O sistema de ensino ser está preocupado com a preservação das paisagens brasileiras e do



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economia>. A
cesso em: jul. 2015. 
No capítulo anterior, você leu uma narrativa com as aventuras de um herói da 
mitologia. Neste capítulo a proposta de trabalho é em torno da leitura de uma história 
em que personagens e enredo se inspiram em fatos da realidade cotidiana de nosso 
tempo. Trata-se da crônica. 
A palavra 
cr™nica, de origem grega — Khrónos (“tempo”) —, mantém relação de 
significado com outras palavras relacionadas a tempo: 
cron™metro (instrumento para 
medir o tempo), 
cr™nico (que dura muito), cronista (quem escreve uma crônica), entre 
outras. Muito antigo, esse termo referia-se à ideia de relatar fatos na ordem em que 
haviam ocorrido.  
As crônicas de hoje em dia costumam ser divulgadas em jornais e revistas, pu-
blicações em que o cotidiano é o assunto fundamental. Devem ser curtas, por causa 
do espaço. 
Ao cronista, cabe o desafio de prender a atenção do leitor com sua história, con-
tada com poucas palavras, e levá-lo a pensar sobre os fatos do cotidiano, aos quais, às 
vezes, ele nem dá atenção. 
Neste capítulo você lerá uma crônica de Luis Fernando Verissimo. Pelo assunto, 
ela poderia ter sido inspirada em uma notícia veiculada em qualquer jornal atual ou por 
estas manchetes:
Anac
: Agência Nacional 
de Aviação Civil.
Leia a crônica bem-humorada sobre um passageiro que vai fazer sua primeira 
viagem de avião e... divirta-se.
23/9/20
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el em: ww.valor.c
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esas>. 
Acesso em: jul. 2015. 
Milos Luzanin/Shut
terstoc
k/Glow Images
goir/Shutterstock/Glow Images
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Narrativas em foco: do mito ˆ cr™nica
       Objetivos:
• 
G•nero
 
Reconhecer a cr™nica.
 
Identificar elementos e 
momentos da narrativa, 
sequ•ncias textuais e 
modos de cita•‹o do 
discurso.
• 
L’ngua: usos e reflex‹o
 
Identificar frases e per’odos.
 
Reconhecer os termos da 
ora•‹o: sujeito e predicado.
 
Estabelecer rela•›es de 
concord‰ncia com o sujeito.
• 
Produ•‹o textual
 
Produzir uma cr™nica 
inspirada em foto.
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Leitura 
Emergência
ƒ f‡cil identificar o passageiro de primeira 
viagem. ƒ o que j‡ entra no avi‹o desconfiado. 
O cumprimento da 
aeromo•a
, na porta do 
avi‹o, j‡ Ž um desafio para a sua compreens‹o.
Ñ Bom dia...
Ñ Como assim?
Ele faz quest‹o de sentar num banco de cor-
redor, perto da porta. Para ser o primeiro a sair no 
caso de alguma coisa dar errado. Tem dificuldade 
com o cinto de seguran•a. N‹o consegue at‡-lo. 
Confidencia para o passageiro ao seu lado:
Ñ N‹o encontro o buraquinho. N‹o tem buraquinho?
Acaba esquecendo a fivela e dando um n— no cinto.
Comenta, com um falso riso descontra’do: ÒAtŽ aqui, tudo bemÓ. O pas-
sageiro ao lado explica que o avi‹o ainda est‡ parado, mas ele n‹o ouve. 
A aeromo•a vem lhe oferecer um jornal, mas ele recusa.
Ñ Obrigado. N‹o bebo.
Quando o avi‹o come•a a correr pela pista antes de levantar voo, ele Ž 
aquele com os olhos arregalados e a express‹o de Santa M‹e do CŽu! no 
rosto. Com o avi‹o no ar, d‡ uma espiada pela janela e se arrepende. ƒ a 
œltima espiada que dar‡ pela janela.
Mas o pior est‡ por vir. De repente, ele ouve uma misteriosa voz 
des-
carnada
. Olha para todos os lados para descobrir de onde sai a voz.
ÒSenhores passageiros, sua aten•‹o, por favor. A seguir, nosso pessoal 
de bordo
 far‡ uma demonstra•‹o de rotina do sistema de seguran•a deste 
aparelho. H‡ sa’das de emerg•ncia na frente, nos dois lados e atr‡s.Ó
Ñ Emerg•ncia? Que emerg•ncia? Quando eu comprei a passagem 
ninguŽm falou nada em emerg•ncia. Olha, o meu Ž sem emerg•ncia.
Uma das aeromo•as, de pŽ ao seu lado, tenta acalm‡-lo.
Ñ Isto Ž apenas rotina, cavalheiro.
Ñ Odeio a rotina. Aposto que voc• diz isso para todos. Ai, meu santo.
ÒNo caso de 
despressuriza•‹o
 da 
cabina
, m‡scaras de oxig•nio cair‹o 
automaticamente de seus 
compartimentos

Ñ Que hist—ria Ž essa? Que despressuriza•‹o? Que cabina?
ÒPuxe a m‡scara em sua dire•‹o. Isto 
acionar‡
 o 
suprimento
 de oxig•-
nio. Coloque a m‡scara sobre o rosto e respire normalmente.Ó
Ñ Respirar normalmente? A cabina despressurizada, m‡scaras de 
oxig•nio caindo sobre nossas cabe•as Ñ e ele quer que a gente respire nor-
malmente?
aeromo•a
: tripulante 
que cuida do bem-estar 
e da segurança dos 
passageiros de uma 
aeronave. Hoje em dia, 
homens e mulheres 
exercem a profissão. 
A denominação do 
profissional é 
“comissário de bordo”.
descarnado
: desprovido 
de algo essencial.
de bordo
: que fica no 
interior da aeronave.
despressuriza•‹o
: ato de 
interromper a 
pressurização, ou seja, a 
pressão regular mantida 
artificialmente em espaço 
fechado que funciona em 
grandes altitudes (por 
exemplo, a cabine de uma 
aeronave).
cabina (ou cabine)

