Métodos em métodos de abordagem e métodos de procedimentos



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Encontro04.01.2018
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Vamos responder por parte:

1º - Sobre método de abordagem e método de procedimento.

Para que um conhecimento seja considerado científico devemos identificar tanto as operações mentais como as técnicas. Em outras palavras, podemos classificar os métodos em métodos de abordagem e métodos de procedimentos.



Método de abordagem: Os métodos de abordagem referem-se ao plano geral do trabalho, a seus fundamentos lógicos e aos processos de raciocínio adotados.

Os métodos de abordagem proporcionam as bases lógicas da investigação são vinculados a uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade.



São eles: método dedutivo, indutivo, hipotético-dedutivo e dialético.

Método dedutivo - Trata-se de um método lógico que pressupõe a existência de verdades gerais já afirmadas que servem de premissa para se chegar, por meio dele, a novos conhecimentos. Este método, proposto por racionalistas como Descartes, Spinosa e Leibniz; pretende explicar, por meio de uma cadeia de raciocínio definida em ordem descendente, o conteúdo das premissas colocadas. Ou seja, para os racionalistas só a razão pode levar ao conhecimento verdadeiro. Então, se as premissas são verdadeiras, a conclusão será sempre verdadeira.

Método Indutivo- A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, pois a cadeia de raciocínios estabelece a conexão ascendente, ou seja, partimos do particular para o geral. Neste caso, as constatações particulares é que levam às leis gerais. Lakatos e Marconi (2006, p.87) apontam a realização desse método em três etapas:

  • Observação dos fenômenos: nessa etapa são observados e analisados os fatos ou fenômenos, na qual o pesquisador busca descobrir as causas de sua manifestação;


  • Descoberta da relação entre eles: na segunda etapa, o pesquisador procura, por intermédio da comparação, aproximar fatos ou fenômenos, na tentativa de descobrir a relação constante existente entre eles. Isto é, procede- se o agrupamento dos fatos ou fenômenos da mesma espécie, de acordo com a relação existente que se nota entre eles;

  • Generalização da relação: nesta terceira etapa, o pesquisador faz a generalização da relação encontrada na etapa precedente, entre os fenômenos ou fatos semelhantes, muitos dos quais ainda não foram observados (ou não podem). Esta é, em verdade, a etapa de classificação, resultante da generalização da relação observada.

As autoras Lakatos e Marconi (2006, p.87) demonstram a aplicação do método por meio do seguinte exemplo: Observo que Pedro, José, João etc. são mortais; verifico a relação entre ser homem e ser mortal; generalizo dizendo que todos os homens são mortais:

Pedro, José, João ... são mortais.


Ora, Pedro, José, João, ... são homens.
Logo, (todos) os homens são mortais.
ou,
O homem Pedro é mortal.
O homem José é mortal.
O homem João é mortal.
. . .
(Todo) homem é mortal.
Conforme observamos no exemplo apresentado, este método – proposto por empiristas como Bacon, Locke e Hume – coloca a generalização como um produto das particularidades obtidas. Ou seja, a generalização não pode ser buscada aprioristicamente, mas constatada a partir da observação de casos concretos e suficientemente confirmadores dessa realidade (ESCOLA, 2008). Portanto, aqui não existem premissas preestabelecidas, mas somente a observaçãode fatos ou fenômenos cujas causas desejam-se conhecer.

Em seguida, o pesquisador procura compará-los buscando descobrir as relações existentes entre eles. Finalmente, ele faz a generalização, baseando-se na relação identificada. E, diferentemente do método dedutivo, o indutivo apresenta conclusões como sendo verdades não contidas nas premissas consideradas, por isso caracterizam-se como sendo apenas prováveis.



Tal método é particularmente interessante para as ciências sociais, já que foi a partir dele que os estudiosos da sociedade passaram a abandonar a postura especulativa, adotando a observação como procedimento indispensável para atingir o conhecimento científico. Com base nele, é que se buscou o desenvolvimento de instrumentos de coleta e de mensuração de dados.

