Plano de aula ensino Médio Racismo, raça e etnia Pensando as políticas raciais



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PLANO DE AULA



Ensino Médio

Racismo, raça e etnia - Pensando as políticas raciais


Disciplina(s)/Área(s) do Conhecimento:

História. Sociologia.



Competência(s) / Objetivo(s) de Aprendizagem:





  • Conceituar raça, etnia e racismo;

  • Compreender a raça como categoria sociológica e não biológica;

  • Compreender e criticar a construção histórica e social das políticas racistas dos EUA e do Brasil, assim como os impactos dessas políticas na atualidade;

  • Analisar e avaliar os impasses ético-políticos decorrentes das transformações científicas e tecnológicas no mundo contemporâneo e seus desdobramentos nas atitudes e nos valores de indivíduos, grupos sociais, sociedades e culturas;

  • Reconhecer o racismo como uma questão atual e não parte de um passado histórico isolado, estimulando o debate sobre formas de combatê-lo.


Conteúdos:


  • Discussão dos conceitos: raça e etnia;

  • Comparação entre diferentes políticas racistas do passado e seus resultados na questão racial contemporânea.



Palavras-Chave:


Racismo. Etnia. Brasil. Estados Unidos. Democracia racial. Segregação racial.

Previsão para aplicação:


3 aulas (50 min/aula)

Materiais Relacionados:

Texto 1: Warken, Júlia. Meghan Markle é negra? Site M de Mulher. Disponível em:



<https://mdemulher.abril.com.br/cultura/meghan-markle-e-negra/>

Acesso em 13 de junho de 2018.


Munanga, Kabengele (2003) "Uma Abordagem Conceitual das Noções de Raça, Racismo, Identidade e Etnia". [Artigo on-line]. 3º Seminário Nacional Relações Raciais e Educação - PENESB-RJ, Disponível em: <https://www.geledes.org.br/wp-content/uploads/2014/04/Uma-abordagem-conceitual-das-nocoes-de-raca-racismo-dentidade-e-etnia.pdf>

Acesso em 13 de junho de 2018.


Arraes, Jarid. As nuances do Racismo no Brasil e nos EUA. Site da Revista Fórum
Disponível em: <https://www.revistaforum.com.br/semanal/as-nuances-do-racismo-no-brasil-e-nos-estados-unidos/>

Acesso em 13 de junho de 2018.



Livros sugeridos

Para EUA:

WEST, Cornel. Questão de Raça. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.



Para Brasil:

SCHUCMAN, Lia Vainer. (2012). Entre o “encardido”, o “branco” e o “branquíssimo”: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana (Tese de doutorado). Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo.

SKIDMORE, Thomas. Preto no Branco: Raça e Nacionalidade no Pensamento Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976.
Proposta de Trabalho:

1ª Etapa: Conceituando “Raça”, “Etnia” e “Racismo”


Nesse primeiro momento, o(a) professor (a) deve introduzir à temática entre os alunos, desafiando-os a conceituar os termos “raça”, “etnia” e “racismo”. Esse exercício é importante para levantar os conhecimentos prévios e compreender qual o ponto de partida para o início do trabalho.

Saber conceituar raça e racismo é o primeiro passo para que se entenda o racismo como fenômeno social que estrutura nossa sociedade. O breve resumo abaixo pode contribuir para que o (a) professor (a) se localize quanto a discussão, e use como base para direcionar a construção de conceitos:




Raça ou etnia?


É muito comum o emprego do termo “raça” para tratar da diversidade humana de acordo com seus tons de pele (brancos, negros, indígenas, asiáticos...), entretanto, no sentido biológico não existem raças humanas - somos todos da mesma espécie que surgiu há cerca de 350 mil anos na região leste da África, o homo sapiens. As variações de tom de pele e fisionomia correspondem às diferenças de fenótipo que pouco ou nada tem a ver com uma suposta divisão biológica e natural entre seres humanos. Assim sendo, porque ainda falamos em “raça”? Devíamos abandonar o termo?

A ideia de “raças humanas”, a despeito de não ter veracidade biológica, foi criada e usada para dividir os seres humanos de acordo com uma hierarquia que ainda hoje influencia o modo em que vivemos. Nessa hierarquia, criada pelo racismo científico corrente no final do século XIX até a primeira metade do século XX, a raça branca teria uma superioridade moral, cultural, política e econômica em relação às demais raças, sendo a raça negra a que estaria supostamente no mais baixo nível evolutivo possível, fator que justificava a escravidão e o domínio do continente africano por colonizadores europeus.