compartimento fechado 
dos aviões onde viajam 
os pilotos e copilotos e no 
qual se localizam os 
instrumentos de controle 
e de navegação aérea.
compartimento
: cada 
divisão de um móvel, de 
um imóvel, etc.
acionar
: fazer funcionar, 
pôr em movimento.
suprimento
: reserva 
necessária.
Nik Neves/Arqui
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o da editora
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ÒEm caso de pouso forçado na ‡gua...Ó
Ñ O qu•?!
Ò... os assentos de suas cadeiras são flutuantes e podem ser levados 
para fora do aparelho e...Ó 
ÑEssa não! Bancos flutuantes, não! Tudo, menos bancos flutuantes!
Ñ Calma, cavalheiro.
Ñ Eu desisto! Parem este troço, que eu vou descer. Onde Ž a cordinha? 
Parem!
Ñ Cavalheiro, por favor. Fique calmo.
Ñ Eu estou calmo. Calm’ssimo. Voc• Ž que est‡ nervosa e, não sei por 
qu•, est‡ tentando arrancar as minhas mãos do pescoço deste cavalheiro 
ao meu lado. Que, ali‡s, tambŽm parece 
consternado
 e levemente azul.
Ñ Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada.
Ñ S— não quero mais ouvir falar em banco flutuante.
Ñ Certo. NinguŽm mais vai falar em banco flutuante.
Ele se vira para o passageiro ao lado, que tenta desesperadamente re-
cuperar a respiração, e pede desculpas. Perdeu a cabeça.
Ñ ƒ que o banco flutuante Ž demais. Imagine s—. Todo mundo flutuando 
sentado. Fazendo sala no meio do oceano Atl‰ntico!
A aeromoça diz que vai lhe trazer um calmante e a’ mesmo Ž que ele 
d‡ um pulo:
Ñ Calmante, por qu•? O que Ž que est‡ acontecendo? Voc•s estão me 
escondendo alguma coisa!
Finalmente, a muito custo, conseguem acalm‡-lo. Ele fica 
r’gido
 na 
cadeira. Recusa tudo o que lhe Ž oferecido. Não quer o almoço. Pergunta se 
pode receber a sua comida em dinheiro. Deixa cair a cabeça para tr‡s e 
tenta dormir. Mas, a cada sacudida do avião, abre os olhos e fica cuidando a 
portinha do compartimento sobre sua cabeça, de onde, a qualquer mo-
mento, pode pular uma m‡scara de oxig•nio e mat‡-lo do coração.
De repente, outra voz. Desta vez Ž a do comandante.
Ñ Senhores passageiros, aqui fala o comandante Araœjo. Neste mo-
mento, ˆ nossa direita, podemos ver a cidade de...
Ele pula outra vez da cadeira e grita para a cabina do piloto:
Ñ Olha para a frente, Araœjo! Olha para a frente!
VERISSIMO, Luis Fernando. Mais comŽdias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 75-77.
consternado
: abatido, 
desolado, aflito.
r’gido
: duro, sem 
movimento.
Luis Fernando Verissimo, filho do escritor Érico Veríssimo, 
nasceu em Porto Alegre, em 1936. É um dos mais respeitados 
e populares escritores nacionais. Colabora com diversos 
jornais como O Globo e O Estado de S. Paulo. Tem diversos 
livros publicados, e sua obra já foi traduzida para dezesseis 
línguas.
Neco V
arella/Ag•ncia 
Estado
R
eprodu•‹o/Editora Objeti
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 Interpreta•‹o do texto
Compreens‹o
 1.
  A crônica lida apresenta fatos ocorridos em diferentes momentos de uma viagem de 
avião. Quais são as reações do passageiro em destaque quando o avião:
a) 
Está parado?
Não consegue atar o cinto de segurança.
b) 
Ganha velocidade para levantar voo?
Demonstra  medo no rosto.
c) 
Está no ar?
Arrepende-se de olhar pela janela.
 2.
  Por que o narrador afirma: “É a última espiada que dará pela janela”?
Porque o passageiro espia pela janela e se arrepende, provavelmente pelo temor despertado por estar no ar.
 3.
  Que situação desencadeia o maior descontrole do passageiro? Por quê?
A exposição das instruções de segurança.
 4.
  Quem narra os fatos da crônica? 
a) 
  O passageiro do lado. 
c)
 
   O narrador-personagem (1
a
 pessoa).
b) 
  A aeromoça. 
d)
 
X
   Um narrador observador (3
a
 pessoa).
 5.
  Releia e explique a resposta do passageiro.
[...] A aeromo•a vem lhe oferecer um jornal, mas ele recusa.
Ñ Obrigado. N‹o bebo.
Espera-se que os alunos percebam, pela incoerência da resposta, que o grau de nervosismo do 
passageiro está tão elevado que não ouviu atentamente a pergunta.
 6.
  A personagem da crônica é um passageiro que viaja pela primeira vez de avião. 
a) 
O texto é construído de modo a dar ideia de que ele não está acostumado a esse 
tipo de transporte. Identifique as falas do passageiro que mostram isso.
• 
  “Odeio a rotina.” 

  
X
  “Olha para a frente, Araújo!” 
• 
X
  “Parem este troço, que eu vou descer.” 

  
X
  “Onde é a cordinha?”
• 
  “Vocês estão me escondendo alguma coisa.”
Espera-se que os alunos percebam que as instruções de segurança são uma rotina nos voos, fato que a 
personagem parece desconhecer uma vez que, pela crônica, o leitor tem a impressão de que ele acredita 
estar em perigo. 
 
