Os cem erros mais comuns da língua portuguesa 1 "Mal cheiro", "mau-humorado"



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OS CEM ERROS MAIS COMUNS DA LÍNGUA PORTUGUESA

1 - "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

2 - "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.

3 - "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.

4 - "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias.

5 - Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.

6 - Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.

7 - "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.

8 - "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.

9 - "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.

10 - "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.

11 - Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.

12 - Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.

13 - O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.

14 - Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu" (chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinqüenta), "zuar" (zoar), "frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo), "ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).

15 - Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.

16 - Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.

17 - Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.

18 - "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.

19 - "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.

20 - Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21 - Atraso implicará "em" punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.

22 - Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.

23 - Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.

24 - O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.

25 - A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.

26 - Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.

27 - "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.

28 - Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.

29 - A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.

30 - Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.

31 - O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O "fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário" (cabeçalho).

32 - Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?

33 - "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.

34 - O governo "interviu". Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser etc.

35 - Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.

36 - "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.

37 - A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.

38 - A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.

39 - Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.

40 - Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.

41 - Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.

42 - "Cerca de 18" pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.

43 - Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.

44 - Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.

45 - Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.



? 46 - Lute pelo "meio-ambiente". Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc.

47 - Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.

48 - O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não "junto aos") leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não "junto ao") Procon.

49 - As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.

50 - Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo "formado-me").

51 - Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.

52 - Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.

53 - A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.

54 - Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.

55 - Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.

56 - Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.

57 - O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.

58 - À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida que a epidemia se espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.

59 - Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).

60 - Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.

61 - A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)

62 - Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.

63 - Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.

64 - Fique "tranquilo". O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.

65 - Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.

66 - "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.

67 - Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.

68 - Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.

69 - Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos").

70 - Vou sair "essa" noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).

71 - A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.

72 - A promoção veio "de encontro aos" seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.

73 - Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.

74 - Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.

75 - Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.

76 - Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeqüe", etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.

77 - Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda", substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém", "precavenho", "precavenha", "precaveja", etc.

78 - Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem "reavejo", "reavê" etc.

79 - Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.

80 - O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.

81 - A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...

82 - Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.

83 - Venha "por" a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.

84 - "Inflingiu" o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não "inflingir") significa impor: Infligiu séria punição ao réu.

85 - A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).

86 - Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também "comprimentar" alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).

87 - O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.

88 - Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.

89 - "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as obras).

90 - A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").

91 - O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.

92 - "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.

93 - A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.

94 - É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...

95 - Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não "para si").

96 - Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.

97 - A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.

98 - "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas ideias...

99 - Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.

100 - "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.
80 ERROS GRAMATICAIS QUE FAZEM VOCÊ PARECER UM IDIOTA

1. Mais ou Mas

Errado: Quero acordar cedo, mais durmo tarde todos os dias.

Correto: Quero acordar cedo, mas durmo tarde todos os dias.

Explicação: Mas, sem i, é uma palavra usada principalmente como conjunção adversativa e possui o mesmo valor que porém, contudo e todavia. Transmite uma ideia de oposição ou limitação, como no exemplo acima.

Mais, com i, é uma palavra usada principalmente como advérbio de intensidade, transmitindo uma noção de quantidade ou intensidade maiores, ou como conjunção aditiva, transmitindo uma noção de adição e acréscimo. Tem sentido oposto a menos.

Exemplos: Aquele vinho é o mais caro do mercado./ Cinco mais três são oito.



2. Os Porquês

Porque ou Por que

Errado: Não a encontrei ontem por que fui malhar em horário diferente.

Correto: Não a encontrei ontem porque fui malhar em horário diferente.

Explicação: Porque, junto e sem acento, é uma conjunção e serve para ligar duas ideias, duas orações. É usado quando a segunda parte apresenta uma explicação ou causa em relação à primeira.

Já a forma por que, separado e sem acento, é um advérbio interrogativo de causa e é usada quando pedimos por uma causa ou motivo, não necessariamente em uma frase que termine com ponto de interrogação.

Dica: Se tiver dúvida, substitua o por que da frase por “para que”, “pelo qual”, “pela qual”, “pelos quais”, “pelas quais” ou inclua a palavra “razão” logo depois.

Exemplo: Este é o caminho por que (pelo qual) passamos. / Não sei por que (razão) ele desistiu de tudo.

Porquê ou Por quê

Errado: Ela se demitiu, não sei porquê.

Correto: Ela se demitiu, não sei por quê. / Ela se demitiu, não sei o porquê.

Explicação: Porquê, junto e com acento, substitui as palavras razão, causa ou motivo. É um substantivo e, como tal, tem plural e pode vir acompanhado por artigos, pronomes e adjetivos. A palavra geralmente é antecedida de artigo “o” ou “um”.

Use a expressão por quê, separado e com acento, quando ela estiver no fim da frase, seja pergunta ou não.

Exemplos: Não aprovaram a proposta e não sabemos por quê./ Não temos o resultado da concorrência. Por quê?



3. Agente ou A gente

Errado: Agente vai almoçar no restaurante da esquina hoje.

Correto: A gente vai almoçar no restaurante da esquina hoje.

Explicação: A gente é uma locução que equivale à palavra nós e deve ser conjugada na terceira pessoa do singular, como na frase acima.

Agente é um substantivo comum e se refere à profissão de alguém. É aquele que age, que exerce alguma ação.

Exemplo: James Bond é o agente secreto fictício do serviço de espionagem britânico. /Concurso oferece vagas para agente da polícia federal.



