O papel das praças para o envelhecimento ativo sob o ponto de vista dos especialistas The role of public squares in the active aging from the point of view of



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Silva, Eduardo Alexandre Ribeiro; Elali, Gleice Azambuja. O papel das praças para o envelhecimento ativo sob o ponto de vista dos especialistas




O papel das praças para o envelhecimento ativo sob o ponto de vista dos especialistas

The role of public squares in the active aging from the point of view of the experts

El papel de las plazas públicas para el envejecimiento activo de acuerdo con el punto de vista de expertos

Eduardo Alexandre Ribeiro da Silva1



Gleice Azambuja Elali2

Resumo
Estudos que investigam o comportamento humano em espaços abertos ressaltam que estar ao ar livre favorece o bem-estar físico e mental, refletindo positivamente na saúde e na qualidade de vida, notadamente dos idosos, devido à variedade de estímulos e às oportunidades de socialização oferecidas por esses ambientes. A fim de investigar o papel das praças públicas para o envelhecimento ativo, foi realizado um painel de experts, em que sete profissionais que trabalham com idosos na cidade de Natal/RN foram entrevistados. O roteiro de entrevista envolveu temas ligados ao envelhecimento ativo, socialização e suporte ambiental. As respostas foram trabalhadas por meio da análise de conteúdo e indicaram que os especialistas consideram as praças locais com grande potencial para a promoção do envelhecimento ativo, desde que disponham dos elementos que ofereçam o suporte necessário à permanência de idosos nela.
Palavras-chave: idosos, Psicologia Ambiental, interação social, praças, ambiente construído.

Abstract
Studies that investigate the human behavior in open spaces emphasize that outdoor living promotes physical and mental well-being, reflecting positively on the health and on the quality of life, especially of the elderly, due to the variety of stimuli and socialization opportunities offered by these environments. In order to investigate the role of public squares in active aging, and panel of experts was formed, in which seven professionals who work with the elderly in the city of Natal/RN were interviewed. The script of the interview involved themes linked to active aging, socialization, and environmental support. The answers were treated by means of content analysis and they indicated that experts consider that the public squares can be suitable places with great potential to promote active aging, since they have the necessary elements to support the older people’s permanence there.
Keywords: Elderly, Environmental Psychology, social interaction, public squares, built environment.


Resumen
Los estudios que investigan el comportamiento humano en los espacios abiertos enfatizan que la práctica de actividades al aire libre promueve el bienestar físico y mental, lo que refleja positivamente en la calidad de vida especialmente en los ancianos, debido a la variedad de estímulos y oportunidades de socialización que estos ambientes ofrecen. Con el fin de investigar el papel de las plazas públicas para el envejecimiento activo, se realizó un panel de expertos a través de entrevistas con siete profesionales que trabajan con ancianos en Natal/RN. La entrevista involucró cuestiones relacionadas con el envejecimiento activo, socialización y apoyo ambiental. Las respuestas se analizaron mediante análisis de contenido y indicaron que las plazas pueden ser locales adecuados para los fines de envejecimiento activo, cuando hay elementos básicos que fomenten el apoyo necesario para la permanencia de los ancianos en ella.
Palabras-clave: Ancianos, Psicología Ambiental, interacción social, plazas públicas, medio construido.


Introdução

Dentre as contribuições teóricas que apresentam modelos explicativos da relação do idoso com seu ambiente, as mais destacadas foram propostas por Mortimer Powell Lawton (1986) que, no decorrer de sua produção intelectual, demonstrou que a qualidade de vida na velhice está associada a diversos fatores em constante interação ao longo da existência do indivíduo. Esses fatores estão relacionados às condições objetivas (ambiente físico, contexto social, rede de apoio social, amizade e relações de parentesco e capacidade funcional) e a condições subjetivas (vinculadas a aspectos afetivos ligados ao bem-estar).

