O caminho Mais Longo



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Encontro21.08.2018
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O Caminho Mais Longo

Autoria de Scott MacGregor


Sou apaixonado por história. Não sei por que, mas a história me fascina desde que me entendo. De modo que tenha a tendência de querer saber a razão por que as coisas na Bíblia aconteceram de uma certa maneira. Por exemplo, queria saber por que os israelitas seguiram na direção oposta quando deixaram o Egito no Êxodo há milhares de anos.

Vou contar um pouco da história. Segundo o livro de Gênesis, os primeiros israelitas—Israel (mais conhecido como Jacó) e seus filhos e criados—saíram da terra que hoje chamamos de Israel e foram ao Egito para escapar da devastação da fome.

Eles tinham sido convidados a irem ao Egito. Dada uma longa série de eventos, José, um dos filhos de Israel, havia se tornado o primeiro-ministro do Egito, subordinado apenas ao Faraó. E organizou tudo de modo que seu pai e irmãos tiveram permissão de se estabelecerem no que provavelmente era a melhor terra em todo o Egito, a fértil terra de Goshen. Tudo correu às mil maravilhas por uns 400 anos. Na época em que deixaram Goshen para voltarem para Israel (que chamavam de Terra Prometida), o grupo de Israel e seus filhos já tinham aumentado cem vezes, como conta a história: “Havia cerca de seiscentos mil homens a pé, além de mulheres e crianças.”1

Mas se conhece a história, também sabe que as coisas só andaram bem por um tempinho, até o Faraó perder as eleições. Bem, não, eles não tinham eleições naquela época. Tinham uma maneira muito mais simples de mudar o governo, chamada guerra. Não sabemos ao certo todos os detalhes, mas, aparentemente, a dinastia que gostava de José e seus descendentes foi cortada e um novo partido tomou o poder. Eles decidiram que os israelitas eram uma ameaça à sua terra, então os escravizaram, não só para eliminar a ameaça, como para terem mão de obra barata.

Uns 300 anos depois dessa “aventura egípcia”, como alguns gostam de chamar, nasceu um israelita chamado Moisés. Ele era uma criança muito sortuda porque o novo regime havia decretado que bebês do sexo masculino deviam ser jogados no rio Nilo, mas a mãe dele o colocou em um cesto e o deixou flutuando pelo rio para não se afogar. Uma princesa egípcia encontrou o cesto, ficou doida pelo menininho ali dentro, e o criou como se fosse seu filho.

Ele cresceu para ser uma peça importante na realeza egípcia, até o dia em que, aparentemente, viu um feitor de escravos malvado dando uma surra em um israelita. Em um ataque de fúria ele foi e matou o egípcio. Matar um feitor de escravos, mesmo ele sendo cruel, não caía bem entre os egípcios. Por causa disso, Moisés teve que dar no pé e sair da cidade. Foi parar em um lugar chamado Midiã, do outro lado do mar, onde começou uma nova carreira como pastor. Estabeleceu-se ali, casou-se e teve filhos. Imagino que a essa altura ele pensava que ficaria ali até o fim da vida. Mas Deus não aposenta ninguém—pelo menos não enquanto ainda há trabalho a ser feito. Quando Moisés tinha 80 anos, Deus lhe disse para voltar ao Egito, libertar os israelitas e levá-los à Terra Prometida.

Moisés é digno de admiração. Voltar para o Egito seria um grande passo, além de que ele provavelmente ainda devia ser um homem procurado, e já com 80 anos, pelo amor de Deus! Mas ele foi. E Deus enviou um monte de pragas e outras coisas horríveis para obrigar Faraó a deixar os israelitas partirem, o Egito os deixar partir e eles irem para casa! Ora, assim pensaram. Essa é a história faltando um monte de detalhes, visto que não há tempo suficiente para contar a coisa toda.

Foi nesse ponto que comecei este podcast. Os israelitas estavam vivendo em Goshen, que fica ao norte do Egito na região conhecida como o delta Nilo. Se olhar em um mapa vai ver que os israelitas teriam feito uma jornada bastante curta ao longo da costa do Mediterrâneo para chegarem à sua velha terrinha.

Mas não, parecia que Deus tinha outros planos. Lemos que Ele os guiava através de uma nuvem durante o dia e uma coluna de fogo à noite. E em vez de uma jornada de dez dias pela costa, Deus os levou para o outro lado.

Isso é algo que até recentemente eu não tinha percebido. Sabemos que eles cruzaram o Mar Vermelho, certo? Olha, se eles iam mesmo cruzar o Mar Vermelho, como o conhecemos agora, teriam que ir em direção ao sul—bem no meio do Egito.

