Menina bonita do laço de fita



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ABORDAGEM DA LITERATURA INFANTIL AFRO-BRASILEIRA ENFOCANDO A FIGURA FEMININA NEGRA A PARTIR DA OBRA “MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA”1

Érica Cibelle de Sousa Araújo2 (UFCG/UFPB)

Amanda Paula Silva Cavalcante 3 (UFCG/UFPB)

  1. Introdução


A leitura literária desempenha um importante papel no que diz respeito à ampliação de conhecimentos, tanto de mundo, quanto o enciclopédico, podendo favorecer releituras da realidade. A partir dela é que a criança desenvolve reflexões, o raciocínio, a criatividade e até mesmo uma percepção crítica diante de situações diversas, reelaborando os conceitos e preconceitos impostos, a elas, pela sociedade. De acordo com Silva (2010, p. 78), “o ato de ler e ouvir histórias possibilita à criança expandir seu campo de conhecimento, tanto na língua escrita, quanto na oralidade”. Nesse contexto, o professor desempenha papel fundamental para o êxito do processo, cabendo-lhe a verificação dos interesses literários de seus alunos, pois é através da leitura que se pode fazer a internalização das informações e, por meio dela que se adquire a habilidade de ver as coisas com novos significados, novas perspectivas, além do fato de que é uma forma de nos apropriarmos da realidade na qual estamos inseridos.

A escolha por este tema desperta desejo na disciplina “Elaboração de Projeto Pedagógico” do Curso de Especialização em Gênero e Diversidade na Escola (GDE), do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero (NIPAM), no qual, na posição de cursista, pudemos aprofundar estudos acerca de questões introduzidas no curso: Gênero, Diversidade, Relações étnico-raciais, Orientação Sexual, Pesquisa e Projetos. Tais questões interessaram por se tratarem de temas considerados tabus e/ou até mesmo considerados “complexos” pelas escolas para serem trabalhados em sala de

aula. Logo, a partir das experiências vivenciadas em algumas escolas as quais trabalhei, mais precisamente em turmas de 2º Ano, foi possível identificar a ausência da metodologia de contação de história de Literatura Infantil Afro-brasileira, uma atividade que transmite conhecimentos e valores e que enfoque a figura feminina negra em seus enredos. Logo,

A contação de histórias é atividade própria de incentivo à imaginação e o trânsito entre o fictício e o real. Ao preparar uma história para ser contada, tomamos a experiência do narrador e de cada personagem como nossa e ampliamos nossa experiência vivencial por meio da narrativa do autor. Os fatos, as cenas e os contextos são do plano do imaginário, mas os sentimentos e as emoções transcendem a ficção e se materializam na vida real. (RODRIGUES, 2005, p. 4)

Perante o conhecimento e vivência em escolas, percebemos que algumas utilizam da metodologia de contação de história, entretanto não de modo significativo. Além disso, quando se valem dela não costumam abordar os conteúdos trazidos pelas Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08, que tornam obrigatórios o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, e que consideram a literatura um instrumento relevante para dar conta desta demanda pedagógica.

Desse modo, é perceptível que a escola é um espaço cultural e heterogêneo que reúne diversidade linguística, religiosa, racial, dentre outras. A construção da identidade da criança é algo que perpassa pelos referenciais que lhe forem apresentados. Diante disso, este trabalho procura refletir sobre a visão dos/as alunos/as e trabalho do/a professor/a acerca abordagem da temática da Literatura afro-brasileira4 em sala de aula, tendo como mote a Lei de Diretrizes e Bases Nacionais de Nº 9394/96, no que diz respeito ao Art. 26-A, que torna obrigatório o estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, a Lei Nº 10.639 de 2003, que altera a Lei anterior, de Nº 9.394/94, estabelece que as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira, e dá outras providências; e, ainda a Lei Federal nº 11.645, de 10 de Março de 2008, que altera a Lei no 9.394/94, modificada pela Lei no 10.639/03, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional para incluir no currículo oficial da rede de ensino, a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.


A partir daí, surgem questionamentos que possibilitam uma reflexão de como se trabalhar essa temática nas escolas, estimulando o pensamento crítico do/das estudantes em formação. Logo, levanta-se problemas: de que maneira os/as professores/as abordam textos de literatura infantil afro-brasileira nos quais a mulher negra apareça como personagem central, tornando possível estimular o/a educando/a a identificar-se de alguma forma, bem como, descontruir junto aos/às estudantes um pensamento preconceituoso e discriminador? Diante de tais questões, através de uma intervenção, buscamos trabalhar a literatura afro-brasileira como um meio de construir conhecimentos e estimular reflexões acerca da cultura e das relações étnico-raciais em sala de aula, sem visar apenas cumprir o currículo didático escolar.

