Perda gestacional e coping: o enfrentamento diante da situaçÃo de aborto espontâneo



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Encontro09.01.2018
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PERDA GESTACIONAL E COPING: O ENFRENTAMENTO DIANTE DA SITUAÇÃO DE ABORTO ESPONTÂNEO

Ana Cristina Barros da Cunha (Instituto de Psicologia; Maternidade-Escola; Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro-RJ; Programa de Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória/ES); Tassiana Guerzet Grouiou (Programa Pós-graduação em Psicologia, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória/ES).

O aborto espontâneo ocorre quando a gestação é interrompida de forma natural ou acidental antes da mulher completar a 20° semana de gravidez. Tal tipo de perda gestacional pode ser considerada como um evento traumático para a mulher e sua família, já que na maioria dos casos acontece de forma inesperada e causa grandes repercussões físicas e psíquicas. Sentimentos como tristeza, culpa, ansiedade e desamparo são comuns e desencadeiam um processo de luto de difícil elaboração, sobretudo devido sua importância ser minimizada social e culturalmente. Tal fato dificulta a aceitação da perda pela mulher e sua família e exige a mobilização de estratégias de enfrentamento resilientes para lidar com os possíveis riscos à saúde mental da mulher que pode apresentar sintomas depressivos e ansiedade. Diante do exposto, propomos apresentar uma revisão de literatura acerca do enfrentamento da vivencia do aborto espontâneo, com base em pesquisa bibliográfica de artigos publicados no período de 2006 a 2014 encontrados nas seguintes bases de dados: Periódicos CAPES, Scielo e Google Acadêmico. Nos 43 artigos encontrados foram observadas variáveis como a idade dos pais, o tempo de gestação, características de personalidade, crenças religiosas, história de vida, motivação e perdas anteriores, como determinantes no processo de enfrentamento (coping). As estratégias de coping mais encontradas na literatura a foram a fuga e esquiva, além da reestruturação cognitiva, que prevê a atribuição de um significado ou aprendizado a experiência do aborto vivenciado. Estratégias de coping religioso também foram comuns na vivencia da perda gestacional, assim como a busca de informações e de suporte. A literatura indica ainda que o apoio dos familiares é considerado fundamental, ainda que exista uma lacuna na produção bibliográfica acerca de estudos sobre a rede de apoio e sobre o acolhimento da equipe de saúde. Referente aos estudos sobre a percepção de apoio social, conclui-se que o mesmo contribui para promoção do bem estar de uma forma geral. Já em relação à equipe de saúde, em geral os estudos indicam que os profissionais muitas vezes não estão preparados para lidar com as emoções e o sofrimento resultantes da perda gestacional, o que gera a percepção de descaso pelas pacientes. Dessa forma, fica claro que os profissionais de saúde tem contribuição importante no processo de enfrentamento e aceitação da perda gestacional, além disso, devem protagonizar o acolhimento à mulher em situação de abortamento, respeitando o seu momento de luto e oferecendo o suporte e as informações necessárias. Para tanto, conclui-se como importante que o cuidado assistencial inclua não apenas uma postura solidária do profissional, mas também a consideração por parte deles de todos os fatores emocionais e psicológicos envolvidos no processo de abortamento.

Apoio financeiro: Bolsa FAPES

Palavras- chaves: aborto; coping; perda gestacional.



Nível do trabalho: M

Código da área da psicologia: Saúde


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