Para construir:
 
 Interpretação do texto (atividades 
sobre compreensão, linguagem e 
construção, p. 49 a 61)
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b) 
Por essas falas podemos deduzir que o passageiro est‡ acostumado a outro tipo 
de transporte. Qual? Justifique.
Ele est‡ acostumado a andar de ™nibus, pois fala como se, para descer, fosse preciso puxar a 
cordinha, alŽm de considerar que deve chamar a aten•‹o do motorista (no caso do avi‹o, o piloto),
orientando-o a olhar para a frente.
 7.
  A exposi•‹o das instru•›es de seguran•a desencadeia rea•›es desesperadas no 
passageiro. Uma delas refere-se a um equipamento que flutua, se preciso. Releia:
Em caso de pouso for•ado na ‡gua os assentos de suas cadeiras s‹o flutuantes...
a) 
Observe a imagem que ilustra o uso desse equipamento.
Theo/Arqui
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o da editora
b) 
Responda:
¥ 
Qual foi a confus‹o que o passageiro fez quanto os assentos?
Confundiu assentos com bancos flutuantes.
¥ 
O que ele imaginou?
Todos os passageiros flutuando sentados nos bancos, como se estivessem conversando no meio
do oceano.
¥ 
Qual foi a rea•‹o desesperada que ele teve?
Agarrou o pesco•o do passageiro ao seu lado.
 8.
  As confus›es da personagem produzem efeitos humor’sticos. Para voc•, qual mo-
mento do texto foi mais engra•ado? Por qu•?
Resposta pessoal. 
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 9.
  O título de uma narrativa costuma ter relação direta com o assunto desenvolvido no texto.
a) 
Qual é o assunto/tema dessa cr™nica? 
Resposta pessoal.
b) 
O título da cr™nica é “Emergência”. Que relação há entre esse título e o assunto/tema?
Resposta pessoal.
c) 
Que outro título você daria ˆ cr™nica? 
Resposta pessoal.
O medo faz parte da condição humana. Temos 
medos considerados não racionais. Lembre que 
o medo pode ser paralisante ou nos leva a 
comportamentos inesperados ou engraçados. 
Comente que o passageiro, mesmo ao 
manifestar reações exageradas, é respeitado 
pela aeromoça e pelo passageiro do lado. 
ƒ fundamental que os alunos discutam 
atitudes de compreensão com relação a 
comportamentos desencadeados pelo medo.
Conversa em jogo
Você tem medo de quê?
 
  Muitas pessoas têm medo de coisas aparentemente inofensivas para outros seres 
humanos: medo de aranha, de barata, de dentista, de escuro, etc. Algumas pes-
soas caçoam ou riem de quem expõe seus medos. Como encarar esses medos 
em n—s e nos outros? De que modo agir ao identificarmos os medos de outra 
pessoa? Discuta com os colegas.
Linguagem do texto
 1.
  Grande parte do humor da cr™nica “Emergência” está estruturada nas reações e nas 
falas da personagem. Observe algumas expressões empregadas no texto escrito que 
o aproximam de características da língua falada, mais espont‰nea, do dia a dia.
[...] Ñ e ele quer que a gente respire normalmente.
[...]
Parem este troço que eu vou descer.
 
  Leia outras expressões empregadas por essa personagem e escreva o significado 
delas abaixo.
a) 
“[...] os olhos arregalados e a expressão de Santa M‹e do CŽu!
Expressão de quem clama por ajuda divina.
b) 
“Ai, meu santo.”
Expressão de quem clama por ajuda divina.
 
Para aprimorar:
 
 Conversa em jogo (ao lado)
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c) 
“Todo mundo flutuando sentado. Fazendo sala no meio do oceano Atlântico!”
Entreter pessoas para passar o tempo.
d) 
Perdeu a cabe•a.”
Enlouqueceu.
 2.
  As expressões analisadas na questão anterior são próprias de uma linguagem mais es-
pontânea, mais informal. Em que trecho do texto a linguagem empregada é mais formal, 
mais cuidada? Transcreva-o. 
Aceite as possibilidades: trechos da demonstração do sistema de segurança ou falas da aeromoça como 
em “ – Cavalheiro, por favor. Fique calmo.”
 3.
  Releia este trecho: 
No caso de despressuriza•‹o da cabina, m‡scaras de oxig•nio cair‹o automa-
ticamente de seus compartimentos.
[...]
Puxe a m‡scara em sua dire•‹o. Isto acionar‡ o suprimento de oxig•nio. Co-
loque a m‡scara sobre o rosto e respire normalmente.
 
  Como é a linguagem desse texto? Escolha as alternativas adequadas. 
a) 
X
  Mais monitorada, mais cuidada.
b) 
  Clara e espontânea.
c) 
X
  Com uso de termos técnicos.
d) 
X
 Objetiva.
e) 
  Com uso de termos do dia a dia. 
Construção do texto
Cr™nica
A cr™nica registra um momento ou uma passagem da vida cotidiana. Inspirando-se 
em fatos do cotidiano e em costumes de seu tempo, o cronista constrói sua narrativa. 
Muitas vezes, procura criticar o comportamento humano por meio do humor. A cr™-
nica “Emergência”, por exemplo,  retrata uma situação cotidiana usando o humor. 
Elementos da narrativa
 
  Toda narrativa é estruturada pelos elementos personagem, ação/enredo, espaço, 
tempo e narrador. Esses elementos estão presentes na cr™nica. Preencha o quadro 
da página a seguir com os elementos da cr™nica “Emergência”.
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Elementos da narrativa
ÒEmerg•nciaÓ
Personagens
passageiro, aeromo•a, passageiro do lado
 
A•›es/enredo
sequ•ncia de complica•›es decorrentes do medo
 do passageiro que nunca viajou de avi‹o
Espa•o
avi‹o
 
