O livro de Enoque



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O Livro de Enoque

(Tradução livre para a língua portuguesa por Elson C. Ferreira, Curitiba/Brasil, 2003)

 

Capítulo 1

1As palavras das bênçãos de Enoque, com as quais ele abençoou os eleitos e os justos, os quais devem existir nos tempos da tribulação, rejeitando toda iniquidade e mundanismo. Enoque, um homem justo, o qual estava com Deus, respondeu e falau com Deus enquanto seus olhos estavam abertos, e enquanto via uma santa visão dos céus. Isto os anjos me mostraram.

2Deles eu ouvi todas as coisas e entendi o que ví; coisas que não terão lugar nesta geração, mas numa geração que deve acontecer num tempo distante, por causa dos eleitos.

3A respeito deles eu falei e conversei com Ele, o qual virá de Sua habitação, o Santo e Poderoso, o Deus do mundo:

4O qual pisará sobre o Monte Sinai; aparecerá com Suas hostes e se manifestará com a força do Seu poder dos céus.

5Todos estarão temerosos e as Sentinelas estarão aterrorizados.

6Grande temor e tremor se apoderarão deles, mesmo aos confins da terra. As alturas das montanhas serão abaladas, e os altos montes  serão abatidos, derretidos como o favo de mel na chama de fogo. A terra será imersa e todas as coisas que nela estão perecerão; enquanto julgamento virá sobre todos, mesmo sobre todos os justos:

7Mas a eles será dada paz: Ele preservará os eleitos e para com eles exercitará clemência.

8Então todos pertencerão a Deus, serão felizes e abençoados, e o esplendor  da Divindade os iluminará.

Capítulo 2

1Eis que Ele vem com dezenas de milhares dos Seus santos para executar julgamento sobre os pecadores e destruir o iníquo, e reprovar toda coisa carnal e toda coisa pecaminosa e mundana que foi feita, e cometida contra Ele. (2)

(2) Citado por Judas, vss. 14, 15.



Capítulo 3

1Todos os que estão nos céus sabem o que transcorre lá.

2Eles sabem que as luminárias celestes não mudam seus caminhos; que cada uma nasce e se põe regularmente, cada uma a seu próprio tempo, sem transgredir os mandamentos que receberam. A VISÃO da terra, e entendem o que deve acontecer, desde o princípio até o seu fim.

3Eles vêem que toda obra de Deus é invariável no período de seu aparecimento. Eles vêem o verão e o inverno:  percebendo que toda terra está repleta de água; e que a nuvem, o orvalho, e a chuva refrescam-na.

Capítulo 4

1Eles consideram e vêem cada árvore, como aparecem para depois murchar, e toda folha, para depois cair, exceto de quatorze árvores, as quais não são efêmeras,  e esperam pelo aparecimento das folhas novas por dois ou três invernos.

Capítulo 5

1Novamente eles consideram os dias de verão, que o sol está sobre a terra desde o princípio; enquanto tu procuras por uma cobertuda e por um lugar sombreado por causa do sol ardente; enquanto a terra é queimada com calor fervente, e tu te tornas incapaz de andar sobre a terra ou sobre as rochas em consequência do calor.

Capítulo 6

1Eles consideram como as árvores, quando elas dão suas folhas verdes, cobrem-se e produzem frutos; entendendo tudo, e sabendo que Ele, o qual vive para sempre, faz todas estas coisas por causa de vós:

2Que as obras desde o princípio de todo ano existente, que todas as suas obras são obedientes a Ele e invariáveis; assim como Deus determinou, assim todas as coisas acontecem.

3Eles vêem também como os mares e os rios juntos completam suas respectivas operações:

4Mas tu  resistes impacientemente, não cumpres os mandamentos do Senhor, mas transgrides e calunias a Sua grandiosidade; e malditas são as palavras em tua boca poluída contra Sua majestade.

5Tu, murcho de coração, a paz não estará contigo!

