O amor nunca morre Camila Sampaio Pelo espírito Ronaldo Sinopse



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O amor nunca morre

Camila Sampaio

Pelo espírito Ronaldo

Sinopse
Mariana é uma mulher de trinta anos, casada com Carlos e mãe de dois

filhos – Fabrício e Murilo. Tem uma vida harmônica e feliz, rodeada de bons amigos, como a inseparável Ciça.

Tudo vai bem, até que em determinado momento ela passa a sentir

angústia, tristeza, vontade de desistir de tudo. A tendência suicida vai se fazendo cada vez mais presente.

Todos ficam assustados e buscam ajuda espiritual para Mariana. Só aí

descobrem o poder da obsessão e da auto-obsessão.

Quatro vidas passadas precisam ser harmonizadas. Cada uma tem sua

história e seus interesses, mas todas têm um objetivo comum: o suicídio de Mariana.

Dirigente de um grupo de Apometria Espírita, dona Eulália se dispõe a

ajudar. E a partir de então é travada uma intensa batalha entre o bem e o mal.



O amor nunca morre vem para explicar melhor a realidade da auto-obsessão, que assola tantas pessoas. Tem o objetivo também de ajudar pessoas que queiram cometer suicídio – e suas famílias – a lidarem melhor com o assunto.

Esse primeiro romance do espírito Ronaldo, através da médium Camila

Sampaio, vem para provar que o amor nunca morre, e quando é encontrado pode mudar a vida de todos que precisam de ajuda.
A autora Camila Sampaio nasceu em 1979, em São Paulo.

Seu primeiro contato com a espiritualidade foi através da sua família

materna. Sua avó Edith e sua mãe Alice eram médiuns psicofônicas ativas. Na juventude a mediunidade de Camila começou a se desenvolver, até se atingir a sua plenitude: ela é clarividente, clariaudiente, médium psicofônica, doutrinadora e atua com psicografia.

Hoje Camila coordena o Grupo Apométrico Luz do Senhor, em São Paulo. É terapeuta de vidas passadas, formada em História e Psicologia. Nessa parceria com Ronaldo, é uma das primeiras terapeutas de vidas passadas do mundo a psicografar romances, o que possibilita à Espiritualidade que ela seja um instrumento para trazer a público conhecimentos sobre vidas passadas, História, auto-obsessão, obsessão, atuação de grupos socorristas e mecanismos de nosso funcionamento psíquico.


O Amor nunca morre é seu romance de estréia. É autora de dois livros

sobre Terapia de Vidas Passadas: “O Fio de Ariadne – Abordagens da Terapia de Vidas Passadas” (2008) e “Era uma vez – Terapia de Vidas Passadas com crianças” (2009).

Atualmente atende em seu consultório, em São Paulo, e reside com seu

marido, Hugo Lapa, em Atibaia.



Suicídio
Em tenebrosa mansão, triste e gelada

O remorso, este carrasco, me tortura

Como um espectro vagueio pelo nada

Nos miseráveis abismos da amargura

-----------------------------------------

Orai por mim, irmão, tem piedade!

Fui insensato, tresloucado, sem juízo

Não refleti, abusei da liberdade

E em lancinantes dores agonizo

-----------------------------------------

Ah, quem me dera voltar, ter mais paciência

Eram tão fartas, eram tantas as saídas!

Ver o propósito sublime da existência

Mas naufraguei na escuridão dos suicidas

Perdão

Recebe a ofensa dura, enfrenta a prova

Na humildade encontra a paz e agradece

Tolerância é calor que se renova

A chama do amor tudo enobrece

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Revela o bem ao teu redor, cuida e conserta

Aos corações empedernidos mostra a luz

Da redenção que o espírito liberta

O entendimento é fortaleza que conduz

-----------------------------------------

Não te revoltes, perdoa o opressor

Saibas usar, com maestria, a caridade

Vejas que a sanha violenta do agressor

É triste e degradante enfermidade

(João, mentor de Marcos Cavuto, ex-paciente e grande amigo)

