O sistema de ensino ser está preocupado com a preservação das paisagens brasileiras e do



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Linguagem
¥ 
linguagem 
elaborada, 
mais 
monitorada;
¥ 
tratamento 
pomposo e 
formal no 
texto e nos 
diálogos.
 Prática de oralidade
Narrativa oral: personagens mitológicas
Nas histórias mitológicas, encontramos deuses, heróis e feitos grandiosos enre-
dados em situações instigantes e às vezes fantásticas, que de algum modo se relacio-
nam com o que vivemos hoje.
Há diversas mitologias; cada povo tem muitas histórias para contar, procura ex-
plicar a seu modo o mundo que o cerca. Para este trabalho, escolhemos a mitologia 
grega, que está bastante ligada à cultura ocidental, à qual pertencemos. Certamente 
você já ouviu alguma das histórias de seus deuses e heróis. Agora vai pesquisar e 
contar aos colegas uma narrativa mitológica da Grécia antiga. 
O que narrar
 1.
 
Em grupo.
 Cada equipe escolhe uma personagem da mitologia grega para pesquisar 
sua história: na biblioteca, em livros, revistas, na internet... A seguir, oferecemos 
cinco sugestões, mas vocês podem escolher outra personagem.
1. 
êcaro   2. 
Prometeu   3. 
Ariadne   4. 
PŽgaso   5. 
Narciso
 2.
  Provavelmente, vocês vão encontrar várias histórias, contadas em versões um pou-
co diferentes umas das outras. Leiam todas as versões, identificando os episódios em 
comum. Organizem os fatos narrados em sequência, respeitando os momentos da 
narrativa: situação inicial, conflito, clímax, desfecho.
 3.
  O grupo decide como vai se organizar para contar a história para a turma oralmente: 
¥
  haverá um único narrador, ou cada participante vai se encarregar de contar um dos 
momentos da narrativa, por exemplo;
¥
  haverá ou não fala de personagem como se houvesse um ator;
¥
  imagens: é possível produzir máscaras ou fantasias para destacar alguma perso-
nagem da história.
 
Para construir:
 
 Prática de oralidade (p. 22 e 23)
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Como narrar
 
  Ensaiem o momento da apresenta•‹o, lembrando-se das condi•›es necess‡rias para 
que a narrativa oral prenda a aten•‹o dos ouvintes:
¥
  falem de modo claro e audível com ritmo e modula•‹o da voz.
¥
  garantam a intera•‹o corporal com a plateia olhando atentamente para as pessoas 
para detectar qualquer dœvida ou descontentamento, os quais, caso percebidos, 
devem ser esclarecidos ou desfeitos.
Como ouvir
 
  Ao ouvir os colegas, lembrem-se de:
¥
  manter o sil•ncio e a aten•‹o;
¥
  pedir licen•a ao fazer qualquer interfer•ncia: perguntar, ampliar, exemplificar...
 Outras linguagens
Pintura, escultura, cinema e pintura digital
A narrativa sobre Medusa inspirou v‡rios artistas, que representaram a ca-
be•a da G—rgona de diversas maneiras, em modalidades artísticas distintas e em 
diferentes Žpocas.
Pintura 
Na pintura produzida por Caravaggio, ˆ direita, observe:
¥ 
a pintura em forma de disco, representando o escudo espelhado usado por Perseu;
¥ 
os olhos de pavor de Medusa e o aspecto realista das serpentes em sua cabe•a. 
Cabe•a de Medusa, do pintor italiano 
Caravaggio, 1598. Pintura a —leo sobre 
tela, montada sobre madeira.
Escultura
Na escultura ao lado, criada por Bernini, observe a express‹o de tristeza 
no rosto de tra•os delicados e a impress‹o de movimento das serpentes na 
cabe•a em m‡rmore.
 
Compare a Medusa de Bernini e a Medusa de Caravaggio. O que h‡ de di-
ferente e de semelhante?
Araldo de Luca/Corbis/Latinstoc
k
Cabe•a de Medusa, em mármore, do escultor italiano 
Bernini, 1630.
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Para aprimorar:
 
 Outras linguagens (p. 23 e 24)
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Voc• notou que as obras mais antigas mostradas nesta se•‹o s‹o italianas? 
H‡ uma explica•‹o para esse fato: os deuses gregos foram incorporados pelos 
romanos, que conquistaram a GrŽcia e procuraram encontrar semelhan•as entre 
seus deuses e os gregos. Por exemplo: Minerva e Mercœrio s‹o os nomes roma-
nos dos deuses gregos Atena e Hermes.
A atriz Uma Thurman no papel de 
Medusa, em cena do filme Percy 
Jackson e o ladrão de raios
dirigido por Chris Columbus, 2010.
Medusa, em computa•‹o 
gr‡fica, do ilustrador 
brasileiro Dado Almeida, 
2010.
Cinema
Na foto ao lado, cena do filme Percy Jackson e 
o ladrão de raios, observe:
¥ 
o cabelo de serpentes emoldurando o rosto deli-
cado e feminino da atriz que interpreta Medusa;
¥ 
o detalhe do telefone celular que a atriz tem nas 
m‹os como um espelho.
Dado 
Almeida/Acerv
o do ar
tista
Sunswept Enter
tainment/Enter
tainment Pictures/ZumaP
ress/Glow Images
Pintura digital
Na pintura digital ˆ esquerda, observe:
¥ 
os tra•os de beleza feminina nas linhas do rosto, 
deformado;
¥ 
o brinco na orelha, a cicatriz no pesco•o, a fita ador-
nando o penteado com as serpentes;
¥ 
o olho de serpente no lugar do olho humano.
 
