O cotidiano Inspirado nos Princípios da Arte



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O corpo, o Todo e a Parte

Essa proposta de trabalho foi pensada para atender ao grupo de um modo geral. A turma apresentava relatos constantes de agressividade, de pouco cuidado com o corpo do outro. Essa observação, muito comum na Educação Infantil, principalmente quando um grupo está se constituindo, que motivou a experiência. A percepção do outro como um sujeito que influencia na constituição de todos precisava ser vivida, pois como diz Rodrigues (p.48), “um indivíduo só se constitui como pessoa quando é capaz de se reconhecer e de ver reconhecido pelo outro”.

Iniciamos o trabalho com uma proposta de expressão corporal em que os alunos foram desafiados a observar diferenças em seu corpo, partindo da tranquilidade para a agitação e vice e versa. Ampliar o olhar para si mesmo e para o grupo é sempre uma oportunidade de entrar em contato como a própria identidade. Nesse sentido, o pensamento de Rodrigues (p.49), como relação a identidade social, expressão que ele cita em seus textos, no ajuda a elucidar um pouco mais a intencionalidade dessa proposta.

O autor compreende identidade social como “um conjunto de características que quando expostas por um indivíduo, provoca aceitação ou transformação dentro do grupo social”. Com esse objetivo, trabalhamos com balões de aniversário, sensibilizando o grupo para uma única tarefa, mas que dependia do esforço e cooperação de todos, fortalecendo a ideia de que a ação de cada um influencia no todo. Como afirma Rodrigues (p.50), “a atuação de um individuo no social é sempre compatível com o ele pode construir em termos de identificação individual”. E por isso só depois é que todos foram sensibilizados, passamos para a proposta seguinte que resultou em um produto final.



Nesse segundo momento, separamos os materiais, papel, canetinhas coloridas e giz de cera. Esticamos juntos o rolo de papel no chão e, diante desse procedimento, as crianças já se mostravam muito curiosas e desejosas em participar. O passo a passo, o desenrolar da proposta, já se revelava inspirador.

Iniciamos delineando a silhueta de cada um no papel. Até o quarto corpo foi tranquilo, cada um escolhia, curiosamente ou cuidadosamente, um pedaço do papel em branco. Mas, logo isso se tornou impossível, gerou incomodo e foi necessário sentir o grupo. Ouvir suas inquietações. Dialogar sobre o processo.



Vendo as linhas de seus corpos se cruzando, se entrelaçando, algumas ficaram visivelmente incomodadas, outras nem tanto, como podemos perceber em seus depoimentos transcritos.

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