4. Voçê ou Você

Errado: Voçê foi ótimo hoje!

Correto: Você foi ótimo hoje!

Explicação: O uso da cedilha pode causar confusão por ser foneticamente igual ao C, porém, existe uma regra primordial que pode amenizar essa confusão: não se usa cedilha antes das vogais I e E.



5. Para mim ou Para eu

Errado: Veja se tem algum erro para mim corrigir.

Correto: Veja se tem algum erro para eu corrigir.

Explicação: Eu é um pronome pessoal reto, devendo ser utilizado quando assume a função de sujeito. Assim, para eu deve ser usado sempre que se referir ao sujeito da frase e for seguido de um verbo no infinitivo que indique uma ação.

Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico, sendo utilizado quando assume a função de objeto indireto, devendo estar sempre precedido por uma preposição. Dessa forma, para mim deve ser usado quando for complemento de um verbo transitivo indireto.

Exemplo: Você trouxe a roupa para mim? / Pensei que esse embrulho tivesse chegado para mim.



6. Menos ou Menas

Errado: Hoje fiquei menas cansada que ontem.

Correto: Hoje fiquei menos cansada que ontem.

Explicação: Menas é uma palavra que não existe na língua portuguesa. A única forma correta de escrita é menos, e em geral se opõe a mais.

Sempre que nos referirmos a algo ou alguém em menor número, menor quantidade, ou em uma posição inferior, devemos utilizar a palavra menos. É correto dizer: menos vezes, menos vestidos, menos cerveja, menos calorias, a menos.

7. Meio ou Meia

Errado: Ela ficou meia chateada depois da conversa.

Correto: Ela ficou meio chateada depois da conversa.

Explicação: Meio pode ser advérbio de intensidade e numeral fracionário e é aí que surge a confusão. Como advérbio, tem sentido de “um pouco” e se apresenta vinculado a um adjetivo, não varia: meio cansada, meio distraído, meio metida, meio maluco.

Como numeral, virá vinculado a um substantivo e concorda com o gênero (feminino e masculino): meio litro, meia xícara, meio pote, meia hora.

8. A fim ou Afim

Errado: Ele está muito afim da minha prima.

Correto: Ele está muito a fim da minha prima.

Explicação: As locuções a fim de e a fim de que exprimem ideia de finalidade e podem ser substituídas por para e para que, respectivamente.

Exemplos: Fez de tudo a fim de (para) nos convencer da sua inocência./ Os pais economizaram durante anos a fim de (para que) que o filho estudasse no exterior.

Ainda se usa a locução a fim de no sentido de “com a intenção de”, “com vontade de”.

Exemplo: Não estava a fim de conhecer pessoas naquele dia. (não tinha vontade de conhecer, não tinha intenção de conhecer)

Na linguagem informal, “estar a fim de alguém” é ter interesse afetivo pela pessoa, como no primeiro exemplo.

O adjetivo afim é empregado para indicar que uma coisa ou pessoa tem afinidade com a outra. Na maior parte das vezes, o adjetivo aparece no plural. Exemplo: Os dois tinham ideias afins (parecidas).

9. Nada a ver ou Nada haver

Errado: Esse tipo de música não tem nada haver comigo.

Correto: Esse tipo de música não tem nada a ver comigo.

Explicação: O verbo haver está frequentemente associado a existir, por isso, é comum que algumas pessoas achem que uma coisa não coexiste com outra e utilizam nada haver.

Nada a ver é a forma correta de escrita desta expressão e é a forma negativa da expressão ter a ver. Sinônimos: não ter relação com, não corresponder, não dizer respeito a.

Obs.: Existe a expressão não ter nada a haver. Embora pouco usada, significa não ter nada a receber, nada a reaver, referindo-se ao ato de não ter quantias monetárias para serem recebidas.

Exemplo: Já não tenho nada a haver de meus clientes.

10. Senão ou Se não

Errado: Senão estudar, não irá tirar boas notas.

Correto: Se não estudar, não irá tirar boas notas.

Explicação: Para dar a ideia de caso não estude, como no exemplo acima, o certo é utilizar a forma separada. Perceba que é possível encaixar um pronome reto (sujeito) entre o se e o não: Se ele não, não irá tirar boas notas. Faça o mesmo quando tiver dúvida.

Senão, em uma só palavra, tem vários significados: de outra forma, mais do que, do contrário, aliás, a não ser, menos, com exceção de, mas, mas sim, mas também, defeito, erro, de repente, subitamente.

Exemplos: Devemos estudar, senão (do contrário) não iremos passar de ano./ Não lhe resta alternativa senão (a não ser) procurar por um médico.



EXTRA: Separar sujeito e predicado!

Errado: O resultado do jogo, não o abateu.

Correto: O resultado do jogo não o abateu.

Explicação: O sujeito da frase – substantivo que pode ser substituído por um pronome pessoal reto (eu, tu, ele, nós…) – não pode ser separado do verbo por vírgula.

Exceção: Quando o sujeito é oracional, permite-se o uso de vírgula. Exemplo: Quem ama cuida./Quem sabe ensina.

11. Mal ou Mau

Errado: Ele estava de mal humor porque todos a volta estavam mau-humorados.

Correto: Ele estava de mau humor porque todos a volta estavam mal-humorados.