Sabemos hoje que a classificação das raças humanas é reflexo de um mundo eurocêntrico que buscava legitimidade para seus empreendimentos desumanos, e que nada tem a ver com a realidade biológica e científica, porém, a ideia criada para justificar a submissão de um povo em relação a outro estruturou a sociedade tal qual a conhecemos e influenciou políticas e ações discriminatórias que ajudam a compreender diversos fenômenos dessas sociedades na atualidade. Nesse sentido, as “raças” permanecem como categorias de análise pelo seu valor político e social, não pelo seu valor biológico. Portanto, é possível afirmar que, o racismo, é um sistema hierárquico artificial que legitima o direito e a superioridade de uma raça em relação à outra.

Um dos fatores que comprovam o caráter social e político presente nos termos “raça” e “racismo” é o fato de que o racismo opera de modos diferentes em cada parte do mundo, se relacionando com a história e as dinâmicas particulares da localidade. O racismo contra os negros brasileiros é muito diferente do racismo vivenciado pelos negros sul-africanos, assim como a hierarquia racial norte-americana é diferente das citadas anteriormente. As hierarquias raciais não são, portanto, um bloco essencialista, se alterando e se adaptando às realidades históricas e sociais de cada sociedade, fator que faz com que, o racismo, seja diferente em cada região.

Já “etnia” é uma palavra que se refere a um agrupamento de indivíduos que compartilham do mesmo sistema sociocultural, mesma língua e/ou região geográfica. Também não se trata de uma divisão puramente biológica entre os seres humanos, mas de uma divisão socialmente situada e compartilhada. Dizemos, por exemplo, que o continente africano é majoritariamente habitado por pessoas da raça negra ou que os negros africanos foram escravizados e trazidos para trabalhar nas Américas como se “africanos” fossem um grupo homogêneo de pessoas similares quando, na verdade, a estimativa é que existem hoje mais de 100 etnias na África, cada uma com sua cultura e línguas próprias.

Mesmo os africanos escravizados e trazidos para o Brasil para o trabalho forçado, no comércio atlântico, não eram totalmente semelhantes em cultura, costumes, língua e região, tendo sido trazidas pessoas de etnias diversas como os bantu, iorubás, fon, mandingas, fantis, ashantis, hauçás, igbos, fulas e outras. A Europa também funciona do mesmo modo: o que convencionamos chamar de “europeus” trata-se de um conjunto diverso de etnias culturais, geográfica e linguisticamente localizadas, como os bálticos, albaneses, escandinavos, galeses, sérvios, russos, armênios, romenos, bascos e assim por diante.

Se não existem raças humanas, deveríamos então trocar o termo “raça negra” por “etnia negra”? Algumas pessoas têm proposto essa suposta solução para o tema, entretanto, não existe uma unidade entre os povos negros, além da cor da pele, que justifique o uso do termo “etnia negra” - o negro norte-americano possui uma cultura, língua e costumes diferentes do negro brasileiro ou do negro nigeriano que, por sua vez, se divide entre diversas etnias, por exemplo – além de que uma troca de termos não resolveria a questão da hierarquia que organiza a sociedade independente de abandonarmos ou não o termo “raça”.

Raças humanas não existem, mas a divisão artificial da população em raças continua trazendo consequências que precisam ser entendidas e explicadas para assim serem combatidas. Consequentemente, manter o uso do termo “raça” torna-se válido quando analisamos a questão do racismo para além da biologia, o compreendendo como fator político e sociológico.


2ª Etapa:

Após organizar com a turma os conceitos de raça e racismo, sugerimos a leitura coletiva do TEXTO 1 -disponível na área “Para organizar seu trabalho e saber mais”.

O texto trata-se de uma matéria jornalística que busca explicar como o preconceito e a discriminação racial se dão em dois países diferentes: Estados Unidos da América e Brasil.

