Pequeno resumo



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Pequeno resumo
"Longe dos Olhos (Editora Ática, 2011, 121 páginas) do escritor Ivan Jaf está voltado a assuntos como o preconceito, mas também mostra que não existem barreiras para o amor. Ivan Jaf é um escritor carioca que nasceu em 1957 e dedica suas obras principalmente ao público infantojuvenil. Neste, ele revisita o clássico da Literatura brasileira O Mulato, de Aluízio de Azevedo, e consegue inserir no contexto trechos da obra interpretando de uma forma bem simples e interessante, pois os personagens Oto e Silvia vivenciam um drama semelhante ao que Raimundo e Ana Rosa vivenciam em O Mulato. Assim como Raimundo, Oto rejeita a própria cor e como para que para superar seu próprio preconceito dedicou-se aos estudos. As duas tramas contam histórias de amor que barram nas tradições e no preconceito.
Silvia tinha 19 anos, era cega e gostava de sentar todos os dias em frente à orla da praia Urca e Oto um rapaz negro de 20 anos, forte, alto, que estudava letras de manha na Universidade Federal. Passando em frente à praia Urca viu Silvia lá, achou ela linda, foi uma espécie de amor à primeira vista, mas ele não desconfiava que ela era cega. Durante toda a semana ele procurou chamar a atenção da garota fazendo coisas ridículas para tentar puxar assunto e se aproximar dela, porém percebeu que ela nem ligava para as besteiras que ele fazia, ela era totalmente desatenta a tudo o que acontecia por ali, não observava nada e olhava somente em direção ao mar. Parecia alheia a tudo e não deu à mínima. Oto Começou a sentir uma raiva enorme e imaginar que ela era uma menina rica e preconceituosa. E ele que estava aborrecido com tanta discriminação e preconceitos estereotipados, que por vezes as pessoas o confundiam com bandidos quando estava mal vestido e quando estava bem vestido poderia ser algum segurança, esportistas, músico ao até um chofer. Mas Oto era um intelectual muito esforçado e estudioso com bastante determinação. Queria ser professor de Literatura e escritor e tinha um tipo totalmente contrário aos dos intelectuais com óculos fundos de garrafa e corpo franzino.  A raiva e a determinação impulsionava Oto para atingir os seus objetivos, a cada vez que sentia na pele o preconceito, durante a madrugada levantava-se para escrever poemas ou manifestos contra o preconceito. À tarde fazia trabalhos voluntários e sua função na ONG era ler para deficientes físicos. Certo dia quando estava fazendo o trabalho voluntário, Silvia chegou acompanhada da sua mãe e Oto ficou imaginando porque ela estava ali, até que Leo, um era surfista, loiro, branco, olhos azuis e seu amigo que também fazia trabalho voluntario, se aproximou com Silvia. Para surpresa dele ela estava ali, pois era deficiente visual e queria que ele lesse um livro para ela. O engraçado nessa parte é que enquanto eles conversavam Oto se desculpava o tempo todo, no inicio se desculpava por achar que ela tinha visto as besteiras que ele fazia na praia e depois se desculpava, pois não sabia bem como interagir com uma cega, a toda vez que falava o verbo ver se desculpava. Silvia pediu que ele escolhesse o livro e depois de muito pensar ele escolheu O mulato, um livro que descrevia bem as imagens, falava de amor e preconceito. E não foi por acaso que Oto escolheu o livro O Mulato, pois O Mulato conta a estória de Raimundo, um rapaz mulato, que se apaixona por Ana Rosa, sua prima branca. Correlacionando os dois enredos, percebe-se que além de Silvia e Ana Rosa serem brancas e gozarem de condições sociais privilegiadas, viviam em meio ao preconceito racial. Uma mais visível dentro da própria família e a outra diante de um país onde o preconceito se mostra de maneira disfarçada e hipócrita.

Ao ler o livro Oto ficava cada vez mais envergonhado, até que Silvia pediu para que ele descrevesse suas características e, ele se descreveu como se fosse seu amigo Léo. Teve receio ser mais uma vez alvo de preconceito. Apesar de ter vários discursos prontos em sua mente sobre a “democracia racial” brasileira, Oto é flagrado diversas vezes em contradições ao não se assumir como negro diante de Silvia.

No desenrolar da leitura do livro o Mulato contado por Oto, Silvia achou bonito quando a mãe de Ana Rosa disse para ela se casar com alguém de quem ela gostasse de verdade. Oto estava sendo corroído pelo sentimento do seu próprio preconceito, sendo protagonista de uma farsa que ele durante toda a sua vida abominava, tratava acirradas discursões consigo mesmo e sempre achava motivos necessários para adiar a verdade, se iludiu com a ideia de que ele só se fingiu de branco para não criar problemas desnecessários, mas depois que ganhasse a confiança dela desmentiria.