  Voc• gostou das obras apresentadas? O que mais 
chamou sua aten•‹o? Compare as diferentes tŽc-
nicas e os modos de representa•‹o no tempo: 
pinturas e esculturas antigas e cinema e compu-
ta•‹o gr‡fica dos dias de hoje e compartilhe suas 
impress›es com os colegas.
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  Ci•ncias Humanas e suas Tecnologias
  Ciências da Natureza e suas Tecnologias
  Linguagens, C—digos e suas Tecnologias
  Matemática e suas Tecnologias
Conexões
1. Gregos e romanos na História: duas civilizações e 
uma mitologia
Segundo estudiosos da mitologia, os principais deuses gregos eram doze, ha-
bitavam o Olimpo, a mais alta montanha da Grécia, e a cada um deles cabia proteger 
aspectos que fugiam ao domínio dos humanos.
Quando os romanos invadiram e conquistaram a Grécia, as personagens da mitologia receberam nomes em latim 
porque essa era a língua dos conquistadores. 
Conheça cada um dos deuses, observe como todos estavam ligados a Zeus e como eram chamados pelos gregos 
(nome à esquerda) e pelos romanos (à direita, em destaque):
  1.  Zeus ou 
Jœpiter
 
 
rei dos deuses, dos trovões e dos relâmpagos;
  2.  Hera ou 
Juno
 
 
esposa de Zeus e deusa do casamento;
  3.  Posêidon ou 
Netuno
 
 
irmão de Zeus e deus dos mares;
 4.  Hades ou 
Plut‹o
 
 
irmão de Zeus e deus dos mortos e dos mundos subterrâneos;
  5.  Hefesto ou 
Vulcano
 
 
filho de Zeus e deus do fogo, dos vulcões e dos ferreiros;
  6.  Afrodite ou 
V•nus
 
 
esposa de Hefesto e deusa do amor;
  7.  Ares ou 
Marte
 
 
filho de Zeus e deus da guerra;
 8.  Atena ou 
Minerva
 
 
filha de Zeus e deusa da guerra, da justiça e da sabedoria;
  9.  Apolo ou 
Febo
 
 
filho de Zeus e deus do Sol;
 10.  Ártemis  ou 
Diana
 
 
filha de Zeus, gêmea de Apolo e deusa da Lua e da caça;
 11.  Hermes ou 
Mercœrio
 
 
filho de Zeus e deus mensageiro dos deuses;
 12.  Dionísio  ou 
Baco
 
 
filho de Zeus e deus do vinho.
2. A geografia dos heróis
Os mitos gregos e seus heróis são os mais comentados de nossa sociedade, entretanto todos os povos têm suas 
narrativas míticas e os próprios heróis.
Conheça alguns heróis de outras culturas:
Povos
Her—is
Caracter’sticas dos her—is
Chineses
Nüwa 
Teve oito descendentes, todos legendários, fabulosos (fantásticos).
Egípcios
Hórus 
Teve como descendente o primeiro faraó: Menés.
Nórdicos 
Siegfried, filho de Siegmund
Recuperou o anel que dá ao proprietário o domínio sobre o universo.
Gregos
Hércules e Teseu 
Hércules realizou 12 trabalhos fantásticos e Teseu venceu o Minotauro.
Maia/Asteca
Hunahpu e Ixbalanque
Lutaram contra os senhores do mundo inferior.
Adaptado de: Superinteressante. O livro das mitologias
São Paulo: Abril, ed. 231-A. Edição especial.
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3. Letras de can•›es, personagens m’ticos e her—is
Voc• vai ler a letra de duas can•›es que falam de personagens míticos e de her—is: ÒHomem-aranha”, de Jorge Vercillo, 
e “Estampas Eucalol”, de HŽlio Contreiros. Observe as diferen•as e as semelhan•as entre elas. 
Leia a letra de uma mœsica em que o her—i do título vem das hist—rias em quadrinhos. 
Homem-aranha
Eu adoro andar no abismo
Numa noite viril de perseguição
Saltando entre os edifícios
Vi você
Em poder de um fugitivo
Que cercado pela polícia
Te fez refém lá nos precipícios
Foi paixão à primeira vista
Me joguei de onde o céu arranha
Te salvando com a minha teia
Prazer, me chamam de Homem-aranha
Seu herói
Hoje o herói aguenta o peso
Das compras do mês
No telhado, ajeitando a antena da tevê
Acordado a noite inteira pra ninar bebê
Chega de bandido pra prender
De bala perdida pra deter
Eu tenho uma ideia:
Você na minha teia
Chega de assalto pra impedir,
Seja em Brasília ou aqui
Eu tive a grande ideia:
Você na minha teia
Hoje eu estou nas suas mãos
Nessa sua ingênua sedução
Que me pegou na veia
Eu tô na tua teia.
VERCILLO, Jorge. 
Perfil. Rio de Janeiro: Som Livre, s. d. 
O objetivo desta se•‹o Ž propiciar um momento de descontra•‹o aos alunos e de amplia•‹o do seu repert—rio de textos.
A seguir, conhe•a a letra de uma mœsica chamada ÒEstampas EucalolÓ, nome que faz refer•ncia a embalagens de 
sabonetes, creme dental e perfumes da antiga marca Eucalol. As embalagens desses produtos de higiene pessoal valiam-
-se de imagens de her—is e personagens míticos, que eram ent‹o associados aos produtos de higiene. 
Veja uma das embalagens com o her—i Teseu lutando contra o Minotauro e leia a letra da mœsica inspirada nessas 
embalagens. Nessa can•‹o, um menino se imagina em aventuras com her—is da mitologia sem sair de seu quintal. 
 
