Optimum power zone



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EXEMPLO:

RELAÇÃO ENTRE OS GANHOS DE POTÊNTCIA E AS MELHORAS EM TESTES MÁXIMOS DE 100 m EM NADADORES DE ELITE PARALÍMPICOS SUBMETIDOS A UM TREINAMENTO NA OPTIMUM POWER ZONE


Irineu Loturco - Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo (NAR)

Leonardo Tomasello Araujo - Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)

Henrique Oliveira - Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)

Felipe Santos Silva - Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB)


Fabio Yuzo Nakamura - Universidade Estadual de Londrina (UEL)

irineu.loturco@terra.com.br


RESUMO

O presente trabalho investigou as associações entre os ganhos na potência muscular e o aumento na velocidade do nado em uma distância de 100 m em um grupo composto por 5 nadadores paralímpicos da equipe brasileira permanente, submetida a um trabalho baseado em uma zona de cargas ótimas (optimum power zone). Após 6 semanas de período experimental, foi constatada uma forte associação entre os deltas percentuais que representavam as melhoras nas variáveis testadas (r = 0,88; variância compartilhada ≈ 0,77). Com base nos resultados, sugere-se a aplicação de um modelo de treinamento de força baseado na optimum power zone em nadadores paralímpicos de velocidade, em função da possível transferência ocasionada pela melhora do desempenho de potência muscular na velocidade de nado em uma prova de 100 m.


Palavras-Chave: potência muscular, natação paralímpica, carga ótima.


INTRODUÇÃO

A natação está presente no programa oficial de competições das Paraolimpíadas desde os jogos de Roma, em 1960. Nos Jogos Paralímpicos de 1988 (Seul) e Atlanta (1996), a equipe brasileira trouxe um ouro, uma prata e sete bronzes. Em 1992 (Barcelona), a natação brasileira voltou com três medalhas de bronze. A partir dos jogos de Sidney (em 2000), o Brasil se firmou como uma potencia mundial na natação paralímpica, totalizando um ouro, seis pratas e quatro bronzes. Também em Atenas (2004), a excelente campanha dos nossos nadadores resultou em um total de onze medalhas para a delegação brasileira (sete medalhas de ouro, três de prata e uma de bronze). Apesar do crescimento considerável do número de medalhas dessa modalidade, existe uma escassez de estudos que investigam os fatores que interferem no desempenho dos nadadores paralímpicos de elite.

Está bem estabelecido que a potência muscular tem um papel determinante no rendimento dos atletas das provas que acontecem em alta velocidade, em meios aquáticos e/ou terrestres (Hudgins et al., 2013). Parte dessa influência pode ser entendida ao analisarmos a equação mecânica que determina o desempenho da potência (P = F x v, onde F = força e v = velocidade) e que descreve que os maiores valores de potência muscular são atingidos quando ambos componentes dessa equação (F e v) são otimizados, produzindo valores máximos (zona da máxima potência) (Loturco et al., 2013a). Dessa forma, podemos esperar que atletas aptos a aplicar grandes quantidades de força em alta velocidade apresentem valores superiores de potência muscular.

Na natação (olímpica e paralímpica), as provas de 100 metros são descritas como provas de velocidade e occorem em intensidade máxima. Para vencer essas provas e superar seus oponentes, não obstante o tipo de deficiência, os atletas paralímpicos tem que manter uma alta frequência de braçadas, aplicando a maior quantidade de força no menor tempo possível (CRAIG e PENDERGAST, 1979; CRAIG et al., 1985). Além disso, o padrão técnico do nadador terá uma influência crucial no aproveitamento da quantidade total de força aplicada braçada após braçada, influenciando diretamente na propulsão do nado (Barbosa et al., 2010). Esses princípios mecânicos parecem ter uma estreita relação com os fatores que determinam o desempenho de potência muscular medida em exercícios executados contra resistências moderadas, realizados na maior velocidade possível .