Ambientes que não oferecem o suporte necessário às atividades cotidianas afetam negativamente o bem-estar objetivo e subjetivo de seus usuários. Quando possuem autonomia funcional, os próprios idosos costumam providenciar arranjos para que seus ambientes se tornem seguros, confortáveis e interessantes (por meio da modificação da disposição dos móveis, objetos e acessórios, cuidados com plantas e outras iniciativas). Por outro lado, quanto maiores forem as dificuldades físicas e cognitivas das pessoas menos elas terão autonomia para atuar nas condições ambientais, de modo que um ambiente desfavorável poderá impor uma influência maior sobre elas, limitando suas possibilidades de uso do espaço.

O modelo da pressão-competência (ou modelo ecológico) considera que, à medida que as pessoas envelhecem e têm suas competências reduzidas, os ambientes passam a exercer uma pressão maior sobre seu comportamento, sendo necessário recorrer a adaptações nos elementos ambientais de acordo com os níveis de competências dos indivíduos para atingir níveis ideais de ajustamento, conforto e desempenho (Nahemow & Lawton, 1973). Nesse sentido, os indivíduos com capacidades funcionais mais comprometidas seriam os que mais sentiriam a influência da pressão ambiental, adaptando-se a uma variedade menor de ambientes. Contudo, a criação de ambientes “amigáveis” por meio de adaptações, princípio da hipótese da docilidade ambiental (Nahemow & Lawton, 1973), atua como função protética, compensando os efeitos da pressão do ambiente sobre o comportamento do idoso e garantindo seu desempenho comportamental (Moore, Van Haitsma, Curyto & Saperstein, 2003).

Acatando esse tipo de argumentação, ao instituir a perspectiva do envelhecimento ativo (active ageing), a Organização Mundial da Saúde (OMS) – World Health Organization, 2005 (WHO) – incluiu o ambiente como fator determinante para o envelhecimento saudável. Segundo a organização, as características do ambiente influenciam o comportamento humano de modo significativo, podendo representar a diferença entre a independência e a dependência para todos os indivíduos, mas especialmente para pessoas em processo de envelhecimento. Pessoas idosas que moram em ambientes ou áreas de risco com múltiplas barreiras físicas saem de casa com menos frequência e, por isso, estão mais propensas ao isolamento, depressão, menor preparo físico e mais problemas de mobilidade (WHO, 2005).

Para que o ambiente físico possa proporcionar mais benefícios do que dificuldades aos idosos, isto é, para que seja mais dócil e propicie apoio adequado às suas necessidades, as proposições do envelhecimento ativo (EA) recomendam que as opções de atividades mais saudáveis também sejam as de mais fácil execução, estimulando-os a serem mais ativos diante das situações da vida cotidiana. Com a finalidade de alcançar esses objetivos, o programa do EA recomenda:

- oferta de serviço de transporte público acessível e barato;

- ausência de obstáculos que possam causar lesões por quedas, acidentes e incêndios;

- moradia apropriada e adaptada para suas necessidades de saúde e de segurança;

- vizinhança segura que favoreça uma interação social positiva;

- ruas bem iluminadas para caminhadas seguras, banheiros públicos acessíveis e semáforos com mais tempo para os pedestres;

- fornecimento de água limpa, ar puro e alimentos seguros;

- programas de exercícios para ajudar as pessoas idosas a manter sua mobilidade.

O EA foi proposto como forma de incentivo à promoção da expectativa de vida com saúde e qualidade para todas as pessoas que estão em processo de envelhecimento, visando a incentivá-las a perceber o próprio potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo da vida (WHO, 2005), indicando a concordância com os pressupostos da perspectiva life-span (Neri, 2001), tais como os de multidimensionalidade, multidirecionalidade e plasticidade.

No Brasil, esse programa está inserido nas ações do Programa “Brasil Saudável” (Brasil – Ministério da Saúde, 2005), que fomenta iniciativas nacionais para criar políticas públicas que promovam modos de viver mais saudáveis em todas as etapas da vida, com ênfase na atividade física no cotidiano e no lazer, na reeducação alimentar e no controle do tabagismo, consideradas iniciativas básicas para o envelhecimento saudável, por proporcionarem um ganho substancial em qualidade de vida e saúde, em consonância com as indicações da Organização Mundial da Saúde (WHO, 2005, 2008).