Estampas Eucalol
Montado no meu cavalo 
Mergulhava até Netuno
Libertava Prometeu 
No oceano abissal
Toureava o Minotauro 
São Jorge ia pra Lua
Era amigo de Teseu 
Lutar contra o dragão
Viajava o mundo inteiro 
São Jorge quase morria
Nas estampas Eucalol 
Mas eu lhe dava a mão
À sombra de um abacateiro 
E voltava trazendo a moça
Ícaro fugia do sol. 
Com quem ia me casar
Subia o Monte Olimpo 
Era minha professora
Ribanceira lá do quintal 
Que roubei do rei Lear
CONTREIRAS, HŽlio. XANGAI. 
Qué qui tu tem, 
canário. Rio de Janeiro: Kuarup Discos, 2005.
Eucalol/Arqui
v
o da editora
Nik Neves/Arqui
v
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O trabalho com este conteúdo foi iniciado nos 
volumes anteriores desta obra, como é o caso 
do estudo a respeito dos advérbios. Neste 
capítulo, será ampliada a reflexão para enfatizar 
a função coesiva de advérbios e express›es 
adverbiais, preposiç›es e conjunç›es. Assim, 
além de ampliar o conteúdo de morfossintaxe 
estudado no que se refere às classes 
gramaticais, associadas a um uso, haverá 
destaque para as relaç›es que essas classes 
estabelecem em um texto. O trabalho se 
estenderá por todo este ano escolar, pois não 
é algo que se possa esgotar de uma só vez e 
terá continuidade no próximo. Em ambos os 
capítulos, a pontuação será um elemento 
sempre presente para garantir grande parte da 
unidade de sentido e a coesão de um texto.
 L’ngua: usos e reflexão
Coesão e coerência (I )
 1.
 
Em dupla.
 Leiam e comparem os dois textos do quadro a seguir.
A
B
N‹o passei no teste de nata•‹o.
O pre•o do petr—leo caiu no mercado.
Um vendaval derrubou ‡rvores e 
destelhou casas na AmŽrica Central.
Pessoas passeavam tranquilamente 
sob um sol ameno...
Com calma, ande!
Sobra tempo para brincar
De gente grande.
ZIRALDO. Os hai-kais do Menino Maluquinho
São Paulo: Melhoramentos, 2013. p. 39.
 
  Tanto o conjunto A quanto o conjunto B t•m frases. Qual é apenas um conjunto de 
frases e qual pode ser considerado um texto único? Conversem e procurem explicar 
a diferença entre A e B.
 2.
 
Em dupla.
 Façam um registro do que voc•s notaram.
Observe: 
Um amontoado de palavras ou uma porção de frases juntas não forma um texto. Para ser 
um texto, é preciso que as partes Ñ palavras, frases, parágrafos... Ñ estejam relacionadas, 
é necessário haver unidade de significado entre as partes, isto é, coerência.
Sugestão de registro: A: Não há relação de sentido entre as frases; parece haver uma contradição entre 
as duas últimas frases.  B: Há um sentido que une as frases: uma ideia sobre a inf‰ncia.
Na língua há alguns recursos que podem ser empregados para garantir o sentido, 
a coer•ncia nos textos.
ƒ o que estudaremos a seguir.
 3.
  Releia trechos do texto ÒPerseu e MedusaÓ, prestando atenção no sentido dos ele-
mentos destacados.
Medusa fora outrora uma linda donzela, que se orgulhava principalmente de 
seus cabelos, mas se atreveu a competir em beleza com Minerva [...].
Depois
 de matar Medusa, Perseu, carregando a cabe•a da G—rgona, voou sobre 
a terra e sobre o mar. 
Sugere-se que a atividade 1 seja conduzida de forma coletiva por meio de leitura compartilhada para 
que os alunos possam ter maior participação no processo de apropriação dos conceitos.
Os alunos devem observar que em A não há entre as frases uma ligação de sentido que possibilite uma 
unidade textual. Cada frase tem um tema distinto das demais e não há elemento de ligação que 
possibilite uma conexão entre elas. Em B, o sentido é produzido por um tema a respeito da inf‰ncia, 
mesmo não havendo ligaç›es gramaticais explícitas entre as frases. ƒ um texto. Sem dúvida, as 
refer•ncias ao fim do texto confirmam a ideia de ser texto e haver coer•ncia, mas é preciso também que 
os alunos observem o sentido produzido pela sequ•ncia dos versos. Embora o conceito de coer•ncia não 
seja sistematizado neste ano escolar, a intenção é a de que os alunos percebam que, para que haja 
coer•ncia, é necessário, principalmente: unidade de sentido. ƒ a unidade de sentido que permite 
estabelecer uma relação entre as partes, com ou sem nexos/conectivos gramaticais, aus•ncia de 
contradição (incoer•ncia) entre as ideias.
O conteúdo a seguir contribui para o desenvolvimento de habilidades e conteúdos para os Descritores: D11: Estabelecer relação causa/
consequ•ncia entre partes e elementos do texto; D15: Estabelecer relaç›es lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunç›es 
e advérbios; D19: Reconhecer o efeito de sentido decorrente da exploração de recursos ortográficos e/ou morfossintáticos.
 
Para construir:
 
 Língua: usos e reflexão 
(atividades sobre coesão e 
coer•ncia, p. 27 a 42)
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  Dos elementos destacados, copiem:
a) 
o(s) que d‡(ão) ideia das relaç›es de tempo entre as partes do texto;
Depois de; outrora.
b) 
o(s) que d‡(ão) ideia de oposição, de desacordo entre as situaç›es relatadas no trecho. 
Mas.
 4.
  Releia os trechos a seguir, observando o sentido que os elementos destacados for-
necem ao texto.
[...] Perseu, carregando a cabeça da Górgona, voou sobre a terra e sobre o mar. 
Ao anoitecer, atingiu o limite ocidental da Terra, onde o sol se põe. [...] Possuía ele 
grande riqueza em rebanhos e não tinha vizinho ou rival que lhe disputasse os bens. 
Seu maior orgulho, porém, eram os seus jardins [...].
— Sai! — retrucou, portanto. — Não serás protegido por tuas falsas pretensões 
de origem ilustre ou feitos gloriosos. 
Ao mesmo tempo, tratou de expulsá-lo.
 