Assim, tratou-se de apresentar aos/às alunos/as a riqueza da diversidade étnico-cultural brasileira e de gênero, com vistas a contribuir para que as crianças se apropriem de valores como o respeito a si próprios/as e ao/a outro/a, mas também com o objetivo de verificar a partir da contação de história Afro-brasileira a recepção dos/das alunos/as em se tratando da presença da personagem feminina negra na obra abordada, passando assim a reconhecer e valorizar a diversidade étnico racial e de gênero, uma vez que as mulheres negras são frequentemente associadas ao trabalho escravo, trabalho doméstico, ou ocupando posições sociais inferiores ao homem. Logo, este artigo teve como base o livro de literatura infantil “Menina bonita do laço de fita”, um clássico de Ana Maria Machado, para uma abordagem da literatura afro-brasileira numa turma de 2º ano do ensino fundamental, através do enfoque da figura feminina negra. A escolha pela referida obra se justificou pela forma que a autora trata a beleza negra, usando uma linguagem capaz de sensibilizar às crianças, o que permitiu aos envolvidos – Professor/a e alunos/as, refletirem sobre as questões raciais, afetivas, familiares, diferenças de cor e, principalmente, de gênero. Em seguida, analisamos as leis 9.394/96, a 10.639/03 e a 11.645/08, bem como, de alguns autores e autoras que tratam dessa abordagem e, ainda, com a finalidade de obter dados para análise qualitativa, apresentamos uma pesquisa bibliográfica, uma observação na escola/sala, a utilização de entrevista semiestruturada e intervenção na turma.

Logo, este trabalho passou incialmente por uma pesquisa bibliográfica, no intuito de obter conhecimento mais conciso sobre a temática, em primeiro momento, e uma pesquisa-ação, em segundo momento, a fim de realizar observações no ambiente de pesquisa, bem como, intervenções através de uma sequência didática para assim, obter dados precisos e coletas para a conclusão deste.


  1. Fundamentação teórica


Ao tratar da leitura literária como um meio indispensável na formação do leitor-criança, AGUIAR & BORDINI (1993, p. 15) explicam que "em virtude da autonomia própria as obras literárias, mesmo que se reconheça sua gênese na vida social, a formação do leitor de literatura não pode ser idêntica à do leitor genérico ou pragmático".

Entende-se que a leitura sugere a participação ativa do leitor na constituição dos sentidos linguísticos, não pela simples decodificação dos signos, mas, sim, pela seleção de significados que, associados ao conhecimento de mundo do leitor, possibilita diferentes leituras para diferentes leitores. Desse modo,

A fruição plena do texto literário se dá na concretização estética das significações. À medida que o sujeito lê uma obra literária, vai construindo imagens que se interligam e se completam - e também se modificam - apoiado nas pistas verbais fornecidas pelo escritor e nos conteúdos de sua consciência, não só intelectuais, mas também emocionais e volitivo, que sua experiência vital determinou. (AGUIAR & BORDINI, 1993, p. 17).

Um dos objetivos para a aquisição da leitura nas crianças é justamente criar possibilidade para que possam construir e valorizar sua identidade, autoestima, para que assim, passem a respeitar o outro e assim próprio perante suas características e seu modo de ser e viver, pois “é importante criar situações educativas para que, dentro dos limites impostos pela vivência em coletividade, cada criança possa ter respeitados os seus hábitos, ritmos e preferências individuais. (RCNEI 2, p. 31)

Atualmente as crianças possuem maior acesso aos avanços tecnológicos. Por essa perspectiva, é possível perceber que, o desenvolvimento da leitura de literatura passa a ter um resultado positivo quando se exige um professor leitor proficiente em sua atuação, ou seja, um sujeito-leitor no processo de ensino-aprendizagem com seus/as alunos/as, que busque a diversidade de modo interdisciplinar para a necessidade de um estudo que resgate os aspectos sejam eles pessoais – construção da identidade, culturais, sociais, entre outros, calcado em contribuições da História, da Sociologia, da Antropologia e dos Estudos Culturais.

Enquanto professores/as, nos questionamos do “por quê” daqueles livros de contos de fadas conterem como personagens principais os príncipes e princesas brancos/as, com cabelos lisos, na maioria das vezes claros e compridos. Rosemberg (1985), afirma que “a literatura infantil, não obstante de outros gêneros, é em si mesma um campo eficaz de criação de

estereótipos e padrões e de reprodução de valores convencionados se configurando como um gênero que também atua na construção ideológica”.

Na literatura publicada no Brasil até 1888, o/a personagem negro/a era geralmente caracterizado como:

Uma figura semelhante a feras que servia apenas para o trabalho pesado, um selvagem em quem não se pode confiar e que se revoltará na primeira oportunidade, um herói lutando contra uma opressão injusta, um servo fiel imbuído de grande amor por seu senhor, uma figura exótica que desperta desejo, um pobre ser humano rebaixado de seus anseios justos devido a uma instituição iníqua. (RABASSA, 1965, p. 99).

