Pontifícia universidade católica de são paulo faculdade de ciências médicas e da saúde curso de medicina avaliação Multidimensional dos idosos residentes na comunidade em Sorocaba para rastreamento de fragilidade Acadêmicos



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III. OBJETIVOS:

GERAL:


  • Classificar o perfil de fragilidade de uma parcela representativa dos idosos residentes na comunidade no município de Sorocaba (SP).

ESPECÍFICOS:


  • Verificar a viabilidade do uso sistematizado de uma Avaliação Multidimensional do Idoso.

  • Levantar aspectos demográficos, psicossociais, cognitivos e de saúde física relacionados aos sujeitos do estudo.

  • Encaminhar ou aconselhar o paciente de acordo com o seu perfil de fragilidade

V. METODOLOGIA:


  • INSTRUMENTO E VARIÁVEIS

O estudo se baseou no questionário IVCF-20 (anexo 1), aplicado para a coleta de dados e avaliou as oito dimensões ou variáveis:

a-idade,

b-auto-percepção da saúde,

c- atividades de vida diária,

d-cognição,

e-humor/comportamento,

f-mobilidade (alcance, preensão e pinça; capacidade aeróbica/muscular; marcha e continência esfincteriana),

h-comunicação (visão e audição)

i-presença de comorbidades múltiplas (polipatologias, polifarmacia, e internação recente).

O questionário possui pontuação mínima de 0 pontos e máxima de 40 pontos, sendo que sua classificação ocorre da seguinte forma (tabela 1)

Tabela 1: Classificação do risco de vulnerabilidade clínico-funcional segundo o IVCF-20

Pontos

Sensibilidade/ especificidade

Classificação quanto ao grau de vulnerabilidade Clínico-Funcional

Prioridade para realização AMI

0-6

-

Baixo Risco

BAIXA

7-14

Sensibilidade: 90.48%

Especificidade: 70.97%



Moderado Risco

MÉDIA

15

Sensibilidade: 52.01%

Especificidade: 97,58%



Alto Risco

ALTA




  • CENÁRIO DO ESTUDO

A cidade de Sorocaba apresenta 31 UBS (unidades básicas de saúde) distribuídas em seis áreas de abrangências sudoeste, noroeste, centro norte, norte, centro sul e leste.

Para o estudo atual a aplicação dos questionários ocorreu nas seguintes unidades:



  1. UNIDADE DE SAUDE DA FAMILIA VILA SABIA- Região Leste
    RUA DIONISIO BUENO SAMPAIO – VILA SABIA
    Telefone: 1532345661

  2. CENTRO DE SAUDE WANEL VILLE DR ROGER M SAKANO – Região Sudoeste
    RUA ALEXANDRE CALDINI – WANEL VILLE
    Telefone: 1532022109

  3. CENTRO DE SAUDE ESCOLA - Região Centro Sul
    AV PEREIRA INACIO – LAGEADO
    Telefone: 1532329150

  4. UNIDADE SAUDE FAMILIA HABITETO ANA PAULA ELEUTERIO- Região Norte
    AVENIDA ITAVUVU – ANA PAULA ELEUTERIO

Telefone: 1533111710

  1. CENTRO DE SAUDE NOVA SOROCABA – Região Centro Norte

Avenida AMERICANA – VIL NOVA SOROCABA

Telefone: 153223200





  • SUJEITOS DA INTERVENÇÃO

A amostra foi composta por homens e mulheres com 65 anos ou mais, aleatoriamente selecionados durante as visitas às Unidades de Saúde das diversas regiões de Sorocaba-SP abordadas no estudo. Foram excluídos os indivíduos incapazes de se comunicar para responder ao questionário.

  • CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO

Estudo transversal, descritivo e analítico.

ANÁLISE ESTATÍSTICA:

Os dados levantados foram colocados em um gerenciador de banco de dados e foram analisados estatisticamente pelo software SPSS™ (StatisticalPackage for the Social Sciences) versão 20.0 para Windows. A análise estatística foi feita com 3 testes: G de Cochram, teste exato de Fischer e Teste Qui- quadrado para tabelas de contingência. (SIEGEL, 2006) Foram considerados resultados estatisticamente significantes aqueles com p< 0,05. A análise descritiva utilizou frequência simples, medidas de tendência central para obter a variabilidade dos dados como média, mediana, além de medidas de dispersão como o desvio padrão (DP) para observação do grau de concentração dos valores em torno da média.




  • PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS:

A coleta de dados iniciou-se em agosto de 2017, com duração total de 7 meses. Nesse período os pesquisadores se dirigiram as Unidades Básicas de Saúde (listadas no Cenário do Estudo) conjuntamente em 9 visitas, com tempo médio de permanência no serviço de 3 horas em cada dia. Foram entrevistados por dia cerca de 12 usuários da atenção primária, em um total de 102 questionários coletados. Para a coleta de dados foram utilizadas o questionário IVFC-20. Os responsáveis por cada Unidade foram contatados previamente e houve apresentação e disponibilização de uma cópia do projeto, que fora previamente aprovado pelo setor responsável por pesquisas da Prefeitura Municipal de Sorocaba. Os usuários foram abordados mediante a identificação da idade após acolhimento e foram incluídos apenas os usuários que se enquadravam maiores que 65 anos.

  • AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO:

A realização e monitoramento do projeto foi realizada a partir de:

- Discussões entre os pesquisadores e a orientação;

- Reuniões entre os pesquisadores e a instituição;

- Avaliação dos dados coletados através do desenvolvimento de sistema informatizado.


V. RESULTADOS:

Os resultados do estudo estão dispostos na tabela 2. Inclui-se a observação das variáveis em categóricas e contínuas, e suas distribuições frequenciais simples



Tabela 2- Prevalência da fragilidade em idosos segundo variáveis sociodemográficas




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total n

Total % de Alta

Total %
de Baixa


P

Sexo

Feminino

Masculino

10

9



40

43


50

52


20,0


17,3

80,0
82,7



0,8021

USB

Vila Sabiá

Wanel Ville

Escola

Habiteto

Nova Sorocaba

3

3



3

5

5



17

18



17

15

16


20

21



20

20

21


15,0


14,3

15,0


25,0

23,8

85,0
85,7
85,0
75,0
76,2



0,8238

Faixa etária

60-74

75-84

85+

13

4



1

63

21



0

76

25



1

17,1


16,0

100,0

82,9
84,0
0,0


1,0000

Dos 102 idosos abordados a maior parcela se concentra na faixa etária de 60-74 anos (74,5%), seguido pela faixa de 75-84(24,5%) e >85 anos (0,9%). Ainda em relação ao perfil sócio-demográfico são 50 mulheres (49%) e 52 homens (51%), sendo que o bairro com mais indivíduos com alta fragilidade foi Habiteto (25%) seguido por Nova Sorocaba (23,8%). Desses indivíduos, 10(20%) do sexo feminino e 9(17,3%) foram classificados com alta fragilidade, 40(80%) do sexo feminino e 43(82,7%) do sexo masculino ficaram como baixa fragilidade, não havendo diferença significativa de fragilidade entre gênero (p=0,80) e os grupos etários (p=1,00). Foi necessária a exclusão do grupo etário maior de 85 anos para a análise estatística devido à baixa amostragem (Tabela 2). Ao analisar os marcadores de fragilidade na população geral percebe-se que foram estatisticamente significantes: auto percepção da saúde (Tabela 3), as atividades de vida diária instrumental (Tabela 4) e básica (Tabela 5), a cognição baseada nas atividades de vida diária (Tabela 6), o humor (Tabela 7), as mobilidades mensurada e questionada (Tabela 8 e 9) e a comorbidade (Tabela 10).




Tabela 3- Presença de Alta fragilidade quando a resposta para auto-percepção da saúde é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total n

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

16

37

53

30,2

69,8

Não

3

46

49

6,1

93,9

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença positiva do marcador e alta fragilidade. P= 0,0016

Tabela 4- Presença de Alta fragilidade quando a resposta para atividade de vida diária instrumental é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total n

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

16

20

36

44,4

55,6

Não

3

63

66

4,5

95,5

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade P= 0,0000

Tabela 5 Presença de Alta fragilidade quando a resposta para atividade de vida diária básica é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total n

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

3

0

3

100,0

0,0

Não

16

83

99

16,2

83,8

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade. P= 0,0056

Tabela 6- Presença de Alta fragilidade quando a resposta cognição baseada nas atividades de vida é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

