Poesia de patativa do assaré no estudo do semiárido nordestino: um recurso para o ensino de Geografia



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A POESIA DE PATATIVA DO ASSARÉ NO ESTUDO DO SEMIÁRIDO NORDESTINO: um recurso para o ensino de Geografia

Daniela Santana de Oliveira (UFCG)1

Dr. Paulo Sérgio Cunha Farias (UFCG)2

INTRODUÇÃO

O Nordeste brasileiro é retratado em diversas obras literárias, o Cordel é um exemplo de gênero literário popular que apresenta temáticas sobre o universo nordestino, nele é possível conhecer elementos culturais, paisagens, a relação sociedade-natureza, dentre outros aspectos dessa região. Como Silva (2012) comenta os cordéis enfatizam o saber popular, no seu âmbito, a cultura nordestina é resignificada enquanto arte, prática cultural e social que aborda a vida cotidiana dos sujeitos sociais.

Por isso, esse gênero e toda Literatura tornam-se um recurso rico de informações geográficas, possibilitando visualizar as analises espaciais em suas diversas escalas, pois tem a capacidade de provocar no leitor o encantamento e um envolvimento com as variadas experiências humanas suscitadas através das relações sociais por meio de diferentes pensamentos.

O poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, como é mais conhecido, escreveu poemas que se tornaram clássicos da literatura popular. Nesses poemas o Nordeste é o cenário, abordando, segundo Nuvens (2012 apud, Assaré, 2012), o mundo sertanejo, a cultura, os valores, as crenças e a realidade social de uma época e dessa região. Dessa forma, em seu trabalho é possível verificar os fenômenos geográficos vivenciados no cotidiano, as relações socioespaciais, dentre outras temáticas que abrangem questões de interesse para Geografia.

A produção literária possibilita conhecer como o espaço geográfico é configurado a partir da visão de um autor, isso porque toda prosa e verso apresentam suas categorias temporal e espacial. Logo, a presente pesquisa busca responder, através da Poesia de Patativa do Assaré, como os aspectos geográficos a respeito do semiárido Nordestino são retratados por esse poeta regionalista e de que forma a Geografia pode apropriar-se da Literatura para realizar seus estudos?

O intuito dessa pesquisa é apropriar-se do poema “É Coisa do Meu Sertão” de Patativa do Assaré, presente na Obra “Cante de lá que eu canto de Cá” (2012), para analisar os vieses geográficos que se fazem presente ao abordar a região Nordeste. Portanto, será esmiuçado o diálogo entre a Geografia e Literatura popular, para desvendar o Nordeste brasileiro a partir da produção de Assaré.

Logo, considera-se relevante pesquisar os conhecimentos geográficos apresentados na Literatura, pois se acredita que esse trabalho pode contribuir para enriquecer o estudo geográfico sobre a região Nordeste e servir como proposta de recurso para o ensino da disciplina de Geografia na Educação Básica.

A RELAÇÃO ENTRE GEOGRAFIA E LITERATURA

Compreender a Geografia presente em obras literárias é um campo de pesquisa que aos poucos vem sendo investigado pelos geógrafos. Segundo Monteiro (2002, p. 14), “Cada tradição cultural fornece uma visão particular de mundo que o reveste de uma estrutura espaço-temporal”. Isso pode ser encontrado também na Literatura popular, os espaços presentes em um texto ou poema abrem caminho para uma leitura que identifica fatos geográficos. Ainda segundo o autor:

A este espaço exterior, contrapõe-se aquele outro, de dentro do indivíduo, para a passagem dos quais se realiza aquela “viagem” (ler já é viajar) ao mesmo tempo trajetória física e moral, externa e interna, real e simbólica, que pode conduzir tanto a noção do cheio quanto à do vazio. À noção de realidade geográfica, juntar-se-ía aquela outra, antropológica do imaginário. (IBIDEM, 2002, p. 14).

Nota-se que o geógrafo encontra na Literatura subsídios para uma nova forma de investigação de seu objeto de estudo. O campo literário, por mais que apresente a proliferação

da imaginação do autor, fornece subsídios para analisar as configurações espaciais, pois apresenta um conteúdo com vários aspectos geográficos, levando a conhecer e aprender Geografia através da leitura, transportando o leitor a percorrer por diversos espaços, sem precisar estar in lócus.

