O absolutismo monárquico



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Encontro23.08.2017
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O absolutismo monárquico
Para entendermos o que foi o absolutismo monárquico é necessário observarmos o contexto. A Idade Média trazia consigo uma formação política descentralizada, o sistema vigente se baseava na suserania feudal (firmada na relação senhor – vassalo), onde cada senhor feudal era dono de sua terra e tinha vários servos ao seu serviço, os feudos eram autossuficientes. Nessa época o rei era apenas simbólico ou tinha pouco poder.

No século XI aconteceram as Cruzadas, que tinham como objetivo resgatar Jerusalém das mãos dos muçulmanos, e como consequência desses movimentos temos o empobrecimento dos senhores feudais por causa dos elevados custos das cruzadas, o fortalecimento do poder real, ampliação da cultura europeia promovida pelo contato com os povos orientais e principalmente a reabertura do Mediterrâneo gerando desenvolvimento no comer cio. Com a denominada Baixa Idade Média vemos a decadência do feudalismo, inicia-se então o processo de transição da Idade Medieval para a Idade Moderna.

O fim da Idade Média culmina com a crise econômica, gerada pela queda da produtividade, a peste negra, que exterminou cerca de um terço da população da Europa, a crise política, causada pela revolta da burguesia e dos camponeses contra os senhores feudais e a incapacidade dos reis de garantir a ordem e proteger a população, a Guerra dos Cem Anos, conflito entre França e Inglaterra pelo domínio das principais rotas comerciais e a crise religiosa, com o Cisma do Ocidente deixando a igreja católica com dois papas governando simultaneamente.

Já no fim da Idade Média dá-se início o processo de centralização política, que não aconteceu de forma brusca, muito pelo contrário, existiu muita resistência da parte dos grupos que não queriam perder seu poder local (administradores das comunas e senhores feudais). A formação do Estado Moderno acontece de forma gradativa, com o apoio da burguesia o poder dos reis se fortalece cada vez mais. Com a consolidação do Estado Moderno o rei passou a comandar exércitos, decretar leis e arrecadar tributos. Essa concentração de poderes em torno do rei foi chamado absolutismo monárquico.

Portugal é o primeiro país a adotar essa forma de governo, tendo como primeiro rei D. Afonso Henriques. O segundo país foi Espanha, com a união de Isabel, de Castela e Fernando, de Aragão, unificando politicamente a Espanha. Como explorado no livro, vejamos de maneira mais aprofundada o absolutismo na França e na Inglaterra.

Na França, o processo de centralização política se inicia ainda com a dinastia dos capetíngios, a Guerra dos Cem Anos também contribui para o fortalecimento do poder do rei. Com o fim da dinastia capetíngia e início da dinastia de Valois o poder real se fortalece ainda mais com a criação de órgãos que assessoravam o rei nas atividades administrativas do Estado. O apogeu do absolutismo monárquico francês se deu durante o governo de Luís XIV, chamado Rei Sol, da dinastia dos Bourbons e sua famosa declaração: “L’Étac c’est moi” (o Estado sou eu).



Na Inglaterra, o absolutismo começa com a Guerra das Duas Rosas, conflito entre as famílias Lancaster e York pelo trono inglês e com o fim da guerra vai ao trono Henrique VII, fundador da dinastia dos Tudor. Durante o reinado da rainha Elizabeth I o poder real se fortalece ainda mais, inclusive é durante esse reinado que tem início a expansão colonial inglesa, com a colonização da América do Norte. Não deixando descendentes diretos, Elizabeth I morre e chega ao fim a dinastia Tudor, reina então seu primo Jaime, rei da Escócia, que se torna soberano dos dois países e recebe o título de Jaime I, se implanta assim a dinastia dos Stuart, a qual pertencia Jaime, na Inglaterra. Com sua morte, assume o trono Carlos I, seu filho, e acentuasse o caráter absolutista do Estado. Carlos I queria exercer um absolutismo de direito, isto é, um poder plenamente reconhecido em termos jurídicos, mas a burguesia e a gentry (nobreza rural) sabiam que o absolutismo era prejudicial ao progresso do capitalismo por causa da intervenção estatal na economia, e assim começa um “choque” entre rei e parlamento. A burguesia e a nobreza rural, comandados por Cromwell, dão início a um processo revolucionário formando um grupo chamado “cabeças redondas” e acabam por depor Carlos I do poder, formando uma República governada por Cromwell, estabelece-se a República na Inglaterra.


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