7

3

10

70,0

30,0

Não

12

80

92

13,0

87,0

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade P= 0,0002
Tabela 7- Presença de Alta fragilidade quando a resposta para humor é alterada na população estudada





Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total n

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

17

30

47

36,2

63,8

Não

2

53

55

3,6

96,4

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade P= 0,0000

Tabela 8- Presença de Alta fragilidade quando a resposta para mobilidade mensurada é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

11

15

26

42,3

57,7

Não

8

68

76

11,8

88,2

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade P= 0,0008
Tabela 9- Presença de Alta fragilidade quando a resposta para mobilidade questionada é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

18

13

31

58,1

41,9

Não

1

70

71

1,4

98,6

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade P= 0,0000

Tabela 10- Presença de Alta fragilidade quando a resposta para comorbidade é alterada na população estudada




Alta Fragilidade

Baixa Fragilidade

Total

Total % de

Alta fragilidade

Total % de Baixa fragilidade

Sim

12

3

15

80,0

20,0

Não

7

80

87

8,0

92,0

Total

19

83

102

18,6

81,4

Houve relevância estatística entre a presença do marcador e a alta fragilidade P= 0,0000

As comparações entre presença de fragilidade e faixa etária, e fragilidade e sexo não obtiveram diferenças significativas. Também não foram encontradas diferenças entre as fragilidades por UBS. Com relação ao indicador mais frequente em cada UBS destaca-se a auto percepção negativa da saúde na UBS 1, afetando 54,5% (P= 0,0010) da população feminina e 66,7% (P=0,003) da masculina.


Ainda, 45,5% (P= 0,0010) das idosas do sexo feminino relataram sentir desânimo e tristeza. Na UBS 2 a auto percepção da saúde negativa aparece novamente como o fator mais frequente, atingindo 81,6% (P=0,0018) da população feminina, que também afirmou presença de desânimo e tristeza (54,5%, P=0,0018) e perda de prazer (54,5%, P=0,0018). Na população masculina não houve diferença significativa entre as frequências (P=0,6419).
Na UBS 3 não houve diferença significativa entre as frequências dos indicadores na população feminina, porém a frequência da auto percepção continua elevada, provavelmente devido a baixa amostra populacional (P=0,1044 G=25,80). Já na amostra masculina a porcentagem de tristeza e desânimo (44,4%) e problemas de visão (44,4%) foram significantemente mais frequentes (P=0,0149 G=33,40).
A UBS 4, apresentou 63,4% da população feminina com resposta positiva para perda de urina e 54,5% esquecimento (P=0,0047 G=37,35). Na população masculina não houve diferença significativa entre as frequências (P=0,2330 G=21,98). Ainda, assim como na UBS 3, a auto percepção negativa continua com frequência elevada, provavelmente pela amostra pequena
Na UBS 5 a auto percepção negativa aparece novamente como o fator mais frequente, com 83,3% da população feminina e 81,8% da população masculina. Neles também houve altas frequência de desânimo e tristeza (66,7%) e alteração de mobilidade (73,3%) (P=0,0041 G= 37,78). É possível perceber que a auto percepção alterada da saúde foi um fator muito frequente, estando presente em todas as UBSs como fator principal ou como fator com frequência elevada.
Comparando as respostas positivas no questionário entre os sexos feminino e masculino, e as UBSs entrevistadas, é possível perceber que a alteração cognitiva relativa ao esquecimento relatados pelos familiares na população feminina em relação à masculina na UBS 2 foi estatisticamente significante (P=0,0300). Ainda, os homens da UBS 1 e 3 apresentaram resposta positiva significantemente maiores em relação as UBSs 2,4 e 5.
Foi relevante também a presença de desânimo, tristeza ou desesperança feminina em relação a masculina na UBS 5 (P=0,0307) e a perda de urina ou fezes na população feminina da UBS 4 em relação as UBSs 1,2,3 e 5 (X2= 9,79 P= 0,0441). O sexo masculino nas UBSs 5 e 3 apresentou resposta positiva significantemente maior em relação as UBSs 2,4 e 5 na alteração de capacidade aeróbica e\ou muscular. Comparando o sexo com relação aos marcadores de fragilidade somente a cognição por relato familiar foi diferente, sendo que as mulheres foram dadas como mais afetadas que os homens (X2= 5,48 P= 0,0341).
Com relação às outras questões respondidas entre as mulheres e os homens não foram estaticamente significantes. A presença de marcadores de fragilidade foi analisada separadamente para mulheres e homens da amostra. Não há diferença significativa entre a fragilidade encontrada nas UBS. (X2= 1,51; P=0,8238 e não há diferença significativa entre a fragilidade encontrada entre os sexos masculino e feminino.( P=0,8021)