Logo, a personagem negra é apresentada, constantemente, na condição de empregada doméstica, na maioria das vezes, retratada com um lenço na cabeça e um avental cobrindo o corpo gordo de cozinheira ou babá (NEGRÃO, 1988; NEGRÃO & PINTO, 1990). Além do mais, tratada com inferioridade, aquela que estava para servir os outros, sendo humilhada e maltratada, fazendo papel apenas secundário em relação aos outros. É possível perceber que “em todo esse contexto de conquista e dominação, a apropriação social das mulheres do grupo derrotado é um dos momentos emblemáticos de afirmação de superioridade do vencedor” (CARNEIRO, 2001). Nossos pensamentos estavam associados apenas a remeter uma ideia escravidão, humilhações físicas e verbais, com isso, “não existiam histórias, nesse período, nas quais os povos negros, seus conhecimentos, sua cultura, enfim, sua história, fosse retratada de modo positivo” (JOVINO, 2006, p. 187). Contudo, o espaço ocupado por personagens negros e negras na literatura infantil era definido da seguinte maneira:

O preto? Ora, somente ocupa funções de serviçal (setor doméstico ou industrial, e aí pode ter um uniforme profissional que o defina enquanto tal e que o limite nessa atividade, seja mordomo ou operário...). Normalmente é desempregado, subalterno, tornando claro que é coadjuvante na ação e, por consequência, coadjuvante na vida... Se mulher é cozinheira ou lavadeira, gordona e bunduda. Seu ótimo coração e seu colo amigo são expressos no texto ou talvez nas entrelinhas... Importa que sua apresentação física não seja das mais agradáveis, das mais audaciosas ou belas... Altivos e elegantes? Nunquinha... (ABRAMOVICH, 1989, p. 36-37)

Como vemos durante décadas, “o papel da mulher negra é negado na formação da cultura nacional; a desigualdade entre homens e mulheres é erotizada; e a violência sexual contra as mulheres negras foi convertida em um romance” (GILLIAN, apud CARNEIRO, 2001, p. 1). Isso nos leva a refletir sobre a ausência de abordagens e livros de literatura infantil afro-brasileira em salas de aula que tratam a figura feminina negra em seus enredos.


Com isso, a dificuldade de selecionar conteúdos curriculares da área de Literatura relativos à Cultura afro-brasileira e/ou Cultura Africana, em especial, da mulher negra, é que nos leva a refletir sobre o que diz a Lei de Diretrizes e Bases Nacionais Nº 9394 de 20 de Dezembro de 1996 em seu Art. 26-A, sobre a obrigatoriedade do estudo dos conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira e indígena no âmbito de todo o currículo escolar em Instituições de ensino fundamental e de ensino médio, sejam públicos e/ou privados que, com um grande destaque nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. Tais conteúdos, por sua vez, passarão a caracterizar a formação da população brasileira, seus grupos étnicos, as resistências indígenas e africanas, bem como, sua história como um todo, seu legado, culturais e contribuições significativas nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

Tal artigo que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional passou a ser acrescido pela Lei nº 10.639, de 9 de Janeiro de 2003, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e dá outras orientações, tais como, a validação da mesma, acrescida dos seguintes arts. 26-A, 79-A e 79-B, além dos estudos citados anteriormente, incluindo o estudo da História da África e dos Africanos, incluindo ainda no calendário escolar o dia 20 de novembro como “Dia Nacional da Consciência Negra”.

Logo, observa-se que houve a necessidade da alteração da Lei no 9.394/96, modificada pela Lei no 10.639/03, estabelecendo, portanto, as diretrizes e Bases da Educação Nacional, com redação dada pela Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Tal acréscimo teve o objetivo de incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, consolidando assim, todo o estudo referente aos conteúdos programáticos citados.

Com isso, passou a vigorar a inclusão de assuntos relativos à Cultura Afro-Brasileira e/ou Cultura Africana em alguns dos componentes curriculares; e, a leitura da literatura afro-brasileira pode contribuir como desenvolvimento da igualdade étnico-racial em ambientes educativos. Então passamos a nos questionar: Por que e como trabalhar a Literatura afro-brasileira em sala de aula? Como escolher livros? Como promover a leitura de livros de literatura com a temática afro-brasileira em sala de aula? Este é um conjunto de questionamentos que devem estar presentes nos cursos de formação de professores, em todas as modalidades, instigando o redesenho de princípios e práticas para lidar com assuntos antes silenciados ou tratados de maneira danosa ou perversa (SOUZA, et al, 2005, p. 1).


Dessa forma, entende-se a necessidade de formação continuada para professores, já que conforme Ziberman (1987) o professor tem papel fundamental para a consolidação de uma leitura prazerosa e significativa do educando e, assim, para que possam, em seu fazer pedagógico, contemplar estudos e reflexões acerca das questões sobre a Cultura Afro Brasileira e Africana pelos caminhos da Literatura em sala de aula, seguindo-se, como propósito, as Leis que implicam esse trabalho, como também, a construção da identidade do indivíduo. Para Erikson (1972), o senso de identidade é desenvolvido durante todo ciclo de vida, no qual cada indivíduo passa por uma série de períodos de desenvolvimento distintos. Portanto, a construção da identidade é pessoal e social, acontecendo de forma interativa, através de trocas entre o indivíduo e o meio no qual está inserido.

