Meu desejo é mais respeito do homem com a natureza, que estava aqui antes de nós e vai estar depois de nós



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EDUCAÇÃO AMBIENTAL: ÉTICA, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE.

SILVA, Manoel da Conceição. 1

“Meu desejo é mais respeito do homem

com a natureza, que estava aqui antes

de nós e vai estar depois de nós”.

Claude Lévi Strauss



Resumo

As leis 9.605/98 e 9.795/99 estabelecem respectivamente as normas e sansões para crimes ambientais e normas de educação ambiental. A partir da evolução do direito de primeira geração (Direitos Individuais) e segundo geração (Direitos Sociais) a humanidade sentiu necessidade de criar o Direito Ambiental, de terceira geração visando garantir a qualidade de vida, em defesa de um ambiente limpo, saudável, não poluído. Garantido por instituições ecológicas e ONGS ambientais como GREEPEACE empreendem uma longa corrida contra os prejuízos ambientais provocados pelo homem, procurando minimizar suas consequências com medidas ecológicas apoiadas na sustentabilidade a partir de vários modelos de desenvolvimento sustentável em todas as áreas de atividades econômicas, avaliando-se os impactos futuros. Segue-se ainda a proliferação de Partidos Verdes que fazem do meio ambiente o seu programa de governo.. Tais leis que apoiam-se na fonte do direito: os costumes; às vezes são mais rígidas que de primeira e de segunda geração por tratar-se não de garantir o direito individual ou as relações sociais, mas a sobrevivência humana e seu habitat, fomentado a gestão ambiental entendida como conjunto de procedimentos que visam conciliar o desenvolvimento humano com qualidade de vida. É imoral o fato de estas gerações estarem inescrupulosamente surrupiando os recursos naturais necessários a sobrevivência das gerações futuras, algo que deva ser combatido com a energia necessária da lei e uma constante educação de gerações presentes e futuras. Nisto constitui-se o desafio futuro da educação do homem.



Palavras – chave: Educação, ética, cidadania, sustentabilidade, gestão, impacto ambiental.

INTRODUÇÃO
Com o iminente soçobrar do planeta no século XXI provocado pela vida azáfama e ambiciosa do homem moderno, a Conferência das Nações Unidas (Estocolmo, 1992) reconheceu a gravidade e a necessidade de uma política de gestão e educação ambiental voltada para a Sustentabilidade, seguida pela Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Ambiental (Rio de Janeiro, 1992) que produziu documentos de relevância que vieram a difundir o conceito de desenvolvimento sustentável, sugerindo mecanismos de conscientização e tornando evidente a atualidade, relevância e contribuição do tema. Notadamente o Brasil e a Amazônia “Pulmão do Mundo” ocupa lugar de destaque nesta questão ecológica. O homem moderno torna crível a consciência de que não pode mais viver do extrativismo ou acumular lixos residuais ou atmosféricos, mantendo assim uma relação mais ética com o seu meio, de cooperação com o semelhante e exercendo sua cidadania com mais responsabilidade em nome da sobrevivência.
O desmatamento desenfreado, as queimadas, um costume antes sazonal hoje generalizado, alavancados pela cobiça humana, ignoram a máxima da natureza: tirar somente o que se precisa e se possível sempre devolver, repor. Como conseqüência criam-se aberrações sociais em pleno século XXI como o “Movimento dos Sem Tora” (sem “tora” mesmo) que ainda vive do extrativismo madeireiro quando a humanidade precisa de recursos renováveis. Ainda como conseqüência surgem as desertificações e mudanças climáticas nunca vistas como enchentes no Nordeste e secas no Sul, ambas causando fome, doença, sofrimento e morte (anexo 4), fenômenos não tão naturais como no caso de São Paulo que tem 90% da sua superfície impermeabilizada, que mascara o fato de que neste caso especifico da periferia, não é a água que toma o lugar do homem ou que invade as casas, mas vice-versa, o homem que invadiu a várzea do Tietê.
As Conferências diante de tais contestações visam promover política de conscientização sobre o desenvolvimento sustentável nas quais é possíveis minimizar os impactos nocivos ao meio ambiente decorrente das agressões do homem. No centro do furacão a Amazônia não está isenta ao desrespeito às leis da Dialética. Assim como a água é formada por dois gases altamente inflamáveis (H2O), estudos comprovam que a densa floresta é virtualmente um deserto, pois abaixo de um metro de matéria orgânica composta principalmente de folhas mortas encontra-se um solo arenoso, que só precisa de um “empurrão” do homem para tornar-se um “mar” de areia.
Constituir-se em 1/5 de toda vegetação de terra, desperta para a Amazônia o interesse do mundo, aliado a sua biodiversidade constantemente contrabandeada juntamente com as suas riquezas minerais. Turistas insuspeitos enchem sacos com peixes ornamentais e com sementes, enquanto canos de PVC transportam pássaros raros, com destino aos seus laboratórios na Alemanha, Noruega e outros países. Sem falar que a Amazônia tem a maior concentração de água doce do planeta. Tudo isto chama atenção para uma questão ética. Os Estados Unidos e a Europa, movidos pela inveja, cobiça, hipocrisia, fazem publicar em livros e jornais que a Amazônia não é dos brasileiros, ferindo a ética da soberania nacional.

