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ARTIGOS ORIGINAIS ORIGINAL ARTICLES

 

Influência do treinamento de força muscular e de flexibilidade articular sobre o equilíbrio corporal em idosas



 

Influence of strength training and flexibility on body balance in elderly

 

 



Igna Luciara Raffaeli AlbinoI; Cíntia de la Rocha FreitasII; Adriane Ribeiro TeixeiraIII; Andréa Krüger GonçalvesIV; Ana Maria Pujol Vieira dos SantosV; Ângelo José Gonçalves BósVI

IGrêmio Náutico União. Sede Alto Petrópolis. Porto Alegre, RS, Brasil 
IICentro de Desportos, Departamento de Educação Física. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, SC, Brasil 
IIIInstituto de Psicologia, Departamento de Psicologia do Desenvolvimento e da Personalidade. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil 
IVEscola de Educação Física, Departamento de Educação Física.Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil 
VCurso de Educação Física, Campus Canoas. Universidade Luterana do Brasil. Porto Alegre, RS, Brasil 
VIInstituto de Geriatria e Gerontologia, Programa de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, RS, Brasil

Correspondência | Correspondence

 

 



RESUMO

INTRODUÇÃO: O aumento da proporção de idosos na população mundial traz à tona a discussão a respeito de eventos incapacitantes nessa faixa etária, entre os quais se destaca a ocorrência de quedas. A redução da flexibilidade articular e da força muscular são as principais variáveis motoras relacionada às maiores limitações das atividades de vida diária (AVDs) e aos altos índices de quedas registrados na população idosa. 
OBJETIVO: este estudo se propõe a verificar a influência do treinamento de força muscular e de flexibilidade articular sobre o equilíbrio corporal em idosas. 
METODOLOGIA: A amostra foi composta por 22 mulheres, de 60 a 75 anos, participantes de dois programas de atividade física. Sete sujeitos participaram do programa de força e 15 fizeram parte do programa de flexibilidade. O equilíbrio foi avaliado antes e após o período de treinamento (Escala de Berg). 
RESULTADOS: constatou-se que, em ambos os grupos, o equilíbrio se mostrou significativamente maior após os programas de treinamento. No grupo que participou do treinamento de força, a média dos pontos pré e pós-treinamento foi de 53 e 55,86, respectivamente. No grupo que participou do treinamento de flexibilidade, as médias pré e pós foram 52,47 e 55,47 pontos, respectivamente. 
CONCLUSÃO: constatou-se que os dois treinamentos produziram melhoras nos índices de equilíbrio corporal de idosas, o que provavelmente poderá influenciar na redução da incidência de quedas e da perda da independência física, assim como na obtenção de melhor qualidade de vida.

Palavras-chave: Idosos. Força muscular. Avaliação de desempenho. Equilibrio postural. Flexibilidade articular.

ABSTRACT

INTRODUCTION: Increasing proportion of elderly people in the world population raises the discussion of disabling events in this age group, as the occurrence of falls. Reduction in joint flexibility and muscle strength are the main variable related to the major motor limitations of activities of daily living (ADLs) and high rates of reported falls in elderly. 
OBJECTIVE: This study aims to assess the influence of muscle strength training and flexibility training on body balance in elderly. 
METHODOLOGY: The sample was composed by 22 women, from 60 to 75 years old, enrolled in two physical activity programs. Seven subjects were submitted to muscle strength program and 15 subjects were submitted to flexibility training. Body balance was evaluated before and after practicing time (Berg Balance Scale). 
RESULTS: It was found that both groups had significant improvement in body balance. Average scores in strength training group were 53 and 55.86 points, respectively, before and after training, while the average scores in flexibility group were 52.47 and 55.47 points, before and after training. 
CONCLUSION: It was found that both training improved the rates of body balance in elderly women, which likely will influence the reduction of incidence of falls and loss of physical independence, as well as better quality of life.

Key words: Elderly. Muscle strength . Performance appraisal. Postural balance. Flexibility.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento imprime alterações naturais em todo o organismo. O processo biológico se traduz pelo declínio harmônico de todo o conjunto orgânico. Progressiva atrofia muscular, fraqueza funcional, descalcificação óssea, aumento da espessura da parede de vasos, aumento do nível de gordura corporal total e diminuição da capacidade coordenativa são algumas das alterações morfológicas e fisiológicas, geradas durante o processo de envelhecimento. O idoso responde com mais lentidão e menos eficazmente às alterações ambientais, tornando-se mais vulnerável.1,2,3

Os efeitos deletérios na capacidade funcional e a deterioração da mobilidade ocorrem, com o avanço da idade, sobretudo pela perda gradativa da massa muscular e, consequentemente, da força muscular. A sarcopenia tem impacto significante na saúde pública, sobretudo na população idosa, por suas bem conhecidas consequências funcionais no andar e no equilíbrio, que aumentam o risco de queda e levam à perda da independência física funcional, contribuindo para a ampliação do risco de doenças crônicas como diabetes e osteoporose.4