  1. Metodologia


Para a descrição do desenvolvimento deste trabalho, classificamo-lo como qualitativo, de cunho bibliográfico, em um primeiro momento e, posteriormente, como uma pesquisa-ação5. Isto porque realizamos uma intervenção direta na sala de aula, enquanto a pesquisadora que sistematiza e controla a ação na pesquisa por meio de sua intervenção e planejamento, bem como, na coleta de seus resultados.

Segundo Deslandes et al. (1994), um trabalho como esse, possibilita a produção de conhecimentos e dá continuidade ao propósito de sondar a realidade e desvendar seus segredos. Já segundo Minayo, et al. (1994), possibilita um labor artesanal que se não prescinde da criatividade e se realiza, basicamente, por uma linguagem constituída em conceitos, proposições, métodos e técnicas, linguagem esta que se constrói com um ritmo próprio e particular. Portanto, abordará o conjunto de expressões humanas constantes nas estruturas, nos sujeitos, nos significados e nas representações.

A organização, sistematização e análise de dados deste projeto partiram inicialmente de uma pesquisa bibliográfica a respeito do objeto de estudo a ser explorado, desenvolvido e executado. O ambiente de investigação e coleta de dados foi a Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental José Ferreira de Paiva, Canafístula, Alagoa Grande- PB, na qual,
atende a uma comunidade escolar de aproximadamente 260 alunos do Ensino Infantil e Fundamental, funcionando, atualmente, nos turnos manhã e tarde, estando inserida numa comunidade rural. O motivo de escolha desta foi o fato de haver o exercício na mesma como docente, como também, a instigação em sabermos como ocorre a abordagem da literatura afro-brasileira, em se tratando da figura negra feminina nas práticas educativas e de ensino. Logo, por meio de uma observação na própria escola, mais precisamente, numa turma de 2º ano do ensino fundamental, obtivemos dados empíricos, com caráter descritivo, para facilitar a organização dos dados, bem como, situações que me puderam abrir um leque de informações necessárias para desenvolver este artigo.

Em seguida, utilizamos de uma entrevista semiestruturada com uma professora de uma turma de 2º Ano dos anos iniciais do Ensino Fundamental, com base num roteiro simples, para o desenvolvimento da pesquisa, para que expusesse sua visão diante de sua prática docente em sala de aula, relacionada às questões voltadas à presença da figura negra feminina nos livros de Literatura Infantil de forma positiva a garantir os direitos das mulheres negras na sociedade, bem como as questões de gênero em sala de aula, vista por muitas vezes, como o fator de superioridade do masculino sob o feminino.

Logo, a partir de um planejamento de atividades, fizemos a intervenção na turma observada (2º Ano) com o trabalho de abordagem e contação de história de Literatura Infantil Afro-brasileira, que enfocasse a figura feminina negra em seus enredos, acerca de ter posto em prática os estudos obtidos em situações vivenciadas a respeito das atividades executadas relacionadas ao objeto de estudo.

Por fim, fizemos uma análise qualitativa a fim relatar e analisar os dados obtidos, categorizando-os, interpretando-os e organizando-os de modo analítico, conforme as pesquisas bibliográficas realizadas, na qual, serviram de base para categorizar os dados existentes.



  1. Análise de resultados


Inicialmente, ao observarmos a turma do 2º Ano pudemos perceber que a mesma é composta por 23 alunos/as, dentre eles: 12 meninos e 11 meninas, com idades ente 7 e 11 anos. Foi possível notar, durante toda a manhã, as atividades em que a professora realizava seu trabalho docente e percebemos não só a interação entre ambos/as – Professora X Alunos/as, mas também, o interesse apresentado por alguns/as. Por determinados momentos
houve a vontade de intervir, mas não foi feito pelo fato de estarmos realizando, nesse primeiro momento, uma observação e não uma intervenção. Embora tendo abertura da professora, preferimos apenas observar e refletir diante de concepções e conhecimentos adquiridos durante o curso.

Em seguida, realizamos uma entrevista semiestruturada com uma professora do 2º ano, a qual chamamos de Maria, 37 (trinta e sete) anos, graduada em Pedagogia e 14 (catorze) anos de carreira como docente, com o intuito de abordar sobre o trabalho desenvolvido e executado em sala de aula, quanto professora e quanto aluno, a respeito da leitura de livros de Literatura Afro-brasileira, em que há a presença da figura feminina negra em obras literárias do universo infantil, para que assim pudéssemos concluir se o trabalho estava sendo realizado apenas como uma forma de cumprir o currículo didático escolar como consta na Legislação que rege o ensino da cultura e literatura afro-brasileira em sala de aula - Leis nº 9.394/96, nº 10.639 e nº 11.645, ou, ainda, como um meio de transmitir os conhecimentos e reflexões desta a fim de despertar nos/as alunos/as um sentimento de respeito e valorização, nesse caso, da figura negra feminina na sociedade em diversas situações e meios em que está inserida. Até porque o/a professor/a deve ser um formador de opiniões e não “mais um” que colabore ou ajude a arraigar, em seus alunos, um pensamento preconceituoso e discriminador.