. A Malásia tornou-se o maior produtor de borracha do mundo graças a 500 mil sementes de Seringueiras, que contrabandeou da Amazônia no século passado. Recentemente o “coloral” foi patenteado nos Estados Unidos e o cupuaçu e o açaí no Japão.
Recentemente (2008) o New York Times publicou uma matéria afirmando tal fato. Livros mostram o mapa do Brasil sem a Amazônia e seguem-se tentativas de diplomatas suíços e franceses tentando adotar a Amazônia como um filho sem pai.
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Quadro 1-Indignação ( Fonte- New York Times)

A julgar pelas facilidades do capital estrangeiro para compras terras e a dificuldade para os brasileiros criar uma Reserva de Preservação Particular Natural - RPPN, (mais de 30 exigências), em breve a ameaça deve-se cumprir.


1-A NECESSIDADE DE UMA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA ASSEGURAR O FUTURO
Estiveram no Rio de Janeiro 94 países do mundo em seus vários segmentos; se reunirem no dia 19 de junho de 2012 “pseudopreocupados” com o futuro do planeta; principalmente os 20 países mais ricos, para decidir como devemos agir em relação ao meio ambiente, numa clara alusão de que não adianta ser rico se não estaremos aqui no futuro para usufruir dessa riqueza. Como ninguém quer pagar a conta, alguns aspectos já estão fadados ao fracasso como o fundo de ajuda financeira proposto.

A preocupação é desenvolver no mundo uma consciência ecológica através da educação, pois as arvores que são cortadas para dar lugar a pastagens, e que são aparentemente insignificantes, diminuem em 3º graus a temperatura ou calor do seu quintal. As mesmas árvores roubam gás carbônico e o transforma em oxigênio para você respirar; retêm a umidade e jogam o vapor na atmosfera que se transforma em chuva, além de lhe dar frutos. Algumas levam 100 anos para crescer enquanto um rebanho de gado solta gases que contribuem para aumentar o buraco na camada de ozônio, aumentando a temperatura. Portanto quando um animal morre por falta de chuva lembre-se de sua parcela de culpa. È a justiça poética da máxima Socrática: “se o desonesto soubesse das vantagens de ser honesto, o seria pelo menos por desonestidade”.

Apesar das descrenças de uma ala de cientistas que acha que quanto mais calor, mais evaporação, e portanto, mais chuva; e a extinção natural de algumas espécies ser uma realidade biológica, e salvo alguns exageros; a produção industrial do homem e a teimosia do mesmo em viver de extrativismo tratando a natureza como mercadoria, só tirando da mesma e não dando nada em troca; está levando a uma diminuição dos recursos que tornam possíveis a vida do homem na terra: “constata-se que o homem destruiu mais os recursos naturais nos últimos 100 anos, do que desde o aparecimento do homem na terra à 2.000.000 de anos atrás”.

Os economistas já reconhecem que no futuro a riqueza dos países estará no setor produtivo e não no setor financeiro que só especula e não produz nada. Isto já se reflete no crescimento dos países emergentes como Índia, Brasil e China, países com grandes extensões de terra e alto poder de vitalidade no setor produtivo primário. Na atual contramão estão os países de economia falida da Europa e EUA- que vivem de agregar valores aos produtos, por dominarem a tecnologia que não dominamos- mas que erroneamente apostaram no setor financeiro e na especulação imobiliária.