  Transcreva o(s) elemento(s) destacado(s) que:
a) 
estabelece(m) relação de tempo entre partes.  
Ao anoitecer; ao mesmo tempo.
b) 
acrescenta(m) uma ideia que contraria o que estava sendo afirmado.  
PorŽm.
Observe neste texto outras relaç›es de sentido. Na frase seguinte, algumas pa-
lavras foram retiradas. Leia o trecho observando o sentido dessa construção agora.
Perseu era filho 

 Júpiter 

 

 Dânae.
Que sensação causa uma frase assim organizada? Parece não ter sentido... Pro-
duzida desse modo, d‡ a sensação de que falta alguma coisa, pois não Ž poss’vel 
perceber exatamente qual Ž a relação entre os elementos. 
Leia a frase agora com a inclusão dos elementos que faltavam: 
Perseu era filho de Júpiter e de Dânae.
Observe que a aus•ncia das palavras de ligação deixava a frase sem uma sequ•n-
cia l—gica, sem coer•ncia. As palavras acrescentadas fazem a ligação entre as ideias, 
tornando-a coerente.
Leia outro trecho sem alguns elementos de ligação:
A arca flutuou 

 Sérifos, 

 foi encontrada 

 um pescador, 

 levou a mãe 

 o filho 

 Polidectes, o rei do país, 
■■
 tratou 
■ 
bondade.
Neste trecho, a falta de alguns elementos de ligação tirou a l—gica, isto Ž, a coes‹o 
entre as partes e, portanto, a coer•ncia de sentido do trecho. Releia-o agora com os 
elementos de ligação recolocados:
Estabelece 
relação de posse 
entre a palavra 
filho e a palavra 
Jœpiter.
Liga as 
palavras 
Jœpiter e 
D‰nae a 
Perseu.
Estabelece relação 
de posse entre a 
palavra 
filho e a 
palavra D‰nae.
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Sem‰ntica: estudo do significado e 
das transforma•›es de sentido das 
palavras.
Sintaxe: parte da gram‡tica que 
estuda as rela•›es entre as partes de 
uma frase.
A arca flutuou até Sérifos, onde foi encontrada por um pescador, que levou a mãe e 
o filho a Polidectes, o rei do país, que os tratou com bondade.
Esses elementos de liga•‹o s‹o os elementos de coes‹o textual
Coes‹o textual Ž a liga•‹o entre as partes de uma frase ou entre as frases de um texto 
para que haja rela•›es de sentido entre essas partes. A coes‹o entre as partes Ž um dos 
elementos respons‡veis pela coer•ncia de um texto.
Dizemos que um texto tem coes‹o quando revela:
• 
rela•›es de significado que tornam o sentido mais claro e compreens’vel: Ž o enca-
deamento sem‰ntico;
• 
rela•‹o l—gica entre as partes do texto por meio de recursos lingu’sticos: pontua•‹o, 
pronomes, advŽrbios, preposi•›es, conjun•›es, etc; empregados para ligar as partes 
do texto: Ž o encadeamento sint‡tico.
Elementos de coes‹o
Leiam os quadrinhos a seguir. Voc• logo vai observar que faltam algumas palavras. 
Observe: o que parece se perder no texto sem essas palavras?
© Mauricio de S
ousa/Mauricio de S
ousa P
rodu•›es Ltda.
SOUSA, Mauricio de. 
Mônica: a f‡brica de Papai Noel. S‹o Paulo: 
Panini Comics, n. 96 dez. 2014. p. 70-71.
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Para que os textos Ñ falados ou escritos Ñ tenham mais sentido, h‡ palavras que 
ajudam a fazer as ligações entre as partes.
 
  Releia a hist—ria em quadrinhos da p‡gina anterior e reescreva as falas das quais foram 
apagadas algumas palavras. Para isso, escolha do quadro a seguir as palavras que 
podem completar os sentidos dos balões ao serem usadas no lugar dos 

.
porque        este         depois          mas também          nem         assim          elas           pra
Essas palavras são elementos de coesão. Observe, a seguir, a classe a que per-
tencem essas palavras.

 porque, mas tambŽm, nem 
  conjun•›es: ligam oraç›es;

 este, elas 
  pronomes: fazem refer•ncia a termos do texto;

 pra (para) 
  preposi•›es: ligam palavras;

 depois, assim 
  advŽrbios: indicam tempo, modo.
Palavras ou expressões empregadas em um texto para fazer ligações/conexões 
entre palavras, frases, períodos são chamadas tambŽm de conectivos.
Advérbios ou locuções adverbiais
 