Após a leitura, peça para que os alunos sistematizem as informações trazidas pelo texto em uma tabela conforme o exemplo:







Brasil

EUA



Semelhanças

  • Países com passado escravista;

  • Nações com grande volume de negros escravizados;

  • Adoção de políticas racistas nos pós abolição;

  • Possuem racismo estrutural;

  • Permitem a autodeclaração racial;

Diferenças

  • Política pró-miscigenação;

  • Embranquecimento do país;

  • Imigração - importação de imigrantes da Europa e Ásia;

  • Nunca houve proibição formal de relações inter-raciais;

  • Preconceito se dá pelo fenótipo;

  • Acreditavam que em 100 anos não existiriam mais negros no país;

  • Preconceito de marca;

  • Mito da democracia racial;

  • Pessoas com a pele mais escura sofrem mais preconceito do que as pessoas de pele mais clara;




  • Política de segregação;

  • Proibição de casamentos inter-raciais;

  • Regra da gota única;

  • Preconceito se dá pela hereditariedade – genótipo;

  • Pessoas lidas como brancas não desfrutam do mesmo privilégio que os brancos;

  • Preconceito de origem;

A sistematização tem como objetivo ajudar a levantar a discussão sobre pontos específicos do texto. Esse é o momento para questionar os alunos sobre o que entendem por “mito da democracia racial” e “miscigenação”, como percebem a presença ou ausência desses elementos em seus cotidianos. Estimule os alunos a contar experiências pessoais e familiares sobre o racismo brasileiro, citar casos, filmes e músicas norte-americanas que abordem a temática.

3ª Etapa: Pesquisa – A Atualidade do Racismo

Após o bate-papo, divida a sala em dois grupos - um grupo representará os EUA e outro grupo representará o Brasil. Para cada grupo será oferecido uma cartela de temáticas relativas a conceitos, casos e pessoas negras ligadas a cada um dos países. Os alunos deverão se organizar e dividir as temáticas entre si para realização de pesquisas sobre os temas propostos.


A pesquisa poderá ser feita em casa com o auxílio de jornais, artigos, sites e livros diversos, e deverá resultar em uma curta apresentação de 10 a 15 minutos.
Todas as apresentações devem tentar responder as seguintes questões:

  • “O que é?” - “Quem é?” - Breve histórico da temática, conceito ou pessoa pesquisada.

  • Como o tema se relaciona com a questão racial do país em questão?

Abaixo algumas sugestões de temas para a pesquisa:


TEMAS PARA PESQUISA

EUA

BRASIL

  1. Tamir Rice;

  2. Black Lives Matter;

  3. Philandro Castile;

  4. Trayvon Martin;

  5. Rodney King;

  6. Malcolm X;

  7. Partido dos Panteras Negras;

  8. Albert Woodfox;

  9. #OscarSoWhite;

  10. Encarceramento nos EUA e racismo;

  11. Black History Month;

  1. Caso Amarildo;

  2. Cláudia Ferreira da Silva;

  3. Rafael Braga;

  4. Chacina de Costa Barros;

  5. Abdias Nascimento;

  6. #MeuProfessorRacista;

  7. Luana Barbosa dos Reis;

  8. O negro nas telenovelas brasileiras;

  9. Robson Silveira da Luz e o Movimento Negro Unificado;

  10. Encarceramento no Brasil e racismo;

  11. Mês da Consciência Negra;




Todas as temáticas propostas no exemplo se relacionam com a questão racial de cada país e dizem respeito a legados recentes das diferentes políticas racistas aplicadas em cada um deles. O objetivo da atividade é mostrar como a questão racial se articula socialmente e se mantém presente em diferentes sociedades.

Durante as apresentações separe a lousa em dois espaços. Um para o Brasil e outro para os EUA, e vá anotando conceitos e termos trazidos pelos alunos sobre casos de cada um dos países. No final, estimule os alunos a procurar diálogos entre os dois campos, por exemplo, ao contrapor o trabalho de Malcolm X e Abdias do Nascimento, os alunos perceberão que ambos foram homens que lutaram pela valorização da cultura e da autoestima negra, assim como será possível notar semelhanças entre casos de violência e morte de jovens negros nos dois países. Após o processo de percepção de semelhanças entre as violências racistas de cada um dos países, estimule os alunos a conversar, trocar impressões e opiniões sobre métodos e atitudes necessárias para mudar o panorama atual.

A ideia é fazer com que o aluno compreenda que a questão de raça ultrapassa o tempo; e se mantêm hierarquizando a sociedade mesmo que as políticas do passado tenham sido oficialmente abandonadas. Não se pretende com isso naturalizar o racismo, no entanto, fazer com que o aluno entenda que ele existe e causa danos reais a seres humanos ainda hoje. Não sendo uma invenção do passado que ficou para trás junto com a escravização, mas sim uma questão que precisa ser pensada por todos que desejam viver em uma sociedade mais justa.

Plano de aula elaborado pela Professora Suzane Jardim





Idealização Instituto Net Claro Embratel / Revisão: DirectorAdm / Plano de aula: Prof.ª. Suzane Jardim


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