Explicação: Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim, o contrário de bom humor é mau humor e de mal-humorado é bem-humorado.

Igualmente: mau cheiro, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.

12. Em anexo ou anexo

Errado: Segue anexo a foto do evento.

Correto: Segue anexa a foto do evento. Segue em anexo a foto do evento.

Explicação: Anexo é adjetivo e deve concordar com o substantivo a que se refere, em gênero e número. A expressão em anexo é invariável.

Alguns estudiosos condenam o uso da expressão “em anexo”, sendo assim, dê preferência à forma sem preposição.

13. Onde ou Aonde

Errado: Não sei aonde fica o prédio da reitoria.

Correto: Não sei onde fica o prédio da reitoria.

Explicação: Ambos são advérbios usados para indicar lugar, porém a preposição a de aonde indica que essa palavra deve ser usada somente quando estiver relacionada a verbos que pedem tal preposição e a orações que sugerem movimento, como:

“Aonde você vai?” – pois quem vai sempre irá a algum lugar – e “Aonde ele pode me levar?”, já que quem leva tem de levar alguém ou algo a um lugar.

Onde é usado em situações nas quais a ideia de movimento não está presente.

Exemplo: “A cidade onde você mora é perigosa” e “Não conheço a cidade onde meu avô morreu”.

Dica: Para ter certeza de que empregou corretamente, substitua aonde por para onde: “Para onde você vai?”. Se não for possível fazer a troca, opte por onde.



14. Através de ou por meio de

Errado: Fui comunicada através de um telefonema que o contrato foi cancelado.

Correto: Fui comunicada por meio de um telefonema que o contrato foi cancelado.

Explicação: Para alguns gramáticos, através se refere ao que atravessa. Prefira “por (meio)” ou “pelo”.



15. Desapercebidos ou despercebidos

Errado: Os erros passaram desapercebidos pelos revisores.

Correto: Os erros passaram despercebidos pelos revisores.

Explicação: Desapercebido significa desprovido de, desprevenido.

Exemplo: Aquela senhora me pegou desapercebida e eu não soube dar a informação que ela precisava.

Já despercebido significa não notado, não percebido, imperceptível.

Exemplo: O suspeito passou despercebido pela equipe de seguranças.

16. Bastante ou bastantes

Errado: Eles viram o filme bastante vezes.

Correto: Eles viram o filme bastantes vezes.

Explicação: Bastante parece invariável, mas há usos em que a flexão plural é obrigatória. Bastante vem do verbo bastar, por isso, o sentido original nos remete a algo como suficiente.

Outro uso é como sinônimo de muito. Ou seja, podemos definir as trocas: bastante = suficiente ou bastante = muito.

Sendo assim, para saber se bastante deve ser usado no plural ou singular, é preciso saber a classificação dele na frase.

Quando é adjetivo, deve variar. Exemplo: Já há provas bastantes para incriminá-lo (= provas suficientes).

Se for advérbio é invariável. Exemplo: Compraram coisas bastante bonitas (= muito bonitas).

Bastante ainda pode ser pronome indefinido e, nesse caso, é variável. Exemplo: Vimos bastantes coisas (= muitas coisas).

Por último, se for substantivo, não varia, mas pede artigo definido masculino: Os animais já comeram o bastante (= o suficiente).



17. Iminente ou Eminente

Errado: O perigo de desabamento daquele prédio antigo é eminente.

Correto: O perigo de desabamento daquele prédio antigo é iminente.

Explicação: Eminente é um adjetivo que significa alto, grande, elevado, saliente, pessoa importante, notável.

Exemplos: Era um eminente orador. A montanha eminente surge na paisagem.

Dica: Associe com proeminente, aquilo que se destaca.

Já iminente, embora também seja um adjetivo, indica algo que está prestes a acontecer. Exemplo: Devido à doença, sua morte é iminente.

18. Meio-dia e meio ou meio-dia e meia

Errado: Entregarei o relatório ao meio-dia e meio.

Correto: Entregarei o relatório ao meio-dia e meia.

Explicação: O termo meio pode ter duas funções: adjetivo e advérbio. Quando advérbio, meio quer dizer “um pouco” e é invariável.

Quando adjetivo, meio quer dizer “metade de” e é variável, ou seja, concorda com o termo a que se refere.

No caso do exemplo acima, refere-se à hora, por isso, uma hora e meia, duas horas e meia, meio-dia e meia.

19. Obrigado ou Obrigada

Errado: “Obrigado”, disse a senhora.

Correto: “Obrigada”, disse a senhora.

Explicação: Como expressão de agradecimento, a regra de concordância nominal diz que o adjetivo obrigado(a) deve concordar com quem fala, ou seja, com o emissor.

Obrigado no masculino e obrigada no feminino.

20. Em cima ou Encima

Errado: O pote estava encima da geladeira.

Correto: O pote estava em cima da geladeira.

Explicação: A palavra encima vem do verbo “encimar” (pois é, existe um verbo com esse nome) conjugado na 3ª pessoa do singular do indicativo ou na 2ª pessoa do singular do imperativo. Significa alçar, elevar, arrematar.

Exemplos: O boné encima a cabeça do rapaz. / O professor foi encimado presidente do grupo docente.

Em cima, escrito de forma separada, transmite a ideia de que algo está em um lugar mais alto de que outro, ou seja, numa posição mais elevada. O seu contrário vem a seguir.



21. Embaixo ou Em baixo

Errado: A caixa estava em baixo da cama.

Correto: A caixa estava embaixo da cama.

Explicação: Devemos utilizar o advérbio embaixo sempre que quisermos transmitir uma ideia de posição de inferioridade: abaixo, debaixo, inferiormente.

A expressão em baixo, escrita de forma separada, existe, mas é usada apenas quando a palavra baixo assume a função de um adjetivo, caracterizando algo.

Exemplos: Aquela é a maior escultura do mundo em baixo relevo./ Ele pediu para falarmos em baixo tom de voz.

Dica: Para decorar a ortografia das palavras em cima e embaixo, use seus dedos! Sim, faça um “V” com eles e se lembre que “em cima” é separado, como seus dedos de cima estão, e “embaixo” é junto, como seus dedos de baixo estão.

22. À prazo ou A prazo

Errado: Vamos vender à prazo.

Correto: Vamos vender a prazo.

Explicação: Nunca se usa crase antes de palavra masculina!



23. À vista ou a vista

Errado: O pagamento foi feito a vista.

Correto: O pagamento foi feito à vista.

Explicação: Ocorre crase nas expressões formadas por palavras femininas.

Exemplos: à noite, à tarde, à venda, às escondidas, às pressas.

24. A partir de ou à partir de

Errado: À partir de novembro, estarei de férias

Correto: A partir de novembro, estarei de férias.

Explicação: Não se usa crase antes de verbos.



25. A moda ou À moda

Errado: Serviram o bacalhau a moda da casa.

Correto: Serviram o bacalhau à moda da casa.

Explicação: Sempre ocorre crase nas expressões à moda de e à maneira de, mesmo que a parte da expressão (moda de) venha implícita.

Exemplo: Escreve à (moda de) Machado de Assis.

26. Pode ou não ocorrer crase:

1. Antes de nomes próprios femininos e antes de pronomes possessivos femininos a crase é facultativa porque esses termos aceitam ou não o artigo antes de si.

Exemplos:

Falei à Natália. (preposição + artigo)

Falei à sua classe. (preposição + artigo)

Falei a Natália. (preposição sem artigo)

Falei a sua classe. (preposição sem artigo)

2. Antes de nomes de cidades, lugares, países. Exemplo: Vou à academia./ Cheguei a Curitiba.

Um bom truque para saber se usa crase ou não é encaixar a palavra em questão na frase: “Vou a, volto da, crase há! Vou a, volto de, crase pra quê?” 🙂

Extra: Como verificar a existência de um artigo feminino “a(s)” ou de um pronome demonstrativo “a(s) ” após uma preposição “a”?

Dica 1: Coloque um termo masculino no lugar do termo feminino que se está em dúvida. Se surgir a forma ao, ocorrerá crase antes do termo feminino.

Exemplos:

Conheço o aluno. / Conheço a candidata.

Refiro-me ao candidato. / Refiro-me à aluna.

Dica 2: Troque o termo regente que acompanha a preposição a por outro acompanhado de uma preposição diferente (para, em, de, por, sob, sobre).

Se essas preposições não se contraírem com o artigo, ou seja, se não surgirem novas formas (na (s), da (s), pela (s),…), não haverá crase.

Exemplos:

Penso na menina. (em+a)

Apaixonei-me pela menina. (por+a)

Começou a brigar./ Cansou de brigar./ Insiste em brigar./ Foi punido por brigar./ Optou por brigar.

Atenção: Lembre-se sempre de que não basta provar a existência da preposição “a” ou do artigo “a”, é preciso provar que existem os dois.

27. Há ou A

Errado: Atuo no setor de vendas a 10 anos.

Correto: Atuo no setor de vendas há 10 anos.

Explicação: Para indicar tempo passado usa-se o verbo haver. Na dúvida, substitua pelos verbos ter ou fazer.

Exemplo: Atuo no setor de vendas tem/faz 10 anos.

28. Curti ou Curtir (verbo no infinitivo)

Errado: Você vai curti muito minha nova página no Facebook.

Correto: Você vai curtir muito minha nova página no Facebook.

Explicação: Sempre que houver um verbo auxiliar de tempo, no caso, ir (vai), este deve ser seguido de um verbo no infinitivo: curtir.



29. Descriminar ou Discriminar

Errado: Não descrimine ninguém pela cor ou opção sexual.

Correto: Não discrimine ninguém pela cor ou opção sexual.

Explicação: Descriminar significa absolver, inocentar.

O prefixo “des” indica uma ação no sentido contrário, nesse caso, quer dizer tirar o crime.

Exemplo: Ele falou em descriminar o uso de algumas drogas.

Discriminar significa distinguir, separar, diferenciar, especificar. Isso pode ser feito com ou sem preconceito.

Há um sentido que não carrega tom negativo, quando significa especificar, separar por itens, mercadorias, informações.

Exemplo: Discriminei todos os produtos na nota fiscal.

30. Perca ou Perda

Errado: As percas do semestre serão compensadas no próximo.

Correto: As perdas do semestre serão compensadas no próximo.

Explicação: Perca é uma flexão do verbo perder. Aparece na 1ª e 3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo e na 3ª pessoa do singular do imperativo.

Exemplos: Não perca essa oportunidade! (3ª pessoa do singular do imperativo)/ Espero que ela não perca mais tempo. (3ª pessoa do singular do presente do subjuntivo)

Perda é um substantivo que significa se privar (desapossar, excluir) de alguém ou de algo que se tinha.

