No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam juntos



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Encontro21.10.2017
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ENTRE A RAZÃO E O CORAÇÃO

No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam juntos.”


Em uma reunião de avaliação de uma equipe, presenciei uma cena que nunca me esqueci. Na mesma mesa estavam um diretor, um profissional de RH e mais dois gerentes. Eu fora convidado para dar uma opinião sobre ética empresarial e, de repente, vi o diretor olhar diretamente para o profissional de RH - este contratara um empregado que trouxera um grande problema ético para a empresa - e perguntar: — Por que você contratou essa pessoa? Não viu que ele não estava dentro do perfil que procurávamos? Por alguns instantes vi aquele profissional respirar fundo, dar algumas desculpas e, por fim, admitir: “usei meu coração e me dei mal.” Silenciosamente, comecei a pensar em algumas situações em que também usei meu coração e me dei mal. E, por certo, você agora poderá fazer o mesmo exercício e também se lembrará de momentos em que foi traído por seu coração.

A Bíblia nos adverte sobre os perigos do coração. Ele é enganoso (Jeremias 17:9) e deve ser guardado (Provérbios 4:23). Fazer escolhas baseados somente no coração é correr grandes riscos. Por isso, precisamos de razão, raciocínio, pensamento crítico, equilíbrio entre o emocional e o racional. Willian Shakespeare declarou: “No entanto, para dizer a verdade, hoje em dia a razão e o amor quase não andam juntos” (Sonho de uma noite de verão – Ato III – Cena 1). Essa distância tem trazido prejuízos para a Igreja, em especial, para a liderança. Vamos montando equipes nos baseando mais no coração do que na razão; chamamos pessoas porque “querem trabalhar”, ainda que não tenham perfil ou condições de fazê-lo. Recrutamos pessoas sem conhecê-las profundamente, abusamos de critérios, como amizade, boa vontade e negligenciamos compromisso, espiritualidade, competência e outros. O coração acaba sendo o elemento mais importante na seleção de pessoas e também em outras tantas decisões tomadas na Igreja e na vida particular.

O coração é importante, mas precisa da razão. Os dois se completam e nos dão condições plenas de trabalhar na Igreja com mais seriedade. O mesmo serve na vida. Sempre que a razão ajuda o coração nós temos mais condições de acertar do que de errar. Paulo Ferreira Vieira, escritor e articulista, escreveu que a nossa sociedade escolheu o sentir e negligenciou o pensar. Dentro das Igrejas, isso é notado de forma clara. Alguns associaram o sentir como sendo linguagem espiritual e o pensar como sendo linguagem carnal. A sensação se tornou o critério e o pensamento foi deixado de lado, como se o Espírito Santo e a compreensão disputassem nossa atenção. Em raros casos, o contrário também aconteceu e se estabeleceu uma cultura apenas racional, sem sentimento e coração. Na prática, o coração e a razão não estão caminhando juntos.

Precisamos de coração e precisamos de razão. Um completa o outro. E, na hora de montarmos equipe ou tomarmos decisões, os dois nos ajudarão a compreender a vontade de Deus e também o que é melhor para determinada situação em particular. Entre razão e coração não pode haver um vale. Os dois devem estar juntos, abraçados e prontos a fornecer subsídios para nossas tomadas de decisão. Nem passionais e nem racionais: precisamos de líderes completos, que tenham a capacidade de decidirem com muito mais propriedade.

Já me esquecia de comentar o resultado da reunião citada no inicio do artigo. O profissional de RH chamou o funcionário “contratado pelo coração” e o despediu. E sua justificativa foi muito direta: — Sua contratação foi um erro. Fiquei triste com o desfecho. Todos ficaram. Mas foi a melhor decisão, agora feita com razão e coração. Meu coração me chamou a atenção dizendo: — Isso não podia acontecer. Mas a mente me tranquilizou ao lembrar-me: — Isso era o que devia ter sido feito. Decisão tomada. Sigamos em frente!
Guilherme de Amorim Ávilla Gimenez

Pastor Titular da Igreja Batista Betel



Abril de 2011.


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