Obviamente alguém enriqueceu com isso: a imobiliária, a empreiteira, o banco e só; ficando 99,9% da população com o prejuízo como comprovam os milhares de pessoas de classe média que viraram sem teto nos EUA e os milhões de desempregados hoje na Europa, mas por incrível que possa parecer, ainda há pessoas no Brasil cometendo esse tipo de suicídio financeiro, destruindo a natureza e o setor produtivo e apostando no setor financeiro. Embora ninguém se alimente de dólares.

Se não tivermos uma consciência ecológica; não compreenderemos o que muitos economistas já sabem: o futuro está o setor produtivo aliado a tecnologia. Em contrário, será graças a pessoas deseducadas ambientalmente - que apostam na destruição da natureza- que gerações futuras podem conviver com uma realidade sombria: não terão o que respirar; viverão num calor insuportável; os invernos se tornarão cada vez mais curtos; as árvores irão secar como já acontece; a agricultura tornar-se-á impraticável e a população terá que migrar para os polos, único lugar da terra onde a vida será possível graças ao gelo remanescente dos polos do planeta. Para dar razão a obra “The Seven Thunders” (Nielsen, 2007), físico nuclear australiano, que lista as 7 causas da destruição do planeta. Tenhamos respeito pelos nossos netos, se não “tenhamos pela natureza, que já estava aqui antes de nós e vai estar depois de nós”.





  1. COMO O EGOÍSMO HUMANO INFLUENCIARÁ O FUTURO DO PLANETA

Nós nos transformamos naquilo que produzimos. O homem conseguiu atrelar ao seu alto grau de desenvolvimento à autodestruição. Não dá um passo em busca do primeiro que não caminhe ao encontro do segundo. Na sua obra “The Seven Thunders” (Nielsen, 2007) o físico nuclear australiano lista sete sérios problemas pelos quais passam à humanidade na sua relação ética com o planeta, com o seu semelhante, e com o seu futuro:


O primeiro grande problema é a deteriorização do meio ambiente, intensificada pelas atividades industriais e agrícolas. Nos países industrializados o crescimento em média foi de 2,6 ao ano, na China de 18,1% e na Ásia 16%; tudo devidamente acompanhado do aumento da poluição. Na área agrícola o problema foi o aumento do uso de pesticidas que em 1960 era de 0,4 kg por hectare, e em 1999 aumentou para 2 kg por hectare. A exposição a pesticidas esta ligada a causas de linfomas, câncer de mama e leucemia. Sem deixar de considerar que os mesmos desertificam os solos, pois, destroem a biodiversidade.
O segundo grande problema segundo o físico é a explosão populacional. Com a evolução da medicina nascem mais pessoas que morrem pelo aumento de expectativa de vida. A cada segundo nascem cerca de 4 crianças no mundo (250 por minuto e 130 milhões ao ano). Inversamente morrem 100 pessoas a cada minuto, ou seja, 50 milhões por ano, ocorrendo o aumento de 80 milhões por ano, o que estima população de 8 bilhões em 2008, atualmente em 6,6 bilhões.
O terceiro grande problema seria a redução dos recursos terrestres e da biodiversidade com a explosão demográfica. Tais recursos estão diminuindo: há dois mil anos eram 59 hectares de terra utilizável por pessoa. Em 1930 eram 10 hectares e em 2007 apenas 2 hectares. Como causa deste terceiro problema temos ainda a destruição pela industrialização e o avanço da agricultura citados anteriormente no primeiro problema, que somados a explosão populacional minguam os recursos naturais. Temos ai exemplos de cidades inchadas2 como Recife e impermeabilizadas como São Paulo, gerando respectivamente marginalidade e enchentes. Segundo o autor, 140 espécies estão se tornando extintas por dia, dos 10 bilhões existentes.
O quarto grande problema- a escassez de água- talvez seja o mais grave problema para a humanidade, dado a sua urgência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 1 bilhão de pessoas não tenham acesso a água potável e 3,4 milhões morrerão anualmente por doenças facilmente evitáveis se continuar a degradação dos recursos hídricos e finalmente 2/3 da população mundial viverá em escassez de água em 2025, o que colocará uma garrafa de água mineral como o produto mais caro e cobiçado do futuro.
O quinto problema é a crise energética causada até então. Tendo como fonte os recursos fósseis não renováveis, em 86% do consumo (petróleo e gás natural) energético, a menos que se desenvolvam fontes alternativas de energia, viáveis e seguras, as projeções são pessimistas: 20% do aumento de veículos nos próximos 50 anos consumindo as últimas gotas que restarão de petróleo.
O sexto e o sétimo “trovão” segundo o autor tem a ver com a qualidade de vida e com o aumento bélico (capacidade de matar e gerar conflitos). No primeiro caso o abismo entre ricos e pobres colocam a maioria das pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza como mostra o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) da ONU que mede saúde, renda e educação, mas que tem o seu grande gargalo na péssima distribuição de renda que por sua vez não permite acesso à saúde e educação. No Brasil 75% dos recursos são detidos por 10% mais ricos. O governo brasileiro onera a população com o segundo maior imposto do planeta alegando um rombo na previdência de 50 bilhões, mas esconde que os mais ricos devem 200 bilhões à mesma, ou seja, se fizesse sua lição de casa teria superávit de 150 bilhões. Os Estados Unidos da América que financiam guerra e gastam 300 bilhões em armas e a Ásia 14% do seu orçamento são os maiores exemplos desse 2º item. Todos estes problemas apontam para um colapso global nos próximos 50 anos, enquanto parte da humanidade morre de fome.

