Modelo de integraçÃo de três filosofias de gestãO: aplicaçÃo em uma oficina ferroviária



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3. Modelo de Integração


O modelo de integração das três filosofias que é utilizado no presente trabalho foi desenvolvido pelo pesquisador Russ Pirasteh, como fruto de um trabalho de doutorado, intitulado de “Effects of Combined Approach of Theory of Constraints, Lean and Six Sigma on Process Improvement” (PIRASTEH, 2006).

A pesquisa de Pirasteh (2006) foi realizada com a finalidade de investigar o impacto no desempenho de um ambiente operacional após a aplicação das ferramentas de melhoria contínua baseadas nas filosofias TOC, Manufatura Enxuta e Seis Sigma. Essa integração foi aplicada com sucesso por Mercado (2014), em uma empresa de fabricação de produtos da linha branca. Os resultados obtidos foram satisfatórios e, segundo o pesquisador, houve redução considerável no lead time, nos processos produtivos. Na conclusão da pesquisa, Mercado (2014) sugeriu a aplicação da integração em outros tipos de operações, para que fosse possível comprovar a versatilidade dessa metodologia.

Segundo Pirasteh e Fox (2010), cada filosofia possui limitações e a integração entre elas potencializa seus pontos positivos, pois as visões de cada abordagem oferecem suporte umas para outras, essa é uma vantagem para os sistemas produtivos devido a possibilidade de grandes melhorias dos resultados. Ainda segundo Pirasteh e Fox (2010), as principais características de cada filosofia são:


  1. O ponto forte da TOC é a concentração dos esforços de melhorias no ponto mais crítico (gargalo), sempre medindo o desempenho do sistema como um todo. Apesar disso a TOC não possui ferramentas e técnicas analíticas para ampliar a capacidade, eliminar as interrupções no fluxo, melhorar a qualidade e reduzir a variabilidade;

  2. A Manufatura Enxuta tem como ponto forte o combate aos desperdícios no sistema, porém não possui uma ferramenta que ofereça priorização de onde aplicar os esforços;

  3. A força do Seis Sigma está nas suas ferramentas estatísticas, que dão base para a redução de variações no processo, porém, assim como a Manufatura Enxuta, não possui ferramentas de priorização.

Segundo o modelo de integração, as etapas da TOC são aplicadas inicialmente para identificar e focar os esforços necessários para obter uma otimização no processo como um todo. Posteriormente, as técnicas de manufatura enxuta são usadas para identificar os recursos que não agregam valor ao processo, conforme prioridade identificadas nas etapas posteriores. Por último, são aplicadas ferramentas estatísticas do Seis Sigma, para aperfeiçoar o processo, compreendendo a natureza das fontes de variabilidade, e determinar os novos padrões do processo (PIRASTEH; FOX, 2010). O modelo utilizado nesse estudo é composto de um ciclo de sete etapas, em cada uma delas são fornecidas orientações sobre as ferramentas e técnicas a serem aplicadas (FIGURA 4).

Figura 4 - Etapas da metodologia de integração



FONTE: Adaptado de PIRASTEH; FOX (2010)



3.1 Etapa 1 – Mobilizar e Focar

O primeiro passo da metodologia tem como objetivo revelar o problema que limita o sistema e determinar em qual processo os esforços devem ser concentrados, por meio da utilização das ferramentas da TOC. Também é possível identificar o gargalo utilizando dados do processo, por exemplo, indicadores de estoques de produtos em processo (MERCADO, 2014).



3.2 Etapa 2 – Explorar a Restrição

Nessa etapa deve ser definida a melhor maneira de explorar a restrição. Pirasteh e Fox (2010) sugerem a aplicação de uma série de ferramentas da Manufatura Enxuta. É necessário identificar as atividades que agregam e aquelas que não agregam valor ao cliente.



3.3 Etapa 3 – Eliminar as Fontes de Desperdícios

São aplicadas ferramentas de Manufatura Enxuta para identificar e reduzir os desperdícios, para aumentar a produtividade e reduzir custos. Segundo Pirasteh e Fox (2010), é necessário estabelecer medidas no processo para avaliar as melhorias implementadas.



3.4 Etapa 4 – Controlar a Variação do Processo

Nessa fase são implantados controles e indicadores, por meio de ferramentas do Seis Sigma, de modo que as variações do processo sejam controladas no longo prazo (PIRASTEH; FOX, 2010). É importante medir o valor de desempenho do processo em um nível abrangente, para que a melhora do resultado contribua para uma rentabilidade maior.



3.5 Etapa 5 – Controlar as Atividades de Suporte

Nessa etapa são aplicadas ferramentas da Manufatura Enxuta e do Seis Sigma, com ações que estejam alinhadas com as necessidades da restrição. De acordo com Pirasteh e Fox (2010), também devem ser definidos os procedimentos operacionais padrão e mecanismos de controle estatísticos direcionados aos fatores críticos.



3.6 Etapa 6 – Remover a Restrição e Estabilizar

Essa etapa irá elevar o gargalo a um nível de capacidade em que ele não será mais considerado como uma restrição. Conforme Pirasteh e Fox (2010), é necessário controlar as operações e recursos para garantir o desempenho em longo prazo. Para isso, as auditorias se apresentam como metodologia eficaz para monitorar os resultados.



3.7 Etapa 7 – Reavaliar o Sistema

Por fim, os resultados são analisados para decidir se é pertinente focar em uma melhoria adicional no gargalo atual ou se outro gargalo foi identificado. Quando surge outro gargalo, é necessário iniciar o ciclo pelo primeiro passo.


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