Ao comparar as recomendações para a promoção de um ambiente adequado ao envelhecimento ativo com as funções do ambiente para idosos indicadas por Lawton (1986) (manutenção, estimulação e apoio/suporte), percebe-se que as últimas, mesmo que de forma não sistemática, foram incluídas na perspectiva do EA. Assim, a função manutenção, que diz respeito à constância e previsibilidade do ambiente em termos de satisfação e ao apego aos lugares, pode ser notada na crítica da OMS ao fato de alguns idosos serem forçados a viver em lugares que não são de sua escolha (como a casa de parentes e em lares já superlotados), o que, quando somado a outros fatores, pode acarretar maior risco de isolamento social e saúde precária.

A estimulação refere-se à importância de sair do usual, favorecendo novos arranjos de estímulos que possam levar a novos comportamentos na vida diária por meio de atividades que proporcionem lazer e incentivem as relações sociais. Essa função pode ser identificada quando a OMS recomenda a criação de oportunidades acessíveis, baratas e agradáveis para os idosos permanecerem ativos em áreas seguras para andar e em parques.

O apoio ou suporte é o potencial do ambiente para compensar competências reduzidas ou perdidas e pode ser aplicado mediante a eliminação de barreiras físicas e outras formas de facilitação de acesso aos ambientes. Constata-se essa função quando a OMS afirma ser necessário que os ambientes de apoio façam com que “as opções saudáveis sejam as mais fáceis” (WHO, 2005).

Assim, ao recomendar que sejam considerados os aspectos ambientais que podem favorecer uma postura ativa do idoso durante o uso e a permanência nos espaços que frequentam, a proposta do EA abre perspectivas para a investigação de associações entre condições ambientais e envelhecimento saudável por meio do incentivo à realização de atividades.

Devido ao fato de as pessoas de idade mais avançada geralmente apresentarem uma redução na mobilidade, o ambiente doméstico e seus arredores tornam-se os espaços mais utilizados da vida cotidiana (Lawton, 1986; Mollenkopf et al., 2004). Nas imediações das residências, as praças estão entre os espaços abertos urbanos públicos (EAUPs) de acesso livre e gratuito que mais favorecem o encontro e a formação de laços sociais na comunidade, possibilitando a realização de diversas atividades como exercícios físicos, jogos, atividades recreativas, leitura, contemplação, entre outras.

Os EAUPs são ruas, praças, parques e outros locais abertos à livre escolha e às ações espontâneas dos indivíduos, dotados de acessibilidade pública e designados, construídos ou apropriados para atividades funcionais, sociais ou de lazer que possibilitam a convivência e a permanência (Lynch, 2007). Eles têm sido utilizados em diversas partes do mundo como locais para a promoção de atividades físicas, recreativas, de cultura e lazer para todas as idades por serem acessíveis, possibilitando o encontro das diferenças sociais (Cattell, Dines, Gesler & Curtis, 2008). Especificamente no caso dos idosos, vários grupos de pesquisa têm apresentado indicativos consistentes com relação a esses espaços estimularem a permanência física, cognitiva, social e afetiva, resultando em benefícios para a saúde e o bem-estar (Active Living Research, 2010; Inclusive Design for Getting Outdoors, 2007; OPENspace Research Centre, 2010).

Em Natal/RN, uma constatação que evidencia o uso desses espaços públicos pelos idosos na cidade é a prática da caminhada e o uso das chamadas Academias da Terceira Idade (ATIs), conjunto de aparelhos para a prática de atividades físicas de baixo impacto, cujo acesso é público e gratuito, geralmente instaladas em praças, parques e locais de passagem de pedestres (Ideias saudáveis, 2009). Essas e outras formas de uso dos EAUPs são marcadas pela dinâmica do conjunto urbano onde estão inseridas e se caracterizam pelos seus valores ambientais, funcionais, estéticos e simbólicos, correspondendo a um arranjo complexo de limitações e exigências do ambiente físico e geográfico, todos direta ou indiretamente relacionados aos diferentes usos que ali ocorrem (Liberalino, 2011).