3. NOSSA RELAÇÃO ÉTICA COM O PLANETA
Já está ocorrendo a catástrofe global que se esperava para daqui a 40 ou 50 anos. Ao longo de sua história o homem preconizou 4 tipos de relações axiológicas nem sempre éticas com o planeta: com o seu meio ambiente, seu eu, o outrem, e a transcendência. Chegou a tal grau de desenvolvimento, que em vez de alcançar usufruto deste último, está preste a alcançar a autodestruição, visto que apenas uma bomba de 25 megatons é capaz de aniquilar a humanidade atual.
Na sua obra “Conversando a Gente se Entende (Wheatley, 2004)” faz várias reflexões sobre o assunto. Enquanto as outras espécies se integram ao meio ambiente através da observação, nós seres humanos criamos novas regras em vez de nos submeter às leis da natureza. Através da consciência testamos, planejamos e subjugamos a natureza aos nossos próprios objetivos. Agimos como deuses promovendo a destruição do nosso habitat, desrespeitando princípios básicos como o não desperdício. Resolvemos acumular lixo, um luxo só da nossa espécie, pois tudo o que as outras espécies manipulam são biodegradáveis.
Todos os países preconizam que quanto mais crescimento, melhor. Ignoramos o ciclo dialético da vida, na qual as coisas só se preservam pela renovação (recursos renováveis) na qual a decomposição é o elemento mais saudável na preservação da vida. A pele do nosso rosto só é viçosa porque morre todos os dias e é substituída por outra. Pretendemos melhorar sempre sem trégua e nunca adoecendo, nunca morrendo. Ignoramos o principio ecológico de que a natureza sempre tem a última palavra.
Alguns exemplos de tentativas de dominar a natureza e evitar a morte estão justamente provocando a futura extinção de nossa espécie. Onde o homem está, há lixo residual. O homem tem que ser eterno e soberano, a água e o ar não. A poluição mostra que o problema está na atividade de uma única espécie. A natureza oferece lições de que viver na terra é incompatível com o viver na contramão das leis fundamentais da vida: para que tanto progresso se não estaremos aqui para usufruí-lo?
O biólogo E.O. Wilson diz “foi uma infelicidade um primata carnívoro ter se sobressaído e não uma espécie benigna”. Se toda a humanidade desaparecesse, todos os outros seres se beneficiariam enormemente. Toda a terra sofreria se perdesse outra espécie, menos a humana, pois toda a forma de vida baseia-se na cooperação e não no egoísmo. Rousseau já nos alertava sobre as diferenças artificiais que o homem cria: “os frutos eram de todos e a terra de ninguém”. Desde Adam Smith e até antes do mesmo prega-se a competição, mas esta é apenas sazonal, pois o que prevalece é a cooperação mesmo em ambientes com presas e predadores:
Quando surge um novo predador num ecossistema, ele age vorazmente, consumindo muito mais do que a sua parte dos recursos disponíveis. Muitas espécies locais morrem porque o seu habitat é destruído. Mas depois de algum tempo, o sistema se recompõe ou a espécie predatória desaparece por ter destruído o seu alimento e seu ambiente3.
Vivemos em uma teia de cooperação e não de consumidores vorazes embora nos considerando no ápice da cadeia biológica, destruindo espécies que não nos ameaçam e não conseguindo destruir aquelas que nos ameaçam. Por exemplo, somos o ser mais evoluído e estamos perdendo a luta contra o ser menos evoluído: o vírus.
Ao destruir algumas espécies proliferamos outras que ficam sem os seus predadores naturais. Criamos pestes e desequilíbrios. Não podemos gerir o planeta com leis próprias, pois o mesmo já tem suas leis. Com a nossa teimosia provocamos mudanças climáticas, enchentes, solos estéreis e destruição, novas doenças como HIV. Nosso moderno estilo de vida não está trazendo resultados positivos. Wheatley sugere que sejamos bons vizinhos e parceiros da natureza e apreciemos coisas simples como pôr-do-sol, a fúria do vento no rosto, o som de um riacho, um banho de cachoeira, a sombra de um bosque, coisas que parecem ser insignificantes, mas que na realidade são como continência urinaria: só damos valor quando perdemos.