Durante a entrevista, a professora respondeu que pelo fato de trabalhar de forma interdisciplinar mantém sempre uma ligação de uma disciplina para outra, sem contar que planeja suas aulas a partir de uma sequência didática, abordando todos os conteúdos daquela semana correlacionando com todas as disciplinas.

Na conversa, seguindo o roteiro, questionamo-la sobre a importância de se trabalhar as questões voltadas a gênero e étnico raciais a partir de livros de literatura infantil, no qual, segundo ela,

a contação de história permite às crianças o conhecimento dos valores, da cultura, os costumes de vários povos e até mesmo o respeito com aquele que está a sua volta, e que ao trabalhar as questões étnicas raciais por meio da literatura infantil, podemos trazer resultados positivos, uma vez que algumas obras passam a considerar as diferenças de cada um, respeitando e valorizando-as.(MARIA, Professora, 2015)

Ao abordar a leitura, mantém sempre uma rotina diária, como “A hora da novidade”, em que leva um livro para ler com seus/suas alunos/as e assim, refletirem sobre o teor da história. Ainda disse


que na grande maioria das vezes, leva uma obra que esteja relacionada ao que dará naquela aula. Já em se tratando da presença da figura negra feminina em obras infantis, mostra que já leu diversas para eles/as e que sempre ocorre o fato de alguns compararem a protagonista com alguém da sala, desse modo, segundo ela, é a partir daí que, não necessariamente numa aula de história, “vai conversando com seus alunos a respeito da riqueza da diversidade étnica e cultural existente em nosso país diante de pessoas que estão ao nosso redor, assim facilitando a compreensão e reflexão dos mesmos” (MARIA, Professora, 2015). Em alguns momentos da aula Maria disse que em muitas vezes se depara com questionamentos feitos pelo/as alunos/as, como: “Professora porque a colega tem a cor da personagem da historia?”, levando-a a fazer intervenções do tipo a compreenderem suas origens e respeitarem suas diferenças, sejam étnico-raciais, de classe social, de gênero, entre outras.

Diante disso, vemos também a importância de uma formação de qualidade para os professores/as, pois serão eles/as, os mediadores desse processo contínuo, não só de formação de leitores, mas também, de cidadãos críticos e reflexivos diante de suas “diferenças”. Contudo,

A falta de formação é um processo silencioso, lento, progressivo e cumulativo de noções inadequadas sobre temas-tabu [...] A falta de formação é o alicerce do preconceito [...] Como se dá a falta de formação? Sem o apoio dos adultos, a criança busca mecanismos de atender à sua curiosidade acerca das diferenças individuais. Liga sua possante antena parabólica e começa a captar informações truncadas e estereotipadas dali e daqui, incluindo as da mídia. (WERNECK, 2003, p. 11)

Para finalizar a entrevista, pedimos para que em poucas palavras, ela dissesse qual sua contribuição enquanto educadora para firmar e fortalecer um pensamento crítico e reflexivo em seus alunos a respeito das questões de gênero com ênfase na figura negra feminina em obras literárias, onde ela mostra que,

torna-se necessário divulgar o lado positivo do ser humano, independente de qual seja sua condição, ajudando os(as) alunos(as) na reflexão quanto á semelhanças , diferenças étnicas e de gêneros e que possam adquirir um caráter de respeito e aceitação da sua própria condição. (MARIA, Professora, 2015)

Já em um terceiro instante, a partir da observação em sala e entrevista com a professora, elaboramos um planejamento de atividades voltadas à temática em foco, para realizar uma intervenção e assim, coletar mais dados. Como a professora em seu planejamento pedagógico utiliza uma sequência didática a partir de determinado tema ou livro, buscamos executar a intervenção pedagógica segundo esta mesma dinâmica.

Desse modo, a intervenção pedagógica foi realizada em cinco aulas, ao longo de uma semana, sendo dividida em momentos. O momento inicial consistiu em apresentar o trabalho e atividades sequenciadas que iríamos desenvolver a partir de uma obra de Ana Maria Machado. Logo de início, a sala foi preparada para a dinâmica das cores, em seguida foi feito a exploração da dinâmica quanto às cores das coisas e pessoas, surgindo questionamentos sobre a cor de nossas peles. Após, uma roda de conversa informal levantando os conhecimentos prévios dos/as aluno/as a respeito da cultura afro-brasileira. A partir da confecção do auto-retrato para reconhecimento da sua cor de pele surgiu o questionamento quanto o lápis cor de pele, onde fizemos a comparação do lápis com a nossa pele, levando os/as alunos/as a perceberem que o lápis não é cor de pele e que não tinha lápis com as suas cores de suas peles surgindo assim à pergunta: professora que lápis irei pintar o meu desenho para representar a minha cor? Logo, foi pedido que utilizassem uma cor parecida. Após atividade, fizemos uma roda de conversa para apresentação da história oralmente, sem mostrar o livro, pedindo às crianças, em seguida, que dessem um titulo (um nome) à história ouvida, no qual, fui escrevendo na lousa as sugestões apresentadas.