Aproximadamente 30% dos indivíduos com mais de 65 anos de idade caem ao menos uma vez por ano. Em parte, as quedas ocorrem em função de limitações fisiológicas, perda de massa muscular, limitações cognitivas e uso de medicamentos, tais como os benzodiazepínicos.5 No Brasil, estudo demonstrou que as mulheres têm maior risco de quedas que os homens.6

Nos idosos, a elasticidade de tendões, ligamentos e cápsulas articulares diminui devido a deficiências no colágeno.7,8 Durante a vida ativa, indivíduos adultos perdem cerca de 8-10 cm de flexibilidade na região lombar e no quadril. Particularmente, a flexibilidade dos músculos isquiotibiais durante a senescência tem importante papel no equilíbrio postural, na manutenção completa da amplitude de movimento do joelho e quadril, na prevenção de lesões e na otimização da função músculo-esquelética.9

Em função destas limitações, tem sido apontado que a prática regular de exercício físico consiste em tratamento eficaz na melhora da capacidade funcional de indivíduos com idade avançada.10 A ação preventiva que o exercício físico produz tem importante implicação no que diz respeito à saúde, por reduzir a probabilidade de doenças, incapacidades e mortalidade desta população.11

A estimulação corporal global favorece o melhor desempenho das atividades diárias. Assim, a melhor opção para o indivíduo que está envelhecendo é a realização de um programa de atividade física que inclua treinamento aeróbico, força muscular, flexibilidade e equilíbrio.12 Nos últimos anos, ficou provado que os idosos podem se beneficiar com a participação em programas de treinamento de força. Estudos comprovaram que até mesmo indivíduos com idade acima de 90 anos podem conseguir ganhos em força, durante um período treinamento de oito semanas. A síntese proteica em idosos ocorre mais lentamente do que em adultos jovens, mas a comparação de secções transversas de músculos entre pessoas ativas e inativas sugere que muito da perda de tecido magro pode ser evitada por um treinamento regular com pesos. Músculos preparados melhoram a função das articulações e reduzem o risco de quedas.13 Estudos evidenciaram maior tamanho das fibras musculares e maior força muscular em idosos em treinamento de força e em treinamento de resistência, quando comparados com o grupo controle.14

Neste propósito, destaca-se a importância do desenvolvimento da capacidade motora do indivíduo que envelhece. Sabe-se que a perda da flexibilidade e da força são as principais variáveis motoras relacionadas às maiores limitações das atividades de vida diária (AVDs) e aos altos índices de quedas, pela diminuição ou perda da mobilidade, registrados nesta população.15

O objetivo deste estudo foi verificar a influência de um treinamento de força muscular e de um treinamento de flexibilidade articular sobre o equilíbrio corporal de idosos.

 

METODOLOGIA

A amostra foi composta por 22 indivíduos do sexo feminino, com idade entre 60 e 75 anos, participantes de programas de atividade física de um centro municipal da cidade de Porto Alegre (Ginásio Tesourinha), sendo sete frequentadoras do programa de força muscular (65,1 ± 2,9 anos) e 15 frequentadoras do programa de flexibilidade (66,5 ± 3,2 anos), todas, em ambos os grupos, há mais de um ano. Todos os indivíduos foram escolhidos por conveniência. Considerou-se como critério de exclusão a história prévia de distúrbios vestibulares. Foi analisado também se as participantes da amostra praticavam outra atividade, além daquelas a que estariam submetidas no presente estudo (exercícios de força e de flexibilidade).

Constatou-se que, em ambos os grupos, todas eram praticantes da caminhada, de duas a três vezes por semana, por aproximadamente uma hora, há mais de um ano. Todas as voluntárias assinaram um termo de consentimento livre e informado, declarando que aceitavam participar da pesquisa. Para a coleta de dados, foi aplicada uma anamnese, elaborada especialmente para este estudo.

Posteriormente, as voluntárias foram instruídas sobre como seria o processo da testagem e informadas que, em alguns dos procedimentos de coleta dos dados, seria levado em conta o uso de apoio das mãos e o tempo para realizar os procedimentos. A seguir, foram combinados dias, horários e local para aplicação do teste, o qual seria realizado individualmente, antes da atividade física, e repetido 13 semanas após o treinamento (pré-teste e pós-teste).

O instrumento utilizado para o estudo foi o teste de mensuração do equilíbrio corporal (Escala de Equilíbrio de Berg16). Durante a aplicação dessa escala, mantiveram-se sempre presentes dois professores responsáveis pela coleta dos dados, uma pessoa responsável pela aplicação e demonstração da testagem e outra para assessorar, caso ocorresse alguma eventualidade durante o processo. Todos os profissionais envolvidos na coleta de dados eram professores de Educação Física.

Após a primeira fase da coleta dos dados, todos os resultados foram digitados e armazenados, para serem comparados com os resultados a serem obtidos na segunda fase (pós-treinamento).

Protocolos de Treinamento de Força Muscular e de Flexibilidade Articular

O protocolo de treinamento foi constituído por um programa de treinamento físico durante 11 semanas, realizado com a frequência de duas sessões semanais, com duração de uma hora e meia, tanto para o de força muscular quanto para o de flexibilidade articular.