Para Azevedo (2014, p.284), “com a literatura a ciência e arte se intercruzam”. Por isso, o texto literário é um objeto artístico e com o estudo do mesmo é possível extrair informações e utilizá-las para o conhecimento científico. Dessa forma, é importante ressaltar o que Monteiro (2002) defende no estabelecimento da relação Geografia e Literatura. Para esse autor, “Não se trataria, de nenhum modo, de substituir a análise científica pela criação artística, mas apenas retirar desta (Literatura) novos aspectos de “interpretação”; reconhecê-la como um meio de enriquecimento”. (IBIDEM, 2002, p. 15)

Desse modo, verifica-se a aplicabilidade do diálogo da Geografia com a Literatura, uma vez que o conteúdo geográfico se faz muito presente nas obras literárias, e, assim, possibilita abrir caminhos para que os geógrafos desenvolvam seus estudos através da análise do que os textos literários revelam sobre a natureza, as paisagens, os territórios, as relações sociais, políticas, econômicas e culturais que estão contidas e dão formas aos espaços.

Estudar a Geografia na Literatura é algo que aos poucos foi despertando o interesse dos geógrafos, essa perspectiva de análise é recente. Corrêa e Ronsendahl (2007) afirmam que, a partir de 1970, geógrafos europeus e anglo-saxônicos se atraíram por aprofundar seus estudos em textos literários e conhecer a Geografia existente nessas obras. Neste período, os paradigmas humanistas e marxistas estavam bem presentes na produção geográfica acadêmica. Neles, houve a possibilidade de se estudar a dinâmica socioespacial existente nos textos literários.

Diante disso, foi se desenvolvendo diversos estudos pondo em diálogo a Geografia e a Literatura, tanto na perspectiva humanista quanto na marxista. Dessa forma, cada obra literária torna-se uma fonte de informações geográficas a serem investigadas. Corrêa e Ronsendahl (2007) afirmam que a visão da Geografia sobre a literatura constitui-se de um olhar distinto em relação a outras áreas que analisam textos literários. Logo, o diálogo entre Geografia e Literatura enriquece o modo de olhar sobre o espaço geográfico em uma obra literária.

Pesquisas relacionadas a essa temática vem aos poucos crescendo no Brasil. Corrêa e Ronsendahl (op. cit.) também cometam que, a partir da década de 1990, houve um maior interesse no desenvolvimento de estudos geográficos de interpretações textos literários, considerando que a Geografia brasileira demorou a apropria-se da Literatura em suas análises, tendo em vista que, o país, há tempos dispunha de uma rica produção literária e, no exterior, desde 1970, os geógrafos estavam utilizando obras literárias em suas pesquisas.

Através da Literatura nacional é possível conhecer os contextos da configuração e organização do espaço brasileiro, uma vez que:

A conquista da terra, os conflitos sociais e políticos, a dinâmica regional e as diferenças sociais no espaço urbano são temas abordados, apresentando nítida geograficidade. Muitos dos romances constituem, em realidade, capítulos da história e da geografia do Brasil. (IBIDEM, 2007, 13).

Os Romances, poemas, letras de canções, dentre outros gêneros literários, mostram muitos aspectos geográficos, com isso, a produção de trabalhos de analise literária é um campo de atuação que permite inúmeras possibilidades para estudar a Historia e a Geografia dos espaços existentes nas obras.

A Literatura popular brasileira também possui uma vasta produção e a região Nordeste se faz presente em diversas obras, tornando-se um interessante campo de aprendizagem acerca de um determinado lugar, condizendo com que Monteiro (2002, p. 16) enfatiza: “O conhecimento da realidade geográfica do nosso Nordeste tem muito a beneficiar-se daquele ciclo “regional nordestino” em nossa Literatura”.

A região Nordeste torna-se um tema literário, tendo sua identidade regional construída e retratada na Literatura brasileira. Logo, as imagens estabelecidas para caracterização dessa região apresentam uma Geografia enxergada pelos autores, relevando o conteúdo regional dos aspectos naturais e sociais em um determinado espaço e tempo.

Neste sentido, Albuquerque Jr. (1999) afirma que a produção literária do Brasil em meados do século XIX possui a manifestação do regionalismo, que por meio da diversidade de seus personagens, dos elementos culturais e das paisagens expressa uma diferenciação de cada área do país. Assim, é possível visualizar como as imagens são construídas em relação

ao espaço geográfico brasileiro e nordestino, e, partir disso, aprender muito a respeito desses lugares.