Método hipotético-dedutivo - É aquele método considerado lógico, por excelência. Está historicamente relacionado com a experimentação, motivo pelo qual é bastante usado no campo das pesquisas das ciências naturais.
Não é fácil estabelecer a distinção entre o método hipotético-dedutivo e o indutivo, uma vez que ambos se fundamentam na observação.
A diferença é que o método hipotético-dedutivo não se limita à generalização empírica das observações realizadas, podendo-se, através dele, chegar à construção de teorias e leis. Assim, conforme Bunge (1974 apud LAKATOS; MARCONI, 2006, p.99), tal método pressupõe a realização das seguintes etapas:

  • 1ª etapa: colocação do problema (reconhecimento dos fatos; descoberta do problema; formulação do problema);

  • 2ª etapa: construção de um modelo teórico - conjeturas (seleção dos fatores pertinentes; invenção das hipóteses centrais e das suposições auxiliares);

  • 3ª etapa: dedução de consequências observadas (procura de suportes racionais; procura de suportes empíricos);

  • 4ª etapa: teste de hipóteses – tentativa de falseamento (esboço da prova; execução da prova; elaboração dos dados;inferência da conclusão); e

  • 5ª etapa: adição ou introdução das conclusões na teoria – (quando não se consegue demonstrar qualquer caso concreto capaz de falsear a hipótese, tem-se a sua corroboração, que não excede o nível do provisório (comparação dos resultados da prova com as consequências deduzidas do modelo teórico; reajuste do modelo; e sugestão para trabalhos posteriores).

O modelo hipotético-dedutivo começou com a identificação de uma lacuna de conhecimento, a partir da qual o pesquisador formula hipóteses e, por meio do processo de inferência dedutiva, testa a predição da ocorrência de fenômenos abrangidos pela hipótese (LAKATOS; MARCONI, 1995, p. 106). E, já que enfatiza a relevância da técnica e da quantificação, tem nos procedimentos estatísticos a sua grande força, conforme lembra Vergara (2007, p.13). A autora ainda ressalta que “questionários estruturados, testes e escalas são seus principais instrumentos de coleta de dados”, posto que esses “permitem que os dados coletados sejam codificados em categorias numéricas e visualizados em gráficos e tabelas que revelam a fotografia de um momento específico, ou de um período de tempo”. Assim, enquanto no método dedutivo procura-se a todo custo confirmar a hipótese, no hipotético-dedutivo procuram-se evidências empíricas para derrubá-la. Entretanto, o referido método tem merecido críticas.
Karl Popper, por exemplo, diz que a indução não se justifica, pois o salto indutivo exigiria que a observação de fatos isolados atingisse o infinito, o que nunca poderia ocorrer, por maior que fosse a quantidade de fatos observados. Portanto, o método não é visto com bons olhos perante as ciências sociais, mas é bastante aceitável em pesquisas no campo das ciências naturais.

Método dialético - Este método foi proposto por Hegel no período do Renascimento, e parte do pressuposto de que no universo nada está isolado, tudo está em movimento e mudança e tudo depende de tudo, inclusive, e principalmente, o conhecimento. Para Engels (apud LAKATOS; MARCONI, 2006, p. 101), a dialética está relacionada à [...] grande idéia (sic) fundamental segundo a qual o mundo não deve ser considerado como um complexo de coisas acabadas, mas como um complexo de processos em que as coisas, na aparência, estáveis, do mesmo modo que os seus reflexos intelectuais no nosso cérebro, as idéias (sic), passam por uma mudança ininterrupta de devir a decadência, em que, finalmente, apesar de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje. Portanto, para a dialética, as coisas não são analisadas na qualidade de objetos fixos, mas em movimento: nenhuma coisa está acabada, encontrando-se sempre em vias de se transformar, desenvolver; o fim de um processo é sempre o começo de outro.
Segundo Gil (1999) e Lakatos e Marconi (2006, p.100-106), há certos princípios comuns a toda a abordagem dialética. Observe que princípios são esses.

  • Princípio da unidade e luta dos contrários. Todos os objetos e fenômenos apresentam aspectos contraditórios, que são organicamente unidos e constituem a indissolúvel unidade dos opostos. Os opostos não se apresentam lado a lado, mas num estado constante de luta entre si. A luta dos opostos constitui a fonte do desenvolvimento da realidade

  • Princípio da transformação das mudanças quantitativas em qualitativas. Quantidade e qualidade são características imanentes a todos os objetos e fenômenos, e estão inter-relacionadas. No processo de desenvolvimento, as mudanças quantitativas graduais geram mudanças qualitativas, e esta transformação se opera por saltos.