Tempo
tempo indefinido
 
Narrador
em 3
a
 pessoa
 
Momentos da narrativa/Enredo
 
  N‹o s— os elementos estruturam a narrativa. Os momentos que se sucedem no tem-
po e no espa•o tambŽm participam dessa estrutura: situa•‹o inicial, conflito, cl’max 
do conflito e desfecho. Complete o quadro abaixo indicando os trechos que corres-
pondem a cada um dos momentos da narrativa.
Momentos da narrativa/enredo
Situa•‹o inicial
De: Òƒ f‡cil...Ó
AtŽ: ÒBom dia...Ó
Conflito
De: ÒÑ Como assim?Ó
AtŽ: 
ÒCalma, cavalheiro.Ó
Cl’max 
De: 
ÒEu desisto...Ó
AtŽ: 
ÒVoc•s est‹o me escondendo alguma coisa!Ó
Desfecho do conflito
De: 
ÒFinalmente...Ó
AtŽ: 
ÒOlha para a frente!Ó
Sequências textuais
Um texto desenvolve-se em torno de um tema ou assunto espec’fico. AlŽm 
disso, um texto atende a uma inten•‹o de quem o produz. De acordo com a inten•‹o, 
o autor opta por um modo de organizar o texto. Ele pode empregar apenas trechos 
narrativos ou combin‡-los com outros tipos de trechos: descritivoconversacional
argumentativo... Cada um dos trechos Ž chamado de sequ•ncia textual. Eles podem 
ocorrer dentro de um mesmo texto, de um mesmo par‡grafo... 
Por se tratar de uma narrativa em que o 
cl’max Ž constante, devido ao descontrole do 
passageiro, os alunos poder‹o apontar outros 
trechos como cl’max desde que os demais 
apontamentos sejam coerentes com essa 
escolha. 
Comente com os alunos que provavelmente 
se trata de uma parte do tempo de percurso 
da viagem, uma vez que n‹o h‡ ind’cios do 
tŽrmino do voo. Dessa forma, melhor 
caracterizar o tempo como indefinido. Quanto 
ao narrador, embora ele seja observador, 
trata-se tambŽm de um narrador intruso, pois 
n‹o toma parte dos acontecimentos, embora 
os comente e expresse opini›es. Se 
considerar conveniente, converse com os 
alunos sobre isso. 
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Desafio!
 Leia trechos da cr™nica que representam as sequências textuais (expostas 
no quadro abaixo). Indique a qual sequência textual corresponde cada trecho da 
narrativa. 
¥
  Sequência narrativa
¥
  Sequência conversacional
¥
  Sequência descritiva
¥
  Sequência argumentativa/opinativa
a) 
“[...] ele é aquele com os olhos arregalados e a expressão de Santa Mãe do Céu! 
no rosto.” 
Sequência descritiva.
b) 
“Ñ Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada.”
Sequência conversacional.
c) 
“É fácil identificar o passageiro de primeira viagem.”
Sequência argumentativa/opinativa. 
d) 
“Finalmente, a muito custo, conseguem acalmá-lo.”
Sequência narrativa. 
Depois do desafio, conheça melhor cada uma das sequências.
Sequ•ncias narrativas
Na cr™nica que você leu há sequ•ncias narrativas em que o narrador vai relatando 
os fatos que marcam a viagem do passageiro e caracterizam o estado emocional 
do mesmo. Observe:
Quando o avião começa a correr [...]. 
De repente, ele ouve uma misteriosa voz [...].
Sequ•ncias conversacionais
O registro dos diálogos do passageiro com outras personagens compõe outro 
tipo de sequência, chamado de sequ•ncia conversacional.
Na sequência conversacional, as falas das personagens são apresentadas ao leitor 
diretamente. São registrados os turnos de fala, isto é, ora a fala de uma personagem, ora a 
fala de outra.
A seguir, releia o trecho do diálogo entre o passageiro e a aeromoça. Observe que 
o travessão identifica a mudança do turno de fala entre os dois:
Ñ
 Eu estou calmo. Calmíssimo. Você é que está nervosa e, não sei por quê, está 
tentando arrancar as minhas mãos do pescoço deste cavalheiro ao meu lado. Que, aliás, 
também parece consternado e levemente azul.
Ñ
 Calma! Isso. Pronto. Fique tranquilo. Não vai acontecer nada.
Neste trecho, o passageiro responde a uma voz de  alguém que não está presen-
te, que apenas apresenta instruções de segurança. Os turnos de fala estão indicados 
por aspas (voz) e por travessão (passageiro). Leia:
ÒNo caso de despressurização da cabina, máscaras de oxigênio cairão automatica-
mente de seus compartimentos.Ó
Ñ Que história é essa? Que despressurização? Que cabina?
Turno de fala “é a produção de um falante 
enquanto ele está com a palavra, incluindo a 
possibilidade de silêncio, que é significativo e 
notado. A expressão 
ter o turno equivaleria 
então a estar na vez, ter a palavra e estar de 
fato usando-a”. (MARCUSCHI, Luiz Ant™nio. 
Análise da conversação. 5. ed. São Paulo: 
çtica, 1999. p. 89.)
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o da editora
Este desafio inicial tem por objetivo apenas o 
levantamento de hipóteses por parte dos 
alunos. É importante que leiam e comparem 
para depois escolherem. A seguir, propõe-se 
uma leitura compartilhada das características 
de cada uma das sequências.
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Sequ•ncia descritiva dentro de uma narrativa
Voc• viu que na cr™nica foram utilizadas as sequ•ncias narrativa e conversacio-
nal. Agora observe:
Ele fica rígido na cadeira.
Essa sequ•ncia descreve como ficou o passageiro. Ela poderia estar caracteri-
zada mais detalhadamente assim:
Ele fica rígido na cadeira, pálido, trêmulo, com os olhos arregalados, suando frio...
Por ser um texto mais breve, que trabalha um œnico fato ou acontecimento, mui-
tas vezes a cr™nica deixa de empregar sequ•ncias descritivas detalhadas, pois o foco 
Ž o acontecimento.
Leia trechos de outras cr™nicas de Luis Fernando Verissimo, em que h‡ sequ•n-
cias descritivas mais marcadas.
A metamorfose
Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Co-
meçou a mexer suas patas e descobriu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas 
e de articulação difícil. Acionou suas antenas e não tinha mais antenas. Quis emitir um 
pequeno som de surpresa e, sem querer, deu um grunhido...
VERISSIMO, Luis Fernando. Mais comédias para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 123.
Para dar ideia da transformaç‹o da barata em ser humano, o autor usou uma 
sequ•ncia descritiva, em que as patas da barata s‹o descritas como sendo quatro, 
grandes e pesadas e de articula•‹o dif’cil.
Os 64 caminhos
O encanador vai atender a um chamado. É no apartamento de um velho que o rece-
be vestindo um robe tão desalinhado quanto ele e pede, com um sotaque carregado, para 
o encanador dar uma olhada na pia do banheiro que parece estar entupida. Pelo seu 
aspecto, e pelo aspecto do apartamento, o encanador deduz que o velho mora sozinho e 
raramente sai da sua toca malcheirosa.
Ibid em, p. 91.
Na cr™nica ÒOs 64 caminhosÓ, para dar ideia do apartamento e do morador, o 
autor usou uma sequ•ncia descritiva, fornecendo detalhes a respeito da perso-
nagem. Esse recurso permite ao leitor saber que ele Ž desalinhado e tem sotaque 
carregado.
As sequ•ncias narrativas apresentam fatos ou ações em ordem temporal (h‡ relaç‹o de 
anterioridade e de posterioridade entre os fatos ou ações apresentados).
As sequ•ncias descritivas expõem a caracterizaç‹o de seres: objetos, pessoas, espaços, 
situações... Esse tipo de sequ•ncia se organiza pela simultaneidade, isto Ž, n‹o h‡ relaç‹o 
de anterioridade e de posterioridade entre os aspectos descritos.
Nas sequ•ncias conversacionais, as falas das personagens s‹o apresentadas ao leitor 
diretamente.
A cr™nica ÒA metamorfoseÓ, de Luis 
Fernando Verissimo, inspira-se em 
outra narrativa de mesmo nome, 
escrita pelo tcheco Franz Kafka e 
publicada originalmente em 1915. 
Na história de Kafka, a personagem 
Gregor Samsa, um ser humano, certa 
manh‹ descobre-se transformado em 
um grande inseto. H‡ v‡rias traduções 
para a l’ngua portuguesa dessa 
narrativa; entre elas, a de Marcelo 
Backes, publicada pela editora L&PM. 
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Modos de cita•‹o do discurso de outros 
Discurso direto
Releia estes trechos da cr™nica ÒEmerg•nciaÓ:
Comenta, com um falso riso descontra’do: ÒAtŽ aqui, tudo bemÓ. [...]
Ñ Senhores passageiros, aqui fala o comandante Araœjo. Neste momento, ˆ nossa 
direita, podemos ver a cidade de...
Ele pula outra vez da cadeira e grita para a cabina do piloto:
Ñ Olha para a frente, Araœjo! Olha para a frente!
Nas passagens destacadas, o narrador reproduz a fala do passageiro e do piloto 
literalmente, ou seja, com as palavras deles mesmos. O narrador anuncia que vai re-
produzir a fala do passageiro dizendo Ògrita para a cabina do piloto:Ó e introduz essa 
fala por um travess‹o. A esse modo de cita•‹o chamamos discurso direto.