4. OS DONOS DA TERRA E A CIDADANIA
Pela segunda vez (em 1984 e 2008) a semana indígena teve como tema terra é vida em conseqüência de investidas de latifundiários, grileiros, madeireiros, empresas de mineração, estradas e hidrelétricas por parte do governo apoiados na concepção de desenvolvimento predatório, dizimando e expulsando comunidades inteiras indígenas ou não. O Estado vem sendo obrigado a reconhecer os direitos legais desses povos, na condição de cidadãos brasileiros. Terras demarcadas e não reconhecidas pela constituição de 1988 entram no centro da discussão diante do possível genocídio que pode ocorrer com a expansão da soja, do álcool, do eucalipto e até do biodiesel, obrigando o governo a criar e definir áreas de zoneamento futuro para este último que já cria um desconforto internacional, oportunamente utilizado pela indústria petrolífera.
A história nos mostra que não há terra sem rio e nem rio em terra morta a exemplo do Egito que está no meio de três desertos, mas é fertilizado pelo rio Nilo, daí porque Heródoto chegou a afirmar: “o Egito é uma dádiva do Nilo”. Querendo dizer que sem o rio aquela civilização não existiria.
Para os indígenas Yanomanis, a xawara (epidemia) “encontra-se nas profundezas da terra e é libertada quando o homem branco tira o ouro da mesma, espalhando-se em forma de fumaça e deixando a terra doente”. Quando essa fumaça é fruto das fabricas enche o “peito do céu”. Todos nós vamos morrer acreditam os Yanomanis com certa razão. Na década de 40, um indigenista explicava a um cacique que a Alemanha de Hitler invadia países e desrespeitava tratados. O cacique ficou pensativo e fulminou: “essa tribo não tem futuro”. Sua lógica simples está em acordo com as leis da natureza.

O centro do furacão em 2008 está no Estado de Roraima e no conflito entre agricultores de arroz e as terras contínuas das reservas indígenas daquele Estado e nas 300 ONGs que aguardam para se apossar da região norte..O que não é difícil, já que o governo deu ganho de causa aos indígenas, que são os únicos ainda não atingidos pela “síndrome de Midas” moderna , onde o homem só pensa em lucro. O indígena enquanto puro não conseguia entender por que tinha que trabalhar para acumular riquezas para o futuro, se tudo que precisava estava ali na natureza, fresquinho para ser consumido. Esse indígena não mais existe, o indígena atual aderiu a todas as doenças, vícios e defeitos capitalistas do homem branco, e está ao lado do mesmo e com a ajuda e incentivo do mesmo, surrupiando imoralmente os recursos naturais dos nossos filhos e netos, condenados pela nossa insensibilidade a viverem no futuro, num mundo inóspito, estéril, e sem recursos, castigado por um clima de temperatura insuportável.



4.1 - A CIDADANIA E A POLÍTICA EQUIVOCADA DA FUNAI
Não vamos aqui compactuar com a política demagógica da FUNAI, já ultrapassada. A Educação do Campo seria uma solução. O homem branco vivia em cavernas e hoje vive em arranha céus, torres e edifícios. Houve uma evolução natural e artificial em parte por esforço do próprio homem, é assim que ocorre. Na luta pela sobrevivência o homem evoluiu, cresceu, incorporou culturas ou readaptou-se em nome dessa evolução e sobrevivência. Não se insiste naquilo que já está ultrapassado, pois de um valor antigo surgem valores novos. Manter uma cultura intacta, intocável num mundo globalizado, contaminado pela cultura do branco é tentar manter alijados os seus protagonistas desse mundo globalizado. É demagógico, mesmo porque essa cultura de nada servirá se não houver povo que possa cultuá-la, praticá-la no futuro. Os índios devem educar-se aos moldes modernos para que tenham condições de defender sua cultura, inclusive do assédio e da exploração e doença do branco invasor. Devem ocupar profissões tradicionais (médico, advogado etc.) e de futuro promissor como hotelaria, informática, e engenharia ambiental, a exemplo dos negros após 388 anos de tortura, exploração neste país de apenas 513 anos que só agora conquistam posições. Isto significaria cidadania, estar em pleno exercício de seus direitos e deveres e não delega-los a ninguém, pois o homem é o projeto que faz de si mesmo. Somente quando os indígenas detiverem esse poder embutido na ciência moderna, ninguém precisará protegê-los, como fazem, mas de 300 ONGS proliferadas na Amazônia, nem sempre ilibadas a ponto de algumas serem denominadas de máfia verde.