Em O Mulato, Ana que estava apaixonada pelo primo Raimundo e fazia de tudo para tocá-lo e para senti-lo. Entrava no quarto dele, cheirava, beijava e bisbilhotava suas coisas até que um dia ele descobriu e ela resolveu confessar seu amor por ele. Assim como Ana Rosa, Silvia também pediu para sentir e tocar Oto, pois era assim que ela conseguia ver as coisas, e mesmo diante de conflitos dos seus diálogos internos ele achava que ainda não era o momento de contar-lhe a verdade. Ficou com medo de ser desmascarado e chamou Leo para substituí-lo e ao invés de acariciar Oto, ela acariciou Léo.



Oto não tinha privacidade nenhuma, pois morava no apartamento de um irmão casado com filhos, era obrigado a passear pelas ruas para pensar nas últimas ocorrências de sua vida. A paixão deixou Oto realmente fora de si e indo de encontro a todos os seus ideais, chegou até a raspar o cabelo e colocar brinco na orelha para parecer com Léo. Silvia chamou Oto para conhecer sua melhor amiga, ele não teve como recusar. Mais uma vez apelou para a mentira e chamou Léo para ir em seu lugar, inventou que estava sem voz e levou um caderno para se comunicar. Leo raspou a cabeça e o cavanhaque, em troca Oto respondia uns emails para uma menina que Leo gostando. O encontro não foi dos melhores, pois a ideia que Oto passou para Virginia, a melhor amiga de Silvia, foi de que ele era um ignorante que não serviria para ser amigo de Sílvia. No decorrer da narração da história de Raimundo e Ana rosa contado por Oto, Silva ficara comovida com a morte do pai de Raimundo e chorou um choro cego, e como o livro estava cada vez mais empolgante eles deram um tempo na leitura e saíram para tomar um chope. Silvia imaginava o mundo a sua volta e por não ver, tinha os outros sentidos muito desenvolvidos e mais ainda um olfato muito aguçado, descrevia o ambiente ao seu redor com muita profundidade, podia sentir quando era noite e dia, pois as pessoas quando anoitecem ficam diferentes e quando ela disse a Oto que poderia sentir como ele já estava diferente somente ao apertar suas mãos fez o coração de Oto disparar. No caminho para o bar, um rapaz o chamou de “negão”, ele ficou sem graça e disse a Silvia que era um amigo e que eles se tratavam por apelidos. No bar ele voltou a ler o livro e eles ficaram conversando durante muito tempo sobre racismo, parecia que Silvia não se interessava sobre o assunto, até que o "motorista" de Silvia ligou, ele iria buscá-la no bar, Oto fingiu que ficou sem voz, disse que iria ao banheiro e correu para a faculdade puxou Léo pelo braço saiu arrastando pela rua e mandou-o ficar no lugar dele. No fundo, no fundo Oto se sentia culpado, afinal de contas fingir ser Léo, não era coerente com suas ideias ante o preconceito. Durante a leitura ele muitas vezes se sentia o próprio Raimundo tinha raiva, pois aquele também era o seu drama. Quando Raimundo e Ana fizeram amor, Silvia e Oto estavam de mãos dadas com os sentimentos aflorados, mas aflitos, e Silvia querendo saber o desfecho da historia. Quando o motorista liga para Silvia e diz que sofreu um acidente ele pegou um taxi e a levou em casa. Eles combinaram de se encontrar no outro dia, na orla da praia de Urca, pois ela estaria sem condução para ir a Universidade e na praia poderia ir sozinha. No outro dia Oto ainda estava com raiva de Silvia, pois achava que ela era uma menina mimada. No desfecho da história de Ana e Raimundo deixou Silvia tão emocionada que ela chorava. Silvia dizia que Oto escolhera bem o livro, não porque tinha a ver com preconceito porque ela era cega, mas com o preconceito racial, pois ela vivia isso de perto, aquele que todos pensavam que era seu motorista era Valter seu primo mulato que dava carona para ela. Oto teve mais um dos seus momentos de preconceito racial, não mais com si próprio, mas ao pensar que o primo dela só porque era mulato seria o chover de um carro. Ela contou que era órfã, sua mãe morrera durante o parto e seu pai morrera em um acidente de carro, ela morava com os tios em uma casa alugada nos fundos de uma mansão da Urca. Os tios eram professores universitários e não ganhavam muito, ela vivia o preconceito de perto e não aguentava ver o sofrimento do primo e do tio que era negro, pois a sociedade era muito preconceituosa. Depois disso Oto confessou e contou toda e verdade, eles se beijaram.

O livro envolve muito mais que o contar o clássico "O Mulato", percebe-se já nos primeiros capítulos que inúmeras manifestações preconceituosas vão marcar o enredo de Longe dos olhos, pois a chave da narrativa é a afeição do jovem negro, Oto, interessado em literatura e atento aos problemas sociais do país, por Sílvia, uma bela garota branca, cega desde o nascimento. A envolvente história de Oto e Sílvia toca em um ponto muito sensível que é o preconceito, seja ele, dos outros, seu, ou até mesmo com você mesmo. No livro são relatados fatos que realmente acontecem no nosso dia a dia, as pessoas criando perfis falsos com medo que os outros descubram sua verdadeira identidade."


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