Para a imensa maioria dos exercícios regulares do treinamento de força (ex: supino, agachamento, desenvolvimento, etc.) as zonas de máxima producão de potência ocorrem quando se utilizam cargas de intensidade média (Loturco et al., 2013b). De forma crônica, treinar nessa “zona ótima de cargas” ocasiona adaptacões positivas nos dois extremos da curva força-velocidade. Ainda, estudos transversais tem demonstrado associações importantes entre o desempenho dos atletas na optimum power zone e o resultado atingido em uma série de testes funcionais, sobretudo os que envolvem as capacidades relacionadas à velocidade motora (Loturco et al., 2014a).

No entanto, até a presente data, nenhum estudo investigou as relações existentes entre a variação média (delta percentual) da potência máxima propulsiva e do tempo apresentado em um teste específico de natação em uma amostra de nadadores paralímpicos de elite. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é analisar os graus de associação entre os deltas percentuais de potência muscular e do tempo de nado (em um teste máximo de 100 m) em nadadores paralímpicos submetidos a um período de treinamento baseado na optimum power zone. Considerando a comprovada transferência desse modelo de treinamento sobre a capacidade da velocidade motora (Loturco et al., 2014b), hipotetizamos que, mesmo no meio aquático, os ganhos específicos de potência acarretarão em melhoras significantes no desempenho desses nadadores, produzindo valores expresssivos de associação entre os deltas percentuais dessas variáveis.


MÉTODOS

Fizeram parte desse estudo 5 nadadores de velocidade paralímpicos (4 homens e 1 mulher) (61,16 ± 7,65 kg e 166,81 ± 10,68 cm), das classes SB6, SB9, S8, S9 e S13. Os atletas faziam parte da equipe brasileira permanente de natação paralímpica, que realiza suas avaliações físicas periodicamente no Núcleo de Alto Rendimento Esportivo de São Paulo (NAR). Ao mesmo tempo dos testes no NAR, foi solicitado aos treinadores a realização de testes máximos de natação na distância pré-selecionada de 100 metros, nas provas de nado peito (2 atletas) e nado livre (3 atletas), de acordo com a especialidade dos nadadores. Para testar a potência média propulsiva foram selecionados os exercícios multiarticulares bench throw, jump squat e shoulder press, similares aos utilizados pelos atletas durante o período experimental de treinamento. Um encoder linear foi conectado a uma máquina do tipo smith machine e uma técnica de diferenciação finita (coeficiente de variabilidade < 2%) foi utilizada para determinar os valores de aceleração e velocidade da barra. A carga do sistema foi incrementada gradualmente em relação à massa corporal (MC) dos sujeitos (5 % da MC a cada repetição), até que os atletas atingissem o maior valor de potência média propulsiva, avaliada em real time através da curva de produção de potência. Devido à rotina extensiva de treinamentos e avaliações, os atletas eram pré-familiarizados aos testes. Foram permitidas três repetições máximas com cada carga relativa. O maior valor de potência atingido em todos os exercícios foi considerado para as análises. Todos os testes foram realizados antes (pré) e depois (pós) de um mesociclo composto por 6 semanas de treinamento. Para os cálculos dos deltas percentuais das variáveis “tempo de nado” e “potência propulsiva média” foi considerada a seguinte fórmula standard: (valor pós/valor pré x 100) -100. Para verificar o grau de associação entre os deltas das variávies foi utilizado o coeficiente de correlacão linear de Pearson. Para representar os resultados de potência pré e pós foi considerada a média dos valores dos exercícios executados por cada atleta, em decorrência das condições impostas pela classe paralímpica a qual pertenciam (3 atletas utilizaram os 3 exercícios; 2 atletas utilizaram apenas os exercícios para membros superiores bench throw e shoulder press). O nível de significância adotado foi de p < 0,05.


RESULTADOS

A tabela 1 apresenta os dados de desempenho nos testes de potência propulsiva média, nos tempos pré e pós, para os 2 ou 3 exercícios treinados e testados. O percentual de mudança expressa os deltas médios dos ganhos entre os tempos pré e pós, separados por cada um dos 3 exercícios. A figura 1 expressa a variância compartilhada (R²) entre as variáveis correlacionadas (% de mudança na potência muscular e % de mudança no tempo de prova). O grau de associação entre as variáveis testadas foi de 0,88, demonstrando a forte correlação entre os ganhos médios de potência muscular e as melhoras nos tempos dos testes máximos de 100 m.


