O brasil sob o reinado de D. Pedro I (1822/1831) As Guerras de independência



Baixar 221,06 Kb.
Página1/3
Encontro07.11.2018
Tamanho221,06 Kb.
  1   2   3


O Brasil sob o reinado de D. Pedro I (1822/1831)


  1. As Guerras de independência

Raramente ouvimos falar das lutas por nossa independência. Parece que tudo ocorreu de forma pacífica, e o pior, sem a participação do povo. É verdade, que o Partido Brasileiro foi muito hábil em conduzir nossa independência, sem a participação popular nas principais decisões. É verdade, que mesmo ficando independente de Portugal, nosso governante seria o filho do rei dessa mesma nação. E é verdade também, que as lutas por nossa independência não foram tão violentas e longas como aconteceram com os nossos vizinhos latino-americanos, mas não podemos deixar de lado, a participação da população brasileira, mesmo que, essa independência não tenha significado liberdade e igualdade sociais para a maioria do povo brasileiro.

Desde a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, o clima nas forças militares era de competição. No Exército, enquanto os portugueses ocupavam os postos mais altos, os brasileiros ficavam com os mais baixos. Acusações ocorriam dos dois lados: os brasileiros acusavam os portugueses de autoritários e arrogantes e os mesmos acusavam os brasileiros de despreparados. Na Marinha a situação era pior, pois praticamente todos os postos eram ocupados por portugueses.

Quando a Revolução do Porto aconteceu e mostrou seus reais interesses em relação ao Brasil e D. João teve que voltar a Portugal, a insubordinação explodiu, com os brasileiros não aceitando as ordens dos oficiais portugueses, e esses recusando a aceitar as ordens do príncipe-regente D. Pedro. Após o Dia do Fico, em 19 de janeiro de 1822, iniciou-se a formação de um Exército brasileiro, mas a desconfiança na qualificação militar e na sua lealdade provocaram a contratação de mercenários para ajudar nas lutas de terra e mar. Rapidamente chegaram os oficiais estrangeiros com seus comandados. Entre eles, os ingleses Cochrane, John Taylor e John Grenfell; o francês Pedro Labatut e o português Carlos Lecor. Após o 7 de setembro, as lutas pela independência ocorreram onde a presença lusitana era maior: Bahia, Grão-Pará, Maranhão e Cisplatina.


Cochrane. Quadro de Oscar Pereira da Silva. Museu Paulista


Com a Revolução do Porto, a população da Bahia dividiu-se, e os conflitos entre brasileiros (contra a recolonização) e portugueses (à favor da recolonização) aumentaram. Quando as Cortes portuguesas nomearam o general português, Madeira de Melo, para governar a província os conflitos armados tiveram início. A partir de 14 de fevereiro de 1822, "A cidade vira um grande campo de batalha. Brasileiros e portugueses buscam controlar seus pontos estratégicos, usando de extrema violência. Na perseguição a um grupo de brasileiros, soldados portugueses invadem o convento da Lapa, assassinando a abadessa Joana Angélica, que heroicamente o defendia.". Após cinco dias de combate, os portugueses anunciaram o controle de Salvador, enquantos os brasileiros comandados por Manuel Pedro se refugiaram na região do Recôncavo Baiano.

Organizaram-se os batalhões patrióticos, formados por combatentes da capital e do interior da Bahia. Destacou-se então, a baiana Maria Quitéria, moradora de Feira de Santana.



Maria Quitéria

Em 22 de setembro de 1822, teve início a reviravolta. Na Câmara Municipal de Cachoeira foi proclamada a independência, instalando-se um governo paralelo. Enviados por D. Pedro, os brasileiros foram auxiliados pelo general Labatut e o almirante Lord Cochrane cercando a cidade de Salvador, impossibilitando-a de receber alimentos e munições. Em abril de 1823, a situação de Salvador era dramática, faltavam alimentos e as doenças matavam os mais fracos. Em 2 de julho de 1823, o general Madeira de Melo entregou sua rendição. Os brasileiros haviam libertado a Bahia e garantiam a independência.




O primeiro passo para a independência da Bahia. Quadro de Antônio Parreiras.