Índice

Capítulo 1 – Hora da Decisão……………………………………………8

Capítulo 2 – A Origem …………………………………………………..9

Capítulo 3 – Novos Rumos ……………………………………………..15

Capítulo 4 – A Busca …………………………………………………....20

Capítulo 5 – Sentimentos Pesados ……………………………………...25

Capítulo 6 – Primeira Ajuda …………………………………………...32

Capítulo 7 – A Viagem ………………………………………………….38

Capítulo 8 – Aliados …………………………………………………….45

Capítulo 9 – Atuação das trevas ………………………………………..50

Capítulo 10 – Suporte …………………………………………………...55

Capítulo 11 – Há tempos ………………………………………………..60

Capítulo 12 – Influências ……………………………………………….65

Capítulo 13 – Mergulho ………………………………………………...70

Capítulo 14 – Abismo de tristeza ………………………………………75

Capítulo 15 – Traição …………………………………………………...80

Capítulo 16 – O mundo espiritual ……………………………………...85

Capítulo 17 – Atendimento ……………………………………………..90

Capítulo 18 – O sofrimento da família ………………………………...95

Capítulo 19 – Apoio ……………………………………………………100

Capítulo 20 – A quarta vida …………………………………………..105

Capítulo 21 – Sob nova direção ……………………………………….110

Capítulo 22 – Impacto ………………………………………………....115

Capítulo 23 – Consequências ………………………………………….120

Capítulo 24 – Confronto ………………………………………………125

Capítulo 25 – Raiva ……………………………………………………130

Capítulo 26 – Mais ajuda ……………………………………………...135

Capítulo 27 – Dor na alma …………………………………………….140

Capítulo 28 – Intensificam-se os ataques …………………………….145

Capítulo 29 – Um caso ………………………………………………...150

Capítulo 30 – Carlos desconfia ……………………………………….155

Capítulo 31 – As trevas vencem uma partida ………………………..160

Capítulo 32 – Confusão ………………………………………………..165

Capítulo 33 – União ……………………………………………………170

Capítulo 34 – Amparo dos amigos espirituais ……………………….175

Capítulo 35 – Fim da linha ……………………………………………180

Capítulo 36 – Resistência ……………………………………………...185

Capítulo 37 – Dúvida …………………………………………………..190

Capítulo 38 – Desdobramento ………………………………………...195

Capítulo 39 – Amor de verdade ………………………………………200

Capítulo 40 – Chega a hora …………………………………………...205

Capítulo 41 – Onde está minha família? ……………………………211

Capítulo 42 – Descanso ………………………………………………217

Capítulo 43 – Carinho …………………………………….………….222

Capítulo 44 – Dupla traição ………………………………………….227

Capítulo 45 – Questões existenciais ……………………………….232

Capítulo 46 – Batalha final …………………………………….……..237

Capítulo 47 – Argumentação …………………………………………242

Capítulo 48 – Retorno ………………………………………….……..247

Capítulo 49 – Vale a pena ……………………………………………252

Capítulo 50 – O amor nunca morre …………………………………256

Nota da médium ………………………………………………………260

Anexo – As 13 leis da Apometria ……………………………………263

Capítulo 1

Hora da decisão

Mariana estava muito confusa com os últimos acontecimentos de sua vida. As vozes, as confusões, as situações que haviam sido criadas por todos os envolvidos. O que ela poderia fazer?

Ela se sentia sem saída e acuada. Sabia que estava vivendo um momento sério e decisivo. Que aquilo definiria muitas coisas. Ela se lembrava de todas as orientações que recebera nas conversas com dona Eulália, de todo o acolhimento que tivera.



- Será que serei mesmo punida se me matar? Mas afinal, quem decide sobre minha vida não sou eu?

Só uma pessoa ouviu: dona Eulália. Foi a mãe que ela nunca teve. Mariana tinha 30 anos, era bonita de corpo, mãe de dois lindos meninos e casada com um homem que sempre fora o sonho de sua vida. Justamente por isso ninguém entendia quando ela tentava explicar o que se passava em sua alma. Sua vida era tão perfeita que ela era frequente alvo de inveja e maledicência.