  Releia as frases a seguir (de a atŽ g) observando as expressões destacadas. Indique 
o tipo de circunst‰ncia que elas expressam, levando em conta estas possibilidades 
do quadro:
tempo  
espaço/lugar  
modo  
afirmação 
da 
ação  
negação 
da 
ação
a) 
ÒMedusa fora outrora uma linda donzela [...].Ó  
tempo
Òƒ... assim!Ó/ÓEste Ž o meu jeito de saber o que 
h‡ em volta!Ó/ÓDepois, vamos...?Ó/ÓMas tambŽm 
tem coisas...Ó/ÓNem tocar!Ó/ÓPra saber que elas 
existem...Ó/Ó... Porque eu sinto!Ó
Neste capítulo serão revistos os advŽrbios, e 
estudadas as preposições e as conjunções, 
estas œltimas apenas apresentadas como 
elemento de ligação entre orações. Não h‡ aqui 
a preocupação de que sejam classificadas. Os 
pronomes como elementos coesivos serão 
estudados no pr—ximo capítulo.
Conectivo: vem de conectar, isto Ž, 
ligar, fazer a relação. ƒ um termo que 
estabelece ligações, relações.
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b) 
ÒEm torno da caverna onde ela vivia, viam-se figuras petrificadas de homens e 
de animais [...].Ó 
espa•o
c) 
ÒA arca [...] foi encontrada por um pescador, que levou a m‹e e o filho a Polidectes, 
o rei do pa’s, que os tratou com bondade.Ó 
modo
d) 
Ò[...] determinou que a m‹e e o filho fossem encerrados numa arca [...].Ó  
espa•o
e) 
ÒAo mesmo tempo, tratou de expuls‡-lo [...].Ó  
tempo
f) 
Ò[...] tomando o cuidado de n‹o olhar diretamente para o monstro [...].Ó 
modo
g) 
Ò[...] tomando o cuidado de n‹o olhar diretamente para o monstro, e sim guiado 
pela imagem refletida no brilhante escudo [...].Ó 
nega•‹o/afirma•‹o
As palavras e express›es destacadas s‹o conectivos Ñ elementos de liga•‹o 
Ñ que indicam circunst‰ncias de tempo, modo, espa•o/lugar, dœvida, certeza, etc. 
Exemplos: hojeaquirapidamenten‹osim, etc. S‹o denominadas advŽrbios.
Os advŽrbios compostos por mais de uma palavra s‹o chamados de locu•›es 
adverbiaisˆ tardeˆs ocultasˆs avessasde repentepara semprena manh‹ se-
guintedepois de algum tempoem noites calmasdurante horasdo alto da grande 
muralha, etc.
AlŽm de estabelecer rela•›es entre as partes de uma frase ou de um texto, o 
emprego de advŽrbios ou de locu•›es adverbiais enriquece o texto fornecendo as 
circunst‰ncias em que ocorrem as a•›es.
Preposi•›es 
Leiam e observem:
Depois de matar Medusa, Perseu, carregando a cabeça da Górgona, 
voou sobre a terra e sobre o mar.
As palavras e express›es destacadas fazem a liga•‹o entre palavras da frase 
estabelecendo rela•›es de sentido entre elas. S‹o preposi•›es.
Se Ž preciso mais de uma palavra para fazer o papel de uma preposi•‹o, esse 
conjunto Ž chamado de locu•‹o prepositivaantes deao invés dedepois depor baixo 
dejunto aatr‡s deao lado deÉ
ƒ poss’vel usar as preposi•›es combinadas com artigos, pronomes ou advŽrbios. 
Por exemplo:

 da: é a combinação da preposição de com o artigo a;

 na: é a combinação da preposição em com o artigo a;

 deste: é a combinação da preposição de com o pronome este;

 daqui: é a combinação da preposição de com o advérbio aqui.
preposi•‹o de  
+  artigo a
locu•‹o prepositiva
preposi•‹o
preposi•‹o
Se considerar conveniente, explore 
tambŽm a contra•‹o da preposi•‹o
 a com 
artigos e pronomes: ˆ, ˆquele. A crase ser‡ 
abordada em outro ano.
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As mesmas palavras ligadas por uma preposição podem ter sentido diferente se 
forem unidas por outras preposições. Na troca, em geral ocorre mudança de sentido. 
Observe alguns exemplos:
Cada parte aumentou de volume atŽ se tornar uma montanha.
Cada parte aumentou de volume sem se tornar uma montanha.
Cada parte aumentou de volume depois de se tornar uma montanha.
Cada parte aumentou de volume em vez de se tornar uma montanha.
Conjunções
Leiam o trecho a seguir:
Medusa 
fora 
outrora uma linda donzela, // 
que
 
se orgulhava 
principalmente de seus 
cabelos, //
mas
 
se atreveu a competir 
em beleza com Minerva, //
e
 a deusa 
privou
-a de 
seus encantos //
e
 
transformou 
suas lindas madeixas em h—rridas serpentes.
Cada forma verbal destacada em vermelho corresponde ao núcleo (o centro) de 
uma oração. Observe as palavras em verde: estão ligando essas orações de um mes-
mo período. São as conjunções.
As conjunções ligam orações de um mesmo período. Observe que as preposições 
ligam palavras ou expressões dentro de uma mesma oração.
As conjunções fazem relações de sentido entre as orações de um mesmo período. 
Observe:
Carlos foi bem no exame, mas n‹o foi classificado.
Avise quando voc• chegar.
Aqui não foram separadas as orações que têm 
como núcleo as formas verbais atreveu e 
competir
 por se considerar não oportuno, já 
que o destaque deverá ser dado ˆs 
conjunções como ligação entre as orações.
centro da oração
centro da oração
mas dá ideia contrária ao que se imagina 
pela leitura da 1
a
 oração.
centro da
oração
centro da oração
quando dá ideia de tempo em relação ˆ 1
a
 oração.
pontuação
pronomes
 
Leia o esquema que sintetiza o que estudamos sobre coesão textual. O último quadro está incompleto. Complete-o com as 
informações que faltam.
Hora de organizar o que estudamos
Coes‹o textual
Organização do texto por meio de ligações sintáticas e de ligações de sentido.
Elementos linguísticos empregados para garantir a coesão textual.
advérbios/
locuções adverbiais
preposições
 
conjunções
 
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 Atividades: coes‹o e coer•ncia nos textos 
 1.
  Leia a tira reproduzida a seguir. A menina à esquerda chama-se Susanita; a outra, Mafalda.
J
oaqu’n S
alvador Lavado (Quino)/Acerv
o do ar
tista
QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 88.
a) 
Segundo o dicionário, hip—crita é “aquele que sente ou pensa uma coisa e demonstra outra, por interesse”. Hip—crita, por-
tanto, é o mesmo que “fingido”, “falso”, “dissimulado”.
Susanita não se considera hipócrita. Você concorda com ela? Explique sua resposta.
A resposta é livre, desde que os alunos justifiquem. É essencial observar que Susanita deixa claras as razões de seu comportamento e por isso não se 
considera hipócrita.
b) 
Para compreender melhor um texto, é necessário entender as informações que estão implícitas, ou seja, subentendidas. 
Susanita confunde Mafalda, pois faz questão de parecer contente, embora declare estar de mau humor. No caso da 
tirinha, que informação está subentendida nesta afirmação de Mafalda:
Um dia vou analisar o que me deixa mais doente: a Susanita ou a sopa.
A informação subentendida é que Mafalda provavelmente não gosta de sopa. Por isso, ela fica na dúvida se a sopa lhe causa tanto mal quanto a contradição 
de Susanita.
Esta questão atende ao Descritor D4: Inferir uma informação implícita num texto.
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Chris Browne/King F
eatures S
yndicate
BROWNE, Chris. Hagar. Folha de S.Paulo. São Paulo, 23 ago, 2003. p. E13.