discurso direto Ž geralmente marcado:
¥
 pelo travess‹o;
¥
 por aspas;
¥
 por vir acompanhado dos verbos de dizer (dizerfalarperguntarafirmarresponder
gritar, etc.).
Discurso indireto
Neste outro trecho da cr™nica, a cita•‹o do discurso Ž feita de forma diferente. Leia:
Pergunta se pode receber a sua comida em dinheiro.
Na frase acima o narrador usa suas pr—prias palavras para mostrar ao leitor o que 
o passageiro teria dito. A fala da personagem n‹o Ž reproduzida literalmente. A esse 
modo de cita•‹o chamamos discurso indireto.
No discurso indireto:
¥
 o narrador reproduz a fala da personagem com as pr—prias palavras;
¥
 a fala reproduzida n‹o Ž marcada por travess‹o;
¥
 Ž comum a presen•a dos verbos de dizer acompanhados das conjun•›es que e se.
Discurso indireto livre
Releia outro trecho de ÒEmerg•nciaÓ:
Ele se vira para o passageiro ao lado, que tenta desesperadamente recuperar a 
respira•‹o, e pede desculpas. Perdeu a cabeça.
Observe que, nesse caso, n‹o h‡ marcas para separar o discurso do narrador do 
pensamento da personagem (em destaque). ƒ como se a fala do passageiro se mis-
turasse com a do narrador.
Nos casos em que o discurso do narrador se mistura ao pensamento ou ˆ fala da 
personagem, sem marcas da passagem de um para o outro, afirma-se que h‡  discur-
so indireto livre.
No 
discurso indireto livre:
¥
 a fala do narrador mistura-se ˆ fala da personagem;
¥
 n‹o h‡ marcas da passagem da fala do narrador para a fala da personagem.
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Identifique o tipo de discurso que ocorre nos trechos em destaque: discurso direto, 
discurso indireto ou discurso indireto livre.
a) 
ÒA aeromo•a diz que vai lhe trazer um calmante e a’ mesmo Ž que ele d‡ um pulo.Ó
Discurso indireto.
b) 
ÒO passageiro ao lado explica que o avi‹o ainda est‡ parado, mas ele n‹o ouve.Ó
Discurso indireto.
c) 
ÒConfidencia para o passageiro ao seu lado:
Ñ N‹o encontro o buraquinho. N‹o tem buraquinho?Ó
 
