O cotidiano Inspirado nos Princípios da Arte



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Encontro06.09.2018
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“Eu escolhi esse espaço primeiro!”

“O corpo dela cortou o meu”

“Gente, vocês não estão vendo? A gente está ficando juntinho!”

“É a gente deitado um em cima do outro”

“Eu não estou gostando de me ver partida”

“A gente tem muitas linhas!”

“Tá muito maneiro todo mundo ai no papel”

“Se a sua linha está bem perto de mim, eu estou em você e você em mim.”

As opiniões eram diversas. Eu ponderei sobre a importância do trabalho e fui pontuando o quanto o que estava acontecendo no papel, acontecia no pátio, na sala e em outros espaços da escola que acessamos juntos. Acrescentei o quanto todos nós somos todo e parte. O quanto cada um que faz parte da turma é o todo e a parte do grupo. Aproveitei para lançar na roda o conceito transformação. Sim! As inúmeras silhuetas sobrepostas revelavam uma grande transformação que estava acontecendo não só no papel, mas também na aprendizagem das crianças que, de acordo com Brougère ( 2008, p. 48), “é ativa no sentido em que não se submete às imagens, mas aprende a manipulá-la, transformá-la”. Nesse sentido, seguimos documentando o processo, ouvindo as crianças, que a cada relato demonstravam maior compreensão sobre a legitimidade proposta. Nas palavras de Rodrigues (p.51), “toda ação criativa exige legitimidade para se constituir como tal, a atuação da arte nesses espaços de faltas, pode significar uma grande contribuição para a reconstrução de identidades comprometidas durante seus processos”.

“Verdade! Quando começamos a fazer era um, um, um, um, depois foi ficando um monte, um monte e um montão!”

“Todo mundo se misturou”

“A turma está toda despedaçada!”

“Todo mundo misturado é legal”

“Eu prefiro ver um de cada vez.”

“Eu consigo achar um por um, mas, as vezes eu me perco!”

“Viramos pedacinho e pedação, porque o trabalho é bem grande!”

Esse processo de criação vivido com as crianças nos remete aos conceitos de transformação e sobreposição. Ao mesmo tempo em que trabalhamos esses conceitos, busquei valorizar os encontros, o contato, o estar junto, ser parte, fazer parte, tomar parte, o individual e o coletivo, noções sempre muito presentes no cotidiano da Educação Infantil.

A compreensão da criação como ato de transformação fundamentou o trabalho proposto. Aproveitamos as formas, os traços, para ampliar ainda mais o olhar e enriquecer a produção com círculos, linhas retas e curvas, pontos, bolas. O preenchimento dos espaços e conexões dos corpos foi sendo feita de forma gradativa. As crianças trocavam de lugar, se posicionavam de uma forma aconchegante. Um dado momento, ouvimos de uma criança que adorava fazer muitas brincadeiras e trocadilhos, o seguinte comentário: -“Ei cuidado comigo! Seu joelho está em cima da minha cabeça!” “Eu fiquei um tempão com a barriga na sua cabeça, você ficou sem ar?” Todos rimos juntos e continuamos a colorir.



Após o processo de coloração, observamos o trabalho de diferentes lugares. Convidei as crianças para se posicionarem de diferentes formas para contemplar o trabalho, provocando os olhares com pontos de vista distintos. Dessa forma, puderam perceber as diferentes intervenções do grupo. Satisfeitos com o resultado, escolhemos um local da escola para expor. Como afirma Rodrigues (p.50), “a partir de um intenso e constante intercâmbio entre as identidades individuais e social, se da a constituição do todo”.




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