 2.
  Ainda a respeito da tirinha da atividade 1, observe que as palavras e expressões destacadas nos balões estabelecem a coesão 
textual, isto é, ligam os segmentos e as frases garantindo a sequ•ncia e o sentido das falas.
a) 
Complete o quadro com o termo que mostra a relação de sentido que cada palavra estabelece no texto dos quadrinhos. 
Escolha entre as possibilidades apresentadas abaixo.
hoje
mas
então
a’
um dia
tempo
oposição, 
desacordo
conclusão
conclusão
tempo
b) 
A palavra a’ é um elemento de coesão muito empregado na língua falada. Que palavra ou expressão poderia substituí-la 
na tira?
Sugestões: assim, nesse caso.
c) 
Outras palavras podem estabelecer ligações entre as frases. É o caso da palavra que no seguinte período:
É 
que eu não quero que ninguém perceba que eu estou de mau humor.
 
  Observe, entretanto, que ela não está empregada com o mesmo sentido nas três vezes em que aparece na frase. Em uma das 
vezes, ela tem o sentido de porque, indicando causa.
 
  Reescreva a frase empregando a palavra porque no lugar adequado.
d) 
Para afirmar que Susanita está se contradizendo, que elemento coesivo pode ser empregado na lacuna da frase a seguir? 
Escolha entre as opções abaixo.
porque            entretanto            portanto
Susanita não quer que percebam seu mau humor, 
entretanto
 diz que está de mau humor.
 3.
  Na tira a seguir, foram eliminados  elementos de coesão. Leia:
tempo                 oposição
desacordo                 causa
espaço                 conclusão
Esclareça que, conforme o contexto, ent‹o e a’ podem 
expressar outras relações (ent‹o: tempo; a’: tempo, lugar).
“É porque eu não quero que ninguém perceba que eu estou de mau humor.”
“É que eu não quero que ninguém perceba, porque eu estou de mau humor.” Neste caso, inclui-se a vírgula.
A finalidade não é explorar todas as funções coesivas da palavra que, e sim apenas apresentá-la como elemento de 
ligação. Observar ainda que a expressão “é que”, nessa frase, não tem valor expletivo, pois o que tem valor causal.
Chame a atenção para a necessidade da 
vírgula antes da conjunção adversativa.
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a) 
Reescreva as falas da personagem substituindo os 

 por palavras ou express›es que estabele•am a coes‹o adequada.
Sugest›es: Quando/ Na época em que/Se voc• casarÉ;  Mas/Porém tudo vai mudar depois que/quando/logo que/ se voc• tiverÉ; Aí/Então, ela vai 
quererÉ
b) 
Voc• empregou algum elemento coesivo que indica oposi•‹o? Qual? 
Sugest›es: mas, porŽm.
 4.
  Na reprodu•‹o do trecho a seguir n‹o foi respeitada a sequ•ncia narrativa. Os par‡grafos est‹o fora de ordem, com exce-
•‹o do primeiro e do œltimo.
 
  Fa•a a leitura em voz alta dos par‡grafos. Voc• perceber‡ que n‹o h‡ coer•ncia no texto, isto Ž, n‹o h‡ uma unidade textual para 
que ele seja entendido. Releia-os buscando encontrar a ordem adequada. Para isso, observe os elementos de coesão, que podem 
ajudar a perceber a melhor rela•‹o entre os par‡grafos. Enumere a ordem em que eles devem ser organizados para que o texto 
tenha coer•ncia
Numa noite sem lua, os gregos empurraram a imensa m‡quina de guerra 
para perto das muralhas, levando em seu ventre oco um grupo de valorosos guer-
reiros comandados por Ulisses, e voltaram rapidamente para as naus. 
Ent‹o os troianos deixaram-se persuadir e concordaram em puxar o enorme 
monumento para dentro da cidade. Cumprida a penosa tarefa, deram vaz‹o ao 
júbilo
 festejando o fim da guerra atŽ o anoitecer, quando, 
extenuados
 pelos exces-
sos das comemora•›es, se recolheram aos lares, certos de que as 
agruras
 e os 
sofrimentos haviam terminado e de que no dia seguinte a vida retomaria o seu 
curso normal. Os gregos n‹o esperavam outra coisa.
júbilo: 
grande alegria.
extenuado: 
muito cansado, exausto.
agrura: 
dificuldade.
O cavalo de madeira
Assim que terminou o banquete, Dem—doco pegou a c’tara e preparou-se 
para iniciar o seu canto. Iria falar do cŽlebre cavalo de madeira, o mais engenhoso 
de quantos ardis elaborou o astuto Ulisses.
Par‡grafo inicial
O trecho reproduzido Ž uma adapta•‹o 
em prosa da epopeia grega Odisseia
de Homero. Nela, narram-se as 
aventuras do her—i Ulisses em sua 
viagem de retorno a êtaca, sua terra 
natal. A viagem ocorre depois da 
Guerra de Troia (por volta de 1200 a.C.), 
na qual ele fora combatente. Ulisses Ž 
um her—i que se destaca pela astœcia 
(esperteza). 
( )
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est‡tua votiva
: estátua construída para 
cumprir uma promessa ou agradecer uma 
graça alcançada.
ardiloso
: cheio de astúcia, esperto. 
estratagema
: forma astuciosa empregada 
na guerra para enganar o inimigo.
desmesurado
: enorme, descomunal, 
imenso.
Nik Neves/Arqui
v
o da editora
Ent‹o construiu-se um cavalo de madeira, grande o bastante para abrigar 
em seu bojo uma pequena tropa de guerreiros armados. Esse cavalo, deslizando 
sobre rodas, ˆ semelhan•a de outros engenhos bŽlicos, tornou-se obra de arte t‹o 
perfeita que deu aos troianos a ilus‹o de se tratar de uma 
est‡tua votiva
. O plano 
de Ulisses previa tambŽm que os gregos ateassem fogo ˆs suas tendas e se reti-
rassem para as naus, simulando uma retirada.
Dem—doco come•ou contando que, apesar do cerco implac‡vel e das duras 
perdas que eram impostas a Troia, essa cidade ainda resistia. Os chefes gregos, 
por sua vez, j‡ estavam quase sem esperan•a de conquist‡-la pela for•a das armas 
e por isso resolveram aceitar a sugest‹o do mais 
ardiloso
 de seus her—is, o ladino 
Ulisses, que imaginara um audacioso 
estratagema
 para tomar a cidade.
Mas, em vez de partirem na dire•‹o da GrŽcia, os barcos ancoraram numa 
ilha vizinha, fora do alcance dos olhos inimigos.
Mas o que fazer com aquele objeto estranho e de propor•›es 
desmesuradas