É fácil saber porque sempre que for substantivo, pode ser acompanhado de artigo, pronome ou numeral antes de si.

Exemplos: Mariana está muito abalada, já é a terceira perda esse ano./ Nem sempre as perdas representam algo ruim.



31. Interviu ou Interveio

Errado: O país interviu em várias guerras.

Correto: O país interveio em várias guerras.

Explicação: O verbo intervir deriva do verbo vir e a conjugação dos verbos compostos deve seguir a conjugação dos verbos simples.

O equívoco mais frequente é seguir a conjugação do verbo ver (como no exemplo acima).

Nas terceiras pessoas, vale a pena observar a acentuação: no verbo vir, um acento circunflexo distingue a forma “(eles) vêm” (plural) da homônima singular “(ele) vem”; no verbo intervir, o singular recebe acento agudo (intervém) e o plural recebe acento circunflexo (intervêm).

As duas formas são acentuadas porque ambas são oxítonas terminadas em “-em”.

32. Assistir o filme ou Assistir ao filme

Errado: Ontem assistimos o novo filme da Angelina Jolie.

Correto: Ontem assistimos ao novo filme da Angelina Jolie.

Explicação: O verbo assistir admite as duas formas, mas para significações diferentes.

Assistir no sentido de ver pede a preposição a, já no sentido de ajudar, acompanhar ou assessorar é transitivo direto, isto é, não possui preposição.

Exemplo: Eu assisti uma senhora na fila do banco. (= dei assistência, ajudei)



33. Adequa ou adequada

Errado: Ele não se adequa ao meu modo de vida.

Correto: Ele não é adequado ao meu modo de vida.

Explicação: Adequar é um verbo defectivo, ou seja, não se conjuga em todas as pessoas e tempos.

No presente do indicativo são conjugadas apenas a primeira e a segunda pessoa do plural (nós adequamos, vós adequais).

34. Aluga-se ou Alugam-se

Errado: Aluga-se apartamentos

Correto: Alugam-se apartamentos

Explicação: O sujeito da oração (apartamentos) concorda com o verbo. Quando houver dúvida, coloque a oração na voz passiva: Apartamentos são alugados.

Observe que o verbo ser está no plural, logo, alugar também deve estar quando na voz ativa.

35. Aumentar ainda mais ou aumentar muito

Errado: Precisamos aumentar ainda mais os lucros.

Forma correta: Precisamos aumentar muito os lucros.

Explicação: Aumentar é sempre mais, não existe aumentar menos. Portanto, são formas redundantes: aumentar mais, aumentar muito mais e aumentar ainda mais.



36. Dispor ou dispuser

Errado: Se ela dispor de paciência, conseguirá terminar o trabalho.

Correto: Se ela dispuser de paciência, conseguirá terminar o trabalho.

Explicação: A conjugação do verbo dispor acompanha a do verbo por, assim como repor, compor, sobrepor e etc.



37. Falta ou faltam

Errado: Falta 15 dias para ele voltar de férias.

Correto: Faltam 15 dias para ele voltar de férias.

Explicação: O verbo deve concordar com o sujeito da frase. Uma boa dica para sanar essa dúvida é perguntar quem ou o que realiza a ação do verbo.

No caso, o que é que falta? 15 dias faltam, no plural.

38. Faz ou Fazem

Errado: Fazem dois meses que não o vejo.

Correto: Faz dois meses que não o vejo.

Explicação: O verbo fazer quando sinaliza tempo transcorrido fica na 3ª pessoa do singular.



39. Há 18 anos atrás ou Há 18 anos

Errado: Há 18 anos atrás, eu entrei para o Corpo de Bombeiros.

Correto: Há 18 anos, eu entrei para o Corpo de Bombeiros.

Explicação: Usar “há” e “atrás” na mesma frase é redundante. O verbo haver, sempre que estiver relacionado a tempo que já passou, impede o uso da palavra atrás.

Sendo assim, existem duas formas corretas para a frase: “há dezoito anos” ou “dezoito anos atrás”.

40. Houve ou Houveram

Errado: Houveram boatos de que eu estava na pior.

Correto: Houve boatos de que eu estava na pior.

Explicação: Haver no sentido de existir nunca é usado no plural!



41. Precisa-se ou Precisam-se

Errado: Precisam-se de vendedores com experiência.

Correto: Precisa-se de vendedores com experiência.

Explicação: Sempre que houver uma preposição depois do pronome se (de, por, para, com, em, etc.) não haverá plural, apenas singular.

Exemplo: Trata-se de ideias inovadoras.

42. Preveram ou Previram

Errado: Os gurus preveram o sucesso do marketing digital.

Correto: Os gurus previram o sucesso do marketing digital.

Explicação: A conjugação do verbo prever segue a do verbo ver. Logo, se o certo é dizer eles viram, também é certo dizer eles previram.



43. Ratificar ou Retificar

Errado: Os fatos retificaram nossas previsões.

Correto: Os fatos ratificaram nossas previsões.

Explicação: Ratificar significa confirmar, reafirmar, validar, comprovar, autenticar.

Retificar se refere ao ato de corrigir, emendar ou alinhar alguma coisa. Uma dica é lembrar que o termo é derivado de “reto”, ou seja, tem o sentido de endireitar.

