O cotidiano Inspirado nos Princípios da Arte



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Dessa forma, as crianças brincam e resgatam as formas de representação simbólica do corpo, representam as letras e formam as palavras com seus nomes. Vygotsky (2009) explica que, toda criação, ainda que individual, sofre influencia de outras criações, e esclarece ainda que as mesmas estão diretamente ligadas às experiências prévias dos sujeitos. O ato criador tem como base a “repetição mais ou menos precisa daquilo que existia” (VYGOTSKY, 2009, P.12).



Na foto abaixo, Carolina explora a caixa onde guardamos alguns materiais para criar a base da sua construção. Ela seleciona pedaços diferentes de madeira que apresentam tramas diversas. Essa diversidade de materiais é rica em possibilidades de trabalho. Com o uso dos materiais não estruturados, as crianças ampliavam sua “capacidade de construir novas conexões entre pensamentos e objetos, promovendo inovações e mudanças, pegando objetos conhecidos e criando novas conexões” (GANDINI, 2012, p. 192).


Na sequência abaixo, observamos Flávia, Vinícius, Marcela e Francisco construindo uma trama com base e entrelaces em madeira. Eles resolveram juntos cada detalhe da construção. Acrescentaram, ao final, alguns copinhos de iogurte. E com o consentimento do grupo, Flávia tenta finalizar a produção com amarras de barbante. Eles compartilham os materiais e juntos transformam e resignificam esses materiais. Esse procedimento demanda das crianças disponibilidade, entendimento de uma linguagem que se constrói por meio da brincadeira e da atividade lúdica. Em outro momento, o mesmo material produzido poderá ganhar outros sentidos e significados.



O material não estruturado tem essa capacidade de não eternizar, enrijecer ou modelar as funções e significados atribuídos tanto aos objetos, quanto as produções. O sentido atribuído hoje pode ser modificado em uma próxima exploração. O material criador, assim como o brinquedo, ganha novos significados. Nesse sentido, o brinquedo ou o material criador não condicionam a ação da criança: ele lhe oferece um suporte determinado, mas que ganhará novos significados através da brincadeira e do ato criador (BROUGÈRE, 2008).

Victor Hugo descobriu as possibilidades de movimento ao juntar e empurrar levemente os cabos de vassoura de um lado para o outro, passou um bom tempo nessa experiência. Enquanto manuseia o material ele muda sua expressão facial, canta, trava diálogos, muda o ritmo/velocidade que movimenta as madeiras e nessa vivencia ele também se atenta ao som que produz. Enquanto criar por meio dos materiais seus objetos para brincar, ele dimensiona e fortalece seu pensamento. Como afirma Vygotsky (2009, p. 20), “a imaginação não é só um divertimento ocioso da mente, uma atividade suspensa no ar, mas uma função vital e necessária”.



Construção coletiva: Uma mandala, símbolo da nossa escola.



A foto acima registra um trabalho produzido pelo grupo, a partir de uma proposição minha. Depois de garantir tempo para as experiências individuais e em pequenos grupos, meu desejo era reunir as crianças em uma proposta que fizesse sentido para toda turma. Para isso, resgatei a imagem de uma mandala que compõe nosso uniforme. Convite aceito, com mãos, pensamentos e muita criatividade em atividade, todos produziram esse trabalho após momentos de muitos diálogos, embates, do exercício de se colocar no lugar do outro, de pensar junto, ceder e expor ideias.

A oportunidade de construir coletivamente, sobretudo de aprender no coletivo, por meio dos materiais não estruturados, me faz acreditar ainda mais na seguinte afirmativa:

“O material é estático. É claro que ele pode sugerir e inspirar ideias, mas seria mais apropriado que falássemos das características ou propriedades do material considerado em si e, como sugere George Forman (1994, p. 41-43), analisar as potencialidades dos diferentes materiais. É por meio das interações entre a crianças e o material que pode surgir um alfabeto. Quando as crianças usam papel, argila, cordão e coisas do gênero, diferentes alfabetos surgem a partir de diferentes materiais. Quando as crianças usam suas mentes e mãos para agir sobre um material usando gestos e instrumentos e começam a adquirir habilidades, experiências, estratégias e regras surgem estruturas dentro da criança, que podem ser consideradas como uma forma de alfabeto ou gramática. Esse alfabeto ou gramática, do uso de materiais deve ser descoberto pelas crianças em parceria com os adultos.” (Gandini, 2012, p.28)



Nesse sentido, me sinto cada vez mais responsável e cada vez mais inspirada em dar continuidade ao trabalho que venho me propondo viver junto com as crianças.


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