Embarque de tropas na praia Grande. Quadro Jean Baptiste Debret. Biblioteca Municipal São Paulo.
A Revolução do Porto também provocou reações contraditórias na província do Grão-Pará. Inicialmente, portugueses e brasileiros se uniram com a decisão das Cortes de criar uma monarquia constitucional, porém, quando as Cortes decidiram recolonizar o Brasil, o padrão de reação se repetiu: brasileiros contra as decisões das Cortes, de um lado, e portugueses, à favor das Cortes, de outro. Em abril de 1823 chegou de Portugal, o brigadeiro José Maria de Moura para governar a província. Em 1º de março, os primeiros combates tiveram início, porém as tropas portuguesas reagiram com violência. Várias pessoas morreram e foram feridas e 267 foram presas.

Em agosto de 1823, D. Pedro I enviou para Belém, um navio comandado por Grenfell. Usando de astúcia anunciou que, uma grande esquadra estaria chegando à Belém e que, qualquer resistência por parte dos portugueses seria inútil. Com medo da ameaça, os portugueses não reagiram e a província de Grão-Pará se incorporou ao Império do Brasil, em 12 de outubro de 1823. Contudo a mentira não durou muito. Como a esquadra não chegava, os portugueses reiniciaram as perseguições aos simpatizantes da independência. A violência iniciada pelos portugueses foi revidada com mais violência pelos brasileiros. Grenfell resolveu agir para acabar com os confrontos e convocou a população para uma reunião, em frente ao palácio do governo. Com a população reunida, escolheu cinco soldados ao acaso, e mandou executá-los. Depois prendeu 256 militares no porão de um navio, onde morreram sem ar e sem água. Assim, Grenfell apaziguou a província.

A província do Maranhão era também uma região com forte presença de portugueses. Por isso, ao saber da independência, se colocou contrária a ela. Apesar disso, lentamente os brasileiros foram conquistando o apoio de várias cidades e povoados maranheses, e aos poucos, os portugueses foram ficando isolados. Contudo, a capital, São Luís, permanecia controlada pelos portugueses. Enviada pelo Rio de Janeiro, uma frota comandada por Lord Cochrane aproximou-se de São Luís fingindo ser um reforço português. Cochrane conseguiu desembarcar seus homens e aprisionou alguns chefes militares portugueses. Usando-os como reféns, conseguiu conquistar o controle da cidade. No final de agosto de 1823, o Maranhão se incorporava ao Império.

Ocupada desde 1816 pelas forças de D. João, a Banda Oriental foi rebatizada como Cisplatina. Após a independência, a disputa entre tropas brasileiras e portuguesas pela posse da região começaram. Comandadas pelo português Carlos Lecor, que resolveu apoiar D. Pedro, as tropas brasileiras tiveram que recuar para o Rio Grande do Sul, pois os portugueses, chefiados por D. Álavaro da Costa, conseguiram controlar Montevidéu, capital da província. Reunindo 1800 homens, Lecor contra-atacou. Cercando Montevidéu, as tropas portuguesas, formadas por 2000 homens resistiram bravamente. Contudo, a chegada de três navios, comandados por David Jewett, começaram a desequilibrar as ações. Em 18 de novembro de 1823, os brasileiros tomaram a cidade e mantiveram a Cisplatina unida ao Império.




  1. A Assembléia Constituinte

Ao contrário do que muitos pensam, ainda durante o nosso período colonial, o príncipe-regente, D. Pedro, convocou nossa primeira Assembléia Nacional Constituinte. Era o dia 3 de junho de 1822. Em 19 de junho do mesmo ano foram estabelecidas as regras para a escolha dos futuros constituintes. "Concedia-se o direito de voto a todo cidadão casado ou solteiro de mais de vinte anos, mas significativamente se excluíam os que recebessem salários ou soldadas. Destes, as únicas exceções eram os caixeiros de casas de comércio, os Criados da Casa Real mais graduados e os administradores das fazendas rurais e fábricas. Impedidos de votar ficavam os religiosos regulares (pertencentes às ordens religiosas), os estrangeiros não-naturalizados e os criminosos."

Dessa forma ficava evidente, que além dos escravos, a maioria da população brasileira ficava excluída da votação para a escolha da Assembléia Constituinte. Antes da instalação da Assembléia, a imprensa foi censurada e muitos integrantes dos Liberais Radicais foram presos, enquantos outros foram obrigados a emigrar, inclusive o seu principal líder, Gonçalves Ledo.