44. Vem ou Veem

Errado: Eles vem problema em tudo.

Correto: Eles veem problema em tudo.

Explicação: Observe as conjugações no presente do verbo ver: ele vê (com acento), eles veem (sem acento, segundo o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa).

Exemplos: Ele vê a namorada todo dia./ Eles se veem com bastante frequência.

Não confunda com o verbo vir, que no presente é conjugado assim: ele vem, eles vêm (com acento).

Exemplos: Ele sempre vem aqui./Eles raramente vêm ao Rio de Janeiro.

45. Vir ou Vier

Errado: Se ela não vir amanhã, não precisa vir mais.

Correto: Se ela não vier amanhã, não precisa vir mais.

Explicação: No caso do verbo vir, temos as seguintes formas no futuro do subjuntivo: quando/se eu vier, ele vier, nós viermos, eles vierem.

Não confundir com o verbo ver: Se ele me vir aqui, vai ficar com muita raiva.

46. Tachar ou Taxar

Errado: Foi taxado de ladrão.

Correto: Foi tachado de ladrão.

Explicação: O verbo tachar se refere ao ato de por tacha ou defeito, ou ainda acusar alguém. Já o verbo taxar se refere ao ato de fixar um preço.

Exemplo: Governo quer taxar novos impostos sobre bens imobiliários.

47. Tem ou Têm

Errado: Eles tem que comparecer à reunião de pais e mestres.

Correto: Eles têm que comparecer à reunião de pais e mestres.

Explicação: Ambas são formas conjugadas do verbo ter no presente do indicativo, mas estão conjugadas em diferentes pessoas.

Tem está na 3ª pessoa do singular e têm está na 3ª pessoa do plural. As palavras teem e têem não existem, estão erradas.

48. Quis ou Quiz

Errado: Eles sempre quiz esse emprego.

Correto: Eles sempre quis esse emprego.

Explicação: As duas palavras existem, no entanto, têm significados bem diferentes.

A conjugação correta do verbo querer no pretérito perfeito do indicativo é quis. Muitos escrevem com z por comparação com verbos como fazer (eu fiz) ou dizer (ele diz).

Quiz, com z, é um jogo ou competição em que se fazem perguntas para testar conhecimento geral.

Exemplo: Faça o quiz online o descubra o quão bom você é em matemática.

49. Um dos que chegou ou Um dos que chegaram

Errado: Ele foi um dos que chegou antes.

Correto: Ele foi um dos que chegaram antes.

Explicação: “Um dos que” faz a concordância no plural, pois é um daqueles que chegaram. Para tirar a dúvida, pode-se inverter a frase: Dos que chegaram antes, ele foi um.



50. Esta ou Está

Errado: Ele esta triste hoje.

Correto: Ele está triste hoje.

Explicação: Esta é um pronome demonstrativo feminino e é usado para indicar algo no espaço, posicionando um objeto em relação a alguém.

Sua sílaba tônica, isto é, a mais forte, é “es” e não há necessidade de acento gráfico, pois é paroxítona terminada em “a”.

Exemplo: Esta roupa ficou ótima em você.

Obs.: Esta x Essa – O “esta” é usado para objetos que estão próximos de quem fala, caso contrário, deve-se usar outros pronomes demonstrativos femininos, como essa ou aquela. O mesmo vale para isto e isso, este e esse e etc.

Está é a flexão do verbo “estar” na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (ela está…) ou na 2ª pessoa do imperativo afirmativo (está tu).

A sílaba tônica é “ta” e, portanto, é uma palavra oxítona terminada em “a”, o que justifica o acento gráfico.

51. Aja ou Haja

Errado: Espero que aja compreensão da parte deles.

Correto: Espero que haja compreensão da parte deles.

Explicação: As duas formas existem na língua portuguesa, mas aja é uma forma verbal do verbo agir e haja é uma forma verbal do verbo haver, por isso o h.



52. A cores ou Em cores

Errado: O material da reunião será a cores.

Correto: O material da reunião será em cores.

Explicação: Se o correto é em preto em branco, é também correto dizer material em cores.



53. A domicílio ou Em domicílio

Errado: A pizzaria entrega a domicílio.

Correto: A pizzaria entrega em domicílio.

Explicação: No caso de entrega, usa-se a forma em domicílio. A forma a domicílio é usada para verbos de movimento.

Exemplo: Foram levá-lo a domicílio.

54. A longo prazo ou Em longo prazo

Errado: Para alcançar grandes resultados, é preciso pensar a longo prazo.

Correto: Para alcançar grandes resultados, é preciso pensar em longo prazo.

Explicação: Usa-se a preposição em nos seguintes casos: em longo prazo, em curto prazo e em médio prazo.



55. A nível de ou Em nível de

Errado: A votação será realizada a nível nacional.

Correto: A votação será realizada em nível nacional.

Explicação: O uso de a nível de está correto quando a preposição “a” está associada ao artigo “o” e significa “à mesma altura”.

Exemplo: Aquele hotel está ao nível da nossa exigência. Mas vale ressaltar que a expressão em nível de só está correta quando equivale a “de âmbito” ou “com status de”, como no primeiro exemplo.

56. Daqui a pouco ou Daqui há pouco

Errado: O diretor chegará daqui há pouco.

Correto: O diretor chegará daqui a pouco.

Explicação: A pouco indica ação que ainda vai ocorrer, a ideia é de futuro próximo.

