Por Dr. Lauro Arruda – Cardiologista Monsenhor Walfredo Gurgel: sacerdote virtuoso e político íntegro



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Por Dr. Lauro Arruda – Cardiologista
Monsenhor Walfredo Gurgel: sacerdote virtuoso e político íntegro
Nasceu no dia 2 de dezembro de 1908, na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte. Filho caçula do professor Pedro Gurgel do Amaral Oliveira e dona Joaquina Dantas Gurgel, a parteira mãe Quininha. O casal teve ainda os filhos Zózimo (1901); Maria Zenóbia, a Sinhazinha (1902); Clotário (1904) e  Polísia (1906).

Walfredo seria batizado com o nome de Armando, porém o oficiante da cerimônia, padre Emídio Cardoso, convenceu os pais do garoto a mudar o nome do bebê em homenagem ao Monsenhor Walfredo Leal, religioso que era o presidente da província da Paraíba ( equivalente ao cargo  de governador de estado, nos dias de hoje) e que tinha sido deputado estadual, federal, vice governador e senador.


Em 31 de março de 1918, o pai de Walfredo morreu aos 38 anos, vítima da gripe espanhola. Tempos difíceis para a família. D. Joaquina  exerceu várias ocupações: costureira, florista, doceira,, artesã (crochê, bordado, confecção de  chapéus, etc) e parteira. O menino Walfredo ajudava a mãe e estudava no Grupo Escolar Senador Guerra, onde concluiu  o curso primário. Queria ser padre, porém  sua mãe, viúva  pobre, não podia financiar sua estadia no seminário. Por interferência de D. José Pereira Alves, bispo diocesano, conseguiu uma bolsa de estudos e matricula no Seminário de São Pedro, sendo admitido aos 12 anos, em 1º de fevereiro de 1921. Antes de concluir os estudos no seminário, já era professor da cadeira de Latim para os seminaristas iniciantes. Após quatro anos, concluiu o curso do Seminário Menor.


Aluno laureado, ao lado do padre Monte, foi contemplado com uma bolsa de estudos para cursar Filosofia e Teologia em Roma. Aos 17 anos, viajou para a Itália no navio Mosella, em 16 de abril de 1926, chegando lá dia 15 de maio. Concluindo esses dois cursos, doutorou-se, a seguir, em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, ordenando-se padre  na Capela do Pontifício Colégio Pio-Americano. Na estada européia, passava as férias escolares em Montenero, distrito montanhoso de Livorno. Nas horas de nostalgia e saudade de sua terra, escrevia poemas e cartas. Manteve intensa correspondência com sua mãe, onde perguntava pelo inverno no sertão, se informava sobre os acontecimentos da diocese de Santana e sobre notícias dos amigos e familiares e de sua querida cidade Caicó. Pedia ainda que ela enviasse cocadas, café, fotografias e até cigarros. Conselho de sua mãe em uma carta:


Estuda Gurgel! Vieste para Roma estudar e não contemplar as ruínas desta velha cidade dos Césares. Estuda com coragem para que melhor sirvas à tua religião e à tua Pátria. Não perder tempo, pois o tempo é ouro. Lembra-te sempre dos sacrifícios de tua mãe e da tua Diocese. Estuda! Estuda!”.
Em Roma, recebeu todas as Ordens Menores e Maiores e a Tonsura (corte redondo dos cabelos no topo da cabeça). A sua primeira Tonsura em 21 de dezembro de 1929, as ordens de Ostiário e Leitor em outubro de 1930, as Ordens menores de Exorcista e Leitor em dezembro do mesmo ano. Recebeu o Subdiaconato no dia de Sant’Ana (26 de julho de 1931). A Ordenação Presbiterial foi realizada dia 25 de outubro de 1931 e celebrou a primeira missa  no Altar de Nossa Senhora Aparecida da Igreja de São Joaquim, na capital da Itália .

 
Partiu de volta para o  Brasil em dez de julho de 1932, chegando o porto do Recife dia 12 de agosto de 1932. Na bagagem, os diplomas de Filósofo e Teólogo, com especialização em Direito Canônico. Era poliglota: conhecia o latim, grego, hebraico, francês, inglês e espanhol. Foi recebido com grandes festas, inclusive um banquete, ao qual compareceram figuras expressivas da região, realizado na Intendência de sua cidade. No dia 16 de agosto de 1932, celebrou uma missa em ação de graças pelo aniversário de seus pais (nascidos no  mesmo dia 16: ele em 1879 e ela em 1883). Neste mesmo ano foi convocado pelo bispo D. Marcolino Dantas para assumir a Reitoria do Seminário de São Pedro. Em 1935, foi nomeado vigário de Acari.    