A abertura ocorreu em 3 de maio de 1823. Ainda sob a ameaça da recolonização devido a presença de tropas portuguesas na Bahia, Grão-Pará e Cisplatina, o projeto apresentava uma Constituição nativista, devido aos confrontos entre brasileiros e portugueses. Pelo projeto ficava proibido a ocupação de cargos de representacão nacional por estrangeiros. Essa proposta provocou o descontentamento do Partido Português, já que muitos protugueses se interessavam em participar da vida política nacional.

Os interesses dos latifundiários brasileiros também se fizeram sentir na questão dos direitos políticos. As eleições seriam em dois graus, onde indivíduos (eleitores de primeiro grau) com uma renda superior anual ao valor de 150 alqueires de farinha de mandioca, escolheriam os eleitores de segundo grau, que ganhassem uma renda mínima de 250 alqueires de farinha de mandioca. E estes votariam em candidatos para deputados e senadores que ganhassem, respectivamente, acima de 500 e de 1000 alqueires de farinha de mandioca. Esse projeto acabou recebendo o nome popular de "Constituição da Mandioca". Para completar, os eleitores e candidatos deveriam ser proprietários de terra ou de qualquer estabelecimento industrial. Podemos observar novamente, que a maioria da população branca estaria excluída de qualquer participação política, enquanto os negros, por sua condição de escravos, não eram nem contabilizados.

Além disso, o projeto previa a limitação dos poderes do imperador, com a Câmara dos Deputados sendo indissolúvel, com os projetos só podendo ser suspensos, e não vetados pelo imperador e onde as medidas em relação às forças armadas estariam sob o comando do Parlamento, e não do imperador. Apesar do projeto não ser nada popular, a Constituição que limitava os poderes do imperador e a participação de estrangeiros (leia-se portugueses) e que aumentava os poderes do Parlamento, provocou a ira de D. Pedro e do Partido Português. Não é muito difícil entender esse fato: D. Pedro criado para ser herdeiro do trono português, como rei absolutista, da mesma forma que não aceitou as decisões das Cortes portuguesas (Parlamento português) após a volta de seu pai a Portugal, não iria dividir os "seus" poderes aqui no Brasil.

A situação complicou-se quando alguns oficiais portugueses agrediram, por engano, um farmacêutico, David Pamplona Corte Real. Os constituintes fizeram discursos inflamados contra o imperador e os portugueses, e se declararam em sessão permanente. D. Pedro através de um decreto, determinou a dissolução da Constituinte e usou o Exército para conseguir seu objetivo, cercando o prédio onde a assembléia estava reunida. Durante toda a noite, os constituintes ficaram resistindo, mas na madrugada foram saindo do prédio, e aos poucos, sendo presos. Foi a chamada "Noite da Agonia".


  1. A Constituição outorgada

Após a dissolução da Assembléia Constituinte, D. Pedro criou uma comissão para a elaboração da Constituição. Chamada de Conselho de Estado, essa comissão teve quarenta dias para elaborar a carta magna. Era o divórcio entre o imperador e os latifundiários brasileiros e a união definitiva entre ele e o Partido Português.

A Constituição consagrou o domínio do imperador sobre os latifundiários, era a vitória do Poder Executivo sobre o Legislativo. Para garantir seu poder foi criado um quarto poder, o Poder Moderador. Justificado como um "poder neutro" para equilibrar os outros três (Legislativo, Executivo e Judiciário), na verdade era uma ferramenta de controle do imperador sobre os demais poderes. O Poder Moderador permitia ao monarca, o direito de dissolver a Câmara, de usar as forças armadas quando achasse conveniente, a decisão de escolher os senadores a partir de uma lista tríplice, a livre nomeação dos ministros, a sanção (aprovação) e veto (proibição) dos atos do Legislativo, a formação do Conselho de Estado e a nomeação de juízes.




Família pobre dentro de sua casa. Quadro de Jean-Baptiste Debret. Biblioteca Municipal de São Paulo.

O sistema eleitoral foi estabelecido em dois graus e de forma indireta. O eleitores de primeiro grau deveriam ter uma renda líquida anual de 100 mil réis de bens de raiz, ou seja, propriedades rurais ou indústria. Dessa forma a classe trabalhadora estava excluída mais uma vez. Esses eleitores deveriam escolher os eleitores de segundo grau, que, deveriam possuir a renda mínima de 200 mil réis. Os eleitores de segundo grau escolheriam os candidatos a deputados e senadores, sendo que esses deveriam ter uma renda líquida anual de 400 mil réis e 800 mil réis, respectivamente. A recepção da Constituição outorgada de 1824 foi a mais negativa possível. Mesmo sendo aceita em várias províncias, a carta acabou provocando mais uma revolta: a Confederação do Equador.




