo ou mais tarde a estrutura toda pode cair. Eu acredito que não existe erro doutrinário ou erro na prática de ética cristã que não tem sua origem no pensamento imperfeito ou indigno sobre Deus.

É a minha opinião que a atual concepção cristã de Deus nestes anos no meio do século vinte é tão degradante que chega ao ponto de ser completamente indigno do Deus Altíssimo e, para crentes professos constitui nada menos que uma calamidade moral.

Todos os problemas no céu e na terra, se fôssemos encontrá-los juntos e ao mesmo tempo, não poderiam ser comparados ao problema esmagador de Deus: Que Ele existe; como Ele é; e o que nós como seres morais devemos fazer a respeito dEle.

O homem que chega à crença correta sobre Deus é aliviado de dez mil problemas temporais, pois ele vê imediatamente que esses têm a ver com questões que, ao máximo, não podem o preocupar por muito tempo; embora os muitos fardos temporais sejam tirados dele, o fardo da eternidade ainda o esmaga com um peso maior de todas as angustias do mundo amontoadas sobre ele. Esse fardo poderoso é a sua obrigação para com Deus. Inclui uma obrigação imediata e vitalícia de amar a Deus de todos os poderes da mente e alma, de obedecê-lO perfeitamente, e adorá-lO dignamente. Quando a consciência labutada do homem diz para ele que não fez nada destas coisas, mas desde a infância é culpado de revolta feia contra a Majestade nos céus, a pressão interior da autoacusação pode ser pesado demais para ele suportar.

O evangelho pode tirar da mente esse fardo destruidor, substituir as cinzas pela beleza, e o espírito de opressão pelas vestes de louvor. A não ser que o peso deste fardo seja reconhecido, o evangelho não fará sentido para o homem; e a não ser que ele veja a visão de Deus alto e exaltado, não haverá pesar ou fardo. Ideias baixas de Deus destroem o evangelho para todos que as têm.

De todos os pecados para os quais o coração humano se inclina, não existe pecado mais grave que idolatria, porque idolatria é, no fundo, a difamação do seu caráter. O coração idolátrico presume que Deus não é como Ele realmente é – que já é um pecado monstruoso – e substitui o Deus verdadeiro por um feito a sua própria imagem. É sempre isso.

Deus se conformará à imagem daquele que o criou e será falso ou puro, cruel ou bondoso, de acordo com a condição moral da mente de onde emerge.

Um deus criado nas sombras de um coração decaído será naturalmente uma imagem falsa do Deus verdadeiro.

“Tu pensavas,” disse o Senhor ao ímpio no salmo, “que era tal como tu.” Certamente isso deverá ser um insulto sério ao Deus Altíssimo diante do qual os querubim e serafim clamam continuamente “Santo, santo, santo, Senhor Deus Todo-Poderoso.”

Que nós sejamos cientes para não aceitarmos a noção errada de que a idolatria consiste somente em ajoelhar-se diante de objetos visíveis de adoração, e de povos civilizados são isentos disso. A essência de idolatria é nutrir pensamentos sobre Deus que não são dignos dEle. Começa na mente e pode ser presente onde não houve um ato manifesto de adoração.

“Mesmo tendo conhecido a Deus,” escreveu Paulo, “não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; pelo contrário, tornaram-se fúteis nas suas especulações, e o seu coração insensato se obscureceu.” Depois veio à adoração de ídolos feitos conforme a semelhança de homens e aves e feras e répteis. Essa série de atos degradantes começou na mente. Ideias erradas sobre Deus não são a única fonte de onde vem as águas poluídas de idolatria; as próprias ideias são idólatras. O idólatra simplesmente imagina coisas sobre Deus e age como se fossem verdadeiras.

Noções pervertidas sob re Deus logo apodrecem a religião em que se encontram. A carreira longa de Israel claramente demonstra isso, e a história da igreja a confirma. Uma concepção elevada de Deus é tão necessária para a igreja que quando essa concepção diminui em qualquer ponto, a igreja junto com a sua adoração e seus padrões morais diminuem juntamente com ela. O primeiro passo para baixo da igreja é quando ela abandona sua alta noção de Deus. Antes de a igreja entrar em declínio em qualquer lugar, vai haver uma corrupção da sua teologia básica. Ela simplesmente erra a resposta à pergunta, “Como é Deus?” e daí o declínio continua. Mesma mantendo um credo nominal seguro, o seu credo prático se torna falso. Os muitos aderentes chegam ao ponto de crer que Deus é diferente do que Ele realmente é; e essa heresia é a mais insidiosa e mortal.



A obrigação mais pesada colocada na igreja cristã hoje é de purificar e elevar a sua concepção de Deus até o ponto de ser digno dEle – e dela. Em todas as suas orações e obras isso deve ocupar o primeiro lugar. Fazemos o maior serviço à próxima geração de cristãos quando passamos para eles sem ofuscar e sem diminuir a concepção nobre de Deus que recebemos dos nossos pais hebraicos e cristãos das gerações passadas. Isso será mais valiosa do que qualquer arte ou ciência pode projetar.

Ó, Deus de Betel, que pela tua mão

Teu povo ainda se alimenta;

Que por meio dessa peregrinação cansativa

Todos os nossos pais foram guiados!

Nosso votos, nossas orações agora apresentamos

Diante do Teu trono de graça:

Deus dos nossos pais!

Seja o Deus da raça seguinte.

Philip Doddridge


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