6Portanto teus dias te amaldiçoarão, e os anos de tua vida perecerão; execração perpétua se multiplicará, e não obterás misericórdia.

7Nestes dias tu resignas tua paz com a eterna maldição de todos os justos, e os pecadores perpetuamente te execrarão;

8Eles te execrarão com tudo o que não é divino.

9Os eleitos possuirão luz, alegria e paz; e herdarão a terra.

10Mas tu, que não és santo, serás amaldiçoado.

11Então a sabedoria será dada aos eleitos, todos os que viverão, e não transgredirão por impiedade ou orguolho, mas humilhar-se-ão, processando prudência, e não repetirão transgressão.

12Eles não condenarão todo o período das suas vidas, não morrerão em tormento e indignação; mas a soma dos seus dias se completará, e envelhecerão em paz; enquanto os anos de sua felicidade se multiplicarão em alegria, e com paz, para sempre, em toda a duração de sua existência.

Capítulo 7

1E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas.

2E quando os anjos, (3) os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos.

(3) No texto aramaico lê-se "Sentinelas" (J.T. Milik, Aramaic Fragments of Qumran Cave 4 [Oxford: Clarendon Press, 1976], p. 167).



3Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento;

4E que só eu  sofrerei por tão grave crime.

5Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos;

6 (e amarraram-se por mútuos juramentos), que nós não mudaremos nossa intenção mas executamos nosso empreendimento projetado.

7Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram (ou uniram) por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, (4) o qual é o topo do monte Armon.

(4) de Ardis. Ou, "nos dias de Jared" (R.H. Charles, ed. and trans., The Book of Enoch [Oxford: Clarendon Press, 1893], p. 63).



8Aquele monte portanto foi chamado Armon, porque eles tinham juardo sobre ele, (5) e amarraram-se por mútuo juramento.

(5) Mt. Armon, ou Monte Hermon deriva seu nome do hebreu herem, uma maldição (Charles, p. 63).



9Estes são os nomes de seus chefes: Samyaza, que era o seu líder, Urakabarameel, Akibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Azkeel, Saraknyal, Asael, Armers, Batraal, Anane, Zavebe, Samsaveel, Ertael, Turel, Yomyael, Arazyal. Estes eram os prefeitos dos duzentos anjos, e os restantes estavam todos com eles. (6)

(6) O texto aramaico preserva uma lista anterior dos nomes destes Guardiães ou Sentinelas: Semihazah; Artqoph; Ramtel; Kokabel; Ramel; Danieal; Zeqiel; Baraqel; Asael; Hermoni; Matarel; Ananel; Stawel; Samsiel; Sahriel; Tummiel; Turiel; Yomiel; Yhaddiel (Milik, p. 151).



10Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos,e a divisão de raízes e árvores.

11E as mulheres conceberam e geraram gigantes, (7).

(7) O texto grego varia consideravelmente do etíope aqui. Um manuscrito grego acrescenta a esta secção, "E elas [as mulheres] geraram a eles [as Sentinelas] três raças: os grandes gigantes. Os gigantes trouxeram [alguns dizem “mataram"] os Naphelim, e os Naphelim trouxeram [ou "mataram"] os Elioud. E eles sobreviveram, crescendo em poder de acordo com a sua grandeza." Veja o registro no Livro dos Jubileus.



12Cuja estarura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los;

13Então eles voltaram-se contra os homens, a fim de devorá-los;

14E começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer sua carne, um depois do outro(8) e para beber seu sangue.

(8) Sua carne, um depois do outro. Ou, "de uma outra carne". R.H. Charles nota que esta frase pode referir-se à destruição de uma classe de gigantes por outra. (Charles, p. 65).



15Então a terra reprovou os injustos.

Capítulo 8

1Além disso, Azazyel ensinou os homens a fazerem espadas, facas, escudos, armaduras (ou peitorais), a fabricação de espelhos e a manufatura de braceletes e ornamentos, o uso de pinturas, o embelezamento das sobrancelhaso uso de todo tipo selecionado de pedras valiosas, e toda sorte de corantes, para que o mundo fosse alterado.

2A impiedade foi aumentada, a fornicação multiplicada; e eles transgrediram e corromperam todos os seus caminhos.

3Amazarak ensinou todos os sortilégios, e divisores de raízes:

4Armers ensinou a solução de sortilégios;

5Barkayal ensinou os observadores das estrelas, (9)

(9) Observadores das estrelas. Astrólogos (Charles, p. 67).



6Akibeel ensinou sinais;

7Tamiel ensinou astronomia;

8E Asaradel ensinou o movimento da lua,

9E os homens, sendo destruídos, clamaram, e suas vozes romperam os céus.

Capírulo 9

1Então Miguel e Gabriel, Radael, Suryal, e Uriel, olharam abaixo desde os céus, e viram a quantidade de sangue que era derramada na terra, e toda a iniquidade que era praticada sobre ela, e disseram um ao outro; Esta é a vóz de seus clamores;

2A terra desprovida de seus filhos tem clamado, mesmo até os portões do céu.

3E agora a ti, ó Santo dos céus, as almas dos homens queixam-se, dizendo: Obtém justiça para conosco com o Altíssimo(10). Então eles disseram ao seu Senhor, o Rei: Tu és Senhor dos senhores, Deus dos deuses, Rei dos reis. O trono de Tua glória é para sempre e sempre, e para sempre seja Teu nome santificado e glorificado.

(10) Obtém justiça para conosco. Literalmente, "Traz julgamento para nós do..." (Richard Laurence, ed. and trans., The Book of Enoch the Prophet [London: Kegan Paul, Trench & Co., 1883], p. 9).



4Tu fizeste todas as coisas; Tu possuis poder sobre todas as coisas; e todas as coisas estão abertas e manifestas diante de Ti. Tu vês todas as coisas e nada pode esconder-se de Ti.

5Tu viste o que Azazyel tem feito, como ele tem ensinado toda espécie de iniquidade sobre a terra, e tem aberto ao mundo todas as coisas secretas que são feitas nos céus.

6Samyaza também tem ensinado sortilégios, para quem Tu deste autoriadde sobre aqueles que estão associados Contigo. Eles tem ido juntos às filhas dos homens, têm-se deitado com elas; têm-se contaminado;

7E têm descoberto crimes a elas. (11)

(11) Discoberto crimes. Ou, "revelado estes sinais" (Charles, p. 70).



8As mulheres igualmente têm gerado gigantes.

9Assim toda a terra tem se enchido de sangue e iniquidade.

10E agora, vês que as almas daqueles que estão mortos clamam.

11E queixam-se até ao portão do céu.

12Seus gemidos sobem; nem podem eles escapar da injustiça que é cometida na terra. Tu conheces todas as coisas, antes de elas existirem.

13Tu conheces estas coisas, e o que tem sido feito por eles; já Tu não falas a nós.

14O que, por conta destas coisas, devemos fazer contra eles?

Capítulo 10

1Então o Altíssimo, o Grande e Santo falou,

2E enviou a Arsayalalyur (12) ao filho de Lamech,

(12) Arsayalalyur. No texto em grego lê-se "Uriel”.



3Dizendo: Diz a eles em Meu nome: Esconde-te.

4Então explicou-lhe a consumação que está preste a acontecer; pois toda a terra perecerá; as águas do dilúvio virão sobre toda a terra, e todas os que estão nela serão destruídos.

5E agora, ensina-o como ele pode escapar, e como sua semente pode permanecer em toda a terra.

6Novamente o Senhor disse a Rafael: Amarra a Azazyel, mãos e pés; lança-o na escuridão; e abrindo o deserto que está em Dudael, lança-o nele.

7Arremessa sobre ele pedras agudas, cobrindo-o com escuridão;

8Lá ele permanecerá para sempre; cobre sua face, para que ele não possa ver a luz.

9E no grande dia do julgamento lança-o ao fogo.

10Restaura a terra, a qual os anjos corromperam; e anuncia vida a ela, para que Eu possa recebê-la.

11Todos os filhos dos homens, sua descendência, não perecerão em consequência de todo segredo, pelo qual as Sentinelas têm destruído, e o que eles ensinaram;

12Toda a terra tem se corrompido pelos efeitos dos ensinamentos de Azazyel. A ele, portanto, se atribui todo crime.

13A Gabriel também o Senhor disse: Vai aos bastardos, (13) aos réprobos, aos filhos da fornicação; e destrói os filhos da fornicação, a descendência das Sentinelas de entre os homens; traz-os e excita-os uns contra os outros. Faz-os perecer por mútua matança; pois o prolongamento de dias não será deles.

(13) "bastardos" (Charles, p. 73; Michael A. Knibb, ed. and trans., The Ethiopic Book of Enoch [Oxford: Clarendon Press, 1978], p. 88).



14Eles rogarão a ti, mas seus pais não obterão seus desejos com respeito a eles; pois eles esperaram por vida eterna, e que eles possam viver, cada um deles, quinhentos anos.

15A Miguel, igualmente o Senhor disse: Vai e anuncia seus próprios crimes a Samyaza, e aos outros que estão com ele, os quais têm se associado às mulheres para que se contaminem com toda sua impureza. E quando todos os seus filhos forem mortos, quando eles virem à perdição dos seus bem-amados, amarra-os por setenta gerações debaixo da terra, mesmo até o dia do julgamento, e da consumação, até o julgamento, cujo efeito que dura para sempre, seja completado.

16Então eles serão levados para as mais baixas profundezas do fogo em tormentos; lá eles serão encerrados em confinamento para sempre.

17Imediatamente depois disso ele, (14) juntamente com os outros, queimarão e perecerão; eles serão amarrados até a consumação de muitas gerações.

(14) Ele. I.e., Samyaza.



18Destrói todas as almas viciadas na luxúria, (15) e a descendência das Sentinelas, pois eles tiranizam a humanidade.

(15) "luxúria" (Knibb, p. 90; cp. Charles, p. 76).



19Que todo opressor pereça na face da terra;

20Que toda má obra seja destruída;

21A semente da justiça e da retidão apareça, e o que é produtivo torne-se uma bênção.

22Justiça e retidão serão plantados para sempre com prazer.

23E então todos os santos darão graças, e viverão até terem gerado milhares de filhos, enquanto todo o período se sua juventude, e seus sábados, serão completados em paz. Naqueles dias toda a terra será cultivada em retidão; ela será totalmente cultivada com árvores, e será cheia de bendições; toda árvore de delícias será plantada nela.

24Vinhas serão plantadas; e a vinha que nela será plantada produzirá frutos para saciedade; toda semente que nela será semeada produzirá mil por uma medida; e uma medida de olivas produzirá dez prensas de óleo.

25Purifica a terra de toda opressão, de toda injustiça, de todo crime, de toda impiedade, e de toda impureza que é cometida sobre ela. Extermina-os da terra.

26Então todos os filhos dos homens serão justos, e todas as nações me pagarão divinas honras, e Me abençoarão; e todos Me adorarão.

27A terra será limpa de toda corrupção, de toda punição e de todo sofrimento; Eu não enviarei novamente dilúvio sobre ela, de geração em geração para sempre.

28Naqueles dias Eu abrirei tesouros de bênçãos que estão nos céus, para que Eu possa fazê-las descer sobre a terra, e sobre todos os trabalhos e labores do homem.

29Paz e eqüidade se associará aos filhos dos homens todos os dias do mundo, em cada uma de suas gerações.

 (Capítulo 11- não tem)



Capítulo 12

1Antes de todas estas coisas acontecerem, Enoque esteve escondido; e nenhum dos filhos dos homens sabia onde ele estava, onde ele havia estado, e o que havia acontecido.

2Ele esteve totalmente engajado com os santos, e com as Sentinelas em seus dias.

3Eu, Enoque, fui abençoado pelo grande Senhor e Rei da paz.

4E eis que as Sentinelas chamaram-me Enoque, o escriba.

5Entao o Senhor disse-me: Enoque, escriba da retidão, vai e dize às Sentinelas dos céus, os quais desertaram o alto céu e seu santo e eterno estado, os quais foram contaminados com mulheres.

6E fizeram como os filhos dos homens fazem, tomando para si esposas, e os quais têm sido grandemente corrompidos na terra;

7Que na terra eles nunca obterão paz e remissão de pecados. Pois eles não se regozijarão em sua descendência; eles verão a matança dos seus bem-amados; lamantarão a destruição dos seus filhos e farão petição para sempre; mas não obterão misericórdia e paz.

Capítulo 13

1Então Enoque, passando ali, disse a Azazyel: Tu não obterás paz. Uma grande sentença há contra ti. Ele te amarrará;

2Socorro, misericórdia e súplica não estarão contigo por causa da opressão que tens ensinado;

3E por causa de todo ato de blasfêmia, tirania e pecado que tens descoberto aos filhos dos homens.

4Então partindo dele, falei a eles todos juntos;

5E eles todos ficaram apavorados, e tremeram;

6Abençoando-me por escrever por eles um memorial de súplica, para que eles pudessem obter perdão; e que eu fizesse um memorial de suas orações ascendendo diante do Deus do céu; porque eles, por si mesmos, desde então não podiam dirigir-se a Ele, nem levantar seus olhos aos céus por causa da infame ofensa com a qual eles foram julgados.

7Então eu escrevi um memorial de suas orações e súplicas, por seus espíritos, por tudo o que eles haviam feito, e pelo assunto de sua solicitação, para que eles obtivessem remissão e descanso.

8Procedendo nisso, eu continuei sobre as águas de Danbadan, (16) as quais estão da direita para o oeste de Armon, lendo o memorial de suas orações, até que caí adormecido.

(16) Danbadan. Dan in Dan (Knibb, p. 94).



9E eis que um sonho veio a mim, e visões apareceram acima de mim. E caí e vi uma visão de castigos, para que eu pudesse ralatá-la aos filhos dos céus, e reprová-los. Quando eu acordei fui até eles. Todos estavam reunidos chorando em Oubelseyael, que está situada entre o Libano e Seneser, (17) com suas faces escondidas.

(17) Libanos e Seneser. Líbano e Senir (próximo a Damasco).



10E relatei em sua presença todas as visões que eu havia visto, e meu sonho;

11E comecei a pronunciar estas palavras de retidão, reprovando as Sentinelas do céu.

Capítulo 14

1Este é o livro das palavras de retidão, e de reprovação das Sentinelas, os quais pertencem ao mundo, (18) de acordo com o que Ele, que é santo e grande, ordenou na visão. Eu percebi em meu sonho que eu estava então falando com a língua da carne, e com meu fôlego, que o Poderoso colocou na bôca dos homens, para que eles pudessem conversar com Ele.

(18) Os quais pertencem ao mundo. Ou, "os quais (são) da eternidade" (Knibb, p. 95).



2Eu entendí com o coração. Assim como Ele havia criado e dado aos homens o poder de compreender a palavra de entendimento, assim  criou, e deu a mim o poder de reprovar os Sentinelas, a geração dos céus. E escrevi sua petição; e na minha visão foi-me mostrado que seu pedido não lhes será atendido enquanto o mundo perdurar.

3Julgamento passou sobre vós: vosso pedido não vos será atendido.

4De agora em diante, nunca ascendereis ao céu; Ele o disse que na terra Ele vos amarrará, tanto tempo quanto o mundo existir.

5Mas antes destas coisas tu verás a destruição dos vossos bem-amados filhos; não os possuireis, mas eles cairão diante de vós pela espada.

6Nem pedireis por eles, nem por vós mesmos;

7Mas chorareis e suplicareis em silêncio. As palavras do livro que eu escrevi.(19)

(19) Mas chorareis… Eu escrevi. Ou, "Assim também, a despeito de vossas lágrimas e orações, não recebereis nada, de tudo o que está contido nos registros que eu tenho escrito" (Charles, p. 80).



8Uma visão então me apareceu.

9Eis que naquela visão, nuvens e névoa convidaram-me; estrelas agitadas e brilho de relâmpagos impeliram-me e pressionaram-me adiante, enquanto ventos na visão assistiram meu vôo, acelerando meu progresso.

10Eles elevaram-me no alto ao céu. Eu prossegui, até que cheguei próximo dum muro construido com pedras de cristal. Uma chama de fogo vibrante (20) rodeou-o, a qual começou a golpear-me com terror.

(20) Chama de fogo vibrante. Literalmente, "uma língua de fogo”.



11Nesta chama de fogo vibrante eu entrei;

12E aproximei-me de uma espaçosa habitação, também construída com pedras de cristal. Seus muros também, bem como o pavimento, eram formados com pedras de cristal, e de cristal também era o piso. Seu telhado tinha a aparência de estrelas agitadas e brilhos de relâmpagos; e entre eles haviam querubins de fogo num céu tempestuoso.(21) Uma chama queimava ao redor dos muros; e seu portal queimava com fogo. Quando eu entrei nesta habitação, ela era quente como fogo e frio como o gelo. Nenhum traço de encanto ou de vida havia lá.  O terror sobrepujou-me, e um tremor de medo apoderou-se de mim.

(21) Num céu tempestuoso. Literalmente, "e seu céu era água" (Charles, p. 81).



13Violentamente agitado e tremento, eu caí sobre minha face. Na visão eu olhei.

14E ví que lá havia outra habitação mais espaçosa que a primeira, cada entrada da qual estava aberta diante de mim, elevada no meio da chama vibrante.

15Tão grandemente superou em todos os pontos, em glória, em magnificência, em magnitude, que é impossível descrever-vos o esplendor ou a extensão dela.

16Seus pisos eram de fogo, acima haviam relâmpagos e estrelas agitadas, enquanto o telhado exibia um fogo ardente.

17Eu examinei-a atentamente e vi que ela continha um trono exaltado;

18A aparência do qual era semelhante à da geada, enquanto que sua circunferência assemelhava-se à órbita do sol brilhante; e havia a voz de um querubim.

19Debaixo desse poderoso trono saíam rios de fogo flamejante.

20Olhar para ele foi impossível.

21Alguém grande em glória assentava-se sobre ele,

22Cujo manto era mais brilhante que o sol, e mais branco que a neve.

23Nenhum anjo era capaz de penetrar para olhar a Sua face, o Glorioso e Efulgente; nem podia algum mortal vê-Lo. Um fogo flamejante rodeava-O.

24Também um fogo de grande extenção continuava a elevar-se diante dEle; de modo que nenhum daqueles que estavam ao redor dEle eram capazes de aproximar-se dEle, entre as miríades de miríades(22) que estavam diante dEle. Para Ele santa consulta era desnecessária. Contudo, o Santificado, que estava próximo dEle, não apartou-se dEle nem de noite nem de dia; nem eram eles tirados de diante dEle. Eu também estava tão adiantado, com um véu sobre minha face, e trêmulo. Então o Senhor com sua  própria boca chamou-me, dizendo: Aproxima-se aqui acima, Enoque, à minha santa palavra.

(22) Miríades de miríades. Dez mil vezes dez mil (Knibb, p. 99). (=10 milhões)



25E Ele ergueu-me, fazendo aproximar-me, mesmo até à entrada. Meus olhos estavam dirigidos para o chão.
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