Ao entender que os profissionais envolvidos diretamente no cuidado e atenção às necessidades das pessoas idosas podem consentir, sugerir ou recomendar/estimular sua participação em praças públicas, oportunizando o exercício de suas capacidades funcionais, interessou-nos identificar a concepção dos especialistas a respeito do papel que esses espaços podem representar para a promoção do EA.
Procedimentos Metodológicos
O estudo realizado na cidade de Natal/RN correspondeu a um painel de experts (Pinheiro, Farias & Abe-Lima, 2013; Taylor, Zube & Sell, 1987), técnica que consiste na consulta a um grupo de especialistas selecionados devido ao potencial de sua contribuição para o tratamento de questões relativas ao objetivo da pesquisa em andamento. A escolha dos participantes pode ser motivada por sua competência no que diz respeito aos ambientes em questão, às situações trabalhadas ou aos fenômenos/conceitos que interessam à pesquisa. O tipo de conhecimento necessário à pesquisa é justamente o que define os membros do grupo (Elali & Pinheiro, 2013). No caso da investigação em curso, optou-se por trabalhar com profissionais atuantes na cidade e que lidam com idosos a partir de 60 anos. Partindo de dois nomes que, em âmbito local, se distinguem na área, o grupo foi composto pela indicação dos próprios participantes, que foram solicitados a sugerir outros profissionais com atuação direta e reconhecida com a população idosa. A constituição final do grupo deu-se a partir da constatação de que todos os indicados já haviam sido entrevistados, totalizando sete indicações.

A pesquisa foi aprovada pelo comitê de ética em pesquisa com seres humanos e utilizou entrevista semiestruturada, tendo como base um roteiro construído a partir do referencial bibliográfico, enfocando os temas: envelhecimento ativo, socialização e suporte ambiental, por serem elementos frequentemente presentes na literatura. As entrevistas, realizadas individualmente e nos horários e locais de atuação de cada profissional, tiveram duração média de uma hora e dez minutos. As respostas foram registradas com um gravador de áudio e anotações em diário de campo e posteriormente transcritas e analisadas por meio da análise temática, com a interpretação lógico-semântica das ideias prevalecentes no corpus dos depoimentos (Campos, 2004).

A maioria dos profissionais participantes foi do sexo feminino (6), sendo que três também se enquadravam na condição de idosos (mais de 60 anos). A média de idade situou-se em 57 anos, e a média de atuação com o público idoso de 23,9 anos. A formação profissional dessas pessoas incluiu Assistência Social, Geriatria, Gerontologia, Advocacia, Antropologia, Pedagogia e Sociologia, verificando-se que alguns apresentaram mais de uma graduação. Na ocasião da pesquisa, os entrevistados ocupavam cargos de coordenação em associações, conselhos e instituições voltadas para a faixa etária de idosos.
Resultados e Discussão
Os temas utilizados no roteiro de entrevista (envelhecimento ativo, suporte ambiental e socialização) foram facilmente assimilados pelos participantes, de modo que, a partir deles, construímos as categorias analíticas das respostas (Quadro 1), com base nas quais analisamos as concepções dos entrevistados ligadas à relação entre EAUPs e envelhecimento ativo.

Quadro 1


Síntese dos resultados das entrevistas com os especialistas

Part.

Envelhecimento Ativo

Suporte Ambiental

Socialização

P.1

- Ocorre quando o idoso tem boa saúde, autoestima e qualidade de vida.

- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.


- Ver e ser visto por outras pessoas, encontrar amigos, conversar, realizar atividades em grupo.

P.2

- Estilo de vida que resulta em benefícios funcionais, sociais, intelectuais, físicos e psicológicos.

- Postura que permite descobertas e realização do potencial.



- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.


- Conversar, realizar atividades em grupo, encontrar amigos.

P.3

- Decisão de estar ativo e envolvido em seu meio social gozando de boa saúde ou que possa compensar doenças a partir de um suporte material, afetivo e informativo.

- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.

- Aprazibilidade.



- Realizar atividades em grupo, encontrar amigos.

P.4

- Ações pessoais que permitem o idoso a manter sua autonomia e independência.

- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.


- Conversar, realizar atividades em grupo.

P.5

- É a prática do envelhecimento saudável por meio de atividades que envolvam socialização e preservem a qualidade de vida. A família pode interferir nesse processo.

- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.

- Aprazibilidade.



- Ver e ser visto por outras pessoas, encontrar amigos, conversar.

P.6

- Envelhecimento participativo e permanente.

- Prática de atividade física para manter a saúde.

- Recusar-se a ter hábitos sedentários.


- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.


- Conversar.

P.7

- É o estilo de envelhecimento que valoriza a realização de atividades que promovam satisfação. Estas podem ser entendidas como ativas ou sedentárias.

- Acessibilidade física.

- Estrutura para permanência.

- Estrutura para atividades.

- Aprazibilidade.



- Realizar atividades em grupo e interagir com familiares.




Envelhecimento ativo
As respostas dos participantes, de um modo geral, indicam que os profissionais relacionam o EA à aquisição ou manutenção da saúde e qualidade de vida, na qual se inclui competência para manter a autonomia, aperfeiçoar as capacidades funcionais e utilizar seu potencial para realizações pessoais respeitando seus limites. Os participantes P.2 e P.7 foram os que mais se aproximaram da definição oficial da OMS ao afirmarem que se trata de um estilo de vida que valoriza a realização de atividades físicas e ou psicossociais que promovem satisfação ao praticante, permitindo descobertas e a realização do potencial, resultando em benefícios funcionais, sociais, intelectuais físicos e psicológicos. Nesse aspecto, nota-se que os especialistas não se limitaram a relacionar o termo “estar ativo” a estar apenas fisicamente ativo, empregando o conceito de modo mais abrangente. Apenas um participante (P.6) deu maior ênfase ao aspecto físico, ressaltando a importância da prática da atividade física para a manutenção da saúde.

Suporte ambiental

Referindo-se ao suporte ambiental, termo utilizado para designar as diversas formas de apoio que os recursos do ambiente podem oferecer para que seu uso seja facilitado (Sugiyama & Thompson, 2007), os especialistas entrevistados consideram ser necessário haver no ambiente elementos cuja qualidade e atributos permitam a presença, permanência e o uso adequado às necessidades dos usuários idosos. Segundo Sugiyama e Thompson (2005), a existência de suporte ambiental adequado é fundamental para que os idosos permaneçam ativos e independentes. Essa concepção é compatível com os resultados de pesquisas que indicam que espaços com carência de recursos ambientais podem ser um dos fatores que desencorajam os idosos a serem mais ativos (Humpel, Owen & Leslie, 2002).

Os recursos mencionados nas entrevistas foram resumidos no Quadro 2, atendendo à classificação das funções básicas do ambiente sugerida por Lawton (1986). Evidenciou-se, assim, que os especialistas consideram importante atender às necessidades dos idosos quanto às condições de uso e permanência em ambientes externos. Acessibilidade física, estrutura para permanência e estrutura para atividades foram elementos mencionados por todos, enquanto aprazibilidade foi considerada importante para três participantes (P.3, P.5 e P.7).

Na estrutura para permanência e na aprazibilidade, foram agrupados os recursos que podem favorecer a permanência no ambiente, relacionados à função de manutenção, enquanto que na categoria estrutura para atividades foram reunidos os recursos que podem incentivar a diversidade de uso, ligados à função de estimulação. Na acessibilidade física estão os elementos que minimizam as barreiras físicas e facilitam a mobilidade e acesso ao local, que foram vinculados à função de suporte/apoio.


Quadro 2


Relação entre os recursos citados pelos especialistas e as funções do ambiente

Função

Categoria

Recursos

Manutenção

- Estrutura para permanência

- Aprazibilidade



Bancos, mesas, banheiro, água potável, abrigos, sentimento de segurança e sombreamento, paisagismo, chafariz.

Estimulação

- Estrutura para atividades

Espaços para apresentações culturais, jogos, atividades recreativas, exercícios físicos e orientação de profissionais para prática de exercícios físicos nas Academias da Terceira Idade (ATIs).

Suporte/Apoio

Acessibilidade física

Transporte público gratuito e adequado, condições de conservação das vias públicas, ruas e calçadas, proximidade da praça em relação à residência do usuário.




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