Discurso direto.
Transformação de discurso direto em discurso indireto
Observe como fica a mudan•a do discurso direto para o discurso indireto:
Discurso direto
Discurso indireto
Altera•›es na passagem do discurso direto 
para o discurso indireto
ÒConfidencia para o passageiro 
ao seu lado:
Ñ N‹o encontro o buraquinho. 
N‹o tem buraquinho?Ó
Confidencia para o passageiro ao 
seu lado que n‹o encontra o 
buraquinho e pergunta se n‹o 
tem buraquinho.
1. AcrŽscimo da conjun•‹o que.
2. Mudan•a das formas verbais.
3. AcrŽscimo de um verbo de dizer (perguntar).
4. AcrŽscimo da conjun•‹o se.
ÒÑ Odeio a rotina. Aposto que 
voc• diz isso para todos.Ó
Ele diz que odeia a rotina e que 
aposta que ela diz isso para 
todos.
1. AcrŽscimo de um verbo de dizer (dizer).
2. AcrŽscimo da conjun•‹o que.
3. Mudan•a das formas verbais.
4. Mudan•a dos pronomes.
ÒÑ Eu estou calmo. Calm’ssimo. 
Voc• Ž que est‡ nervosa [...].Ó
Ele diz que est‡ calmo. 
Calm’ssimo. Diz que ela Ž que 
est‡ nervosa. 
1. AcrŽscimo de um verbo de dizer (dizer).
2. AcrŽscimo da conjun•‹o que.
3. Mudan•a das formas verbais.
4. Mudan•a dos pronomes.
Ao transformar um tipo de discurso em outro, alŽm dessas altera•›es, ˆs vezes 
Ž necess‡rio mudar advŽrbios e pronomes. Por exemplo:
Discurso direto:
Disse o rapaz apaixonado à namorada:
— Quando estou 
aqui com você, esqueço-me de tudo o mais. 
Discurso indireto:
O rapaz apaixonado disse à namorada que, quando estava 
ali com ela, esquecia-se de tudo o mais. 
O advŽrbio aqui  indica o lugar em que se encontra a pes-
soa que fala. No discurso indireto, Ž preciso usar o advŽrbio ali 
para fazer refer•ncia a esse lugar em que se encontra a pessoa 
de quem se fala.
Catalin P
etolea/Shut
ter
stoc
k/Glow Images
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Discurso direto:
Ele disse:
Ñ 
Esta Ž a minha chance de vencer o preconceito.
Discurso indireto:
Ele disse que 
aquela era a sua chance de vencer o preconceito.
O pronome demonstrativo esta refere-se a objetos que est‹o pr—ximos de quem 
fala (a 1
a
 pessoa). No discurso indireto, o pronome demonstrativo foi alterado para 
aquela, pois, nessa constru•‹o, o falante Ž o narrador, e o objeto se refere ˆ pessoa de 
quem ele fala (3
a
 pessoa).
 Atividades: sequ•ncias textuais 
 1.
   Indique o tipo de sequência que predomina nos textos a seguir: narrativa, descritiva ou conversacional.
a) 
 
Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras,
mulheres entre laranjeiras,
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar 
Um cachorro vai devagar 
Um burro vai devagar 
Devagar... as janelas olham 
Eta vida besta, meu Deus.
ANDRADE, Carlos Drummond de. 
Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: 
Nova Aguilar, 1973. p. 67.
Predomina a sequência descritiva.
Nik Neves/Arqui
v
o da editora
Cr™nica
Narrativa de fic•‹o a partir de fatos, costumes e 
acontecimentos do cotidiano.
Inten•‹o
Divertir, provocar humor 
e fazer cr’tica a 
comportamentos 
ou situa•›es.
Constru•‹o
¥ 
elementos e momentos 
da narrativa;
¥ 
presen•a de 
sequências textuais;
¥ 
diferentes modos de 
cita•‹o da fala de 
outros: discurso direto, 
indireto e indireto livre.
Linguagem
Leve, espont‰nea, 
mais informal, mais  
cotidiana. 
Leitor
Aquele que se interessa 
por narrativa curta 
sobre o cotidiano.
Hora de organizar o que estudamos
 
Para praticar:
 
Produ•‹o de texto (p. 89 e 90)
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b) 
 
O maior jardim do mundo
O Parque Nacional da Serra do Cip—, com seus 33 800 hectares, j‡ 
tem seu lugar no livro dos recordes da natureza: abriga o maior nœme-
ro de plantas por metro quadrado do mundo. A maioria das espŽcies 
floresce de janeiro a agosto, explodindo numa profus‹o de cores e 
aromas. Considerada um dos conjuntos naturais mais exuberantes do 
planeta, a reserva ambiental Ž cortada pelo rio Cip— e seus afluentes. 
[É] O relevo acidentado recolhe as ‡guas e forma com elas numerosas 
corredeiras, quedas, po•›es e remansos, ideais para o banho. Ao redor 
do parque, na çrea de Prote•‹o Ambiental, tambŽm existem v‡rias 
cachoeiras e pared›es apropriados para o rapel.
Viagem e Turismo. São Paulo: Abril, jun. 2002. p. 36.
Predomina a sequência descritiva.
c) 
Tarsila do Amaral pintou o Abaporu em 1928 para fazer uma surpresa de anivers‡-
rio ao marido, o escritor Oswald de Andrade. S— que ela n‹o imaginava a pol•mica 
que essa obra provocaria entre os artistas da Žpoca e nem que sua obra provocaria 
grandes mudan•as na arte brasileira de nosso sŽculo. 
BRAGA, ångela. 
Tarsila do Amaral. São Paulo: Moderna, 1998. p. 3. 
Predomina a sequência narrativa.
d) 
 
Altos e baixos
Um homem apaixonado pelo cŽu andava o tempo todo de rosto para cima, a 
contemplar as mut‡veis configura•›es das nuvens e o brilho distante das estrelas.
Nesse embevecimento, n‹o viu uma trave contra a qual topou violentamente com 
a testa. Um amigo zombou da sua distra•‹o, dizendo que quem s— quer ver estrelas 
acaba vendo as estrelas que n‹o quer.
Esp’rito previden te, esse amigo vivia de olhos postos no ch‹o, atento a cada acidente do caminho. Por isso n‹o p™de ter 
sequer um vislumbre da maravilhosa fulgura•‹o do meteoro que um dia lhe esmagou a cabe•a.
PAES, José Paulo. Socr‡ticas. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p. 64.
Predomina a sequência narrativa.
 2.
   A notícia é o relato de um fato. Nela predomina, portanto, a sequência 
narrativa. Entretanto, o autor, dependendo de suas intenções, pode 
utilizar também outras sequências discursivas.
 