  1. O reconhecimento externo

A independência provocou, entre outras coisas, a necessidade de um reconhecimento formal por parte de outros países, já que, a aceitação oficial de nossa independência facilitaria, também, as transações comerciais internacionais. O primeiro país a reconhecer nossa independência foram os Estado Unidos, em 26 de junho de 1824. Contudo, esse reconhecimento pólitico não veio só, pois assinamos também um tratado comercial com essa nação. Era intenção dos Estados Unidos se fortalecer economicamente perante a Inglaterra, e para isso, o reconhecimento de nossa independência ocupava um papel importante.

Nossos vizinhos latino-americanos, apesar da proximidade geográfica, e do fato de serem nações recém-independentes, como nós, não reconheceram nossa independência, pois a permanência de uma monarquia nos trópicos despertava a insegurança entre eles. A exceção seria o México, que nos reconheceu como uma nação independente, em 1825.

O processo de reconhecimento de nossa independência só teve um desenvolvimento mais dinâmico, quando a Ingaterra resolveu entrar no assunto. Pelo fato de ser a principal potência do mundo e por sua relação intensa com Portugal, a Inglaterra se viu no papel de intermediária das negociações entre o Brasil e sua antiga metrópole. A Inglaterra através de seu departamento diplomático convenceu Portugal de que, a insistência em não reconhecer nossa independência e o desejo de tentar invadir nosso país, poderiam fortalecer as idéias republicanas, e com isso, eliminar de uma vez por todas, a presença da dinastia de Bragança no Brasil.

Portugal acabou aceitando a opinião da Inglaterra, mas com um detalhe: o Brasil teria que pagar pelo reconhecimento de sua independência. Em 29 de agosto de 1825, Portugal reconheceu o que já era um fato: o Brasil era uma nação independente. Contudo, o governo brasileiro se comprometia a pagar uma dívida portuguesa, de 2 milhões de libras com a Inglaterra. Como o Brasil não possuía esse dinheiro, a Inglaterra, muito "bondosa", se ofereceu para emprestar a quantia para um pagamento que iria para ela mesma.



Após o reconhecimento português, outras nações não demoraram para reconhecer nossa autonomia: Prússia, França, Santa Sé, Áustria, Rússia, Hamburgo, Bremen, Dinamarca, Países-Baixos e Bélgica. A Inglaterra que também havia reconhecido nossa indepedência em 1825, conseguiu mais vantagens. O Brasil renovou os Tratados de 1810 por mais 15 anos e prometeu acabar com o tráfico negreiro até 1830. O valor pago pela independência, a renovação dos Tratados de 1810 e a promessa de acabar com o tráfico provocaram ainda mais irritação entre os latifundíarios, que a cada dia abandonavam a idéia de um país governado por D. Pedro I.


  1. A crise econômico-financeira

O Brasil nasceu como colônia em 1500, e por mais de 300 anos produziu produtos para exportação. Primeiro o pau-brasil, depois, o açúcar e o ouro. Sempre dependente do mercado externo, com a nossa independência a situação não se modificaria. Antes de analisarmos o desenvolvimento econômico pós-indepêndência, observaremos de maneira rápida, a situação econômica brasileira durante o final do século XVIII e início do século XIX. O século XVIII foi o século da mineração no Brasil. Descoberto pelos bandeirantes em 1693, o ouro foi o grande produto brasileiro do século XVIII, mas o esgotamento do ouro de aluvião provocou a decadência da região das minas. Citado por Virgílio Noya Pinto, podemos observar o declínio da pordução aurífera, a partir da segunda metade do século XVIII na tabela abaixo:


Anos

Período

Produção em Kg

Média anual em Kg

1741-1760

20 anos

292 000

14 600

1761-1780

20 anos

207 000

10 350

1781-1800

20 anos

109 000

5 450

1801-1810

10 anos

37 500

3 750

1811-1820

10 anos

17 600

1 760

Moagem da cana no engenho. Quadro de Hércules Florence. Museu Paulista.

