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ATIVIDADE DE COMPREENSÃO DA LEITURA





NOME: N.O: TURMA: DATA: _________

Leia o texto seguinte.




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Rainha, Cavalo, Bispo
A Tábua de Flandres

pérez-Reverte, Arturo

Publicações Dom. Quixote, Lisboa, 1993


Arturo Pérez-Reverte pertence, simultaneamente, ao mundo do jornalismo e ao da literatura. Como repórter de imprensa, rádio e televisão, viveu a maior parte dos conflitos internacionais dos últimos dezoitos anos. Aliás, parece ter sido na frente das guerrilhas, na fronteira de confrontos armados, suspenso na confusão dos jet lag, perdido na solidão dos hotéis, que resgatou, para a sua literatura, a essência da condição humana, a perceção da fragilidade do homem.

Assinalado pela crítica, o seu romance surge como um lugar seleto de literatura sobre literatura, convocando um leitor não já inocente, mas o leitor deste final de século, o «leitor-espectador» da televisão, um cúmplice inteligente na operação cirúrgica da descodificação de enigmas e de jogos proibidos que tecem a textura de um bom romance.

A experiência da escrita de Pérez-Reverte entrelaça armadilhas e inversões, instaurando a categoria literária do «enigma» que apela à sua descodificação. Um perigoso jogo de revelações que reflete a consciência do mistério insondável da vida e o reconhecimento da literatura como o lugar seleto de onde se vê aquela. No final do século XV, um velho mestre flamengo oculta, num dos seus quadros, a representação de uma partida de xadrez, a chave de um segredo que poderá mudar a história da Europa: «Quis necavit equitem?» (Pérez-Reverte, 1993: 12). Cinco séculos depois, o silêncio do quadro estilhaça-se quando uma jovem restauradora de arte, um antiquário homossexual e um excêntrico jogador de xadrez procuram resolver o enigma. Um epitáfio cuja leitura invoca, metaforicamente, a presença da pintura, da música e da literatura, uma verdade que se pretende devolver à história pela lógica da matemática.

Uma dama vestida de enigmas, Beatriz de Ostenburgo, e dois cavaleiros disputam uma partida de xadrez que dura há cinco séculos, projetando agora, no complexo universo das personagens de Pérez-Reverte, o verdadeiro mistério de que é feita a vida: «Deus move o jogador e este move a peça. Que Deus por trás de Deus o jogo começa?» (Borges citado por Pérez-Reverte, 1993: 133). Casada com Fernando Altenhoffen Ostenburgo, um dos cavaleiros do quadro, Beatriz havia entregado a sua alma a Roger Arras, o segundo jogador da tábua de Pieter Van Huys.

Quem matou o cavaleiro? Van Huys, quando pintou o quadro, ajustou contas com o assassino de Roger Arras, não imaginando que o enigma, levantado por si, se iria perpetuar no tempo, convertendo-se no espaço interior das personagens de Pérez, como se o quadro fosse um fragmento da vida ou a vida um fragmento do quadro.

O romance de Arturo Pérez-Reverte constitui-se como um mistério que desafia uma resposta, um enigma tecido por outros enigmas, cuja revelação pode desnudar perversamente o que de mais íntimo procuramos silenciar. A narrativa ficcional assume contornos de verosimilhança, próprios da objetiva do jornalista, discurso que não influi nela de forma excessiva. Pelo contrário, o escritor sabe que a vida é um jogo e, por isso, empresta à escrita, às personagens e ao seu espaço interior a densidade dramática da procura pela identidade, da perseguição pela restauração de uma ordem perdida. A literatura prolonga a vida, inscrevendo-se como o lugar por excelência da sua representação em cada página.

Pérez-Reverte cria um universo dramático que seduz pelo seu pendor policial, um complexo espaço onde faz viver as suas personagens, cujos movimentos são sentidos ao cronómetro de cada vez que uma peça de xadrez se move nos terríveis corredores do tabuleiro em direção a um destino que se teme trágico. O eixo da vida das figuras representadas no quadro confunde-se com o das personagens, modificando-lhes o entendimento que tinham da vida e da sua existência.

Gisela Pena

http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/zips/gisela02.rtf

(consultado em 9 de março de 2015, com adaptações e supressões)



1. Para responder a cada um dos itens de 1.1 a 1.10, selecione a opção que completa corretamente cada afirmação. Escreva, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida.