Claro, nos piores momentos sempre teve o apoio de Carlos. Ele era o

marido ideal: ajudava-a com tudo na casa e tinha uma carreira estabelecida.

Assim como ela, que amava o trabalho que fazia em escolas. Dava aula em uma rede com cinco instituições, e o carinho das crianças era fundamental na sua existência.



- Meu Deus, o que faço? Não sei o que fazer. Não sei para onde ir! O que o Senhor espera de mim? – ela gritou, desesperada. Já não sabia a quem recorrer.

E, como acontecia sempre nos últimos meses, as vozes voltaram:



- Sua tonta, acaba logo com isso.

- Na minha opinião, isso tudo é fraqueza. Quero ver se você é forte mesmo para se matar!

- Não faça isso, minha querida. Você sabe que de nada irá adiantar.

- E por que não? Melhor do que viver nesse tédio que ela vive! Tudo

perfeitinho demais!

- Maldita hora que você ouviu aquela mulher, que só atrapalhou a gente!

Eram sempre cinco vozes. Uma apoiava, as outras quatro atacavam. Mas dessa vez o ataque sem querer deu uma boa ideia:



- Dona Eulália! Só ela pode me ajudar!

Pegou as chaves do carro e correu para lá.




Capítulo 2

A origem

Cinco meses antes, encontramos Mariana em seus afazeres normais. As crianças tinham acabado de tomar café da manhã e ela já estava atrasada para o trabalho. Precisava se apressar.

- Bom dia, filhos queridos! Fabrício, passa o pão para a mamãe?

- Mãe, preciso mesmo ir à escola?

- É claro, Fabrício! Mamãe já não te explicou o quanto é importante

aprender, para você crescer forte e inteligente?

- Eu sei, mãe, mas estou com tanto sono hoje...

- É assim mesmo, meu filho. Infelizmente, às vezes, as aulas começam mesmo cedo demais. A mamãe também está cansada, mas já está aqui preparada para mais um dia de trabalho. Depois, quando você acordar melhor, vai gostar de estar entre seus amigos.

Fabrício tinha nove anos. Era um menino alegre, divertido, com ótimas

tiradas sobre a vida. Quando nasceu foi a coroação de um casamento feliz: Tinha lindos olhos azuis, sempre curiosos e buscando novidades –

Fabrício era um doce de menino, daqueles de arrancar suspiros quando a família ia passear no shopping, pois era muito bonito.

Murilo, o caçula, tinha sete anos. Moreno e de olhos bem pretos, era

mais quieto e contemplativo, gostava muito de ficar sozinho. Era bem sensível e daria um grande médium quando crescesse. Recebê-lo no lar deixou Mariana mais madura, porque ele não se contentava nunca com respostas prontas ou chavões, queria ser tratado como um ser inteligente. Era uma família absolutamente

harmônica e feliz. Carlos era o paizão, completamente apaixonado pela esposa e seus dois meninos. Eles eram tão almas afins que se entendiam quase telepaticamente, nem precisavam falar.

Carlos tinha 32 anos e era um homem bem bonito, atlético, gostava de

se cuidar. Era extremamente atencioso, carinhoso, priorizava a família acima de tudo. Sempre foi muito estudioso, por isso acabou se destacando na profissão.

Os meninos já estavam prontos. Ondina entregou as lancheiras de cada

um, hora de começar mais um dia.

Infelizmente, naquele dia a paz começaria a sumir daquele lar. E tudo

começou naquele momento de saída para a escola: Mariana colocou as crianças no carro e deu ré, como fazia todas as manhãs. Quando estava saindo pelo portão, um caminhão freou a meio metro do carro, quase matando a todos.

Imediatamente, Mariana desmaiou na direção. Fabrício, que já tinha

nove anos, conseguiu pular para a frente e puxar o freio de mão, como já tinha visto a mãe fazer. E foi correndo para casa ligar para seu pai.