Com a decadência da mineração, a atividade açucareira voltou a florescer. A Revolução Francesa e as lutas em suas colônias, principalmente, no Haiti, provocaram a elevação do preço do produto e um crescimento de sua produção no Brasil. Um outro produto beneficiado no final do século XVIII foi o algodão. Com a luta dos americanos por sua independência, a partir de 1776, e durante as guerras napoleônicas, o algodão brasileiro conseguiu uma boa produção e venda nos mercados europeus. Luiz Amaral, citado por Virgílio N. Pinto, nos fornece elementos para visualização dessa situação em relação ao Maranhão. Com o fim da guerras napoleônicas e o retorno à paz, o produtos brasileiros sofreram com a concorrência. O açúcar sofreu a concorrência do açúcar cubano e do açúcar de beterraba, produzido na Europa. O algodão voltou a sofrer a concorrência do produto norte-americano. O couro sofreu a concorrência da região platina. O tabaco devido à pressão inglesa pelo fim do tráfico negreiro, também passou por uma retração. Além da decadência de nossas exportações, o governo brasileiro enfrentou um outro problema: os empréstimos externos. As dificuldades financeiras do Estado brasileiro foram resolvidas através de empréstimos da Inglaterra. A dificuldade em pagá-los provocou a contração de novos empréstimos, assim, a dívida externa brasileira aumentava consideravelmente.




  1. A Confederação do Equador


Bandeira da Confederação do Equador
O fechamento da Assembléia Constituinte em novembro de 1823, significou o divórcio do imperador com as elites agrárias do Brasil. A outorga da carta magna, em março de 1824, foi a gota d'água para explodir uma rebelião contra o poder centralizador de D. Pedro.

A Confederação do Equador provocada pelos fatos citados acima, teve a liderança de três personagens: Frei Caneca, Cipriano Barata e Paes de Andrade. Frei Joaquim do Amor Divino Caneca foi um carmelita educado no Seminário de Olinda. De origem pobre, vendia canecas nas ruas de Recife, daí seu nome. Participante da Revolução Pernambucana de 1817, foi um grande ativista da Confederação do Equador. Através de seu jornal, "Tífis Pernambucano", atacou os objetivos centralizadores de D. Pedro I e sua atitude autoritária de fechar a Assembléia Constituinte.



Cipriano Barata. Quadro de Domingos A. Sequeira. Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa.

O líder nominal da revolta foi o intendente-geral da Marinha, Manuel de Carvalho Paes de Andrade. Simpatizante das idéias republicanas e federalistas, foi o responsável pela proclamação da Confederação do Equador, em 2 de julho de 1824. Iniciada em Pernambuco, a confederação republicana e federalista expandiu-se para as províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Com tropas formadas por mulatos, negros forros (escravos libertados) e militares de baixa patente, a Confedaração do Equador tornou-se um movimento de caráter popular.

Para combater essa ameaça, D. Pedro I enviou tropas por mar e terra. Por mar, uma esquadra comanda pelo Lord Cochrane, e por terra, o brigadeiro Lima e Silva. Partindo em 2 de agosto de 1824, conseguiram controlar Recife em 12 de setembro. Recuando para Olinda, alguns confederados renderam-se alguns dias depois. Outros contudo, continuaram a luta, agora através de guerrilhas comandadas principalmente por Frei Caneca. Cansados pelas lutas, os últimos combatentes renderam-se em 29 de novembro de 1824.



Frei Caneca. Quadro de Antônio Parreiras. Editora Abril.

O tribunal criado para julgar os integrantes da Confederação do Equador foi extremamente violento. Vários integrantes foram condenados a morte, entre eles, Frei Caneca e o foragido, Paes de Andrade. Frei Caneca foi levado para o enforcamento em 13 de janeiro de 1825, mas por recusa dos carrascos em enforcá-lo devido sua atuação como religioso e revolucionário.


  1. A Guerra da Cisplatina

Após a invasão portuguesa na Banda Oriental e sua incoporação ao Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, com o nome de Cisplatina, os problemas relativos a essa região não terminaram. Animados com a independência das diversas colônias da Espanha na América, os cisplatinos, atuais uruguaios, iniciaram um processo guerrilheiro contra o domínio português, e depois de nossa independência, contra o domínio brasileiro. Em 1825, sob o comando do general Lavalleja, os cisplatinos proclamaram sua independência e Em 1825, sob o comando do general Lavalleja, os cisplatinos proclamaram sua independência e sua incorporação à República das Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina). Não aceitando essa atitude, D. Pedro I declarou guerra em 10 de dezembro de 1825. A guerra foi uma catástrofe. Além dos gastos e das perdas materiais e humanas, serviu para indispor o imperador com a população brasileira, já que essa guerra, na opinião dos brasileiros, só servia para prejudicar ainda mais as finanças do país. Em outubro de 1828, foi assinado pela República das Províncias Unidas do Rio da Prata e pelo Império do Brasil, um tratado que garantia a independência da província Cisplatina, criando-se a República Oriental do Uruguai. Aproveitando-se desse momento, vieram os ingleses, incluindo uma cláusula secreta, garantindo o livre-comércio na região do Rio da Prata.