A Literatura desempenha um forte papel de construir a identidade de um lugar, uma região ou país, nesse sentido, a imagem e os discursos sobre o Nordeste são influenciados pelo o que foi escrito nas obras literárias A esse respeito Albuquerque Jr. (1999) comenta que

O Nordeste é uma produção imagético-discursiva formada a partir de uma sensibilidade cada vez mais específica, gestada historicamente, em relação a uma dada área do país. E é tal a consistência desta formulação discursiva e imagética que dificulta, até hoje, a produção de uma nova configuração de “verdades” sobre este espaço. (IBIDEM 1999, p. 49)

A forma com que essa região é retratada nas obras literárias influencia na construção da figura nordestina a nível nacional, e o próprio autor aponta para a questão de que esse discurso estabelecido atrapalha a implantação de outros olhares sobre o Nordeste, predominando como uma região pouco modernizada, inferiorizada diante do Sul do Brasil, devastado pelos longos períodos de estiagem, que passou por um intenso processo migratório e se torna o espaço da saudade.

Por isso, há a existência do encontro de questões naturais, econômicas, culturais, políticas tão discutidas no âmbito geográfico com a produção literária, sobretudo em obras que trazem o Nordeste brasileiro em sua temática. Logo, evidenciam-se as possibilidades da realização de estudos geográficos tendo a Literatura como suporte para analisar o conteúdo revelado por ela sobre os espaços.

A partir disso, a Geografia pode analisar seu objeto de estudo presente em um texto literário, pois “O mais importante, numa obra de arte literária, é a convergência do espaço geográfico do mundo em um ou mais pontos espaciais, ao qual ele se torna referido” (GROSSMANN, 1993, p. 14). Os espaços estão presentes em qualquer enredo, algumas vezes apresentam-se bem definidos, outras, dependendo da variação temporal, encontra-se com uma delimitação mais abstrata, e, ainda, podem ser o principal tema de uma obra.

É notória a estreita relação entre a Geografia e a Literatura. Araújo e Souza (2016, p. 2) revelam que “As obras literárias e artísticas são, portanto, as expressões das “visões do mundo” de seus criadores”, constatando que o conhecimento geográfico também pode ser

aprendido na Literatura. Há muito que se conhecer sobe os lugares, uma obra apresenta ricas informações e vivências sobre um espaço, que não é possível visualizar com tantos detalhes em livros enciclopédicos.

METODOLOGIA

A obra de Patativa é vasta e seus poemas abordam diversas temáticas a respeito da região Nordeste. Nela há textos sobre a seca, relações familiares, problemas sociais, cidade e campo, religiosidade, histórias de cangaceiros, elementos culturais, dentre outros diversos temas.

Por isso, escolheu-se o poema “É Coisa do Meu Sertão” em razão de considerar o conteúdo existente no texto relevante para a temática do semiárido nordestino e por possuir mais elementos voltados para a Geografia, tais como: paisagens, relação sociedade-natureza, problemas sociais, econômicos, dentre outros aspectos que ser tornam interessantes para o desenvolvimento do estudo geográfico.

Logo, pretende-se trabalhar numa perspectiva exploratória - qualitativa, levando em consideração o significado do que é exposto no poema, conhecendo através de um viés geográfico a mensagem transmitida pelo autor. Com isso, é possível contribuir para compreender a Geografia do Nordeste brasileiro descrita na poesia de Patativa, fazendo uso da análise do conteúdo, que consiste em “conhecer aquilo que está por trás das palavras sobre as quais se debruça o leitor” (BARDIN, 2011, p. 38).

Neste trabalho os significados de ordem geográfica nortearão o procedimento analítico na compreensão da poesia de Patativa do Assaré, por isso a análise de conteúdo auxilia no procedimento para o estudo bibliográfico, possibilitando aprofundar o entendimento da mensagem a respeito do Nordeste brasileiro na obra de Patativa e, com isso, compreender os significados dos conteúdos presentes nos poemas escolhidos.

O SERTÃO NORDESTINO NA POESIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

Compreender o universo que abrange a relação entre Geografia e Literatura na poesia de Patativa do Assaré consiste em visualizar o semiárido do Nordeste brasileiro a partir da percepção de um autor e em consequência verificar outras possibilidades de análise dos fenômenos geográficos.