Destruí-lo a golpes de machado? Empurr‡-lo para o alto de um rochedo e preci-
pit‡-lo montanha abaixo? Comprimidos dentro do cavalo, Ulisses e seus compa-
nheiros ouviam aterrorizados os gritos dos troianos.
Há várias traduções da história Odisseia 
para a língua portuguesa. Exemplos: 
reconto feito por Ruth Rocha (editora 
Salamandra), intitulado Ruth Rocha 
conta a Odisseia; adaptação produzida 
por Roberto Lacerda (editora Scipione), 
denominada simplesmente Odisseia
tradução de Frederico Lourenço 
publicada pela editora Penguin 
Companhia, como Odisseia.
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Nik Neves/Arqui
v
o da editora
d‡diva
: presente.
sacrilŽgio
: ofensa grave causada a pessoa, 
objeto ou lugar sagrado.
carnificina
: massacre.
estremunhado
: estonteado.
Adaptado de: HOMERO. Odisseia. Recontada por Roberto Lacerda. 
7. ed. S‹o Paulo: Scipione, 2003. p. 52-53.
E s— se acalmaram quando uma voz grave se sobrep™s ˆs outras e, im-
pondo sil•ncio, disse em tom autorit‡rio que o cavalo era uma 
d‡diva
 oferecida 
aos deuses. Seria um 
sacrilŽgio
 atentar contra a sua integridade!
Pela manhã, os troianos surpreenderam-se ao topar com aquele gigan-
tesco cavalo de madeira diante das portas da cidade. E mais surpresos ficaram 
quando viram vazio o local onde na vŽspera se erguia o acampamento dos 
gregos. Alongaram os olhos para a praia e, não avistando as naus inimigas, 
abriram as portas e sa’ram para comemorar a suposta vit—ria. A euforia tomou 
conta de todos os troianos, que se puseram a cantar e a dançar como loucos em 
torno do cavalo. 
Assim que perceberam que não havia mais ninguŽm por perto, deixaram 
o esconderijo e foram abrir as portas da cidade para os companheiros, que, 
protegidos pelas trevas da noite, haviam retornado das naus. Foi uma terr’vel 
carnificina
! Os troianos acordavam 
estremunhados
 de sono e eram mortos sem 
piedadeÉ
Par‡grafo final
( )
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Nik Neves/Arqui
v
o da editora
Coerência nos textos
Vimos algumas palavras ou expressões que estabelecem relações de sentido 
entre as palavras, entre partes de um único período ou entre parágrafos de um texto. 
São elementos de coesão que contribuem para a coer•ncia do texto.
Mas há casos em que esses elementos não estão presentes no texto e a coerên-
cia também é mantida. Para compreender como isso ocorre, são propostas as ativi-
dades a seguir. 
Leiam juntos e analisem como isso ocorre.
 1.
  Leiam a tira a seguir observando que a personagem tem sua fala interrompida. 
As atividades propostas a seguir procuram 
contribuir para a sistematização de aspectos de 
coesão e coerência textuais. Entretanto, é 
fundamental destacar, na leitura dos textos, os 
aspectos que consolidam habilidades de leitura 
e interpretação de textos a partir das relações 
lógico-discursivas. Assim, as atividades 
também poderão colaborar para o 
desenvolvimento das habilidades relativas aos 
Descritores D1, D3, D4. 
Luis F
ernando 
V
erissimo/Acerv
o do ar
tista
VERISSIMO, Luis Fernando. Família Brasil. O Estado de S. Paulo. São Paulo, 4 dez. 2011, p. D12.
 
  Aparentemente não há um elemento linguístico que estabeleça a ligação entre a pri-
meira e a segunda fala da personagem. Entretanto, pode-se afirmar que o texto é 
coerente e coeso. Nessa tira, que elemento faz a ligação entre as falas da personagem?
 2.
  Vamos observar como é garantida a coerência no poema a seguir. Leiam o texto:
Poeminha (bem) 
moderato
Hora de beber; parcim™nia,
Hora de falar; discri•‹o,
Hora de comer; contin•ncia,
Hora de amar Ð (muita) aten•‹o.
FERNANDES, Millôr. 
Poemas. Porto Alegre: L&PM, 2002. p . 33.
a) 
Com a leitura do poema, como se explica a escolha do título ?
No poema, o eu lírico afirma que tudo deve ser feito com controle e moderação. Daí a relação com a 
palavra moderato.
b) 
Qual é a única palavra usada como elemento de coesão, isto é, de ligação?  
de
c) 
Qual é o outro elemento que ajudou a dar mais sentido e coesão ao texto?
A pontuação, a repetição de palavras.
d) 
Por que se pode afirmar que há coerência e coesão nesse texto?
 
