O museu interativo como recurso pedagógico: uma proposta interdisciplinar envolvendo energia eólica ketlin Kroetz¹ Isabel Cristina Machado de Lara²



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III CIECITEC Santo Ângelo – RS – Brasil


O MUSEU INTERATIVO COMO RECURSO PEDAGÓGICO: UMA PROPOSTA INTERDISCIPLINAR ENVOLVENDO ENERGIA EÓLICA
Ketlin Kroetz¹

Isabel Cristina Machado de Lara²

¹ Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/ ketlin.kroetz@acad.pucrs.br

²Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul/ Faculdade de Matemática, isabel.lara@pucrs.br
RESUMO: O presente artigo apresenta dados de um estudo advindos de uma proposta interdisciplinar que utiliza um museu interativo como recurso pedagógico. A proposta foi desenvolvida com uma turma do 9º ano de uma escola estadual localizada na Região Carbonífera, RS, que visou a promoção da interdisciplinaridade, a compreensão de como as fontes de energia interferem no meio ambiente e a conscientização da importância de energia limpa. Após a leitura do relato dos estudantes, verificou-se que uma abordagem interdisciplinar torna o estudante agente dos processos de ensino e de aprendizagem, fazendo o reconstruir seu próprio conhecimento. A organização dos conceitos estudados em torno do tema energia eólica fez com que os estudantes percebessem a aplicabilidade dos componentes curriculares trabalhados, o que contribuiu para a identificação de convergências entre esses.

Palavras chaves: Energia Eólica. Interdisciplinaridade. Museu.
1 INTRODUÇÃO
Para a maioria dos docentes, coordenar e mediar uma turma num museu interativo é uma aventura, bem como uma atividade que requer esforço, disposição e comprometimento. Com o objetivo de possibilitar aos estudantes uma aula inovadora, na qual um museu interativo pudesse ser utilizado como fonte de aprendizagem, foi realizada, na disciplina de Museu Interativo do Programa de Pós-Graduação de Educação em Ciências e Matemática, PPGEDUCEM, a aplicação de um projeto interdisciplinar que teve duração de cinco semanas. Nesse projeto o recurso utilizado foi o Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS, MCT/PUCRS, e foi aplicado numa escola estadual localizada na Região Carbonífera, RS, com uma turma do 9º ano constituída por 19 estudantes cuja faixa etária era de 13 à 16 anos,

Com o intuito de superar o paradigma dominante que tem assumido uma concepção reducionista dos estudantes diante da complexidade de suas culturas (CAPRA, 2002; MORIN, 2002), procurou-se relacionar o projeto a diferentes componentes curriculares dando-lhe um enfoque interdisciplinar. Ao optar por uma abordagem em que as diferentes áreas do conhecimento presentes no currículo escolar pudessem ser favorecidas e abordadas, utilizou-se como recurso pedagógico um museu interativo. Um museu interativo apresenta-se, nessa proposta, como uma instituição que possibilita instigar a curiosidade por meio de distintas práticas, o que desempenha um papel essencial na formação de identidades sociais.


2 REFERENCIAL TEÓRICO
O processo de globalização e a constante fragmentação pela qual os sujeitos têm passado nos últimos anos permite designar a atual sociedade com a expressão do sociólogo Bauman (2001): ‘modernidade fluída’. Ao destacar que vivemos à deriva de tempos líquidos, o sociólogo Bauman (2001) destaca que os líquidos movem-se mais rapidamente que os sólidos por não possuírem forma e por serem flexíveis a mudanças. Tais razões são utilizadas para a utilização dos termos ‘fluidez’ e ‘liquidez’ “[...] como metáforas adequadas quando queremos captar a natureza da presente fase, nova de muitas maneiras, na história da modernidade.” (BAUMAN, 2001, p.9).

Os tempos de fluidez definem as profundas modificações ocorridas desde os anos 50. No entanto, a sala de aula permanece sólida, pois nela não ocorrem mudanças mesmo que há décadas venham sendo discutidas formas de melhorar as práticas pedagógicas, bem como uma superação do ensino pautado num modelo de racionalidade. Teorias educacionais baseadas na transmissão de conhecimentos a-históricos, por exemplo, centram-se na figura de um professor como sendo o centro do processo de ensino e de aprendizagem. Fatores como esse instigam a repensar que transformações almejamos para as atuais aulas de ciências e matemática, uma vez que o modelo tradicional de ensino não dá mais conta das novas demandas que vem surgindo no meio social por meio dos tempos de fluidez (BAUMAN, 2001).

No entanto, sabe-se de que nada adiantam boas intenções do professor sem motivação e interesse do aluno. Tiba (1998) expressa de maneira sucinta que é inútil esperar que o aluno se interesse em aprender algo que não lhe interessa. Nessa direção, Tahan (1969, p. 73) destaca que em toda aprendizagem existe uma motivação, cuja finalidade envolve três fatores: “1) despertar interesse; 2) estimular o desejo de aprender; 3) dirigir esses interesses e esforços para a realização de fins adequados para distinguir metas definidas.”.

Partindo do pressuposto que só existe aprendizagem se existir interesse, destaca-se o ensino com pesquisa como forte aliado para despertar a motivação do estudante. Realizar pesquisas com os estudantes envolvendo questionamentos, argumentação e validação torna a sala de aula um espaço proveitoso para o processo de ensino e aprendizagem (GALIAZZI; GONÇALVES, 2004), e um museu interativo é o lugar ideal para alcançar esse objetivo.

