Pai nosso meu pai! Pai nosso que estás no céu!



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Encontro10.11.2018
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PAI NOSSO... MEU PAI!
Pai nosso que estás no céu! Tua maternidade é eterna! Como é difícil compartilhar o teu céu, o teu paraíso, com os que eu deveria chamar de irmãos. Embora eu saiba que, no teu infinito amor, quanto mais se divide mais se multiplica, eu ainda não aprendi a ser fraterno a ponto de, no meu rosto, irradiar o teu.

Santificado seja o teu nome! Não é fácil, ó Santíssimo, dialogar com aqueles que não acreditam em ti, ou se acreditam, te chamam de Alá, Brahma, Krishina e uma infinidade de nomes. Pior ainda é aceitar que o teu nome seja profanado por aqueles que presunçosamente se consideram “merecedores” de salvação. Faça-me ver, na falta de fé ou na fé ingênua do próximo, as minhas próprias contradições, pois refletindo-me no espelho da imperfeição humana, eu veja resplandecer a tua obra.

Venha a nós o teu Reino! Sei que não é impossível, ó Soberano, vencer a ambição que abunda em minh’alma e que, como diria Oscar Wilde, “é o último recurso do fracassado”. Tu mandaste repartir o teu reino através da comunhão, porém o medo da fome parece transgredir o mandamento que diz: “buscai primeiro o Reino de Deus e a tua justiça”. Liberte-me do “eu” cuja ganância leva a corrupção aqueles que se aproximam de mim.

Seja feita a tua vontade! Árduo é entender que a tua graça, ó Senhor, não é simplesmente uma teoria a ser utilizada para o nosso consumo. Difícil é fazer a tua vontade porque o desejo de autopreservação é motivo, ainda que inconsciente, para destruição do outro. Arranque de mim tudo o que não contribui para o fortalecimento do teu nome.

Assim na terra como no céu! Penoso é compreender que esta terra e todo universo foram criados no teu suspiro e que tudo não passa de um sopro. Faça-me ouvir o teu vento para que eu diga, como o poeta Fernando Pessoa: “só de ouvir este sopro, valeu a pena ter nascido”. Faça-me, ó Deus, enxergar os teus dias e fazê-los meus para que eu pratique o bem ainda que me custe a própria vida.

O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje! Laborioso é ganhar o pão diário, mas, frustrante é conquistá-lo pela via da injustiça e da exploração dos mais fracos. Trabalhe em mim, ó Pai, uma fé capaz de produzir frutos de qualidade e que eu ajude a aguçar, cada vez mais, a sede de ti.

Perdoa as nossas ofensas, assim como perdoamos aos que nos ofende! É penoso pedir perdão e os maiores obstáculos são as minhas convicções. Elas apontam para o próprio engrandecimento como se eu fosse o soberano do mundo. Cristo, modelo de humanidade, levanta-me do monturo sobre o qual eu me jogo de forma cega e indigente.

Não nos deixes cair em tentação! Custoso é perdoar os que me provocam inveja e a certeza de que nada posso. Se é um sacrifício perdoar, pior ainda é pedir perdão àqueles a quem ofendemos ou pervertemos. Mas, Livra-nos do mal! Espírito Santo freie em mim o desejo, ainda que inconsciente, de levar alguém à perdição já que podemos ser aquilo que o impossível cria em nós, como bem escreveu Clarice Lispector. Que o teu Reino, ó Trindade Santa, seja revelado no meu coração para que eu veja resplandecer, ainda em vida, a tua glória no meio de nós. 
Assim seja.

José Neivaldo de Souza é teólogo e psicanalista



Neivaldo.js@gmail.com


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