Em suma, a relação de fragilidade com domínios funcionais supra citados podem ser resumidos na tabela abaixo. (Tabela 11)



Tabela 11 - Modelo binário para avaliação de fatores associados à fragilidade em idosos


Variáveis

Alteração

Baixa Fragilidade

N %

Alta Fragilidade

N %

Valor de P

Auto-percepção da saúde

Presente

Ausente


37 69,8

46 93,9


16 30,2

3 6,1


0,0016

Atividade de vida diária instrumental

Presente

Ausente


20 55,6

63 94,6


16 44,4

3 5,4


0,0000

Atividade de vida diária básica

Presente

Ausente


0 0,0

83 83,8


3 100,0

16 16,2


0,0056

Auto cognição definida pela família

Presente

Ausente


20 71,4

63 85,1


8 28,6

11 14,9


0,0988

Cognição auto-definida

Presente

Ausente


9 69,2

74 83,2


4 30,8

15 16,8


0,1996

Cognição baseada nas atividades de vida

Presente

Ausente


3 30,0

80 87,0


7 70,0

12 13,0


0,0002

Mobilidade mensurada


Presente

Ausente


15 57,7

68 88,2


11 42,3

8 11,8


0,0008

Mobilidade questionada

Presente

Ausente


13 41,9

70 98,6


18 58,1

1 1,4


0,0000

Comunicação baseado na visão

Presente

Ausente


22 73,3

61 84,7


8 26,7

11 15,3


0,1434

Comunicação baseado na audição

Presente

Ausente


12 66,7

71 84,5


6 33,3

13 15,5


0,0808

Comorbidade

Presente

Ausente


3 20,0

80 92,0


12 80,0

7 8,0


0,000

Humor

Presente

Ausente


30 63,8

53 94,6


17 36,2

2 3,6


0,0000


VIII. DISCUSSÃO:

No presente estudo os resultados obtidos de idosos frágeis é de 20% e 17,3% do sexo feminino e masculino respectivamente. Esses dados corroboram os resultados apresentados por Hoogendjik et. al.(2012) em estudo conduzido na Holanda com n=102 pacientes que comparou diversos instrumentos, obtendo 24,8% de fragilidade pelo teste de maior acurácia comparada ao teste de Fried, o Prisma-7 (Instrumento canadense destinado ao rastreio de idosos residentes na comunidade, adotado pelo Royal College of General Practitioners e pela British Geriatrics Society). 29

Contudo, há que se considerar que pode haver alta variabilidade influenciada pelo contexto socioeconômico demográfico, instrumento utilizado, dentre outras particularidades da amostra. Essa constatação é evidenciada em uma revisão sistemática conduzida por Collard et. al.(2012) que comparou a prevalência de fragilidade entre idosos da comunidade medida por instrumentos de avaliação multidimensional e obteve uma variação de 4,0 - 59,1% de fragilidade entre os 21 estudos selecionados (prevalência média = 10,7%; 95% IC 10,5-10,9).29
Em um estudo realizado no Rio de Janeiro por Santiago et. al.(2018) com n=640 utilizando o Indicador de Fragilidade de Tilburg, obteve uma prevalência de fragilidade de 44,2%. Ainda, obtiveram prevalência de fragilidade de 18,0%(p<0,001) para os indivíduos com prejuízo nas atividades de vida diária(AVDs), enquanto no presente estudo foi de 18,6%(p=0,0056). O que reafirma o proposto por Cohen et. al.(2002) a respeito da associação entre alteração nas atividades de vida diária e alta fragilidade48.