  Na notícia abaixo, os parágrafos foram numerados. Leia o texto e iden-
tifique a sequência predominante
 nos parágrafos 1, 2, 3, 4 e 5.
PrŽdio vira armadilha
Da sucursal de Brasília
Revestida por mais de 4 000 espelhos, a sede da Procuradoria 
Geral da Repœblica reflete as nuvens e o azul do cŽu de Bras’lia, mas 
esconde uma armadilha mortal para os p‡ssaros em voo.
Apesar da suntuosidade projetada por Oscar Niemeyer, as aves 
n‹o conseguem enxergar os dois blocos cil’ndricos de 30 metros de 
altura e continuam voando como se n‹o existisse obst‡culo ˆ frente.
1
2
F
ábio Colombini/Acerv
o do fotógrafo
Cachoeira 
VŽu da Noiva, 
Serra do Cip—, 
Minas Gerais.
T
ar
sila do 
Amaral/Coleção P
ar
ticular
, Buenos 
Aires, 
Argentina/
Cedido por 
T
ar
sila Educação www
.tar
siladoamaral.com.br
Abaporu, de Tarsila do Amaral, 1928.
S
érgio Lima/F
olha Imagem
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Òƒ como uma pessoa distra’da que bate de cara numa parede de vidroÓ, compara o bi—logo Carlos Correia, tŽcnico da c‰-
mara tem‡tica da Procuradoria especializada em meio ambiente. ÒA diferen•a Ž que a colis‹o dos p‡ssaros costuma ser fatal.Ó
Quem primeiro percebeu a armadilha arquitet™nica foram os jardineiros, que j‡ nos dias seguintes ˆ inaugura•‹o do prŽdio, 
em agosto de 2002, encontraram no gramado os primeiros p‡ssaros mortos. As maiores v’timas s‹o os pombos e os beija-flores.
Como as mortes continuaram Ñ quatro aves chegaram a ser recolhidas num œnico dia Ñ, a Procuradoria contratou a UnB 
(Universidade de Bras’lia) em meados do ano passado para estudar o problema. O trabalho ainda est‡ na fase inicial, que 
consiste em saber quantas aves j‡ morreram, quais espŽcies s‹o mais vulner‡veis e sob que condi•›es (per’o do do dia, Žpo-
ca do ano e situa•‹o atmosfŽrica) ocorrem mais colis›es. A pesquisa deve ser conclu’da em julho deste ano.
WESTN, Ricardo. Folha de S.Paulo. S‹o Paulo, 6 jan. 2005.
Par‡grafos 1 e 2: sequ•ncia descritiva; 3, 4 e 5: sequ•ncia narrativa.
 3.
  Leia a tira a seguir e observe que o c‹ozinho Snoopy, em sua fala, usa compara•›es para descrever a Ògarota dos seus sonhosÓ.
Charles S
chulz/United F
eature S
yndicate/
Intercontinental P
ress
SCHULZ, Charles M. Minduim. O Estado de S. Paulo. S‹o Paulo, 23 dez. 2004.
 
  E voc•? J‡ tentou imaginar a pessoa dos seus sonhos? Produza um pequeno texto descritivo sobre como essa pessoa seria. 
Voc• poder‡ ler seu texto para os colegas e ouvir o deles.
3
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 Atividades: modos de cita•‹o do discurso 
 1.
  Reescreva os trechos abaixo passando do discurso indireto para o discurso direto. Ao fazer isso, leve em conta as adequa•›es: 
uso de travess‹o e de verbos de dizer (dizerfalarperguntarafirmarresponder, etc.).
a) 
Pergunta se pode receber a sua comida em dinheiro. 
O passageiro pergunta: 
Ñ Posso receber a minha comida em dinheiro?
b) 
A aeromo•a diz que vai lhe trazer um calmante.
A aeromo•a diz: 
Ñ Vou lhe trazer um calmante.
c) 
O passageiro ao lado explica que o avi‹o ainda est‡ parado.
O passageiro ao lado explica: 
Ñ O avi‹o ainda est‡ parado.
 2.
  Reescreva os trechos abaixo passando do discurso direto para o discurso indireto. Na reescrita, fa•a as adequa•›es observando 
o tempo verbal, os pronomes e os acrŽscimos necess‡rios.
a) 
ÒEle me perguntou:
Ñ A que devo a honra desta visita?Ó 
Ele me perguntou a que devia a honra daquela visita.
b) 
ÒEla me disse:
Ñ Sou solteira.Ó 
Disse-me que era solteira.
c) 
ÒPerguntei-lhe:
Ñ Voc• me ama?Ó 
Perguntei-lhe se me amava.
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 Prática de oralidade
Dramatização
Alternar a fala e as rea•›es da personagem principal com as falas das outras 
personagens, principalmente com a de Òuma misteriosa voz descarnadaÓ foi um dos 
recursos que ressaltou o car‡ter humor’stico na cr™nica ÒEmerg•nciaÓ. 
Dramatizar esse texto pode ser um prazeroso modo de colocar em evid•ncia os 
recursos de constru•‹o e de linguagem dessa cr™nica. 
Sigam as instru•›es: 
 1.
  Formem grupos para dramatizar o texto. S‹o necess‡rios 6 colegas para cada grupo: 
narrador, passageiro de primeira viagem, passageiro ao lado, aeromo•a, comandan-
te e aquele que far‡ a voz misteriosa. 
 2.
  Preparem o cen‡rio: interior de um avi‹o de passageiro. Se for poss’vel, providenciem 
roupas e/ou acess—rios que ajudem a compor cada personagem. 
 3.
  Distribuam as falas das personagens entre os participantes da dramatiza•‹o.
  4.
 