Já há pouco indica ação que já aconteceu, pode ser substituído por faz pouco tempo.

57. Correr atrás do prejuízo ou correr atrás do lucro

Errado: Precisamos correr atrás do prejuízo.

Correto: Precisamos correr atrás do lucro.

Explicação: Pode-se correr do prejuízo, mas não se deve correr atrás dele. A forma correr atrás do prejuízo não faz sentido.



58. De encontro ao ou Ao encontro do

Errado: Seus ideais vêm de encontro ao que a empresa busca nesse momento.

Correto: Seus ideais vêm ao encontro do que a empresa busca nesse momento.

Explicação: De encontro a é estar em sentido contrário, em oposição a. Ao encontro de é estar de acordo, ideia de conformidade.



59. Em mãos ou Em mão

Errado: Esta encomenda deve ser entregue em mãos.

Correto: Esta encomenda deve ser entregue em mão.

Explicação: Ninguém escreve a mãos, nem fica em pés. O correto é em mão, cuja abreviatura é E. M.



60. Ora ou hora

Errado: Por hora, prefiro que a gente continue como está.

Correto: Por ora, prefiro que a gente continue como está.

Explicação: A expressão por hora, quando escrita com a letra “h”, refere-se ao tempo, a marcação em minutos.

Exemplo: Quando corria, chegava a dezoito quilômetros por hora. Já a expressão por ora, quando escrita sem o “h”, dá a ideia de no momento ou agora.

É um advérbio de tempo, expressa sentido de por enquanto, no momento, atualmente.



61. Entre eu e ele ou Entre mim e ele

Errado: Não há mentiras entre eu e ele.

Correto: Não há mentiras entre mim e ele.

Explicação: Os pronomes pessoais do caso reto exercem função de sujeito (ou predicativo do sujeito) e nunca de complemento.



62. Lhe ou o

Errado: Nunca lhe vi antes.

Correto: Nunca o vi antes.

Explicação: Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto, isto é, aquele que não pede preposição.

No caso do exemplo acima, quem vê, vê alguém.

Por outro lado, se o verbo pedisse preposição, o certo seria usar “lhe”.

Exemplo: A decisão não lhe agradou. (quem agrada, agrada a alguém: a decisão não agradou a ele)

63. Comtigo ou Contigo

Errado: Ele veio com tigo hoje?

Correto: Ele veio contigo hoje?

Explicação: Nesse caso, não existe explicação. Os pronomes são: comigo, contigo, consigo, conosco e convosco. Sempre junto.

Lembrando que consigo é reflexivo, isto é, refere-se ao sujeito da oração.

Exemplo: Carlos tem costume de falar consigo mesmo. → mesmo/próprio não são obrigatórios, mas reforçam a ideia de ação reflexiva.

→ Colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.

64. Próclise (antes do verbo)

Errado: Não cale-se diante das injustiças.

Correto: Não se cale diante das injustiças.

Explicação: Palavras ou expressões negativas (não, nada, ninguém, de modo algum…) “puxam” o pronome para antes do verbo.

Mas existem outros casos nos quais a próclise é obrigatória:

-Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme, embora,logo, que. Exemplos: Quando se trata de trabalho, ele é super responsável./ Fui convidando os amigos conforme me lembrava deles.

– Após advérbios. Porém, caso haja vírgula depois do advérbio, este deixa de atrair o pronome. Exemplos: Sempre me identifiquei com ele./Hoje, fala-se muito em marketing de conteúdo.

-Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos. Exemplos: Alguém me ligou? (indefinido)/ A pessoa que se diz amiga tem que ajudar. (relativo)/ Isso me enche de alegria. (demonstrativo)

-Em frases interrogativas. Exemplos: Como se chama sua prima?

-Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo). Exemplos: Deuso abençoe!

-Com verbo no gerúndio antecedido de preposição “em”. Exemplo: Em se tratando de saúde, ele é expert.

-Com formas verbais proparoxítonas. Exemplo: Nós o criticávamos.

Ou seja, são muitos casos! Sendo assim, sempre prefira usar a próclise para não correr o risco de errar.

65. Ênclise (depois do verbo)

Errado: Se faz necessária uma reavaliação do nosso posicionamento.

Correto: Faz-se necessária uma reavaliação do nosso posicionamento.

Explicação: Não se pode iniciar frase com pronomes oblíquos (isso na norma culta, já que na coloquial é amplamente usado). Outros casos em que se usa ênclise:

-Com verbos no infinitivo. Exemplo: Manter-se em forma é bom para autoestima.

-Com o verbo no imperativo afirmativo. Exemplo: Por favor, calem-se!

-Com o verbo no gerúndio. Exemplo: Acabou deixando-me sozinho.

-Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo.



66. Mesóclise (no meio do verbo)

Errado: Tornarei-me chefe-executivo dessa empresa.

Correto: Tornar-me-ei chefe-executivo dessa empresa.

Explicação: Quando os verbos estiverem no futuro do presente ou no futuro do pretérito, usa-se mesóclise.

Sua formação se faz assim: Verbo no infinitivo + pronome oblíquo + terminação do verbo = Tornar-me-ei (ou Eu me tornarei).

67. Cumprimento ou Comprimento

Errado: Chegou e não comprimentou ninguém.

Correto: Chegou e não cumprimentou ninguém.

