O rosto Mariano da Igreja



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Encontro13.10.2017
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O Rosto Mariano da Igreja

Autor: Ir. Giovanni Bigotto
Maria é o espelho em que a Igreja se observa para descobrir a própria natureza. Maria é Igreja e ao mesmo tempo é profecia da Igreja. Nela a Igreja descobre não algum aspecto próprio, mas um modo de ser em sua totalidade, com esse rosto democrático que permite que todos os discípulos tenham a mesma dignidade: “Há um só Corpo e um só Espírito, assim como é uma só a esperança da vocação a que fostes chamados; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; há um só Deus e Pai de todos, que está acima de todos, por meio de todos e em todos” (Ef 4,4-6).

Maria é um perfeito ícone da Igreja e do marista. Na paciência dos dias, construímos uma infinidade de laços que permitem aos outros – irmãos, amigos, jovens, filhos, pais – de se tornarem as pessoas únicas que na realidade são. A Igreja e o educador, como Maria, devem, primeiramente, ser amor, manifestar sua realidade materna, temperada pelo sentido da responsabilidade. Quando a Igreja olha Maria, descobre que deve, antes de tudo, ser mãe. Primeiramente, existiu a mãe e o filho; depois, a profeta e os apóstolos.

Rosto mariano são também todos os gestos que as mulheres fazem nos evangelhos e na Igreja: Marta convida Jesus à sua casa, espaço de paz e de ternura. Maria derrama um puríssimo perfume de nardo sobre os pés de Jesus e toda a casa recende; a pecadora cobre de beijos os pés do Senhor, banha-os com suas lágrimas e depois os enxuga com seus cabelos: maravilhoso engenho feminino. A samaritana diante de Jesus, mulher desarmada, humilde, mulher sedenta no pleno meio-dia de sua vida, mulher à qual é revelada “a água que jorra para a vida eterna”. As mulheres veem Jesus morrer e são as primeiras mensageiras da ressurreição. Elas evangelizam Pedro e os apóstolos. Elas são todas as leigas, como Maria. Formam, ainda hoje, a base sólida da Igreja.

O artigo 25 do documento Em torno da mesma mesa assim reza: “A forma como as mulheres vivem o carisma marista nos convida todos a integrar os elementos marianos, como a tenacidade, a resistência, o carinho maternal, a ternura, a atenção aos detalhes e a intuição em nossa experiência cotidiana”. No coração nasce o rosto mariano da Igreja, rosto de mãe, de mulher, de leiga, coração que todo marista deve cultivar. No coração de Marcelino nasceram os primeiros missionários para a Oceania, depois a explosão missionária de 1903, Henri Vergès na Argélia, Servando e seus companheiros no Congo, e os Irmãos que hoje partem para a missão ad gentes com o objetivo de ajudar as pessoas a compreenderem o Coração de Deus.

A missão, entretanto, não é medida em km, ela mora inteirinha no tesouro que enriquece o coração: Jesus, o Senhor. E nenhum missionário pode aquecer, iluminar, alegrar, se ele mesmo não arder. A missão é paixão que se transforma em “pressa de Maria rumo a uma terra nova.” Jovens poloneses estavam surpresos com a ausência de sacerdotes entre nós. Disse-lhes: “Sim, nós cultivamos a fraternidade!” Uma luz nova brilhou em seus olhos.

A fraternidade é o dom que Maria nos oferece. A fraternidade não tem nenhuma pretensão de dominar; é acolhimento, respeito, promoção do outro. É tipicamente marial. Maria oferece à Igreja, um rosto de mãe, de mulher, de leiga que não tem outra pretensão de poder senão aquele de um amor desarmado, gratuito e responsável. Esse rosto precede os dogmas, os ritos, as homilias, a autoridade; ele os humaniza e os torna amáveis. Não se opõe absolutamente à autoridade, pelo contrário, venera-a e então Pedro a dizer:“Senhor,... tu sabes bem que eu te amo” (Jo 21,17).






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