Carlos chegou correndo minutos depois, já que trabalhava à duas quadras de casa. Apavorado, já foi gritando com o motorista, que estava branco como papel e rezando pela misericórdia divina, por ter poupado a vida da mulher e das crianças. Não foi culpa de ninguém, apenas um acidente. Alguns momentos depois, Mariana acordou. Começou a chorar de alegria, ao ver que todos estavam bem. Aceitou as desculpas do motorista. Carlos foi levar as crianças e contou o ocorrido à direção da escola, que prontamente aceitou que Mariana ficasse repousando. A contragosto, ela voltou para o quarto e se deitou.



- Credo, que susto, Ondina!

- Nem diga, dona Mariana! Mas graças a Deus estão todos bem. Vou

preparar tudo para a senhora, fique descansada.

- Obrigada, Ondina, você é um amor. O que seria da gente sem você?

- Depois de tantos anos aqui, você é como uma filha para mim.

- Descanse agora.

Seguindo os conselhos de Ondina, Mariana foi se deitar. Desde pequena

Ela (Mariama) sempre fora muito intuitiva, sabia que era médium e adorava a espiritualidade. O que ela estranhou é que, sempre que algo de ruim ia acontecer, ela costumava ter um sonho ruim antes. Dessa vez nada aconteceu, mas ao ir para o quarto descansar teve o tal sonho – um aviso meio atrasado. Teve um sonho muito estranho. Sonhou que estava em uma carruagem em disparada, com os cavalos esgovernados. Estava com um vestido armado, cheio de saias, e com um olhar duro e frio. A carruagem percorreu longo percurso sem direção. E o que parecia

mais estranho: aquela mulher, que tinha os mesmos olhos de Mariana, não esboçava qualquer reação. Parecia até estar gostando.

Por fim, a carruagem bateu com grande estrondo em uma árvore e

Mariana acordou dando um grito. Estava toda suada, não conseguia respirar direito. A pancada fora tão real que parecia ter sido há cinco minutos.



Capítulo 3

Novos rumos

Mariana era a professora mais querida da Escola Pai e Mãe. As crianças

sempre esperavam ansiosas pela sua aula. Ela ensinava com o coração e amava o que fazia.

Dirigindo para casa naquele dia, Mariana estava absorvida por seus

pensamentos. Foi quando ouviu uma voz bem clara, como que cochichando em sua cabeça:

- Pois para mim isso é tudo perda de tempo. Jesus! Ele destruiu a minha vida! Nada daquilo teria acontecido se não fosse Jesus! Eu perdi meu amor por causa dele!

- Já já as coisas vão mudar por aqui, ou não me chamo Suzette!

- Tudo bom, amor?

- Tudo…

- Vem cá, me dá um abraço. Você ainda tá assustada, né?

Mariana se deixou abraçar e de repente caiu em um choro convulsivo.

As crianças ficaram assustadas e preocupadas.

- Papai, a mamãe tá bem? – perguntou Fabrício.

- Ela tá dodói? – disse Murilo, assustado.

- Ela vai ficar bem, meus filhos. Não se preocupem não. Ela só precisa descansar. Peçam para a tia Ondina trazer um copo de água com açúcar, eu vou levá-la para a cama, tá bem?

Mariana chorou nos braços de Carlos até dormir. Ele sentia que algo

estava muito errado, então começou a rezar.

- Mentores queridos, ajudem minha esposa a superar esse trauma.

Espero que ela se recupere logo e que eu possa ajudar a fazer tudo voltar ao normal. Amém.

Pelo visto, parecia que Mariana tinha se abalado com o acidente. Mas

por que, se não aconteceu nada?

Lembrando de tudo, Mariana se preparou para dormir. Mas logo

em seguida a tristeza e os pensamentos negativos voltaram à cena, o que a deixava cada vez mais preocupada.

- Por que, meu Deus, por que não consigo controlar a minha própria

cabeça? Como posso ter sentimentos tão fortes, que sei que não são meus? – ela pensava. Tem que existir alguma explicação!

Assim que Mariana dormiu, sua mentora veio buscá-la para uma

energização.