As participantes do grupo de treinamento de força realizaram exercícios de força muscular, que consistia em desempenhar três séries de dez repetições com cargas de aproximadamente 70% da carga máxima (carga obtida através do método de tentativa e erro, que consiste em adicionar carga até que o indivíduo consiga realizar, no máximo, 10 repetições) dos exercícios puxada dorsal, voador invertido, voador, rosca direta, extensão de tríceps, pressão de pernas (leg press), cadeira extensora, mesa flexora, cadeira adutora, cadeira abdutora e flexão plantar, com repouso passivo de dois minutos entre as séries. Os músculos abdominais foram os únicos trabalhados com um método diferente, que consistia em executar maior número de repetições durante as séries, sem a utilização de cargas, com o objetivo de desenvolver a resistência muscular localizada.17,18

Os sujeitos foram orientados para que as cargas de treinamento fossem reajustadas sempre que o limite superior de repetições preestabelecido para cada exercício fosse facilmente atingido em todas as séries, no intuito de preservar a intensidade inicial. Em todos os reajustes ocorridos, um profissional de Educação Física se encarregava de garantir a segurança e a exatidão das sobrecargas.

As participantes do grupo do treinamento de flexibilidade realizaram inicialmente um trabalho com a utilização de bolinhas de tênis, para o distensionamento da musculatura da base plantar dos pés, com movimentos de rolamento e pressão plantar contra a bolinha por toda a extensão do pé. O objetivo deste trabalho inicial foi aumentar a base plantar de contato com o chão, para propiciar maior estabilidade corporal.19

Após o trabalho inicial, visando à melhora do equilíbrio corporal, as idosas passaram a realizar os exercícios específicos de flexibilidade articular predeterminados (os exercícios específicos de flexibilidade articular aplicados foram selecionados após a realização de pesquisa sobre quais exercícios de flexibilidade e quais articulações seriam mais enfatizadas, levando em consideração o grau de envolvimento com controle do equilíbrio corporal). Exercitaram-se todas as principais articulações e grupos musculares envolvidos (articulações: cervical, ombro, punho, lombar, quadril, joelho, tornozelo). Os exercícios foram ministrados em maior proporção para as articulações de membros inferiores; com utilização de apoio bipodal e unipodal; com e sem utilização da visão. A duração de cada exercício de sustentação foi de 20 a 30 segundos. Os exercícios que envolveram deslocamento corporal de determinada posição inicial com o objetivo de atingir outra posição final, na qual era realizada a sustentação, foram repetidos, no mínimo, três vezes cada.18

Os vinte minutos finais de ambas as sessões de treinamento foram utilizados para realizar o relaxamento corporal. As sessões de treinamento tiveram a supervisão de profissionais da área de Educação Física.

As participantes da pesquisa foram informadas que, durante o período de intervenção, só poderiam realizar a caminhada como atividade física extra, além do programa de treinamento de força muscular ou de flexibilidade articular, e que deveriam ter, no mínimo, 80% de frequência durante o período de treinamento, caso contrário, seriam excluídas do estudo.

O projeto foi elaborado e desenvolvido de acordo com as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos e foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Luterana do Brasil (Protocolo nº 0599). Todos os sujeitos da amostra foram esclarecidos sobre o estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Análise de dados

Para o tratamento estatístico dos dados, utilizou-se o pacote estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 10.0.

Utilizou-se inicialmente o teste Kolmogorov-Smirnov para verificar a normalidade dos dados. Este teste apontou que os dados relativos ao grupo submetido ao treinamento de força estavam dentro da normalidade e os dados relativos ao grupo submetido ao treinamento de flexibilidade não estavam dentro da normalidade. Sendo assim, utilizou-se um teste paramétrico, o teste t de Student pareado, para comparar o equilíbrio corporal entre o pré e pós-teste do grupo submetido ao treinamento de força muscular. O teste não paramétrico de Wilcoxon foi utilizado para comparar o equilíbrio corporal entre o pré e pós-teste do grupo submetido ao treinamento de flexibilidade. Foi considerado um nível de significância de 0,05 (P < 0,05).

 

RESULTADOS

Os resultados do estudo apontam que tanto o treinamento de flexibilidade articular, quanto o de força muscular, desenvolvidos durante 11 semanas, resultaram em aumento do equilíbrio corporal das participantes.

Os resultados do grupo submetido ao treinamento de força muscular são apresentados na tabela 1. A média do escore da Escala de Berg das participantes que foram submetidas ao treinamento de força muscular foi 53 (±1,82) pontos no pré-teste e de 55,85 (±0,37) no pós-teste. Houve também aumento significativo no índice de força muscular, após o período de treinamento (p = 0,003).



 

 

tabela 2 mostra os resultados do grupo de sujeitos que participou do treinamento de flexibilidade. A média do escore da Escala de Berg das participantes que foram submetidas ao treinamento de flexibilidade foi 52,46 (±1,72) pontos no pré-teste e de 55,46 (±0,74) no pós-teste. Observa-se que este grupo também apresentou aumento significativo no índice de equilíbrio corporal, após o período de treinamento (p = 0,001).



 

 

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