O caso da vara



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Encontro16.10.2017
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13ª Mostra da Produção Universitária

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Rio Grande/RS, Brasil, 14 a 17 de outubro de 2014.


UMA RELEITURA DE MACHADO DE ASSIS: “O CASO DA VARA” E “A PESTE DA JANICE”
ROCKE, Sandriele.

POVÓAS, Mauro Nicola (orientador)

Sandriele_rocke@hotmail.com
Evento: Congresso de Iniciação Cientifica

Área do conhecimento: Letras - Literatura
Palavras-chave: Conto contemporâneo; Machado de Assis; Luís Augusto Fischer.
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo analisar o conto “O caso da vara”, de Machado de Assis e “A peste da Janice”, de Luís Augusto Fischer, apontando as semelhanças e diferenças entre eles.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
O conto contemporâneo “A peste da Janice”, de Luís Augusto Fischer traz a mesma temática do conto “O caso da vara”, de Machado de Assis, porém modificando, especialmente, o tempo, visto que o conto de Machado de Assis foi escrito no final do século XIX, em um contexto social completamente diferente.

Segundo Edgar Allan Poe (em Kiefer, A poética do conto), a originalidade de um conto acontece quando o autor consegue fazer surgir as semiformadas, as relutantes ou as inexpressas fantasias da humanidade, ou ao exercitar os mais delicados impulsos das paixões dos corações; ou ao fazer nascer alguns sentimentos universais ou instintos embrionários. O tema do conto de Machado de Assis vai ao encontro do que é definido por Poe como original, trata-se do egoísmo do personagem principal. Luís Augusto Fischer preserva o mesmo tema, porém, deixa o final em aberto, o que instiga mais o leitor.

Ricardo Piglia, em Teses sobre o conto, defende que o conto deve manter uma tensão rumo ao final secreto. Tal fato acontece nos dois contos, sendo que no conto “A peste da Janice”, o narrador não explicita a atitude da personagem principal, deixando aberto ao leitor. Machado de Assis, por sua vez, faz um conto aparentemente simples, que tem sua chave no psicológico, afinal, o fim torna-se surpreendente pelo narrador que entrega os pensamentos/intenções do personagem principal ao longo do texto, os quais não condizem com a sua atitude. Pelo psicológico dos dois contos ser a elemento para o clímax, torna-se muito difícil resumi-los, o que também enquadra-se com um dos fundamentos do conto de Edgar Allan Poe, que defende que tudo que está no texto deve ser importante e direcionar para o efeito.

3 MATERIAIS E MÉTODOS (ou PROCEDIMENTO METODOLÓGICO)
Para a análise dos contos leva-se em consideração que o autor Luís Augusto Fischer pretende fazer uma “reescrita” do conto de Machado de Assis. Ele utiliza-se de outros personagens e outro tempo para demonstrar a mesma temática: o interesse pessoal. A análise aborda quais elementos Fischer e Machado utilizam-se para colaborar com o mesmo tema, ao mesmo tempo que fazem críticas sociais a época que observam, Machado de Assis o final do século XIX e Luís Augusto Fischer, a atualidade.
4 RESULTADOS e DISCUSSÃO
Machado de Assis e Luís Augusto Fischer pretendem falar sobre o interesse próprio sobre o interesse do semelhante, respectivamente nos contos “O caso da vara” e “A peste da Janice”. Machado de Assis coloca em questão a escravidão e aqueles que lucravam com ela, ainda que houvesse pessoas contra tal situação. Luís Augusto Fischer percebe o interesse social da atualidade, demonstrado que a posição social é uma forma de discriminação social. Se, na época de Machado de Assis o desprivilegiado era o negro, hoje, o as pessoas de pouco poder aquisitivo tomam tal papel, sofrendo agressões morais daqueles que possuem mais.
A discriminação social, nos dois contos, coloca os protagonistas em posição de escolha entre agir em benefício pessoal ou agir em defesa ao menos privilegiado. Dessa forma, os dois autores pretender discutir sobre o complexo psicológico humano ao mesmo tempo que tratam de problemas sociais de suas épocas.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Percebe-se que Fischer traz para a atualidade o tema que Machado de Assis aborda segundo os problemas da sua época. Se Machado de Assis utiliza-se da escravidão para demonstrar que o interesse pessoal tinha posição acima da vontade de ajudar os negros, Luís Augusto Fischer trata do capitalismo, da posição social privilegiada como forma de descriminação e interesse.

Os dois contos, nas suas duas formas diferentes possibilitam ao leitor repensar suas atitudes. O conto de Luís Augusto Fischer possibilita ao leitor observar aspectos sociais atuais e temas tão comentados como o bullying, à medida que o conto de Machado de Assis possibilita ao leitor voltar no tempo e refletir sobre a escravidão - abolida do país há pouco mais de cem anos - e suas implicações.


REFERÊNCIAS
ASSIS, Machado. O caso da vara. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=1927. Acesso 10/7/2014.
FISCHER, Luís Antônio. Escuro, claro: contos reunidos. São Paulo: L&PM, 2009.
KIEFER, Charles. A poética do conto - De Poe a Borges: um passeio pelo gênero. São Paulo: Leya, 2011.
PIGLIA, Ricardo. Teses sobre o conto. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.




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