O projeto de pesquisa em história



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3.2. O Movimento Estudantil Fortalezense durante o Movimento Fora Collor em 1992.
3.2.1. As principais entidades do Movimento Estudantil em Fortaleza e os seus Propósitos para Além do Fora Collor.
O Movimento Estudantil em Fortaleza tinha como destaque as seguintes entidades estudantis: no âmbito secundarista, a UMES; já no âmbito universitário havia os DCE’s da UFC, UECE e UNIFOR. E foram as lideranças representantes destas entidades estudantis juntamente com representantes da UNE e da UBES em Fortaleza que comandaram e organizaram as principais manifestações estudantis em nossa capital.

No seio universitário, existia em comum entre o corpo discente das Universidades Públicas a luta contra a privatização destas Instituições de Ensino Superior promovidas pelos Governos Federal e Estadual respectivamente nos casos da UFC e da UECE. Sobre este objetivo em comum, o repúdio à privatização nos pautaremos na afirmação de Lindberg Farias99, “um dos líderes da ‘festa cívica' promovida pelos estudantes, não foi somente a questão política que impulsionou a juventude para as ruas no início de 90, mas também a realidade do ensino superior no país, que afeta-os diretamente “ (DE PAULA, p.9.)


É através das questões específicas e concretas que a juventude busca suas novas utopias, sem modelos preconcebidos. Queremos descobrir nosso caminho e é esse o dado que liga à geração da década de 60, que tinha um projeto político mais definido, a uma outra geração que não tem esse projeto tão claro. (FARIAS,1994, p.275 apud DE PAULA, p.9.)
Na Universidade Federal do Ceará (UFC) de forma específica, suas lideranças estudantis estavam desde 1991 numa campanha exaustiva de combate ao Reitor nomeado pelo Presidente Fernando Collor, era o professor Antônio Albuquerque100. Ou seja, a direção do DCE-UFC fazia uma campanha contra o que na visão deles era uma intervenção do Governo Federal na UFC e em 1992 quando das manifestações pelo impeachment de Collor, o DCE-UFC aproveitou a deixa e juntou a indignação local com a nacional. Na preparação da primeira grande manifestação de rua em Fortaleza, constamos de acordo com a publicação do Diário do Nordeste, que os estudantes universitários e até mesmo os secundaristas tinham muito mais para protestar além do “Fora Collor”.
Os organizadores da manifestação planejaram duas passeatas para esta quinta-feira, uma às 9 horas e outra às 15 horas. Todas as duas sairão da Praça Clóvis Beviláqua em direção à Praça do Ferreira onde haverá um grupo de plantão durante todo o dia. Participam da organização do protesto os DCEs das três universidades (UFC, Uece e Unifor), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Fortaleza (sic)101 (UMES), além de grêmios estudantis da capital.

Os protestos, no entanto, não são apenas contra o presidente Fernando Collor. Segundo o diretor do DCE [Roberto Gomes] os estudantes da UFC estarão gritando palavras de ordem pedindo o afastamento do reitor Antônio Albuquerque e em defesa do ensino público e gratuito. Já os estudantes secundaristas prometem continuar a luta em favor da meia no cinema (desconto de 50%) e contra o aumento das mensalidades, conforme anuncia o diretor da UMES, Targino Alves, 24 anos. (DIÁRIO DO NORDESTE, 02/09/1992, p.11.)


Estes seriam os ingredientes a mais que fomentariam as participações destes estudantes universitários e secundaristas nos futuros protestos do Fora Collor. Novamente de acordo com o Diário do Nordeste sobre esta mobilização ocorrida no dia 3 de setembro.
O movimento foi organizado pela União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES), pelos Diretórios Centrais dos Estudantes das Universidade Federal do Ceará (UFC), Estadual (UECE) e de Fortaleza (Unifor), por partidos políticos e pelas Centrais Sindicais CUT e CGT102.

Eles pretendiam fazer o maior protesto “Fora Collor” no Ceará onde as passeatas não tem conseguido reunir mais do que 10 mil pessoas. “Falta uma unidade maior dos movimentos sociais” avalia Willame Coelho, o presidente da Umes. Mesmo assim, os organizadores a consideraram satisfatória acreditando que o movimento deve crescer a medida que a votação do impeachment evoluir. (DIÁRIO DO NORDESTE, 04/09/1992, p.14.)