Acho que a maioria de nós pensa, “Ora, é claro que eles tinham que cruzar o Mar Vermelho, porque faz a divisa entre o Egito e Israel.” Olha, não é o caso. Tem uma boa parte que é apenas terra. Eles poderiam ter evitado o Mar Vermelho. Na verdade, os documentos originais hebraicos que chamamos de Torá, não chamam ao mar que eles cruzaram de Mar Vermelho. Chamam de Yam Suph. Na tradução desses documentos para o grego, os tradutores calcularam que tinha de ser o mar Vermelho. Provavelmente era o Mar Vermelho, mas talvez não a parte do Mar Vermelho que geralmente imaginamos.

Eles não cruzaram o Yam Suph, mas sim a terra de Midiã, onde Moisés havia vivido por 40 anos. Essa é a minha teoria, e estou bem empolgado por descobrir que outros também pensam assim, que não se tratava da Península do Sinai, como sempre imaginei. A terra de Midiã ficava na região que hoje equivale ao noroeste da Arábia Saudita.

Volte àquele mapa de novo e verá que parece que os israelitas teriam passado pelo Sinai e cruzado o que agora chamamos de Golfo de Aqaba. O Golfo de Suez e o Golfo de Aqaba ficam no extremo norte do Mar Vermelho e parecem uma saudação de dois dedos na ponta de um braço. O Golfo de Aqaba é aquele ao leste.

Em Êxodo encontramos alguns nomes de lugares que talvez possam indicar que esta teoria não esteja correta, mas é bom lembrar que são o que chamamos de anacronismos, nomes que centenas ou milhares de anos depois foram aplicados a lugares na antiguidade. Por exemplo, Êxodo declara que eles não passaram pela terra dos filisteus,2 mas os filisteus só viveram naquela área centenas de anos depois. Esses anacronismos eram um meio de dar nome a lugares usando palavras com as quais o leitor estaria familiarizado.

Mas isso não é realmente o assunto sobre o qual estou escrevendo. A questão é esta: Por que passar pelo leste, uma região desolada? O que Deus estava querendo fazer? Ele poderia lhes ter dado a rota direta para a Terra Prometida, então por que fazer esse “passeio turístico” por quilômetros e mais quilômetros no deserto?

Para ser bem sincero, a Bíblia nos explica o motivo em Êxodo 13:17–18: “Quando o faraó deixou sair o povo, Deus não o guiou pela rota da terra dos filisteus, embora este fosse o caminho mais curto, pois disse: ‘Se eles se defrontarem com a guerra, talvez se arrependam e voltem para o Egito’. Assim, o Senhor fez o povo dar a volta pelo deserto, seguindo o caminho que leva ao mar Vermelho.3

Mas quando vemos tudo o que aconteceu aos israelitas na jornada do Êxodo, acho que há muito mais, e é uma lição prática para todos nós. Às vezes parecemos estar seguindo pelo caminho mais longo na vida. Queremos alcançar nossas metas, mas acho que Deus está mais interessado na nossa jornada. Muitos de nós nos perguntamos por que demora tanto conseguirmos as coisas. Gostaríamos de simplesmente correr com tudo para chegar lá. Somos como crianças que saem em um passeio de carro e não param de perguntar, “Já estamos chegando?

Deus gosta da jornada porque tem muito a nos ensinar com ela. Na verdade, provavelmente essas lições são muito melhores para nós do que apenas chegarmos ao destino. É como frequentar a escola. Não aprendemos nada na formatura, mas sim ao longo dos anos durante o curso.

Os filhos de Israel obviamente tinham muito mais a aprender do que aprenderam no início de sua jornada pelo Sinai e ao cruzarem o mar. Até isso não foi suficiente, porque ainda tiveram que perambular por 40 anos no deserto até estarem prontos para se formarem e clamarem a terra.

Eu muitas vezes na vida senti que estava seguindo pelo caminho mais longo e demorado. Por vezes fique até cansado disso e gostaria de já chegar lá. Mas agora vejo que o caminho mais comprido que Deus escolheu foi o melhor para mim.



Ainda tenho muito chão pela frente na minha jornada, mas também tenho um novo lema: “Desfrute da jornada!” Você deveria fazer o mesmo, pois parece que é assim que Deus faz as coisas.
Notas de rodapé

1Êxodo 12:37 NVI

2Êxodo 13:17 NVI

3Nova Versão Internacional

Tradução Denise Oliveira. Revisão Hebe Rondon Flandoli.

Copyright © 2013 A Família Internacional
Tags: estudo Bíblico, plano de Deus, paciência, confiar em Deus




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