- Um dia você vai entender, minha querida…

Era hora das atividades noturnas.

Mariana foi levada para uma câmara de harmonização, onde uma luz

violeta ficou alinhando seus chakras.



- Você terá que vir quase toda noite agora, querida. É a única forma de aguentar todo o peso vibracional que irá enfrentar. Durma bem.

Capítulo 4

A busca

Carlos chegou ao trabalho inquieto, naquela manhã de segunda-feira. Em casa ele buscava disfarçar, mas bem sabia que algo muito estranho estava acontecendo. Mariana estava esquisita e ele sentia uma energia forte acompanhando-a havia uma semana, desde que ela passara pelo quase acidente. Na verdade, ele estava com medo, sem saber direito o que pensar sobre aquilo e desconcertado sobre como agir para ajudar a quem mais amava. Apesar da recente decisão de esperar para ver o que acontecia, algo interno dizia que aquilo não seria suficiente, que ele precisaria buscar soluções.

Um dia, um dos seus funcionários estava muito

magoado com o término de um relacionamento e resmungando pelos cantos. Carlos ouviu uma conversa dele com um colega:



- Ah, vida nenhuma nessa Terra é perfeita. Tenho certeza que um dia

seu Carlos vai ter os problemas dele também. Em vidas perfeitinhas assim, quando o problema chega, ele vem a galope! Como tinha uma relação aberta com seus funcionários, resolveu chamar Ricardo para uma conversa.

- Lembra uma vez que você disse que os problemas em vidas

perfeitinhas chegam a galope?

- Meu Deus, o senhor ouviu isso?

- Eu falei de forma geral. Mas a vida me ensinou isso também, seu

Carlos. Sabe, eu frequento um terreiro de Umbanda, e o Pai de Santo de lá sempre diz que a gente tá aqui pra pagar o que fez no passado. Se é assim, ele fala que é impossível alguém não ter nenhum problema, porque ninguém vem à Terra a passeio. Só os santos e elevados, mas mesmo eles têm os seus sofrimentos. Jesus não sofreu na cruz?

- Se precisar de ajuda, te levo lá no terreiro.

- Obrigado, Ricardo, mas primeiro quero buscar entender o que está

ocorrendo, para depois decidir o que farei para tratar. Com certeza, se decidirmos por um tratamento de Umbanda, voltarei a falar com você. Obrigado por compartilhar esses ensinamentos comigo.

- Acho que preciso mesmo falar com meus velhos amigos e pedir ajuda. Vamos ver como as coisas se encaminham – pensou Carlos

- Seja o que for, estarei ao lado Mariana. Mesmo que ela enlouqueça. Jurei quando casamos que estaria ao lado dela na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Afinal, que tipo de pessoa ama sua esposa apenas quando ela está bem e sorridente?



Capítulo 5

Sentimentos pesados

Fazia um mês que o acidente na porta de casa acontecera, e Mariana sentia como se tivesse atravessado um portal de tristeza. Desde aquele dia perdera sua paz de espírito. Nos seus trinta anos de idade tivera adversidades, naturalmente, mas sempre lidara com elas de forma bem humorada e esperançosa.

Mariana pensou: Quando tive o quase acidente, eu devo ter ficado com medo de perder meus filhos, por isso fiquei em choque. Agora tudo vai ficar bem.

O racional assim falava, mas não era o que ela sentia. A tristeza vinha

cada vez mais forte e mais frequente, as vozes falando mal de Jesus, a sensação de estar sendo sempre acompanhada. O que será que estava acontecendo afinal?

Cecília, sua melhor amiga, chegou para tomar o lanche da tarde. Logo

estranhou quando viu que Mariana não tinha arrumado a mesa, como de costume.

- Mari, o que está acontecendo com você?

-Vamos lá, Mari, somos amigas há vinte anos, não precisa disfarçar ou mentir para mim. Quero te ajudar!

- Eu sei, Ciça, mas nem eu sei te dizer o que está acontecendo comigo. Eu ando muito estranha ultimamente, e intrigada com o que vem acontecendo. ideias estranhas me vem na cabeça e eu não consigo evitar.