Um ponto importante a ser mencionado sobre esta passeata organizada por várias entidades estudantis tanto, universitária como secundarista, além dos partidos políticos e das Centrais Sindicais (CUT e CGT), é que essa coalizão organizadora não teve acordo entre si, como mencionou anteriormente o presidente da UMES. Logo em seguida a mesma edição do mesmo jornal repetia a intenção da organização destes protestos juvenis, mostrando sintonia entre o que foi dito por um diretor do DCE-UFC dias anteriores ao ato e o que afirmou no ato a presidenta dessa entidade estudantil universitária, demonstrando um grau de radicalidade que não compactuava com a imagem oficial daquela “festa cívica” da simples troca de um presidente por outro, “eles exigiam uma moralização completa nos Poderes Públicos, através de eleições gerais.” E Luizianne Lins, presidenta do DCE-UFC deixava bem nítida a proposta de sua diretoria: “Collor deve sair não só porque é um corrupto mas porque representa uma política neo-liberal que condena milhões de brasileiros a fome a miséria.” (DIÁRIO DO NORDESTE, 04/09/1992, p.14.) Então daqui em diante, vamos ver sempre nas pautas das passeatas com presença de universitários cearenses organizados pelo DCE-UFC, a defesa das renuncias de Fernando Collor da Presidência da República e de Antônio Albuquerque da Reitoria da UFC, ambos por serem defensores e aplicadores do projeto neoliberal no Brasil e na Educação Pública Superior, no caso específico local, na Universidade Federal do Ceará.

Em uma matéria publicada no O Povo, sob o título: Carreata pede socorro para o Hospital das Clínicas da UFC.” É possível percebemos como as questões locais eram incluídas nas questões nacionais, demonstrando a existência de um elo entre estas questões e o nome deste elo era o neoliberalismo que Collor implantava nas Universidades Federais.


A carreata saiu do HU103, no campus do Porangabussu, até a Câmara Municipal, no Meireles, onde foi realizada sessão especial, convocada pelo vereador Durval Ferraz para tratar da crise do Hospital. Os manifestantes pintaram o rosto, faixas e cartazes. No percurso, não pouparam buzinas e a voz para denunciar à população, o quadro atual do Hospital. Da mesma forma, passaram pelo pátio interno da Reitoria da UFC, no Benfica, para cobrar do reitor Antônio Albuquerque uma solução. “A crise é decorrência do projeto, em nível federal e local, com a atual administração collorida da UFC, para a privatização das universidades federais” – disse a Presidenta do Diretório Central dos Estudantes (DCE/UFC) Luizianne Lins. (O POVO, 16/09/92, p.13A.)
Este mesmo protesto em frente à Câmara Municipal também foi retratado pelo Diário do Nordeste, como podemos averiguar na foto que registra a concentração de estudantes em frente ao prédio da Casa Legislativa Municipal de Fortaleza, a seguir da edição do dia 16 de setembro.

É possível notarmos a existência dessa pauta de reivindicação que ia além do simples afastamento do Presidente Collor, mostrando que ao menos uma parte considerável da juventude fortalezense e quiçá nacional, não era totalmente alheia aos demais temas inseridos naquele contexto. Fica evidenciado neste depoimento acima da então líder estudantil Luizianne Lins, que a luta contra o projeto neoliberal em curso nacionalmente e localmente era uma das bandeiras do Movimento “Cara Pintada” em Fortaleza.

Em outro ato promovido pelas entidades DCE-UFC, ASAUFC104 e ADUFC105, no dia 23 de setembro, que tinha novamente como pauta a exigência tanto a saída do “Reitor e Interventor” da UFC, Antônio Albuquerque como a do Presidente Collor. Mais uma vez a principal liderança estudantil em Fortaleza do Fora Collor, Luizianne Lins deixou manifestado que além do interesse em tirar Fernando Collor da presidência, havia por parte do setor da qual ela fazia parte no Movimento Estudantil, o interesse de combater a privatização do Ensino Superior, uma das exigências do projeto neoliberal em vigor no Brasil e que era visto na UFC com a tentativa do interventor Albuquerque em privatizar os serviços de alimentação gratuita aos estudantes universitários da UFC, vide RU 106 assim como cancelar atendimentos médicos vide HU.


Antes de seguir em passeata para pedir nas ruas o impeachment do presidente Collor, os estudantes e servidores da Universidade Federal do Ceará pediram no pátio da Reitoria a saída do reitor Antônio Albuquerque. Segundo a Presidenta do Diretório Central dos Estudantes, Luizianne Lins, 23, que juntamente com a ASAUFC e ADUFC, organizaram o ato, o atual dirigente da UFC é tão ilegítimo quanto o Presidente da República que o nomeou.

“Primeiro Albuquerque foi nomeado por Collor à revelia de toda a comunidade universitária, foi o último na votação feita por estudantes, professores e servidores” – considera. Acrescenta que o Reitor também vem implantando uma política de privatização “Como exemplo podemos citar o fechamento do restaurante universitário há mais de um ano e a ameaça de paralisação total do Hospital das Clínicas”. (O POVO, 24/09/92, p.12A.)


O ato realizou-se dentro da programação oficial, porém segundo consta através do que foi publicado pelos jornais do dia seguinte, o ato não foi totalmente da forma como pretendiam os seus organizadores, tanto da parte sindical como da estudantil. O Povo trazia numa manchete:
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