Explicação: Comprimento está relacionado ao tamanho, à extensão de algo ou alguém. Exemplo: Não sei o comprimento da janela.

Cumprimento relaciona-se a dois verbos diferentes: cumprimentar uma pessoa (saudar), como no primeiro exemplo, e cumprir uma tarefa (realizar).

Exemplo: O cumprimento das metas estabelecidas é indispensável.



68. Descrição ou Discrição

Errado: Ele não tem a menor descrição.

Correto: Ele não tem a menor discrição.

Explicação: Discrição significa ser discreto. Descrição refere-se ao ato de descrever.

Exemplo: Ela fez a descrição do suspeito. (ela descreveu).

69. O óculos ou Os óculos

Errado: O óculos quebrou depois que caiu no chão.

Correto: Os óculos quebraram depois que caíram no chão.

Explicação: A concordância da palavra óculos é feita no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.



70. Sessão ou Seção

Errado: Conseguimos comprar ingressos para a última seção do cinema.

Correto: Conseguimos comprar ingressos para a última sessão do cinema.

Explicação: Sessão significa espaço de tempo de uma reunião deliberativa, de um espetáculo de cinema, teatro, etc. A palavra deriva do latim “sessio” e significa “senta-se”.

Sendo assim, qualquer sessão que exija da pessoa que ela se sente é escrita com dois “S”.

Seção quer dizer o mesmo que secção, ou seja, ato ou efeito de repartir. Significa ainda: divisão de repartições públicas, parte de um todo, departamento.

Exemplo: Cada seção do site abordará um tema específico.

71. O grama ou A grama

Errado: Eu quero duzentas gramas de presunto.

Correto: Eu quero duzentos gramas de presunto.

G, no sentido de peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Grama, no feminino, é sinônimo de capim.

Obs.: A abreviação de grama é g, não gr, gs ou grs. Assim como abreviação de hora é h, não hr, hrs ou hs. Abreviações oficiais não têm plural!

72. Viagem ou Viajem

Errado: Nossa viajem está programada para dezembro.

Correto: Nossa viagem está programada para dezembro.

Explicação: A palavra viagem, com G, é um substantivo comum, sinônimo de jornada e deslocamento.

Viajem é a forma do verbo viajar conjugada na 3ª pessoa do plural do presente do subjuntivo ou na 3ª pessoa do plural do imperativo.

Exemplos: Espero que eles viajem em segurança./ Aproveitem as férias, viajem muito!

73. Devidas providências ou providências

Errado: Peço as devidas providências.

Correto: Peço providências.

Explicação: O adjetivo devidas é desnecessário e redundante, pois quem pediria providências indevidas?



74. Maiores informações ou Mais informações

Errado: Para maiores informações, acesse nosso site.

Correto: Para mais informações, acesse nosso site.

Explicação: O termo “maior” é comparativo, não deve ser utilizado nesse caso. Não existem informações maiores ou menores, mas sim mais informações ou outras informações.



75. Encarar de frente ou Encarar

Errado: Precisamos encarar esse problema de frente.

Correto: Precisamos encarar esse problema.

Explicação: Se o desejo é enfatizar o verbo encarar, então o que se pode dizer é “encarar firmemente, encarar decididamente, encarar sem medo, encarar com determinação.

O de frente não enfatiza nada, já que essa noção já está implícita na própria ideia de encarar, que quer dizer olhar cara a cara, olhar de frente. Portanto, encarar de frente é redundante.

76. Na minha opinião pessoal ou Na minha opinião

Errado: Na minha opinião pessoal, devemos adiar a palestra.

Correto: Na minha opinião, devemos adiar a palestra.

Explicação: Se a opinião é minha, só pode ser pessoal.



77. Planejar antecipadamente ou Planejar

Errado: Devemos planejar antecipadamente nosso calendário de postagens.

Correto: Devemos planejar nosso calendário de postagens.

Explicação: Planejar é o ato de definir metas e objetivos de um projeto antecipadamente, ou seja, o ato de planejar por si só subentende a antecedência.



78. Multidão de pessoas ou Multidão

Errado: Uma multidão de pessoas invadiu a emissora ontem.

Correto: Uma multidão invadiu a emissora ontem.

Explicação: Qualquer substantivo coletivo específico é um pleonasmo. Multidão é sempre de pessoas, assim como cardume é sempre de peixes, enxame, de abelhas e etc.



79. Em duas metades iguais ou Em duas partes iguais

Errado: Vamos dividir a porção em duas metades iguais.

Correto: Vamos dividir a porção em duas partes iguais.

Explicação: Metade é o mesmo que duas partes iguais. Assim, dizer que dividiu alguma coisa em duas metades iguais constitui um pleonasmo.

Também seria correto dizer: Vamos dividir a porção pela metade.

80. Repetir de novo ou Repetir

Errado: Professor, pode repetir de novo?

Correto: Professor, pode repetir?

Explicação: A expressão é redundante quando se trata de um fato que ocorreu pela segunda vez, porque repetir significa fazer de novo, outra vez.

Não será redundância se o fato ocorre pela terceira ou mais vezes. O fato aconteceu, repetiu e repetiu de novo.
REFERÊNCIA

CARVALHO, Henrique. Infográfico: 80 erros gramaticais que fazem você parecer um idiota. Disponível em: . Acesso:19 marco 2017.



ESTADÃO. Manual de redação e estilo. Disponível em: . Acesso:19 marco 2017.


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