5. COMO SALVAR O PLANETA DA POLUIÇÃO
O homem é o único animal capaz de destruir o planeta, mas o único capaz de salvá-lo. Palavras são importantes, pois se você não sabe dizer o que quer, não poderá fazer o que diz. Portanto palavras devem concretizar-se em atos. Há fortes fundamentos científicos de que com o aquecimento global na proporção que está ocorrendo, possivelmente no futuro não poderá habitar o centro do planeta, sendo obrigado a migrar para regiões mais frias como os pólos, onde o gelo remanescente amenizaria a temperatura. Estamos caminhando um verdadeiro período Permiano em que a Sibéria sofreu enorme fissura (em 10 mil anos), liberando enxofre de erupções vulcânicas que elevaram a temperatura dos pólos a 38º c, matando a vida na terra, depois no mar que ficou sem oxigênio. O dióxido de carbono liberado aumentou em 15º a temperatura da terra em média. Nos últimos 100 anos a temperatura vem dobrando, só que agora não pela ação lenta da natureza, mas abrupta do homem.

5.1- EFEITO ESTUFA E AQUECIMENTO COMO CONSEQUÊNCIA DA POLUIÇÃO
Necessariamente o efeito estufa não é nocivo ao planeta. Na verdade é ele que mantém a temperatura da terra. O problema é o aumento excessivo de temperatura: em 1896 o físico químico Svant reconheceu que as atividades industriais da época seriam responsáveis pelo aumento de dióxido de carbono CO2 na atmosfera e por sua vez responsável pela elevação da temperatura global. A temperatura média da superfície da terra e de 15º e no século XX levou-se 0,5º c, segundo Landulfo (2007, p. 99). Veja quadro demonstrativo com a variação de 1880 a 2000.

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______________________________________________________________________Quadro 2 – Variação de temperatura do planeta



Faz-se mister diminuir a emissão de gases no planeta que aumenta a temperatura e ameaça derreter icebergs elevando o nível das águas, provocando futuras catástrofes.

5.2 - CRISE ENERGÉTICA VERSUS MEIO-AMBIENTE
Este problema constitui-se no principal desafio dos governos atuais. Com o crescimento populacional há uma demanda, esta por sua vez provoca aumento de consumo de materiais e fontes básicas de energia que na produção e/ou utilização geram resíduos que afetam o meio ambiente, produzindo assim poluição (tripé: população, energia, poluição), similar ao tripé de Karl Marx (necessidade, trabalho, bens = satisfação). O grande desafio é a busca de energias alternativas: renováveis, limpas, que possam poupar os recursos naturais, visto que os não renováveis como petróleo, gás natural, carvão e urânio, estes dois últimos com agravante de provocarem respectivamente a construção de termoelétricas à carvão e combustível nuclear para a demanda dos próximos 25 anos:
Após 2020 entrariam em funcionamento os reatores Breeder, que produzem o mesmo material físsil. Isto feito, por exemplo, ao misturar-se urânio enriquecido (235U) com plutônio (239 Pu) na reação de fissão e geração de seus produtos, o urânio natural (238 U), é convertido em plutônio. (Landulfo: 2007, p. 118).
Em 2050 estimava-se transferir as fontes de energia para estas usinas. Pensou-se em luz solar, eólica; termoelétrica alimentada por lixo, gás natural e restos vegetais; deixadas em seguindo plano dado o alto custo destas usinas. Ao converter recursos em energia é necessária observar que nenhuma fonte de energia por mais limpa que seja, deixa de causar um impacto ambiental. O quadro a seguir demonstra o que é desprezível, ou significativo, marcante, e de grande risco no impacto das energias.