Valente (2007, p. 11) explicita a importância do museu como fator integrador da sociedade destacando que a

[...] interação do museu com o mundo em suas distintas dimensões, cientifica, cultural e social é condição essencial no momento atual. [...] Esses facilitam os atores do empreendimento museológico – profissionais e público visitante – interrogar o mundo e a época em que se vive.

Faz-se necessário, nesse sentido, a utilização de práticas pedagógicas que proporcionem um ensino mais crítico, onde os alunos sejam participantes e interrogadores do mundo em que vivem, e o museu torna-se elemento essencial, possibilitando, ainda, a possibilidade de trabalhar a interdisciplinaridade.

No que se refere-se à interdisciplinaridade, González-Gaudiano (2005) concebem-na como uma

[...] busca de novos sentidos do conhecimento que as disciplinas individuais por si mesmas não estavam em condições de proporcionar; é também um conceito polissêmico, que geralmente costuma ser entendido como uma proposta epistemológica que tende a superar a excessiva especialização disciplinar surgida da racionalidade científica moderna.

Na visão de Santomé (1998), na interdisciplinaridade é estabelecida uma relação entre as disciplinas, no sentido em essas passam a depender umas das outras. O autor destaca: “Entre as diferentes matérias ocorrem intercâmbios mútuos e recíprocas integrações; existe um equilíbrio de forças nas relações estabelecidas.” (SANTOMÉ, 1998, p. 63).


3 RESULTADOS E SÍNTESE DAS OCORRÊNCIAS
O projeto, que teve duração de cinco semanas, foi distribuído em nove aulas, sendo que uma delas foi realizada no MCT/PUCRS. Em cada aula os estudantes realizaram determinada atividade que foi anexada em seus portfólios para que fossem avaliados de maneira processual.

Na primeira aula foi apresentado aos estudantes um catavento. Após a apresentação, foram realizados alguns questionamentos a respeito do que os estudantes sabiam sobre o instrumento confeccionado, bem como sua aplicabilidade. Sobre os questionamentos prévios, Demo (2011, p. 32) afirma que “[...] conhecemos a partir do que já se conhece”, e cabe ao docente o papel de saber utilizar o conhecimento que o aluno traz. Vasconcelos (1999, p. 72), nessa mesma linha, aponta que “[...] o conhecimento anterior do aluno, como foi apontado, não pode ser desprezado, pois o novo vai ser construído a partir do existente”. A associação do novo com o que já se conhece visa um crescimento dos estudantes envolvidos no processo, que na primeira aula conseguem nitidamente fazer comparações entre o catavento e a energia eólica.

Na segunda aula, alguns slides com imagens das diferentes maneiras que o vento pode ser utilizado como fonte de energia foram mostrados aos estudantes. O objetivo dessa atividade foi deixar que os estudantes atribuíssem funções ao instrumento apresentado. Posterior a isso, os estudantes construíram um catavento e, durante sua construção, foram explorados alguns conceitos básicos de geometria plana, simetria e ângulos, principalmente. Ao final desta segunda aula foi solicitado que refletissem sobre o assunto e que na próxima aula trouxessem questionamentos a respeito do catavento e da energia eólica.

Na terceira aula, os questionamentos trazidos pelos estudantes foram anotados e transcritos com o objetivo de construir um roteiro para a visita ao MCT/PUCRS. É válido ressaltar que, além das perguntas realizadas pelos estudantes, foram também desenvolvidas algumas perguntas pelas professoras a fim de proporcionar uma coleta de informações mais objetiva.

A visita ao MCT/PUCRS ocorreu na terceira aula. No início da visita, cada estudante recebeu um roteiro com os questionamentos – inclusive aqueles criados pelos próprios estudantes – para que buscassem as respostas no MCT/PUCRS. Durante a visita, foi possível observar a curiosidade e a motivação que a maioria da turma apresentou. Após explorarem os diferentes ambientes de aprendizagem que o MCT/PUCRS proporciona, os estudantes foram reunidos no local onde se concentra a temática do projeto para que respondessem as questões do roteiro. Alguns tiveram certa dificuldade, necessitando do auxílio das professoras para uma melhor interpretação dos dados.

Na quarta aula, foi realizado um quadro com os aspectos positivos e negativos da energia eólica utilizando como aporte os questionários respondidos pelos alunos no MCT/PUCRS. Ao elaborar o quadro de vantagens e desvantagens da energia eólica, foram abordadas questões relacionadas ao meio ambiente, mais especificamente, à Educação Ambiental. Segundo González-Gaudiano (2005), a Educação Ambiental

[...] não é uma matéria suplementar que se soma aos programas existentes, exige a interdisciplinaridade, quer dizer uma cooperação entre as disciplinas tradicionais, indispensável para poder se perceber a complexidade dos problemas do meio ambiente e formular uma solução (p. 123).

Para autor, ao tornar-se interdisciplinar a Educação Ambiental permite uma visão mais global dos problemas relacionados ao meio ambiente, sendo possível a formulação de soluções para estes problemas. Acredita-se que uma vida sustentável diz respeito à aceitação e à busca da harmonia com as pessoas e com a natureza possibilitando a adoção de estilos de vida e atitudes diferentes, e a escola é um ambiente propício para a reflexão e avaliação dessas ações. Ainda nessa aula, foi solicitado aos estudantes uma pesquisa sobre a utilização do vento pelo homem em diferentes momentos históricos.



Na quinta aula, a partir dos dados solicitados na quarta aula, foi construído com os estudantes uma linha do tempo onde as informações foram postadas em ordem cronológica. Após a construção da linha do tempo, cada estudante criou uma charge a respeito da história da utilização do vento, como demonstram as figuras 1 e 2:
Figura 1: Charge apresentada por um dos estudantes.
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