Tabela 1: Deltas percentuais (% de mudança) apresentados pelos 5 nadadores de elite paralímpicos nos exercícios de jump squat (JS), bench throw (BT) e shoulder press (SP) (Média ± DP).

 

Pré (Watts)

Pós (Watts)

% de mudança

JS (n=3)

408,9 ± 32,24

478,6 ± 66,85

17

BT (n=5)

422,35 ± 91,7

504,45 ± 133,56

19

SP (n=5)

355,13 ± 85,61

394,43 ± 80,61

11

Os achados desse estudo comprovaram a nossa hipótese de que o aumento na potência propulsiva média mensurada em exercícios multiarticulares após um período de treinamento baseado na optimum power zone estariam associados ao aumento da velocidade em um teste máximo de natação na distância de 100 m. Nossos resultados comprovam que uma parte expressiva das melhoras no tempo de nado em uma prova de velocidade (≈77%) podem ser explicados pelos ganhos de potência muscular, mesmo quando esses exercícios são executados em ambientes não-aquáticos (salas de treinamento de força). Isso ressalta a importância da prescrição de treinamentos que priorizam o desenvolvimento da força e da potência muscular em um grupo específico de nadadores paralímpicos de elite, que competem nas provas de velocidade.




Figura 1: Variância compartilhada (R²) entre as mudanças médias dos deltas percentuais na potência muscular e no tempo do teste máximo de natação em 100 m.
CONCLUSÃO

Com base nos resultados, sugere-se a adoção de um modelo de treinamento de força baseado na optimum power zone fora do ambiente aquático em nadadores paraolímpicos de velocidade, em função da associação das decorrentes adaptações funcionais de potência/força muscular com a melhora no desempenho específico em testes máximos de nado na distância de 100 m.


REFERÊNCIAS

Barbosa, T. M.; Bragada, J. A.; Reis, V. M.; Marinho, D. A.; Carvalho, C.; Silva, A. J. Energetics and biomechanics as determining factors of swimming performance: updating the state of the art. Journal of Science and Medicine in Sport. v.13, p.262-9, 2010.

CRAIG, A. B.; PENDERGAST. Relationships of stroke rate, distance per stroke, and velocity in competitive swimming. Medicine and Science in Sports. v.11, p.278-83, 1979.

CRAIG, A. B.; SKEHAN, P. L.; PAWELCZYK, J. A.; BOOMER, W. L. Velocity, stroke rate, and distance per stroke during elite swimming competition. Medicine and Science in Sports and Exercise. v.17, 625-34, 1985

HUDGINS, B.; SCHARFENBERG, J.; TRIPLETT, N. T.; McBRIDE J. M. Relationship between jumping ability and running performance in events of varying distance. Journal of Strength and Conditioning Research. v.27, p.563-7, 2013.



Loturco, I.; Ugrinowitsch, C.; Roschel, H.; Tricoli, V.; Gonzalez-Badillo, J. J. Training at the optimum power zone produces similar performance improvements to traditional strength training. Journal of Sports Science and Medicine. v.12, p.109-15, 2013a.

Loturco, I.; Ugrinowitsch, C.; Roschel, H.; Lopes Mellinger, A.; Gomes, F.; Tricoli, V.; Gonzalez-Badillo, J. J. Distinct temporal organizations of the strength- and power-training loads produce similar performance improvements. Journal of Strength and Conditioning Research. v.27, p.188-94, 2013b.

LOTURCO, I; D’ANGELO, R. A.; FERNANDES, V.; GIL, S.; KOBAL, R.; ABAD, C. C. C.; KITAMURA, K.; NAKAMURA, F. Y. Relationship between sprint ability and loaded/unloaded jump tests in elite sprinters. Journal of Strength and Conditioning Research. Prelo, 2014a.



Loturco, I.; Tricoli, V.; Roschel, H.; Nakamura, F. Y.; Abad, C. C. C.; Kobal, R.; Gil, S.; GonzálezBadillo, J. J. Transference of Traditional Versus Complex Strength and Power Training to Sprint Performance. Journal of Human Kinetics. v. 41, p.265-73, 2014b.


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