Vários elementos podem ser apontados. 
Sugestão: A imagem da mão de uma das personagens, logo em seguida à primeira fala, apresentando o 
que parece ser uma lista de pedidos, dentro do contexto de Natal indicado pela primeira fala, na tradição 
de fazer listas em folhas de papel.
moderato
:
 
palavra italiana empregada para 
indicar o andamento de músicas; equivale à 
palavra moderado, em português. 
Comedido, equilibrado, prudente, não 
exagerado. 
Os alunos devem perceber que a coerência de sentidos é dada pela repetição da palavra hora, a 
relação entre as palavras do texto e o sentido de 
moderato/moderado. O texto não se torna 
incoerente, pois há uma relação de sentidos, mesmo sem haver muitos elementos de coesão 
explícitos.
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Atividades: a coer•ncia nos textos 
 1.
  No mundo em que vivemos, a agilidade com que as informa•›es circulam resulta tambŽm em transforma•›es na linguagem. 
Alguns autores passam a criar textos curtos, r‡pidos de serem lidos, escritos tambŽm em linguagem concisa. Os minicontos 
exemplificam esse novo contexto da linguagem, como Ž o caso deste texto que voc• vai ler, do escritor Wilson Freire.
Bala perdida
Acorda, levanta, vai ganhar a vida...
(Disparos)
... passou t‹o r‡pida.
FREIRE, Wilson. Bala perdida. In: FREIRE, Marcelino (Org.). 
Os cem menores contos brasileiros do sŽculo. Cotia, SP: 
Ateli• Editorial. 2004. p. 211. 
a) 
Leia os verbos de a•‹o da primeira frase do miniconto e escolha o item que corresponde ao que esses verbos indicam.  
  Referem-se a v‡rias personagens.
X
  Referem-se a uma s— personagem.
  Dirigem-se ao leitor.
  Referem-se ˆ bala perdida. 
b) 
A que tipo de sujeito se referem os verbos da primeira frase? Explique.
A um sujeito subentendido, indicado pelas formas verbais usadas na segunda pessoa do singular.
c) 
Releia este trecho e observe que as a•›es expressas na frase est‹o ligadas por v’rgulas.
Acorda, levanta, vai ganhar a vida...
Que palavra ou express‹o poderia substituir as v’rgulas e funcionar como elementos de coes‹o? 
A palavra e.
d) 
Qual Ž o sujeito a que se refere o verbo da frase a seguir:
É passou t‹o r‡pida.
A vida. Justifica-se pela palavra r‡pida, empregada no feminino.
e) 
No miniconto n‹o h‡ preposi•›es, pronomes ou conjun•›es. Como a coer•ncia Ž garantida?
ƒ garantida pela pontua•‹o, pela disposi•‹o das frases no papel, pela sequ•ncia das palavras que produzem um encadeamento dos sentidos. Os par•nteses 
usados com a palavra disparos tambŽm ajudam a indicar um acontecimento inesperado; modifica o sentido.
Pode-se tambŽm pensar em elementos impl’citos, por exemplo, a conjun•‹o e, subentendida nas frases. ƒ importante ainda considerar que o contexto 
criado pela linguagem preenche espa•os de sentido.
Evitamos a express‹o marcadores 
conversacionais, preferindo marcadores na 
conversa, pois esta pode ser mais facilmente 
compreendida pelos alunos. O objetivo Ž que 
o aluno compreenda que a coes‹o, na 
oralidade, tem caracter’sticas pr—prias. Sobre 
esse conteœdo, ver: FçVERO, Leonor Lopes et 
al. Oralidade e escrita: perspectivas para o 
ensino de l’ngua materna. 8. ed. S‹o Paulo: 
Cortez Editora, 2012.
No dia a dia 
Coes‹o na l’ngua falada: marcadores na conversa
No uso que fazemos da l’ngua em nossa fala cotidiana, tambŽm s‹o empre-
gados mecanismos de coes‹o para garantir a intera•‹o e a sequ•ncia de uma con-
versa. Nem sempre s‹o os mesmos empregados no texto escrito. Vamos ver alguns 
exemplos. 
Na p‡gina seguinte, reproduzimos trecho de uma conversa real, registrada por 
um projeto dedicado ao estudo da l’ngua oral. Ele chama-se NURC (Norma Urbana 
Culta). Na fala transcrita h‡ dois interlocutores, que s‹o identificados como L1 e L2. Eles 
conversam a respeito da cidade de S‹o Paulo.
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Leiam juntos e observem as expressões destacadas. 
L1 eu fui :: quinta-feira... n‹o foi ter•a-feira ˆ noite fui l‡ no [...] 
nŽ? L‡ na Celso 
Furtado
L2 
Žh::
L1 passei ali em frente ˆ Faculdade de Direito... ent‹o estava lembrando... que eu ia 
muito l‡ quando tinha sete nove onze... [com] titia sabe? ...
e:: est‡ muito pior a cidade 
est‡... o aspecto dos prŽdios assim Ž bem mais sujo... tudo acinzentado 
nŽ?
L2 
uhn::polui•‹o nŽ?
L1 ruas mais ou menos sujas... ali perto da Pra•a da SŽ da Pra•a da SŽ tudo esbura-
cado por causa do metr™ nŽ?... achei horr’vel... feio feio feio... e toda segunda ˆ noite eu 
passo ali do lado da faculdade 
certo?
In: FçVERO, Leonor Lopes et ali. 
Oralidade e escrita: perspectivas para o ensino da língua materna. 8. ed. 
S‹o Paulo: Cortez, 2012. p. 42-43. NURCÐSP, D2 343: 17-69. p. 17-18.
As expressões destacadas no texto acima s‹o marcadores na conversa e aju-
dam a dar encadeamento na fala, contribuindo para garantir a continuidade da con-
versa e a atenç‹o daquele com quem falamos. S‹o também elementos de coes‹o.
A seguir leiam o trecho de uma mœsica que emprega esses recursos.
D—i nŽ
Pedro Henrique & Fernando
[...]
D—i nŽ? Quando a gente ama, d—i nŽ?
AlguŽm que nos engana, d—i nŽ?
A gente quebra a cara e a dor machuca o cora•‹o, nŽ?
Quando a gente gosta, d—i nŽ?
E o outro n‹o se importa, pois Ž!
Eu fiz s— pra voc• saber o que eu senti no cora•‹o
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