1.1 A enumeração «Rainha, Cavalo, Bispo» presente no título do texto de Gisela Pena

(A) alude às três peças de xadrez que o protagonista do romance de Pérez-‑Reverte utiliza para cometer crimes.

(B) salienta a influência do mundo feudal na literatura europeia.

(C) remete para o universo do jogo de xadrez referido no romance de Pérez-‑Reverte.

(D) demonstra que o livro que vai ser descrito apresenta estratégias para o jogo de xadrez.

1.2 No primeiro parágrafo do texto, o autor refere-se

(A) à necessidade que o escritor Arturo Pérez-Reverte teve de desempenhar funções como repórter de guerra.

(B) à influência, na obra de Arturo Pérez-Reverte, da experiência deste autor como jornalista.

(C) à influência dos artigos de jornalistas nos romances sobre pintura flamenga.

(D) à influência do jet-lag e da solidão dos hotéis nos conflitos que Pérez-‑Reverte imagina para a sua obra.


1.3 A expressão «resgatou, para a sua literatura» (linhas 5-6) refere-se

(A) à recuperação, para a literatura espanhola, de temas como a fragilidade da condição humana.

(B) à inserção da temática da guerra nos livros de Pérez-Reverte.

(C) à forma como Pérez-Reverte separa a sua experiência de jornalista da sua vida de escritor.

(D) à inserção de temas como a fragilidade da condição humana nos livros de Pérez-Reverte.
1.4 A expressão «Assinalado pela crítica» (linha 7) refere-se a

(A) «um lugar seleto» (linha 7).

(B) «homem» (linha 6).

(C) «o seu romance» (linha 7).

(D) «um leitor» (linha 8).
1.5 Com a referência a «um leitor não já inocente» (linha 8), o autor

(A) assinala o facto de existir uma comunidade de leitores conhecedores de crimes.

(B) alude à massificação da leitura.

(C) alude à prevalência da televisão sobre a leitura.

(D) indica que os leitores do romance estão habituados a narrativas sobre enigmas.
1.6 Através das expressões «No final do século XV» (linha 16) e «Cinco séculos depois» (linha 19), o leitor pode aperceber-se

(A) dos dois limites temporais que marcam o início e o fim da narrativa.

(B) dos dois períodos temporais a que a narrativa se refere.

(C) do tempo que o quadro demorou a ser restaurado.

(D) da duração do mistério do tipo de pintura que está no centro do romance.
1.7 Com a interrogação «Quem matou o cavaleiro?» (linha 32), o autor pretende

(A) realçar a ação do assassino de Roger Arras.

(B) mostrar perplexidade perante a questão levantada pelo olhar de uma das figuras do quadro.

(C) realçar a dimensão criminosa do romance.

(D) demonstrar ao leitor o enigma que o romance procura desvendar.
1.8 Ao afirmar que o romance A Tábua de Flandres se estrutura «como um mistério […], um enigma tecido por outros enigmas» (linhas 37-38), a autora

(A) sintetiza a natureza fantástica da obra.

(B) acentua os aspetos históricos da obra.

(C) evidencia a dimensão policial da obra.

(D) defende uma leitura subjetiva da obra.
1.9 A expressão «discurso que não influi nela de forma excessiva» (linha 41) refere-‑se

(A) à importância que a experiência jornalística tem na escrita do romance.

(B) ao facto de o estilo jornalístico conferir um tom onírico à obra.

(C) à forma sóbria como a verosimilhança influi na narrativa.

(D) ao exagero de dados reais introduzidos pelo escritor no romance.
1.10 No parágrafo final, a autora defende que as personagens do quadro de Van Huys

(A) confundem os dados da investigação que decorre no romance.

(B) transformam a vida das personagens do romance.

(C) destroem a vida das personagens do romance.

(D) iludem o leitor, transformando o seu pensamento sobre as personagens do romance.

Solução da atividade de compreensão da leitura
1.1 (C)

1.2 (B)

1.3 (D)

1.4 (C)



1.5 (D)

1.6 (D)

1.7 (D)

1.8 (C)

1.9 (C)

1.10 (B)



ENTRE NÓS E AS PALAVRAS • Português • 10.o ano • Material fotocopiável • © Santillana



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