A obra Menina Bonita do Laço de Fita não é a única obra que aborda a figura feminina negra. Há, segundo Jovino (2006),

[...] alguns livros que rompem um pouco com as consagradas formas de representação da personagem feminina negra e também da cultura afrobrasileira. É possível encontrar obras mostrando personagens negras na sua resistência ao enfrentar os preconceitos, resgatando sua identidade racial, desempenhando papéis e funções sociais diferentes, valorizando as mitologias e as religiões de matriz africana, rompendo, assim, com o modelo de desqualificação presente nas narrativas dos períodos anteriores (p. 189).

Esta perspectiva corrobora na valorização e reafirmação de uma cultura étnico-racial afro-brasileira, a partir da literatura infantil e, principalmente, no destaque da figura da mulher negra de forma positiva e igualitária.

Já num segundo momento, após levantamentos de possíveis títulos para o livro, foi dada continuidade a aula do dia anterior, dessa vez, mostrando seu verdadeiro título: Menina bonita do laço de fita. Logo, comparamos com os nomes apresentados pelos/as alunos/as na atividade anterior perguntando a eles se gostaram mais do nome escolhido por eles ou escolhido pela autora. Passamos a ter uma conversa informal levantando os conhecimentos prévios trazidos pelos alunos a respeito da cultura afro-brasileira e a presença de personagens negros presentes/as na literatura infantil, em especial, da figura da mulher negra. Apresentamos para os educandos o livro, explorando o titulo, o nome da autora, da editora, a
imagem da capa e do/a ilustrador/a. Logo após, fizemos os questionamentos sobre a capa do livro: a cor da pele da menina, do coelho, o cabelo da menina, entre várias características, até que neste momento surgiu a comparação de um aluno com uma colega da sala devido à cor de sua pele e seu cabelo ser parecido com a personagem do livro. A partir daí, fomos mostrando que cada um tem suas características próprias e que, em determinadas, somos assemelhados a outras pessoas devido a nossa herança genética, culturas e valores seguidos por nossas famílias. Em seguida, foi realizada a leitura compartilhada da obra em voz alta mostrando as ilustrações parando em cada página, mostrando as imagens e destacando as palavras e expressões que valorizam a menina, que a retrata como bela. Logo após, realizamos uma atividade a partir da capa do livro lido para o estudo da estrutura da mesma: “Essa é a capa do livro que li!”.

Diante disso, a literatura infantil afro-brasileira possibilita a construção de valores morais e ensinamentos que propiciam as crianças construírem afirmativamente sua identidade racial. De acordo com Mariosa & Reis (2011, p.45) “As obras os retratam em situações comuns do cotidiano, enfrentando preconceitos, resgatando sua identidade e valorizando suas tradições religiosas, mitológicas e a oralidade africana”.

Em um terceiro momento, a partir da releitura do livro “Menina bonita do laço de fita”, fizemos questionamentos sobre a personagem e se eles conhecem outros livros onde a personagem principal é uma menina negra, logo, surgiram algumas obras como: “A princesa e o sapo” (BELLI, 2006) e “A princesa e a ervilha” (ISADORA, 2011). Falei para eles sobre alguns livros como: “O cabelo de Lelê” (BELÉM, 2007), “As tranças de Bintou” (DIOUF, 2004), “O casamento da princesa” (SISTO, 2009) e outros. Desse modo, voltamos para o livro dando ênfase à descoberta do coelho “a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até com os parentes tortos” fragmento retirado do livro (MACHADO, 2011, p. 4) e perguntamos aos alunos com quem eles achavam que se pareciam. Em seguida, apresentamos a música “Família” de Rita Rameh, na qual, eles escutaram, então voltamos ao questionamento da aula anterior, onde surgiu um questionamento de uma aluna que dizia o seguinte,

Eu me acho parecida com minha avó, mas tem pessoas que dizem que sou um pouco da minha mãe e um pouco do meu pai... acho que é a genética, por isso que tem um pouco de cada um, mas sou feliz por ter os traços de cada um deles” (I.L.S., aluna, 2º Ano)

Em seguida fizemos nossas árvores genealógicas, e como atividade, pedimos que as crianças entrevistassem a família e parentes femininos para saberem com quem se parecem e apresentar oralmente. Depois ilustramos o livro MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA e desenhamos coletivamente os/as personagens principais.