O poeta popular Antônio Gonçalves da Silva- o Patativa do Assaré – segundo informações revelada na Obra “Cante de lá que eu canto de cá” (2012), nasceu em 1909 no sítio denominado Serra de Santana, que se localiza nas proximidades da cidade de Assaré, no estado do Ceará. De família pobre, vivia da agricultura, sua relação com a poesia se inicia na infância, gostava de ouvir versos. Entretanto, só frequentou a escola por apenas quatro meses aos 12 anos de idade e, em razão das responsabilidades do trabalho no campo, não pode dar continuidade aos seus estudos.

Entre 13 e 14 de idade inicia sua carreira poética, criando seus primeiros versos, tendo como tema seu cotidiano; aos 16, comprou uma viola e começou a se apresentar em festas locais. O apelido Patativa foi dado em comparação com o canto de um pássaro assim denominado, e Assaré, em razão de sua terra natal. Assim, suas apresentações foram aumentando e o que o tornou cada vez mais conhecido, principalmente, por sua poesia, que lhe permitiu a ter letras gravadas por famosos cantores e a publicação de seus textos em livros, folhetos de cordel, revistas e jornais.

O poema “É Coisa do Meu Sertão” aborda aspectos vivenciados pelos nordestinos, nota-se que o a análise geográfica inicia-se a partir do próprio título, em que é possível ver a utilização constante do pronome “Meu” no decorrer do texto, revelando o vínculo de pertencimento com o lugar descrito na poesia – o Sertão. Logo, o conceito da categoria geográfica, lugar, pode ser discutido apropriando-se da forma como o autor descreve esse espaço vivido, no qual, mesmo abordando os problemas existentes, é possível perceber os laços de afinidade construindo, como pode ser lido no trecho a seguir:

Eu sei que dizendo assim,

Eu não tou falando à toa,

Meu Sertão tem coisa boa,

E também tem coisa ruim;

Umas que fede a cupim

Ôtras que chera a melão.

De tudo eu sei a feição

Pois conheço uma por uma.

Vou aqui dizê arguma

Das coisas do meu sertão.

(ASSARÉ, 2012, p. 70)
Na composição da poesia, é retratada a paisagem nordestina com figuras de linguagem em que há muitas comparações, em que se identifica a paisagem nos trechos que descreviam os aspectos da seca, da migração, do percurso da viagem, da chegada ao Sudeste, notando que a paisagem descrita transmitia sensações e os laços de afinidade do autor com ela.

Quando uma seca inclemente

Assola o nosso Nordeste

Dexando a mata e o agreste

Tudo triste e deferente,

Que viaja a pobre gente

Pra São Paulo e Maranhão,

Dexando o caro torrão

Onde contente vivia

Trabaiando todo dia,

É coisa do meu sertão.

(IBIDEM, 2012, p. 70)


Com isso, é evidente que os textos de Patativa apresentam uma estreita relação de afinidade com o espaço representado na sua poesia, ele passou boa parte da vida habitando o lugar que serviu de inspiração, por isso o cotidiano se faz presente em sua obra, relevando sua percepção acerca desse espaço. Esse caráter fenomenológico existente nos poemas de Assaré foi analisado por Almeida (2010), ao afirmar que:

Na obra de Patativa do Assaré, valoriza-se uma apreciação dos sentidos dos lugares sertanejos, uma descrição do sertão, do modo de vida da Serra de Santana, onde vivia o poeta, e a percepção dos lugares distintos do sertão por ele visitados. (IBIDEM, 2010, p.144)

O trabalho de Patativa do Assaré apresenta traços da percepção, simbolismos e experiências e, por isso, a Geografia Humanista contribui para fundamentar a análise e as intepretações sobre os espaços vividos e visitados expostos em sua poesia, possibilitando desvendar os aspectos naturais e culturais sobre a região Nordeste.

Ademais, Patativa também se posiciona de forma crítica em seus poemas, denotando os fatos ocorridos no Nordeste brasileiro, notando-se a sua uma preocupação em evidenciar as problemáticas existentes e vivenciadas pelos nordestinos, sobretudo, apontado as desigualdades sociais e econômicas na organização espacial dessa região.

A respeito disso, Almeida (2010) reconhece que Assaré em seu modo de representação do mundo acaba por refletir sobre as condições sociais, pois “O imaginário está condicionado pela realidade das desigualdades sociais e pela classe social do autor, os quais, são aspectos essenciais para compreender o mundo representado na obra”. (Op. cit, p.145)

A interpretação extraída da poesia, através da visão do autor sobre o lugar de pertencimento, a beleza descrita na paisagem, às sensações transmitidas por meio dela e seus aspectos naturais e sociais, as características regionais e espaciais, dentre outros elementos, são exemplos da Geografia existente na obra de Patativa.