A presença auto percepção alterada da própria saúde mostrou associação importante com alta fragilidade, 30,6%(p=0,0016) dos idosos com essa alteração foram estratificados em alta fragilidade. Tal relação também é notada no trabalho conduzido por Sousa et al.,2012 na região Nordeste do Brasil, parte de um projeto multicêntrico sobre Fraqueza em Idosos Brasileiros (REDE FIBRA)49, obtiveram associação importante de alteração na auto percepção de saúde com alta fragilidade, 13,1%(p=0,001)do total, utilizando os parâmetros propostos por Fried et al. (2001) em uma amostra de 391 idosos. Ainda no mesmo trabalho, a análise bivariada também demonstrou associação importante entre fragilidade e diagnóstico médico de depressão (p <0,017), presença de comorbidades (p <0,013) e fatores relacionados as atividades de vida diária(p <0,001) e atividades de vida diária instrumental (p <0,001). Tal constatação também foi identificada pela aplicação do IVCF-20 na amostra de Sorocaba, houve relevância estatística entre a presença de comorbidade (p=0,000), alterações do humor (p=0,000) e a alta fragilidade.


Embora esses valores sejam comparáveis a estudos internacionais e nacionais como supra-citados, a variabilidade da prevalência da fragilidade é bastante ampla mesmo em estudos nacionais. Alvarado et al.(2008) encontraram uma prevalência de 40,6% de fragilidade ao analisar dados do estudo SABE.50 Diante disso, os métodos utilizados na população brasileira devem considerar a existência de fatores subjacentes que conferem uma alta variabilidade frente aos estudos americanos, europeus e inclusive brasileiros, haja visto a heterogeneidade da população do Brasil em diversos aspectos.

As causas para essa alta variabilidade, além da presença de vieses e deficiência na validação dos instrumentos49, podem estar na ausência de percepção da trajetória de vida desses idosos, considerando fatos adversos e fatores estressores vivenciados51.

Diante disso, a identificação sistematizada e ampla da fragilidade, tem como objetivo permitir aos profissionais e gestores da saúde elaborar estratégias específicas para cada circunstância identificada. É sabido que uma mudança na prática na abordagem da atenção primária à saúde pode sustentar mudanças mais amplas no sistema (McNally & Lahey, 2014).52 Contudo, para implementar de forma sistemática a triagem de fragilidade, os aspectos burocráticos e políticos devem ser considerados. Inicialmente é preciso identificar um instrumento que contemple uma linguagem comum que precisa ser utilizada entre pesquisadores, profissionais de saúde, administradores, formuladores de políticas públicas e o público alvo. Para isso, também é preciso estabelecer quais ferramentas de fragilidade devem ser utilizadas em cada circunstância.

Algumas estratégias podem ser definidas, inicialmente é possível incluir a triagem de todos os indivíduos acima de uma determinada idade que entre em contato com o sistema de saúde ou baseada em critérios específicos, tais como condições médicas, distúrbios psicossociais, quedas ou incapacidade funcional, alto uso do sistema de saúde, e mudança na situação de vida (mudança de vida independente para assistida (Bagshaw et al., 2014).53 As estatísticas acerca da progressão do nível de fragilidade com o avançar da idade precisam ser consideradas em novas abordagens com maior amostragem.

No presente estudo foi identificado que diversas circunstâncias estão associadas à alta fragilidade, como alteração da mobilidade (58,1%), p=0,000; cognição(70%), p=0,0002; e auto-percepção de saúde (30,2%) p=0,0016. Diante disso, esses e outros aspectos abordados no questionário IVCF-20 apontam para uma série de aspectos que podem ser considerados nessa triagem e nas estratégias a nível da atenção primária.
IX. CONCLUSÂO:

Os resultados deste trabalho, por meio da utilização do instrumento IVCF-20, permitiu a classificação do perfil de fragilidade e o levantamento de aspectos demográficos, psicossociais, cognitivos e de saúde de uma parcela representativa dos idosos residentes na comunidade no município de Sorocaba (SP). A porcentagem de idosos classificados como frágeis é semelhante aos dados da literatura, demonstrando que a parcela de idosos que necessita de atenção especializada é um dado recorrente e importante. Assim como a fragilidade, a auto percepção negativa da saúde, alteração da mobilidade e a alteração do humor foram encontradas neste estudo, provando que a avaliação do idoso deve levar em conta múltiplas variáveis, que abrangem desde fatores de saúde per si até fatores psicossociais e de comunidade.



Visto que a população idosa do Brasil está crescendo e tende a crescer ainda mais é importante ressaltar que mais estudos são necessários para uma avaliação mais acurada da fragilidade no idoso, quais instrumentos podem ser utilizados para essa avaliação multidimensional e como essa temática pode ser abordada na prática médica.


  1. REFERÊNCIAS




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