  • Princípio da interpenetração dos contrários. O desenvolvimento processa-se em espiral, isto é, suas fases repetem- se, mas em nível superior de conhecimento.

Compreendemos, dessa forma, que o método dialético opõe-se a todo conhecimento rígido. Isto é, tudo é visto em mudança constante, pois sempre há algo que surge e se desenvolve e algo que se desagrega e se transforma. Mais especificamente, a dialética fornece as bases para uma interpretação dinâmica e totalizante da realidade, já que define que os fatos sociais não podem ser entendidos quando considerados isoladamente, abstraídos das suas influências políticas, econômicas, culturais, além de outras.
A comparação dos métodos aqui analisados permite chegar a algumas conclusões. Especificamente em relação aos métodos dedutivo e indutivo, Lakatos e Marconi (2006, p.86) afirmam que
[...] uma característica que não pode deixar de ser assinaladaé que o argumento indutivo, da mesma forma que

o dedutivo, fundamenta-se em premissas. Mas, se nos dedutivos, premissas verdadeiras levam inevitavelmente

à conclusão verdadeira, nos indutivos conduzem apenas a conclusões prováveis.
Portanto, conforme identificamos anteriormente, ao contrário do método dedutivo, o indutivo leva a resultados que provavelmente (apenas) são verdadeiros, ou seja, em oposição à dedução, a indução é um processo de estabelecer ou justificar teorias através de observações ou experimentos repetidos partindo-se dos fatos concretos, tais como se dão na experiência, e ascendendo-se às formas gerais, que constituem suas leis e causas.
Por sua vez, como o método dialético privilegia as mudanças quantitativas, ele opõe-se naturalmente a qualquer modo de pensar.

Já, Vergara (2007) alerta que


[...] tanto no método fenomenológico, quanto no dialético, o pesquisador obtém os dados de que necessita na observação,

em entrevistas e questionário não-estruturados (sic), nas histórias de vida, em conteúdos de textos, na história

de países, empresas, organizações em geral; enfim, em tudo aquilo que lhe permita refletir sobre processos e

interações (VERGARA, 2007, p.14).


Percebemos que os métodos de abordagem que proporcionam as bases lógicas da investigação são vinculados a uma das correntes filosóficas que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade.

Assim, concluímos que o método dedutivo está basicamente relacionado ao racionalismo, o indutivo ao empirismo, o hipotético-dedutivo ao neopositivismo e o dialético ao materialismo.

Métodos de Procedimento:  Os métodos de procedimentos,  de certo modo, confundem-se com as técnicas e relacionam-se com as etapas do trabalho. Basicamente, a técnica é identificada com a parte prática da pesquisa.

Métodos de procedimentos: Em oposição aos métodos de abordagem, os de procedimento têm caráter específico e se relacionam não com o plano geral do trabalho, mas com as suas etapas.

Segundo Lakatos e Marconi (1995, p.106), os principais métodos de procedimentos na área de estudos sociais são: o histórico, o comparativo, o monográfico  (ou estudo de caso), o estatístico, o funcionalista e o estruturalista. Esses métodos devem ser adequados a cada área de pesquisa.

 

Método histórico

O método histórico é aquele que se concentra na investigação dos acontecimentos, processos e instituições do passado, para verificar a sua influência na sociedade de hoje. Partindo do princípio de que as atuais formas de vida social, as instituições e os costumes, têm origem no passado, é importante pesquisar as suas raízes para compreender melhor a sua natureza e função. Assim, por exemplo, para descobrirmos as causas da decadência da aristocracia cafeeira, devemos pesquisar sobre os fatores socioeconômicos do passado.

 Método comparativo

É aquele que desenvolve análises comparativas com a finalidade de verificar semelhanças e explicar divergências. Trata-se de um método usado tanto para fazermos comparações de grupos no presente, no passado, ou entre os existentes e os do passado; quanto entre sociedades de iguais ou de diferentes estágios de desenvolvimento. Como exemplos, citamos:


  • a pesquisa sobre as classes sociais no Brasil, na época colonial e atual;

  • a pesquisa sobre os aspectos sociais da colonização portuguesa e da espanhola na América Latina.