Por outro lado, na perspectiva do ensino/aprendizagem da Geografia, constata-se a possibilidade do diálogo entre os saberes geográficos e literários, os trechos analisados revelam que se pode trabalhar o conteúdo didático não apenas explicando os conceitos e descrevendo o conteúdo, como também por meio da poesia pode-se identificar uma temática em questão, permitindo colocar em prática a interpretação geográfica, incentivando desenvolver a capacidade de percepção e assimilação dos conteúdos por meio da leitura poética, auxiliando o trabalho docente e a aprendizagem dos alunos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da necessidade de metodologias alternativas a prática tradicional nasceu à intenção desse trabalho, mostrando a Literatura como um campo de atuação para os geógrafos, inclusive em sala de aula na Educação Básica. Nesse sentido, a obra de Patativa do Assaré escolhida nesse estudo fornece subsídios para analisar as configurações territoriais e espaciais sobre o Nordeste brasileiro.

O poema “É Coisa do Meu Sertão” é apenas uma parte da obra de Patativa, ao estuda-lo foi possível esmiuçar sobre o conteúdo geográfico presente e analisar a retratação do Sertão Nordestino, através dos conceitos das categorias de análise – paisagem e lugar- em que se

revelaram os sentimentos de pertencimento com esse espaço, os aspetos da paisagem e as interações socioespaciais.

Através das análises iniciais realizadas nesse trabalho visualizou-se a existência do encontro de questões naturais, econômicas, culturais, políticas tão discutidas no âmbito geográfico com a produção literária de Assaré. Logo, considera-se que o universo que abrange a relação entre Geografia e Literatura na poesia de Patativa do Assaré consistiu em enxergar o espaço do semiárido do Nordeste brasileiro a partir de um autor e em consequência verificou-se outras possibilidades de análise dos fenômenos geográficos.

REFERÊNCIAS

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ARAÚJO, Kárita de Fátima; SOUZA, Rita de Cássia Martins de. As Minas Gerais Setecentistas: Geografia e Literatura na Obra do Inconfidente Cláudio Manuel da Costa. Caminhos de Geografia, Uberlândia, n. 57, v. 17, p. 01–20. 2016.
ASSARÉ, Patativa do. Cante de lá que eu canto de cá: Filosofia de um trovador nordestino. Petrópolis: Vozes, 2012
AZEVEDO, Sérgio Luiz Malta de. Entre a Geografia e a Literatura: Inteligibilidade Didático-Pedagógica Em Mundo, Linguagem e Literatura Ao Gosto Popular de Socorro Almeida. In: FARIAS, Paulo Sérgio Cunha; OLIVEIRA, Marlene Macário de. A Formação Docente Em Geografia: Teorias e Práticas. Campina Grande, EDUFCG, 2014, p. 279-297.
BARDIN, Laurence. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2011
CORRÊA, R. L.; ROSENDAHL, Z. Literatura, Música e Espaço. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2007.
GROSSMANN, Judith. A Ficcionalização do Espaço Geográfico em “Suor”, de Jorge Amado. In: GROSSMANN, Judith, et all. O Espaço Geográfico no Romance Brasileiro. Salvador, Fundação Casa de Jorge Amado, 1993.
JÚNIOR, Durval Muniz de Albuquerque. A Invenção do Nordeste e Outras Artes. São Paulo: Cortez, 1999.
MONTEIRO, Carlos Augusto de Figueiredo. O Mapa e a Trama: Ensaios sobre o conteúdo geográfico em criações romanescas. Florianópolis: UFCS, 2002.

SILVA, Joseilton José de Araújo. A Utilização da Literatura de Cordel como Instrumento Didático-Metodológico no Ensino de Geografia. 2012. 158 f. (Dissertação), Mestrado em Geografia, Universidade Federal Da Paraíba, João Pessoa, 2012.




1 Graduada em Licenciatura plena em Geografia pela Universidade Estadual da Paraíba, cursando pós-graduação em Educação Básica pela Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: danielasantana.1@hotmail.com.

2 Professor Adjunto III da Unidade Acadêmica de Educação do Centro de Humanidades da Universidade Federal de Campina Grande. E-mail: pscfarias@bol.com.br






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