Em um quarto momento, começamos com as apresentações orais das entrevistas feitas pelos alunos. A partir daí levantamos questionamentos do tipo: O que é ser bonito/a? Como uma pessoa deve ser para ser considerado/a bonito/a? Surgiram algumas respostas diferentes do tipo: “tem que ser bonita por fora e por dentro Tia”, “Não é preciso ter a cor branca na pele”, “Devemos respeitar o outro do jeito que ele é” entre outros, e assim, retomamos o que foi trabalhado durante a semana. Destacamos que o mais importante é respeitar as diferenças. Propusemos aos alunos e alunas que escrevessem um texto com o seguinte título: “Menina bonita chamada...”, no qual, criamos um nome para a personagem, trabalhando as questões de gêneros, no qual eles responderam a pergunta: Qual é o segredo de você ser tão bonito/a? A partir desse momento, os alunos, mesmo tratando de uma temática em que envolva apenas a figura da mulher, em nenhum instante se sentiram constrangidos com a atividade proposta, até porque a professora, sempre trabalha as questões de gênero em sala de aula. A produção foi coletiva e transcrevemos o texto no qual as alunas e alunos relataram como são, falaram de suas características físicas, etc.

Para que a temática da presença da mulher negra em livros de literatura infantil afro-brasileira tenha visibilidade e espaço nas escolas, é importante que os/as professores/as tenham conhecimento sobre a cultura, valores e costumes, e saibam uma forma de como implantá-la nas suas aulas, em suas práticas docentes, de modo que essa temática esteja interligada com diversos conteúdos e, principalmente, que esteja contribuindo para o crescimento e identidade dos alunos e das alunas. Para tanto, torna-se dever da escola promover esse tipo de conhecimento para seus alunos/as, pois

mais que pensar a reorganização das disciplinas há que se pensar como o cotidiano escolar – em seus tempos, espaços e relações – pode ser visto como um espaço coletivo de aprender e conhecer, respeitar e valorizar as diferenças, o que é fundamental para a construção da identidade dos envolvidos no processo educacional (ORIENTAÇÕES E AÇÕES PARA EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS, 2006, p. 79).

No quinto e último momento da intervenção a aula deu-se início com a pergunta: Vocês já ouviram falar da África? Em seguida um aluno fez uma pergunta: “Professora a
África existe?” onde foi respondido que sim! Depois da pergunta apresentamos à turma o globo terrestre para localizarmos o continente africano, passando a entendê-lo em sua dimensão continental, em sua diversidade e sequencialmente o mapa-múndi, os cinco continentes, a América, a Europa, a Ásia, a África e a Oceania, ressaltando ainda que eles são divididos em países, cada um com seus costumes e tradições, suas festas, músicas e danças, suas religiões e seu jeito de ser. Foi apresentado ainda um vídeo sobre a África “Breve história da África” do Acervo da Cor Da Cultura, onde após deu-se início a uma conversa e a atividades relacionadas de associação e escrita, sobre a figura feminina negra e sua influência na nossa cultura. Contudo, ao final, expusemos todas as atividades no corredor da escola, inclusive suas árvores genealógicas com suas histórias de vida e heranças familiares, a partir das fotos trazidas por eles/as, em especial, das matriarcas das famílias.

Notamos que dentre as atividades desenvolvidas, foi importante trabalhar com os/as alunos/as o conceito gênero e diversidade a partir da auto-imagem positiva, tratando da figura negra feminina presente em livros de literatura afro-brasileira, ou seja, trabalhar com o sentimento de aceitação e respeito da própria pessoa por si mesma e pelo outro.

Assim, conforme Campos (2008, p.03), podemos perceber que a mulher negra ainda não aparece como musa, heroína ou romântica, devido ao seu passado escravo, de corpo-procriação e/ou como corpo-objeto de prazer. No entanto, a literatura afro-brasileira está se delineando e proporcionando um caminho para a construção da identidade negra, focalizando a figura negra feminina presentes em obras literárias de maneira mais respeitável e valorizada.