Memorizem a parte que coube a cada um e revejam a sucess‹o das falas no texto.
 5.
  Ensaiem o suficiente para garantir a expressividade e a clara articula•‹o de cada fala. 
Deem especial aten•‹o ˆ:

  entona•‹o de voz para produzir o efeito de sentido desejado: medo, pavor, calma, 
instru•‹o, impessoalidade;

  articula•‹o de palavras de modo a torn‡-las compreendidas por todo o pœblico que 
assistir‡ ˆ dramatiza•‹o. N‹o se esque•am de sempre voltar o rosto para a dire•‹o 
em que o pœblico se encontra.
 6.
  Combinem com o professor:

  dia e hora da apresenta•‹o: hor‡rio de aula, hor‡rio extra-aula;

  local dispon’vel: sala de aula, p‡tio da escola, espa•o na biblioteca ou centro cultural;

  pœblico presente: os colegas de turma, os de outras turmas, pessoas da comunidade.
 Outras linguagens
Fotografia de 
flagrante
 do cotidiano
Uma cr™nica narra fatos da realidade cotidiana do ponto de vista do cronista, como 
fez Luis Fernando Verissimo ao narrar a hist—ria de um passageiro em sua primeira 
viagem de avi‹o. Ele escolheu contar sua hist—ria ressaltando o humor da situa•‹o.
A fotografia tambŽm possibilita flagrar uma cena do cotidiano de acordo com um 
ponto de vista, um modo œnico de mostrar a situa•‹o. O registro fotogr‡fico sugere nar-
rativas do cotidiano ao mostrar personagens ou fatos que fazem parte do dia a dia de um 
tempo e de um espa•o. Para isso o fot—grafo faz escolhas  levando em conta os recursos 
da linguagem visual Ñ perspectiva, figura, luz, cor, textura, por exemplo Ñ de forma a 
conseguir o efeito de sentido que tem a inten•‹o de despertar em quem v• a foto. 
Veja, ao lado, a foto produzida pelo fotogr‡fo Thiago Nagasima

Embora n‹o seja necess‡rio para viabilizar a 
dramatiza•‹o, o preparo de cen‡rio e de 
figurinos Ž sempre motivador para os 
adolescentes.
Fotografia de Thiago Nagasima, S‹o Paulo, 2014.
Thiago Nag
asima/Acerv
o do fot—grafo
 
Para construir:
 
 Pr‡tica de oralidade (ao lado)
 
Para aprimorar:
 
 Outras linguagens (p. 62 e 63)
flagrante
: a•‹o registrada no momento da 
ocorr•ncia. 
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 1.
 
Em dupla.
 Observem as escolhas feitas pelo fot—grafo. 
a) 
A a•‹o flagrada: quem participa, o que acontece, por que motivo?
Uma mulher de costas, segurando guarda-chuva aberto, est‡ prestes a atravessar a rua em frente ˆ
 faixa de pedestre (1
o
 plano), tendo diante de si um carro em movimento passando sobre a faixa 
(2
o
 plano). Mais adiante (fundo), h‡ outros carros, pessoas com guarda-chuva andando pela rua e
fechando a imagem, um edif’cio bem grande. 
b) 
O espa•o: que elementos podem ser observados no ambiente e o que sugerem?
Uma rua aparentemente do centro de uma cidade grande. V•-se sobretudo um carro em movimento
Mais ao fundo, outros carros, pessoas andando com guarda-chuva aberto. Fechando a imagem, um 
grande edif’cio.
c) 
O tempo: parte do dia ou da noite, ocasi‹o especial ou cotidiana?
ƒ dia, pois est‡ claro. Situa•‹o cotidiana.
d) 
Observe o 
enquadramento
 da foto. Qual Ž a posi•‹o do fot—grafo e o que est‡ no 
centro da foto?
O fot—grafo parece estar atr‡s da mulher que vai atravessar  a rua, um pouco ˆ direita dela, alinhado
com o carro em movimento. Isso faz com que o olhar do observador oscile entre a imagem da mulher
e a do carro em movimento, pois ambos praticamente dividem o centro da imagem. 
 2.
  Pelo que foi observado na atividade anterior, que hist—ria essa foto pode inspirar? Que 
efeito de sentido ela poderia provocar com mais intensidade: humor, tristeza, alegria, 
cr’tica, afetividade...?
Caso haja tempo e condi•›es, medeie a produ•‹o coletiva de uma cr™nica a partir das observa•›es feitas 
pelos alunos e da predomin‰ncia do efeito de sentido escolhido. Essa atividade poder‡ ajud‡-los na 
proposta de produ•‹o de texto tanto deste cap’tulo quanto na proposta do Ponto de chegada do m—dulo. 
As respostas s‹o sugest›es. Aceite outras desde que justificadas pela imagem.
enquadramento
: posicionamento dos 
elementos da cena a ser fotografada 
(orienta•‹o da c‰mera: horizontal ou 
vertical; posicionamento do fot—grafo em 
rela•‹o ˆ cena; ‰ngulo da c‰mera: foco na 
personagem ou em detalhe do cen‡rio, etc.).
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  Ci•ncias Humanas e suas Tecnologias
  Ci•ncias da Natureza e suas Tecnologias
  Linguagens, C—digos e suas Tecnologias
  Matem‡tica e suas Tecnologias
Conex›es
Voc• j‡ leu que a palavra 
cr™nica vem da palavra grega Khr—nos, que significa 
ÒtempoÓ. 
Nesta se•ão, voc• vai conhecer um deus do tempo (mitologia grega) e ler a 
letra de uma can•ão que fala do Rio de Janeiro como uma cr™nica dessa cidade. 
1. Cronos: o deus do tempo na mitologia grega
O terr’vel Crono
C’ntia Cristina da Silva
O mais importante 
tit‹
, e tambŽm o mais jovem, costumava ser representado com uma foice na m‹o, com a qual 
teria mutilado seu pai, Urano. Crono se uniu a uma de suas irm‹s, Reia, com quem teve v‡rios filhos. Como tinha medo de 
que os descendentes desafiassem seu poder sobre o mundo, ele engolia todos os seus filhos. Mas um deles, Zeus, contou 
com a ajuda da m‹e para escapar desse destino tr‡gico. Ap—s crescer e se tornar forte, Zeus decidiu resgatar seus irm‹os, 
dando uma po•‹o para o pai que fez este vomitar todos os filhos engolidos. Com a ajuda dos irm‹os, Zeus derrotou Crono 
e outros tit‹s numa grande batalha e passou a ser o grande chefe de todos os deuses gregos. Crono e seus aliados foram 
presos para sempre no T‡rtaro, o mundo subterr‰neo para onde iam os mortos.
Dispon’vel em:
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