  1. A sucessão portuguesa

Como se não bastassem os acontecimentos pelos quais o Brasil vinha passando, a situação de D. Pedro foi mais uma vez complicada, com a questão da sucessão ao trono português. Em 1826, morria em Portugal, D. João VI. Para herdar a coroa, D. Pedro foi o escolhido. Mas como assumir o trono português, sem provocar mais descontentamento na elite agrária e no povo brasileiro? A decisão tomada foi a seguinte: para impedir a afirmação de que o Brasil seria recolonizado com a união das duas coroas, D. Pedro nomeou como herdeira, sua filha, D. Maria da Glória, de 7anos e para regente, seu irmão, D. Miguel. Entretanto, essa situação não duraria muito. D. Miguel deu um golpe, assumindo o reino de Portugal, com todos os poderes de um rei absolutista. D. Pedro não querendo perder o trono, se envolveu nessa guerra pela coroa portuguesa, desgastando ainda mais as finanças brasileiras e sua imagem perante a população brasileira. Acusado de se preocupar mais com os problemas lusos, do que com os problemas brasileiros, cada vez mais, D. Pedro se isolava no poder, tendo ao seu lado, o Partido Português.


  1. O assassinato de Líbero Badaró

No fim de 1830, o assassinato de um jornalista, Líbero Badaró, iria completar o caldeirão de reclamações e desconfianças em relação a D. Pedro. Líbero Badaró era um jornalista italiano que escrevia o jornal "O Observador Constitucional". Nesse jornal as críticas ao imperador eram constantes, mas em 20 de novembro de 1830, alguns pistoleiros contratados por um juiz, amigo do imperador, assassinaram o jornalista. Os assassinos não foram punidos, e na opinião da população ficou claro que o governo era conivente com esse crime.


  1. A abdicação


Abdicação do primeiro imperador do Brasil. Quadro de Aurélio Figueiredo. Palácio da Guanabara - RJ.
A oposição era crescente em relação a D. Pedro. Com a morte de Líbero Badaró, a solução encontrada foi fazer uma excursão pelas províncias para tentar acalmá-las com sua presença. Inicialmente, D. Pedro se dirigiu à Minas Gerais. Acompanhado por uma grande comitiva, o imperador foi recebido com nenhuma manifestação de alegria. Irritado, o monarca iniciou seu retorno ao Rio. Em 11 de março de 1831, os portugueses prepararam uma grande recepção para o imperador, para apagar a má impressão de Minas Gerais. No dia 12, os primeiros confrontos entre os partidários de D. Pedro e os brasileiros começaram. À noite, por volta das 22 horas, aconteceu a chamada, "Noite das Garrafadas". Os brasileiros invadiram o bairro português para se manifestar contra o imperador, mas os portugueses já estavam preparados. De repente, de todos os lados, uma chuva de garrafas caiu nas cabeças dos brasileiros. A imprensa acusou D. Pedro de ter participação nos distúrbios. O clima no Rio de Janeiro ficou tenso, com a multidão armada percorrendo a cidade. Os comandantes e as tropas, aos poucos, se uniram ao povo. Era o decreto de morte do Primeiro Reinado. Na madrugada do dia 7 de abril, após uma noite em claro, D. Pedro I abdicou ao trono em favor de seu filho, Pedro de Alcântara, de 5 anos. A abdicação foi assim redigida: " Usando do direito que a constituição me concede, declaro que hei mui voluntariamente abdicado na pessoa do meu mui amado e prezado filho o Sr. D. Pedro de Alcântara. Boa Vista - 7 de abril de 1831, décimo da Independência e do Império - D. Pedro I.". Chegava ao fim o reinado de D. Pedro I.



  1   2   3


©bemvin.org 2016
enviar mensagem

    Página principal