  1. Considerações finais


O trabalho com a metodologia de contação de histórias mostrou-se relevante na turma de 2º Ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal José Ferreira de Paiva, pois passou a ser um auxílio à prática pedagógica que pode instigar nas crianças a imaginação, a criatividade, a oralidade, o incentivo do gosto pela leitura, contribuindo na formação da personalidade envolvendo o social e o afetivo e, a identidade própria. Desse modo, o ensino da Literatura Afro-brasileira reforça a importância de trabalhar textos nessa natureza em sala de aula, principalmente em se tratando da figura feminina negra, pois é um meio de desmistificar a mulher negra em obras literárias vista apenas de modo inferior em comparação ao homem seja ele branco ou negro.
A partir de nossas experiências como docente, torna-se perceptível, que há certa ausência do uso da literatura como instrumento pedagógico na Educação Básica, logo, é a partir dessa ausência, que vemos a necessidade de incluir a literatura afro-brasileira na prática docente de todo/a o/a professor/a (BRASIL, 1996). Até porque, se a criança não se vê realmente como ela é, a realidade passa a ser retratada apenas como as que se passam em alguns livros de forma recorrente carregada de estereótipos e com uma carga subliminar negativa. Desde então, vale salientar que há outras obras a serem trabalhadas em sala de aula e que cabe ao/a professor/a tirar proveito delas, como por exemplo: “Menina bonita do laço de fita” (MACHADO, 2000) – obra trabalhada, “A Bonequinha Preta” (OLIVEIRA, 1998), “Cinderela Negra” (MEIHY, 1994), “O cabelo de Lelê” (BELÉM, 2007), “Bruna e a galinha D'angola” (ALMEIDA, 2003), “A menina e o tambor” (JUNQUEIRA & HADDAD, 2009), “As tranças de Bintou” (DIOUF, 2004), “A menina que bordava bilhetes” (GOMES, 2011), dentre tantas outras. No entanto, há um impasse enquanto ao bom uso destas, isto é, de modo planejado, consciente do que a mensagem da obra produzirá na criança. Para isso, os/as professores/as necessitam de uma formação continuada e adequada para poder abordar temas em sala diante do racismo estrutural no Brasil, como também, da diversidade, questões de gênero, étnico-raciais, entre outras, de modo a desenvolver em alunos e alunas um pensamento crítico e reflexivo diante de sua realidade, como também, sua identidade própria.

O livro Menina Bonita do Laço de Fita foi relevante na medida em que contribuiu para que os/as alunos/as percebessem e ressaltassem as diferenças étnico-raciais existentes entre as personagens do conto, bem como, a si próprios/as, em sua realidade, promovendo assim, a reflexão sobre seus antepassados e seu pertencimento étnico, fazendo com que ressaltassem e valorizassem as diferenças étnico-raciais, explicando, cada um à sua forma, como essa diferença surge em cada pessoa. Desde então, não só o livro quanto, os questionamentos, discussões e materiais estudados propuseram processo de ressignificação da presença da figura da mulher negra em obras literárias, sendo relevantes ainda para questões de gênero, étnico-raciais e diversidade.

Portanto, diante de estudos sobre, percebemos que a inclusão da literatura Afro-Brasileira com obras literárias em que apareça a figura feminina negra como protagonista trouxe reforços positivos na turma trabalhada – 2º Ano, como a ruptura do imaginário preconceituoso, constituindo a importância da mulher negra na construção da história brasileira, valorizando-a positivamente por meio da educação/escola, no objetivo de construir uma sociedade justa e igualitária nas relações culturais e sociais.
Durante toda a trajetória no Curso de Especialização em GDE-Gênero e Diversidade na Escola, passamos a perceber muitas mudanças de modo positivo, a principal delas: a concepção e atitudes à frente de algumas situações preconceituosas e discriminadoras, hoje não mais vista dessa forma. Talvez, isso deva ao fato da educação familiar, imaturidade em agir em determinadas situações, ignorância a determinados fatos considerados comuns hoje na sociedade, como por exemplo, a homossexualidade, diversidade, equidade de gênero, feminismo e a valorização étnica racial e, principalmente, a falta de informação.

Contudo, hoje temos a capacidade de perceber essa mudança por intermédio do curso, passando a nos informar, interagir e compartilhar ideias e pensamentos de tudo o que se trata a partir de temáticas pertinentes à nossa formação enquanto docente para assim, aplicarmos de modo significativo e coerente em nossa prática de ensino. Desse modo, podemos considerar de suma importância para a nossa atuação enquanto educador/a diante do leque de informações sugeridas pelo GDE que nos serve de suporte e base em nossos trabalhos como um todo.



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1 Trabalho decorrente de pesquisa realizada no Curso de Especialização Gênero e Diversidade na Escola (GDE) do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação sobre Mulher e Relações de Sexo e Gênero (NIPAM) da Universidade Federal da Paraíba, sob a orientação da Profa. Ma. Ana Laura Silva Vilela.

2 Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal de Campina Grande – UFCG e Pós Graduada na Especialização em Gênero e Diversidade na Escola pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB.

3 Licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, Pós Graduada em Psicopedagogia pela Fundação Francisco Mascarenhas – FIP e Pós Graduanda em Linguagem com Ènfase no Ensino de Língua Portuguesa pela Universidade Federal da Paraíba – UFPB.

4 Tomamos como referência a noção de Literatura afro-brasileira “como um conceito em construção, processo e devir”. Além de segmento ou linhagem, é componente de amplo encadeamento discursivo. Ao mesmo tempo dentro e fora da literatura brasileira. Constitui-se a partir de textos que apresentam temas, autores, linguagens, mas, sobretudo, um ponto de vista culturalmente identificado à afro-descendência, como fim e começo (DUARTE; GOMES 2014).

5 A pesquisa-ação procura unir a pesquisa à ação ou prática, isto é, desenvolver o conhecimento e a compreensão como parte da prática. É, portanto, uma maneira de se fazer pesquisa em situações em que também se é uma pessoa da prática e se deseja melhorar a compreensão desta. (ENGEL, 2000).






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