 

Método monográfico:Na continuidade, o método monográfico, ou estudo de caso, consiste na observação de determinados indivíduos, profissões, condições, instituições, grupos ou comunidades, com a finalidade de se obter generalizações. Foi criado por Le Play, que o empregou para estudar famílias operárias na Europa.

O estudo monográfico pode também abranger o conjunto das atividades de um grupo social particular, como, por exemplo: as cooperativas, um grupo de indígenas, os delinquentes juvenis ou os idosos na sociedade atual. Como vantagem desse método, podemos apontar o respeitar à totalidade solidária dos grupos, ao estudar em primeiro lugar, a vida do grupo em sua unidade concreta, evitando a dissociação prematura dos seus elementos.

Tal método parte, portanto, de uma lógica dedutiva, posto que o caso estudado é compreendido como uma unidade significativa do todo. Pressupõe, com isso, a execução de três fases, que são:


  • 1ª fase: seleção e delimitação do caso. Exemplo: a aplicação do planejamento estratégico na UFSC;

  • 2ª fase: trabalho de campo. Trata-se do momento em que os dados são coletados. Exemplo: observação do planejamento estratégico na UFSC; entrevistas com os desenvolvedores dessa ferramenta na Instituição;

  • 3ª fase: organização e redação do relatório.

São exemplos desse tipo de estudo: monografias organizacionais, regionais e até as urbanas.

Método estatístico, dizemos que ele se fundamenta, sobretudo, na utilização da teoria estatística das probabilidades. Suas conclusões apresentam grande probabilidade de serem verdadeiras, embora admitam certa margem de erro. A manipulação estatística permite comprovar as relações dos fenômenos entre si, e obter generalizações sobre sua natureza, ocorrência ou significado.

Como exemplo da aplicação deste método, identificamos a pesquisa sobre a correlação entre o nível de escolaridade e a produtividade dos trabalhadores.



Método funcionalista: O método funcionalista por sua vez, é, em verdade, muito mais um método de interpretação do que de investigação. Qual seu objetivo? O método funcionalista enfatiza as relações e o ajustamento entre os diversos componentes de uma cultura ou sociedade, já que pressupõe

[...] que a sociedade é formada por partes componentes, diferenciadas, inter-relacionadas e interdependentes, satisfazendo, cada uma, funções essenciais da vida social, e que as partes são mais bem entendidas compreendendo- se se as funções que desempenham no todo (LAKATOS; MARCONI, 2006, p.110).

 Este método visa o estudo da sociedade do ponto de vista da função das suas unidades, uma vez que considera toda a atividade social e cultural como funcional ou como desempenho de funções, isto é, considera a sociedade como um sistema organizado de atividades.

Como exemplo, apontamos a averiguação da função dos usos e costumes, como forma de assegurar a identidade cultural do grupo.

Método estruturalista: Desenvolvido por Lévis- Strauss. E qual o seu objetivo? Este método parte da investigação de um fenômeno concreto, que atinge o nível do abstrato através da constituição de um modelo de representação do objeto de estudo, retornando-o ao concreto, mas dessa vez como uma realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social (LAKATOS; MARCONI, 2006, p.111).

O método estruturalista, caminha do concreto para o abstrato e vice-versa, dispondo, na segunda etapa, de um modelo para analisar a realidade concreta dos diversos fenômenos.



O estudo das relações sociais e a posição que estas determinam para os indivíduos e os grupos, com a finalidade de construir um modelo que passa a retratar a estrutura social onde ocorrem tais relações, seria um exemplo da aplicação desse método. De acordo com Gil (1999, p.245), “o termo estruturalismo é utilizado para designar as correntes de pensamento que recorrem à noção de estrutura para explicar a realidade em todos os níveis”.

É importante ressaltar o fato de que tanto o método histórico como o comparativo e o estatístico podem ser empregados simultaneamente em um mesmo trabalho, se estiverem adequados aos objetivos da pesquisa.

 


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