- Sobre Jesus. Onde já se viu, pensar mal de Jesus?

Simplesmente, desde aquele dia que eu quase sofri o acidente essas ideias não me deixam em paz. É como se eu tivesse raiva de Jesus e de toda a Igreja Católica!

- Nossa, amiga, que estranho. - E tem mais: toda noite tenho o mesmo sonho. Uma moça, numa

carruagem em disparada, que de repente bate num estrondo. O mais estranho, Ciça, é que ela parece querer morrer. Como se ela tivesse provocado a disparada da carruagem, sabe?

- Mari, será que você não está estressada? Não quer tirar uma semana de férias e viajar comigo, a gente pode ir para uma praia no Nordeste, o que acha?

- E tem como recusar um presente desses? Claro, vai ser o máximo!

Ciça foi embora contente, parecia ter cumprido seu objetivo de animar a

amiga. Como já era de costume, Mariana resolveu pensar em coisas boas. Uma ótima lembrança era quando conheceu Ciça. As duas desde então sempre viveram grudadas e nunca mais deixaram de se ver.

Mari fez Letras e Ciça Turismo, mas como s prédios eram perto elas sempre se visitavam, aproveitavam inclusive para apresentar amigos em comum.

Na festa que Mari conheceu Carlos, Ciça estava lá, vestida de odalisca.

Ela nunca fora chegada a relações duradouras como Mari, mas acompanhou todos os passos do namoro e logo tornou-se grande amiga de Carlos.

No dia do casamento, Ciça foi a madrinha que ficou ajeitando o vestido –

e chorando, claro. No dia que Fabrício nasceu ela estava lá, dando as mãos para Mari aguentar a dor. Quem não quer uma amiga assim?

Além disso, a comunicação de alma que tinha com Ciça ia além dos cinco sentidos. - Como é possível que eu não me sinta melhor com uma viagem dessas? Será que estou enlouquecendo? De onde vem toda essa tristeza sem motivo?

Mariana não conseguia entender. Tinha que existir algo por trás de tudo aquilo. Como é que uma tristeza tão forte pode acontecer do nada e não ir embora? Suzette andava de um lado para o outro, mergulhando em suas lembranças. Era 1730, França. Ela era uma linda moça, com cabelo cacheado e vestidos finos. Seus pretendentes esperavam ansiosos pelos dias de baile, onde podiam cortejá-la e disputar sua mão em casamento.

Gostava do jogo do flerte, e esperava ansiosamente por um marido rico que lhe fizesse todos os caprichos. O casamento era decidido pelos pais e ponto final. Mas Suzette não pensava assim. Em um dos seus passeios vespertinos, ela deparou com o novo padre da paróquia: o jovem Rolland. Quando seus olhares se cruzaram, a calma de Rolland despertou o desespero de Suzette. Ela se apaixonou fervorosamente, era como se fosse impossível pensar na menor hipótese de vida conjunta com qualquer outra pessoa que não fosse ele. Rolland sentira o mesmo pela moça e também sabia que as coisas seriam diferentes dali em diante. Mas tinha prometido sua vida à Igreja e não tencionava desistir.



- Por que será que sinto essa angústia em meu peito? – pensava Mariana. Minha vida é maravilhosa, tenho o homem que amo, filhos perfeitos, um trabalho de sonho! O que mais posso desejar?

- É, de fato – pensou Suzette. Rolland estava lá, reencarnado com ela, como Carlos. O que dava mais ódio ainda no peito de Suzette, e um profundo desejo de vingança!

Suzette tinha decidido levar aquela perseguição até o fim. Só quem sente na pele sabe o quanto é difícil passar por uma perseguição espiritual. Era exatamente essa a situação de Mariana. E a notícia da viagem era um exemplo de como aqueles sentimentos todos eram insensatos: ao invés de ficar feliz e saltitante, que seria a reação esperada, ela estava desesperada, com falta de ar, e morrendo de vergonha por estar se comportando assim.

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