A exemplo de grande número de intelectuais católicos de sua época, ingressou na Ação Integralista Brasileira. No ano da chamada Intentona Comunista, em 1935, surgiu a informação que militantes armados invadiriam a Serra do Doutor para fundar comitês do partido comunista  nas cidades do Seridó. Monsenhor Walfredo arregimentou voluntários que bloquearam as estradas, motivando o recuo dos revolucionários, após troca de tiros. 

Em 1936 , D. Marcolino transferiu o padre Walfredo  para ser o vigário da Matriz de Sant’Ana em Caicó, onde também passou a lecionar no Educandário Santa Teresinha, dirigido pelas freiras austríacas Irmãs do Amor Divino, dedicado à educação de moças. Teve papel de relevância na fundação da Diocese de Caicó, sendo assinada a Bula E DIOCESIBUS pelo Papa PioXII. No dia 25 novembro de 1939, como recompensa pelo seu desempenho nessa tarefa, recebeu o título de Cônego. Ajudou o bispo D. José Delgado a fundar o Ginásio Diocesano do Seridó, em 1º de março de 1942, dedicado à educação de rapazes, sendo seu primeiro diretor, além de professor de várias disciplinas entre outras o Latim, Francês, História e Português. Era o contador e administrador das obras da diocese, treinador dos times de futebol, voleibol e ainda acompanhava os ensaios da banda de música, permanecendo nessas funções até 1946, quando partiu para dedicar-se à política.


O primeiro cargo político foi deputado federal constituinte, eleito pelo PSD, com 7.116 votos, em 1945. Na eleição de 1950, ficou na suplência de deputado federal, mas chegou a ser convocado para exercer parte do mandato. Em 1960, foi eleito para o cargo de vice  governador, na chapa com Aluizio Alves e nessa função presidiu a Assembléia Legislativa Estadual, cargo que renunciou ao ser eleito Senador em 1962, com 108.301 votos. Em 1965, foi eleito governador do Rio Grande do Norte, com 151.349 votos. Definia a política como algo transitório, que não justificava a intriga e o ódio. O importante era conservar as amizades, porque elas sim deveriam ser duradouras.

O governador Walfredo Gurgel assumiu um estado endividado e nos primeiros dois anos aplicou uma política de austeridade para colocar as contas em dia. Sua primeira obra de repercussão foi a construção da ponte de concreto sobre o rio Potengi, em   Igapó . Em seguida vieram a ponte de concreto sobre o rio Seridó, em Jardim do Seridó; e mais 25 pontes, totalizando 1.500 metros de extensão; a biblioteca pública Câmara Cascudo, em Natal (hoje fechada); a energia da usina de Paulo Afonso para 59 cidades do estado; a pavimentação de 160 km de rodovias( mais que dobrou a  pavimentação das rodovias do estado); a ligação de Ponta Negra a Pirangi com pavimento de paralelepípedos; a comprou da Companhia Telefônica e a instalação de cinco Estações de Micro-Ondas , que possibilitaram a integração ao sistema estadual de telecomunicações às cidades de Macau, Ceará Mirim, Areia Branca, Martins e Patu. Criou ainda a Companhia de Fomento e Desenvolvimento (COFERN), logo depois transformada em Banco de Desenvolvimento (BANDERN). Fortaleceu o BANDERN elevando seu capital social e instalando novas Agências em Macau, Caicó, Parelhas, Lages e Ceará Mirim. Na Educação, foram construídas 376 salas de aula, aumento em 50% nas matrículas das escolas primárias e em 100% nas  secundárias. Na Saúde, sua principal obra foi o Hospital de Pronto Socorro de Natal, depois chamado de Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Criou a CAERN, aumentando a oferta de água em Natal de 34.000.000 para 51.000.000 metros cúbitos, construiu uma adutora em Caicó e perfurou poços tubulares em Mossoró. Construiu 3 mil casas populares através da Fundação de Habitação Popular em algumas cidades do estado.



Walfredo Gurgel faleceu no dia 3 de novembro de 1971, aos 63 anos em Natal, vítima de câncer de pulmão.

Fonte: Livro “MONSENHOR WALFREDO DANTAS GURGEL”, de Adauto Guerra Filho , Caicó-2014.


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