O mito da Caverna



Baixar 10,37 Kb.
Encontro25.07.2017
Tamanho10,37 Kb.
O Mito da Caverna

Professor de Filosofia Danilo Freire

Imaginemos uma caverna separada do mundo externo por um alto muro. Entre o muro e o chão da caverna, há uma fresta por onde passa um fino feixe de luz exterior, deixando a caverna na obscuridade quase completa. Desde o nascimento, geração após geração, seres humanos encontram-se ali, de costas para a entrada, acorrentados sem poder mover a cabeça nem locomover-se, forçados a olhar apenas a parede do fundo, vivendo sem nunca ter visto o mundo exterior nem a luz do sol, sem jamais ter efetivamente visto uns aos outros nem a si mesmos, mas apenas sombras dos outros e de si mesmos porque estão no escuro e imobilizados.

Abaixo do muro, do lado de dentro da caverna, há um fogo que ilumina vagamente o interior sombrio e faz com que as coisas que se passam do lado de fora sejam projetadas nas paredes do fundo da caverna. Esses prisioneiros tomam as sombras por realidade. Um deles, inconformado com a condição em que se encontra, decide abandoná-la. Fabrica um instrumento com o qual quebra os grilhões. De início, move a cabeça e depois o corpo todo. A seguir, avança em direção ao muro e o escala. Enfrentando os obstáculos de um caminho íngreme e difícil e sai da caverna. No primeiro instante, fica totalmente cego com a luminosidade do sol, com a qual seus olhos não estão acostumados. Enche-se de dor por causa dos movimentos que seu corpo realiza pela primeira vez e pela luz do sol muito mais forte do que a luz do fogo que tinha na caverna.

Sente-se dividido entre a incredulidade e o deslumbramento. Incredulidade porque será obrigado a decidir onde se encontra a realidade: no que vê agora ou na caverna em que vivia. Seu primeiro impulso é voltar para a caverna para livrar-se da dor e do espanto, atraído pela escuridão que lhe parece mais acolhedora. Além disso, precisa ver e esse aprendizado é doloroso, fazendo-o a desejar a caverna, onde tudo é familiar e conhecido. Sem disposição para regressar a caverna permanece no exterior. Aos poucos vai se familiarizando à luz e começa a ver o mundo. Encanta-se com o mundo real e descobre que a vida toda o que via era apenas sombras. Decide voltar para a caverna para libertar os amigos.



O que acontece nesse retorno? Os demais companheiros zombam dele e tentam espancá-lo. Se mesmo assim ele afirma o que viu e os convida a sair da caverna acabam por matá-lo. Mas, quem sabe, alguns podem ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidir sair da caverna rumo à realidade?


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal