O estar-junto na



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O ESTAR-JUNTO NA VIDA COTIDIANA NO PARQUE ALVORADA – JORGE BACKES: TÁTICAS E ASTÚCIAS.
Manoel do Carmo da Motta Filho (PPGE/Unioeste), Sônia Maria dos Santos Marques (Orientadora), e-mail: mrqs.sonia@gmail.com.
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Programa de Pós-Graduação em Educação/Francisco Beltrão, PR.
Área e subárea: Ciências Humanas. Educação.
Palavras-chave: Cotidiano, Estética do cotidiano, Educação.
Resumo
Na vida cotidiana podemos identificar o borbulhar das interações dos sujeitos nos espaços que frequentam. A forma com que atuam, assumem papéis e desenvolvem suas atividades é influenciada pelo contexto do qual fazem parte e no qual se compõem as práticas cotidianas. Foi a partir dessa percepção que constituímos a investigação. Com o intuito de dar suporte à investigação elaboramos as seguintes questões de pesquisa: quais as invenções cotidianas dos sujeitos com e nos espaços do Parque? Qual o princípio educativo das táticas, astúcias, invenções cotidianas e interações no cotidiano dos sujeitos? A pesquisa teve como objetivo: conhecer as práticas de utilização do Parque no cotidiano dos sujeitos. Apoiados em pressupostos etnográficos, realizamos as incursões em campo, pautadas na observação e anotações em um Caderno de Notas e um Diário de Campo, com registro fotográfico, juntamente com a busca por documentos que nos auxiliassem na compreensão do lócus da pesquisa. Na análise do material estabelecemos esforço para coligar as práticas e vivências cotidianas com o trabalho realizado pelo pintor Georges Seurat a respeito dos hábitos de utilização dos frequentadores da ilha da Grande Jatte do século XIX em Paris, juntamente com autores que oferecem aporte teórico-metodológico da investigação, tais como, Michel de Certeau (1994); Michel Maffesoli (1998; 2001; 2004; 2005; 2007; 2009; 2010); Marc Augé (2012) e Georges Balandier (1999). Dessa forma, na pesquisa, apresentamos as características das práticas de utilização dos sujeitos que reinventam os espaços e os transformam em lugares qualificados e significativos.


Introdução
O presente trabalho teve como objetivo conhecer as práticas de utilização no cotidiano dos sujeitos no Parque Alvorada – Jorge Backes no município de Francisco Beltrão, com atenção aos elementos que caracterizam um processo educativo menor (GALLO, 2002), nas interações estabelecidas pelos sujeitos naquele lugar.

Como parte de nossa intenção, estabelecemos diálogo com o trabalho realizado pelo pintor impressionista do século XIX, Georges Seurat, uma vez que, entre suas produções artísticas está a obra “Tarde de Domingo na Ilha da Grande Jatte – 1884/1886”, a qual se apresenta como resultado do estudo realizado pelo pintor sobre os hábitos burgueses dos parisienses no século XIX. Dessa forma, ocupamo-nos nessa pesquisa em descrever as éticas e estéticas das invenções cotidianas, das maneiras de fazer (CERTEAU, 1994), assim como do estar-junto dos sujeitos num diálogo com as práticas percebidas na obra e no processo de construção, realizado por Seurat.

Diante desse objetivo nosso problema de pesquisa expressa-se por meio de questionamentos referente à quais as práticas de utilização no Parque Alvorada – Jorge Backes presente no cotidiano dos sujeitos? Quais as invenções cotidianas dos sujeitos, suas maneiras de fazer com e nos espaços do Parque? Qual a ética da estética presente nas maneiras de fazer dos sujeitos em relação às normas de utilização do Parque, bem como as formas que caracterizam um elo com o Outro e o lugar? Qual o princípio educativo das táticas, astúcias, invenções da vida diária e interações no cotidiano dos sujeitos?

A coleta de dados realizou-se a partir de incursões a campos organizadas com base em pressupostos etnográficos. Buscamos perceber as especificidades, os detalhes presentes na maneira de fazer dos sujeitos, em suas práticas que constituem a efervescência cotidiana presente naquele local, por meio de registros fotográficos, anotações em Diário de Campo, documentos municipais oficiais e imagens referentes a atividades desenvolvidas no Parque.




Materiais e Métodos
Para iniciarmos o processo de coleta de dados, bem como o primeiro contato com o campo de pesquisa, elaboramos um esquema metodológico piloto com base nos pressupostos etnográficos que nos oferecessem informações a fim de que pudéssemos avaliar a proposta de encaminhamento da coleta de dados. Após a verificação das informações oferecidas pelo esquema piloto procuramos dividir as observações em duas etapas. A primeira consistiu em observar os elementos fronteiriços com os quais o Parque faz divisa, atento às suas características, formas e inserção nas atividades dos sujeitos. Nessa mesma etapa também mapeamos os roteiros internos e os pontos de ligação entre as áreas, a fim de conhecer a estrutura do Parque, os objetos presentes em seus espaços, os aparelhos e o ambiente oferecidos à população.

Na segunda etapa do esquema metodológico, foi prevista a observação das práticas de esporte e lazer, entre outros. A atenção voltou-se para a forma como os frequentadores desenvolvem suas práticas, quem as desenvolve, com as suas características, tanto nas ações quanto entre os sujeitos que desenvolvem tais ações. Buscamos, então, selecionar os trajetos, ambientes e espaços, tanto aqueles utilizados quanto os não explorados pelos sujeitos.

Dessa forma, as observações tiveram maior objetividade e na medida em que caminhávamos podíamos perceber “espaços, cheiros, barulhos, pessoas, objetos e naturezas que o caminhante experiencia em sua itinerância” (ROCHA; ECKERT, 2003, p. 1), por meio de um modo de se movimentar não tão rápido quanto o frequentador que pratica seus exercícios, nem tão distraído e aleatório quanto aquele que passeia descontraído, por entre os sujeitos. Buscávamos manter uma constante com momentos de pausa para apreender o contexto e perceber os eventos que delineavam nosso trajeto.

Para a realização da pesquisa procuramos documentos e registros sobre a proposição da denominação do Parque, planta referente ao seu planejamento arquitetônico, bem como material iconográfico sobre eventos realizados no Parque. No campo de pesquisa, nos valemos do registro no Caderno de Notas que posteriormente, era convertido em Diário de Campo, uma vez que, durante as observações sentimos a necessidade de um instrumento que nos oferecesse rapidez nas anotações, bem como maior agilidade a fim de não depreendermos demasiada atenção ao registro em detrimento à observação das expressões que aconteciam no Parque.

Nesse interim, nos inserimos no cotidiano dos sujeitos, vivendo as experiências, o compartilhar das situações, com a postura de registrar o que víamos, o que nos acontecia e o que ouvíamos, uma vez que, de acordo com Rocha e Eckert (2008, p. 4), “observar na pesquisa de campo implica na interação com o Outro evocando uma habilidade para participar das tramas da vida cotidiana, estando com o Outro no fluxo dos acontecimentos”.

Resultados e Discussão
Verificamos a característica fragmentada, movente e efêmera de nossos tempos labirínticos (BALANDIER, 1999), junto à impossibilidade de captar sob um olhar pautado na razão, fora da sensibilidade. Esses elementos contribuem para que não seja possível compreendermos um contexto em sua totalidade, diante da quantidade de informações e deslocamentos que proporcionam a sensação de obscuridade (BALANDIER, 1999). Frente a essas características, foi necessário realizarmos escolhas a fim de responder às questões iniciais.

A aproximação com o trabalho de Seurat (figura 1) permitiu atentar para especificidades da complexidade cotidiana, tanto por meio de características semelhantes, embora em contextos e tempos diferentes, quanto, justamente elementos que evidenciam o seu retorno, o tempo cíclico, ou práticas que convergem (MAFFESOLI, 2010).


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